hysteriababy

Tô me mudando… Tô acordando do outro lado da cama, tô trocando a noite pelo dia, tô sambando sozinha aquela dança que era pra ser de grudadinho… Tô passando a apreciar as estrelas com mais frequência, tô mudando minha essência, tô espalhando sabor de chuva pela casa ao invés do aroma floral de sempre… Tô admirando novos sorrisos, me aprofundando em novos olhares e pintando novos quadros… Tô criando um novo eu, escrevendo uma nova personagem, um pouco mais impecável, um pouco mais afável… amigável, talvez… Tô rasgando as páginas antigas das quais minhas lagrimas mancharam conforme eu escrevi e tô escrevendo outra história, decorando as laterais da folha com coraçõezinhos e sorrisinhos até… Tô acordando mais com o pé esquerdo e, quer saber? Do lado esquerdo tá tudo mais bonito! Tá mais ensolarado, mais simples, mais alcançável aos meus sonhos e eu estou adorando… Porque me disseram que essas coisas não mudam, que a vida deixa cicatrizes que doem a vida toda… Mas lhe digo uma coisa: as minhas já estão da cor da pele, nem as vejo mais. Não lembro onde estão e o que as causou e nem faço questão de lembrar. Só lembro que elas existem e que me provam: sou mais forte do que todos vocês pensam!
Daí agora to assim, mudando de coreografia… Porque eu dei a volta ao mundo, mudei de nome e me reinventei… Hoje sou rainha…
(…) Esta era a segunda manhã em que acordei com aquela terrível sensação de que tudo daria errado. Mas eu não me contive, não me encolhi e nem me escondi dentro do armário. Finalmente percebi que estava na hora de mudar! Então saí dele! Exatamente! Não me dei como Freddie Mercury, mas me embalei na musica e finalmente me libertei!
Picotei a tristeza e as incertezas e as joguei no lixo, não as guardei no fundo da gaveta como sempre fazia, para enfrentá-las mais tarde. Eu sabia que nunca conseguiria enfrentá-las dessa forma! Fugir nunca foi uma solução! E assim que finalmente me desfiz desses desgostos da vida, eu já me senti mais leve. Depois desses breves cinco minutos refletindo, eu já estava dançando pelo quarto, mesmo que ainda fossem quatro da manhã. E quando o vizinho do andar de baixo bateu em minha porta para reclamar do barulho, eu o puxei para dançar comigo.
“Você é louca”, foi o que ele me disse.
E sou mesmo, meus caros. Mas sabe, talvez fosse isso o que estivesse faltando em minha vida: um pouco de loucura!
Porque nada se resolve sozinho, muito menos aquelas incertezas guardadas no fundo da gaveta que te atormentam todos os dias as quatro da manhã. A felicidade bateu em minha porta novamente e dessa vez eu não vou deixá-la escapar! Levou tanto tempo correndo atrás, pra que abaixar a cabeça agora?
Eu vou é puxá-la para dançar comigo, curtir o som e sorrir um pouco mais. Vou pular, gritar, me fazer criança e pensar que é possível flutuar. E se aqueles desgostos voltarem para me atormentar, vou enfrentá-los e tentar tornar deles novos risos. É isso o que chamam de “aproveitar”? Pois é, então eu vou aproveitar um pouco mais. Porra nenhuma vai dar errado hoje, e sabe por que? Porque eu não vou deixar!