inventam

Porque eu sou esse tipo de pessoa. Daquelas que criam planos, sonham com um futuro incerto, que inventam histórias e manias que foram vistas em um filme de romance qualquer. Sou daquelas que vai te dizer que é ruim, que não merece ter alguém do lado e que nem quer isso, mas é a primeira a pensar no namoro, casamento, filhos, a casa no campo e o final de semana deitados na cama assistindo filmes. Eu sou esse tipo de pessoa, que vai te dizer para ir embora e segundos depois te pedir pra ficar. Eu sou a louca, a maluca, a que não sabe o quer, mas sou a que sabe e afirma que ama você.
—  B.C

“Bem, se você pretende ser a milésima pessoa que veio resmungar sobre quem faturou a coroa de príncipe, tenho uma sugestão: reflita sobre o que fez a comunidade trouxa eleger Donald Trump como presidente em 2016. É uma pesquisa valiosa. Caso contrário, aviso de antemão que isso que faz está completamente errado.”

Você não sabia o que era coração partido até partirem o seu. Você achava exagerado quando as pessoas diziam que dava para ouvir quando ele se partia, achava que era uma metáfora. Qualquer porcariazinha que as pessoas inventam para dar ênfase na dor, mas não é. A gente sente mesmo quando alguém parte o nosso coração. Dá mesmo para ouvir quando ele se parte. Você fica tão paralisado com a situação que não consegue chorar. Você se belisca achando que é só um pesadelo no qual precisa acordar, mas é a dura realidade. Você ajoelha e implora para a pessoa ficar, mas no fundo sabe que não adiantará. E aí finalmente você chora. O chão parece que se abriu para você cair num abismo de tristeza. Você chora porque é a única alternativa que tem. Chora para aliviar, mas não alivia. Você acha que não vai sobreviver, mas infelizmente sobrevive. E sobreviver agora é uma tortura.  Os dias viram anos. Os segundos viram horas. E as horas viram a eternidade. E os dias passam. Você aguenta a primeira semana, aguenta a segunda, a terceira, quando vai ver já aguentou o mês inteiro. Você finalmente percebe que tem que levantar a cabeça, mesmo com o coração pesado. Daí você se levanta, enxuga as lágrimas, lava o rosto e segue. Faz as coisas rotineiras, aguenta a chatice do mundo, e as pessoas vazias que por ele vagueiam. E os dias passam. De quando em quando você tem uma recaída, mas agora você sabe que vai passar. E o tempo passa. E você percebe que nunca precisou dele para viver, que já sobreviveu todo esse tempo sem ele, e que com certeza pode sobreviver o resto da sua vida sem aquela voz mansa na qual não tem mais poder sobre você. Aquela névoa da paixão que faz com que a gente só enxergue o lado perfeito da pessoa some, agora sua visão ficou mais clara, você sabe que pode encontrar uma pessoa mais inteligente, com a risada mais linda que a dele, afinal, o mundo tem muitas esquinas. Sabe essa sensação de alívio e liberdade que está surgindo aí dentro de você? Isso se chama cair na real. É isso mesmo. Você finalmente caiu na real. Daqui pra frente é só felicidade. Você para de procurar em cada pessoa um traço dele. Agora você evita pessoas que tem alguns traços dele. Você nota também que você foi única. Pode passar centenas de mulheres na vida dele, nenhuma delas terá o seu abraço que o confortava nas horas difíceis, nem o fará rir como você fazia, muito menos aturará as idas repentinas por bobagens e aceitar de volta como você. Houve uma pequena mudança agora, pequena. Agora você enxerga com clareza que quem perdeu uma pessoa extraordinária não foi só você. Foi ele também. E agora você está pronta para outra. Boa sorte, menina. E vê se toma mais cuidado dessa vez. Têm muitos sapos disfarçados de príncipes. Não dá para mergulhar em água rasa, menina. Vê se aprende.
—  Esquipatizar.

você sai pela última vez
do meu velho automóvel
não saberei dizer se a memória
amolece meu verbo de ferro
ou se palavras inventam
lembranças como frutas frescas
apenas de longe a linguagem
margeia esses mistérios
e não há como me livrar
da violência com que mantenho
a estampa pálida destes poemas
pois é preciso tomar distância
para poder distorcer o amor
e não escrever sobre ele
mas sobre seu braço pendurado
seus lábios excessivamente
poucos e de poucas palavras
você saindo pela última
vez do meu velho automóvel

Liossi

Os artistas sentem,
as pessoas mentem.
Os artistas criam,
as pessoas copiam.
Os artistas inventam,
as pessoas gostam.
Os artistas sorriem,
as pessoas aplaudem.
Os artistas fazem,
as pessoas criticam.
Os artistas falam,
as pessoas reclamam.
Os artistas argumentam,
as pessoas exclamam.
Os artistas pensam,
as pessoas perguntam.
Os poetas escrevem,
as pessoas agradecem.
—  Doralice Desirée Farah - Os Poetas

As asas  não se concretizam.
Terríveis e pequenas circunstâncias
Transformam claridades, asas, grito,
Em labirinto de exígua ressonância.

Os solilóquios do amor não se eternizam.

E no entanto, refaço minhas asas
Cada dia. E no entanto, invento amor
Como as crianças inventam alegria.

Hilda Hilst

Caminhando pelas ruas, vejo pessoas. Dentre tantos rostos, se escondem dores persistentes, cicatrizes saradas, passados ocultos, memórias do tempo, um futuro imprevisto. Um sorriso sem graça os tira do mundo. Elimina a esperança, com um peso na alma e se tranquilizam em pôr máscaras na tentativa de espantar a má sorte. Reféns de novelas, eles imaginam viver o que inventam. Se reprimem e choram as madrugadas. É o verdadeiro retrato obscuro, que mesmo estando claro, se escondem de tudo. Em um minuto de felicidade momentânea, encontram uma ponta de esperança. Da perseverança, se fez um sonho sucedido. Apagou-se assim, a amargura de um pretérito frustrado, orgulhou-se dele por que o levou a consumação da realização idealizada. Fazendo repensarem ações e processos de harmonias. Retirando do peito a batida de um coração solitário e excluindo a ilusão que os afrontava.
—  Camila Alves proseou com Marcos Soares.
Haz que me den ganas, Quetzal Noah

Haz que me den ganas de tejer en tu oído 

una de esas telarañas que van de río en río

 hasta recorrer toda la galaxia 

 y con el suave trazo de tus brazos níveos 

invéntame un Picasso en la frente 

 una playa junto a mi cueva de latidos

 andaremos prófugos en esta época

 donde ser románticos

 es una locura 

 casi un delito



Haz que me den ganas de tu carne 

 de posarme sin pretexto ni remedio 

a contemplar la tarde frente 

a la cañada de tus pechos

no podemos seguir haciendo pactos 

con la arrendadora de la tristeza 

pagar esa renta no nos deja tiempo

de querernos con los codos desnudos 

y el cabello suelto 

le debemos muchas horas al libro de la sensualidad

a los dioses de las caricias húmedas

Ele disse que estava confuso, que achava que não era o suficiente pra mim e que eu merecia coisa melhor. Aquelas coisas que as pessoas inventam quando não querem mais ficar com a gente, sabe? Eu, que tenho em mim todos os sentimentos do mundo, só esqueci de passar na fila do amor próprio. Disse que esperaria por ele, que ele só precisava de tempo pra pensar melhor porque no fundo sabia que ainda gostava de mim, acredita? Pois é. Bom, eu já tinha me convencido disso, faltava convencer ele e o resto do mundo. Eu estava disposta à isso. Como sou burra. E olha que eu fui o espermatozoide vencedor. As vezes custo a creditar nisso. Palmas pra mim, e uns tapas na minha cara, porque vou te contar, bati o recorde na categoria “derrubar árvore pra fazer papel de trouxa”. Se é que você me entende.
—  Samille L.