lixo mesmo

Estamos sempre partindo, apesar do incomodo insano nos primeiros segundos, é cabível e as vezes nem são pelos motivos. O engraçado é que eu conto os minutos esperando você voltar — tornaram-se horas, dias e no fim, sem notar, acabaram se tornando meses somando anos. E cada vírgula desse parágrafo sabe, mesmo no lixo, que a sua volta me aguarda e se chegar a ler isso aqui, faça uma nova partida, eu sai para lhe encontrar.
—  Everton.
Uma mãe que chora por um filho que se perdeu. Um pai que lamenta pela vida perfeita que escapou entre seus dedos surrados pelo tempo. Uma casa construída sobre lamentações e desejos mortos. Paredes cúmplices e ouvintes de tais brutalidades que o mundo há de se negar presenciar. A vida é arbitrária. O tempo é sujo. O passado é um rabisco numa folha em branco, que você amassa e joga no lixo, mesmo assim ela não deixa de existir. Pode destruí-lo, e ele continuará vivo… Enquanto houver lembranças. E, ah, as lembranças… Estas nunca morrem. Mesmo que cessem por anos, sempre haverá uma faísca que incendiará e clareará toda a sua mente conturbada, até o lado mais escuro e esquecido do seu consciente. 
A verdade, meu caro leitor, é que a gente é perdido. 
Mesmo sabendo onde estamos. 
Mesmo com os pés fixos no chão e o olhar no horizonte. 
Nós nunca sabemos quem somos. Nós nunca sabemos o que queremos.
E quando percebermos que o segredo da vida é viver, será tarde demais. E o tempo não volta.
—  Jadson Lemos. 

Não, eu não vou fazer aquele truque. Pode, por favor, parar de pedir? Ou simplesmente ir embora? Isso seria ótimo.