inutilidadeaflorada

Tenho aberto feridas
Contemplo algumas
Outras me aparecem como um soco
As grandes tem o gosto de outros beijos


Tenho lambido feridas
Em escárnio e lembrança
Como forma de acalmar-me a chaga
E cair no sono sem o auxílio de afagos


Tenho inumerado feridas
Para cada ‘eu entendo’ de um compatriota
Em um quente setembro, batizo minha ferida
Tenho beliscado minhas feridas


Tenho cutucado feridas
Do mesmo modo que cultivo histórias
Celebrando a cura no frio mármore
Tenho inventado feridas


Estou compondo feridas
Para fazer par com as que já tenho
O doutor disse-me isso não é saudável
Tenho escrito manifestos sobre feridas


Tenho escrito feridas invisíveis
O que não quer dizer que não ardam
Muito pelo contrário, fincam-se como bibelôs
Tenho me equilibrado entre as feridas


Tenho leiloado minhas feridas
Como um número engraçado de circo
Mostro espelhos ao público e me apago para que se vejam
Tenho esquecido-me de feridas ao beijar o colo de amantes


Tenho amado colchas de retalhos minhas
Tenho deixado-me em cada possível chance de romance
Para no final da noite transcorrer minha solidão
Tenho aberto feridas e tudo está bem…

—  Methiolate, Pierrot Ruivo 

Derreti girassóis
Ao teu encalço
Reverti relógio
Pelo deleite do atraso


Mais de mil vezes
Fui vil em meu caminho
Por isso, não santifique-me
Contudo, passo atrás a ideia da forca


Uma pirueta, duas piruetas:
Euro e dólar
Mais uma série de piruetas
Bravo! Palmas à dupla Gucci e Prada


E a rosa virou uma adaga
A prosa virou um grilo
O teu beijo as sobras do grafite
Do poema à lápis que lhe escrevi e apaguei…


Instinto acidez:
Uma amargura para cada
Gota de café e lamúria à vida adulta
De minha palidez, um dobro a altura tua


Andrômeda amara
Na fidelidade de mártir
Carregando flores termais
As deixando cair para alegrar amores


A consciência foragida
Voltava dia após dia com relógios
O querer corria a filo carmesim
O pus cuspiria o flúor…


Respira à bolsos apertados
O teu eu cuspira insetos sobre os outros
E os insetos por sua vez, vomitaram o carnal
Do qual tu só amaria os confetes do término…

—  Setenta Por Cento Autoral E Todo O Resto Clichê, Pierrot Ruivo

O amor nos engoma em febris dentes
O amor nos apronta à visitas
Tirando vassouras de trás da porta
Afastando um agouro pessimista


Neguei-te três vezes por dia
Em cada murro que dei na mesa de madeira
O bar teria meu nome como descontrole
E nos três meses seguintes vinha redimir-me e amar-te outra vez


Balbuciei balburdias, como labirinto cão e gato
Faxina sobre a batina reciclável
Amor, o tempo é de fezes e romances nunca escritos
Estimei uma autopiedade já pela manhã esperando os estragos que cometeria


O ator era o tempo:
Passaram três horas e teu toque em braile me veio
Adiciona-te mais cinco horas e agora amo a medicina paliativa
Que me desintoxica nas próximas oito horas, regenerando minha fome


Eu estive pronto e vestido adequadamente ao enterro
Quiçá, trajara luto logo em primeiras vistas. Em minhas olheiras
Outra grande lição a si, eu decepcionarei, não sei em que ponto do dia, mas não tardará
Esperei por placebos passa júbilos sem juros, encontrei-te na contramão de toda a comunhão


Quisera um amor egoísta
Que se fincaria unhas na carne de meus lábios
Estanquei-te, então por tentativa e ópio
Encontrei-me livre, até a manhã seguinte


Te encarno e entrelaço
Gemidos e segredos
Em claustrofóbicas bocas
Formigas passeiam e intercalam-se entre o sexo


Me vou com o que ainda pulsa
Deixo-a com cheiro da sobra do corpo morno e nu
Visto-me e despeço com beijos ásperos que emaranham cabelos
Deixo este poema na cabeceira da cama ao corpo reconhecido como filo do “Eu”…

—  Voodoo - Pierrot Ruivo 

Esqueça a cidade neon e teu romantismo
O labo b do disco nunca composto
Ganhara forma fálica por deboche
As ninfas e o bêbados carrancudos não são mudos


O amor dado não parece satisfeito
Resmungam às segundas e amam romances à estranhos
Parafraseia o tédio do sexo de luzes apagadas
O orgulho é ômega, homenagearia-se à margens


O divino deus mundano
Desce do pedestal como comum
Encarnado de segunda a sexta no robusto
Vai a missa rezar à um outros deus


E então nu, em folga de seu dilema ético
Esteve a esconder-se por entre beijos dos fiéis
Pois o mesmo saberia, na sua jornada diurna
Que os beijos dupla face ditavam o rancor


Uma vez naquele dia, separaria seus sapatos mais usados
Para ajoelhar-se e devotar uma fé caseira
Um punhado de cólera aos inimigos, misturado a outra face de noiva
Novidade ao mesmo, por tanto repetir o mantra da bênção, acreditara ser real


O absoluto volta a hibernar, esperar o banquete matéria
Narra o acontecido, cheira ao frango de domingo
Mas de fato, está como figuração da própria mesa
Mero espectador repetindo a mastigação dez vezes ou mais


O pântano abissal da carcaça que o veste
O filo diz homem, na terça volta-se ao Olimpo
Plano sem receio, cobrado entre um doutor e outro capuccino
Resta novamente o ômega com sinais de vacinas em dia


Quem me dera, se as mazelas
Fossem traduzidas amena em minha carne
Assim figuraria entre os meus como o pêndulo da jornada
Uma espécie de espada que seria júri, carrasco e eterna devoção…

—  O Garfo, Pierrot Ruivo 

Encarnei pilares e confortos, codinome esposo
Os ingeri para o bem de minha carne
Proteína e formol, tudo que é preciso
Meus dentes são de ouro combinando com minha visão órbita do sol


Prova-me o gosto deste amor proclamado
Ao prostrar-te a mim sem dúvidas
Todas as tuas certezas, além do concreto materialismo
Exijo-te o âmago e comprometimento em espalhar minha palavra


Eu roguei agulhas aos meus disparates
Como qualquer de meus conterrâneos
Não diga-me que eu fora o primeiro,
Já que concebera esta ideia há anos atrás


Meu reles gosto és pelo preciso
Preciosa ordem, um pouco de bucolismo não faz mal
Apenas alguma fauna de plástico a colorir o habitat
Proclamação de um filo que pertenço, vadio em todos os sentidos…


Vá vaidade e lava-me os pés, meu reino atento à devoções
O meu pão é mais macio do que meus irmãos
O sangue de meu sangue fora cristalização pós corte
Estão, mas não estão, decoram sala e consentem com a forca


Reinventei uma personalidade muito exposta
Tenho sabedorias e vocações raspadas nas unhas
Emparelho-me com outros ídolos. Por vestes, saúde e condição
Já vim desde o berço com o sintoma de Dorian, enforquem espelhos, tragam-me Sybil Vane…


Enfraqueço nos lábios do cordeiro, aumentativo comoção
Volto como transe tribal da euforia patriota
Não tema, quiçá, não seja o júbilo de toda a essência
Aproveite as arestas e orbite por verbetes síntese paz carnal


Primavera Veneza, carrega romances nos cinco dedos
E os outros cinco ficam reservados aos rumores
Estás em dúvida sobre minha relação de nomes e atores?
Não te preocupes, atente-se somente ao meu sobrenome francês que influencia toda a fluidez de mercado…

—  Tentativa E Erro, Quem Será O Próximo Herdeiro? - Pierrot Ruivo 

Caríssima, cara metade sonhada
Peço desculpas por rogar-te tão deliberada esperança
O mesmo amar bíblico com gosto de zinco
Faria poupa em bagagens que cultivo ente bolsões nos olhos


O meu exagero atrás da porta
Oferta distâncias à pretendentes
Pois o mesmo é conservado por punhados de moedas
Embarco na espiral vertigem que eu mesmo compus


O peito aberto ao investigador
Acostumado com o ronco arranque de carros
Ou o afrouxo de correias
Ao ver-me entra em parafuso por tamanha pulsação


Digo que não me entendes
Pois não ama com eu,
O ex-amante dos desolados
Hoje, ama calmo um amor inexorável


Darei clareza ao enigma,
Não mais desespero por reticências
Nada mais do que um espera vã
Embora, a questão esteja existindo


Em outras bocas, atravessara por Helena
Sem véus, sem as carapuças russas
Sobrenome esquecido no mar
Ode a todos os moinhos por onde derramei meu espírito paupérrimo


Minha mente tão maleável quanto eclipses
Leve e longa, faz-me par à Netuno
Nem o peso do chumbo cuspido por lanças de argonautas
Seriam capazes de emacular o receptáculo que a ti guardo


Carrego em bolsos não como troco
Ou saudação de débito à Caronte
Guardo-o com o mesmo zêlo que tenho ao viver
E por viver, também o vivo só. Agora, menos pueril do que outrora…

—  A Elipse Corriqueira, Pierrot Ruivo, 

A afirmação cerne mundano
Tivera a cena do teu ócio
Do sacrífico aos ossos que fizestes
Por punhados de reis e réus dependente de vós


Os teus olhos reflete teu âmago
Todos sabem do bélico feitio que tens
Projetares a imagem enfermo ao outro
Como se fosses a folha em branco de teu pecado


A mãe híbrida dera a luz
À uma nova comitiva
O eu e o tudo não lhe veste
Não faz-se abrigo em teu umbigo


Inverta a sagrada escada
Entrada de mão única
Estranhas entranhas pintadas à porta
Encantador hospedeiro cuspido frases recortadas e serpentina


Objeto objetivo indireto
Calado em estado de uso
Consentido com o engenho
A águas áspera temerária ao óleo diesel


O interior duplicado
Embrionário ao espelho
Mas sem a imagem figurativa de Narciso
Substituída pela própria imagem e semelhança do usuário


O senhor rural exigia o amor de todos os dias
Ame-o abandonando o rabo, caro cão
Espere pelo abandono pois ele virá
Eles sonham apedrejar a próxima Maria…

—  Animália, Pierrot Ruivo 

Há um salmo lido sem voz
Tampouco precisaria ser recitado
Encenaria-se ao pé da enceradeira
Santas em flores de maio na escada


Restara um corte na chaga
O meu todo um tudo efêmero
Restara um beijo vermelho
Arrancando-me do meu silêncio


Uma oferta ao rei do amor
Sem flores de namorados
Ou buquês de quase casados
Haveria, um corpo e mil gestos


O amor é todo o resto
Resultante de apertadas rendas
Rendidas ao anual desfile de cortejos
As flores brancas já eram febris em cima de mesas


Uma língua de dândi
Adocicada nos preceitos da ovelha
O mais caro de todos os prazeres
A vívida companhia no final de domingo


O caput repete-se vagarosamente
Amor, tango e luxúria
Amargando verborragias melancólicas
O meu âmago era uma amálgama a ser descoberta


As bodas de despedidas
Eram comemoradas em docas
Cada qual em teu canto do globo
Amorosamente, verbalizavam um tango ao mar


Tudo em sinônimos de fome
Era acertado em um turvo corte seco
Arrastado ao espelho do banheiro
E cabeça recém consumida era servida de suporte à vela…

—  Otra Cabeza, Pierrot Ruivo 

Oferta-me ao tempo
Para salvar-te a própria pele
Pinta-me com um de seus filhos
E engane-o com abertura de almoço


Meu interior transforma
A porta em chegadas
A andança em carnaval
E tira de meu peito nu a polêmica


O quadro móvel me formara
Ente paisagens e miragens
Deixara meu verso colorido
E deixaria de imbróglio aos próximos monarcas


A imagem fomentação de E.U. A
Cuspia-se veneno à cabeças de Hidra
Pouco havia espaço no pódio
Esperaria-se a jornada de heroísmo


Tira-te a rebarba da carne
Rejuvenesça em ácidos casuais
Beijo suco de rosas
Labirinto instintivo transitivo


Tarântulas maquiavélicas
Maquiavam o maquinário
Revestindo-o em antiga pele
Protegerá o desgaste de repetição de povos


Espelha-se a experiência
Da miragem capturada
E fragmentada em doze trabalhos
Embelezados no agouro de Calígula


A falha imprecisa
Não faz fé ao arquitetônico
O amante tenta dançar em seu tento
Não há mais casamento e adultério entre sujeito, receptor e mensageiro…

—  Essência Tropical Cardinal, Pierrot Ruivo 

Mudei de endereço
Mudei de escárnio
Calei meus demônios
Fui menos imaginário


Meu bem, o querer é isso
Um movimento querido
Vai querendo queimaduras
Vai beijando os espinhos


Viu amor, até voltei a rimar
Roupa com lantejoula
Carnaval e sambamos nos meus lábios
Conflitando o bem e o mal dos homens


O abandono simulava um tropeço
Ao lado do orfanato problemático
Notem-me, estou tão só quantos vocês
Prometi rimar, contudo, também tenho recaídas


Alimentei-me de Camões
Vivia por entre os camaleões
Sublinhando os cânticos divinos
Soletrando sorte a tua silhueta


Desemboquei na borda de um copo
Adicione outro item a lista de meus pecados
Mas hoje fazem bodas do nosso desencontro
Cinco anos, cinco clínicas, cinismo de vigia…


Cuspi para o alto no alto de minha meninice
Acreditei na ciranda e na cigana
Apoteóticas, confabulavam sobre o casório
O amuleto simbólico era o modelo de um galã afável


Me descobre, enquanto catequizo-me no presente
Com a bênção das frases feitas de algum Yolo
Viverás hoje para si e teus hedonismos frustrados
Me acha por entre teus dedos e me conceda a pavimentação futurista…

—  Paradigma, Pele, Pavimentação - Pierrot Ruivo

A esposa consumara um outro mártir
Dando-o pequenos dissabores da dança
Desça do salto, deslize-se para fora do terno
E receba de braços abertos o consultório de padrinhos


O véu e a bandeira
Os quitutes em bandejas eram quimeras
O sal era verão que protegia-nos ao agosto
O agora agouro era alvo do cutelo de açougueiro


Não sei contar e pular pulmões
Arrastar com as arestas os dentes
Para fora da mão enrugada que me abafa
Passar os anéis fora substituído por ansiolíticos


¿dónde está el mal de toda la familia?
hablaron después de jóvenes inviernos
Será el martes como la primera furia
Besos a tus pesos huérfanos de comunión


Noite adentro, padece na parede
Opõe-se tão já como manhã
Apesar de volúvel, era uma densa insônia
Assim, arrastava-se para o aconchego da língua cronista


A textura cronologicamente corroía-se
Vais desafiar como revés de cronômetro
Tua eternidade estarás protegida por periodicidades
Entrega-te à unha bisturi, pode substituir-se por feitos de sogras


As peças enxovais eram rubrica
Dos votos nunca feitos e sonhados por todos
Rogam-nos entretenimento
Malevolência e bênção à combates ou festividades de heróis?


Radar, irei dar-te as tão requisitadas sardas
Se ao menos redimir-me em teus fetiches, deixai a pele cauterizar
Síntese: As flores de seus avós morreram antes mesmo de conceber sua cor
Já a sintaxe faca cega enferrujara no caule do marido Olimpo…

—  Releitura Casamento, Pierrot Ruivo 

Satisfaço-te os atos, pinto o mito
Misturando-o na tinha óleo de seus filhos
Faço rubricas que eximem-se de amarguras
Amasso o toque bélico de uma mão vã


O beijo dado pela quinquagésima vez
Aproxima-me do prazer Narciso
Tão dolorido e dão dito, odiado por menos
A cólera lançada representava a falta de caminhos


Tolo, o toque onça clama por tuas escamas
Sem escalpo de caput, agradeço a gentileza meu bom
Mas o eu fauna fere a breve caça
Asfixiando-o em verbetes semi-novos em tonalizantes lúdicos


A mãe de todas as mazelas não teria nome
Mas a mesma atenderia em meu endereço
Com os adereços de minha pele fálica
Grampeada no filo como sobra


Hipérbole pendendo como pêndulo
Exagerando bom dia com núpcias
Charada com enigma do ano
Afrodite com manequim publicitário


Mama, era erva cidreira
Papa, era coronelismo
Ambos em meu peito
Pavimentavam o rudimentar cavalo de prata


A síntese de prólogo: Uma jura
A resistência do meio: Quereres químicos
O provérbio de esquina: Fábrica de primogênito
Amém de epílogo: Volta-te, meu amado, em alguma sobra do retorno


Verborragia intensa,
Rasga fábulas
Enferruja utensílios
Grita por um bis dissonante…

—  Dadá, Dinastia, Dante - Pierrot Ruivo 

Ó pai, relutante em entregar-te
Momo já está rindo
A avenida clama por teu nome
E eu bem sei, que não vestes toda a cor grená transeunte da paz


Por oferenda adagas
Decepo as sobras da língua
Não duvide da matéria que lhe veste
Tão meta voz que fora tombado patriotismo


Arde em brasa o teu toque
Cala a amargura em beijos
A a tomba de bosões insones
Deixemos à carte dissertar-na como saudade


Desengano amoroso, sorri à deus e flores
O descompasso dos passos eram gracejos
A cidade pólvora sabia,
Lá vai-se o último romântico enfermo. Queimem-no!


Compasso e um vestido clássico
Alongando o silêncio três por quatro
A pupila que imita o suspiro da boca
Que por sua vez roga qualquer coisa contendo ansiedades


Dois lamentos fazem um grito, diria o guru
Então o ditado caíra de três para dois
O quatro poderia ser esquálido
Contudo, sua altura eram feitas por pernas em ‘x’


Magnética energética:
Mãos colam, olhares não descolam
Passos tortos anseiam o encontro, não tarda
Duplas carregadas de mistério lascivo


O solo caricato, também era algo
Num novo arco acompanhado da flecha
E vice e versa. Caberiam até boleros arrependidos
Hoje eu vou rogar um tango áspero nessa solidão cometida

—  A Anatomia Do Tango, Pierrot Ruivo 

O homem verborragia
Faz vista grossa à ponto e vírgulas
Enche o mundo de adjetivos afáveis
Ocupa a linha com tuas queixas


O magno deus loiro
Fora harmônico em pele lisa
Passara um temporada em jardins de janeiro
Onde aprendera sobre rituais e os antevera em sua porta


O ser cerne sobre o músculo
Saboreia a adiposidade
Em teu céu de tecido refletido
Dança e sorri como um forasteiro entretido


A maiúscula ninfa
Fizera-lhe em seu caule
Dor dobra ácida
Cobra dócil, frequência modulada


Imaculável toca do coelho
Alice não fora convidada para passeios
O lar do coelho branco eram miragens em mesas de bares
A próxima visita será uma estádia longa do primeiro ceifador


Tome para si todo e qualquer êxito
Existirá fomentação idílica em cada frase tua
Um grande álibi à fera de mau gosto
Legitimada por figuração de rebarbas paternas


Pentecostal chamado em domingos e feriados
O pedido almeja um despertar em júbilos
Amarrado entre amores, carecer de disfunções,
Longos encontros com a verdade e por fim o pão do fim do dia


A estética ética o veste
Títulos de nobreza o aguardam
O enevoado caput há de ser máscara
Brindes e tapas nas costas ao almirante sucesso!

—  Masculinidade, Pierrot Ruivo 

Abra-te as aspas
Pois aqui, faz-se um testemunho
Segmento mais visceral e menos católico
Cadavérica viagem, ferida fantasiada de casca nos desertos


Uma cabeça equilibrada na outra
Discursando sobre resumos
Apresentando um caput retalhado
Entre verdades pueris e grossas armações


A serpente não viera junto do vestido cor macieira
Portando, a maçã concebida viera da mão do senhor criatura
Creditado a.k.a como feitiçaria explosão deus uníssono
Ecoando outros oito ecos principais fora os que ainda não foram ouvidos


Zela o verbo embaixo da vela
Enquanto, a segunda dança
Varrendo escárnios
Para o rogar da fé oposta


O uniforme forma a fome
Que fomenta ao formol foto
Um fato fictício vira fatídica
Contendo um martírio e escopo de fábula


A morsa convidaria o lobo à um encontro
A beira da praia ambos transariam transes vogais
Originando a pérola e a oferta à ostra
Caída em ostracismos do desfiladeiro pós coral


Parentesco colônia, faz-se força sob o olhar da rainha
Compondo dúzias de horários biológicos
Meu bem, sou-te devoto esta diária diurna
Assim sendo, após mortes solares, verto-me cigarra


E por fim, voltamos ao entreveiro de meio
A serpete tens fome e reclama da indigestão
Se não fores a indigestão, seria o feitio ouroboros jamais supracitado
Senhoril, o caput és vós, eu, simples voz inconsciente, acompanhada de alívio. Fecha-te aspas…

—  Um Longo Parêntesis Existencial, Pierrot Ruivo 

Meus lábios em transe
Confabulando amores à cidade
Maravilha mil, sufocados na turquesa
Duquesa turista vivera como nós em outra época


Salva-se o revisor
Depois de duas tempestades
A bonança viera em forma
De um romance romântico acerto clássico


O locutor dava a notícia
São sete horas diurnas e trinta minutos
Faltam mais doze horas para as primeiras rodas de chope
E o veneno do paraíso passeia neste horário de pico


Castelo pálido
Banho de sangue na encosta
Narciso na selva de pedra
Apaixona-se por reflexos foscos destorcidos


Aportei minha garrafa, a esvaziei em meu corpo
Uma dose à minha sede, o resto dividido entre santos e portos
O mesmo rosto repetido nos filhos loucos do município
A prole pós pólis entrega-se a conjunção Polaris-Gricel  


Em graça de três magos
Venho-te com três presentes
Um poderá ser reconhecido como retorno
O meio um estado de reis e por fim, a fome


Os insetos térmicos poderiam ser traficados
Entre bolsos e fundo de línguas
A estrela seria um idioma de dados viciados
Cuspidos com sorte e soletrados com façanha ao povo


Eu e os meus cães estamos sobre a cortina da chuva
Empolgados com a lábia tropical europeia
Chá frio sem adoçantes e bronzeado de braços abertos
À qualquer divagação sobre a radiação de tinturas de cobre contra tinturas de pele…

—  Estado Unido Disfarçando O Silva Em Sotaques, Pierrot Ruivo 

Completa-me na língua do “e” meu bem
Conjuga-me Édipo e Elektra no mesmo verbo
Um querido movimento retrógrado do querer
Uma mãe para meu filho e pai para o eu filho


Nossas versões foram concebidas em movimentos latinos
Esse dito cujo conceber era em leito camurça coelho
Alice, não tenho tocas ou espelhos,
Porém espelho-me em esperanças inatingíveis


Extinto exorcista canoniza o leite materno
Como dádiva de amor eterno
Tal qual, o seu pai abandonara
E o mesmo interlocutor replica o teorema


Perdera o braço direito por possessividade
Omisso, omitira sua ira
Que sofra a tua digestão motora
Que por si só, já figura como natureza morta


A única dália exagerada
Seria a serviço do senhor monarca
E seu sucessor vestido de avida dollars
Desgraça carapaça esculpida na carcaça


Declamo sobre o leito aformo
Em detrimento de um lirismo
Considerado pelos prostíbulos
Como uniformidade de filhos


Póstuma hiperbólica advertia:
O consumo do bucolismo pelo bruxismo
Causaria ao isopor costume cardume atrito
Aproveita-te a paz fora do asfalto, por hora


O Estado estático economiza
A elegância eficiente escandalosa
E enche o esôfago de embaixadores
Equacionando a errática elipse

—  Dahlia, Pierrot Ruivo 

Monta-me a tua imagem e semelhança
O gosto de teu beijo pelo revés
Revestirá a índole oníssona
Creia e revigora-me em teu sangue


A pele que da forma ao âmago
Celebra o Narciso morfológico
Onde também era dissecado em magias heterogêneas
A gênese seria artista e eu a intersecção física entre Apolo e Vênus


Tentara-me em Roma
Sem maçãs ou romantizadas serpentes
O vil dos vis condecorara-me vil
Por uma cruel vileza dicotômica a sua


A aspa áspera zarpa do porto
Envolvida em muita glicose e escárnio
Fabrica a lepra com meu rosto
Existira demanda a serem atendidas, nada pessoal…


Meu bem, eu temo
Não queira beijar-me agora
Meus lábios fedem à pneus
E minha língua está afogada em sangue de gengivas


Quebra-queixo diluído em dedos anelares,
Casamentos e mártires nunca vistos
Hormônio hipnótico, promessa dos bárbaros
Prometera-me acordar a fera que está adormecida


Destrincha-me como parágrafos e apêndices
Rogando frases límpidas e o temor ao Olimpo
Dissocia-me da carne espelho que reconheço
Oferta-me em suaves prestações à couraça Sebastião


Caro caríssimo, encontro-me ótimo
Mas poderia insinuar-me qual dos garfos a mesa és o da refeição primal?
Espero pacientemente as opostas opções ao banquete
Gostaste de meus panos nobres? Minha respiração leve brisa matutina!? Agradeço-te por servir-me de oráculo e desintoxicar-me de meus vícios. Mesmo que isso deixe-me positivamente mórbido…

—  Reconstruir São Sebastião Na Psique De Dorian Grey, Pierrot Ruivo

O vício expressivo da boca que me cospe à lona
Seria uma irmandade intelectualizada
Versos verborrágicos rasgam minha gengiva
Anseio tua morte com a Roma que farto-me


Os dias eram sextas velando um sábado
O exato momento eufórico de São Paulo
Da-se em semáforos abertos e eternos
Autentificando o tombando expressivo da cidade ao autódromo…


Calabouço robusto recriando Edéns
Espera-te a gratificação de labuta
Sonhar com o consórcio júbilo
Próprio e individual ao conjunto esfera cigarra trabalhadora


Lúdico bruxo com curas nos bolsos
Levara o duplo sexo de Dali
Ao soprar a vertigem para outros olhos
O mesmo era a plateia atenta a novidade


Conjuro Quimeras e seus pais
Sob o teor gráfico do dente de Dante
Resolveremo-nos em uma rinha de risca unhas
Onde quem trincares primeiro serás coadjuvante obsoleto


Meus compatriotas anseiam o submundo
Transformam-se em receptáculo de simpatias
Clamam por Caronte e viagens lunares em mar denso
Pena que seus nomes como caloteiros sempre serão lembrados


Santa ceia em lua cheia,
O vinho seria o sangue do revés
O inimigo rebelde fora solvido em cinquenta gramas de estorvo
O valor agridoce da bebida era atribuída pelo néctar vencido de anjos


Os araras estão em brasa
Suas feras deixam arestas
Aos gachos que tentam acertar-me, faço balanços
E assim, ridicularizo-os em meu escárnio de menino…

—  A Alquimia Deliberada, Pierrot Ruivo 

Pelo olhar da estante, toda a sala
Presa pelo calcanhar de heróis
Bela e impávida
Com um sorriso para receber visitas


Amores, dão sotaques cânones
Por áureas impermeáveis
A ferrugem do próximo amor
Se recuperaria aos pés da carroceria


O lirismo era a carne ao toque
A rima era eu contando bem quereres em tua pálpebra
E à vós, sobras toda a minha juventude de provérbio
Uma textura era costurada sob a colcha de retalhos que nos formam


O destinatário é um outro veículo
Porém, não ofereço o qorpo sacro
Oferto-lhe espelhos a cada palavra
Para admirar-se em pranto como heroica victoriana


Não seria receptáculo por um sonho etéreo
Seria uma alternativa do próprio buquê que me vê
Deixa-me ressentido com o marca texto
Onde decapitares frases empíricas serei público aplaudindo justiça…


A carne primaria, seria revés de montagem
Onde jaz artesãos traçando deuses
Afastando-se das noites índigos
fabricariam-se Adônis à cada pico da vida


A minha chaleira com teus gestos
O bico da chaleira seria teu beijo
O porcelanato minha tapeçaria vidente
O chá o cálcio para o atraso


O anjo urbano, recupera-se em primaveras
A telefônica cospe um Baudelaire cristal
Mais rouco, menos ciumento
E estás a gorar tecnologias teístas ao rebanho…

—  Beijo Mimeografado, Pierrot Ruivo