Não, eu não vou sair falando por aí que você foi uma perda de tempo. Uma fase ruim da minha vida, ou qualquer outra coisa parecida, pois seria uma grande mentira.
Porque, na verdade, foi bonito, intenso, e infinitamente sincero, enquanto durou.
—  883 km de você.
well, you know what? i wanna make a toast: physics is the study of the movement of bodies and space and it can unlock the mysteries of the universe but it cannot answer the essential question of what is our purpose here and to me the purpose of life is to love, and to love is what you have shown me, i didn’t think that i would ever really have a friend until i met Abby and i feel like i have a family of my own and i love you thank you
—  Jillian Holtzman (Ghostbusters 2016)
Eu sei que não deveria estar fazendo isso, mas sinto a sua falta e não nos falamos mais. Então só me resta tentar esvaziar essa saudade escrevendo sobre você.
Se eu fechar os meus olhos ainda consigo ouvir a sua voz, e o som da sua risada ainda está presente em minha mente.
Esses últimos dias tem sido difíceis, e vou confessar que não estou dormindo. Tenho medo de pegar no sono e continuar sendo assombrada pelos seus olhos.
Eu não te odeio, apenas estou decepcionada com você, do mesmo modo que está decepcionado comigo. Mas eu não te odeio, e sei que apesar de estar bravo comigo, você também não me odeia.
Faz exatamente nove dias, desde a última vez que ouvi a sua voz. E ela continua presente em mim, como um castigo. Um lembrete de uma época melhor. Não estávamos nos nossos melhores dias, mas eu ainda tinha você.
Me sinto vazia e cheia ao mesmo tempo, é confuso.
Estou cheia de saudade, de lembranças, de incertezas… Parece que não vou conseguir voltar a ser feliz. Nunca.
E ainda sim, vazia. De amor. De você. De nós.
Eu choro à noite, todos os dias. Até os meus olhos arderem, numa tentativa frustrada de fazer isso passar. Mas não passa, não alivia e eu não sei como acabar com isso.
Às vezes me pergunto se você também sente a minha falta. Se você é assombrado por lembranças, assim como tudo sobre você me assombra.
Eu tenho pedido muito para Deus te tirar de dentro de mim e aliviar o meu coração. Sei que isso é extremo, mas não consigo mais suportar, porque acho que vou explodir a qualquer instante e sinto como se não restasse mais nada dentro de mim. Eu estou destroçada.
Mas eu ainda oro por você, todos os dias. Não é porque terminamos que quero o seu mal. É o inverso disso. Desejo de todo o meu coração que seja feliz. Independente de quem seja a pessoa que esteja ao seu lado. Desejo a sua felicidade.
Acho que o amor é isso, querer a felicidade do outro, mesmo que ele não esteja mais contigo.
E eu o amo. Muito. E é por isso que quero a sua felicidade. 
Eu pensei em te procurar, todos os dias, mas me mantive forte.
Eu ainda olho as suas redes sociais, mas vou parar… Algumas coisas que vi me magoaram. Você está seguindo em frente. E eu deveria fazer o mesmo. Porém, ainda não consigo.
É complicado isso de seguir, mas tentarei, prometo.
Vou tentar não escrever sobre você também. 
Agora eu não sei como terminar esse texto. O que é comum, pois eu e você sabemos que não sou boa pra finalizar as coisas. Sejam escritos ou relacionamentos. Nunca fui boa para dar um “basta” nas coisas, e talvez esse seja o meu grande defeito: Por reticências em lugares que deveria ter usado ponto final. 
Enfim, amanhã o dia será longo, assim como todos tem sido depois que você se foi: incrivelmente longos. Então irei tentar dormir.
Talvez você leia isso, ou não, mas se ler nunca se esqueça do quanto eu amei e ainda amo você.
Adeus.
—  Gabriela in O último 883 km de você.