livro antigo

Sou um livro antigo de folhar deterioradas, com letras manchadas de suor e paginas faltando. Um livro em uma prateleira que esquecido pelas pessoas com o passar do tempo. Tenho o titulo mais cliché, um misturar de palavras, algumas que nem sei o significado. Estou aqui empoeirado, largado, mas no meu interior, guardo citações, versos e histórias, não querendo me gabar, mas guardo os versos mais pomposos e as histórias mais bonitas. Já fui muito usado, lido, contemplado pelas pessoas, minhas histórias já cativaram crianças, emocionaram adultos, e foram passadas de geração em geração por anciões. Eu sou um livro que guarda nossa história de amor, uma história bonita marcada por dor, briga e arrependimento, até porque se o homem é uma criatura imperfeita, não há porque de tudo dar certo.  Só que ás vezes o amor não dura pra sempre, as brigas se tornam inevitáveis, a dor cresce demais, e o que era bom se torna insuportável, o mundo gira, e as coisas começam a dar errado, nós nos separamos. E eu morri, virei história, até porque não existe história enquanto não tiver final, e esse foi o meu, eu sofri para emocionar, fiz muita gente chorar, ainda mais no final, sem amor, sem você, sem leitor, sem ninguém, eu morri. Porque no final, as paginas acabam, a história passa, e você não tem mais utilidade nenhuma.
—  Porque as histórias tristes são as mais bonitas? Brendon Moraes e Rafael Oliveira
Sabe, Lucky, sou uma garota solitária. Gosto de estar sozinha e fazer as coisas do meu jeito. Não sou daquelas pessoas desesperadas por amor ou daquelas que adoram falar abertamente sobre sua vida para alguém que acabaram de conhecer. Sou uma garota que trocaria facilmente uma noite na balada cercada de gente por uma noite debaixo da coberta com um bom livro nas mãos. Sabe, Lucky, gosto de colocar os fones e mergulhar em todos os universos irreais que criei pra mim porque a humanidade me enlouquece. Lucky, eu acho que cada um tem uma modo de fugir da realidade e ficar sozinha é o meu. E naquela noite quando você sussurrou que me amava, eu enlouqueci, Lucky. Como diabos você podia me amar? Me odiei por ter deixado isso acontecer. Não queria parti seu coração, mas também não queria abrir mão de estar sozinha. Era como se estivesse me pedindo pra escolher entre você e eu. E, Lucky, sou muito egoísta. Depois que mandei você embora e pedi pra ficar longe de mim para sempre, ciente do quanto estava machucando você, me vi sozinha naquele quarto. A chuva e o vento lá fora, o cheiro de café e dos livros antigos na estante… eu gostava de poder desfrutar daquilo sozinha. Porque você sabe, Lucky. Sou uma garota solitária.
—  Bruna Gomes
A Bíblia é um livro sobre Jesus. No Antigo Testamento, ele está previsto. Nos Evangelhos, Ele é Revelado. Em Atos, Ele é Pregado. Nas Epístolas, ele é explicado. No Apocalipse, ele é esperado.
—  Alistair Begg
Ele é só mais um rostinho bonito, desses com genética boa, mas atitudes não tão boas assim. Desses tipinhos que banalizam tudo e ainda assim encantam com a beleza exterior. Ainda bem que ele fuma cigarro e digita várias palavras erradas, porque eu já estava começando a me apaixonar por esse jeito de olhar de canto, como quem procura algo inalcançável, apesar de conhecer bem esse cafajestismo barato. O problema é que eu continuo querendo enxergar o lado bom que há nele, talvez esse amor pelos Los Hermanos, Engenheiros do Hawaii e inúmeras outras bandas nacionais, ou quem sabe a paixão por livros antigos e por sagas atuais que são baseadas em ficção, ou ainda aquele violão e a voz dele transformando uma música qualquer em algo bom de se ouvir. Droga, lá vai eu de novo tentando achar uma qualidade aqui e outra ali para tentar substituir as falhas que os defeitos saem deixando. Preciso parar de querer para mim essas causas perdidas, esses frascos caríssimos com fragrâncias de quinta categoria. Chega, chega e chega - repito para mim mesma, mas basta ele chegar com aquele sorriso e eu me perco dos pés à cabeça, imaginando quão bom seria ter ele ao meu lado.
—  Yalen Raquel.

Sabe…
O problema está lá fora
Aqui dentro é só confusão

Rabiscos em folhas brancas
Livros antigos
Anotações avulsas…

Eu não sei…
Não sei se fui eu
Que enlouqueci
Ou se foram as pessoas
Que se acomodaram ao mundo

“As vezes eu acho que procuramos no amor
alguém que nos salve de nós mesmos.
Somos ilhas, em busca de náufragos
para brincarmos da farsa matrimonial.
Não estou em sintonia com o papel que me atribuíram
nesta insanidade toda.
Não gosto do palco que virou nossas vidas.
Gostava mais quando nos tínhamos, sem anéis e trajes de gala.
Não acenávamos à música de todos.
Era autêntica a dança de nossos corpos despidos do mundo.
Quando preenchíamos um ao outro.
Quando cabíamos no olhar,
e, os sonhos de futuro pousavam no contorno
de teu sorriso leve depois do amor.
Tenho saudades de nós.
Éramos plenos quando éramos hoje.
É disso que sinto falta.”


>Aforismos . Oscar Wilde

>Enviada por Karon

>Ele conta: preciso desconstruir em minha vida, o ensinamento de que as moças foram feitas princesas, presas em torres, à espera de um príncipe encantado.

Hoje acredito que as histórias de amor aconteçam fora da sociedade civil e que os papéis instituídos à cada um, bem como a maldita burocracia, são capazes de minar relacionamentos, exaurindo-os.
Mas também creio no resgate do amor, na reconstrução.
Este livro antigo registra minha esperança. Foi entregue ao meu par como um último suspiro.

As coisas têm me tocado num desespero fugaz. Não aguento mais, digo com demasiada franqueza, eu não aguento mais doer em detalhes, escorrer nas frestas, sentir em cada pulsar. Toda noite, em uma prece, peço para não pensar. Só um dia, repito, só um dia. Antes de fechar os olhos, a memória trai. Já me parece irreal, como se a vida não passasse de um livro antigo esquecido entre caixas de mudança. E eu canto aquela pra deixar o coração em paz, para logo depois sussurrar outra de desalento enquanto as horas passam e não consigo dormir. Cada minuto de lembrança é como se fosse morrer de algo, não apenas saudade, talvez um traço de ceticismo que tem me inquietado a cabeça. A ausência me rasga de ponta a ponta. Nunca antes tive tanta consciência da própria solidão, talvez tenha desaprendido a ser só, talvez eu nunca tenha aprendido. Vejo sinais, equívoco, apenas devaneios meus. Já não quero, é tarde demais, tenho medo. Quero ver, enxergar, crer. Perdoname, no te vayas, ya se fue. Tenho tanto, tanto medo. De ser tocada, de visitar, de olhar e ser olhada de volta na mesma intensidade. Sentir tem me feito chorar. “Hay aviones que no regresan jamás”, falo baixinho que é pra vida não ouvir, então aquieto no vazio.

G.
Inacabado

É ruim não ter animo pra fazer as coisas, e quando tem, desanimar no meio do percurso e deixar lá mesmo, inacabado.
Tenho tantos planos, inúmeros projetos muitos nem comecei por um desanimo terrível, outros comecei e parei logo, sem motivação ou impulsos para continuar, e isso me incomoda, pois coisas legais que podem ser boas pra mim, ficam na prateleira esquecida, tomadas de pó, como livros antigos jogados ao desinteresse atual.
E esse texto, assim como a maior parte das coisas, também permanecerá inacabado, mesmo tendo ideias e coisas pra falar, me acostumei a manter o silêncio e as reticências. Minhas escritas são minhas maiores obras inacabadas…

Quick Musical Doodles and Sex (7)


Min Yoongi
Sinopse: Por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia me livrar daquilo. Do maldito som insistente de gemidos altos que vinham do apartamento vizinho.
[ parte: 0 l 1 l 2 l 3 l 4 l 5 l 6 l 7 l ? ]
Contagem de palavras: 6,470 palavras.
Avisos: Perdoem a demora meus anjinhos, eu tive uns problemas que me impediram de escrever! ): Espero que gostem da leitura!

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Contrato Inviolável - Capítulo II

Será que meu coração enlouqueceu?

Eu fui criada por uma família totalmente fora do padrão, mas de algumas coisas eu tinha toda certeza em minha vida e a principal delas era: Eu era muito amada. Se tinha algo em minha gigantesca família de sobra, era amor incondicional, da minha mãe, das minhas tias, dos tios, dos meus irmãos e primos, de todos, havia amor, havia carinho e apoio fosse no que fosse embora como toda família houvesse algumas divergências. Contudo na nossa, tudo era resolvido no fim, de um jeito ou de outro, claro que se caísse no ouvido dos doms - haviam alguns entre meus tios - as coisas seriam um pouco mais tensas, mas jamais sem amor.

 Todos nós fomos criados mais livres do que crianças comuns, e alguns de nós eram bem encrenqueiros, minha irmã estando no topo dos problemas, claro. Ainda assim, havia amor, apoio e incentivo, logo não haveria coisa que eu não pudesse perguntar, ou ser orientada, ou protegida. Eu era livre para ser quem eu quisesse e agradecia todos os dias por isso. Mesmo, mas algumas coisas começaram a me perturbar e pela primeira vez eu tive receio de descobrir as respostas.

 Porque sempre reclamei da Bárbara por isso, aquele excesso de controle me deixava irritada, para dizer o mínimo e eu não queria acabar sendo como ela, uma louca dominadora, mas… Desde que entrei naquela escola meus problemas começaram.

 Talvez, aliás, meus problemas começaram quando meus tios resolveram voltar para Seul.

 A história resumida era de que devíamos proteger tio Channy e Chansonie, o caçulinha de um ano de idade e o chaveirinho de todos nós. A vila da praia se tornou perigosa para ambos por causa do nascimento atípico do meu priminho cute cute e então tio Lee Jongsuk, LJS, recuperou a fortuna escondida e alguns bens valiosos que tinha escondido em lugares muito loucos – Eu nem quis saber na verdade onde – E voltamos com os passaportes falsos que mantínhamos – minha mãe encabeçando todo o esquema, para variar com tia Amber -  e voilá, estávamos em Seul outra vez e assim que pisei no hall do prédio que os tios Cha mantinham em nome de terceiros há mais de vinte anos para uma eventual “emergência”… Quando pisei ali eu soube, minha vidinha tranquila tinha terminado.

 Foi um pressentimento como tia Jess dizia ter de vez em quando, um pressentimento que tomou forma quando no primeiro dia de aula eu vi certo garoto do primeiro ano passar escondidinho pelo corredor com um skate em um dos braços e a mochila do outro. Nada de mais, na verdade, mas ali meu coração saltou pela primeira vez. E não foi a única.

 Eu fiquei chocada, não era possível…

 Eu não estava isenta da tão irritante paixonite aguda adolescente? Eu jurava que estava, afinal quando minha irmã decidiu – Sim, ela decidiu – Que DZ era definitivamente seu – ela sempre achou que todos nós éramos dela para cuidar, desde que começou a falar, na verdade. Mas aos dezesseis anos ela “decidiu” que DZ era seu como tia Jess era dos pais dele. Ou dos babys que pertenciam aos daddys, aquele tipo de ‘seu’.

 Daí então foi uma confusão atrás da outra, minha irmã tinha o gênio do cão, como mamãe dizia, e por aquele motivo ela foi aconselhada a não terminar a escola de forma normal, ali ela podia fazer um teste e pular para a faculdade. O que todos podíamos na verdade porque tínhamos aulas particulares na família mesmo, eu cresci lendo mais livros do que meu antigo professor de literatura. Éramos um bando de CDFs bizarros, como éramos conhecidos na escola no Brasil. Mas minha mãe queria que nos “enturmássemos” e por isso todos nós, menos Ba e Chin, que já tinha terminado a escola mesmo e decidiu pensar melhor na faculdade que queria, fomos matriculados no famoso centro estudantil.

 Enfim, depois de muita confusão os daddys aceitaram o namoro da Ba e do DZ. E eu estava na minha, imune. Os filhos da tia Jess, do tio Channy, todos os meus “primos” eram primos para mim, eu os adorava como adorava minha irmã temperamental, assim como amava os quadrigêmeos agora próximos dos onze anos, assim como eu amava todos. Eu acreditei que era como Chin, assexual. Eu iria amar romanticamente alguém algum dia, mas não teria desejos sexuais, paixonite, ansiedade por beijar ou coisas do tipo. Eu era plácida como uma brisa suave… eu era…

 Me iludi, me iludi hard.

 Queria me socar e eu sabia bem como fazer – quando você cresce em uma família que tem daddys bons de briga, mafiosos, minha mãe era filha da maior mafiosa do mundo, e alguns caras osso duro de roer, você sabe bem como socar alguém – Mas nem para isso eu tinha ânimo, afinal eu caí na tão temida paixonite, e estava louca por um garoto dois anos mais novo que eu, esquisitinho e tímido, com carinha de bebê que você tem vontade de apertar as bochechas até fazer biquinho de peixe… eu estava perdida.

 Eu queria bater em alguém, porém respirei fundo e olhei para o teto do meu quarto contando até mil. Eu estava tendo êxito em ignorar meus instintos, estava mesmo, até aquele dia em que ele tropeçou em mim e nos olhamos olhos nos olhos e eu soube, soube assim como Ba ficava dizendo como uma maluca repetitiva por mais de um ano todo até ter o que queria e o consentimento da família, que ele era meu.

 Yuto era meu.

 Os sintomas eram vorazes dentro de mim, eu queria abraçá-lo, andar de mãos dadas com ele na escola, socar os babacas que olhavam para ele como tubarões olhavam para golfinhos. Eu queria dar uma de Barbara e puxar o cabelo do líder do time de basquete que ficava secando o meu Yuto toda vez que ele saia da escola… eu queria ser um escudo dele e não o deixar sozinho ou longe dos meus olhos. Eu quis bater no JY por ter assustado o meu fofinho, mas não… eu só dei as costas e evitei socar meus punhos na parede.

 Eu estava em crise, em curto, em pânico.

 Eu era uma dome? Como assim? Não podia, não é? Eu não podia me entregar aos instintos, eu era uma garota racional, plácida, calma, suave…

 A porta abriu em um baque e Nini veio correndo para minha cama e pulou sobre mim gargalhando:

— Bi, eu tirei dez em matemática, dez! Não nove e ou oito… Mano, eu sou de humanas, humanas, mas tirei dez em exatas, sou ou não sou um cara fenomenal!? Mereço um sorvete caprichado, não mereço?

 Ele sorriu e eu assenti.

 Nini tinha dezessete anos, mas era um dos mais puros de nós, um amorzinho, um espelho do tio Channy, na verdade e todos temiam que ele sofresse na escola ali, afinal Nini foi alvo de bullying anteriormente e desde então todos o vigiavam meio que discretamente.  E por isso evitavam de se aproximar muito dos outros alunos da escola, quanto menos eles soubessem deles melhor, saber da sua família seria munição para magoarem algumas das crianças, principalmente aquele seu primo amável.

 E se Barbara soubesse de algo, ela era bem capaz de causar o apocalipse. Ela foi proibida de ir para escola, mas ia com a gente e voltava para nos pegar na saída. Ahhhh, eu sentia falta do mar, do ar puro, da brisa…

 Eu sentia falta de não ser uma louca com paixonite.

— Ei Bi, Bi, ‘tá tudo bem? - Notei que estava viajando quando Nini sacudiu meus ombros com olhos abertos demais – Problemas?

— Coisa de garota, bebê, coisa de garota, agora vamos, vou fazer o super sorvete para você!

 Disse tentando me animar e sair daquele mar de auto piedade e descemos juntos para o andar da cozinha.

 Alguns dos meus tios eram engenheiros e construtores e depois de uma semana de mutirão, mudaram algumas coisas no prédio abrindo paredes, ligando andares por escadas… Coisas que só os tios Im’s e Son’s inventavam mesmo, mas que como sempre ficou perfeito. Barbara dizia que os tios embora cinquentões agora, ainda estavam inteiros, gatos e saradões. Achava um exagero, mas os tios realmente davam lição de resistência em muitos garotos por aí e eu tinha assistido isso por anos lá na vila…

 Os daddys eram exemplos, isso era mesmo incontestável.

 Enfim, a cozinha e a área de serviço agora era todo o térreo e o meu quarto, da Bá e dos trigêmeos mais a sala de leitura era no andar a cima.

 Cheguei na cozinha e vi Ba fazendo brigadeiro para os quadrigêmeos e para as gêmeas, filhas mais novas da tia Jess. Júlia e Julieta riam de algo que viam no celular enquanto YH, lia outro dos seus enormes tratados de jardinagem.  Yongguk Himchan Júnior era, como Ba brincava, a parte de biológicas da família. Seu primo só faltava abraçar árvores, e só havia outra paixão dele além da flora do mundo, piano.

— O que vocês estão assistindo aí, meninas!

 Chegou atrás delas no balcão e Júlia fez um som de clara diversão:

— Se chama Kpop, Bibi, é música local…

— Música repetitiva e com pouca harmonia, eu não gostei – YH disse sem desviar os olhos do livro – Mas elas adoraram, pelo visto, e são minhas irmãs, nem posso me defender…

— Deixe elas curtirem, Gukkie, é preciso conhecer o inimigo a fundo para se infiltrar entre eles de modo mais fácil…

— Inimigo Bá? Pelo amor…

 Eu resmunguei e enquanto ela ria eu revirava os olhos.

 Barbara era doida, não tinha explicação melhor… e era minha irmã, eu nem podia me defender…

 Fui preparar o sorvete do jeitinho que Nini gostava no outro balcão e caprichei na taça colocando diante dele que já estava sentadinho na mesa esperando educado e ao vê-lo assim todo fofinho eu imediatamente me lembrei que os olhos do Yuto não eram muito diferentes dos dele.

 Ele gostava de sorvete com calda de frutas tropicais como Nini? Ou era adepto de picolés como a maioria dos coreanos? Que sabor ele gostava? O que ele jantava, ele comia bem? Era tão magrinho…. Quer dizer coreanos eram magros geneticamente, mas…

— Bianca, você ‘tá bem?

 Eu percebi que estava encarando Nini comer, parada e com a mente longe outra vez e o faro de Bárbara era fenomenal. Suspirei e resolvi falar sobre aquilo, mas do meu jeito:

— Se eu fosse acometida pela febre da paixonite como eu faria para me curar? Tem algo para isso, sei lá, feitiço que seja? Eu não posso ficar como você Barbara, uma só de nós já é dor de cabeça o suficiente. Isso está errado.

 Por alguns segundos fez-se um silêncio sepulcral na cozinha ampla e me arrependi no instante seguinte de ter aberto minha boca quando minha irmã saiu do transe para gargalhar como uma possuída maldita! Ela ria de sufocar e eu torci para ela sufocar mesmo, aquela criatura cruel malvada, porém éramos irmãs e gêmeas idênticas.  Se ela morresse eu ia me sentir mal, então fui até ela e dei um soco leve no estômago dela resmungando furiosa:

— Para com essa merda e me responda, droga!

— Olha só que as garrinhas saíram, ui! – Ela zombou mas parou de ri ao menos – Olha só, Bi, isso não é doença okie, é natural, se está gostando de alguém, apenas vá em frente, a não ser que ela ou ele seja um filho da mãe, daí é outra história e…

— Ele é um fofo, criatura, não fala assim dele!

 Rebati, ela assentiu:

— Ótimo, chega nele e diz que quer ele. Pronto, se ele aceitar, beije, se não, diga que vai pedir ele em namoro até ele aceitar, todos os dias e que seu sangue é Campone e não desiste nunca. Resolvido.

— Coitado do DZ, eu sempre tive pena, mas agora tenho mais…

— DZ é meu, é muito bem-amado e cuidado, dúvidas fale com ele, sem dúvidas, não meta meu baby no meio.

 Ba sorriu meio cruel e eu suspirei. Que difícil, céus!

— Estatisticamente as flores atraem com seu cheiro os insetos para polinização, traçando um paralelo com nossa família, todo baby geneticamente compatível atrai daddys ou mommys quase da mesma maneira e já sabendo que ter Ba como gêmea geneticamente você teria setenta e cinto por cento de chance de genes dominantes em você, ter encontrado um “fofo” para atraí-la e ativar seus instintos polinizadores para a flor é totalmente possível e aceitável -  YH disse outra vez sem desviar os olhos do livro e com o tom monótono que era bem típico dele – Diante dos fatos, acho que ao invés de lutar, devia mesmo fazer o teste e ver se esse polén lhe agrada, querida prima. Ou não, mas negá-lo seria o mesmo que morrer de fome. Imbecil e ineficiente.

— Obrigado por me fazer imaginar um beijo entre uma abelha e uma flor, idiota!

 Nini resmungou com a boca cheia e eu terminei por rir na bizarrice que transformamos o assunto.

— Uma abelha pode beijar uma flor?

 Perguntou um dos quadrigêmeos nos encarando confuso e eu suspirei, aquilo ia render dias…

— Não é assim, amor, é bem…

— JANG BARBARA CAMPONE! – A voz da minha mãe chegou antes dela e eu meio que me encolhi, quase nunca ganhava bronca, era desde o berço a Ba quem aprontava, mas agora eu me sentia culpada, sabe deus porquê – Onde está a Magnum que eu deixei na caixa de documentos?

— Eu peguei para ensinar o DZ a atirar, nunca se sabe o que vai encontrar na escola mãe, não posso deixar meu chuchuzinho desprotegido naquele oceano perigoso cheio de águas vivas venenosas, mas eu substitui por balas de borracha, juro, pode verificar, o pente seu está completo! - Bárbara sorriu toda doce e eu revirei os olhos, cara, mas minha irmã era uma peste! Ainda ergueu a tigela de brigadeiro para nossa mãe que naquele momento estava com sangue nos olhos – Brigadeiro?

— Você vai ver o brigadeiro na sua bunda sua pestinha!

 E mamãe voou na Ba que saiu correndo com a panela de doce e os quadrigêmeos choramingaram juntos um ah cheio de muitos h’s tristes seguidos de resmungos entre ‘podia ter deixado o doce’ e perguntas retóricas sobre se ‘flores tinham boca’ e ‘como abelha beijava com ferrão’…

 Eu me sentei desolada na cadeira da imensa mesa e quis xingar o destino de todos os nomes possíveis.

 Eu continuava com paixonite aguda e o dia seguinte se aproximava. Eu ia ver o pólen que me atraia e não havia segurança alguma naquela situação.

 Eu devia fugir do país? Devia pedir ajuda aos doms? Devia beber e fingir demência?

 Eu não sabia, mas queria muito uma boa solução de preferência sem ser nada como minha irmã fazia, nada, uma segunda Barbara seria hospício.

 Eu era plácida, suave, amena… Não era?

[…] - Quer saber, David? Você está agindo feito uma criança mimada que não conseguiu o que queria. Existem vidas correndo risco lá fora e o que está fazendo? Bebendo em um bar às três e quinze da manhã, egoísta! Acorda. Seu coração foi partido? Parabéns, bem vindo ao clube, mas quer saber? Nesse momento existem bilhões de corações sendo partidos, pessoas se sentindo sozinhas, porque a vida é assim, David, nada dura muito tempo e se tem uma palavra que pode descrever a maioria das coisas eu diria que é “efêmero.” Deveria estar te consolando, dizendo que ela vai voltar, porém sou o tipo de amigo que não querem ter por perto, falo a realidade e não o que é gostoso de ouvir, vê se presta atenção. Noventa e nove por cento dos dias que uma pessoa vive ela está sozinha, então aprenda a se tolerar, quer amar alguém? Ame a si mesmo, se engula, moleque. A vida não vai facilitar para você só porque está sofrendo, o tempo não vai parar até que se recupere do tombo, o chão está desabando sob seus pés? Aprenda a flutuar. Quem tem que se adaptar ao mundo é você e não o contrário. - Kyle pegou o distintivo que David deixara no apartamento e colocou na mesa, - Honre o juramento que fez anos atrás, a vida de alguém sempre à frente da sua.
—  A linha tênue entre mundos, Derek Whitle