larahsangi

Te amo como as begônias tarântulas amam seus congêneres, como as serpentes se amam enroscadas lentas algumas muito verdes outras escuras, a cruz na testa lerdas prenhes, dessa agudez que me rodeia, te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade.
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Hilda Hilst

você não sabe o que é ter o coração em chamas, a cabeça com turbilhões de acessos compulsivos a cada pré-nanosegundo. você não chegará a sentir a dor que é não querer amar, mas amar todos os infinitos detalhes mesmo assim. você nunca sentirá. você nunca saberá. nunca.
primeira pessoa do singular

louca. eu nasci pra escrever nas entrelinhas de uma tese de qualquer ser que não existe mais. sobre alguém que o palhaço chileno que faz malabares no sinal disse. só o tempo. aparece aqui amanhã e diz que o mar vai continuar lá. que o vento não vai deixar de soprar. que sempre que chover vai parar. que as aparências desenganam e o mar continua lá, desenganado. me liga amanhã e diz tudo isso novamente. é a necessidade de todo mundo. da terra ser destruída, e implodirem todos os registros, fatos, provas criminais, todos os livros já publicados, todos os manuscritos, as piramides do egito, as fabricas de cerveja, o lastro dos bancos. explodirem a vida. os loucos por existir se tornarão loucos falidos. é como falhar em se cuidar e depender de alguém que chegue e te ensine o trilho certo novamente. como se amar e viver intensamente fosse contraditórios. uma via sem acostamento. um grito sem um eco. kalil disse que a gente não esquece porque não se quer esquecer. e é fato. é meu cérebro que não me obedece ou eu que não o obedeço? – toma uma cerveja, ascende um cigarro – o beijo amigo é a véspera do escarro. abençoado seja augusto dos anjos. ele não atravessaria a cidade de são paulo por você e nem por ninguém. como todas as coisas pidantes. como se idealizar sobre um poema do bukowski. tentando ser melhor pra alguém ou pra mim mesma? eu não tenho esse dom. minha cabeça é fudida demais pra tentar por qualquer coisa que se passa por dentro ou por fora de mim no papel. eu voltei a fumar depois que li que a fumaça parece passear entre o mundo interno e externo. talvez ao passear por mim ela leve com ela tudo o que não consigo escrever. é fim de tarde. o domingo acabou. a festa de josé também. o sol foi embora e com ele as pessoas, a praia ficou vazia. enquanto eu afogo a minha solidão e todos os meus anseios em uma garrafa de vodka pura. e amanhã a minha ressaca vai ser ilusória. o só porque eu gosto é um afronto. o amor próprio cospe na minha cara e grita se ame caralho se ame. aprenda quebrando cara ou não. mas se ame. só o tempo. a necessidade de agora explode entre os meus dedos. como se eu e deus não existíssemos .

mas eu sinto tanto, eu sinto muito

Eu aprendo com a sua falta, com a solidão que você deixou na minha esfera. O vazio do meu dedo anelar direito é a tradução física de que juntos à dez meses não estamos. Continuo sendo forte sem a tua presença, sem o que eu julgo essencial. Você.  É bom sentir o que a tua falta me causa. Essa inconstância substancial de saudade. Eu sinto a tua alma flagelada nas madrugadas onde abro a persina pra dispersar todas as vontade e os gritos contidos durante o dia. Derrubo minha dignidade e todos os meus diagramas no chão, sem saber se um dia terei tempo para recupera-los. Quebro todas as lembranças e todos os troféus de fases concluídas da vida. Os cacos geram uma galáxia de desordem no chão, que cortam os meus pés. Sangram. E não há limites, equívocos e nenhuma outra forma de recomeço. A não ser a sua chegada, a sua morada em mim, mas as promessas se encontram distantes, esquecidas por milênios, estagnadas no peito. O que você sempre jugou ser importante. 

 Você não sente, não vê, as gotas de sangue que compõe os pontos que cosem as minhas entranhas. 

I miss u, always

como jamais senti

de algo, tempo, espaço, estado. 

larah, vitória, primavera  

Obsolescência programada

é mais dúbio que o futuro essa tua inconstância. esse teu medo. eu sobrevivo a todos os dias aos quais a morte passa três, até quatro vezes na minha frente. olho dentro do olho de cada ser e vejo a morte dançando dentro deles. sinto que tenho a mesma visão quando me olho no espelho. mas em mim é vazio, é vago. acho que a solidão faz isso, deixa você cada vez mais vazio, te esgota, te joga na sarjeta. ultrapassa o sinal vermelho, ignora todos os semáforos e todas as velocidades máximas. te cresce, te danifica, te apruma.

a minha epifania danificada oculta todos as possíveis possibilidades de fazer algo nos momentos nos quais me vejo assim, sem prumo, direção, lugar, espaço e tempo. é quando me sinto perdida e presa dentro de uma ilha. perdida e presa sem nenhum sinalizador dentro da mala. os meus ossos corroídos pela maresia do teu egoismo. e mesmo assim acreditar que você é tudo o que eu preciso. sem dependências ou fugas, mas com quereres e desejos de estar. enquanto sem você eu vou deixando a loucura e a solidão me moldar, e me deixar do teu tamanho, para caber em você, como um sapato velho confortável. 

na imensidão da solidão, perdida no infinito cladogênico da evolução

Larah, vitória, 01:03

Dylan da os acordes hoje. Me tira pra dançar, me tira pra chorar e me coloca pra dormir com a tranquilidade de uma criança. Eu cresço e me diminuo fisicamente. As inconstâncias dos momentos me fazem acreditar que de uma hora pra outra posso me materializar em cacos de vidro, que cortam os pulsos de quem sangra por dentro. Seria eu nesse exato momento acumulo de toda tristeza e solidão existente nos mares? ou apenas poeira estelar dispersar nos ares?

bang bang

assim como os teus cílios que se desprendem das tuas pálpebras com toda facilidade, os nossos sonhos e desejos foram afogados com toda fugacidade. não tem como o amor não ser suficiente pra resolver qualquer problema. o que tem , é que o amor que a gente tem ainda é pouco. muito pouco perto do que a gente ainda pode sentir. que se pode fazer. não desistir é amor. abrir mão de si pelo outro é amor. quando as ondas continuam a se quebrarem na areia mesmo com o céu nublado. eu não quero ter que sonhar outros sonhos com outra pessoa, quero ser as ondas que não desistem mesmo quando o céu ta escuro e carregado. quero ser a praia vazia das madrugadas e do inverno vigoroso. mas com você. sempre com você. sem um novo passado, só com o amanhã. com as manhãs de sexo matinal acompanhadas de cocegas e massagens nos pés. dos filhos intelectuais e angelicais. das mãos e pernas traçadas. das tardes filosóficas e perdidos nas madrugadas. é impossível planejar outra vida. outro alguém. outros defeitos e manias. é impossível amar outro ser. os seus dentes de leão perfuraram meu coração deixando marcas mais profundas que as fossas marítimas. as suas guarras estão cravadas em mim até a alma. e eu amo a tua ferocidade. mesmo quando me fere e eu penso que não vou aguentar. sempre se aguenta um pouco mais. até acabar.

“o amor é bem mais do que suas teorias humanas, bem mais então não encolha o amor desse jeito”

de todas as minhas tentativas frustradas e da saudade que vai se acumular, eu nunca vou deixar de te amar. mesmo minhas lágrimas não sendo mais pra você. são pra mim. porque eu ainda sou uma montanha infinita de nós. e de nós só restou o pó. não quero mais possuir nenhum dos teus objetos. nem as tuas indiferenças.  e muito menos as loucuras de Foucault e os poemas de Quintana. só quero permanecer ou morrer cedo como o jimi hendrix. eu não vou desistir. porque eu ainda tenho em mim todos os sonhos do mundo de Pessoa, todos que foram arquitetados com você. mas parece que o mundo te tira isso. que a inocência protegida por uma vida passa a ser nada aos olhos dos desiludidos. que os sonhos são a única coisa que restou. logo eu que sempre me protegi do universo, como se a qualquer instante, um dos meteoros dos meus pesadelos fossem cair sobre a minha cabeça, e afetar somente a zona de memória do meu cérebro me fazendo esquecer que te amo. nem assim. eu criei inúmeros escudos, mas nenhum deles nos salvou.

lara s

505

por mais que eu queira conciliar os meus sentimentos com os teus atos, eu fracasso. e o meu fracasso é maior que a minha vergonha da derrota. de todas as minhas idas e voltas, vistas e reviravoltas
olhar para o teu corpo separado do meu por uma roleta, foi como se esmagassem o meu coração com uma porta. a porta que fecha o tumulo do nosso caso. o meu corpo foi teimoso ao atravessar, porque minh'alma havia ficado nos teus lençóis. mas o que nos separava e nos separa vai além de rodovias e roletas rodoviárias. é maior do que o que nos uni, do que as chaves que nos prende. é maior que o Everest e três muros de Berlin intactos, mas sobrevivo bem a todas as minhas queixas.
principalmente nos meus momentos de sensatez onde te odeio e cuspo na calçado todo amor que ainda resta. você não consegue me salvar dos semáforos e das rotatórias dessa ilha. você se escondeu e nem as maiores tempestades te fazem surgir no céu. ligo a tv apos semanas sem nenhuma noticia tua. olho pela janela e vejo noéis pendurados nos prédios e cogito, salvem os noéis. salvem o meu amor por ti. salvem-me de ti.

00:32, novembro.

não me sinto tão ilesa mais e muito menos inocente. o que vejo é o tempo se esgotar e novamente giro a ampulheta. e cada giro é acompanhado da esperança de que  tudo pode mudar. que agora você vai chegar, que agora você vem pra ficar.  pra me salvar e por um fim em todo caos que me torno quando me perco dentro de mim. as madrugadas continuam vazias, preenchidas por minhas lagrimas e por todo sofrimento que gero dentro do espaço simples de viver. terça a noite e eu só queria saber me divertir como uma pessoa normal. mas não sei lutar contra os meus monstros. ninguém sabe. eu sou tão escuridão quanto a luz é claridade. ao descer os degraus da escada mecanizada que me trás para baixo e que me leva para cima, mas nunca para onde você esta. e eu fico parada, calculando quantos passos terei que dá pra chegar ao fim da linha. mas minha cabeça entra em pane antes mesmo de apertar a tecla igual. 
E tudo que peço, quase implorando é de um pouco de direção. de autocontrole. Um pouco mais de esperança nas revoltas e nos retrocessos, mas isso também se esgota. e os anseios não são mais alimentados por pódios de chegada. até os astros se esqueceram de ocultar os mistérios que há por trás de tantos dias terminados em vão. e nem cobertores ou telhados conseguem cobrir as falhas do nosso amor. como iniciar manhãs de domingo com claros sorrisos. a minha verdadeira dignidade se opôs a minha realidade. coloquei a prova a lei do eterno retorno de nietzsche e a converti no meu lema diário. e por mais que a vida seja só agora, a verdade é que vai sempre haver novas vidas viris aptas para toda e qualquer repetição da sobrevivência. até a sua ausência as repetições amenizará. menos a saudade. a saudade nem você conseguirá apagar. pois seus gestos por mais pequenos e simples que pareçam fizeram um buraco gigante em minha memória, que nem Zeus com seus raios divinos, podem soldar as lembranças que teus minuciosos atos me causaram.

dezembro, lxx