inutilidadeaflorada

Pela manhã, eu quero acordar e explorar a floresta de teus cabelos negros, emaranhados pelas vezes que você se mexe de um lado para o outro na cama. Estou a desembaraçá-los na busca incessante pelos teus lábios, beijo teu pescoço com a fome de um homem que acabou de acordar, beijo-lhe a nuca para arrancar-te suspiros de olhos fechados, arrepiar-te o corpo inteiro. Desvelhecia dos teus cílios a areia da terra dos sonhos e me dê um beijo de bom dia. Vá tomar um banho enquanto preparo o café da manhã, pão integral, suco de laranja e frutas, que tal? Se quiser pode até usar aquela minha camiseta que tu tanto amas, olha-me com estes olhos negros e devora-me, encara-me para que eu possa embriagar-me nestas esferas negras que me afogam. Pela manhã, eu realizo o meu sonho, acordo e vejo-te toda esparramada pela cama, que respira suavemente e dispara um sorriso, quem sabe tu também não estejas sonhando comigo? Conto cada estrela presente em seu corpo desnudo, às ligo para formar a constelação de você, mas a estrela que mais me chama a atenção é aquela que reside em teus lábios, àquela reticência doce que sempre me faz aguardar ansioso pelas próximas palavras que escaparão de teus lábios macios. Sobre o sol da manhã entrando pelas frestas da janela da cozinha, nós tomamos café, olhamos um para o outro com olhares apaixonantes. Com algumas olheiras, fazemos planos para este fim de semana, nada de parque para nós e o fim do mês nos fez se afastar das salas de cinema. O que resta a nós se não ficarmos em casa? Deitados no sofá, enrolados no cobertor enquanto assistimos a reprises televisivas, assim, passamos o restante do dia, depois de irmos a um restaurante almoçar, voltamos e deitamos no sofá, nos encontramos por debaixo das cobertas, nossas mãos esquentam, coração aquece e a reprise é apenas um mero detalhe do calor que exibimos um ao outro, nos procuramos e encontramos a alma um do outro ao piscar de olhos, enquanto os lábios também se encontram e os cílios se abraçam calorosamente…
—  Pela Manhã, Pierrot Ruivo
Socializar.
Socialista.
Sustentabilidade.
S.O.S
-Fingir-
Amar.
Sócrates.
Tetra campeão.
Ponto final.
Ponto de encontro.
Marca-passos.
Contando cada posso em uma das mãos.
Estressado.
Engessado.
Embriagado.
Sorriso.
Beijo doce como sorvete.
Abandono de absorventes.
Bebê a bordo.
Pré-natal.
Como eu adoro.
Socorro.
Pronto- socorro.
Novos sorrisos.
Detalhes precisos.
Preciosa.
Joia rara.
Desobediência.
Castigo com veemência…
Sobremesas.
Abraços.
Remédios e médicos.
Luto e fruto.
Terra boa banhando um caixão escuro…
Surdez e mudez.
Um pouco de fumo.
Nudez.
Sexo.
Vida curta para uma noite interminável…
Sobrevoar.
Aterrissar.
Aterrorizar
Memorizar.
Morrer.
Viver.
Morrer mais e viver além…
E quem sabe,
No novo caminho encontrar alguém.
Amar e abrigar.
Garranchos.
Poesia.
Retratos.
Retalhos.
Recluso.
Resistência.
Cura?
Desambiguação na loucura.
Fatalidade.
Finalidade.
Socorro.
Pronto-socorro.
Dores amenizadas pelas belas flores.
Internação
Interna rebelião.
(Fim de Transmissão)
—  As Faces e Fases De Uma Vida Monótona, Pierrot Ruivo

Prazer, prazer meu frenético entretido
Diga-me, o que lhe aflige os ombros?
Serás o peso da vida adulta ou um amor descalibrado?
Meu caro, vamos aos testes de sussurros ao pé de teu ouvido

Não anime-se não lhe receitarei minhas poesias
Do mal que lhe aflige sou-me pioneiro
O luto fica para outra estação misturada a este eterno verão
Diga-me teu passado e lhe sentenciarei a um futuro ameno nas descobertas modernas, pois já as vi e elas não são tão glamorosas assim…

Incendeia-te a garganta com a dose mais letal
Seja destilado ou teu próprio veneno, saboreie o gole profundo
O aroma a desgaste, álcool e perfumes lhe ataca o frágil estômago, salve todas as borboletas imediatamente!
Raimundo, Raimundo surgiu do esgoto o teu querer ambíguo

Agora, tu tens uma difícil escolha a se fazer:
Os psicoterapeutas vindos dos muros que lhes ajudam a andar com vossas pernas
Ou os analistas trajando terno fino e travestidos de bulas, embalam-te a outro vício mais dolorido
O banho-maria aguarda-lhe para sanar esta dúvida, obedeça as águas até o criar de rugas, mas atente-se não há escolha errada…

Aqui vais uma confissão de minha parte:
Encontrei na sarjeta o coração embriagado cheirando a pecado
Após o terceiro copo, senti-me o invencível herói a torturar espumas e minha própria tontura
Faleci em cada esquina e em minha despedida carreguei um boa sorte como recompensa

O tédio és malefício a tua atualidade, a fórmula fora criada para ser decapitada
Inclina-te a uma palavra do livro amarelado, sequestre uma frase sem alarde
E vejas quem de teus amados compactua com teu profano ato
Venhas juventude, o jantar já está servido, o prato principal carrega o desejo do existencialismo

Incendiei linhas ao teu benefício, Belíssimo Temperamento
Dilui-me em riscos e garranchos para teu proveito, leia-me em silêncio pelo medo do escárnio
Continue louvando a mentira no reino da felicidade e serás caprichosamente apagado como mancha no folhetim dourado
Meu esquecido cliente, o pagamento és a vista em prévia de outro mês inconstante a você

Mire e acerte o teu rancor em minhas veias, o peito já está reservado ao mais novo curto abraço
As pílulas vangloriam-se a ti como paráfrase, certamente pelo nascer do sol parecer-lhe mais um dia de bem
Naqueles oblíquos olhos castanhos luzia toda a viagem para o dilúvio especializado
Crescer corrói, mas este és o pesadelo de todos nós, que em uma só voz de saudosismo pregamos paz…

—  Os Poetas São Psicoterapeutas Desgastados, Pierrot Ruivo 
Com tuas próprias mãos você me fez ser teu, com seus lábios sugou-me beijos molhados, em seus olhos de faróis o mundo inteiro cabia ali, naquele par de orbitas na cor verde esmeralda, nas suas frases feitas, entregava-se a mim com maestria, pouco a pouco, por cada noite em que deitávamos esplêndidos em nossa nudez e nos aquecíamos depois que a luzes da cidade se apagavam. As palavras para ela são apenas palavras, assim, a nossa corda começou-se a desgastar, o laço fora enfraquecendo, até ficarmos por um fio, mas nada que o teu beijo terno não possa resolver. Ela é a simpatia de um sonho, vive o seu próprio sonho americano antes que o mesmo faleça para as verdades do mundo, jogadora primorosa, mata de fome a saudade que és concebida ao fundo de teu âmago. A sua imagem já está desgastada de tanto ser o desejo secreto de meninos e meninas novatos aos mares da cidade, o melhor a se construir é a destruição de sua própria imagem de sedutora, assim não terá imagem alguma, pura neblina emancipada, talvez memória apagada. Crescemos juntos em nossas intimidades, mas o medo teima em nos aparar, por hora somos relva densa e infinita, desequilibrados e nossos corpos suados. A crítica tece inúmeros comentários, não damos ouvidos, sobre os holofotes dos postes, fazemos nosso show, ao vivo, fetichistas que somos, atraímos os olhares de todos os voyeres, apenas não nos cobramos amor e seguimos a destilar o nosso veneno sedutor. Se o passado viesse, descalço e atingisse-me na euforia melancólica da nota ré bemol, a enarmônica das notas em mitose acelerada, desdobrando-se em duas notas opostas que reproduzem por sua vez o mesmo som, nas cores degradê de semitom. Averiguo as pistas que me levam até você, é impossível perder-te de vista, pois estes olhos deixaram as trilhas por onde você caminhou no silêncio da Rua Augusta, enquanto a mesma encontra-se em repouso. Tu és a menina dos olhos de seu pai, mas ele não está cego? Não precisas pregar que é feliz, pois ninguém irá te forçar a ser o mais novo produto a se consumir. Enquanto eu voltei para casa, com o pescoço manchado de seu batom, você voltou para sua casa com o coração marcado por meu afeto, como nunca sentira antes, mas os retalhos e retratos que fizemos foram consumidos pelas chamas do incêndio acidental que nos consumiu por completo, ao final, nada sobrou, apenas as cinzas do que nós dois geramos…
—  Romances Blindados Sobre As Luzes Da Cidade Grande, Pierrot Ruivo
A tua existência é arte.
Que exala.
Que exalto.
Que me arde.
E nunca és concebida tarde.
E me encanta:
Teus passos.
Teus atos.
Congelam-me.
Refém consentido de ti.
Dependente químico de Estocolmo.
Em síndrome de alçar-se ao salto.
Tu és carnaval.
Eufórica.
Exótica.
Alegórica.
Desfile.
Mistérios.
Quero a ti toda a glória…
Já eu,
Fui-me tornado.
Atormentado.
Em ventos.
Na força.
Ajudante da natureza.
Transcrição da tristeza.
Incontrolável.
Fúria.
E em ti achei a única cura.
Aconchegado em um assobradado.
Sofri o pulsar do amor em pecado.
Alagados os olhos estão.
Alagados de ti em mim.
Mesmo que tu estejas censurada.
Através das amargas eras serás amada.
Confirma-te a brisa e verás a si mesma como musa.
Em busca de algo que não sabes como é…
A alma tentou-se morrer calada.
E não fora velada.
Meu amar fora ricocheteado de outros peitos vazios.
Feito rajada, a ágil piada.
Feto dos sentidos.
Estrangulados aos rótulos.
Tentam decifrar-me e falham…
O claro dentro do escuro.
Vendaval sujo.
Clipe faminto, oitentista,
Um tanto Chiaroscuro…
Um pouco do eu poético.
E outro tanto sou teu por completo.
A impureza do sentir nos enganou mais uma vez.
E não venham-me censurar.
Não venham tentar controlar-me,
Como Milico aos gritos.
Pregando amor a pátria.
Diga-me que tu és para proibir-me o peito de amar?
Se tu és apenas tudo aquilo que circula em meu ar.
Deixai-me livre pra voar, contemplar e mergulhar.
No teu mar.
Em face de penetra.
Cara Borboleta, posso ser-te querido?
O mais bem talhado jardim florido?
Guardei-te com esmero ao lado do cabide.
Guardei a ti o melhor deste desatino…
—  Chiaroscuro, Pierrot Ruivo
Eu me atrevi, atirei-me de coração ingênuo a você. E você não entendeu os sinais. As migalhas que deixei foram devoradas por pássaros esfomeados. Constantemente, tento fugir de tudo aquilo que já se esqueceu do meu coração, mas que ainda sim, volta para assombrar-me. Quis voltar, pois o corpo quente alheio fez-me saudade, ainda mais em dias que a chuva parecia sorrir. Será que esta fala que pulsa em minha boca poderá ser considerada como um idioma morto? Estrangeiro a pedir ajuda de desconhecidos. Perdido confesso que sou, virei pra você à causa perdida. Mas os mapas de ti sei muito bem como seguir. Aos seus costumes ainda sou insólito viajante, breve visitador. Ainda há tanto para dizer. Ensina-me a pronunciar a língua do amor em voz alta, pois eu necessito que tu saibas. Não espero que tudo siga um script e seja recíproco. Sim, espero que ele seja compreendido e respeitado, não vire uma mera chacota em uma conversa em forma de desforra. Talvez este amor seja bom para ti, mas o provedor deste amor, nem tanto. Leva-me para o aconchego teu colo, teça-me boas histórias para dormir, alguns planos para o dia de amanhã e de sobremesa, o teu mais doce cafuné. Posso conhecer cada canto de teu ser? Ser aquele que pode trazer-te alívio em algumas nuvens que nos perseguem por mero revanchismo. Não de algum erro nosso e sim por algo que elas nunca sentirão. Ainda há palavras que precisam de um novo lar, que as flores em formas de palavras encontrem um lar dentro de seus olhos, que enrraizem-se na tua mente. E que teu lábio, possa recitar-me a calma da qual escrevi, sem nada ouvir. Danças da chuva modernas, nada trazem se não o pranto do pesado passado que nos assombra. Contrata-te uma interprete e decifra-me, quem sabe, assim tu possas vestir-se com o mais caro vestido de gala que a tola loja de minha poesia possui: Minhas entrelinhas costuradas com afeto e amor. Meus olhos entram em taxidermia, empalhados, eles ainda podem-te fitar por entre estas montanhas de corpos, na multidão cinza e deselegante desta Faria Lima. Quero que você ajude-me a encontrar os versos que ainda estão perdidos em mim e que os mesmos, possam refletir a ti. Não te assusta se em um dia qualquer, com roupas velhas e cabelo desgrenhado eu for bater em tua porta. Por que esse dia será marcado, como o dia em que esqueci todo o medo e acordei com uma vontade de ser feliz, de ter fazer feliz…
—  Como Pode Ter Ido Se Nem Ao Menos Chegou A Ser? - Pierrot Ruivo
E eu amo… Amo tanto que chega a doer em mim mesmo. Mas bem sei que o amor pode até vir a ser bom, não o provedor. Casa bagunçada e desregulada. Adepto ao caos e torto por defeito. Desde suas concepções até seu frágil corpo. Amei e as borboletas também, benditas e malditas ao mesmo tempo, presenteiam-me com fortes náuseas que fazem-me esmorecer. Cálido há tempos não sou. O amor é bom e eu o que sou? Mero mensageiro? De resto em resto caminhe até ser o prato principal de alguém, não atreva-se a contentar em ser o Petit Gâteau. Boas novas? Apenas estou a definhar-me na retrospectiva de quem fui e nunca mais voltarei a ser. Um tanto dramático eu sei. Perdoa-me por ser esse catalisador de tragédias, internas e alheias. Amei-te friamente e em tentação de firmamento expulsei os meus demônios para eles me assombrarem na manhã seguinte ao desalojamento de mim. Abra-me o peito e veras coleções e coleções, algumas palpáveis aos teus olhos acostumados com o sol. Mas uma olhada mais detalhada e vós vereis o preceito de todas as tempestades, dores e muitas nuvens carregadas prontas para abater-ser ao solo. A morte ciumenta afastou-me de meus amores apenas para me ter exclusivamente para ela. E este cheiro de sangue chove em meu céu da boca, o porquê não sei. Está na vez de quem de tecer uma teoria classificatória? Transtorno do contorno, volta e meia e já se foi. Volta e meia e novamente estou ao meu lugar, emaranhado com minha solidão. O terremoto abre o cadafalso, prepara-te para o show que está para começar, caros sádicos. A graciosidade de despedir-se antes mesmo da calorosa apresentação. Tranca-me em isolamento e os tremores sumirão. Tu podes calar minha voz, mas minha mente não. Olha bem para o espelho, tuas boas normas e finalmente entendas que jamais serei como elas, embora em minhas costas eu tenha carregado o peso de teus princípios. Bailarina convoco-te para dançar entre os espaços vazios de minhas granadas. O coração lhe grita, mas a condecoração de Pierrot Impede-me a voz alta. Resta-me escrever até o cansar dos dedos. Guarda imperial de nada serve se não para cuspir-me o alto astral. Sacerdotes cospem seus dotes na função da qual não faço mais parte.
—  O Despejar Si Na Melancolia, Pierrot Ruivo
Onde estão os anti-heróis feitos de manequins? Curvas em diagonais, carteiras atiradas aos bonzinhos e sutiãs para os vilões. Desligue as luzes, pois a transfusão de corações e piadas já está para começar. Não importa que seja malfeito, apenas sigo o meu conceito, guarde pra si seus próprios segredos e conselhos. Você sabe aonde a vontade de um beijo elétrico pode nos levar, eu sei que sabe. Romeu passeia pela cidade sussurrando que não existe amor nesse buraco, poetas morando em caixas de papelões nas esquinas de qualquer lugar. Fitas métricas não são necessárias para se medir a humanidade daqui, talvez alguns palitos de dentes já bastem. A afilhada de um pianista cego, troca saliva com o capataz recém chegado a cidade. Amassando e dividindo calmantes entre os ratos, crianças e damas decaídas em ascensão. Musas dos desesperados, as maníacas que despertam o desejo de salamandras veteranas. A eterna máquina fabricante de sonhos tortos, a torre feita por você com meus poemas está começando a desmoronar. Não vou mais seguir suas trilhas, apenas prostre seu coração diante de mim e ficaremos quites. Narrando desencantos e ansiedades no chão com um giz, quem sabe um dia eu volte a te encontrar enquanto tomo chá em Paris. Atira dedos e aponta pedras enquanto lê frases Castro Alves. Em quartos escuros adolescentes egoístas se preparam para o perigo divertido, enquanto eu escrevo crônicas sobre a ausência de corações…
—  Narcisismo Em Refém À Promessas de Bar, Pierrot Ruivo

Todo homem é uma ilha por debaixo dos panos
Vira-te vinho a goela, o céu da boca estás tingido a uvas mortas
O porão tem cheiro de mofo e verdade, cuidado com tua sinusite
Carne crua, o único e unânime exemplar no mar de arquipélagos…

Tens em fúria o arqui-inimigo, tens o vermelho como o pior em teu arquétipo
Ama-te o senso comum para teu próprio bem o carteado não tens palhaços apenas reis
Teu intercessor latino causa-te dores no intestino, apenas pelo terceiro mundo lhe decorar a certidão de nascimento
Amigo libertino, apenas afrouxes as rédeas e todos nós dançaremos para você em tratados e manipulações…

Abandona-te as âncoras e venhas afogar-se em mares violentos
Tudo por uma lembrança de primeiro grau em vossa memória
Tempestuosas chuvas de rosas lhe perfumam no diurno resplandecer
A noite nos és reservadas charadas, crases e apostas na mesa transbordando boemia…

Vitórias ou salvas de palmas que discriminam qualquer tragédia
Sorria a qualquer fotografia, participes de revoluções pelas capas dos jornais
Ou qualquer sabedoria que valha para o juízo final
Afinal, a quem deixastes de orgulho nesta terra amaldiçoada?

Caçoa-te da idolatrada piada
Incentivas e engrandeça a iniciativa privada
Em primeiro lugar, esclareça-te os atos, Giovinezza
O espirituoso bom senso sente sede por sangue alheio, aqui vais a vingança em oração de justiça fatídica….

Desafia-te o solo de guitarra, desafina-te em teus ombros talhados
Acertam-lhe em cheio a aorta, finjas não escutar, balbucie solidão em conjunto de outros tantos
Em plano cartesiano são revés, no outro plano metades recém apagadas,
Vais aprofundar-se em um raso amar no horoscopo, tua Vênus estás a encantar-se pelo sorriso mais anêmico…

O silêncio lhe incomoda, grite para não reconhecer a si mesmo como desespero
Cintila, cintila maravilhosa empreiteira, tu és epicentro de vossas angústias e alarde dos especialistas
Beija-me sem querer, a meia luz e desfocado, posso ser o rosto de teu preferido encantador
Trafica-te restos de pálpebras molhadas e alucina-te pela viagem escondida…

Sua alma estás a servir de moradia para o Messias Passional
Crime enfadonho e artístico, a licença poética choca a moral rústica de tua língua
Conserta-me antes do abençoar das estatísticas, escorra-te para outro carma volatilidade
Parcimônia em descrença, uma gota a cada sucesso, na tua própria lente de contado reflete o residente de um novo fracasso…

—  Ignorância Pluralística, Pierrot Ruivo
Sou muito mais do que isso que tu enxergas, tuas teorias em Causa Mortis de nada serve se tu não mergulhas nas linhas e suas lacunas. Venha dependurar-se nestas vírgulas que tanto uso. O universo que tu não sabes se existe ao olhar as poucas estrelas que estão a sua vista na janela de seu quarto. Sou idioma morto, nem tão cedo os tradutores irão descobrir os mistérios de mim. Historiadores estão mais preocupados com outras descobertas mais intrigantes e impulsionaram suas carreiras secretas e desmerecidas. E quando descobrirem-me, o que será revelado e o que será guardado? Na rua escuto passos, passos sempre apressados, bocas ofegantes em suas corridas matinais para o trabalho. Eu sinto o cheiro da prévia de uma chuva torrencial e ligeira, sinto o burburinho sobre o que será a novidade do próximo mês. Atento escuto, em silêncio permaneço. Beija-me a boca seca e encontrará a esquina inacessível de todos os meus pensamentos, amores e seus rancores. Nestas esquinas há mendigos que sofrem do amor que distribuí a quem jamais me quis. Fritam-se durante o dia e morrem de hipotermia todo o fim de noite, carecem dos cuidados de mãos suaves e delicadas. Olhe no espelho, pisque e olhe mais uma vez. Tu verás que as rugas ocupam o lugar de seus sonhos, a barba amassada está envelhecida, esbranquiçada, tu debruças-se ao chão, pois tuas juntas estão frágeis e irreconhecíveis, este são os valores a quem vive suas vidas em um constante modo inoperante. Teus pulmões hora úmidos, hoje estão pálidos e mofados, culpa deste cigarro de palha que tu nunca se esquece. Outrora lúdico desejava-lhe com todo o meu ser, hoje lúcido, entendo que ter-te era apenas tardar momentaneamente a minha solidão. Encontro-me em paz, apenas por ter sentido a beleza que senti e compreendi. O inferno está lotado de inocência, os prejudicados, pedem perdão pelas injúrias que a eles foram atribuídas. Altas aspirações provocam a inspiração do pó mágico vendido nos becos, de forma escondida. Contra meu peito tenho apertado moças pregando sobre um amor hipotético que olhos tecem em agonia, mas eu desconfio, está muito fácil para ser verdade. E ela se vai, leva consigo mais um amor do qual poderia ser coroado. Serei eu, agraciado com o papel de eco daquilo tudo que não fui, dividido em metades imprecisas, partes desfiguradas de quem acho que eu sou, do que tu vês e do que realmente sou. A ausência do beneficiado denota a fúria icônica de seu céu, o quase fica para depois de inúmeros amanhãs. Tu que só te consolas por ser desejada. O doce prazer de habitar o carnal lhe deixo de estudo de caso, as estatuas de deusas gregas que foram concebidas sem o nascimento, formosas curvas e ácidos ideais podem levar-te a falência da roda dos melhores da cidade. Assim, a chuva que antes fora me prometido, chegou e lavou as ruas, os carros e as pessoas. E eu o que fiz? Corri para rua e banhei-me na chuva, que pela primeira vez lavou-me de verdade, diferente das outras vezes, esta chuva trouxe-me algo puro que jamais conseguirei explicar…
—  A Fundação Deste Questionável Eu, Pierrot Ruivo
Dragão de lata, leve-me ao meu destino, faça-te tua função de guia e apresente-me os sujos pontos turísticos. Em meus olhos transbordando miopia, vejo que as fumaças das fábricas tampam o belo horizonte. Meu coração deságua na garoa de uma mãe de primeira viagem que teve seu filho retirado à força, pela força da violência. Que impõe e transpõe sua vontade frente aos demais. Cartéis românticos aos homens louros e robustos, carretéis aos velhos homens de espírito jovem, que aproveitem bem o soprar do vento. Dragão de lata, as leis da física não aplicam aqui, teu sangue frio esfria-me, neste calor que nos castiga sem motivo aparente. Dragão, quanto mais gente tu podes suportar? Agora percebo, nem tua calmaria se salvou neste calor, afinal não há mais água para matar tua sede fervorosa. Agradeço-te a companhia, o que tu queres me confessar? Amores pedidos ou atrasos contínuos. Entre pés entrelaçados, os olhares chocam-se em um cruzado no queixo, mais do mesmo, menos de nada. Sintoma da paixão borbulhando na pele inspiradora do poeta. Perdoa estes versos castelhanos de coração, vejo a Argentina como minha redenção. Além da terra, caro dragão. Consinta com o ferro que lhe faz pulsar e arde em ausência de mim. Da terra tu não podes aferir a liberdade em gozo. Em ti, sentimos o encontro dos mal educados com os politicamente corretos, em cortesia sinta meu fétido cheiro, em calmaria sinta o meu mais novo perfume importado. Leia minhas mensagens. O amor era-se pouco, então vingou o rancor. Nas batidas estressantes de tua porta, que mastiga tecidos desavisados. Tuas escamas caro dragão, são todos os tons em degradê de um belo azul. E ainda sim, noto em ti alguns pontos brancos, será o principio de uma vitiligo ou feridas como troféus, de quem tanto que recebeu pisadas desordeiras. Ora, o que será o branco se não o sangrar de todas as cores, há ausência de quem fora condecorado com a finitude de fingir. Hei de me ouvir, meu companheiro. Amo a musa que sempre me presenteia com a tão perseguida inspiração, falta-me coragem de um bom campeão, pois ainda a amo com culpa de um pecador, revelo-te em meus olhos tremidos, mas você não os vê. Digo-te na pronuncia trêmula de meus lábios, mas você não os lê. Então, grito no silêncio de minha poesia. Habemus vida, Habemus poesia. Se o peito bate desconexamente, eu ainda amo você…
—  O Dragão De Lata, Pierrot Ruivo
Estes olhos estão cansados de nada fitar, a escuridão da sala não revela mais nada, a contemplação da agoniante solidão traz-me apenas os erros. Quem deixei de ser, quem pensei que fui, corra-te de mim oh amor da minha vida, já não tenho mais vitalidade para sofrer. O inferno está vazio, todos nós somos santos arrebatados a grande felicidade. Há vilões e heróis multiplicados em um mesmo reflexo, perdão a quem amei e a quem enganei. Traído e traidor. Bem vindos a confissão de um homem que não sabe mais de si. A juntas estão a falhar como prêmio de consolação, se venci algo, eu não fora avisado. Teus dias estão contados verão, os meus traçados pelo destino que insisto em afastar de mim. Corra, o que sobrará no fim da avenida, se não mais uma outra avenida? O protagonismo não fora feito para ser dividido, o reino estás preso no corpo da nova estrela, atirem-se a ela caro súditos. Quem será o analista divorciado que irá as linhas de mim traçar? A insônia repassa-me o presente detestável, traz-me bolsas acinzentadas. Ora, elas serão muito bem-vindas, a neutralidade desta morbidez és capaz de destacar-me como exemplo a não seguir-se. Caro amigo, não sinta demais, ou estarás condenado. E ninguém quer vestir-se de ridículo, não é? O vento de chuva sopra-me o blues e sem tardar a chuva veio e banhou-me, mas nada escorrera, as impurezas ainda continuaram incrustadas em minha pele. Ondas de calor passeiam pelo corpo, mas não é tesão, o silêncio insiste em me beijar e eu beijo-lhe de volta com toda a minha volúpia. A única interação amorosa que tenho, as amantes fugiram deixando-me para trás a inspecionar as juras das conjunturas frases. Não fora amor, não fora carnal, fora algo tão intenso quanto, talvez uma mistura dos dois, talvez por isso tenha amado tanto o sui generis que fomos. Algo ímpar que fora esquecido. A paixão metamórfica arrecadou-me em seus braços, mas ainda assim há outros fragilizados para salvar nesta noite. O pecado e a doçura confessada em uma mesma boca. Os passos foram distribuídos a quem nunca lembrara-se, por pouco o carnaval já passara, au revoir minha névoa desbotada. E os olhos continuam a não fitar mais nada, passando noites e dias, sol, chuva e neblina. A esperança parece morrer para rejuvenescer-se em mais um novo amanhecer. Poupe-nos com vossas tristezas, temos o nosso chá de impurezas para degustar. Apaixonei-me, amei por mim e como ninguém, em meu peito senti o disparo quente do fuzil e pouco depois a entrada do inverno sem bater na porta. Estás a perguntar-se o que fiz com esse amor? Simples, deixei a bala alojada em meu peito agonizando e pedindo mais…
—  Olhos Tristonhos, Pierrot Ruivo
Querem me conhecer? Me leiam, devorem-me com a boca e os olhos, me toquem como crianças atrevidas, Me mordam e assoprem, desvendem-me os mistérios e angústias, o desespero que lhe assola vocês podem assisti-lo sendo descrito por minhas mãos pálidas e congestionadas. Engulam-me, mastiguem-me, vomitem e me regurgitem para tua vasta casta de seguidores e admiradores. A cada linha que escrevo, é um terço de minha personalidade que é demonstrada, apurem-se bem de interpretação de texto, pois sim, as entrelinhas estão cheias de mistérios, mas lá também residem as verdades. Na solidão se faz um testamento em forma de manifesto, testemunho da gestação de algo indigesto a vossos ouvidos “puros”. Desamores? Tenho aos montes, coleções de feridas e palavras insanamente ditas sem pensar, marcas em minha mente, delas retiro a inspiração, dentro de meu exílio, carinhosamente apelidado de retiro. Não sigo métricas ou receitas especializadas, alguns dizem que psicografo, pode até ser, meus poemas são histórias ou estórias que vi, ouvi ou vivo, protejo o ator principal, colocando-me em primeira pessoa, sou o ser que conta e em outras vitórias sou aquele que recebe o soco. A poesia de mim é o fumo solto de um cigarro recentemente apagado, para curar a ansiedade e a saudade de alguém. Desço ao inferno na terra, para trazer o céu em forma de poesia para aqueles que se perderam pelos entorpecentes. Vou a um rasante voo, num dia nublado e obscuro, me embriagando de minhas próprias palavras e tormentos. Com as maldições que me atiram com suas tecnológicas metralhadoras faço retratos, seus, meus e nossos. De amores a rancores, desenho retratos com sombrios adjetivos. Os novos Dons Juan são fabricados em massa nas academias pertencentes aos Dorian Grays, trocam saliva com seus próprios reflexos neste espelho sujo. Não te incomodes isso são só apenas frutos de uma fugaz apresentação àqueles que não estão familiarizados com tamanha melancolia, disfarçada de destreza e força, sigais teu caminho, assim como seguirei a escrever.
—  Os Mistérios de Um Pierrot, Pierrot Ruivo
Ensina-me a me acalmar, ser como as ondas do mar a se debruçarem para rochas pontiagudas, por favor doutor, prescreva-me remédios para controlar-me, pois eu já não sei como posso fazer isto por meu esforço. Espero que a receita seja do remédio mais qualificado, não daqueles que te propuseram em mais uma das sujas alianças que fizestes com o conglomerado farmacêutico. Provas e sobras denotam qual a opção que tenho que seguir frente aos terremotos de mim. Vendaval destrói castelos de areias e minhas ilusões platônicas, vista-se com a veste da seriedade e reconstrua tudo novamente, apenas para que o vento possa derrubar em outro dia de fúria, assim eu serei o próprio brinquedo dele. Choro os desastres em enorme pranto, a inundação acontece dentro de meu interior, sabotando-me aos olhos desavisados, não peça para contentar-me com esta condição da qual me encontro, apenas dê-me dicas do que funcionou para você, quem sabe os chás e sucos caseiros possam esfriar este vulcão, pulsante as vésperas de uma erupção. A nado, afundo-me no raso, mas no escuro de meu mundo, o claro está aqui apenas para sentido de equilíbrio, pois não serei alcançado, não possuo escadas. O inimigo daquilo tudo que sonhei, sim às vezes tenho esta função também, vou minando cada grama de meu corpo pálido, cada palavra que disparo e penso em despejar nesta folha velha da qual faço minha desesperada poesia. Mostra-me um caminho para que eu adquira a paz de espírito, por favor, ensina-me pelas rotas e curvas de todo o teu corpo, não quero mais desfazer-me para os maus presságios ligeiros, perceba que aqui estou descrever todos os meus péssimos hábitos, enquanto desdenho as minhas virtudes que nunca encontrei. Para você, apenas sou um reles estrangeiro, turista de suas vistas, sem pistas, não há interesse para puxar-te a mim, sei bem disso. Aterrorizado com as panes que se instaram em meu corpo, quando poderei assumir a presidência de mim? Arames e sustentações frágeis igualam-se a ingenuidade deste coração que ama por sentir, forte são as batidas desfiguradas de um amor nada convencional, de grande sentimento e impossível mensuração. Todos os frutos maduros e caídos, cálidos deitados na relva mansa, a esperar uma mão curiosa nos conquistar para si.
—  Os Lamentos De Uma Pilha De Nervos, Pierrot Ruivo
Aqueles olhos castanhos fotografavam cada passo meu, olhos devoradores de virtudes, creio que ele salvava minha imagem como fotografia em sua mente e escondia como se eu fosse seu segredo mais precioso. As vésperas de um pseudo-romance, eu sorri para ele. Pisquei e o já vi em cima de mim, apresentando-se e me oferecendo um drinque. Concordei e aguardei para ver o que o cúpido trouxe a mim na pré-estreia deste verão. Os nossos sonhos subdesenvolvidos podem tornar-se um medíocre projeto de felicidade. Teus olhos devoravam minha carne, enquanto ele lançava-me tuas armadilhas amorosas. Sei bem onde isso ia dar, mas quis pagar pra ver e crer aonde iríamos nos desaguar. Suas táticas sedutoras foram-me fazendo perder a pose, o sorriso já estavam grudados em minha face, muito em efeito de todos os drinques que nós tomamos ao decorrer daquela noite. Feito romance nos beijamos, dois personagens de belas histórias de cinema, mudos ficamos, tentamos improvisar algumas palavras de afeto mais nada pairou no céu de nossa boca. Restou então, apenas um ultimo beijo demorado para deixar uma boa memória nesta noite. Tu foste meu anjo mais devasso, perdido em meus lábios. Levou-me ao motel e despediu-me de toda a minha ingenuidade. Por aquela noite, virei-te o derradeiro e único amor. Minha visão embaçava-se pelas tuas técnicas. Reze a sua prece em meu decote, mas cuidado este vestido custou caro. Azul fosco apertava e definiria as silhuetas que pesava que nunca tivesse. Mas ao olhar no espelho percebi que minha teoria estava errada. Ao som do blues, nosso sexo batizou o perfumado quarto, nossos corpos suados e entrelaçados, derretiam-se aos desejos aparentemente alheios. Minha maquiagem manchava aquele lençol branco, do outro lado da parede, além de ouvir meus próprios gemidos, notei outros corpos entregues ao quente frenesi. Gozei como há tempos não fazia. Mas hoje somos a tradução em vida do nunca mais, os perfumes não foram esquecidos, mas os embriagados diálogos foram sabotados como a casualidade de mais uma noite de paulista. Nuca mais tua leve mão saberá o sabor de meu corpo, não há mais mão em minha nuca. Sei bem que eu fora mais uma estrela no mar especial de constelações daquele homem que mal lembro-me de seu primeiro nome. Hoje, caro moço, queimei as fotos que secretamente tirei de ti, quem sabe, assim as cinzas de nossas intimidades me levaram novamente a ti…
—  A Breve História Da Casualidade De Dois Quentes Corpos, Pierrot Ruivo

Resquícios de neoliberais estão a solta
Caçando em outros corpos o reflexo da artificialidade
Vagam em procissão na Augusta de ponta a ponta
A decadência és atraente, aposta-te o coração e um punhado de atenção

Traça-te os breves minutos de tua atuação
Queres o teu pecar no outro
Queres os poetas calados e trancafiados em seus bolsos
Festeja sob o flamenco paulistano descoordenado
Nem aos sábados a pressa perde seu rebolado…

Fetichiza-me com vossa fertilidade
Alterna teus caminhos entre lacunas da avenida e as marcas de teu salto
A revista lhe alicia a mentiras estereotipadas
O mundo estás a sonhar com o êxtase do abandono

Faço-te assim a vossa irônica voz:
Prazer, sou-me a facilitada risada.
Encarecido em meu cárcere privado digo-te que a paz difere a quem estás repousado sob o trono
O seio morno não pôde alimentar a garganta fechada

A fonoaudióloga colabora com o puritanismo das fábricas
Os tempos modernos voltaram para nos assombrar
‘Devora-te o almoço enquanto te açoito e planejo a próxima ida à Londres…’
Estamos sempre na maré contrária, não há um belo horizonte

Os novos contratos estão afogados no mar da estagnação
Sinta a maresia e compartilha o cachimbo
O teu limbo obscuro fora derramado nas páginas da fantasiosa retratação humana
Senhores produtores levem-me consigo ao paraíso, pois teus olhares folheados a ouro claramente não são daqui…

A manada te aguarda, a festa será nas ruas de Madri
Corra-te por vossa vida, a promessa estacionou em ti
As obras de hoje podem lhe vestir, enquanto artesãos podem interagir
Pinta-me em tua tela ao teu frescor, deixo-lhe a vontade, faça o que quiser com meu desespero, maldição ou louvor, entre os dois sempre estaria a vosso dispor…

Convoca-te a cavalaria, todos os artistas de isopor
Dê-me o melhor lado em perfil, denota o bis de ti aos súditos monótonos
A mínima equação te extinguiu, os móveis envernizados são os tira gostos de traças de artifícios
O passo andaluz inundou lábios cerrados e cemitérios clandestinos a céu aberto

—  A Tela Viva Castiga Vossas Vistas, Pierrot Ruivo
Não entendo o desdenhar da boemia à aristocracia.
Afinal, a boemia és a criança mimada a maldizer o que for contrário a sua ordem.
Ovelha negra escorrida do ventre da submissão da realeza.
A guerra está para a decair-se para as exigências de uma pseudo-paz, informantes beijam contrabandistas e pregam rivalidade aos tristonhos olhos castanhos,
Retira-te a sinfonia a trintona do coral e dê espaços para os levantamentos investigativos do jornal local.
Teus galhos arranharam-me e tua cabeleira teceu-me o novo desejo: Ser-lhe todo amor, arborizei-me a face e lhe instiguei por uma nova verdade. Mas não preocupe-se tanto, são restos de alguma vaidade de pouca bagagem.
Traça-me o contorno em nudez áspera.
Marque-se como o renascimento da melhor promessa de marquesa, debruça-se nos olhos pintados, a áurea do mistério lhe caiu perfeitamente bem.
Enfeitiça-me com tua infantaria, renda-me como alvo favorito de teu fuzil, oferta-me a fantasia do patriotismo e digas que sou o mais novo salvador.
Mata-me com teu escárnio, assassina com tua frase de ordem, condena-me a mediocridade de lhe amar enquanto minhas veias não estão a cicatrizar.
Que vossos pés lhe sirvam com maestria, porque o inferno lhe tens como destino.
E não engana-se, não és o inferno cristalino do cristianismo e muito menos uma solidão eterna que és pregada por ateus, és muito pior, porque refere-se a singularidade de cada indivíduo…
Outrora, o tiro de festim fazia-lhe amargurar um bom próximo ano, outrora o a aurora boreal lhe fazia desejar a empatia de um amar qualquer.
Cada vocação ao teu puro destilar, o romance está a ludibriar-se para qualquer típico sintoma de euforia.
O preto sobretudo esconde-lhe da misericórdia do mundo, mata-te a todos que forem contrário a vossa expectativa realista.
Aplaudam uns aos outros em troca do abastecimento diário do ego traiçoeiro, entristeça-se e saibas que o céu não és o teu lugar, mas enxugue as lágrimas, sempre existirá o céu da boca de alguém a lhe esparramar.
Prepare-se para encarar de frente o temível inferno, Senhor Pecador…
Sob alvejante e sofisticadas luvas brancas tentes adivinhar quem estás a manipular-me, compostura a tua costura disfarçada de reputação, suture-se com um maçarico e tranque-te os ouvidos para a cidade.
O bumbo assemelha-se as batidas firmes de meu peito, o evangelho seguinte lhe trancafiou por uma causa honesta, resuma-me tua filosofia sem o absinto para lhe guiar ao paraíso.
Fragmenta-me em tua memória como um doce sabor órfão de nome, se em algum minuto amou-me, deixai-me livre para decidir o que serei a partir de um distante amanhã.
Os caninos arranham línguas despretensiosas, destila-me todo o teu sofrer e veja-se refletida em minha pálida pele, tolera-me somente pelo prazer de lhe pertencer. A cada segundo do assobio do pescoço imóvel uma conspiração és montada como origami aos analistas…
Confessa-me tua aposta e lhe direi a quem irás entrelaçar-se, tolera-te o impostor, afinal ele és tão criativo e frívolo como você.
Teu pecado original puxou-me para teus lábios banhados a tinta vermelha e a tinta de meus garranchos arrastou-lhe para a infame e maldita poesia, mas não te preocupes, logo irei para junto de ti, porque poetas malditos não são mais necessários, não precisamos mais de heróis para nos proteger.
Se juntar-me todos os pedaços dos desamores que colecionei, ser-me-ei o mais amado de todos os seres…
—  O Sangue Ruim Não Se Faz Necessário, Pierrot Ruivo
Tenho um beco escuro a pesar sobre os ombros.
Ruas sem saída demonstram onde nunca devemos ir.
Encare de frente a labirintite que se cobre em meus lábios.
Cole em mim feito adesivo.
Discorre o teu testamento no labirinto da minha mente.
Enquanto lhe amo secretamente…
Sabia que eu sonho todas as noites contigo, senhorita Frenesim?
Piadas sem graça salvam momentos em que a timidez assola.
Atira-me exovalhos, enquanto estou a receber lírios da paz.
Por descuido, feito de mais um luto particular.
Saiba disso:
Teu charme é eficaz!
Resista a isso:
Meu beijo voraz.
Contento-me em ser o quase amor.
Mais um menino, mero amador.
A desejar-lhe.
Eu não sei o que eu fiz.
Para travestir-me de miragens ocasionadas pelo pó do giz…
Tua solidão ocasiona confissões a eletrônicas máquinas.
“Fique um pouco mais, queira me escutar”
Todos os orelhões estão fartos de saber de seu falho andar.
Não há sentindo em ser a baderna mais sincera?
Por que esses sorrisos semimortos?
Pelo bem do coração?
Ou de sua Pseudo-reputação?
Roube uma linha, mas destaque-me como coautor.
Por favor, de nosso romance não faça-me um medíocre delator.
Contento-me em escrever, contento-me em ser um simples redator.
O que tu queres amor leve ou breve?
Quer que eu te leve ou te lave.
Continuam cantando mentiras como se fossem mantras…
Por tanto caminhar, minhas pernas queixam-se de câimbras.
Falta-me potássio, não ouses tentar a linhas de mim traçar.
Sou tão embarcado quanto esses teus cadarços, em nós ou em laços…
Mas eu tenho que confessar:
Apenas tuas penas de anjo podem me derrubar.
Agora o rei está oco e seu peito já encontra-se morto.
Desde o início fui um condenado, ator a ser desperdiçado em gestos e atos.
Sem estrelato, refém amargurado e algemado, por lá sabe-se quem!
Dizem, que é possível ver o mágico por trás das cortinas.
Truque barato de um atrapalhado ilusionista.
Se eu fora teu fantoche,
Tu foras a minha fuga, sem nenhum passaporte…
—  Sobre Amores, Rancores E Suas Físicas Dores, Pierrot Ruivo
O cosmos e o teu olhar.
Pelas estrelas a se destacar.
Na terra.
Corvos planando.
Junto de meu amar.
O céu é dos anjos.
Não dos sem propósito.
Não fora feito para nós
Tu não me enxergas.
E isso me dói
Serei eu tão transparente quanto teus lençóis?
Rosto incógnito.
De branquidão hospitalar.
Simples borrão abarrotado de ar…
Nada lhe Serve a astrologia.
Se apenas retira-lhe piadas sem graça.
Não há mapas, mas sim uma tentativa de melhorar a caligrafia.
Camisola de cetim.
Promessas rasas
E um Amor de festim…
Não deixa marcas.
Não salva.
E muito menos mata.
No meu peito, o eterno queimar de mil brasas.
Mas não é a ti, Porcelana.
Meu afeto não é medido a preços ou barganhas.
Paralisia.
Síndrome de narciso.
Não tem problema algum em ser indeciso.
O impreciso sonha com o paraíso.
Em fazê-la disparar o riso…
Narcolepsia.
Gula.
E Hipocrisia.
Tudo, em um só corpo…
Onde se vê gula também reside à fome?
Para o pecado não há identidade, não há sobrenome.
Suicida estirado na avenida.
Autópsia comprometida.
Pelos erros de cálculo da polícia.
Sou o sonho, não o seu contrário.
Viajo no tempo, de primeira classe como um empresário.
Quiçá um emissário…
“De quem ou dê que?”
Eu não sei!
A cidade iluminada.
O reflexo de sua imagem está desbotada.
Assustem-se, os novos reflexos da cidade falam a verdade.
Eu sou a embarcação que peregrina por entre todos os mares de olhares gélidos…
Mas não necessito mais do vento para me guiar, inflando as velas.
Este inverno está sendo ruim pra mim, mas ainda sim, não preciso do teu nostálgico sabor de canela…
O rei de espadas declarou:
“Os inocentes são os governados e os culpados são os desinteressados”
Atravessado sobre o rio de sangue, pisando sobre os restos de lirismos esfacelados…
—  Sui Generis, Pierrot Ruivo
Em um filme mudo eu atuo.
Filme de quinta categoria.
E baixo orçamento.
Sou um mímico já fantasiado.
Meu orgulho foi a muito perdido.
Meu peito está trancafiado.
Sou mero escravo do diretor.
Obedeço-lhe todas as ordens.
Durmo querendo nunca mais acordar
Sonho por me calar…
Carvão sujo sem ninguém para lapidar.
Refém do entretenimento.
Faço de seus -raros- elogios o meu alimento.
Mas a verdade é que não possuo fome.
Não a fome de um comum homem.
Não sou daqueles que mata o gado e come.
Minha escrita não tem pronome…
Ela é autobiográfica.
Às vezes antropofágica
Devora-me o juízo.
Mas não é algo que me dê prejuízo.
Não sou ditador.
Mas para mim aderi,
Me ame ou deixe-me.
Careço de seu amor…
(Palavras soltas do mal humorado diretor.)
Clacjet.
Ação.
E o filme roda.
Não há script para decorar.
É tudo feito na hora.
Fruto de um vão improviso.
Cenas são gravadas.
Amores são revelados.
Apenas mero engano.
Gravatas são reservadas…
Não é a vida real.
A vida imita a arte?
Eu não sei…
Ao menos, a minha não.
Afundo-me cada vez mais em tempos de arraial …
Nas telas que serão exibidas trechos de minha vida.
Desde já, afirmo: “Contente-se, você não pode me consertar”
Por pura teimosia eu não desisto, ainda não…
Enquanto me cospem, faço companhia às moscas.
Até o último ponto do escurecer, tento decorar consagradas poesias.
Mas ao amanhecer, mal me lembro das minhas…
Quando poderei ter a minha carta de alforria?
Gozar-me em liberdade, junto de minha poesia…
—  O Ator, Pierrot Ruivo