jovem poeta

Lealdade, Fidelidade e companheirismo. Talvez sejam estas as principais palavras para se descrever as qualidades de uma verdadeira amizade.
São nos momentos difíceis da vida que são identificados os verdadeiros amigos.Sempre atentos, eles tomam os problemas como se fossem próprios, não abandonando seu companheiro.
Amigo é aquele que te acolhe, ajuda, diz a verdade, mesmo quando não gostamos, e está sempre disposto a te ouvir. O verdadeiro amigo não espera recompensa, seu objetivo é ter de volta o sentimento de amizade.
Dentre as várias formas de relacionamentos humanos amizade se destaca, pois o amigo não lhe é imposto por questões sociais ou de família, eles são escolhidos segundo um critério de afetividade.
—  Feliz Dia do Amigo

Estou cansado de não poder ser quem eu sou. De sempre ouvir que é feio e errado.

Estou cansado de ter que esconder minha essência. De sempre sonhar com um futuro melhor.

Estou cansado dessa vida monótona. De sempre lamentar tudo que eu não fiz.

Estou cansado de mim. De sempre ser covarde.

Estou cansado de as vezes querer morrer. Porque tudo que mais quero é viver.

Tenho me correspondido com Bill Wantling desde os dias da Revolução do Mimeógrafo, desde os dias de Blazek e Ole, quando conheci seu trabalho e trocamos umas cartas. Escrevi tantas cartas a Wantling que ele me colocou como personagem em uma novela usando partes da minha correspondência para compor as minhas falas. Eu era um ator fracassado morando em Hollywood e tomava umas boletas e bebia demais (na verdade eu moro no Hollywood Boulevard com a Western, numa zona de prostituição, mas nunca fui muito de atuar.) Os anos se passaram, as cartas ficaram mais escassas, vivi com diferentes mulheres, mas Bill continuou com sua esposa, Ruthie, que era seu porto seguro, seu amor, sua garantia de sobrevivência. Nós dois finalmente tivemos algum sucesso com nossos textos; eu até comecei a pagar o aluguel com os meus; Bill continuou a trabalhar nas mesmas coisas de antes, e foi descoberto na Inglaterra e na Nova Zelândia – o trabalho dele não tinha a covardia e o lustro que a grande maioria do público consumidor de poesia nos Estados Unidos exige – e as coisas nunca foram fáceis pra ele, por isso ele continuou a escrever bem. Com Ruthie baldeando água, cuidando das vendas e buscando o jantar na zona portuária, Bill acabou indo parar na universidade. O Bill soldado também ajudou. Me assustou pra caralho o fato de Wantling passar por toda essa coisa de universidade, porque ele tinha um jeito enérgico e natural de pôr uma frase no papel e achei que a academia fosse afetar isso. Nem tanto. De qualquer jeito, não foi longe o bastante para adquirir uma cátedra. Então lá estava ele este ano, subitamente promovido a instrutor – contrato de um ano, não renovável. Foi assim que o encontrei. Ele mexeu os pauzinhos no departamento de inglês para me trazer a Illinois State para fazer uma palestra. Conseguiu me arranjar quinhentos dólares e, como os cavalos estavam indo mal, eu fui. No avião, fiquei com medo, digo, pensando no que poderia acontecer. Eu tinha uma política de evitar escritores o máximo possível; eles enfraquecem uns aos outros, indo a festas juntos,fofocando juntos, reclamando juntos. Quase todos os escritores que conheci acreditam ser geniais e subestimados quando o fato é que eles simplesmente escrevem muito mal. A maioria dos escritores não são pessoas agradáveis, e durante a viagem de ida pensei, bem, Jesus, vai ser a mesma coisa de sempre. Vou conhecê-lo, não vou gostar dele, e aí vou começar a não gostar dos seus poemas. Bill sempre disse,analise o escritor, não o homem. Mas sou sentimental e não consigo evitar fazer as duas coisas. E também, pensei, não saberei o que vestir. Não gosto de lojas de roupas. Estava usando um casaco que havia comprado há quinze anos, um par de calças baratas que não me serviam direito, sapatos já sem solas e um sobretudo do meu falecido pai, dois números acima do meu. Além disso, meu cabelo não para no lugar, não costumo cortar o cabelo, fazer penteados, apenas dou a tesoura para uma mulher de vez em quando e digo vá em frente. Quando há uma mulher por perto. Em Chicago tive que pegar um daqueles aviões a hélice nos quais todos os passageiros a bordo fazem piadas durante o voo. Mas você pode beber neles também. E o avião balança e as aeromoças batem em você com os quadris como se prometessem mais. Isso está mal escrito, não está? Bem, fui o último a descer do avião. Uma rajada de vento que veio por trás jogou todo o cabelo na minha cara. Ao me recompor, lá estavam eles, Bill e a Ruthie. Não me lembro exatamente da conversa, da conversa que quebrou o gelo, mas achei os dois muito gentis. Gostei deles de cara. Bill comentou que nunca tinha conhecido ninguém que se vestisse como eu, mas disse isso quase como um elogio. Entramos no carro e pegamos a estrada. – Sua voz é tão suave – disse Ruth. – E você não é de falar muito – disse Bill. Bill tinha as vibrações, boas vibrações, você podia senti-las de cara, ele era cercado por elas, energia, energia pura e abençoada. Paramos num lugar para tomar uma cerveja e seguimos direto para a casa de Ruthie. Eles estavam se separando. Ele havia me escrito: “Estraguei tudo com Ruthie, enfim, ela estava aturando as minhas merdas & vômitos & drogas há nove anos, não aguentou mais”. Tinha um negócio às duas horas na universidade, parte do show. Fui para lá e tive contato com uns estudantes e voltamos. A palestra era às oito. Tomamos mais umas cervejas e percebi que Bill gostava de escutar, não era muito de falar; como eu. Então o negócio foi meio silencioso, mas não foi aquele tipo de silêncio, sabe; era antes um silêncio agradável – sem desconforto, sem pressão, sem tentativas de puxar conversa. Ficamos na casa do Bill durante um tempo. Ele tinha um apartamento de frente na Bloomington Gun, Main Street, Bloomington. Era espaçoso e iluminado. Veio mais cerveja, a pedido meu. O professor encarregado da palestra chegou; ele estava entusiasmado, um pouco infantil mas simpático; efusivo mas sincero. Bill me ofereceu umas pílulas no corredor, mas recusei. – Estômago sensível, cara, esse negócio acaba comigo. O professor me aconselhou a não beber muito mais, e saímos para jantar. Sugeri algum lugar em que pudéssemos tomar mais cerveja. Durante toda a conversa e a preparação para a palestra eu podia sentir a presença de Bill; sentia-o ali o tempo todo, os raios brilhando, os raios bons e sólidos de sua energia, de sua alma, se assim preferir. Ele tinha um jeito simples de dizer as coisas, mas tudo o que ele dizia facilitava o andamento do jogo, fazia a conversa agradavelmente humana. Existem várias maneiras pelas quais um homem pode expressar ressentimentos, preconceitos, insanidades, mesquinharias, inveja; Bill não demonstrou nada disso. Não quero fazê-lo parecer um deus. Era simplesmente um ser humano muito bom e eu gostava dele, muito. Fizemos a leitura, eu li, voltamos para casa. Parte do público acompanhou. Estudantes, uns professores, outros desconhecidos. As bebidas vieram junto. As alunas eram ótimas, todas as armadilhas estavam lá. Sempre me sinto aliviado depois de uma leitura; é um trabalho sujo para mim, é suado. Comecei a beber pesadamente, o alívio tomou conta de mim e comecei a “bater papo”. Era esperado, parte do procedimento, mas a parte mais fácil – eu já tinha pegado meu cheque. Tirei sarro da cena literária… – Ah – eu digo –, você leu Lawrence? Não, não, Josephine, não o cara da Arábia, o cara que ordenhava vacas e mulheres… E continuei. Me poupou de responder perguntas sobre a minha pessoa. Certa hora, no meio da noite, estendi a mão e peguei um punhado do cabelo de Bill: – E esse junkie de merda aqui, para que serve? Todo mundo ficou quieto.– Vocês sabem – eu disse –, tem um poema que Bill escreveu que realmente me deixa arrepiado… Bill, aquele em que a sua menina se oferece para fazer alguns truques para você conseguir uma drogas, e você fica brabo, chora e ela diz, “Não chora, papai, é só mais um jeito de foder com um otário”. Então continuamos a falar sobre as coisas do Bill e todos nos sentimos melhor… De manhã Ruthie tinha que trabalhar, então Bill e eu ficamos sozinhos em casa. Nós dois estávamos de ressaca, Bill mais do que eu. Demos um jeito de engolir uma cerveja quente e então sugeri que a gente tentasse fazer uns ovos cozidos. Bill deixou-os cozinhar demais. Depois que comemos, ele, de súbito, correu para o jardim e disse: – Bukowski… – e então vomitou. Ele estava nas últimas. Por fim, conseguiu comer um pouco de pão molhado no leite. – A gente devia pegar mais leve, cara – eu disse a ele –, meu objetivo é viver até o ano 2000. – Puta, o meu também – ele disse –, sonhei que ia morrer no ano 2000. Ele sabia até a hora e o sminutos do dia. Entrei e tomei um banho; banhos quentes me ajudam quando estou de ressaca. Depois tomei mais uma cerveja. Bill ainda parecia mal; eram as pílulas, aquelas merdas. Foi escurecendo e escurecendo. Ruthie telefonou e disse que um tornado estava a caminho. Parecia que já era meia-noite e o vento soprava, soprava. Tomei mais uma cerveja e cancelamos o voo. Ruthie veio para o almoço, e Billdisse: – Bukowski é resistente, um filho da puta resistente, tem o corpo de um cara de dezenove anos. Dois poetas vieram para a leitura da noite seguinte; uma moça e um cara de uns trinta e poucos anos. Eles começaram a falar, falar sem parar… e não era uma boa conversa. Comecei a apreciar cada vez mais o jeito calmo de Bill. Bill saiu do banheiro. – Bukowski, você se masturbou quando tomou banho? – Não. – Que bom, assim eu não tenho que lavar a banheira. Ruthie voltou para o trabalho. O professor voltou e levou a jovem poeta para algum evento. O cara continuou falando. Bill saiu do banheiro. – Escuta, cara, você não parou de falar desde que chegou aqui. Faz uma hora. – Bem, é melhor do que ficar resmungando. Tudo o que vocês fazem é ficar sentados resmungando. Eu achava que resmungar era bem melhor. Bill tinha que dar aula. O professor e a jovem poeta voltaram. Bill pendurou um negócio nas costas. – Que diabos é isso, Bill? – perguntei.– Carrego meus livros e folhas aqui dentro. Vou de bicicleta para a aula. – Ah, vamos, eu te levo – disse o professor, – tem um tornado se formando lá fora. – Está tudo bem, consigo ir sozinho. Ele veio até mim. – Não sei dizer adeus – ele disse. – Então não diga – respondi. Houve um leve aperto de mãos e ele cruzou a porta em sua bicicleta. Isso foi no dia 3 de abril. Bill Wantling morreu ao meio-dia e quinze do dia 2 de maio de 1974. Eu estava sentado, escrevendo um poema, quando o telefone tocou. Ruthie me deu a notícia. Depois que ela terminou de falar, liguei para a minha garota que trabalhava como atendente num bar. – Wantling morreu – eu disse–, Ruthie acabou de me ligar. Wantling morreu. As lágrimas escorriam dos meus olhos, eu tremia. – Desculpa – eu disse –, já lhe falei o quanto gostava dele. Desliguei. Era verdade. Bill tinha sido um dos poucos homens com quem pude me relacionar. Eu estava acostumado com a morte, conhecia a morte, escrevia sobre a morte. Saí e peguei umas bebidas e enchi a cara. Na manhã seguinte eu estava bem; assunto liquidado; foi o choque inicial que me confundiu. No fim Bill estava concentrado no Estilo. Ele sabia o que era estilo, ele era estilo, ele tinha estilo. Uma vez ele me perguntou numa carta, “O que é estilo?”. Não respondi a pergunta. Eu tinha escrito um poema chamado “Estilo”, mas acho que ele pensou que aquele poema não respondia totalmente à pergunta, e ainda assim eu a ignorei. Agora sei o que é estilo, depois de conhecer Bill. Estilo significa guerrear sem escudo. Estilo significa não ter uma frente de batalha. Estilo significa a mais absoluta naturalidade. Estilo significa um homem sozinho com um bilhão de homens em volta. Chegou a hora de eu dizer adeus a você, Bill.
—  Charles Bukowski.

Meu Amor…

Que nos momentos difíceis, você se lembre de todos os momentos felizes que passamos juntos e que essa lembrança te mostre que vale a pena lutar pelo nosso amor. Que nenhum orgulho, nenhuma mágoa,nenhum pensamento ruim, faça morada no nosso coração. Que nosso amor seja maior do que qualquer coisa ruim que apareça pra tentar nos separar. Eu te amo muito e quero ser feliz pra sempre ao seu lado. TE AMO CADA DIA MAIS! ♥

Fantasmagórica máscara mascada
Como o rosto que esqueci em novembros passados
O leve desnível no olho esquerdo, diria astigmatismo
Pois bem, o carnaval francês das bocas que amei


Farta-me ao ridículo
Os dedos verbalizam a ira
Os pés em transe voam
Os lábios tens o maldito em trinta línguas


O ambiente vitral despojado
O faria a fera odiada artista
O feitio pai e filho distanciados
Faria o algoz ausente e divorciado


O exagero explícito, exergo-te vampirismo
Teria a finitude de simular a língua de O
Contudo parecera um jovem poeta imaculado
Pelo beijo desgarrado de uma pós boemia etérea


Há um palmo do conforto, havia uma pedra
Evite-a e vá para o leito como lobo do ego ferido
Aceite-a e terás que conviver com os doze conflitos
A pedra será a tua encruzilhada e espada de corte reto


O tempo em média priorizava a astúcia, Ulisses
Tenha cuidado com o tuberculoso enxame de fábula
Tão retratado aos céus sonetos de verão
O amor fiel ficara largado no verso


As luzes são tuas amandas amantes
Os bastidores teu retrato
O espetáculo estaria em perfumar vozes
Na ambientação de público ambidestro


Anonimato visceral, entretenha-se com cílios ao vento
Um trânsito áspero entre decadência e décadas passadas
O faria principiado de Marlon Brando
Ou sobra de cigarro largado ao almoço de Tiffany…

—  Zoológico, Pierrot Ruivo 
Também não se deve assustar, caro sr. Kappus, se uma tristeza se levantar na sua frente, tão grande como nunca se viu; se uma inquietação lhe passar pelas mãos e por todas as ações como uma luz ou a sombra de uma nuvem. Deve pensar então que algo está acontecendo em si, que a vida não o esqueceu, que o segura em sua mão e não o deixará cair. Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento?
—  Rainer Maria Rilke, in ‘Cartas a um jovem poeta’
Há uma solidão só: é grande e difícil de se carregar. Quase todos, em certas horas, gostariam de trocá-la por uma comunhão qualquer, por mais banal e barata que fosse; por uma aparência de acordo insignificante com quem quer que seja; com a pessoa mais indigna. Mas talvez sejam essas, justamente, as horas em que ela cresce, pois o seu crescimento é doloroso como o de um menino, e triste como o começo das primaveras. Mas tudo isso não o deve desorientar. O que se torna preciso é no entanto isto: solidão, uma grande solidão interior. Entrar em si mesmo, não encontrar ninguém durante horas - eis o que se deve saber alcançar.
—  “Cartas a um jovem poeta” - Rainer Maria Rilke
Como poderíamos esquecer aqueles antigos mitos que se encontram nos primórdios de todos os povos, os mitos sobre os dragões que, no último momento, transformam-se em princesas; talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas, que só esperam nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo terror não passe, em última instância, do desamparo que requer nossa ajuda.
—  Rainer Maria Rilke, em “Cartas a um jovem poeta”.