levem

Na boa? Me deixa! Porra, eu estou cansada de obedecer ordens, se bem que eu nunca fui de seguir de nenhuma regra. Mas não importa quando for, nem o dia da semana, nem a hora, nem nada! Se eu quiser dar em cima de alguém, vou dar. Se eu quiser beijar, vou beijar. Se me der vontade de beber até cair, pode crer que eu vou beber. E se eu quiser prazer? Vou transar, ah, vou mesmo! Minha vida é minha vida, não sua caralho! Então se liga. Nada importa, só o que me faz feliz, só. Deu pra entender? Sim,talvez eu seja uma perfeita vadia!

Chego em casa e, já não sinto tanto frio quando estava com ele. Eu me sento e deixo meus pensamentos correrem soltos. Por que deixo ele usar meu corpo assim? Eu sei que não gosta de mim. Sinto um aperto por dentro. Como se uma mão entrasse no meu peito e assim, alcançasse meu coração e desse um puxão sem se preocupar como eu me sentiria, como me deixaria. E isso vai se tornando um hábito quando penso nele e, essas dores retornam com mais força que as primeiras vezes. Por que ele faz isso comigo, por quê?! E o cheiro dele ainda permanece em mim e, eu penso no beijos dele, no jeito, no calor, nos olhos; da intensidade que nossos corpos fazem. Ele não é um cara perfeito, eu sei. Mas meu coração é dele, o meu corpo também é. Quando o vejo, meus olhos me denunciam. Meus olhos sempre têm um brilho, tem um quê a mais, que são guardados só pra ele. Mas sempre tenho medo de falar demais; de me entregar demais. Mas não me levem à mal, eu só quero que ele me queira tanto, como quero ele.
—  Porque tudo fica mais frio quando você está aqui, por Chrislayne L. Pinto.
Deus, afaste de mim todo tipo de coisa que não venha de Ti. Afaste pessoas, afaste propostas, afaste circunstâncias que me levem a me afastar de Ti. Eu te amo demais, Deus, pra querer desviar meus olhos de Ti por qualquer proposta desse mundo. Cuide de mim, Deus, e do meu coração, não quero pecar contra Ti. Amem.
As vezes, eu queria que Deus me desse alguém pra me dar um carinho. Sei que Deus ta preparando alguém especial para isso, afinal eu sou complicada, não sera qualquer pessoa que Deus colocara ao meu lado para isso. Sei também, que não será alguém que ira me deixar na hora da dificuldade, e que quando eu estiver desanimando, ira orar por mim, incansavelmente, que ira cuidar de mim, e irá me dar os conselhos que me levem mais perto de Deus. Sei que meu tempo de solteira é importante pra Deus, porque sei que estou confiando na melhor pessoa possível para cuidar do meu coração. Então não terei pressa, porque sei que Deus faz o melhor para mim.
—  하나 나오미. Hana Naomi
O que quer uma mulher?

 Uma mulher quer que suas unhas não quebrem nem descasquem. Uma mulher quer se sentir atraente com o peso que tem. Uma mulher quer ver seu trabalho valorizado. E quer ganhar dinheiro com ele. Uma mulher quer ser amada. Quer viver apaixonada. E quer se divertir.
 Poderíamos encerrar a questão neste primeiro parágrafo, mas como a página necessita ser preenchida, avante.
 Uma mulher quer ter filhos. Ou já quis um dia.
 Uma mulher com filhos quer ter mais tempo para si mesma. E uma mulher com tempo de sobra quer uma rotina mais agitada. Uma mulher só não quer o tédio.
 Uma mulher quer um cabelo que não precise ser constantemente pintado, arrumado, escovado. Uma mulher quer conversar. Uma mulher quer ficar em silêncio. Uma mulher quer que lhe telefonem de surpresa e lhe digam coisas que a façam ficar sem palavras. Uma mulher quer deixar um homem maluco. E ter, ela mesma, o direito de enlouquecer.
 Uma mulher quer aprender a ser mais egoísta. Quer, ao menos uma vez na vida, pensar só nela e em mais ninguém.
 Uma mulher quer inspirar um poema. Quer ser musa. Mas não quer ser confundida com essas mulheres que não controlam a própria vaidade, perdem a noção e pagam mico nas páginas das revistas.
 Uma mulher quer colocar comida na mesa e que as crianças raspem o prato, uma mulher quer seus filhos saudáveis e felizes, uma mulher quer que eles durmam a noite toda, de preferência em casa.
 Uma mulher quer desligar a tevê. Uma mulher quer sexo. Uma mulher quer devorar um pão de meio quilo sem culpa. Uma mulher quer sair bonita na foto.  Uma mulher quer dormir mais cedo. Uma mulher quer ser reparada na festa.  Uma mulher quer que seu carro não a deixe na mão. Uma mulher quer ser escutada. E quer escutar os homens, que pouco se abrem.
 Uma mulher quer fazer algo pela sociedade. Quer ajudar quem precisa. Quer ser útil. Em troca, quer que a ajudem com as sacolas. E que a amparem na dor.
 Uma mulher quer ter o gostinho de dizer não para os cafajestes. Por mais que ela queira dizer sim.
 Uma mulher quer morrer de rir. Uma mulher quer que não a levem tão a sério. Quer batalhar por seus ideais sem se embrutecer.
 Uma mulher quer de vez em quando demonstrar seus dotes de atriz. Uma mulher quer brilhar no escuro.
 Uma mulher quer paz. Uma mulher quer ler mais, viajar mais, conhecer mais.  Uma mulher quer flores. Quer beijos. Quer se sentir viva. E quer viver para sempre, enquanto for bom. Está respondido, doutor Freud. Não somos assim tão complicadas.


Martha Medeiros.

a luz da lua que acaricia minha pele me faz lembrar do teu toque.

o céu está tão bonito hoje, me faz lembrar teu olhar, sinto falta de me perder nas tuas íris e me encontrar em meio aos teus delirios mais profundos, já faz tempo que a brisa não traz novidades sobre você mas ela ainda insiste em trazer teu cheiro até mim. sinto falta do teu toque abalando meu firmamento e da tua poesia de sexta-feira a noite. 

[o céu está tão bonito hoje, espero que você esteja olhando pra ele agora, quem sabe as estrelas não levem meu recado até você, você faz falta aqui]

Vocês já tiveram a sensação de que, após alguém ter saído de sua vida, você acabou ficando com traços ruins do que provavelmente foi a causa daquilo ter acontecido? Ex: Alguém lhe tratava com uma frieza absoluta, e questionava constantemente o porquê de tanta intensidade/exagero/drama de sua parte. E então, depois de algum tempo, você perde sua intensidade, e se vê fazendo o mesmo com outras pessoas, em dose até maior e magoando mais. Ou alguém que se afastou de você pois não queria se ver dependente de uma amizade, e então você começa a não suportar mais a ideia de se ver preso à alguém, não querendo criar laços que levem à uma futura dependência.

Me levem para o hospício, acho que estou apaixonado. 
Não existem loucuras de amor. Ninguém faz algo maluco por estar amando. Quer cometer uma loucura? Apaixone-se. O amor não é paixão. O amor é mais ameno, calmo e tênue. A paixão, ah… Essa é danada. Para muitos autores, a paixão é uma cólera, aquilo que lhe faz delirar, suspirar em um momento infinito, cometer atitudes sem pensar nem matutar. Não existem loucuras de amor. Para Camões o amor é um fogo que arde sem se ver. A paixão não é fogo, é uma verdadeira fogueira, uma queima total, vai lhe queimando de dentro para fora, remoendo seus ossos e mirrando sua sanidade, já o amor, suspiro, o amor é aquilo que sobra no final, depois de toda a tempestade e ventania. A paixão é passageira, uma hora a loucura passa. O amor que permanece.
—  Gabriel Mariano. O segredo é sentir.

One Shot Harry Styles

  • Pedido -  Então, gostaria de um imagine em que o Harry é super carinhoso c/ a S/N, e ela às vezes é meio rude c/ ele, dai em uma social, os amigos deles falam que o Harry é afeminado, e a S/N defende ele, falando que isso não é um defeito (porque na real não é, não é mesmo?). Obrigada


A mão grande de Harry estava em meu cabelo o acariciando devagar me causando um leve incômodo mas eu não pedi para que ele parasse, sei que ele gosta desse tipo de contato e adora qualquer tipo de demonstração de afeto, diferente de mim.

Eu não fui criada em um lar muito amoroso, meus pais se divorciaram quando eu era uma criança e demorou para que eu soubesse o que estava acontecendo. O afeto na minha casa só começou quando eu pai foi morar em outro lugar, ele chegava para ver eu e meu irmão e nos abraçava. Um abraço na chegada e outro na despedida, enquanto com minha mãe o carinho era completamente escasso. Passei um longo tempo me martirizando por achar que ela não gostava de mim, comecei até a criar um desejo de descobrir ser adotada até que amadureci e pude enxergar as coisas mais amplamente.

Minha mãe foi criada em um lar com nove irmãos e em uma época onde as coisas não eram muito boas, ela não teve carinho, apenas cuidou dos mais novos até começar a trabalhar para ajudar em casa depois de alcançar certa idade. Como eu poderia esperar carinho de uma pessoa que não sabe sobre o assunto?

As coisas começaram quando eu estava no final do ensino fundamental, uma amiga me abraçou e eu logo tratei de me desvencilhar achando tudo muito esquisito. Ela estranhou a minha repulsa com a proximidade e eu apenas não conseguia explicar. No ensino médio as coisas não foram diferentes, um amigo que sempre se mostrou interessado em ser algo a mais, sempre me abraçava e expressava carinho de formas diferente. Eu não conseguia me sentir mais desconfortável.

Foi então que eu conheci Harry Styles, o ser mais purpurinado e cheio de vida que eu conheci em toda a minha existência, se me perguntassem a definição para a pessoa que ele é, eu diria facilmente amor. Não que eu saiba muito sobre isso, mas ele se parece com todo o clichê de filmes românticos e as melosidades que falam por aí.

Eu tenho certeza que se ele fosse um príncipe encantado, estaria constantemente tentando roubar o papel de princesa.

Ele tem um estilo diferente do que eu estava acostumada, ele é hetero mas pintas as unhas e gosta de usar ternos femininos e com isso eu aprendi que o que você usa não define a sua sexualidade. Eu definitivamente aprendi muitas coisas com Harry, mas me senti confortável com demonstração de carinho não é uma delas. Não me levem a mal, eu gosto de beijos e sexo é maravilhoso, mas carinho excessivo me sufoca e até agora eu não entendo por que me apaixonei pelo amor de pessoa que é Harry Styles.

— Bebê, você vai comigo, não é?! — Harry perguntou baixo - não precisávamos falar alto por conta da nossa proximidade - enquanto enrolava seus dedos no meu cabelo.

— Eu já disse para não me chamar assim, mas estou quase tendo a certeza que você não tem uma parte do seu cérebro. — revirei os olhos como faço regularmente nem me importando mais com o tanto de vezes que Harry disse que eles vão rolar para dentro da minha cabeça.

— Eu gosto de te chamar assim e sempre esqueço que você não gosta. — ele se explicou e continuou a falar quando percebeu que eu não abriria a boca — Eu vou encontrar alguns amigos e quero que você vá, acho que vocês só os viu uma vez.

— Foi o suficiente. Só porque eles são os seus amigos, não quer dizer que eu queira ou que eles devem ser os meus amigos também. — me sentei no sofá tirando minha cabeça do colo dele e com isso as mechas do meu cabelo que estavam enroladas em seus dedos, foram puxadas — Mas que droga!

— Desculpa, não precisa xingar. — Harry se colocou de pé e me puxou pela mão — Vamos, eu sempre assisto os seus filmes horríveis de mortos-vivos, então você também pode fazer o sacrifício de ir comigo encontrar os meus amigos.

Sabendo que eu não poderia negar porque caso o fizesse Harry ficaria de bico o resto da semana, apenas o segui sabendo que um grande sorriso está a ponto de rasgar o seu rosto. Se tem uma coisa que ele gosta mais do que dar carinho, é fazer isso em público.

Já estávamos prontos indo em direção para o carro e quando estávamos de frente para o mesmo Harry abriu a porta para mim mesmo sabendo que eu odeio esse tipo de coisa. Vendo que eu não iria entrar, ele voltou a fechar a porta.

— Obrigada por lembrar que eu tenho mãos. — falei com sarcasmo enquanto abria a porta eu mesma e a fechava novamente.

— Eu só queria ser cavalheiro, mas sempre que tento você não gosta. — ele disse já dentro do carro — Eu às vezes tenho medo de fazer algo e você me dar um soco, tenho que admitir que namorar você é bem difícil e emocionante.

— Você só tem que saber que eu não estou presa em um filme de romance como você. Eu já te disse que reagir assim é mais forte do que eu. — dou de ombros e ele esboça um sorriso.

— Eu não estou reclamando, amor… — ele se aproxima o máximo que o banco do carro o permite e coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. O típico de filmes clichês — Eu te amo do jeito que você é, sem exceção.

Eu não pude deixar de sorrir porque antes de encontrá-lo eu achei que ninguém seria capaz de despertar o interesse amoroso em mim e sendo assim eu teria que me limitar a morrer solteira e completamente sozinha.

Fechei meus olhos quando o rosto de Harry se aproximou do meu e seus lábios macios tocaram os meus da forma mais delicada possível, iniciando um beijo gostoso e viciante como sempre eram os beijos dele. Chupando meu lábio inferior, ele se afastou.

— Eu também te amo. Você não escuta isso frequentemente, mas creio que esse é um dos momentos certo para dizer. — ele riu colocando o cinto e se ajeitou em seu banco dando partida no carro.

[…]

Estar com os amigos de Harry era no mínimo entediante, eu nem tentava mais mostrar interesse na presença deles e se Harry ficasse chateado com isso, eu daria um jeito de reverter a situação. Acontece que os três garotos, Brian, Carl e John, não paravam de falar deles, sobre festas loucas as quais iam sem o Harry e coisas do tipo que não acrescentam nada na sua vida. Tomando minha cerveja, eu me distrair olhando em volta enquanto Harry acariciava minha coxa com o polegar, estou pensando seriamente em levar Harry para o banheiro para fugir do tédio que os amigos deles me proporciona.

Ainda estudando a possibilidade de ter sexo com Harry no banheiro, viro meu rosto para prestar atenção quando escuto risadas, os dedos de Harry apertaram de leve minha coxa e minha atenção foi completamente direcionada a seu rosto me fazendo notar que suas bochechas estão um pouco avermelhadas.

— Claro, não confunda a roupa da sua namorada com as suas, seria hilário se você chegasse na festa vestindo uma saia. — Carl e os outros riram como se ele fosse o melhor comediante do mundo.

— Suas unhas pintadas até que dá para relevar, sabemos que você é uma garota lésbica por dentro. — mais risadas e Harry agora estava completamente constrangido. Acredito que isso sempre acontece, mas agora que eu estou aqui presenciando o deixa ainda mais sem jeito.

— Me pergunto se você é daqueles que usam calcinha, eu ainda não entendi porque você namora uma garota. — foi a vez do John deixar que merdas saíssem de sua boca.

Rapidamente me levantei empurrando a cadeira para trás com a parte de trás das minhas pernas e sem pretender acabando por assustar o Harry no processo, ainda mais quando bati minhas mãos espalmadas sobre a mesa. Eu já sentia meu rosto vermelho de raiva e indignação por aqueles babacas que se acham pessoas decentes para falar qualquer coisa sobre o meu namorado.

— Qual é a porra do problema de vocês, babacas?! — Harry se colocou de pé segurando meu braço e eu me curvei na direção deles com as mãos apoiadas sobre a mesma — Quem vocês acham que são para dizer o que uma pessoa pode ou não vestir? Se ele usa calcinha ou o caralho que for, isso não diz respeito a vocês e sim a ele, ele pode fazer e usar qualquer coisa que o faça sentir bem, isso não interfere em nada na sexualidade dele. — respiro fundo ouvindo Harry chamar pelo meu nome e fico de pé corretamente — Se sintam honrados por ter uma pessoa como o Harry andando com pessoas de baixo nível como vocês.

Me virei agarrando a mão do Harry e o puxei para fora do estabelecimento antes que ele resolvesse pedir desculpas pelo o que eu disse, ele odeia destratar ou ser rude com as pessoas mesmo que elas sejam um lixo para ele. Eu meio que admiro isso nele, mas odeio também.

Ao que chegamos no carro, antes de entrar eu me sentei sobre o capô e Harry se colocou entre as minhas pernas olhando em meus olhos. Antes que ele pudesse começar com o sermão, eu fui mais rápida.

— Isso acontece com frequência não é?! — eu precisava saber, não quero que o Harry fique com esse tipo de pessoas.

— Geralmente eu sou a piada deles, mas eu não me importo. É só brincadeira.

— Certas brincadeiras podem ser evitadas, esse tipo de brincadeira muitas vezes machucam e são feitas com maldade. — coloco minhas mãos sobre o rosto dele com toda delicadeza que ele sempre tem ao me acariciar — Por favor, não volte a vê-los. Eles não merecem a sua amizade.

— Mas ele são meus amigos e eu não posso apenas fingir que não os conheço. — ele dar de ombros.

— Apenas os evite o máximo que puder, ficarei triste em saber que você continua aceitando esse tipo de coisa vinda deles. — fiz um bico com meus lábios e eles logo foram selados por Harry.

— Tudo bem, não quero minha pequena ogra triste. — eu ri baixo aceitando esse apelido horrível que ele me deu.

— Obrigada, minha princesa. Eu te amo! — sorri olhando em seus olhos.

— Duas vezes no mesmo dia? Temos um novo recorde. — eu bati de leve em seu ombro e ele riu — Eu te amo!

Os lábios de Harry tomaram os meus enquanto suas mãos me puxavam mais contra ele, meus dedos estavam embrenhados em seus longos fios de cabelo os puxando de leve enquanto retribuo o beijo da melhor forma que eu conseguia. Harry mordeu meu lábio voltando a me beijar fervorosamente.

Tudo bem que não tenho um nível avançado em demonstração de afeto, mas quando eu amo uma pessoa é para valer e eu amo muito o Harry, ele é a única pessoa que consegue arrancar um ‘eu te amo’ com mais facilidade da minha boca e eu sou completamente feliz por amá-lo.



Espero que tenham gostado… ❤

Algumas partes do 1s são baseadas em experiência própria, então tem muito de mim nele. 😊

- Tay

Abro os olhos mas não vejo nada. Sinto um peso em minha cabeça mas é apenas meu travesseiro. O despertador toca ao longe e não consigo alcanca-lo, não vejo nada. Finalmente consigo pegá-lo. Seis da manhã. Quantas horas eu dormi? Doze? E mesmo assim o cansaço pesa em meu corpo. Me esforço para levantar. Preciso me arrumar para o serviço, mas a minha vontade é zero. Preciso me esforçar, pego uma toalha, minha roupa branca e vou para debaixo do chuveiro. Ontem mesmo ouvi “você está doente, como pode cuidar de outras pessoas?”, isso não sai da minha cabeça. É muito difícil para mim esconder tudo isso. Passo a maior parte do dia no hospital, me escondendo daquilo que eu sei que é verdade. Mas eu ignoro. Não posso abandonar tudo, não agora. Já sou um total fracasso em tudo, desistir seria humilhante demais. Dou bom dia pelos corredores com meu estômago roncando alto. Esta tudo bem. Continue fingindo. Forte/vazia/forte. Tudo isso gira em minha cabeça enquanto a água morna escorre pelo meu corpo. Ah, se ela levasse junto com ela as minhas dores. Uma garota que finge ser feliz, mas está cheia de cicatrizes por dentro e por fora. Nos seus pulsos está escrito “be strong” mas nem ela mesma acredita mais nessas palavras. Fracassada. Assim que se define. Desligo o chuveiro e me seco, me visto, sem me olhar no espelho. A imagem que reflete nele me dá nojo. Vou até a cozinha e pego uma xícara.
- Tem bolo dentro do forno.
Ouço minha mãe falar entrando na cozinha. Na esperança que eu queira me entupir de bolo (240 cal) as seis da manhã. Apenas assinto com a cabeça enquanto preparo meu chá com adoçante (0 cal). Ela ainda pensa que esta tudo bem. Nada que sorrisos falsos, maquiagem e roupas largas não disfarcem não é? Sinto uma pontada de culpa, odeio mentir. Mas logo passa, isso tudo é necessário. Tomo meu chá enquanto minha mãe está no banho.Coloco meus fones no último volume na musica “courege”. Pego um prato e espalho farelo de bolo sobre ele. Deixo a forma do bolo em cima do forno. Pego uma fatia e jogo fora. Depois deixo o prato e a xícara na pia. Pronto. Ela vai pensar que comi aquela explosão de calorias. Só falta uma coisa. Um elogio. Vou até a porta do banheiro.
- Mãe, estou indo, ah, o bolo estava ótimo.
- Ta bom, vai com deus!
Trabalho feito. Aquela pontada de culpa volta. Mas a afasto para longe. Coloco os fones novamente e sigo o caminho do hospital. Minha cabeça dói. Estou a quantos dias sem comer? Nem sequer consigo me recordar. Chego com muita dificuldade até meu setor. Sinto um peso nas minhas costas. Tentei deixar tudo de lado, tomei cerca de dois litros de água, até ficar enjoada. Dentro dessas seis horas. A manhã passa rápido. Eu não paro um minuto. Finalmente chega a hora de ir embora. Pego minhas coisas e vou. Na saída uma colega me chama. Desacelero o passo. Ah meu deus o que ela quer agora?
- Você está bem?
(Minta!) - Estou sim, porque?
- Está meio pálida, faz dias que te vejo assim.
- Eu sou branca demais, deve ser isso.
- Você está com uma aparência de doente, isso que estou querendo dizer.
- Bobagem, estou um pouco gripada, só isso.
- Tudo bem então, se precisar de algo pode me chamar, até amanhã.
- Obrigada, até!
Uau, ok, isso foi estranho. As pessoas estão começando a perceber? Poxa, eu passo muita maquiagem e fico sorrindo o tempo todo. Aparência de doente? Isso me deixou preocupada. E se minha mãe notar algo? Vou para casa o mais rápido possível. Não tem ninguém em casa. Então me troco e deito, preciso esquecer a fome, e não, não posso comer. Tenho academia mais tarde, mas tenho medo de passar mal. O que aconteceu outro dia. Quase desmaiei, tive que dizer que eu tomava remédio forte , e que minha pressão caia as vezes. Mentira. Sou rodeada por mentiras. E sinceramente isso é muito cansativo. Oh Deus, o que eu faço para essa dor de cabeça passar? E não, não vou comer. Vou até a cozinha e preparo outra xícara de chá. O cheiro me enjoa. Tomo e volto a deitar. Meu estômago reclama, ele estava na esperança de receber algo sólido. HA-HA, não foi dessa vez meu amigo! Não sei aonde vou tirar forças para ir na academia, mas terei que ir de qualquer forma. Pego no sono, e me acordo duas horas depois. Bem a tempo de me vestir e ir malhar. Eu sempre gostei de ir na academia, é como se eu colocasse toda a minha raiva nos exercícios, gosto de me sentir exausta, aquele cansaço de “eu não aguento mais” me faz sentir bem. Por um momento parece que estou fazendo alguma coisa certa. Exceto por, fazer exercícios sem comer. Enfim, eu aguento essa. Coloquei meus fones e fui correndo até a academia, que fica a duas quadras da minha casa. Lá encontro minha linda e magra professora. (Que por favor, não dê aula só de top hoje, para eu me sentir mais fracassada do que já sou!). Venderia minha alma para ter o corpo como o dela. Tento me concentrar nos exercícios, mas estou fraca demais. Qual é, agora não! Quando me abaixo para alongar sinto tudo escurecendo ao meu redor. E já sabia o que estava por vir. Não senti mais nada. Tudo apagou. Quando consigo abrir os olhos sinto meu corpo doer, vejo várias pessoas ao meu redor, alguém verifica minha pressão. Não consigo falar. Elas falam mas eu não entendo, sinto uma pontada na cabeça, será que eu bati quando cai? Quando consigo sentar a sensação já passou um pouco.
- Como você está se sentindo? - diz minha professora.
- Estou bem, o que houve?
- Bem, você desmaiou, sua pressão foi lá no chão, já havia acontecido isso antes?
- Ah, já, e hoje está muito quente, deve ser por isso.
- Quer que levem você para o hospital?
- Não precisa, passo tempo demais lá. (brinco)
- Tudo bem, mas vá se sentar um pouco antes de ir embora. Pedi para trazerem um suco para você, tudo bem?
- Tudo bem, obrigada.
A aglomeração já havia acabado, apenas uma mulher estava sentada ao meu lado, me olhando a cada segundo pensando que eu iria para o chão de novo. Que vergonha. Isso não poderia ter acontecido. Não consegui terminar os exercícios! Que droga! Sinto vontade de chorar. Mas empurro um suco de laranja garganta abaixo. Preciso ir embora. Passei vergonha demais por hoje. Quando estou saindo alguém me chama na porta.
- Psiu.
Era um garoto, muito bonito por sinal. Olhos castanhos e cabelo escuro, usava uma blusa preta e tinha uma tatuagem no braço.
- Ah, oi. - respondi meio surpresa.
Eu nunca conversava com ninguém na academia, o máximo foi trocar algumas palavras com uma colega sobre como estava quente aquela tarde. Ele passa a caminhar do meu lado, como se eu o tivesse convidado a me acompanhar até em casa.
- Foi você quem passou mal na aula lá em cima?
- Ah, foi, mas não é nada demais, porque?
- Eu estava passando lá bem na hora, só não fui lá porque sei que atrapalharia mais do que ajudaria, sou péssimo nessas coisas.
- Que vergonha, pararam a aula por minha causa. - dou um sorriso sem graça.
- Que isso! Nada demais, mas agora você está bem?
- Ah sim, estou ótima, vou para casa já.
- Como é seu nome?
- Me desculpe, esqueci, me chamo Júlia e você?
- Lucas, mas pode me chamar como quiser.
(Sorrio)
- Ok, obrigada pela preocupação, eu moro naquela casa no final da rua. Nos vemos por aí. - tenho vontade de bater minha cara na parede depois de dizer isso.
- Espera, me passa seu número?
- Pra quê?
- Talvez eu queira conversar com você depois. - ele dá um sorriso torto.
- Tudo bem, anota aí.
Digo meu número e me despeço. Com certeza aquilo foi muito esquisito. Entro me perguntando o que tinha sido aquilo. Vou direto para o chuveiro, o que eu mais precisava agora era um banho, bem gelado, para esquecer tudo o que tinha acontecido. E os pensamentos voltam. Sinceramente achei que eles só viriam a noite, mas resolveram aparecer mais cedo desta vez. Aquela vontade de sumir toma conta de mim. “Você não é importante, ninguém te ama, você deveria morrer”. Tenho vontade de gritar. Essa voz fica repetindo isso em minha cabeça várias e várias vezes. É interrompido pelo som do meu celular. Uma mensagem. “Queria esperar mais para te mandar mensagem mas não aguentei, gostei muito de te conhecer.” Era do Lucas, aquele garoto que a dez minutos atrás eu nem sabia que existia. Coloco o celular de lado, não queria responder naquele momento. Terminei meu banho e fui para o quarto. Enfim respondi a mensagem “Também gostei de te conhecer.” Foi o máximo que consegui. Qual é! Conversamos dez minutos, nem isso, o que queria que eu falasse? Mal respondo e já chega outra mensagem. “Podemos sair um dia desses, se você puder, é claro.” (Não, estou muito ocupada fingindo que estou bem, não comendo e me cortando, ah, e meus pensamentos suicidas não me deixam em paz, então seria melhor não acontecer). “Claro, eu adoraria! Estou livre no sábado”. Idiota, não consegue ser má com ninguém, nem mesmo com alguém que acabou de conhecer. “Ótimo, te pego as oito."Ok”. Eu tinha um encontro? Não acredito. Ah e se ele quiser me levar para comer um xis burguer? O que eu faço? Que roupa vou usar sem parecer uma porca gorda? Ah, isso é o de menos, hoje é quinta-feira, tenho tempo para pensar nisso. Preciso dormir, isso que preciso. Tomo duas colheres de anti-ácido para ver se meu estômago para de chorar e vou dormir. Sexta-feira passa muito rápido, e quando vejo já é sábado. Tenho cortes recentes nos braços, como vou esconder? Um casaco e maquiagem, sempre funciona. Se não fizer um calor de quarenta graus. E já estava calor de manhã, de noite poderia ser pior. Não existe a possibilidade de eu ir de casaco, terei que ir de manga longa, a mais fina que eu tiver, mas só a maquiagem não vá cobrir os cortes, tenho mais isso para me preocupar. Me visto, passo maquiagem, um batom escuro, e não me encaro muitas vezes no espelho pois sei que mudaria de ideia sobre sair de casa. Antes que comece a por defeito em cada parte de mim a campainha toda. Era ele, pontual demais por sinal. Eram oito e um. Desci e avisei minha mãe que iria sair. Ele estava mais bonito que o outro dia, estava com uma camisa cor de mel e uma calça escura, o cabelo estava bem penteado, estava super perfumado. Ele me dá um beijo no rosto.
- Vamos?
Ele abre a porta do carro para mim. Eu apenas assinto com a cabeça. Confesso, eu estava nervosa. A muito tempo eu não tinha um encontro, nem nada parecido. E não acreditava que estava me permitindo a isso outra vez. Mas a única coisa que realmente me preocupava era aonde iríamos.
- Aonde vamos?
- Bom, é surpresa.
- Ah me fala, sou curiosa.
- Você vai ver.
Isso me deixava mais nervosa ainda. Chegamos em um restaurante. Eu tremi, meu pior pesadelo, comer em público. Respira, respira, respira. Eu tinha que segurar a barra, só por uma noite. Depois poderia ficar uma semana sem comer, ou algo parecido. Poderia me punir. Mas eu não poderia me comportar como uma louca/maníaca por comida, ele não poderia saber de tudo na primeira noite.
- Está tudo bem? - ele segura minha mão e me puxa para fora dos meus pensamentos.
- Ah sim, tudo certo, é aqui?
- É sim, vamos?
Ele desce e abre a porta para mim. Cavalheiro demais pro meu gosto. Deve ser porque é a primeira vez que estamos saindo. Garanto que ele não faria isso todos os dias. Enfim, ele apoiou a mão em meu ombro e entramos. Era um lugar confortável, as luzes eram meio fracas, o que dava um ar bem romântico. Havia uma mesa no canto direito, com dois lugares, era decorada com rosa brancas. Nos levaram até ela, ele havia reservado. Me sentei e ele se sentou na minha frente. Olhei ao redor e haviam poucas pessoas. Eram educadas, conversavam baixo. Respirei fundo mais uma vez. ‘Você consegue fazer isso’. Fiquei repetindo na minha cabeça o tempo todo. Logo trouxeram nossa comida, ele mesmo que escolheu para mim. Tinha carne, arroz, salada, era um prato bem enfeitado. Umas 398 calorias calculei. Ele me perguntou o que eu queria beber, e pedi uma água sem gás. Comecei a cortar a carne em pedaços, primeiro quatro, depois oito e depois dezesseis pedaços. Coloquei um na boca e comecei a mastigar. Essa era a hora de começar a falar, quem sabe assim conseguiria comer menos. A carne desceu rasgando a minha garganta. Estava suando frio. Tomei um pouco de água.
- Então, o que você faz? Sabe, além de ir na academia… - ele sorri.
- Eu trabalho e estudo, faço faculdade de psicologia.
Ah droga, ele ia ser psicólogo? Eu estava realmente perdida. A qualquer momento eu seria descoberta, disso eu tinha certeza.
- Ah, que legal.
Minha cora de assuntos tinha acabado por ali, eu era péssima nisso. Na verdade eu era péssima em tudo o que fazia.
- E você, faz o que?
- Trabalho num hospital e estudo enfermagem.
- Eu não conseguiria, sabe, lidar com pessoas doentes.
- Mas na verdade você vai lidar, só que são pessoas psicologicamente doentes, o que eu acho bem pior, você apenas não está vendo a doença, pois ela está por dentro, mas ela está lá, muito pior que um câncer ou algo parecido.
- Nossa, me surpreendeu agora!
- Porque diz isso?
- Você entende de psicologia?
- Além de enfermeira, sou psicóloga - sorrio - Sabe, os pacientes são muito necessitados de atenção, de ter alguém pra conversar, e eu faço esse papel também. - mexo na minha salada e coloco um pedaço de alface na boca.
- Entendi, mas não deve ser muito fácil.
- Fácil não é, mas é o que eu realmente amo fazer, parece que é a única razão pela qual eu ainda continuo viva, para ajudar as outras pessoas, cuidar.. Única forma de eu me sentir útil.
- Está sendo melancólica.
- Não estou não, estou sendo sincera.
- Tudo bem.
- Sabe, eu fazia terapia. - droga, não deveria ter falado isso.
- Sério? - ele parece apavorado - você não me parece alguém que precisaria de um psicólogo.
- É, mas preciso. - ele sorri, levou como uma cantada.
- Me diga o motivo. - nesse nível da conversa ele já estava acabando de comer, e eu ainda comendo a alface.
- Você não vai querer saber, de verdade.
- Quero sim, por isso estou perguntando, pode confiar em mim, já sei lidar com gente maluca. - ele me cutuca e sorri de canto.
- Tive alguns problemas um tempo atrás, e minha mãe achou melhor me levar numa psicóloga, que acabou virando psiquiatra e eu tive que tomar uns remédios, mas foi por pouco tempo, hoje eu estou super bem. - minto.
- Que tipo de remédios? - ah, agora ele estava querendo saber demais.
- Olha, é a primeira vez que a gente sai, não quero ficar te assustando com a minha triste história.
- Mas se eu quis sair com você e te trouxe até aqui é porque quero saber mais da sua triste história, afinal, é quem você é.
- Você vai ser um bom psicólogo. - sorrio triste. - Então tudo bem, eu tive depressão, tentei suicídio e descobriram que eu tenho transtorno bipolar.
- Só isso?
- Bom, só? Acho bastante coisa para alguém de 21 anos, não acha?
- Já atendi pacientes piores. - ele parece indiferente.
- Sofri de automutilação também.
- O que mais?
- Nada. - eu não podia falar da ana e da mia, seria um crime.
- Você é uma pessoa interessante.
- Fala isso porque sou maluca e você é psicólogo? - sorrio.
- Não, falo isso porque é verdade.
- Tudo bem.
- Você é linda. - ele acaricia o meu rosto de leve. - Mas nem tocou na sua comida, está ruim?
- Ah, não, está ótima, eu que não estou com muita fome hoje.
- Tudo bem.
Ficamos um tempo em silêncio e eu me pergunto o que se passa na cabeça dele. Afinal, eu acabei de contar que sou uma maluca suicida e ele diz que sou linda? Trazem a sobremesa e eu nem comi a comida. Graças, agora só preciso enrolar mais um tempo. Digo que vou ao banheiro. Me olho no espelho, mesmo depois de ter passado maquiagem eu ainda estava pálida. Tanto faz, aquela altura eu só queria ir pra casa dormir. Não sei porque havia aceitado aquele convite, aquilo não daria em algo bom. Eu sentia isso. Volto para mesa e ele já devorou metade da sobremesa.
- Não vai comer?
- Não gosto muito de doce.
- Você vive do que, de ar? - ele ri, eu fico muda. - Foi brincadeira, desculpe.
- Não, tá tudo bem. - não, não está.
Pego meu copo de água, quando solto ele pega na minha mão, e puxa minha manga.
- Você ainda faz isso? - o olhar dele era uma mistura de preocupação com medo. Puxo meu braço rápido, foi apenas um descuido e ele viu, isso não podia acontecer.
- Bom, cada um acha uma forma de se aliviar. - foi a única coisa que eu consegui dizer.
- Você não precisa disso. - ele pega na minha mão e faz eu olhar nos olhos dele. - Você é linda, não precisa andar por aí cheia de marcas!
Não consigo responder. O que ele estava tentando fazer?
- Está tarde, você me leva em casa? - ele parece triste.
- Sim, vamos então.
No caminho até a minha casa não falamos nada. Ele liga o som e é a única coisa que se escuta dentro daquele carro além da nossa respiração. Chegamos.
- Foi muito bom, obrigada, de verdade.
Seguro na porta para abri-la.
- Espera. - ele me puxa de volta.
- O que foi?
- Vamos nos ver de novo?
- Podemos sim, mas porque a pergunta?
- Talvez eu tenha feito ou falado algo que você não gostou.
- Não, não fez nada, de verdade. - ele acaricia a minha bochecha e coloca a mão na minha nuca, a mão dele está meio fria o que me dá um arrepio.
- Você é lin-da. - ele quase sussurra enquanto aproxima o rosto do meu, posso sentir o hálito dele em mim.
- Obrigada. - é a única coisa que respondo, eu estou anestesiada, eu quero que ele me beije mas ao mesmo tempo não quero, e penso que ele já teria o feito se quisesse. Então ele encosta os lábios nos meus, bem de leve, depois com mais força, sinto seu gosto em mim, e eu quero mais, e mais. Não quero parar agora, ele coloca a outra mão em minha nuca e puxa meu cabelo de leve, sinto um arrepio. Eu quero ele todo pra mim, naquele momento, mas não posso. Começo a beijá-lo mais lentamente, até parar e olhar para ele. Ele passa a mão pelos meus cabelos e me dá um beijo na testa.
- Obrigado pela noite.
Eu me viro e saio do carro, ainda não acreditando no que havia acontecido. Eu pensava que ele não iria me beijar, e o beijo dele era maravilhoso, poderia passar horas e horas beijando ele sem parar. A eu tinha que parar de pensar nisso e entrar em casa! Vou para meu quarto e deito na cama, preciso analisar tudo o que aconteceu. Eu saí com ele e contei praticamente toda a minha vida (ou uma boa parte dela) e ele me beijou? Isso era muito estranho. Pego minha coisas e vou para o chuveiro. Quando volto para me deitar meu celular vibra. “Durma bem.” Apenas isso. “Você também.” Respondo. Viro para o lado e pego no sono. Acordo com o despertador mais uma vez. Ao longo do dia trocamos alguns sms’s. Não me pesei hoje, e não vou fazer isso até amanhã. Tenho medo de subir na balança, aqueles números me assustam. Estou cansada, e meu estômago não para de reclamar. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer.
Pego uma garrafa de água gelada e tomo ela toda até sentir que vou explodir. Pronto agora ele pode parar de reclamar, pelo menos por um tempo. Não me lembro realmente quando tudo isso começou, quando dei por mim já estava no banheiro com o dedo na garganta, é viciante. Com o Lucas as coisas vão bem, tirando a parte que escondo o que se passa por minha cabeça vinte e quatro horas por dia. Esses dias estávamos deitados e ele passou os dedos pelos cortes em minha barriga, que estavam quase cicatrizados.
- Você não vai mais precisar disso, eu te prometo.
Não respondi, apenas me deixei envolver os braços nele, era aquilo que eu precisava, alguém que cuidasse de mim, mas o que ele não sabia é que havia algo pior que os cortes. Os pensamentos sobre suicídio não me deixavam em paz. Eles vinham no momento que queriam e estavam me enlouquecendo. Me sinto totalmente fracassada por não ter conseguido daquela vez, me descobriram, se não tivessem me levado a tempo para o hospital eu não estaria aqui agora. Acordei e vi minha mãe, e um curativo em meu braço. Sete pontos e uma garota maluca de dezesseis anos que tentou tirar a própria vida. Minha mãe não dizia nada, mas as vezes eu fingia dormir e a ouvia chorar. A pior coisa do mundo é ver sua mãe chorar, e pior ainda é saber que é por sua causa. Eu estava acabada, e sabia que precisava de ajuda, mesmo assim eu me recusava ao tratamento. Apenas me forcei a comer para não descobrirem o meu segredo, e sempre que dava, eu jogava a comida fora. Eu precisava sair de lá. Foram vinte e cinco dias, vinte e cinco longos dias que pareceram cinquenta. Finalmente recebi alta, no mês seguinte minha mãe ficava em cima de mim o tempo todo, achando que a qualquer momento eu pudesse tentar alguma coisa. Ela me olhava dormir duas vezes por noite. Sei disso pois me acordava com o som da porta cada vez que ela entrava. Fui forçada a ir na terapia duas vezes por semana, falar dos meus sentimentos com uma estranha. Nada daquilo adiantava, os remédios só me faziam sentir mais dopada e com vontade de dormir o dia todo. As vezes eu mentia que havia tomado. Foram três longos anos até minha mãe achar que estava tudo bem e que eu não tentaria me matar de novo. Ela parou de me vigiar e eu voltei a me cortar. Era o momento em que me sentia viva, vendo o sangue sair eu sabia que não tinha acabado ainda. Tenho mais coisas para fazer antes de partir. Me dediquei aos estudos, e aqui estou eu, aos vinte e um anos, deprimida outra vez. Mas de uma coisa eu sabia, que se houvesse outra tentativa, na verdade não seria tentativa, eu conseguiria, mas ninguém poderia aparecer para me salvar, como acontece nos filmes sabe? Nesse filme eu realmente morreria. Eu ignoro o pensamento o máximo que posso. Desde que o Lucas apareceu, sinto que uma parte da minha vida é colorida, e o resto é preto e branco. Não sei se desistiria da ideia de acabar com tudo por causa dele. Eu escreveria uma carta, que ele guardaria, e talvez depois de um tempo jogasse fora, para se esquecer de mim. Sei que algumas poucas pessoas sofreriam com a minha partida, mas passaria, é sempre assim que acontece. As pessoas ficam de luto, choram por noites, e depois de um tempo superam, e seguem suas vidas, é inevitável. Sou uma garota de vinte e um anos que não vê mais motivos para viver. Estou no meu quarto a umas três horas, chorando, me cortando. Não tem ninguém em casa. Meu celular tocou algumas vezes, mas não o peguei. Eu não aguento mais, preciso terminar com isso logo. Bato na parede com força, minha mão sangra. Eu quero gritar, mas minhas forças acabaram. Vou até a cozinha, na prateleira de remédios. Encontro os que eu queria, sedativos, indutores do sono, calmantes, se eu tomasse todos de uma vez dormiria para sempre? Volto para o quarto, pego uma folha e uma caneta, começo a escrever uma carta. E amasso o papel. Pego outro. Nenhuma palavra é boa o suficiente, nenhuma. Nada justifica minha falta de vontade de viver. Desisto de escrever uma carta. E faço um bilhete. “Me perdoem, mas foi melhor assim”. Apenas isso, seria o suficiente. Começo a tomar os comprimidos. Um, dois, três, vinte e quatro, quarenta? Eu acabei com as cartelas, ainda não sinto nada. Mas parei de chorar. Seria o fim? Agora meu celular toda sem parar, é o Lucas. Fico tonta, já se passaram seis horas, daqui a duas horas minha mãe chegaria, algo deveria acontecer. Vou até o banheiro, vejo tudo girar. Pego meu navalhete, que ainda não havia usado. Coloco a banheira para encher. Tiro minha roupa. Está tudo girando, me deito na banheira, eu preciso de apenas um corte e sei exatamente onde fazê-lo. Deslizo a minha com força em meu antebraço, na horizontal. E o sangue começa a sair com força, logo a água da banheira está vermelha, sinto que vou apagar a qualquer momento. Sinto medo, estava dando certo. Fecho os olhos e deixo meu corpo me levar para debaixo da água. Escuto um barulho forte, mas ao mesmo tempo fraco, está tudo confuso para mim. Quando sinto que estou indo sinto algo me puxar para fora da água. Não vejo mais nada. Quando acordo vejo minha mãe chorando, de alegria? Demoro a perceber o que está acontecendo. Eu estava entubada. A pior sensação que alguém pode ter deve ser essa. Vejo uma enfermeira correr e chamar ajuda, e tiram o tubo de minha garganta. Todos comemoram, eu não entendo nada, não tenho forças para falar. Única coisa que sei por enquanto é que estou no hospital. Quando outra enfermeira se aproxima de mim consigo ver seu uniforme, agora eu sabia exatamente onde estava, UTI. Como isso pode estar acontecendo? Minha mãe segura minha mão.
- Filha, você lembra do que aconteceu?
Não tenho forças para responder, meus pulmões doem para respirar. Tento fazer que não com a cabeça, nesse momento minha mãe já havia parado de chorar.
- O Lucas te encontrou na banheira, sangrando, desacordada, te trouxe para o hospital, mas acharam que era tarde demais, você entrou em choque, eu sei que você sabe o que significa - ela sorri triste - teve uma parada cardíaca e veio parar aqui. Você ficou onze dias em coma, os médicos não sabiam se você acordaria, ou quais seriam as sequelas se você acordasse novamente, eles estavam sem esperança na verdade. Mas eu sabia que você iria acordar! - seus olhos ficam molhados novamente - Você recebeu sangue, fizeram lavagem pois você havia tomado muitos remédios, eu fiquei aqui o tempo todo, esperando você abrir os olhos. Filha, eu não posso te perder, você é tudo que eu tenho! - ela desaba a chorar novamente.
- Oh mãe… - Consigo responder, e ouvir minha voz faz ela chorar mais, ela me abraça e eu choro também - Prometo nunca mais fazer nada parecido.
- Filha eu te amo. - Ficamos um tempo abraçadas até que ela me solta.
- Mãe, onde está o Lucas?
- Aqui existe horário de visitas, você sabe disso, mas ele passou muito tempo aqui com você, se não fosse por ele, eu teria perdido você!
- Mãe, o importante é que estou bem agora, preciso muito falar com ele.
- Vou chamá-lo.
- Ele está aqui?
- Ele sempre está filha, ele só volta em casa para tomar banho e volta para cá.
Dou um sorriso triste. E ela saí. Logo o vejo entrar, vejo uma lágrima cair e ele toca o meu rosto.
- Nunca mais faça isso comigo. - Ele desaba. Depois se recompõe, eu não consigo dizer nada. - Tenho uma coisa para você, eu não queria que fosse dessa forma, mas enfim.
Então ele se ajoelha ao lado da minha maca, tira uma caixinha preta do bolso e a abre para mim com os olhos molhados.
- Amor da minha vida, você aceita, que eu te cuide todos os dias, pelo resto da minha vida, que eu te ame, que eu acorde ao seu lado e esteja mais perto de você para garantir que nada de ruim aconteça? Você aceita se casar comigo? - Eu estou em prantos, mas preciso encontrar forças para responder. Percebo que os enfermeiros e técnicos estão todos olhando para mim e sorrindo, alguns até deixam escapar uma lágrima.
- Sim Lucas, sim! É tudo o que eu mais quero! - Ele coloca a aliança no meu dedo e me beija, e o que eu sentia era uma mistura de tudo.
Depois de um dia fui levada para o quarto, ainda haviam medicações a fazer. Então depois de oito dias recebi alta. E decidi que a partir daquele momento eu seria feliz, eu me permitiria ser feliz. Hoje estou com vinte e seis anos, e confesso a vocês, está difícil terminar de escrever com a Sofia no meu colo. As cicatrizes agora fazem parte do meu passado, e hoje estou cuidando do meu futuro. Agora vou indo, o papai da Sofia acabou de chegar.
—  Recomeçar.
Quando criança eu sempre via aqueles filmes da Disney, mas nunca acreditei nos “felizes para sempre” que sempre aparecia nos finais dos filmes de princesa. Não me levem a mal, mas quem diabos consegue ser feliz para sempre, sorrir o tempo todo? Ninguém. Até mesmo as princesas com toda sua riqueza, com seu príncipe “encantado” não eram capazes de ser feliz o tempo todo. Queriam me fazer acreditar que um príncipe encantado iria chegar e me dar o conto de fadas que todas as meninas daquela época sonharam em ter e assim eu viveria feliz para sempre? Besteira total. O problema com contos de fadas é que eles são contos, não passam disso. Confesso que quando criança eu até cheguei a cogitar a possibilidade de esperar por um “príncipe”, esperar para que ele viesse me salvar porque era isso que de fato acontecia nos filmes. Ao passar dos anos eu descobri que a realidade não era nada parecida como a dos filmes, eu chorei… Chorei como nenhuma princesa havia chorado, gritei como nenhuma outra princesa havia gritado, briguei como nenhuma outra princesa havia brigado ―Cá entre nós, as princesas não iriam conseguir correr com aqueles saltos. Tadinha da Cinderela se fosse forçada a correr com um sapatinho de cristal―. O bom disso tudo é que eu descobri a verdade em meio a tudo isso, não tive nenhum príncipe para me acolher quando as coisas apertaram ou quando precisei de ajuda e querem saber de uma coisa? Descobri que meu príncipe encantado não viria me buscar em cima de um cavalo branco e nem muito menos chegaria para me salvar de alguma vilã ―até porque nesse meio tempo eu descobri que eu sou minha própria vilã―, na verdade, meu príncipe chegou de camiseta preta e um calção, é mole? E ainda chegou quando eu estava completamente nua! Essa parte de ousadia a Disney não me mostrou, mas tudo bem, foi até bom pela surpresa. Meu príncipe chegou quando eu menos esperava, quando eu estava realmente no fundo do poço. Que audácia desse príncipe aparecer em um momento tão íntimo, bem no momento em que eu estava conversando comigo mesma enquanto me olhava no espelho.
— 

Desculpa, Disney. Eu sou meu próprio príncipe.

L.F.R

anonymous asked:

Oii, me diz como esquecer uma pessoa que já foi o mundo pra ti? Pq tá foda

Dê tempo ao tempo.
Somos humanos, nos apegamos, nos acostumamos com a presença da pessoa em nossas vidas, isso faz que até uma simples mensagem de bom dia que passamos a não receber mais se torne uma saudade impiedosamente torturante.. o tempo sara tudo, sofra o que tiver que sofrer, não se prive, a dor precisa ser sentida, respeite seus sentimentos. Esquecer é uma escolha, portanto siga caminhos que não levem até a pessoa, pensamentos, lembranças.. por enquanto será uma luta pra você mas um dia você vai esquecer, não é o primeiro(a), e não será o último(a), pessoas passam por nossas vidas, mas precisamos lembrar das coisas boas, dos bons momentos e pensar em como foram bons para nós mesmos, assim como essa pessoa, ou vocês juntos tomaram a decisão de cada um seguir seu caminho, fazemos o que é melhor pra nós então se esse é o melhor, seja feliz, aproveite o tempo e se encontre novamente.

One Shot Liam Payne

  • Pedido - Faz um cm o Liam q ela trabalha cm ele na banda e ela ta sempre opinando e isso acaba estressando ele e por isso eles discutem. Dai um dia vaza o projeto de 10 anos do 1d q eles estavam preparando no maior segredo e tudo aponta pra ela e nem o Liam fica do lado dela e ela é processada, sai de casa e fica muito triste por nem o marido dela q a conhece desde sempre acreditar na sua inocência dai ela consegue provar q não foi ela e ele vai atrás se desculpar e descobre q ela ta gravida, final feliz


A campainha tocou justamente quando (seu nome) levou a colher do seu sorvete de chocolate com manteiga de amendoim à boca a fazendo parar no meio do caminho. Há algumas horas ela teve que se deslocar de casa para comprar a manteiga de amendoim, quando ela na verdade odeia amendoim. Sempre que lhe diziam que grávidas tinham desejos estranhos, ela não acreditava, agora ela estava passando justamente pelo período de desejos.

Olhando em direção à porta da cozinha e a colher sendo segurada por sua mão parada no ar a caminho de sua boca, ela tentava se decidir se ia atender quem estava a sua procura ou se satisfazia o seu desejo. Depois de ouvir mais uma vez o som da campainha, ela enfiou a colher na boca se levantando para sair da cozinha e ir até a porta principal da casa saber quem que a incomoda em um momento tão importante.

Assim que abriu a porta a palavra incomoda deveria ganhar ênfase, a sensação de ter a figura daquela pessoa em sua frente era incômoda, ela não sabia o que o havia levado a procurá-la no novo endereço. Mas ao mesmo tempo que havia a sensação de incômodo estava presente, havia também a saudade, ela não poderia dizer que deixou de amá-lo nem da boca para fora.

— Acho que você errou o endereço. — pronta para fechar a porta, o marido ou ex marido - não se sabe ao certo - segurou firme a impedindo de fazer o que pretendia.

— Eu vim no lugar certo, me ouça, por favor. — Liam estava implorando, dava para notar em seus olhos.

— Você não deu credibilidade nenhuma as minhas palavras quando eu precisei que você ficasse ao meu lado. Por que eu iria querer ouvir as suas agora? — (seu nome) se manteve firme segurando a porta mostrando toda a sua mágoa.

— Não cometa o mesmo erro, não faça essa estupidez como eu. — ele estava arrependido, claro, todos estavam, todos que a julgaram mal.

Por mais que (seu nome) quisesse repetir o mesmo que ele lhe fez, ela apenas deixou que ele passasse pela porta e tivesse a chance de se explicar, afinal, aquele ainda era o seu Liam.


UMA SEMANA E DOIS DIAS ANTES


— Liam, troque de posição.

(Seu nome) observava a sessão de fotos do marido para o novo photoshoot e opinava no que achava necessário, ela sabia quais eram os melhores ângulos do marido, ela adorava tirar fotos dele em todos os quase seis anos de casados.

— Você precisa ser mais criativo, querido… Tem quase umas vinte fotos suas nessa posição e ela é usada por você há quase todos os dez anos que você tem feito isso. — alfinetou tentando fazer com que Liam a escutasse já que ele estava prontamente a ignorando.

— E o que você entende de poses e fotografias? — ele se virou para olhar a mulher irritado pelo comentário desnecessário ao seu ver.

— Eu entendo que se toda vez tiver fotos de você na mesma posição vai ficar repetitivo e previsível. — (seu nome) não tinha problema nenhum em expor as críticas que achava que eram construtivas.

— No que você é formada e qual sua função aqui? — (seu nome) não entendeu muito bem o porquê da pergunta franzindo a testa levemente, mas respondeu mesmo assim.

— Produção cinematográfica e estou aqui para exercer a minha profissão. — ela deu de ombros.

— Então se contenta em fazer o seu trabalho e deixe que os profissionais no assunto cuide das fotos.

Constrangida, (seu nome) ficou de pé olhando o marido por alguns segundos sentindo os olhares de todas as pessoas presentes no local sobre si e não demorou muito para que ela estivesse caminhando para fora daquele lugar sem dizer mais uma palavra.

Liam havia pegado um pouco pesado, não precisava ser tão rude quando a intenção da mulher era apenas ajudá-lo, não tinha clima para que (seu nome) ficasse ali esperando até a hora do almoço para sair, ela resolveu que iria ir naquele mesmo minuto e então saiu pela porta de trás sem comunicar ninguém.  

[…]

Uma hora e meia depois, (seu nome) estava de volta no estúdio fotográfico onde o One Direction passaria o dia tirando fotos e ela só estava ali porque havia prometido observar de perto a gravação do making off.

— Você ficou com raiva porque eu te dei uma chamada na frente de todo mundo e vazou o vídeo antes do tempo, não foi?!

(Seu nome) olhou para Liam com sua melhor cara de “Hã?! Do que você está falando?“ parando na entrada da sala segurando em uma mão seu celular e na outra seu copo de café expresso. Só então que ela percebeu que todos estavam unidos com os olhos fixos nela.

— Você estava com raiva do Liam, mas precisava descontar em todos nós?! Você não prejudicou só a ele, você acabou com um projeto que todos nós trabalhamos duro, inclusive você. — Louis disse não deixando seu desapontamento e indignação escondidos.

— Eu ainda não estou entendendo o que eu fiz… — (seu nome) disse devagar revisando as palavras ditas em sua mente, “vazou” “vídeo” e “porra! O video vazou?“ — Vazaram o vídeo? — ela perguntou com os olhos arregalados.

— Vazaram não, você vazou! — Liam a acusou no segundo seguinte.

— Claro que eu não fiz isso! Não ganharia nada com isso. — indignação era tudo o que (seu nome) sentia. Eles todos achavam que havia sido ela?

— Uma vingança infantil e sem nação. — Liam disse verdadeiramente irritado.

— Eu não fiz nada disso!

— Como você não fez?! Só você tinha o acesso a esse vídeo e isso foi pouco tempo depois de eu ter constrangido você na frente de todos. — o tom de voz de Liam estava alto.

— Eu não faria uma vingança tão baixa como vocês estão pensando, na verdade eu não faria vingança nenhuma e você, Liam, você deveria saber disso. — (seu nome) também estava se exaltando por conta daquela acusação injusta.

— Saiba que as medidas cabíveis serão tomadas, isso não vai acabar aqui. — Liam falou o que para (seu nome) foi uma ameaça.

— Eu faço questão que levem o meu computador para a perícia ainda hoje… Vamos ver se o vídeo foi enviado dele.

(Seu nome) virou as costas pela segunda vez em menos de três horas deixando todos para trás com os olhares olhares grudados em suas costas. Ela estava com a consciência tranquila, não importava o que acontecesse.

[…]

Com a desconfiança de Liam, seu próprio marido, (seu nome) decidiu que ficaria em um apartamento alugado porque não tinha clima nenhum para que eles ficassem na mesma casa, ela não queria ter os olhos de seu marido a encarando cheios de julgamento. Então na manhã seguinte, mesmo com um pouco de enjôo, ela arrumou suas malas para ir para o apartamento que ela alugou pela internet.

— Aonde você pensa que vai? — Liam perguntou como se exigisse uma resposta antes que ela pudesse abrir a porta principal.

— O que você espera que eu faça? Você espera que eu fique aqui depois do que aconteceu? — ela deixou a mala e se virou para olhá-lo nos olhos — Você já pode se sentir aliviado, não terá que viver debaixo do mesmo teto que uma pessoa que não é digna da sua confiança.

— Você consegue perceber o quanto está sendo infantil?

— E você? Consegue perceber o quanto dói a pessoa que você ama não confiar em sua palavra? A pessoa que dormiu ao seu lado durante cinco fodidos anos. — (seu nome) já podia sentir seus olhos ficando mais úmidos que o normal.

— Pare de falar como o Louis. — ele se referiu ao “fodidos”.

— Vá a merda!

Sem esperar mais nada, (seu nome) saiu de casa decidida que faria de tudo para agilizar a perícia em seu computador, ela tem certeza que o vídeo não saiu dele e se vazou, algum hacker invadiu seu computador, alguém que sabia o que tinha nele.

[…]

Um dia depois de se instalar no apartamento alugado, (seu nome) procurou um advogado e entregou seu computador para o pessoal responsável pela perícia, ela estava tranquila, mesmo antes de Liam ter mandado a mensagem dizendo que ele conseguiu evitar um processo por parte da gestão da banda. Ela não queria que ele evitasse nada, sendo que ele nem mesmo acredita nela.

Uma semana se passou até que saísse o resultado, seu computador havia mesmo sido invadido e ao rastrear o computador responsável pela invasão, o endereço era uma biblioteca pública, ou seja, sem pistas do culpado.


PRESENTE


— Eu sei, eu tenho plena consciência que dentre todos eu deveria ter dito “não! Minha mulher não é capaz de algo assim, eu a conheço muito bem.“, mas ao invés dessas palavras que mostrava que você poderia contar comigo para o que viesse, eu só soube apontar o dedo e reforçar dizendo que você foi a responsável.

— Você veio aqui para dizer o que eu já sei? — (seu nome) perguntou ao que Liam fez uma pausa.

— Claro que não, eu vim aqui assumir o meu erro de te acusar sem ter provas. Eu vim assumir o imenso erro de não ter levado nossos anos de casados em consideração quando eu fiz aquela acusação contra você. — Liam respirou fundo se aproximando e tomou a mão da mulher entre as suas — Me perdoe por ter agido como um idiota antes mesmo de eu ter sido um completo imbecil. Me perdoe por ter desconfiado de você quando eu sei que você não é capaz de qualquer coisa para me prejudicar ou prejudicar os rapazes.

— Tudo bem… Eu não vou dizer que não estou magoada, chateada e triste, mas eu perdôo você. — ela disse olhando nos olhos castanhos do marido — Vamos ter um bebê e eu não quero ter que criá-lo sozinho.

— Vamos ter um bebê?! — os olhos de Liam se arregalaram e ele perguntou apressadamente tomado pela surpresa.

— Sim, mas não pense que eu estou te perdoando apenas por isso… Eu amo você, de qualquer forma. — (seu nome) sorriu sem mostrar os dentes beijando o queixo do marido.

— Oh meu Deus! Obrigado! — Liam a agradeceu segurando seu rosto com uma mão e a dando uma série de selinhos nos lábios — Eu te amo! Eu amo vocês!

Liam falou completamente entusiasmado fazendo (seu nome) sorrir grande com sua alegria ao descobrir que será pai. A falta de confiança dele foi ligeiramente esquecida por (seu nome) ao assisti-lo se ajoelhar aos seus pés para beijar sua barriga. Isso não quer dizer que a ferida simplesmente sumiu, ela só deixou de sangrar.



Espero que tenham gostado… ❤

- Tay