linhas de costura

Guia de como consertar-se

A gente costura o peito do jeito que pode. Procuramos agulhas apropriadas, mas se o tempo estiver curto, qualquer palito serve. Preferimos linhas de costura, mas um barbante velho é sempre útil. Sem qualquer anestesia, tentamos conter o filete de sangue que passa pelas costelas e para no tornozelo. Nos últimos instantes, é indispensável a ajuda de alguém, para limpar, para arrumar e para ficar.

Aos 12 anos de idade eu achava que tinha amor dentro de uma jarra suficiente para todo mundo, nessa época ninguém era mais sentimental que eu. Aos 12 anos, meu cabelo estava mudado, minhas véstias também, minhas músicas falavam sobre amores fraudados e meus programas abordavam cenas melosas que me faziam pensar que se eu amasse muito alguém e essa pessoa me deixasse eu choraria até que ela voltasse para mim, mas nessa idade eu não sabia que amor não se implora, eu não sabia que amor se deixava ir e dependendo de sua volta era preciso seguir em frente. Nessa mesma época descobri que o amor não era tão belo como nos filmes que assisti, minha primeira decepção me fez ter uma força da qual nunca imaginei possuir. Naquele momento eu deveria saber que essas decepções são tão passageiras como o vento, que estamos presas à elas com uma linha de costura e que a qualquer momento podemos nos livrar e voar. Com 12 anos eu deveria saber que NADA do que eu não quisesse me faria mal, e que a vida segue, que somos arrastados por ela para seguir também, afinal a ela não vai esperar você acordar de um pesadelo para vivê-la. Mas apesar de tudo eu deveria saber aos meus 12 anos que o tempo é o rei das causas passageiras e que assim como o nome ele passaria, e eu… bem eu o acompanharia.
—  Poesografa.