lomógrafos

Vou-me embora para Saturno

pois Pasárgada já lotou
de corações estilhaçados
e mãos frias
Bandeira que me perdoe
mas de desalento já basta o meu
e não há solo fértil que faça florescer amor em mim
e nem reis apáticos
que me desate os nós
levaram-me tudo, poeta
e a poeira do nosso Recife encobre minha visão
de tal forma que resta-me
somente os anéis de Saturno a circular
lançando-me com o pesar espaço afora
abocanhando galáxias
sumindo dentre as estrelas que roubaram-me a sanidade
tentando arrancar um pedaço da lua
ora
só ela há de me amar
e ai daquele que nunca quis fugir ao espaço
e ai daquele que nunca teve o coração retalhado

vou-me embora para Saturno
esquecendo como se volta
aniquilando o que pode fazer-me querer voltar.


Anthonieta: desvairada, agoniada, urgente (e declarando, mais uma vez, seu amor pelo universo, ou, quem sabe, apenas a vontade de fugir)