ideias interiores

O silêncio recai, soturno, singelo, e sensível. E meus olhos nada mais fazem a não ser chorar. A escuridão do meu ego sucumbiu meus sentidos que mórbidos, persistem apesar da tendência de se exaurirem. É como se tivessem cortado meu cerebelo, fazendo o equilíbrio da vida esvair-se de mim. Permaneço caído, qualquer direção a qual eu tento seguir parece ir de encontro a um abismo. Me dói fechar os olhos, para reabri-los e absorver a mesma escuridão ambiente. Meus pedidos de socorro são inaudíveis, e parecem ecoar de volta em meu vasto vazio interior. A ideia de mover-me é nada mais que um borrão. Orar talvez seja inútil, estou preso a essa dor constante. A intenção de fugir ainda é plausível, porém o ato de fazê-lo já não me pertence.
—  Edmundo Hertel