love will remember

Part I

Me desvencilhei do garoto de  com a desculpa de que ia pegar bebida no bar e voltava. Eu até fui mesmo até o bar, mas não peguei nenhuma bebida, e muito menos voltei a procurá-lo, e  eu realmente não lembro o nome que saiu de seus lábios, lábios esses que pareciam muito mais atraentes na hora do que realmente eram, mas que se dane.

Subi no segundo andar da boate, um lugar consideravelmente mais ‘morto’, quer dizer, todos ali estavam sentados em mesa tentando conversar, provavelmente só tentando mesmo, porque a música dali  era tão ensurdecedora quanto na pista.

Mas ao menos ali eu tinha a vista de todos lá em baixo, aonde eu podia procurar por minha irmã mais nova. Depois de alguns segundos passando o olhar rápido pelas pessoas, a encontrei, e lá estava ela com o mesmo cara de sempre. Eu realmente não entendo o que eles ainda vem fazer aqui se eles sempre se pegam dessa forma.

Peguei o celular da pequena bolsa preta em minhas mãos buscando por um relógio, para ver se já estava muito tarde. E bem, considerando que o chá de panela da Gemma seria amanhã, às onze horas da manha, e que minha mãe com certeza me obrigaria a ajudar na organização, duas e meia é tarde.

Mandei uma mensagem rápida pra minha irmã, sabendo que ela provavelmente só veria quando fosse me avisar que iria embora com o tal cara que, apesar dela comentar comigo, eu também não lembro o nome. Ok, talvez eu não seja muito boa com nomes mesmo.

Desci as escadas com cuidado pelo salto fino que eu usava.

Tudo bem Manoela, mãos no corrimão, um pé após o outro, cabeça levemente abaixada para que dê pra ver os degraus mas para que não fique parecendo uma velha, está tudo bem, tenho menos de vinte e cinco e apesar de não gostar de academia as pernas me aguentam.

Ergui a cabeça, quase que orgulhosa de mim por conseguir descer a escada, lotada de gente subindo, descendo e se pegando e logo  continuando meu caminho até a saída como se nada tivesse acontecido.

‒Manu?! ‒Paralisei por um segundo ao ouvir a voz dele gritado meu nome. Neguei com a cabeça me desfazendo da imagem da pessoa que minha mente dizia ser o dono da voz e voltei a andar. Eu estou ficando maluca, só pode. ‒Ei, Manu! ‒ A voz gritou de novo, e então eu senti uma mão em meu braço, puxando meu corpo e me fazendo parar. E eu só conseguia pensar em como, mesmo depois de dois anos, eu ainda conseguia reconhecer sua voz.

Me virei para trás, torcendo pra eu estar enganada, muito enganada.

E eu não estava, mas eu não sei se estava realmente chateada por estar certa.

‒Harry?! ‒ Minha voz saiu baixa demais para que ele ouvisse, mas sorri involuntariamente ao me deparar com seu sorriso. Eu não sei se a luz estava realmente favorável à ele ou se era eu quem estava. ‒ Eu.. Eu achei..  ‒Por céus por que eu estou  gaguejando? ‒Eu achei que.. Você..  Ainda estava..

‒Em Los Angeles? ‒Ele completou ainda sorrindo a frase que eu não conseguia terminar então apenas assenti, sentindo minhas bochechas corarem. Por sorte estava escuro de mais para que ele percebesse ‒Pois eu estava mesmo, apenas voltei.

‒É, você voltou..  ‒Sorri, sem graça.

‒Cheguei ontem de madrugada, passei o dia dormindo hoje, quer dizer, ontem ‒Ele riu de si próprio e eu tinha certeza que minha cara confusa foi o que fez ele desfazer o sorriso.  Ele ainda segurava meu pulso, mas de uma forma tão fraca que eu cheguei a pensar na ideia de sair correndo dali, mas não fiz . ‒Por isso ainda não deve ter me visto pela vizinhança e..

‒Voltou por quê? ‒Nossos olhares estavam ligados um no outro, e eu já não precisava gritar pra que ele me entendesse.  

‒O chá de panela da minha irmã.. ‒ Harry largou meu pulso.

‒Ah, sim.. É verdade.. ‒sorri sem graça e apesar de toda a barulheira do local, o silencio se instalou entre nós. Eu não sei por quê mas,  eu realmente queria ter alguma coisa pra falar agora.

‒Eu acho que, teoricamente.. ‒Ele deu um passo em minha direção. Meus olhos desceram automaticamente para seus lábios eles estavam tão.. Convidativos. Eu realmente não me importaria em beijá-los agora. ‒Nós não terminamos oficialmente né..? Quer dizer.. ‒Mais uma passo‒ Nós apenas seguimos rumos diferentes e..

‒E a vida nos afastou. ‒Completei, sem me importar que ele percebesse o que eu tava encarrando.

‒Exatamente Manu. Exatamente. ‒Mais um passo em minha direção. Entre nós agora havia um espaço de um palmo, no maximo ‒Você por acaso está com alguém..

‒Não. ‒ respondi mais rápida do que deveria sem conseguir parar de encarar seus lábios. Eles já estavam tão próximos..

‒Então ótimo! ‒Ele sorriu.

Suas mãos foram para minha cintura, colando nossos corpos de  vez, de um modo que nós praticamente nos chocamos, o que já era bom por si só.  Sua mão, firme em minha cintura, me puxou pra ainda mais perto, no que parecia uma tentativa de, de alguma forma, fundir nossos corpos. Minhas mãos passaram por cima de seu ombro, e logo, minha mão livre já estava em seu cabelo, mais comprido do que eu lembrava ser.  Num ato em conjunto nossos lábios se grudaram e Deus, como isso era bom! Era como se eu tivesse voltando à dois anos atrás, no dia em que eu dei meu último beijo no cara que eu tinha jurado meu coração.

Havia calma e ferocidade Havia uma mão quase na minha bunda e outra em meu rosto, aprofundando mais nossos rostos. Não era um beijo afobado, mas também não havia tranquilidade.

E então o beijo se partiu. Minha respiração estava descompensada e a dele também, eu a ouvia quase que nitidamente mesmo com a musica.

Abri os olhos, aparentemente junto com ele.

‒Você está com alguém? ‒ Minha vez de perguntar

‒Claro que não.. ‒Ele negou com a cabeça rindo um pouco

‒Ótimo. ‒ Respondi e ainda com as mãos em seu cabelo voltei a beijá-lo.

(**)

Esse especial não está terminado, como geralmente estão os que eu começo a postar, decidirei se continuarei escrevendo ou não através do retorno de vocês. Se vocês não gostarem muito, nem se interessarem, eu não continuo, caso contrário, eu continuo.. xx

Lia.