homem sol

— Não sei como esse homem trabalha com tanto sol, tanto calor e tanto mosquito! exclamei.
Meu pai cravou-me os olhos amigos.
— No entanto tu não prezas o trabalho desse homem.
— Eu? bradei surpreendido.
— Sim. Ontem à noite, quando brincavas de rei, disseste que não ias deixar de atender a um príncipe para atender a um trabalhador de enxada. Um trabalhador de enxada, meu filho, é maior do que um príncipe, quando o príncipe vive na ociosidade. O homem só vale quando trabalha e o trabalho, seja ele qual for — o de enxada ou qualquer outro — é digno e nobre desde que seja honesto.
—  Viriato Corrêa, no livro “Cazuza”, São Paulo: Editora Nacional, 1992