leiam pfv ):

Olha, você sabe que eu sou um bocado de problemões. Não me dou bem com quase ninguém, e se for parar para pensar, nem comigo mesmo. Entro em conflito com meu próprio interior constantemente. Eu não tenho solução. Entendo que ninguém goste de ficar do meu lado. Quem gosta de problemas, não? Nunca fui bom com algumas coisas, e é completamente difícil acreditar que eu consiga me adaptar qualquer dia. Você é diferente, uma completa estranha. Parece que persegue problemas e até gosta deles. É difícil de lidar comigo, e você faz isso tão bem que é estranhamente desconfiável que alguém como você goste de ficar. Estranho seria eu ficar tentando explicar o que eu sinto ou o que me vem a cabeça, e mais estranho ainda é ficar tentando pensar no quanto você é complicada. Eu sei o quão difícil é resolver um quebra cabeça de cinco mil peças, mas decifrar você vai um pouco além disso.
—  Decifrar você vai além disso, Hale K. 
- Gabriel?
- Oi Ju.
- Porque você está estranho assim comigo?
- Não estou estranho com você amor.
- É claro que tá Gabriel, para de mentir.
- Mas Ju, eu não estou estranho com você, impressão sua.
- Ah é, então porque você tá me ignorando?
- Eu tô te ignorando?
- É, tá sim.
- Quando que eu te ignorei?
- Desde de quando você foi no médico, que você estava doente. Depois que voltou, ficou estranho comigo, sei lá. O que aconteceu com você Gabriel?
- Nada amor, não aconteceu nada. Acredita em mim.
- Tabom amor, acredito em você. Agora vem aqui, vem. Me dá um beijo, estou com saudades de você.
- Ah não amor, vou pra casa, tô cansado, vou ir dormir um pouco ta.
- Mas você acabou de chegar.
- Eu sei, mas é que estou com muito sono.
- Ah Gabriel, por favor, vamos matar um pouco a saudade? Já tem 6 dias que a gente não se fala direito, não se abraça, não se beija.
- Ah, nada a ver amor.
- É sim. Agora me diz Gabriel, o que tá acontecendo?
- Tábom, você quer saber mesmo?
- Quero.
- Quando eu fui no médico pra saber o que que eu tinha, ele disse que eu estava com leucemia.
- Leucemia? Como assim Gabriel?
- É, estou com cancêr no sangue.
- Mas, você vai ficar bem? Diz que você vai, por favor. (com lágrimas nos olhos)
- Eu não sei amor. Eu to fazendo quimioterapia. Mas ele diz que é bem provável que eu melhore se me cuidar bem.
- Então, eu cuido de você. Vou rezar todas as noites pra você melhorar, tá? Nunca vou te abandonar.
Ela o abraça forte. (uma lágrima cai de seus olhos)
Ele abraçando ela, sorri.
5 dias depois, ela liga pra ele.
- Alô?
- Amor, é a Ju. Como você tá?
- Aqui é a mãe dele, o Gabriel não se encontra nesse momento.
- O que? Como assim? Onde ele está?
- Ele foi pro hospital essa madrugada com o pai, porque ele estava se sentindo muito mal.
- Ai meu Deus. Como ele está agora? Qual o hospital que ele está internado? Eu preciso vê-lo.
- Não sei se ele quer que você vai vê-lo no estado que ele está agora.
- Por favor, me passa o endereço. (ela está chorando)
A mãe do Gabriel passa o endereço pra ela, e logo ela vai pro hospital.
Assim ao chegar, pergunta a recepcionista onde é o quarto dele. Ela fala o número. E a Ju vai correndo para lá.
- Gabriel?
- Ju. O que está fazendo aqui? Quem te falou que eu estava aqui?
- A sua mãe. Eu vim te ver. Porque você não me falou que estava tão mal assim?
- Eu não queria que você ficasse preocupada.
- É, mas eu tô preocupada agora né.
- Desculpa.
- Não precisa pedir desculpa amor, a culpa é minha por não ter cuidado de você direito.
- Não, a culpa não foi sua Ju. Agora vá embora, por favor.
- Como vou embora? Vou deixá-lo aqui?
- Você não precisa de mim Ju. Vai viver sua vida, siga em frente. Arrume outro alguém que te queira e seja feliz.
- O que? Não. Eu não vou embora daqui sem você Gabriel. Não me peça pra esquecer você, pois eu não vou. Se não for pra ser você eu não quero que seja mais ninguém, entenda isso.
- Não fale besteira Juliane. Você é linda, não tem porque ficar aqui comigo, não vale a pena.
- Porque não vale a pena?
- O médico disse que talvez eu não resista.
Ela começa a chorar.
- Claro que você vai resistir, você é forte, e sabe disso.
- Não vou, e não vale a pena você ficar aqui.
- Por você, tudo vale a pena. E não importa o que aconteceça, eu sempre estarei ao seu lado. Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Você vai resistir a cirurgia e eu estar aqui do seu lado, segurando a sua mão quando tudo isso acabar.
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
Ela o abraça.
O médico entra no quarto e diz que está na hora da cirurgia.
Gabriel fica nervoso.
Ju diz a ele que vai ficar tudo bem. (beija-o no rosto)
O pai dele e Juliane, o esperam na sala de espera. Estão tensos.
Horas depois, o médico chega na sala.
O pai de Gabriel, pergunta como foi a cirurgia e como ele estava.
- A cirurgia foi bem. Houve uma parte que pensavamos que ele não resistiria, mas ele resistiu. Parabéns por ter um filho como forte assim. (médico responde)
- Onde ele está? Quero vê-lo. (ju pergunta)
- Ele está em coma. Daqui a 3 dias, já pode voltar para casa. (médico responde)
Ela sorri.
3 dias se passaram. Ju está na casa de Gabriel para que possa cuidar dele.
Eles estão felizes. Estão jogando video game, comendo pipoca.
- Ju?
- Oi amor.
- Obrigado por estar lá do meu lado.
- Awn, eu disse que estaria do seu lado. Não importa o que aconteça, sempre vou estar.
- Sabia que foi você que me deu forças?
- Sério? Awn meu amor, eu te amo demais.
- Eu te amo mais minha princesa. (eles se beijam)
—  Por amor você enfrenta qualquer coisa.Gabs (apreciada)

Nada de que eu escrevo está de bom tamanho em minha apreciação. Não sei quais sentimentos estão interiormente à mim. Meramente sinto coisas inexplicáveis, incapacitáveis de serem expressas em um simples papel, ou em um simples caderno antigo, farto de folhas amassadas, rasgadas e destroçadas. De tantas escritas, quase nenhuma expressou o que eu realmente sentia, é indecifrável para mim descobrir o que realmente frui dentro de meu mero coração. […] Numerosas vezes já desabei unicamente, e logo após limpei as lágrimas e a cada pessoa que vinha perguntar se estava tudo bem, eu a enganava e dizia que sim, que eu apenas sentia sono. Numerosas vezes eu não me residia afetivamente bem, e muitas vezes surgia no meu rosto sorrisos falsos. Poucas vezes me eclodiu um verdadeiro sorriso, uma verdadeira risada. E se isso me aconteceu, ocorreu anteriormente. Pois anteriormente, confesso que era bem melhor. Pois tudo o que era antes, contrariou- se. (mar-desangue)

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico muda quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressada, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.
Eles me disseram que é impossível acreditar no amor, e mais impossível ainda que o amor nos faz feliz. Eu até tentei não acreditar, mas só ao avistar teu olhar, tudo muda, meu mundo muda. Minhas opiniões mudam, tal qual eu nunca acreditei nesta besteira, que pra mim sempre foi besteira, esse tal de amor. Mas de repente você chegou, contradizendo tudo, todos os meus objetivos, opiniões(…) Eu não quis, eu não conseguia acreditar que você trazia-me o amor; Na verdade sempre fui ruim para acreditar nas coisas, nas pessoas principalmente.
Seres humanos mentem muito, mentem até quando te dão oi, ás vezes eles querem mandar você tomar no cu e com a maior ironia te dizem: olá!!! Os seres humanos são a pior espécie que eu já conheci e, se raciocinarmos, a mais idiota. Faz mal pra você mesmo e, acha que tá fazendo seu bem. Como posso acreditar em uma espécie que faz tudo pra se auto-ferir? Eu sei, pode ser cisma meu, mas também pode ser que eu esteja tendo um raciocínio lógica de uma coisa mais óbvia que passa despercebido pelo olhar de todos. Mas não pelo meu, não por mim.
Eu quero: Bom dias mais verdadeiros, quero um oi mais alegre, quero um abraço mais apertado, um beijo menos apressado. Os seres humanos correm demais, correm contra o tempo. São tão burros, que acham que vão alcançar tal velocidade indo de ré. São tão idiotas mais tão idiotas que falam mal dos outros e depois dão uma de amiguinhos. Não suporta esta espécie. Por que eu não poderia ter nascido animal? Sei lá, um canguru. Animais são amáveis, são defensores, são aconchegantes. Animais amam sua família, seres humanos amam o dinheiro achando que ele é sua família. Seres humanos são hipócritas, são miseravelmente egoístas. Qual a espécie tão imbecil a ponto de não ajudar seu próximo? É tanto egoísmo que pode sobrar metade do seu salário que ele vai socar até no cu mas ele não vai ajudar o próximo. Espécie escrota, bizarra. O ser humano é muito imbecil, idiota, e só não digo jumento e burro porque é prática de bullying contra esses animais. O ser humano é tão idiota, mas tão idiota, que ele ama.
—  Larissa Maia, em: Os Seres Humanos; O egoísmo sobre a espécie mais idiota do mundo.
Era noite, estava tudo calmo e o céu pela primeira vez em semanas estava estrelado. Pedi uma pizza e aluguei meus filmes preferidos. Aquela era uma das poucas ocasiões que eu teria um tempo só pra mim. Eu precisava definitivamente de um tempo. A pizza chegou, e como de costume comi três pedaços e deixei o resto de lado, amanhã comeria no café da manhã. Já estava na metade do segundo filme quando ouço batidas na porta. De início, pensei que seria aquela senhorinha vizinha minha reclamando do barulho, mas depois me toquei que ela, infelizmente, tinha passado dessa para melhor semana passada. Pausei o filme, calcei os chinelos e fui atender. Era ele. Caio estava ali na minha frente, era a primeira vez que eu o via daquele jeito. Chapado. Bêbado. Fora de controle. Ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Não que eu não soubesse que ele bebia, só nunca tinha o visto nesse estado.
– O que você está fazendo aqui, nessa hora da noite? Ou da madrugada, que seja!
– Achei que a gente ainda tivesse algo.
– E por isso vem na minha casa com bafo de cerveja e sei lá mais o quê às 1 e meia da manhã?! Enlouqueceu?!
– Não, só bebi, nada demais, Gabriela… – E acabou quase caindo no chão, se não fossem meus braços para segurá-lo.
– Olha, eu não sei o que você quer, mas devia ir pra casa. Não é seguro estar fora de si no meio da rua esta hora da noite. Se quiser eu chamo um táxi.
– Se eu quisesse ir pra casa teria feito eu mesmo. Mas não, estou aqui. A gente precisa conversar.
– Amanhã, quando estiver sóbrio, a gente pode conversar se você ainda quiser.
– Não. Eu quero aqui e agora.
– Caio, você realmente devia… – Ele cambaleou de novo. Dessa vez o deixei cair de uma vez.
– Que foi?! Vai ficar me vendo aqui no chão em vez de me ajudar?!
– Aham, e se você não sair daqui eu fecho a porta e tu passa a noite aí fora, caído em meio a escuridão.
– Ah, Gabriela, dá um tempo e me ajuda pelo menos a ficar em pé. – Eu o ajudei a se levantar e, infelizmente, o chamei para entrar. Burra. Estúpida.
– Se você quiser, tem pizza e suco na geladeira, mas não creio que esteja realmente com fome. Eu vou continuar a ver meu filme.
– Olha, eu sei que você acha uma estupidez eu vir aqui de madrugada bêbado e sem nenhuma desculpa pra ter vindo. A verdade é que… eu quero voltar.
– Está bêbado.
– Não significa nada.
– É claro que significa. A bebida te faz perder a inibição e dizer coisas que nunca diria sóbrio.
– Por isso mesmo, me faz dizer coisas que nunca diria no meu estado normal por vergonha. Mas não me faz mentir.
– Olha, tem uma cama no quarto de hóspedes. Dorme um pouco, descansa, relaxa esses teus pensamentos, e se ainda quiser voltar comigo de manhã, a gente conversa. – Ele foi pro corredor e acabou caindo e dormindo ali mesmo. Eu sabia que era só o efeito da bebida. O Caio normal e sóbrio e lindo-que-nem-um-artista não quereria voltar comigo, a estranha e calada nerd da faculdade. Mas mesmo assim, meu coração palpitou. Mesmo que eu tentasse esconder, realmente gostava dele. Acabei me deixando levar e me levantei e o coloquei na cama, com um cobertor por cima. Dei um beijo de boa noite em sua testa, mas isso tudo pareceu patético demais. Amanhã obviamente ele acordaria e pediria desculpas por ter estado aqui, e iria pra casa jurando nunca mais voltar. Era sempre assim. Depois que todos os filmes acabaram, desliguei a tevê e fui pra minha cama. De manhã eu poderia ser dispensada, mas agora só queria uma boa madrugada de sono. Acordei eram 13:00, o que já era de se esperar. Caio ainda estava dormindo e babando no sofá-cama. Não estava com fome, então só troquei de roupa e fiquei lá, esperando o tempo passar. 16:15 ouço um barulho do quarto de hóspedes. – Gabi? Você tá aí? O que diabos eu tô fazendo deitado aqui? – Fui correndo até lá e o ajudei a se levantar.
– Nada, você… só estava de ressaca. Já pode ir agora, e não vou cobrar nada, desde que não volte mais.
– Espera… por que eu vim?
– Estava bêbado, só isso. A gente se vê amanhã na sala de aula. Bom Domingo, Caio. – Fui acompanhando ele até a porta, ignorando seu bafo horrendo. A presença dele compensava isso. Quando abri a porta, ele deu um passo à sua frente e depois hesitou. Virou pra mim e disse:
– Posso não estar mais bêbado, mas ainda tenho motivos para estar aqui. Gabi… eu quero voltar. E posso jurar que não é nenhuma cerveja ou uma esquizofrenia que está me fazendo dizer isso. Você me queria sóbrio, não queria? Bem, aqui estou eu. – Ele agitou os braços como sempre fazia. – Estou completamente normal agora. Todo o álcool de ontem a noite foi embora. A única coisa que restou… foi essa estúpida vontade de você. Mas é, tem coisas que o álcool não pode fingir. Droga. – E se foi, no meio da rua deserta. É, tem coisas que o álcool realmente não pode fingir.
—  Nem o álcool pode enganar o que a gente sente, Gabi. Letícia Simões (s-ozinha)
Não vou ligar, dessa vez você corre atrás… Tudo bem, tudo bem… Já estou ligando, droga.

— Vai me ligar mesmo? — disse fazendo biquinho, encostado na porta do meu apartamento, observando ela pegar o elevador.
— Já disse que vou, Pedrinho. Assim que der, tá?
— Tá, tchau.
Não gostei muito dessa parte “assim que der”. Anne como sempre, me deixando em segundo plano e eu aqui parecendo um idiota, que não consegue se quer ficar sem pensar nessa idiota por um minuto que seja. Ela e seus joguinhos que conseguem me virar do avesso e fazer correr atrás.
Quatro horas da tarde, e nenhuma mensagem cara? Ela saiu daqui não era nem meio dia. Ok ok, vou dormir um pouco… Oito da noite, já dormi, tomei banho, comi, morri e ressuscitei e nem sinal. Vou mandar uma mensagem, não, não vou mandar mensagem. Tic tac, tic tac, tic tac. Quanta babaquice da minha parte. Onze da noite, se você acha que eu vou ligar, pode esquecer Anne. Não vou entrar nos seus joguinhos… Droga, vou te ligar.
— “Anne?”
— “Pedrinho” — disse ela rindo, quase tive vontade de sorrir também, mas estou muito bravo pra isso.
— “Não vem com Pedrinho não, achei que tivesse morrido.”
Eu estava usando um tom sarcástico, não queria parecer preocupado, apesar de estar.
— “Hoje você demorou, achei até que estivesse esquecido. Estava quase te ligando, sabia?”
— “O combinado era você ligar, idiota.” — dei ênfase no idiota. — “Anne, eu não vou ficar correndo atrás de você pra sempre não. Eu me sinto um babaca fazendo isso, não custa nada você me ligar, dar o braço a torcer e principalmente, parar com seus joguinhos.”
— “Já terminou de falar?”
— “Já, por que?”
“Abre a porta, tá frio e eu só to com um sobretudo por cima da lingerie.”
— “Não.”
— “Tá falando sério?”
— “Não” — Dei uma gargalhada e notei a sua irritação.
— “Abre logo a porta, imbecil.”
— “Só mais uma coisa…”
— “Pedro, eu vou te m-a-t-a-r!”
— “Tô indo princesa.” — Abri a porta, e dei um sorriso malicioso ao vê-la. — “Mas, amanhã você me liga tá?”
—  Anne e Pedro, Me liga. — Kátia Pinheiro, b-adly.
O que nós realmente precisamos nessa vida? As vezes eu olho pra mim mesmo, e sinto que não esta certo. Pessoas lá fora sem comida à noite e nós dizemos que nos importamos, mas nós não nos importamos… Então todos mentimos. E se existisse mais do que isso? E um dia nós nos tornássemos o que nós fazemos, não o que falamos. E nós terminassemos nessa merda toda em que eles estão e os papéis fossem invertidos, e fosse diferente. E nós fossemos aqueles sem nada para comer, nós fossemos aqueles com sangue nas nossas ruas. Nós fossemos aqueles com toda a descendência e eles fossem aqueles que só assistem a TV. Nós fossemos aqueles quebrados e despedaçados com nossas vidas nas costas, e nossa esposa nos braços. E eles fossem aqueles que diziam “Caramba, isso é tão triste”. Nós fossemos aqueles… Nada nunca mudará, é a única coisa que eu sei. Nada nunca mudará. Olhe para os seus sonhos e suas intenções… O quão egoísta eles são pra você mencionar? Transformar algumas centenas em milhões, casar com uma modelo e ter alguns filhos. Bem… eles tiveram sonhos também, eu imagino. Tipo se não vão voltar para mata-los… Dormir à noite sem um assassino em alguma pequena cidade que você nunca ouviu falar. Agora, olhe para os seus pesadelos e seus piores medos. Seu carro, sua casa e sua garota, e isso acaba por aí. Todas essas coisas que você não pode imaginar perder. Tipo “Oh, não, e se isso acontecesse comigo?” Bem… o que você tem eles nunca tiveram, nem foram como você, nem tiveram a suas chances, nem foram como você antes de partirem. Nada nunca mudará, pelo menos é assim que nós agimos. Como se nada nunca mudasse, como se Deus nos carregasse em suas costas. Nada nunca mudará, estou olhando por esse lado. E tudo o que eu vejo é dor. Talvez nós precisemos de mais calçados nos nossos pés… Talvez nós precisemos de mais roupas e TV’s. Talvez nós precisemos de mais dinheiro e jóias. Ou talvez nós não sabemos tudo o que precisamos. Talvez nós precisemos querer consertar tudo isso. Talvez parar de falar, talvez começar a escutar. Talvez nós precisemos olhar para esse mundo menos como um quadrado, e mais como um círculo. Talvez, apenas talvez, Deus não seja injusto.. Talvez nós sejamos todos seus filhos e ele esteja la em cima. Talvez ele nos ame por todas as nossas raças. Talvez ele nos odeie quando somos tão racistas. Talvez ele nos olhe quando não nos importamos, e o céu seja bem aqui, mas é o inferno pra lá. E talvez os mansos herdarão a Terra porque isso já foi escrito antes, então… Tudo muda, nada permanece o mesmo. E se você se sente envergonhado talvez você devesse mudar isso antes que seja tarde demais.. Talvez você devesse mudar isso, porque tudo muda.
Você deveria mudar isso, porque tudo muda. Tudo muda.
—  Soldiers of Jah Army.

Queres saber como era a minha personagem? Ah, essa minha personagem era única. Ela era o oposto de tudo aquilo que a sociedade impunha como modelo de perfeição. Tinha um modo de pensar independente, uma mente tão confusa que quem entrasse nela - ela sabia - enlouqueceria. Pode-se dizer que ela era inocente a ponto de não ter consciência do próprio existir. Usava roupas largas - e escondia por trás delas um corpo moldado de curvas sinuosas. Moça que não pensava nas maldades do mundo, que não pensava nas dores que a vida podia fazê-la passar. Ela protegia-se de si mesma, sem ao menos saber o que estava fazendo. Mas chegou o dia em que a pobre - e inocente - moça apaixonou-se. O mundo parecia, desde então, ainda mais colorido do que costumava ser. Rapaz singelo, parecia carregar doçura por sobre os ombros, tratava com meiguice tudo aquilo que tocava. Ele passou a ser o sonho dela. Só ele não enxergava o brilho nos olhos dela quando ele passava, o sorriso bobo que dominava o rosto da moça quando ele chegava perto. O que ela sentia? Oh, ela sentia que o abraço dele era o melhor do mundo. Por mais que não fosse demorado, era nos seus braços que ela sentia-se segura. Sentia-se em casa. Eles se encaixavam perfeitamente - ela sabia. Só ansiava o dia em que ele fosse perceber que eles foram feitos um para o outro. Essa personagem era muito parecida comigo. Ela era eu - indiretamente, disfarçadamente, mas nela, podia encontrar-me.