loren mcintyre

BOB WOLFENSON

O paulistano Bob Wolfenson sem dúvida tem um dos mais cobiçados arquivos fotográficos do país . Para escolher as 58 imagens que integram o volume Bob Wolfenson (Terra Virgem, 2017), da coleção Fotógrafos Viajantes, o editor paulista Roberto Linsker  mergulhou nas quase 5 décadas de sua produção. É o sétimo volume da série onde já estão consagrados autores como os brasileiros Cássio Vasconcellos e Pedro Martinelli; a inglesa Maureen Bisilliat; o americano Loren McIntyre (1917-2003) e o francês  Pierre Verger (1902-1996) além de um volume dedicado ao acervo de fotopinturas do pesquisador e sociólogo  alemão Titus Riedl que vive no Crato, Ceará. ( veja aqui neste blog review sobre este último livro http://blogdojuanesteves.tumblr.com/post/142796362371/estes-outros-fotopinturas-da-cole%C3%A7%C3%A3o-titus-riedl )

Autor de centenas de retratos de celebridades, dono de uma carreira também na imagem contemporânea mais autoral, Wolfenson talvez seja mais conhecido por suas antológicas imagens das mais belas modelos e atrizes vestidas e nuas, publicadas em diversas revistas brasileiras. É este o fio condutor escolhido pelo editor para celebrar seus 47 anos de carreira, uma constelação que inclui Gisele Bündchen, Tais Araujo, Luiza Brunet, Fernanda Torres, Juliana Paes, Rita Lee e Alessandra Negrini que, segundo o editor, pertencem ao seu círculo íntimo.

Não pense o leitor, entretanto, que irá entrar em mundo onde prevalece sensualidade e sexualidade. As “mulheres de Bob Wolfenson” vão além disso. Pai de 3 filhas, o fotógrafo explica que tem uma convivência intensa com o gênero e que elas o amaciaram quando, diante destas “musas”, se estabeleceu uma confiança mútua sobre o set fotográfico. Ele recorre ao compositor baiano Gilberto Gil, invocando a sua “porção mulher”. Citando o genial Richard Avedon (1923-2004) para quem a fotografia é apenas superfície,  ele argumenta que “não pretende se incensar como alguém de sensibilidade extra, capaz de desvendar o o que não é desvendável.“

“Este é um livro de mulheres, misturando imagens provocativas com outras mais contidas.” conta Roberto Linsker. Para ele, apesar dessa distinção não haverá uma imagem que não seja notada. “Todas são lindíssimas, seja pela beleza dos corpos nus, pelos olhares, pela atitude, mas principalmente pela forte presença.” O editor ainda nota que a edição do livro trouxe uma espécie de “conversa abstrata” entre as personagens, que passa pela questão cromática e também estética.

Wolfenson foi  um dos principais nomes da revista Playboy nas décadas de 1990 e 2000 e um dos profissionais mais requisitados por celebridades, entre elas atrizes, cantores e claro,  modelos. Entretando já nos anos 1980 se firmava pelos seus elegantes nus femininos mais autorais como aqueles da sua mostra Amigas do Peito, de 1989 na Galeria Fotoptica e a exposição produzida pela Galeria Collector’s, que se tornou seu primeiro livro Portifolium (Sver & Boccato Editores, 1990), ambos espaços pioneiros na mostra fotográfica no Brasil e infelizmente extintos. Na sequência o fotógrafo publicou mais 6 livros onde se destacam Jardim da Luz (Companhia das Letras / DBA, 1996) uma coletânea de seu trabalho na época, e Antifachada e Encadernação dourada (Cosac & Naify, 2004); Apreensões ( Cosac e Naify, 2010) e Belvedere (Cosac Naify 2013) edições de lavra mais autoral.

O formato pocket da coleção (12X16 cm)  abriga nus como o de Sonia Braga, Nanda Costa, Laura Neiva e Maitê Proença e cenas de atrizes globais como Malu Mader amamentando o filho João ou da própria mulher Mariza Guimarães Couto, entrando num carro num dia de chuva. O livro, segundo seu editor, trilha uma narrativa guiada essencialmente pela beleza. O escritor Reinaldo Moraes, amigo do fotógrafo desde os anos 1970, onde conviveram no inacabado curso de Ciências Sociais da USP,  traduz o trabalho de Wolfenson: “Fugindo à noção muito disseminada de que o bom retrato é aquele que capta a ‘alma’ de uma pessoa, Bob pensa que não é necessário ir a fundo na biografia e na mente da pessoa que será retratada, pois ‘fotografia não é psicanálise’, diz.

Moraes ainda escreve que para o fotógrafo, um bom retrato é um ‘milagre’, mas não no sentido místico do termo. O milagre se dá, na verdade, quando ocorre um encontro das expectativas do veículo que encomendou o retrato, do próprio retratado e do fotógrafo com sua câmera, que se interpõe entre ele e o objeto de suas lentes. “Vou me abrindo para o imponderável”,  diz o Bob, “e ao que pode ocorrer acidentalmente, ao que não estava no script original, como é da natureza dos encontros.”

Na seleta listagem estão Gisele Bundchen, Salma Buzzar, Margaret Baroni, Bárbara Paz, Fernanda Young, Patricia Pillar, Sonia Braga, Caroline Carlson, Thairine Garcia, Gisele Zelauy, Mariana Weickert, Alessandra Negrini, Nanda Costa, Anitta, Mariza Guimarães, Iza, Janne Fitzgerald, Bruna Lombardi, Malu Mader, Carolina Ferraz, Juliana Paes, Rita Lee, Cassia Avila, Mart’nália, Natállia Rodrigues, Regiane Alves, Mylla Christie, Rosana Prado, Maitê Proença, Renata Martins, Lovani Pinnow, Mariana Marcki, Renata Kupi, Vanessa Peele, Ana Beatriz Barros, Bettina Meinköhn, Melanie, Debie Mairèsse, Claudia Liz, Reca Remencius, Carla Monfort, Tais Araujo, Suyane Moreira e imagens inéditas de Luiza Brunet, Luciana Vendramini, Fernanda Torres, Ana Hickmann, Betty Prado, Vera Zimmermann e Laura Neiva.

As imagens inéditas no livro, ficam por conta dos retratos de Luiza Brunet, Luciana Vendramini, Fernanda Torres, Ana Hickmann, Betty Prado, Vera Zimmermann e Laura Neiva.  Bob Wolfenson  iniciou sua trajetória profissional em 1970  com 16 anos no estúdio da Editora Abril em São Paulo. Em 1978, mudou-se para Nova Iorque, onde trabalhou como assistente do consagrado fotógrafo americano  Bill King (1930-1987)  morto em decorrência de complicações das infecções geradas pela AIDS.

A coleção Fotógrafos Viajantes, conta o editor Roberto Linsker,  busca o universo do fotógrafo, suas imagens ou viagens, geográficas ou não, editadas de forma a contar um pouco sobre a visão peculiar de cada um deles. “O que me interessa é a diversidade de olhares e de desejos”. Como outras compilações do gênero, pelo seu tamanho pocket é a porta de entrada no trabalho de grandes autores. Não tem um preço muito popular custando R$ 70,00, mas afinal, tem quase 100 páginas e  traz a qualidade de um papel couché fosco, impressão exemplar e formato hard cover produzidos pela gráfica e editora Ipsis, que dá apoio institucional ao projeto.


Imagens © Bob Wolfenson  Texto © Juan Esteves

Lançamento: Dia 6 de novembro, segunda-feira, das 19h às 22h

Anexo Millan (Rua Fradique Coutinho, 1.516, Pinheiros) Tel: 3031.6007


Leia aqui review do livro Amazônia ( Terra Virgem, 2012) do fotógrafo paulista Edu Simões  http://blogdojuanesteves.tumblr.com/post/146356003506/amaz%C3%B4nia-edu-sim%C3%B5es


Leia aqui review do livro Ilusões Posteriores ( Terra Virgem, 2015) de Roberto Linsker  http://blogdojuanesteves.tumblr.com/post/135870293736/ilus%C3%B5es-posteriores-roberto-linsker