julie salas

Qual o segredo daquela garota?
Que poderes ela tinha que me deixava tão obcecado por cada detalhe? O que ela escondia? Todo meu mau humor se esvaía quando eu a via entrar por aquela porta. E se nesse momento me perguntassem o que era o amor, eu responderia com a mais bela definição: a garota da sala 105.
—  Julie K.
2 Temporada - Cap 9

- Você está bem? – Luana se aproximou com uma caneca de chocolate quente e sentou ao meu lado na varanda. O clima estava começando a esfriar e não se via o céu azul, somente uma cobertura acinzentada por cima dos prédios.

- Acho que vou ficar.

- Você gostava muito dele, não é?

- A gente acaba se apegando, né? Ele me ensinou um monte de coisa, eu sabia de sua família, era um homem maravilhoso. Não merecia partir agora. – fechei os olhos para sentir a leve brisa gelada que batia em meu rosto e respirei fundo. – Fico imaginando como está a Sra. Jones e a filha dele.

- Tenho certeza que Deus tem um plano maior para elas. Não se preocupe, todos ficarão bem. – ela alcançou minha mão e me lançou um olhar terno. Sorri fraco e dei um gole no chocolate quente. – Eu sei que essa carinha não é só por causa do Dr. Jones. – olhei para ela, que me observava. – Quer conversar?

- Não consigo esconder nada de você, não é? – abaixei a cabeça e suspirei. Olhei para o líquido dentro da caneca e balancei um pouco em minhas mãos. – Eu fiz uma coisa hoje de manhã que não tinha que ter feito.

- O que você fez?

- Eu quase me entreguei pra Clara na sala dela.

- O que?! – Luana deu uma leve engasgada e me olhou incrédula. – Como assim, Van?! Ela te forçou?

- Pelo contrário, ela que me parou. – dei de ombros e senti meus olhos marejarem. – Clara teve força para me parar, disse que se não fizesse aquilo, seria pior para mim e pra ela.

- Ela estava certa. Imagina se acontece alguma coisa, como ficariam depois?

- Eu sei, mas.. eu estava sentindo falta dela. Quando a desgraçada me prensou na parede, meu corpo pegou fogo e eu perdi a noção de tudo, até de quem eu sou. – massageei a têmpora esquerda e bufei. – Você precisava ver como ela estava, fora de si, assim como eu. O problema é que Clara sempre teve mais controle das emoções e vontades, por isso conseguiu parar.

- E eu agradeço a Deus por ela ainda ter isso. Cuidado da próxima vez, ok? Pensa em você e nela. Siga em frente. – assenti com a cabeça e mais uma vez, fechei os olhos para sentir a brisa. Ouvimos a campainha e olhei para Luana, dando a certeza de que eu não levantaria de onde estava para atender a porta. Ela riu fraco e levantou-se, me deixando sozinha na varanda.

Cadê a moça? – ouvi a voz de Juli vinda da sala e passos se aproximando de onde eu estava. Ela colocou a cabeça para fora e abriu um enorme sorriso para mim, que não consegui evitar de sorrir junto. – Como você está? Fiquei sabendo do Jones.

- Vou ficar bem, não se preocupe.

- Bom, vai ter que ficar mesmo. Temos uma festa para ir depois de amanhã.

- Que festa?! – Luana apareceu novamente e voltou a sentar-se ao meu lado.

- Festa para os calouros da Columbia.

- Meu Deus, um médico e professor acaba de morrer e a faculdade vai dar uma festa?!

- Não, a faculdade não está organizando nada. Nós que organizamos. Apenas pedimos o pátio emprestado, é o suficiente e eles permitiram. – Juli retirou um papel do bolso e nos entregou. Tinha todas as informações da festa, line-up, o que serviriam de bebidas. – O que me diz?

- Acho que estou precisando mesmo, nós vamos. – entreguei o flyer para Luana e a pequena negou com a cabeça. – Vamos, para com isso!

- Não, Van, eu tenho namorado. O Tom me mata se souber que eu fui em um lugar desses.

- Não é um “lugar desses”. – Juli fez aspas com as mãos e revirou os olhos com impaciência. – É a festa de boas vindas aos calouros. Para de dar uma de Ave Maria e vamos logo.

- Mais respeito, Julia. – Luana fechou os olhos e suspirou em derrota. – Tudo bem, mas eu só estou indo porque a Van vai.

- Obrigada, Lu. – sorri fraco pra ela e Juli avisou que teria que sair para resolver algumas coisas com Mariana. Deu um beijo em nossas testas e deixou o apartamento. Eu não sabia se estava pronta para encarar uma festa logo agora, mas ficar reclusa em casa era algo fora de cogitação. – Você acha que eu devo ir?

- Sinceramente?! Eu acho que sim. Já está mais do que na hora de você curtir um pouco e sair dessa fossa. Sei que o que aconteceu com a Clara ainda te machuca muito, mas ficar aqui e se excluir do mundo não vai melhorar.

- Eu sei. Vou nessa festa e me distrair. – fitei as ruas da Broadway e respirei fundo. Precisava esquecer, seguir em frente e deixar o que aconteceu no passado. Clara ia superar mais rápido que eu, afinal, foi ela quem terminou. Espero que essa festa não me traga mais problemas. – Luana, vou pro meu quarto deitar um pouco. Mais tarde podemos pedir o jantar ou fazemos algo, pode ser?

- Claro, Van, vou descansar também. Tenho alguns trabalhos da faculdade para fazer, nos vemos mais tarde. – sorri para ela, levantei da cadeira e fui em direção ao meu quarto. Assim que entrei, tranquei a porta e me dirigi à escrivaninha. A carta de Clara estava lá, dentro de um livro de anatomia. Apanhei e reli palavra por palavra, sentindo meu coração apertar. Já estava na hora de parar de sofrer. Amassei o papel e joguei na lixeira.

Enquanto divagava com a cabeça enfiada no relatório que teria que entregar para ela na semana que vem, ouvi meu celular tocando enlouquecido na mesa de cabeceira. Nem quando eu decidia me focar nos estudos, Deus me dava uma trégua. Levantei e me arrastei, pegando o aparelho e notando a foto de Mayra no visor. Abri um sorriso leve e deslizei a tela, atendendo o meu anjo da guarda.

- Como estamos?

- Não sei, diga você.

- O que aconteceu dessa vez?

- O Dr. Jones faleceu esta manhã, aquele que eu fui escolhida para acompanhar durante a feira.

- Nossa, Van, meus pêsames.

- Tudo bem, ele só era um cara bem legal. Mas me fala, a que devo a honra da ligação?

- Preciso de um motivo especial para ligar pra minha melhor amiga?

- Devido aos recentes acontecimentos, acho que sim. – ela riu do outro lado da linha e eu me joguei na cama, fechando os olhos para ouvir sua voz, como se ela estivesse bem ali comigo.

- Para de se lamentar. Falando desse jeito, não parece que foi só a morte do Dr. Jones que te abalou hoje.

- Mais uma vez, você acertou. Se tivesse aqui, aposto que me daria um belo tapa.

Vanessa.. – seu tom de voz era sério e eu já estava me preparando para ouvir o maior dos sermões. – O que você fez?

- Eu e Clara quase transamos na sala dela hoje de manhã. – franzi o cenho como se evitasse ouvir o berro que viria em seguida.

- Vanessa Andre Mesquita! O que você está me dizendo? – era definitivo, eu estava surda de um ouvido. – Pode me explicar por que isso quase aconteceu?

- Não sei, May, foi o calor do momento. A gente estava discutindo, a Clara trancou a porta e falou que estava cansada de mim, cansada de um monte de coisa e me tacou na parede. Eu provoquei e ela quase cedeu, mas..

- Mas o que?

- Mas ela foi mais forte e saiu de perto, disse que não faria isso porque ia fazer mal a nós duas e me deixou plantada na sala. Foi embora e nem olhou pra trás.

- Bem feito! Sua descarada!

- Bem feito?! De qual lado você está?

- Vanessa, presta bem atenção. Tem alguma noção do que essa transa podia ter feito com vocês?! Ambas estão acabadas, magoadas, se tivesse rolado alguma coisa, seria mais difícil ainda de se recuperar. Caramba, por que você não pensa um pouco antes de fazer as coisas?!

- Nossa, falando assim, parece até que fui eu a única culpada.

- Mas foi. Pra que você foi procurá-la?

- Porque ela estava pegando no pé do Harry de propósito! É injusto que ele pague o pato por algo que ele não tem nada haver.

- Que Harry?!

- É um menino lá da faculdade.

- Decidiu mudar de time agora?!

- Não, não é nada disso que você está pensando. O Harry é gay.

- Juro que estou tentando entender, mas está difícil. Seja mais clara, por favor. – seu tom impaciente já estava me deixando irritada. Mayra parecia minha mãe e eu odiava quando ela fazia isso.

- Harry é um amigo do namorado da Bruna, só que ele é gay. O problema é que o engomadinho do Lucas..

- Quem é Lucas?

- Namorado da Bruna. Continuando, o problema é que ele é um homofóbicozinho de merda e não pode sonhar que seu melhor amigo é um enrustido. Digamos que eu e o Harry estamos nos ajudando.

- Vanessa.. você está usando esse garoto para colocar ciúme na Clara?!

- Na verdade, estou ajudando ele com essa situação do Lucas, o problema é que vem esse adicional de deixar Clara com ciúme.

Sabe que vai dar merda, não é?! Sabe que a Clara não vai aceitar isso tão bem, exemplo é o que ela já começou a fazer com ele dentro de sala. Você vai prejudicar esse garoto.

- Não vou nada, para de falar bobagem.

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Eu vou desligar, tenho que terminar uns trabalhos e só liguei para saber como você está e, pelo visto, me decepcionei um pouco.

- Se decepcionou por que?!

- Porque você está entrando em uma situação que pode atrapalhar sua volta com a Clara, não percebeu ainda?! Ela estava insegura exatamente por causa disso e na primeira oportunidade, você arruma um garoto para esfregar na cara dela. Qual o seu problema, Vanessa?! Ela te ama, não adianta tentar enganar a si mesma dizendo que não. Você acabou de colocar sua cabeça na degola e, sinceramente, eu esperava muito mais de você. Pense bem no que está fazendo e pare, antes que isso destrua tudo.

- Tudo bem, Mayra, pode deixar. Vou desligar também, tenho que terminar um relatório que a Clara pediu. Ela me zerou de novo.

- Já vi essa cena antes. – sua risada fraca do outro lado da linha me fez suspirar e lembrar dos tempos de escola, como eu gostaria de voltar. – Joga o jogo dela ,Vanessa.

- Você está com crise de bipolaridade?!

- Não, sua idiota! Jogue o jogo dela dentro de sala, faz o que você fazia na época da escola. Se ela voltou a ser a Aguilar que nós conhecíamos, volte a ser a Vanessa de antes. Só não se envolva com outra professora, por favor.

- Não, isso eu não vou fazer. Obrigada, Mayra.

Você não é nada sem mim. – pude imaginar sua cara de convencida, colocando a mão no peito e levantando a cabeça. Precisava dela por perto. – Estou indo, Van, qualquer problema, me liga. Aliás, ligue para sua mãe, né?! Dar notícias faz bem as vezes.

- Tem razão, vou ligar. Beijos, May.

- Beijos, garota problema.

Dei uma risada alta e desliguei. Virei de lado na cama e fiquei encarando o céu escuro pela janela. A velha Clara Aguilar estava de volta, então a velha Vanessa Mesquita também teria que voltar. Tentei ligar para minha mãe, mas depois de sete tentativas, desliguei. Dona Sol provavelmente estava com seu namorado e eu não estava nem um pouco afim de atrapalhar o que quer que fosse. Fechei os olhos e me permiti dormir. Aquela noite sonhei com Clara.. e Pepa.

O relógio marcava 20:35hrs. Luana e eu estávamos na sala vendo televisão enquanto esperávamos o jantar chegar. Definitivamente, teríamos que aprender a cozinhar. Brigamos por cerca de vinte minutos para decidir entre comida japonesa e tailandesa. Acabou que optamos por italiana mesmo, massa fazia bem e eu precisava comer algo mais pesado. Desde meu término com Clara, não me alimentava direito porque estava sem fome alguma, mas pelo visto, voltou com tudo. Enquanto a pequena passava impacientemente pelos canais, ela parou em um especial, que falava sobre as mais badaladas festas do país. Foi ai que uma me chamou atenção por ser em Miami.

“A famosa festa Life In Color desembarca em Miami amanhã e promete ser o maior evento do ano. Não percam e venham se lambuzar de tinta e curtir o melhor da música eletrônica.”

- Nossa, essa festa parece ser fora do comum. Gente suja de tinta, aquela música bate estaca na cabeça. – Luana mudou o canal e voltou a correr por eles. Por um momento pensei que Mayra e Coyote iriam e, se eu estivesse em Miami, acompanharia os dois. Será que Clara ia? Não seria possível, ela estava em Manhattan e duvido que sairia daqui para dirigir até Miami apenas por uma festa. De alguma maneira, aquilo me confortou.

- Eu iria nessa festa, parece legal.

- Van, você é louca! – a pequena deu um risada e eu dei um leve tapinha em seu braço. A campainha tocou e ela quase caiu quando pulou do sofá com pressa. Spaghetti à bolonhesa com almôndegas, literalmente, o paraíso. Comemos com tranquilidade enquanto falávamos da faculdade. Era bom ter uma pessoa que te entendia em tão pouco tempo e te dava liberdade para que você a conhecesse também.

- Acho que devemos comprar algumas roupas para a festa. – comentei, enquanto mordia uma das enormes almôndegas.

- Verdade, é depois de amanhã, não é? – assenti e ela fez uma cara de pensativa, pegando o celular em seguida e mandando uma mensagem. – Quero saber uma coisa.

- Como assim?

- Mandei uma mensagem para Juli me falar qual é o tema da festa, assim teremos mais ou menos a ideia do que comprar.

- Você é um gênio. – ela fez uma cara de convencida e eu revirei os olhos. Após o jantar e de limparmos tudo, fui deitar. Mesmo cochilando de tarde, meu corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão. Lembrei do sonho com Clara e Pepa e me perguntei por que diabos eu tinha sonhado com aquela criatura. Aquele sorrisinho cínico e sua pose de superior. Desgraçada. O pior de tudo, é que era inegável que Pepa era linda, charmosa e.. chega, tenho que parar de pensar e de sonhar com isso.

Luana me acordou com tanta pressa, que parecia que estávamos sendo atacadas, ela me chacoalhava de um lado para o outro e me batia com o travesseiro. Lógico que acordei com um humor do cão por conta disso. Tomei um banho gelado para despertar e depois de vinte minutos, estávamos nas ruas de Manhattan, procurando o que comprar para a festa. Entramos em diversas lojas, nada parecia nos agradar.

- Quero ir na Chanel.

- Como é?! – olhei para ela assustada e ela riu fraco. – Ficou louca?!

- Vai que tem alguma coisa lá que me interesse?

- Não duvido que tenha, mas vai querer vender o corpo pra pagar?!

- Para de ser estraga prazeres.

- Vamos na Forever 21, não sei.

- Não, vamos na Chanel e depois na Gucci. Qualquer coisa você me paga depois.

- Luana, não.

- Sua opinião não é válida pra mim, anda. – ela me puxou pelo braço e entramos na luxuosa loja da Chanel. Eu estava perdida no meio de tantas roupas maravilhosas e acessórios. – O que acha desse? – ela me apontou um vestido preto curto tomara que caia, com listras brancas nas laterais. Fiquei apaixonada por ele no mesmo momento. – Pelo visto, gostou. Vai experimentar, escolhi ele pra você.

- Luana, acho melhor não.

- Vanessa, se você falar não mais um vez, arranco sua roupa no meio dessa loja e você vai passar vergonha. – ela nem precisou falar outra vez e eu corri para o provador. O tecido do vestido era confortável e ele ficou perfeito no meu corpo. – Sai dai, Van, deixa eu te ver. – saí do provador e encontrei Luana sentada em uma poltrona de couro no corredor do provador. Seus olhos brilharam e ela levantou batendo palminhas. – Você está deslumbrante! Tem que ser esse.

- Ele é lindo mesmo, mas não posso aceitar, Luana, é muito caro.

- Se olha no espelho por um minuto. – me virei para o enorme espelho que cobria toda a parede e fiquei impressionada. Eu estava mais.. mulher. Aquele vestido era perfeito. – Tenho certeza que depois daremos um jeito de você ajeitar esse valor comigo, não se preocupe. É meu presente pra você de.. hmmm.. seu aniversário já passou, mas vai ser isso. – ri fraco e ela gargalhou, pedindo que eu fosse tirar o vestido para que a vendedora embalasse. – Agora é minha vez, vou ver um vestido e você me fala se ficou bom.

- Tudo bem, ficarei sentada nessa mesma poltrona, senhorita. – ela deu um tapinha no meu braço e depois de quinze minutos, escolheu um vestido azul marinho de manga curta, mas bem justo. Ela estava maravilhosa e eu abri um enorme sorriso, o que fez com que Luana soubesse que aquele era o escolhido.

Passamos por mais algumas lojas até que a pequena se encantou por um sapato da Louboutin. Eu quase infartei ao ver os preços, mas Luana nem pareceu ligar, entrando na loja e me puxando pelo braço. Claro que babei em cada um dos sapatos e botas. As famosas solas vermelhas, marca registrada da marca, realmente davam um toque especial. Luana escolheu seu sapato e cismou para que eu decidisse entre uma bota e um scarpin para mim. Claro que preferi o menos exagerado. Um scarpin preto de salto treze. Maravilhoso.

- Ally, acho que agora podemos ir pra casa, não é? Antes que você decida gastar mais dinheiro comigo e minha dívida aumentar.

- Van, calada. Ainda temos que ver a lingerie.

- Lingerie?! Pra que?! Luana, pra quem não queria ir nessa festa, você está adorando a ideia. – deu de ombros e um sorriso surgiu em seus lábios. Ela me levou até a Victoria’s Secret, claro. Enquanto observávamos os diversos modelos, vi algo que me chamou atenção. Um dos manequins utilizava um belíssimo conjunto e estava assinado por Taylor Aguilar. - Aguilar?!

- O que foi Van?

- Nada, é que esse conjunto está assinado por uma tal de Taylor Aguilar.

- Será que é parente da Clara?

- Não sei, não cheguei a conhecer ninguém da família dela. Mas lembro dela ter comentado que um irmão estava no Japão e a irmã em Madrid.

- Então deve ser irmã dela, seria muita coincidência, não é?

- É.. claro. – minha voz saiu fraca e eu olhava a peça. Realmente, a tal Taylor tinha um bom gosto absurdo. – Que tal se você comprar esse conjunto pra você, Luana?

- Que tal se eu comprar pra você? – ela apontou para mim com o dedo indicador, sorrindo feito uma criança. – Quem sabe até rola um autógrafo no sutiã.

- Deixa de ser besta, Luana. – revirei os olhos e observei a lingerie preta com detalhes vermelhos. – Tudo bem, eu topo.

- Ótimo, a minha eu já escolhi. Também é assinada pela Aguilar, mas é branca.

- Vai aproveitar com o Tom depois, né? – ela corou na mesma hora e deu as costas para mim. Adorava quando Luana se entregava dessa maneira. Pagamos as peças e eu senti uma vontade absurda de tomar um café. – Ei, Luana, vamos na Starbucks?

- Starbucks?! Mas você não queria ir pra casa?

- Só um mocaccino, depois vamos.

- Ai.. tudo bem. – ela agarrou meu braço e paramos na Starbucks onde eu sempre ia com Clara. Senti um certo enjoo ao ver a loira oxigenada parada do outro lado do balcão. Ela me olhava com desprezo e simplesmente ignorei, sentando em uma das mesas com Luana. Um rapaz novinho veio nos atender, claro que foi a mando da vadia. Pedimos nossos cafés e me distraí enquanto olhava para a rua, não percebendo uma aproximação desagradável.

- Você é rápida né, fedelha?! – virei para olhar aquela mulher presunçosa e coloquei as mãos em cima da mesa, entrelaçando os dedos e sorrindo para ela. – Mal terminou com a namorada e já arrumou outra. Mas não tem problema, ela já veio aqui e pegou meu telefone.

- Como é que é?!

- Isso mesmo que você ouviu. A Clara veio aqui e pediu meu telefone, me chamando para tomar alguma coisa com ela.

- Você só pode estar brincando! – minha voz saiu um pouco alta e Luana me cutucou por baixo da mesa para que eu abaixasse o tom.

- Não estou brincando, fedelha, você perdeu uma mulher daquelas. É muito burra mesmo! – levantei e sem medir meus movimentos, acertei um forte tapa no rosto da mulher, que cambaleou para trás. Claro que ela não ia deixar barato, mas antes que chegasse até mim, foi segurada pelo rapaz que nos atendeu. – Você me paga por isso, sua putinha.

- Te pago até com juros, sua vadia oxigenada. Luana, vamos embora. – a pequena levantou e me seguiu, mas antes de sair, o rapaz me chamou com os dois copos na mão.

- Seus cafés, senhoritas, não vão levar?

- Claro, só um minuto. – caminhei até onde a loira estava, abri a tampa do copo e despejei o líquido em sua cabeça, arrancando risadas dos clientes que estavam no estabelecimento. - Não mexa com o que é meu, eu sou capaz de muita coisa. – não esperei uma reação dela, apenas puxei Luana e saí da Starbucks.

Caminhamos por longos minutos até onde meu carro estava estacionado, estava irritada e a cada passo, podia sentir o chão tremer sob meus pés. Luana não falava nada, apenas segurava as bolsas do que compramos. Parei por um tempo em frente a uma loja de doces e sentei em um banquinho na calçada, colocando a cabeça entre as mãos. Mulherzinha petulante, eu tinha que voltar lá e partir a cara dela ao meio, mas não estava no direito.

- Van, você está bem?

- Não sei, Luana, não faço ideia do porque eu fiz aquilo.

- Eu sei porque fez. Ficou com ciúme da Clara ter ido até lá e pego o telefone daquela mulher. – a pequena afagava minhas costas e suspirou. – Van, você precisa superar isso. Não pode explodir com qualquer pessoa que a Clara venha dar sinais de que quer alguma coisa.

- Eu tento, Lu, juro que tento. Mas ainda tenho direito de ficar irritada, não acredito que ela já foi lá atrás daquela puta oxigenada.

- Devo confessar que também fiquei surpresa, mas deixa isso pra lá, esquece. Vamos comprar algumas bobagens nessa loja de doce e ir para casa ver filme. Amanhã temos a festa de noite e você desconta. – deu uma piscadinha e eu sorri fraco, levantando do banco e caminhando com ela para dentro do estabelecimento.

O resto do dia passou tranquilo. Chamamos Julia e Mariana para fazer uma maratona de filmes e mostramos o que compramos para a festa. Claro que Mariana surtou com os sapatos e me fez prometer que emprestaria para ela depois de um tempo. Foi até divertido e distrai sobre o assunto Clara e a garçonete da Starbucks, eu não podia me deixar levar por isso e cobrar alguma explicação dela. Já passava das 02:00hrs quando o último filme acabou. Luana dormia em um sofá, Mariana e Julia dormiam abraçadas no chão e eu.. bom, ainda estava muito bem acordada. Fiquei imaginando o que Clara estava fazendo, se estava bem, se.. tinha pensado em mim depois do ocorrido na sala dela. Decidi deixar as meninas na sala e fui para o quarto, tomei um banho e deitei, louca para que os minutos passassem logo e a bendita festa chegasse. Precisava esquecer.

Meu celular berrava na mesa de cabeceira. Tateei o móvel para ver e percebi que eram 10:30hrs. Xinguei os antepassados todos de Mayra ao ver que era ela quem me ligava tão cedo. Ignorei a chamada e voltei a fechar os olhos, mas a maldita continuou insistindo, até que perdi a paciência e atendi o celular quase berrando.

- O que foi, caralho?!

- Primeiro de tudo, não fala comigo nesse tom porque eu não sou tuas negas. Segundo, pega o notebook agora e entra na página de fotos do Life In Color.

- Pra que?! Essa merda de festa não foi em Miami?!

Vai por mim, você vai querer ver isso. Agora, eu vou desligar, não estou afim de ouvir seus berros. – ela desligou a chamada e eu bati com força na cama, praguejando e levantando para pegar o notebook. Se fosse alguma gracinha de Mayra, ela ia me ouvir, me acordar cedo à toa seria o cúmulo.

Andei até a sala e vi que Luana ainda dormia, pois estava tudo fechado. Abri as portas e deixei que um vento gelado invadisse o apartamento. Sentei na mesa e liguei o notebook, indo até a página da maldita festa. Por que será que Mayra queria que eu visse isso?! Fui passando foto por foto, já estava começando a perder a paciência, quando finalmente vi o que minha amiga queria que eu visse. Fiquei boquiaberta, meu coração batia em um ritmo descontrolado e comecei a respirar fundo. Não podia ser, não podia. Abri e fechei os olhos diversas vezes afim de perceber que não passava de um sonho, mas não.. a realidade era realmente dolorosa.

Na foto que mostrava uma multidão se sujando de tinta, estava ela. Clara beijava uma menina e sorria. Em outras quatro fotos, elas se abraçavam e Clara até colocou a garota no ombro. Pareciam felizes. Aquilo me deu um embrulho no estômago e corri até o banheiro para colocar metade do que eu tinha comido na noite anterior para fora. Levantei e limpei a boca na pia, olhando meu reflexo no espelho. Chorei. Chorei até meu pulmão doer pela falta de ar. Cobri o rosto com as mãos e deslizei pela fria parede de azulejo do banheiro. Clara estava em Miami, tinha ido em uma festa e parecia feliz com aquela menina. Me senti mais do que traída, apesar de não ter esse direito. De tanto chorar, acabei apagando no banheiro.

Ouvi fortes batidas na porta e despertei um pouco assustada. Abri a porta e Luana estava parada com uma cara desesperada e a mão no peito. Em um impulso, abracei a pequena e me permiti chorar mais uma vez. Ela me levou até a sala e sentou comigo no sofá, afagando meus cabelos enquanto eu pousava a cabeça em seu colo. Era uma dor diferente, como se eu percebesse que Clara não precisava mais de mim e por isso, conseguiu outra pessoa.

- Pode me explicar por que você dormiu no banheiro e agora está chorando?! – ela segurou meu rosto e eu fechei os olhos com força.

- A Clara.. ela.. tava.. aquela festa.. Clara.. – não conseguia pronunciar uma frase completa e Luana revirou os olhos com impaciência.

- Vanessa, levanta, enxuga o rosto e fala direito.

- A Clara.. – passei a camisa no rosto limpando algumas lágrimas e tomei um pouco de fôlego. – A Clara foi na Life In Color, eu vi as fotos. Luana, ela estava se agarrando com uma menina na primeira fila e sorria, de uma maneira que só sorria pra mim.

- Ela pode nem ter conhecido essa menina antes da festa, Vanessa.

- Não, Luana, aquele olhar, o sorriso, conheço bem. Essa menina foi pra lá com ela, eu tenho certeza.

- Como pode ter tanta certeza assim?!

- Porque foi assim, com aqueles olhares, que nós começamos. Eu acho que perdi ela.

- Quanta bobagem. – a pequena se levantou do sofá, colocou as mãos na cintura e respirou fundo, olhando pra mim. – Se ela já arrumou alguém, não fica pra trás. Hoje tem a festa, nós vamos nos divertir e se der, você se ajeita. Não vou permitir que fique com uma tromba maior que a cara por causa disso.

- Acho.. acho que você tem razão.

- Não é acho, eu tenho. Agora vai tomar um banho, vou ligar pro restaurante e pedir para que eles entreguem. – assenti com um pouco de relutância e caminhei arrastadamente para o banheiro. Deixei que a água quente batesse em minha pele e levasse algumas lágrimas. É, Vanessa, estava na hora de aceitar e mudar de vez.

Fiquei cerca de meia hora embaixo da água, até que Luana bateu na porta me chamando para almoçar. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha, saindo dessa maneira para comer. A pequena gargalhou ao ver meu estado e negou com a cabeça.

- Não acredito que você vai comer desse jeito.

- Qual o problema?

- E se chegar alguém, Van? – ela colocava os pratos na mesa e eu me sentei, cruzando as pernas.

- Está esperando alguém?

- Não.

- Nem eu, anda.. vamos comer que eu estou faminta. – Luana negou com a cabeça e sentou-se. Comemos tranquilamente enquanto fazíamos planos para a noite. Eu não sabia mais o que esperar dessa festa, só queria beber, dançar e claro.. esquecer de Clara.

- Acho que vou tirar um cochilo, quero estar cem por cento de noite.

- Mas não tem muito tempo que você acordou. – eu levei os pratos para a cozinha e comecei a lavá-los, sem olhar pra ela.

- Eu sei, mas passei grande parte da noite deitada em um sofá, estou quebrada.

- Se é assim, pode ir.. eu vou.. terminar meu relatório.

- Promete que não vai ligar?

- Claro que não, Lu, pode dormir.

- Não.. digo.. ligar pra ela. – levantei a cabeça para olhar Luana que estava sentada na mesa ainda.

- Sim.. eu.. eu prometo, não vou fazer isso. Não quero sofrer mais ainda caso escute algo que não quero.

- Assim que se fala, nos vemos mais tarde, Van.

Luana se levantou e foi para seu quarto, me deixando sozinha na cozinha. Desliguei a torneira, sequei e guardei a louça. Deitei um pouco no sofá com o notebook ainda no colo e continuei a ver as fotos. A festa tinha sido um daqueles eventos que param uma cidade, como não esperar que Clara fosse? Quem era aquela menina com ela? Minha curiosidade estava me matando, mas eu não podia perguntar diretamente para ela. Peguei meu celular e disquei o número de Mayra, antes mesmo que eu pudesse falar algo, ela já me parou.

- Olha aqui, se for pra gritar no meu ouvido ou chorar, pode desligando.

- Nossa, quanto amor.

- Você está tranquila?!

- Sim, estou. Já chorei o que tinha pra chorar.

- Estou impressionada. – respirei fundo e olhei mais uma vez para a foto que Clara carregava a menina no ombro. Aquilo estava me matando, mas não conseguia tirar.

- Preciso que me faça um favor, May.

- Que tipo de favor?

- Já que você está em Miami, quero que descubra quem é essa menina que a Clara estava pegando na LIC.

- LIC?!

- Life In Color. – revirei os olhos e massageei a têmpora direita. – Pode fazer isso por mim?

- Van, deve ser uma garota aleatória.

- Não, Mayra, não é. Conheço muito bem a Clara, aquele olhar dela pra menina, o sorriso. Elas já se conhecem. Por favor.

- Pra que você quer saber disso?! Vai acabar sofrendo mais ainda.

- Julgue menos e faça mais. Pode ser ou não?! – ela bufou do outro lado da linha e um silêncio se instaurou por mais ou menos dois minutos.

- Tudo bem, vou ligar pra Clara e marcar um encontro com ela. Se eu souber de alguma coisa, te ligo.

- Obrigada, May, te devo essa.

- Essa e mais quinhentas, não é?! – gargalhei no telefone e neguei com a cabeça. – Vou indo, tenho aula agora. Nos falamos de noite.

- De noite eu não estarei em casa, vou para uma festa. Recepção de calouros aqui da Columbia.

- Hmmm.. – eu sabia muito bem o que aquele sussurro significava, mas apenas esperei para ver o que ela ia soltar. – Tudo bem então, aproveite, beija a festa toda e dá para alguém, pra ver se esse seu mau humor passa.

- Farei isso, não se preocupe.

- Essa é a minha garota. Agora eu vou, beijão, Van, boa festa e juízo.

- Beijão, May, boa aula. – ela encerrou a chamada e um sorriso fraco surgiu em meus lábios. Eu ia aproveitar aquela festa como se fosse a última de toda a minha vida.

Banho tomado, vestido e saltos colocados, maquiagem feita e um leve perfume. Já eram 22:00hrs quando Juli e Mariana batiam na nossa porta para que fôssemos para a festa. Luana, como sempre, nos atrasou e só conseguimos sair de casa 22:30hrs. O lugar estava lotado, o som alto saía de enormes caixas de som e as pessoas dançavam animadamente. Um bar improvisado foi montado, mas estava muito bem arrumado com todos os tipos de bebidas imagináveis e inimagináveis. Luzes azuis, vermelhas, amarelas, brancas, verdes, saíam de enormes globos e parafernalhas que estavam no pequeno palco do DJ.

Enquanto andávamos entre as pessoas, reconheci três em especial. Lucas, Harry e.. Bruna. Uau, ela estava maravilhosa. Acenei para eles e o primeiro a falar comigo foi Harry, dando um selinho surpresa. Corei na mesma hora e ele piscou para mim, parte do plano para que Lucas não surtasse.

- Vanessa, nossa.. você está maravilhosa. – Bruna e Lucas se aproximaram de nós e ela me encarava dos pés a cabeça. – Nem parece que tem só dezoito anos.

- É verdade, está linda. Harry tem sorte. – Lucas sorriu de lado e Bruna o fuzilou com os olhos. – Calma, amor, ela está linda, mas você.. está perfeita.

- Não tenta me comprar com elogios, Ferraz. – cruzou os braços e fingiu irritação. Típico dela. Harry me puxou para o meio da pista e apontou para um rapaz que estava apoiado em uma das caixas de som. Claro que entendi na mesma hora o que ele quis dizer, mas pedi que esperasse até umas 02:00hrs, assim seria mais fácil de distrair todo mundo. Ele assentiu e me levou de volta para o bar, onde Juli, Mariana e Luana tomavam shots de tequila.

- Olha só quem chegou! – Mariana me abraçou pela cintura e deu um beijo estalado em minha bochecha. – Vem, Van, vamos tomar uns shots.

- Vocês estão loucas, eu não vou tomar isso.

Claro que não adiantou nada e, depois de seis shots, meu mundo já girava um pouco. As meninas me puxaram para a pista de dança, onde uma música animada tocava a todo vapor. As pessoas dançavam se agarrando e eu sorri com tudo aquilo, até sentir dois braços me agarrem pela cintura e lábios encostarem na minha nuca. Me virei rapidamente e meus olhos encontraram os de Bruna, que sorria.

- Oi, Van.

- O que.. o que voc.. – eu nem tive tempo de terminar a frase e seus lábios avançaram nos meus. Sua língua pediu caminho e eu dei, me entregando completamente àquela antiga sensação. Meus braços envolveram seu pescoço enquanto ela me apertava. A batida da música, misturada com a quantidade de tequila que eu tinha ingerido, mais o beijo de Bruna, estavam me deixando completamente zonza. Quebrei o beijo um pouco assustada e ela gargalhou. – Ficou louca?! E se aquele engomadinho do seu namorado aparecer aqui?!

- Ele não está aqui, a mãe ligou precisando de algo e Lucas não pensou duas vezes antes de me deixar sozinha. – Bruna me puxou novamente e nossos corpos se chocaram. Ela beijava meu pescoço e senti meus olhos se fechando, junto com o calor que crescia entre as minhas pernas. – Eu estou com saudade de você, do seu gosto, do seu corpo. Vem comigo.

- Não, Bruna, eu.. eu não posso.. – minha voz saía fraca, enquanto minhas mãos enrolavam o cabelo dela.

- Vem, Van, vem ser minha de novo. – Bruna falava no meu ouvido enquanto mordia o lóbulo, tirando aos poucos minha sanidade. O ambiente estava escuro e as pessoas bêbadas demais para perceber que tinham duas mulher se agarrando na pista. – Juro que você não vai se arrepender, só vem comigo.

- E pra onde você quer ir?

- Pra minha casa. – nos entreolhamos e senti um frio na espinha. Aquele maldito sorriso, junto com as maçãs de seu rosto, davam a Bruna um charme indescritível. – O que me diz?

- Eu não sei.. – ela me puxou mais uma vez e selou nossos lábios. Sua língua explorava cada canto e batalhava com a minha por dominação, claro que perdi, mas com muito gosto. – Que se dane, vamos logo. – Bruna abriu um sorriso e mordeu o lábio inferior, pedindo um minuto para que fosse buscar a bolsa. Enquanto ela fazia isso, corri para encontrar as meninas. Elas estavam sentadas em uma mesa com outros três rapazes e Harry.

- Nossa, Van, que cara é essa. Parece que fez sexo. – Juli comentou e todos da mesa gargalharam, revirei os olhos e sorri fraco, mordendo o lábio inferior. – Ai, meu Deus, você fez!

- Não! Mas eu vou fazer, vim me despedir.

- O que?! E vai fazer com quem?! – Luana me olhou incrédula, mas sua boca se abriu assim que Bruna parou atrás de mim com um sorriso malicioso.

- Vamos? – Harry arregalou os olhos, ia falar algo, mas Bruna fez um sinal para que ele fizesse silêncio e piscou o olho, que o fez rir de lado assentindo.

- Tchau, meninas, até amanhã! – todas se despediram, ainda boquiabertas com a minha atitude. Bruna me levou até seu carro, abrindo a porta do carona para mim. Pensei ainda duas vezes antes de entrar, abaixando a cabeça e fitando o chão.

- O que aconteceu, Van? Desistiu? – olhei para ela, que estava parada do outro lado do carro com uma cara séria. Pensei em Clara. Pensei em como eram as coisas com ela e por um segundo, quis desistir. Mas de repente, um flashback das fotos do Life In Color surgiu e eu bufei.

- Desistir é para os fracos, vamos, me mostre o que sabe fazer de melhor. – entrei no carro e ela sorriu maliciosamente, sentando no banco do motorista e arrancando dali. Essa noite tudo ia mudar. Essa noite eu esqueceria de Clara.