literatura

Polido por Solaris
Remando à maresia de papel
Floresta densa azeda
O grande sabor a ser desvendado


Banha-me, indústria
Vista-me na tua lábia
Recorta-me ao teu recorde
Recruta-me a tua façanha especulativa


Recuso-me a sonhar o sonho cristão
Os infiéis hão de morrer no progresso
A fúria do céu cairá sobre teu revés
Apenas não culpe a deus por ninguém atender vossas ordens


Projétil de discurso americano
Motivação em capsulas
Movimenta-te o rentável ídolo
Corporação corpórea, decida-te quais comitivas devem esconder-se em camisas floridas


Feridas expostas como esposas
Escoriações em tentativas de cura
Apunhalado pelo amanhecer em meu rosto
A vigília diária do anjo torto em meu dorso, implorando quedas


Já prestei condolências a esta imagem no espelho
Saúdo glórias à margarina
Saúde de propaganda e cosméticos
Que comem meu rosto como vermes comem restos da carne


Saudosas memórias embutidas em minhas retinas
Digo-te júbilos para meu próprio bem
Pois não quero as mãos de Gomorra dissecando-me
O corpo és teu templo, palmas e paladares ao dispor desde novo Adônis


Sereia de terra,
Não espera-me com esmero
Pois hei de demorar a atracar
Devoto-te o meu amor, porém também prendo-me a este denso mar…

—  O Dom De Homenagear Amargedons, Pierrot 
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
-esta muerte que nos acompaña
de la mañana a la noche, insomne,
sorda, como un viejo remordimiento
o un vicio absurdo-. Tus ojos
serán una vana palabra,
un grito acallado, un silencio.
Así los ves cada mañana
cuando sola sobre ti misma te inclinas
en el espejo. Oh querida esperanza,
también ese día sabremos nosotros
que eres la vida y eres la nada.
Para todos tiene la muerte una mirada.
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos.
Será como abandonar un vicio,
como contemplar en el espejo
el resurgir de un rostro muerto,
como escuchar unos labios cerrados.
Mudos, descenderemos en el remolino.
—  Cesar Pavese /  Vendrá la muerte y tendrá tus ojos…