livro velho

Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que você aprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá)
—  Vinte Garotos no Verão.
O amor e suas peripécias

Ela se foi. Deixou-me um cheiro de perfume francês entranhado por toda casa, muita saudade e um livro de seu poeta favorito: Manuel Bandeira. Oh, como foram dolorosos os dias que se seguiram após sua partida. Não haviam motivos que explicassem o que aconteceu, ela se foi como quem dá adeus no meio de uma conversa agradável e sai correndo. Sofri. Sofri demais. Só Deus sabe o quanto aquela mulher desgraçou meus dias. A todo instante eu me agarrava às memórias que tentavam sobreviver intactas ao turbilhão de raiva e inconformidade que assolavam meu peito. Algum tempo depois, decidi ler o livro surrado que ela havia me deixado como herança no falecimento de nosso romance. Com afinco folheei o velho livro e, página após página, para minha surpresa, fui me descobrindo um amante da poesia. Que gênio era aquele Bandeira! Poeta dos bons, sabia usar as palavras.

Certo dia, já um tanto reestruturado de minha derrota, resolvi dar a cara à tapa e escrever alguns versos para ela. Com o livro do Bandeira ao meu lado, como quem carrega um amuleto ou coisa assim, dediquei-me a escrever um breve poema que expressasse meu amor por ela. Não foi difícil, confesso. Os versos fluíram com uma facilidade imensa, era como se os deuses estivessem lá dos céus impondo suas mãos sobre minha cabeça e me entregando toda a inspiração necessária para compor a tão desejada Ode:

“És meu amor,
minha alegria,
a flor que inspira
minha poesia.”

Olhei para o caderno rabiscado e senti orgulho de mim mesmo, pelo menos alguma coisa boa aquela mulher maldita havia me deixado. Agora, eu era um poeta. Quem sabe, no futuro, seria um cara renomado como o Bandeira e serviria de inspiração para alguma vítima de amores malogrados.

Não pensei duas vezes, rasguei a folha do caderno e corri até a casa dela. Eu precisava entregar os belíssimos versos que tinha escrito, quem sabe assim, ela perceberia o quanto eu a amava.

Cheguei até a sua casa, empurrei o dedo na campainha e esperei a resposta. Alguns segundos depois, ela me apareceu na porta vestida num roupão puído, com um semblante não muito satisfeito. Não hesitei, entreguei-lhe a folha e animoso esperei uma reação. Compenetrada, ela leu os versos que descansavam harmonicamente na folha, e de repente, assim, sem mais nem menos, se lançou inteira em meus braços e me deu um beijo cheio de paixão.

— Eu te amo, Osvaldo! Sempre amei!
— Que magnífico, Joana! Mas eu não a amo.
— Como assim, Osvaldo? O que significam estes versos então?
— Ora, é a declaração amorosa de um eu-poético para sua amada. Nada mais.

Ela me olhou profundamente nos olhos e senti um misto de ira e confusão. Dei as costas e fui embora…

Alguns amores não valem mais que quatro versos mal escritos.

— Ítalo Jardim

Eu sabia que tinha alguma coisa de errado comigo, mas eu não me considerava insano. Era simplesmente que eu não conseguia compreender como é que outras pessoas tornavam-se tão facilmente irritadas, para em seguida com a mesma facilidade esquecer a sua ira e se tornarem alegres, e como é que eles podiam ser tão interessados por tudo, quando tudo era tão chato.
—  Charles Bukowski.
Rascunhos

Eu não sou aquele filme bonito, com aquele roteiro bem escrito, com a trilha sonora selecionada à dedo, ou até mesmo com os melhores atores do cinema. Na verdade, eu estou mais para aqueles livros velhos, empoeirados e cheio de palavras indecifráveis que você passa longe de querer ler.

2015 era um livro em branco, livro esse que você começou a escrever, e nele você poderia escrever a sua historia do jeito que bem entendesse, poderia ter choro, risada, felicidade, tristezas, dramas, frustrações, arrependimentos, alegria. O autor era somente Deus e você, Deus te deu o caminho e você tomava suas escolhas e decisões, o livro era seu. Deus escreveu sua linhas e te deu a borracha, você poderia apagar os planos Dele e escrever os seus próprios. Hoje não pode mais, já não é seu. É um livro já escrito… Concluído. Por isso hoje em sua ultima pagina, pense e reflita em cada capitulo de sua vida nesse ano, pare e analise cada decisão sua, cada direção tomada, reveja e veja os seus conceitos. Veja tudo aquilo que você apagou e escreveu de novo. Valeu a pena? Muitos erros se tornam grandes aprendizados. Até errar vale a pena quando o caminho que leva é se fortalecer. Você pode ver esse seu velho livro como um dos melhores livros que já leu, ou poderá ler ele como um livro que você já não quer mais ter em seus pensamentos. Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele. Ainda que tenha páginas negras que você deseja arrancar fora, não arranque não adianta mais, já foi. Fez parte da sua historia, a unica coisa que pode mudar é você levar essa pagina como aprendizado pra que assim que chegar seu livro novo e em branco você possa escrever cada pagina com mais cautela e cuidado, coloque esse seu livro de 2015 na estante e diga apenas duas palavras: Obrigado e Desculpas. Agora pegue seu novo livro em branco com a capa de 2016 e pense muito bem em como começar essa historia para quando terminar seja um livro maravilhoso e inesquecível.
—  Larissa Freschi
Um livro velho que ninguem quer mais ler. Uma folha usada que todos custaram a escrever. Um poço fundo, sem escadas, sem saída. Um laptop ninguém mais sabe que existia. Um botão no campo que não quer desabrochar.
—  Julliana Oliveira.
Eu pensei em desistir. Sério. É tão simples, tão rápido. No minuto seguinte eu estaria livre. Mas, e tudo que eu sonhei nesse tempo todo? Ficaria dentro de uma gaveta, em um livro velho e empoeirado? Provavelmente. Então, a única coisa que realmente me fará ser livre é fechar este caderno cheio de sonhos teóricos e ir em frente, mais uma vez. Tentar de novo. Talvez eu caia, como tantas outras vezes, mas isso me diferencia de uma perdedora, eu não desisti das outras vezes, não vai ser agora que isso vai acontecer.
—  Gracielle S.
Meu Sofrer

Gritos invadem a minha mente,
Como se fossem fantasmas a minha procura,
A procura de algo que não tenho ,
Algo que não sou.
Entre folhas de livros velhos ,
E lágrimas que rolavam,
Sentimentos que não se sentem,
Tristezas em vão.
Mostram todo o penar,
O meu penar!
A minha solidão!
Eu simples mortal,
Fujo de algo que não sei explicar,
Talvez de mim mesmo…
Fujo de sentimentos,
Que obscurem a minha mente.
E vocês não me escutam!
Parem!
Prestem atenção!
Estou sofrendo…
Me escondo dentro de mim,
Meu próprio cativeiro.
A prisão de meus devaneios,
Mentiras de mim mesmo,
Verdades ocultadas em um abismo.
Estou correndo das minhas próprias ações .
Me deparo com a minha face perante o espelho.
O espelho de minha vida.
Queria que tudo acabasse,
E que nada restasse,
Nem mesmo,
As palavras que me cercam.
Nada me resta!
Meu olhar pertido,
Tenta encontrar,
Talvez a mais bela razão para viver.
O mais belo caminho para seguir.
A mais bela canção para lembrar,
Talves o mais belo sentimento para querer-te.
Talvez me esqueça,
Da cova que cavei para mim mesmo.
Minhas loucuras.
Loucuras de um mortal,
Como eu!
Que tenta se encontrar,
Que se procura,
Em cada olhar,
Porém se esconde,
De cada sorriso.
Abre os braços para a morte,
Para o anjo triste ao seu lado,
Para a desilução que existe em seu peito.
Pobre mortal que procura a sua imortalidade.
Pobre mortal…

Quando 2015 começou, ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos… Você podia fazer dele o que quisesse. Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração. Podia… Hoje não pode mais; já não é seu. É um livro já escrito… Concluido. Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes e você não poderá corrigi-lo. Estará fora de seu alcance. Portanto, antes que 2015 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado. Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciencia; faça o exercicio de ler a você mesmo. Leia tudo… Aprecie aquelas páginas de sua vida que você usou com seu melhor estilo. Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não, não tente arranca-las. Seria inutil. Já estão escritas. Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue. Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins. Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbitrio, e terá de preencher toda a imensa superficie do seu mundo. Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele… Não importa como esteja. Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão! E, quando 2016 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual você irá escrever o que desejar… FELIZ LIVRO NOVO!
—  Foi Puro Amor
No meu quarto? Ah… não se tem muitas coisas. Apenas alguns livros velhos, uma tv que não ligo e um cinzeiro cheio. O que mais ocupa espaço aqui é a sua falta mesmo. Nada demais.
—  Gabriel Pizzo.