interesse

Tenho o dom ansioso das análises. As pessoas me passam como o transparente ar, carregam aromas, essências e mil lugares percorridos. Nomes pouco me são de interesse. Pessoas são contos complexos e interpreto suas narrativas. Eu aprendo pessoas, aprendo seus modos e a vivê-las. Agora, se me conheço? Bobagem. Pensar em meus trejeitos me brutaliza uma febre, que sinto, que me dói, que amo? O estômago arde pelo interrogatório mesquinho. Não me consigo decifrar. Não revisito a ferida, não controlo o desmanchar de minhas ânsias, não me fixo a identidade. Estou a escalavrar as paredes de meu crânio pelas minhas ausências, mas não faço questão de visualizar o meu retrato. Deixo-me ser devorado pela feroz estranheza que por anos alimentei.
—  Lorenzo Fonseca
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
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I Coríntios 13:4-7