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Querido Alguém,
Te escrevo, mais uma vez, depois do amplo sucesso da carta anterior. Aquela que nunca será respondida e provavelmente nunca será lida, apesar de muito apreciada por pessoas que não sabem de tal história, de nossa história, ou qualquer coisa que você queira chamar esse monte de palavras e ações nunca totalmente completas. Não sei se as palavras que pronunciarei nesta carta, dessa vez, serão tão positivas ou animadoras como na outra. Talvez não serão nem tão poéticas, por conta de uma alma amargurada e sem esperanças. Mas não sei o que tem sido positivo ou animador para você. Eu nem ao menos te conheço nos dias que tem se seguido. Quero que me perdoe, de alguma forma, por dizer tudo que direi à seguir e que saiba que, apesar de tudo, eu te amo. E isso nunca - nunca! - vai mudar. Uma vez amor, sempre amor. Já não sinto sua falta. Não do jeito que se imagina. Não sinto a ânsia de estar ao seu lado, de sentir sua boca na minha, de visualizar seus olhos castanhos brilhando para os meus. Nem fico imaginando o que farei se te ver. Provavelmente ignore. É o que eu prefiro de todas as opções que me apresentam, por mais que algumas vezes, minha mão acene enquanto eu me pergunto o que há de errado comigo. Dizem as pessoas que essa história já teve um ponto final e eu só estou escrevendo as apêndices tentando não terminar o livro. Quem sabe. Gosto de pensar que você sempre vai estar aqui. E isso me faz bem, porque quando sinto que ninguém nunca vai me amar, sei que você já amou, há de haver alguém louco suficiente por ai ainda. E isso já basta. Há quem prefira beijos e contatos físicos. Eu só quero alguma coisa para me apoiar, alguém para escrever sobre, escrever para. Por mais que você, você que está aqui na minha mente, não seja realmente esse cara idealizado do qual eu escrevo, você é em quem eu penso. E isso já me satisfaz. E eu sei que você nunca me abandonaria se eu precisasse realmente de você. Mas eu não preciso, e você sabe disso. Assim como eu, hoje, sei que você sabe andar com as próprias pernas e não vai sentir falta de mim e nem das minhas palavras confusas no seu aniversário, se eu, ops, “por acaso”, esquecer de mandar aquela eventual sms nos últimos minutos do seu dia. Eu sei que você não vai ligar quando eu estiver beijando outro garoto, ou escrevendo para outro que, por ventura, esteja mais perto. Eu sei que você não vai ligar quando eu não me importar com quem você tem andando ou como você tem andado. Porque você já não liga. Mas eu ligo. Ligo porque por mais que eu queira beijar outros, escrever para outros, esses outros não são você. Minhas palavras nunca seriam tão boas o suficiente, nunca seriam tão verdadeiras, porque o amor não pode ser explicado pelas pessoas que você beija. Talvez não seja explicado pelas pessoas que você sente saudade também. Mas o amor é explicado pelo que você está disposto a abrir mão para tê-lo, não importa o quanto seja duro, pareça injusto ou doa. E eu abro mão da ânsia de estar ao seu lado, de sentir sua boca na minha, de visualizar seus olhos castanhos brilhando para os meus. Porque eu sei que eu te amo e quero que você seja muito feliz, assim como eu sou, só de saber que posso fazer algo para alguém que me fez e me faz tanto, mesmo sem dizer uma só palavra. E não sei para meus interlocutores, mas isso pra mim já é o suficiente, porque essa é a melhor sensação: de saber que estou livre para o que quiser, mas que sempre, sempre estarei com você, até o fim do nosso tempo. Porque, no final das contas, nunca daríamos certo, de verdade, apesar de todo esse amor.
—  Com todo o amor que alguém poderia colocar num pedaço de papel, Ana Aires. (Querido Alguém - pt.1)
Não pode ser mera coincidência. Meu mundo para quando seu nome aparece na tela do meu celular. Não me ligando. Você nunca liga. Mas você sempre aparece. Nos personagens dos livros, dos filmes, no cara de terno na padaria, no meio da conversa, no meio de um pensamento e uma risada. Não importa o quanto eu corra na direção oposta, eu sei que estou correndo direto para seus braços.
—  Apesar dos esforços, Ana Aires.