imobiliária

anotação pessoal II

terça feira. o dia mais aleatório da semana. perto de nada, longe de tudo.
me sinto catatônico. o que me mantém aqui é só a utópica gravidade.
e o relatório que preciso entregar sexta feira.
17h45. meu carro velho é só mais um. a gasolina tá na reserva, penso que logo vou ter que abastecer essa porcaria. mais 20 paus que eu vou gastar. desempregado, falido, desmotivado, catatônico, aleatório. e tendo que gastar 20 paus pra ir de casa pra faculdade. 
olho pra fila de carros na minha frente, ao meu lado, atrás de mim. a sensação é de estar encurralado. no trânsito, na vida, no mundo.
não tem nada pior do que pegar trânsito no dia mais aleatório da semana. me sinto um merda.
o ônibus ao meu lado está cheio. automaticamente, lembro de quando eu mesmo andava de ônibus. lembrei com carinho de todas as pessoas que seguraram a minha mochila cheia de livros de direito. não lembro do rosto da maioria delas, mas acho que as amei.
lembro das paixões que desceram em paradas tão aleatórias quanto terça feira. perdi minhas paixões desconhecidas em uma sequência de terças feiras.
um rapaz está sentado com a cabeça na janela, usando fones de ouvido enormes. é o olhar mais triste do mundo. 
ônibus lotado, abafado, cheio de gente aleatória, ouvindo música aleatória, numa terça feira aleatória. imagino que deva ter umas 100 músicas gravadas no Ipod rachado, que não atualiza faz uns 2 anos, e aperta o modo aleatório tentando encontrar uma música legal, que não existe, porque 2 anos é tempo demais pra permanecer igual. há 2 anos atrás devia existir uma garota bacana, mas agora ele acha que ela é uma vagabunda, e pensa nela enquanto escuta música no modo aleatório dentro do ônibus com fones de ouvido enorme, tentando fazer com que o olhar mais triste do mundo permaneça invisível. eu o perdoo. 
é o olhar mais triste do mundo. podia ser eu. até que o ônibus vai embora… e eu continuo preso no engarrafamento. não era eu, mas podia ser.
no meio da avenida tem um daqueles posteres eletrônicos (eu não sei como se chama aquilo), com letras laranjas indo e vindo. era uma mensagem do CVV. (centro de valorização da vida, pra quem não conhece.)
“solidão, depressão, ansiedade, ligue para 141″
em cima do letreiro laranja que ia e vinha, como um anúncio de imobiliária, tinha uma foto de cerveja. uma moça seminua segura uma garrafa de cerveja, aparentemente trincando de gelada. ela parece tão feliz.
imagino quantas ligações o CVV deve ter recebido após anunciar o telefone logo ali, embaixo de uma garota feliz tomando uma cerveja. 
solidão, depressão e ansiedade… nova droga da moda.
isolar-se, deprimir-se, voltar-se contra o mundo, contra o trânsito e contra a terça feira aleatória. uma revolta gigantesca pulsou no meu corpo. eu quis puxar o freio de mão e descer do carro.
quis seguir o cara do olhar mais triste do mundo. e dizer que tudo bem. eu sei como é. há dois anos atrás eu não tinha carro e tava aí, andando de ônibus, com fones de ouvido enormes, encostando a minha cabeça no vidro da janela como nos filmes antigos, esperando uma reflexão incrível aparecer na minha cabeça e toda aquela merda ser resolvida com uma poesia barata enquanto escutava the doors e achava que ficaria tudo bem quando eu tivesse a merda de um carro.
agora eu to aqui, mais velho, mais barbudo, vendo a solidão sendo anunciada e divulgada em letreiros laranjas. 20 reais mais pobre. dirigindo. somente.
solidão, depressão, ansiedade.
nos corredores de carros da cidade, nos assentos dos ônibus, nos amores perdidos em paradas aleatórias, no tráfego de terça feira em plena hora do rush, nas cadeiras da faculdade, nos cachorros de rua, nos drogados, nos fones de ouvido enorme tocando músicas melancólicas velhas e esgarçadas de 2 anos atrás, no passado, na veia pulsando de estresse, nas famílias, nos vizinhos que não sei quem são, nos assaltos que levam embora os fones de ouvido enormes e as bolsas de senhoras tristes, nos escritórios, no meu antigo trabalho, no meu banco.
e agora, no letreiro laranja indo e vindo em meio a trezentos carros guiados por completos estranhos.
cercado de estranhos, cercados de garotas seminuas felizes tomando cerveja gelada. 
agora, isso. assim, assim mesmo, nu, cru, mercadoria. cada um vende o que tem. 
depressão, solidão, ansiedade. ligue já para 141. 
o sinal ficou verde. liguei pro CVV aquela noite.
uma moça da voz bonita me atendeu e perguntou: em que posso ajudar?
me senti escutando sobre um novo plano do cartão de crédito. 
quase pude ouvir o barulho da garrafa de cerveja se abrindo ao fundo do telefone. alucinação, talvez, mas a vida quis assim. 
eu perguntei quem tava falando. ela disse: “aqui é do centro de valorização da vida, o senhor está passando por algum problema?”
ela precisava que eu estivesse passando por algum problema. ela precisava. ela precisava ir dormir sabendo que ajudou um coitado que queria se matar. logo numa terça feira. eu imaginei ela com um microfonezinho pequeno na boca, esperando a ligação de alguém desesperado. mas ninguém ligava, todo mundo tava no bar, bebendo cerveja. ela tinha a falsa sensação de que o mundo não era dos depressivos, dos solitários e nem dos ansiosos. 
graças a deus. 
desliguei.
pensei no cara do ônibus. 
no letreiro laranja.
solidão, depressão, ansiedade.
na cerveja gelada e na moça sorridente seminua. 
doeu. doeu por mim e doeu pelo cara do ônibus. o olhar mais triste do mundo.
todos os olhares são tristes. 
menos o da moça com a cerveja. não, o dela não.
todo mundo usa fones de ouvido enormes. 
o mundo inteiro está surdo. 
e cruel.

(Cinzentos)

Capítulo 56

– Você está pensando que aceitei a sugestão dos meninos pra te forçar a nos assumir? Está louca! O mundo não gira em torno de você sabia? Ou você acha que me sinto segura com o Cássio em liberdade só porque está sendo processado? Você melhor do que ninguém sabe que nem meu sono é mais tranquilo depois do que aconteceu, o fato de ter sempre amigos ao meu lado é motivo suficiente para aceitar a proposta deles, já que minha namorada não pode estar comigo fora desse mundinho aqui!


– Se o que estou te dando é pouco, não passa de um diminutivo, um “mundinho”, é melhor mesmo você se apressar em arrumar suas coisas, deve estar ansiosa pra se libertar dessas paredes…


Vanessa bateu a porta do quarto com força, se trancou ali amargando um sentimento que nunca experimentara: insegurança. Mais que isso, medo. Medo da perda. Aliado a uma mágoa inexplicável, por se sentir excluída da vida de alguém que ela só desejava estar perto todo tempo.

Clara se jogou no sofá como se o peso do olhar marejado de Vanessa caísse sobre seus ombros de maneira arrasadora. Se por um lado se sentia no direito de estar chateada pela resistência da namorada em assumir o namoro delas, por outro, sentia a culpa nublar o bom senso necessário para tomar decisões naquele momento. Sentia-se culpada por ter escondido quase que inconscientemente o arranjo feito por Junior e Marcelo para sua nova casa.

O silêncio entre as duas se estendeu pela tarde, se configurando em um desafio de forças, nem uma nem outra queria dar o braço a torcer, nem ao menos sabiam como administrar o conflito instalado.

Clara deu o primeiro passo, mas não em busca da reconciliação. Lembrou-se que a imobiliária que administrava seu apartamento era perto dali, optou pela racionalidade, e saiu em busca de informações, imaginando que não seria fácil quebrar o contrato assinado pelo pai. E como supôs, a multa rescisória era absurda, não teria como consegui-la com seus pais sem dizer a verdade, o que provavelmente comprometeria a permanência dela na capital.

Voltou ao apartamento de Vanessa no final da noite, interiormente decidira não retomar às cobranças para tornar publica a relação delas, assim, julgou mais sensato deixar a casa da namorada, voltando para o seu pequeno apartamento.

Vanessa andava de um lado para o outro na sala, relutando em ligar para Clara. A angústia foi maior que seu orgulho, quando finalmente discou o número da namorada ouviu o barulho da maçaneta.


– Clara! Onde você foi? Sozinha?


– Calma, fui aqui perto.


– Posso saber onde? – Vanessa falou mansamente.


– Fui até a imobiliária, ver como fica a rescisão do contrato de aluguel…


– Então você está mesmo decidida…


Vanessa falou com tom triste.


– Precisa de informações práticas, para decidir, e decidi.


– Decidiu?


– Vou voltar para meu apartamento. A multa rescisória é muito alta, meus pais não vão querer pagar e aumentar as despesas dividindo a casa com as meninas.


– Mas… Por que voltar para seu apartamento? Não te expulsei daqui! Eu só estava magoada, com a cabeça quente…


–Ei…


Clara interrompeu Vanessa, tocando os lábios dela com sua mão delicadamente.


– Eu sei que você não me expulsou. E entendo por que você se sentiu pressionada… Mas, não tive essa intenção, estou sendo honesta.


– Não gosto de ser pressionada a nada, mas, pior do que isso, é imaginar te perder…


– Você não vai me perder, só vou voltar pra casa…


– Não quero ficar longe de você, não quero que se sinta sozinha, ou que muito menos, seja outra pessoa que não eu, a te abraçar quando você acordar no meio da noite com pesadelos…


– Eu vou ficar bem Van… Decidi te dar um tempo para você contar aos meninos, então vou respeitar seu tempo…


– Já é tempo! Não precisamos esconder nada, você fica aqui comigo, até quando for necessário, vou conversar com os meninos, vamos abrir o jogo, quero acabar com esse segredo e poder assumir pra todos que estamos juntas!


Clara fixou os olhos no rosto de Vanessa, que exprimia toda ansiedade após pronunciar uma decisão impulsiva, surpreendente para ela mesma, apesar de pesar, e pensar durante toda a tarde o impacto dela na sua vida.

A ansiedade, a expressão exasperada da loira, deu lugar à apreensão. Apreensão despertada pelo silêncio incógnito de Clara que ainda absorvia a decisão aparentemente atropelada da namorada.


– Clara fala alguma coisa pelo amor de Deus!


– Você é louca!


– Hã? Não era isso que você queria? – Vanessa perguntou surpresa.


– Você é adoravelmente louca…


Clara avançou na boca de Vanessa selando com um beijo sua satisfação com a notícia.


– Por um momento tive medo de você ter desistido de nós… – Vanessa confessou acariciando o rosto de Clara.


– Não posso desistir de nós Van… Se fizesse isso, estaria abrindo mão de conhecer o que é o amor, não dá pra desistir tão fácil do amor… Pelo menos é o que dizem por aí.


– Amor?


– Se o amor não é isso que estou vivendo com você, o deixa pra lá, e me deixa estar com você assim pra sempre, colada no seu corpo esperando seu beijo me tomar.


O sorriso de Vanessa falou muito. O seus olhos cintilavam uma emoção honesta, que precedeu o momento de paixão mais doce entre o casal até então. Delicadamente Vanessa conduziu a namorada até seu quarto, sentou-se diante dela na cama, e sem pressa beijou a barriga desnuda que estava à altura de sua boca quando a despiu, desabotoou a calça e em segundos, Clara estava diante dela exibindo seu corpo quente e lindo decorado com a lingerie quase inocente, deixando evidente sua excitação na respiração acelerada e colo ruborizado, ansiosa como se fosse a primeira vez que se entregava a alguém. Vanessa puxou o corpo de Clara sobre o seu e suavemente com o dorso da mão, acariciou a face da namorada que fechou os olhos se deliciando com aquela carícia responsável por sua pele eriçar-se totalmente. Aos poucos o toque delicado deu espaço a um passeio pelas pernas de Clara no qual as unhas de Vanessa intercalaram, hora deslizando com suavidade, hora se encravando nas coxas e glúteos, elevando a excitação ao auge.

Não demorou em Vanessa ler o que o corpo da outra ditava, com os corpos encaixados, se deram. A loira imprimiu seu toque no sexo pulsante de Clara, arrancando gemidos de prazer da namorada que não resistiu ao desejo de estar também dentro de Vanessa, assim alcançaram simultaneamente o ápice.

Durante a semana não mudaram a rotina, dessa vez sem a preocupação de esconder o relacionamento, mas sem alardes, o bom senso e experiência de Vanessa no universo gay e no meio preconceituoso que viviam, ponderou manifestações de carinho em público. Ironicamente, não reencontraram Marcelo e Júnior na faculdade, o que acabou adiando a revelação tão temida por Vanessa acerca do namoro com Clara.

Na manhã de sábado, Vanessa acompanhou Clara até o treino do time de vôlei, seria a oportunidade de esclarecer para as colegas sua decisão de não se mudar para a república delas e confessar aos amigos seu relacionamento secreto com a paixão deles.

O acaso parecia estar brincando o casal, o treino fora cancelado pela reitoria da universidade que agendara para o sábado, a manutenção da rede elétrica do campus.


– Vamos à república dos meninos então… Resolver logo essa pendência.


Vanessa disse decidida. Clara acenou em acordo. Enquanto caminhavam para o estacionamento, o celular da loira tocou, era sua mãe, afastou-se da namorada para atender buscando escutar melhor o que sua mãe falava, mas, em uma questão de segundos a tranquilidade do sábado no campus foi rompida pelo barulho abrupto do motor de uma motocicleta que avançou em direção a Clara.

Antes que a moça se desse conta do perigo, Vanessa gritou correndo em direção a namorada. O veículo foi mais rápido…

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Eeeeeeei Amorinhas!!!!!!

E agora?! Clara só se fode hein?! –’ tadinhaaaaaaaaaaa

Descobriremos o que aconteceu… NA QUINTA FEIRA! Uahsushausbs


Beijos e não me odeiem

Capítulo 43

Max como sempre me acordou, porém senti uma sensação estranha ao acordar, não era como de costume, algo faltava. Olhei para o lado e vi que tinha apenas ele e eu na cama, nada de Vanessa, o relógio ainda dizia ser 06:31, era nossa hora habitual de ser acordada pelo nosso mini despertador.

“Van” Chamei pensando que talvez ela tivesse no banheiro, mas não estava. Assim que falei ‘Van’, Max deu por falta dela e começou a chama-la também, mas ela não respondia. Eu estava curiosa para saber o que a tinha feito acordar tão cedo, afinal era Vanessa e ela amava seu sono, sempre lutava ao máximo para ser acordada e sair da cama.

Peguei Max no colo e desci as escadas, ela não estava na sala, fui até a cozinha e a encontrei sentada na mesa com um monte de papeis espalhados.

“Van! Van!” Max disse animado, Vanessa nos olhou e sorriu, me aproximei dela e lhe entreguei Max.

“Bom dia meu pequeno repolho” Ela disse para Max e o encheu de beijos, meu filho ria e se contorcia no colo dela, dei uma olhada nos papeis, eram contas e mais contas, desisti de entender.

“Seu dia começou cedo” Falei e sentei na cadeira ao seu lado.

“Nem me fale, porém estou adiantando as coisas para poder ter a tarde livre” Eu deveria ter pena dela e me senti culpada, certo? Afinal ela tinha acordado não sei que horas apenas para poder ir comigo de tarde procurar apartamentos, porém eu não me sentia culpada, ao contrário, me sentia feliz.

O mínimo que eu podia fazer para ajudar Vanessa era cuidar de Max e ir na padaria e fazer o café da manhã, fiz todas as tarefas que geralmente dividíamos enquanto ela passou todo o tempo entretida trabalhando com seus papeis e números.

“Você fez faculdade de administração?” Perguntei enquanto preparava o café, eu sabia muito sobre Vanessa, porém ainda faltava muitas coisas para eu descobrir.

“Também. Primeiro eu fiz marketing e depois de formada comecei a faculdade de veterinária, e foi então que conheci a ONG, pois a fundadora da ONG era  uma velha professora minha de veterinária, mas dona Eliana acabou indo para a Inglaterra morar com sua irmã, eu tinha um pouco mais de um ano trabalhando na ONG e aprendendo mais a como cuidar dos animais. Ela foi embora e deixou a ONG sob minha responsabilidade, ser veterinária era útil,  porém a ONG estava sempre gerando baixos lucros, mal tínhamos como pagar pela manutenção do espaço e custear os 15 animais que moravam lá. A ONG não se sustentava e dona Eliana tinha que investir todo mês seu dinheiro para não fecharmos as portas, eu acabei desistindo de fazer veterinária e fui cursar administração” Vanessa tinha o olhar perdido enquanto me contava a história, porém o brilho em seus olhos demonstrava sua felicidade com tudo aquilo “Eu não me arrependo, pois minha intenção sempre foi cuidar dos animais e de certo modo é isso que faço, hoje já não temos mais 15 animais e sim uma base de 125 animais, e por mais que tenhamos dificuldade em pagar as contas, conseguimos paga-las em dia, a ONG se sustenta sozinha, não precisa dona Eliana colocar dinheiro ou qualquer outra pessoa, é claro que vivemos através de doações, é assim que as ONG’s sobrevivem, porém tudo já fica planejado, entende? E também temos outras fontes de renda e fundos de aplicações financeiras. ” Vanessa tinha me contado uma parte da sua vida que eu não sabia, mas apenas me fez admira-la mais, praticamente ela que tinha feito a ONG ser como era e eu tinha orgulho dela por isso, seu trabalho naquele local era incrível, sinceramente eu não tinha entendido muito bem a parte administrativa da coisa toda, porém eu apenas disse que tinha entendido.

“Van, essa mulher que criou a ONG não vai mais lá?” Perguntei curiosa, eu sinceramente todos os dias que ia via Vanessa agindo livremente e sem se preocupar em prestar conta de suas ações, era realmente como se a ONG fosse dela e até os funcionários ou voluntários a tratavam como a dona dali, nada faziam sem a consultar.

“Não, eu apenas lhe mando relatórios mensais e fotos, ela já é bem velhinha Clara, hoje deve ter uns oitenta anos e não mais tem como fazer uma longa viagem de avião, de modo que ela só pode estar presente através de nossas trocais de email”

“Tudo pronto para o café” Anunciei e Vanessa arrumou seus papeis, enquanto ela arrumava suas coisas com calma fui junto de Max acorda May, minha amiga reclamou, porém acabou cedendo e descendo para o café.

Após o café Vanessa foi se arrumar e saiu para a ONG, combinamos que ela voltaria para casa na hora do almoço, May, Max e eu gastamos a manhã toda rodando as imobiliárias do bairro e procurando apartamentos. May voltou para o Hotel, pois a tarde ela teria compromissos a respeito de algo sobre a editora de seu livro, Max e eu fomos nos encontrar com Vanessa em um restaurante para almoçarmos e eu lhe contar a respeito dos apartamentos que eu tinha visto. Quando Vanessa chegou ao restaurante eu já a esperava a alguns minutos.

“Você, como sempre está atrasada” Falei brincando.

“E você, como sempre está chata” Ela devolveu a brincadeira.

Almoçamos e contei a ela que nenhum imóvel tinha me agradado, um era grande demais o outro era pequeno demais, um tinha muitas escadas o outro ficava muito no térreo, o que tinha garagem não tinha play para as crianças e o que tinha play não tinha garagem, o que era perfeito estava precisando de obras e no final, tudo era uma bosta.

“Mano, mas você é exigente hein” Vanessa debochou de mim.

“Meo, você diz isso porque sua casa é perfeita, eu estou em busca do meu novo lar e não posso deixar Max e eu morando em qualquer lugar” Fiz drama, mas Van sabia ignorar esses meus dramas.

“Sobrou alguma para hoje a tarde para vermos ou você já colocou defeito em todos?”

“Sobrou três que ainda não vi”

Vê as três casas com Vanessa foi totalmente diferente de ver as sete casas de manhã com Mayra, as da tarde todas pareciam perfeitas, até mesmo os defeitos delas era aceitáveis, Vanessa tinha o dom de transformar o ruim em bom, eu dizia um defeito e ela dizia a solução. Acabei fechando negócio com o segundo apartamento que tínhamos ido ver, ele não era muito grande, mas ainda assim tinha dois quartos e dois banheiros, a cozinha era aceitável e a varanda e as janelas já tinham tela de proteção, ficava no terceiro andar o que ajudava ao fato de se faltar luz ou o elevador ficar com problema eu conseguiria subir sem dificuldade, o prédio tinha garagem e play infantil, o fato de ficar a duas ruas da casa de Vanessa também fez dele tentador.

A imobiliária me disse que dentro de dois dias entrava em contato comigo, porém provavelmente não teria problemas para eu aluga-lo.

“Você já não é mais uma sem-teto” Vanessa começou a implicar comigo e eu revirei os olhos me fingindo indiferente, porém por dentro eu estava pulando de alegria, enfim teria um lugar só meu, meu próprio lar.

A semana foi corrida, a imobiliária aceitou minha proposta e autorizou minha documentação, eu recebi a chave do imóvel um dia após tê-lo visto, gastei todos meus dias comprando moveis e organizando todo o apartamento, Vanessa me ajudava sempre que podia, porém ela tinha seu trabalho e não podia faltar com ele, de modo que ela apenas podia sair mais cedo e ficar o final da tarde e as noites me ajudando. Era engraçado como o apartamento já estava quase todo arrumado, porém ainda assim no final da noite acabávamos indo para a casa de Vanessa, ela ou eu sempre achávamos uma desculpa para adiar que eu dormisse por lá.

Nossa relação continuava sendo a mesma, nunca conversamos sobre definir limites ou regras sobre a relação,  acima de tudo éramos amigas, na verdade éramos mais que amigas, éramos o apoio uma da outra, melhor dizendo, o complemento. Vanessa me complementava, sem ela eu era apenas metade e eu sabia que completava ela tanto quanto, então não tínhamos o que conversar ou debater sobre isso, ambas sabíamos o que sentíamos uma pela outra e também sabíamos exatamente até onde ir para não magoar a outra, por enquanto isso era o suficiente para continuarmos vivendo de forma sadia, não precisávamos definir nada, até porque tudo era muito recente.

Adrien me ligava dia após dia, porém eu não atendia, sabia que não podia fugir dele para sempre, mas lidar com Adrien exigiria tempo e eu tinha tido uma semana sem tempo algum, de modo que apenas o coloquei em stand by.

“Van, hoje é sexta-feira, merecemos um descanso” Pedi me jogando no sofá da sala do meu próprio apartamento.

“Você está certa, quais os planos?” Ela pediu e se jogou ao meu lado.

“Quando se tem uma criança de menos de dois anos, os planos são: ficar em casa vendo filme e comendo pipoca”

Vanessa riu, por um tempo ficamos caladas observando Max que estava na varanda brincando feliz com seu carrinho, ele ria e dizia coisas que para a gente não fazia sentindo, mas para ele certamente fazia.

“Max, não coloca na boca” Vanessa o repreendeu assim que ele colocou o carrinho na boca, no mesmo segundo ele fez o que ela mandou, era incrível, se eu tivesse pedido ele não tiraria, mas Vanessa ele sempre obedecia.

Eu poderia pedir para minha mãe ficar com Max, entretanto ela me mataria se descobrisse que me separei de Adrien e não lhe contei nada a respeito disso, e ainda para completar, deixei meu filho com ela para curtir a noite ao lado de uma mulher, era melhor não colocar minha mãe nisso.

“Podemos sair e ir no shopping? Praça? Pizzaria?” Sugeri as coisas mais idiotas, porém eram as únicas opções que tínhamos com Max.

“Que horas são?” Vanessa perguntou.

“Acho que vai dar umas vinte horas”

“Podemos tomar sorvete” Ela sugeriu tão empolgada quanto uma menina de uns oito anos.

“Mas é de noite e estamos no inverno, ta frio lá fora”

“Mano, e dai? É sorvete”

“Você é pior que criança”

“Sim, por isso vou ficar enchendo seu saco até você me levar para tomar sorvete”

Não teve outro jeito, acabei me rendendo a Vanessa e fomos tomar sorvete.

“Meo, se o Max ficar doente, você que vai cuidar dele” Eu estava sendo sincera, crianças são sensíveis e a ideia do sorvete tinha sido totalmente dela, então ela que arcasse com as consequências.

“Max é como eu, somos fortes e podemos tomar sorvete até na Sibéria que ainda assim não ficamos doente”


Aparentemente Vanessa estava muito errada, era domingo e tanto ela quanto Max amanheceram com febre, dor de garganta e quase que sem voz. Max estava enjoadinho, chorava por tudo, Vanessa não ficava muito atrás dele, estava dramática e carente e eu tinha que me dividir entre dar atenção aos dois.

“Vanessa, eu juro que da próxima vez que você sugerir algo tipo, tomar sorvete a noite no frio, eu te mato” Estávamos todos na cama, Max e Vanessa enrolados no edredom enquanto eu apenas estava deitada cuidando deles.

“Você não pode brigar comigo, eu to doente” Sua voz era baixa e rouca.

“Ta doente porque é doida, e mais doida sou eu que entrei na sua”

Vanessa fez uma carinha de bebê tão fofa que não resisti, apenas a abracei, seu corpo era quente, ela deveria estar com uns 38°C de temperatura.

“Cuida de mim” Ela pediu, como podia aquela mulher daquele tamanho, que mais parecia uma muralha de tão forte, ficar doente e se derreter tanto assim?

“Eu to cuidando” Respondi enquanto fazia cafuné em seus longos cabelos, aproximei meu rosto do dela e lhe dei dois selinhos demorados, seguidos.

Acabamos todos nós três voltando a dormir, quando acordei novamente já passava do meio dia, levantei da cama com cuidado e consegui sair sem acordar nenhum dos meus pacientes doentinhos, preparei uma sopa para eles, o liquido quente iria os ajudar.

Voltei para o quarto tentando equilibrar a bandeja com os três potes de sopa, entrei no quarto e encontrei os dois na cama abraçados, Max descansava a cabeça no ombro de Vanessa e ela lhe acariciava os cabelos, ambos estavam acordados, porém tão quietos que se não fosse o fato dos olhos abertos os denunciarem eu pensaria que estavam dormindo.

“Trouxe o almoço” Anunciei.

“To sem fome” Vanessa protestou e com certeza Max só não disse o mesmo por não saber falar, pois sua cara com a palavra 'almoço’ não era simpática.

“Meo, se tem que comer pra ficar boa” Entreguei um pote de sopa para Vanessa e sentei Max para lhe dar a sopa na boca.

“Eu não quero” Vanessa colocou sua sopa no criado mudo, revirei os olhos, ela estava dando mais trabalho que Max, pois ele até estava abrindo a boca e aceitando a sopa. Enchi uma colher de sopa e ao invés de direcionar para a boca de Max, direcionei para a de Van “Para Clara, eu não quero” Ela relutou.

“Abre a merda da boca e toma isso” Falei firme, mas não deu resultado. Jesus, que dificuldade “Eu fiz com carinho” Fui doce e mudei de tática “Toma só um pouquinho, se não eu vou ficar triste” Por mais incrível que possa soar, deu certo, Vanessa abriu a boca e aceitou a sopa, depois disso eu alternava uma colher de sopa para Max e outra para Vanessa, até ambos acabarem todo o pote.

“Agora que ambos os bebês já comeram, podem voltar a dormir” Eu me levantei para ir a cozinha.

“Não quero dormir, quero ver filme” Eu não sabia se ria de Vanessa ou se chorava com o trabalho que ela estava me dando. Fui até a cozinha arrumar as coisas por lá e voltei para o quarto, liguei a televisão e coloquei Toy Story, deite-me novamente na cama e no mesmo minuto que deitei, Vanessa se virou para mim e me agarrou do lado direito, Max fez o mesmo e me agarrou do lado esquerdo, não deu cinco minutos até os dois dormirem novamente e eu ficar assistindo sozinha ao desenho.

Eu estava feliz, nunca imaginei que eu, Clara Aguilar, a mulher que vivia de festa em festa estaria feliz por passar um domingo em casa, assistindo a um desenho animado e totalmente imobilizada na cama pelos dois ao meu lado. Se alguém me pedisse para exemplificar a palavra felicidade, definitivamente eu exemplificaria expondo esse momento, pois eu nunca tinha me sentindo tão feliz como estava me sentindo agora.

Capítulo 19

Um mês já havia se passado desde minha ultima conversa com Frank. Em pouco tempo as já coisas haviam mudado. Eu estava cada vez mais próxima de Vanessa e ela cada vez mais próxima de mim. Em um mês conseguimos construir uma amizade, coisa que eu achei quase impossível no começo, e até mesmo o meu interesse sexual por ela havia evaporado, eu estava prezando aquela amizade. Porém, apesar de estar empregada, eu continuava na casa de Mayra. Além de estar em seu apartamento, ela ainda ficava com Max enquanto eu trabalhava a noite. Eu precisava rapidamente encontrar um apartamento para finalmente colocar Max em uma creche, ele precisava ter mais contato com crianças de sua idade. Também precisava contratar uma babá para ficar com ele a noite, já que meu expediente era das 5 da tarde ás 3 da manhã, de quarta a domingo.

Meu celular tocou e olhei no visor, era Vanessa. Ela tinha combinado que iriamos essa manhã ver um apartamento em um condomínio.

- Oi Van.

- Ta pronta? Já estou te esperando aqui embaixo.

- Já to descendo. - Respondi finalizando a ligação enquanto pegava minha bolsa e ia até a sala, onde estava Max e May.

- Tem certeza que você não quer vir? - Perguntei pela milésima vez a May.

- Eu já disse Clara, tenho que resolver umas coisas. - Falou enquanto se levantava do chão onde antes brincava com Max.

Mayra era a pessoa que mais havia me ajudado esse tempo todo, e eu adoraria te-la por perto enquanto escolhia minha nova casa, onde seria minha nova vida.

- Tudo bem então. - Falei pegando Max no colo e me despedindo de May com beijinhos no rosto.

- Espero que dessa vez de certo. - Sorriu.

- Eu também.

Desci com Max e avistei Vanessa encostada na porta do carro olhando para o relógio de pulso, como sempre impaciente. Quando nos avistou ela sorriu e já estendeu os braços para Max, que não exitou em pular para seu colo rindo.

- Oi príncipe. - Vanessa falava com Max. - Cadê meu beijo?

Max lhe deu um beijo, na verdade babou em sua bochecha e riu, ele adorava Vanessa.

- Hum, que beijo gostoso. - Ela disse enquanto enchia seu rosto de beijos.

- E eu como sempre ignorada. - Me fiz de vitima.

- Não tenho culpa do seu filho ser mais atraente que você. - Vanessa disse vindo me abraçar.

- Nossa, valeu. Minha auto estima foi lá em cima. - Ironizei e rimos.

Após esse clima de descontração, Vanessa abriu a porta de trás de seu carro para que eu entrasse com Max, já que ele não poderia ir sozinho la atrás por não ter cadeirinha. Vanessa deu a volta no carro e entrou, então seguimos rumo ao condomínio.

**

Assim que adentramos ao local, de cara eu já gostei. O condomínio era totalmente fechado com muros altos, com direito a cerca elétrica e guarita. Vanessa falou com o segurança e estranhei o fato de ele já conhece-la. Talvez ela tivesse vindo antes de me trazer aqui. Vanessa desceu do carro e abriu a postar de trás, pegando Max do meu colo enquanto eu descia do carro.

- Vamos começar pela parte externa? - Perguntou colocando Max no chão e segurando sua mão.

- Achei que iria ter alguém da imobiliária pra receber a gente. - Entranhei novamente.

- Não será preciso. - Falou simplesmente trancando o carro e andando com Max.

Vanessa nos levou até a área de lazer do condomínio, e eu duvidei que daria conta de pagar o aluguel daquele lugar. Na área externa tinha parque para as crianças, um campo de futebol, salão de festas, piscina e até mesmo uma academia. Olhei para Vanessa com a boca entreaberta. Ela só podia estar brincando.

- Vanessa, você tem certeza que isso tudo aqui da pra mim?

- Acha que eu te traria sabendo que não tem condições para pagar? - Fez a pergunta óbvia, enquanto levava Max para brincar no playground.

Tudo estava estranho de mais para mim, mas resolvi ignorar meu consciente a aproveitar o momento no local. Ficamos alguns minutos brincando com Max até ele enjoar e me pedir colo. Finalmente entramos no prédio, onde tinha até mesmo uma recepção, aquele condomínio todo parecia mais um hotel. Eu tinha certeza que para pagar o aluguel eu teria que vender um de meus órgãos. Pegamos o elevador, e para piorar meu psicológico, o elevador nos levou para a cobertura. Fomos para o corredor e percebi que ali só haviam dois apartamentos. Vanessa pegou uma chave em seu bolso e me olhou sorrindo antes de abrir a porta. 

Quando Vanessa abriu a porta, eu tive certeza que ela estava louca. A porta dava entrada a uma sala toda decorada, com todos os móveis, até mesmo uma televisão que julguei ter umas 50 polegadas. Eu não tive nem mesmo coragem de adentrar no apartamento. Vanessa já estava lá dentro quando olhou para trás e me viu parada no mesmo lugar.

- Você só pode estar me zoando. - Falei. - Não, você está me zoando!

- Clara, você vai entrar ou vou ter que te puxar?

- Não quero me iludir.

- Fala sério, você vai morar aqui. - Ela falou indo até mim e puxando meu braço, porém eu continuei parada.

- Eu não vou entrar ai. - Falei decidida a me virar e ir embora.

- Vamos fazer assim. A gente olha o apartamento, eu te digo o preço, e se não aceitar nós vamos embora, ok? - Vanessa me puxou com força me fazendo entrar e fechou a porta.

Eu tinha medo até de pisar no chão, era tudo muito limpo e muito bonito. Ela pegou Max do meu colo e me arrastou para dentro dos cômodos. Começamos pela cozinha, que assim como a sala, tinha todos os móveis. Depois da cozinha fomos para os quartos que eram 3, sendo uma suíte, mas apenas na suíte havia cama e guarda-roupa, os demais estavam vazios. Depois fomos até o banheiro social e de lá seguimos de volta para a sala.

- Vanessa, nem rola. - Falei já dando minha palavra final.

- Mas a gente ainda nem viu tudo. - Ela disse me entregando Max e abrindo a cortina da sala, onde atrás ficava uma grande porta de vidro.

Ela a abriu e, eu achando que já estava surpresa com tudo, mas ainda não tinha visto aquilo. Ali ficava uma grande área de lazer particular. Uma piscina, algumas plantas espalhadas decorando cada ponto, e o melhor de tudo, uma vista maravilhosa de toda a capital. Eu estava de boca aberta.

- E ai, gostou? - Vanessa perguntou me olhando curiosa.

- Se eu gostei? Eu amei Vanessa, mas… - Deixei as palavras no ar.

- Mas? - Me incentivou a continuar.

- Você sabe. Comecei a trabalhar agora, não posso simplesmente pegar todo o meu salário e pagar em um aluguel, tenho outras necessidades. - Fui sincera.

- Ai é que você está enganada. Hoje eu mandei limparem todo o apartamento, pra deixar tudo perfeito para alguém morar, ou seja, você. - Ela sorriu, agora eu estava mais que confusa. - Apesar dos seus deslizes, você está sendo uma pessoa especial para mim, está sendo uma amigona, então achei que deveria retribuir isso…

- Vanessa, nem continue. Nunca que eu vou deixar você pagar isso aqui pra mim. Na boa.

- E quem disse que vou pagar alguma coisa? - Ela riu.

- Olha, eu não estou entendendo porra nenhuma. - De fato eu continuava confusa.

- Nem eu e nem você vamos pagar nada. Quer dizer, você vai pagar só água, luz, essas coisas. - Vanessa falou me puxando de volta para a sala, pois o vento soava frio e Max não poderia ficar exposto.

- Como assim? - Perguntei me sentando no sofá.

- O apartamento é meu e eu estou emprestando ele pra você, não vou cobrar nada por isso e não aceito um não como resposta.

Carta protocolada no Conselho de Ética do CRECI DF

Ao Conselho de Ética do CRECI/DF. 

O presente documento trata-se de denúncia de várias irregularidades de procedimento de um dos membros pertencentes a este conselho, que tem em sua conduta o total repúdio por esta instituição, haja vista que suas ações são eivadas de má fé necessitando de urgência em sua apuração e aplicação das penalidades previstas, sob pena de gerar prejuízos irreparáveis ou de impossível reparação, o que passa expor:

Ocorre que no dia 03 de novembro de 2011 o Denunciante, Alexandre Magalhães Lopes, brasileiro, casado, portador do RG nº xxxx DF, inscrito no CPF nº xxxxx sta capital, represento por seu advogado, consoante instrumento procuratório anexo, por meio do site WIMÓVEIS, comum no meio do mercado imobiliário visualizou a oferta de um imóvel, apartamento, que lhe interessou, no qual o escritório imobiliário RODRIGUES, situada na QNB 16, Lote 01, sala 204 – Ed. Noleto, Av. comercial Norte – CEP72.115-160, o anunciava.

No mesmo dia da pesquisa após manter contato com o corretor responsável pela imobiliária em análise, ora denunciado, AROLDO RODRIGUES FERREIRA, CRECI nº 10.451, se prontificou a apresentar o referido imóvel situado na CND 01 LOTE 13 APARTAMENTO 802 – Taguatinga-DF, com área de 129m², constituída por 03 quartos, sendo 01 suíte, sala, cozinha, área de serviço e WC social, objeto da matrícula nº 291571, do Cartório do 3º Ofício do Registro de Imóveis do Distrito Federal.

Após a primeira visita realizada, o denunciante demonstrou interesse em adquirir o imóvel, por sua vez o denunciado no mesmo dia insistiu para que já fosse dado um valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) a título de sinal e fechar contrato de compra e venda, apesar de sofrer pressão pelo denunciado, após muita insistência, o denunciante resistiu por não ter a sua disposição no momento todos os documentos necessários que comprovava a propriedade da vendedora, bem como outras certidões negativas, a fim de viabilizar o negócio jurídico, haja vista que parte do valor pago pelo denunciante/comprador ocorreria por meio de financiamento junto a instituição bancária Banco do Brasil, diante disto foi remarcado novo encontro para o dia 04 do mesmo mês para finalizar o negócio.

Neste dia foi realizado o primeiro contato com este causídico que esta subscreve, com a finalidade de prestar segurança jurídica as partes contratantes, no qual o denunciado corretor Aroldo já revelou seu comportamento desrespeitoso e sem ética, de modo que sempre deixava claro a insistência pelo negócio jurídico naquele momento independentemente de qualquer segurança jurídica para ambas as partes.

No transcurso dos dois dias anteriores ao novo encontro, foi enviado pelo denunciado um modelo de contrato de compra e venda, no qual este causídico promoveu as devidas alterações, com fim de assegurar a finalização saudável do negocio jurídico.  Ficou acordado entre as partes que o contrato de sinal era um contrato inteiramente condicional, no qual somente após ocorrem as condições das partes é que este vigoraria, condições estas tais como:

R$ 40.000,00 (Quarenta mil reais mil reais), pagos à vista, por meio do cheque de n° -850061, Agência n° 4886, Conta corrente nº 27983-8, Banco do Brasil  emitido pelo(s) Comprador(es), a título de sinal de negócio, sendo que este só poderá ser descontado após apresentação de todas as certidões negativas exigidas pelo Cartório de Notas e pelo Banco financiador, relativas ao imóvel e da vendedora, sendo que o cheque de sinal  ficará em posse  da imobiliária aguardando aprovação do financiamento. Caso o financiamento não seja aprovado será devolvido sem nenhum ônus para ambas as partes.

R$ 34.000,00 (Trinta e Quatro mil reais) serão pagos através do FGTS no ato da assinatura da escritura.

R$ 296.000,00 (Duzentos e Noventa e  Seis mil reais) pagos através de um financiamento bancário, do  Banco do Brasil. (tópicos retirados do contrato entabulado pelas partes)

Numa das certidões apresentadas neste dia da vendedora, constou ainda, um remanescente de custas num processo judicial em desfavor da vendedora, bem como um problema de cadastro relacionado à regularização do CPF, de forma a prejudicar a aprovação do financiamento pelo Banco do Brasil, bem como restou fartamente acordado entre as partes que a carta de crédito pré-aprovada pelo denunciante não detinha o valor suficiente para pagar o valor integral do respectivo imóvel, portanto era necessário um novo pedido de análise do processo junto a instituição bancária.

Presentes todos estes entraves, ficou condicionado o início da vigência do contrato de compra e venda e sinal de pagamento, com o desconto do cheque no importe de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) a título de sinal, a aprovação do financiamento e a apresentação das certidões negativas da vendedora, conforme se extrai das cláusulas contratuais acima colacionadas e ainda os e-mails anexos a presente. Após elaboração do contrato com os termos acima referendados, restou pendente assinatura dos filhos da vendedora, de forma anuir com a venda do imóvel, tendo em vista que a vendedora vivia em união estável com seu companheiro a mais de trinta anos e este havia morrido há pouco tempo, podendo o referido bem integrar o patrimônio sucessório dos filhos do casal, mesmo o imóvel constar apenas em nome da vendedora.

Diante disto, o contrato foi assinado por ambas às partes naquela ocasião e o cheque no importe de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) também foi entregue nominal a vendedora, sendo este condicionado sua apresentação a implementação das condições.

Após algum tempo de espera para colher as assinaturas dos filhos a vendedora devolveu as três cópias do contrato para o denunciado, para que este pudesse entregar ao denunciante para reconhecer sua firma, mas neste meio tempo ocorreu a negativa de crédito no montante em que as copias dos contratos encontravam-se na posse do denunciado, diante disto por mais que fosse pedido inclusive a revisão para a concessão do crédito, esta não ocorreu, contudo apesar de ter a previsão de resolução do contrato por não ter sido operada a condição principal, o comportamento do Denunciado/corretor foi totalmente divorciado de um comportamento ético e respeitoso, ao revés se comportou temerariamente desrespeitando o denunciante e sua esposa, bem como este causídico que esta subscreve, pois negou a devolução tanto do contrato, quanto da cártula de cheque, ação em total afronta ao código de ética que regulamenta a atuação dos corretores inscritos no CRECI/DF:

Art. 3° - Cumpre ao Corretor de Imóveis, em relação ao exercício da profissão, à classe e aos colegas:

VI - exercer a profissão com zelo, discrição, lealdade e probidade, observando as prescrições legais e regulamentares;

V - observar os postulados impostos por este Código, exercendo seu mister com dignidade;

VIII - zelar pela própria reputação mesmo fora do exercício profissional;

Para assegurar o negócio e seus honorários no valor de R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), conforme se extrai do respectivo contrato, o denunciado ofereceu ao denunciante, para aprovação do referido financiamento, alteração na sua declaração de imposto de renda, burlando o fisco e cometendo crime contra a ordem tributária, afirmando que na próxima declaração o denunciante faria a correção, esta de fato não é uma conduta pautada nos preceitos éticos e morais que remontam este tão respeitável conselho, de modo que feriu de morte o código de ética da profissão, consoante dispositivo lá contido:

Art. 4º - Cumpre ao Corretor de Imóveis, em relação aos clientes:

III - recusar a transação que saiba ilegal, injusta ou imoral;

V - prestar ao cliente, quando este as solicite ou logo que concluído o negócio, contas pormenorizadas;

Outra medida tomada pelo denunciante foi não mais atender os telefonemas realizados pelo denunciante, sua esposa e este causídico, quando atendia tais ligações negou peremptoriamente em devolver os contratos assinados pelas partes e a cártula de cheque acima descrita. Passou a recusar qualquer tipo de contato para resolver a pendência e todas as vezes que atendia os telefones detinha comportamento extremamente “grosseiro” como se pudesse reter tais documentos em sua posse, chegou a dizer absurdo a esposa do denunciante que “ela deveria baixar a bola, pois não tinha dinheiro para pagar o imóvel”, num dos contatos com este causídico este o tratou com aspereza e se negou a entregar os contratos assinados e o cheque.

Desmarcou por várias vezes após ter se comprometido a atender, se negou também a atender em seu escritório imobiliário e por fim se portou totalmente contrário aos preceitos que direcionam a profissão, conforme o código de ética que rege sua atuação como corretor.

No último contato com o denunciante, quando este lhe requisitou que lhe fosse entregue o cheque e sua via do contrato, informou que havia perdido os documentos e que este tinha até o dia seguinte para comprar o imóvel, pois se assim não o fizesse deveria aguardar para conversar com os advogados, se valendo da condição de estar em posse dos contratos para coagi-lo a fazer negócio que não possuía recursos para fazer, mais uma vez descumprindo o código de ética que regulamento a profissão:

Art. 4º - Cumpre ao Corretor de Imóveis, em relação aos clientes:

VI - zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica do negócio, reservando ao cliente a decisão do que lhe interessar pessoalmente;

VII - restituir ao cliente os papéis de que não mais necessite;

Art. 6º - É vedado ao Corretor de Imóveis:

XVIII - reter em suas mãos negócio, quando não tiver probabilidade de realizá-lo;

De modo temerário e totalmente contrário ao contrato, o denunciado teve a iniciativa de depositar o cheque sem informar ao denunciante colocando em risco a conta bancária deste, somente de forma maliciosa com único interesse de prejudicar o denunciante, observa-se que o depósito do cheque em sua conta, uma vez que o cheque fora endossado pela vendedora, revela mais um descumprimento do corretor denunciado em total confronto ao código de ética que regulamenta a atuação profissional dos corretores em Brasília:

Art. 6º - É vedado ao Corretor de Imóveis:

XX - receber sinal nos negócios que lhe forem confiados caso não esteja expressamente autorizado para tanto.

Observado todos estes acontecimentos, somente restou ao denunciante procurar a 27ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, por se tratar de fato típico o comportamento do denunciado, pois trata-se de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do Código Penal), apropriação indébita (art. 168 do Código Penal), por se negar a devolver contrato que não era parte e assim mero intermediador, em estrita atenção também ao código de ética:

Art. 5° - O Corretor de Imóveis responde civil e penalmente por atos profissionais danosos ao cliente, a que tenha dado causa por imperícia, imprudência, negligência ou infrações éticas.      

O objeto da presente denuncia tem por intuito requerer a instauração de processo disciplinar para apurar todas as ações ilícitas e em confronto com o código de ética com a aplicação das punições previstas na legislação vigente, sem prejuízo dos processos cíveis e criminais a serem manejados.

Posto isto, requer que seja deferida a fiscalização imediata no escritório imobiliário, cujo proprietário é o denunciado, de forma que este restitua os contratos e o cheque que encontra-se em seu poder, pois tais documentos em seu poder poderá gerar maiores prejuízos ao denunciado dos que já gerou até o presente momento, uma vez que mesmo sem autorização e em total descumprimento do contrato e do código de ética depositou o cheque com intuito único gerar prejuízos.

 

Brasília/DF, 01 de dezembro de 2011.

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e quando a gente foi no centro fechar o contrato na imobiliária, o piso da praça escorregava de chuva e você me escorou pra eu não cair
e eu pensava que seria tão fácil gostar de você se você gostasse de mim
mas aquilo era um tipo de despedida
e você nunca disse ‘fica’
então eu só fui