homem sacola

Em Seus Olhos - Cap 6

-  Boa Noite senhorita! – os funcionários me deram boa noite, eu só pude acenar. Subi para o meu quarto, joguei minhas roupas no chão e tomei uma ducha, a água caiu tão bem, relaxando meus músculos. Quando sai do banheiro, vi que estava chovendo, resolvi mandar uma mensagem para ela.

Para: Garota da chuva

Espero que você não esteja na chuva

Coloquei uma blusa qualquer que não fosse necessário usar um shorts, Peguei um refrigerante no frigobar, apaguei as luzes, e me joguei na cama. O visor do meu celular acendeu, com a nova mensagem recebida.

De: Garota da chuva

Na verdade, agora está meio complicado de responder, não consigo cobrir o celular todo, e ele vai ficar todo molhado se eu continuar escrever.

O refrigerante quase voou no visor do meu celular, ela estava na chuva? Uma hora dessa? Sozinha na rua? Eu me levantei e comecei a me vestir, ela ia acabar doente ou algum louco pervertido poderia se aproveitar dela, então o meu celular acendeu novamente.

De: Garota da chuva

Brincadeirinha =P

Me sentei na cama, com metade das calças colocadas, tirei-as com os pés e deitei.

Para: Garota da chuva

Eu estava indo para ai nesse exato momento ia trazer você pra cá, onde eu pudesse ficar de olhos em você. Aprecie a chuva pela sua janela, pelo menos hoje.

Seria bom se ela fosse pra chuva agora, pensando bem, assim certamente eu cumpriria minha ameaça.

De: Garota da chuva

Ai  ai ai, senhora autoritária, pode ficar sossegada, estou apreciando a chuva de dentro do hotel, durma bem.

Eu sorri com sua mensagem, virei o ultimo gole do refrigerante e respondi.

Para: Garota da chuva

Boa Noite! Durma bem também, e até amanha.

Deixei o celular na cabeceira e me virei pra dormir.

A caminho da reunião liguei o som do carro e reconheci a musica, era a mesma que ela cantou no bar aquela primeira noite, eu aumentei o som e deixei a musica invadir, lembrei dela cantando e segurando o garfo, seu cabelo bagunçado. Isso me alegrou, e eu ainda ia vê-la mais tarde, eu já estava sorrindo.

Para: Garota da chuva

Liguei o som e está tocando a musica que você cantou no bar, a que você ama e não deixa que as pessoas a sua volta falem com você, porque você está cantando =D Bom Dia.

A musica havia acabado, sai do carro e fui para o escritório de Richard, encontrei Luis no hall.

- Bom Dia Clara!!

- Bom Dia Paul! Entramos no elevador.

- E então você vai me contar agora o que foi aquilo ontem no restaurante?

É lógico que ele iria perguntar pensei comigo.

- Aquela é uma amiga minha, e eu não sabia que ela iria aparecer no restaurante, ela me mandou um papel com uma piada interna, foi só isso.

- Ela é bem bonita! Richard ficou impressionado, ele vai querer saber sobre ela.

- Ele vai?

Na sala de reunião Richard estava sentado e conversando ao celular, assim que entramos ele nos cumprimentou com um aceno. Continuou falando no seu telefone. Luis pegou alguns papeis e deixou na mesa, eu estava observando o dia lá fora, ate que Richard desligou seu telefone.

A reunião foi como esperei, fiquei ciente das estruturas e o que seria necessário para que o projeto fosse aplicado.

- Nos podemos agendar um dia na próxima semana para visitarmos o local, o que você acha Clara? – Richard estava dizendo enquanto me mostrava algumas fotos, o celular de Luis tocou e ele revirou os olhos, pude adivinhar que era George, Luis começou a falar com ele, enquanto eu lia um dos papeis. Richard se aproximou mais.

- Então Clara, quem era aquela garota que saiu com você no restaurante? Sua amiga, devo dizer – me recusei a olhar para ele, continuei com os olhos nos papeis – Ela faz? … Você sabe! – e pude ouvir um sorriso em sua voz – Ela é muito bonita, você poderia passar o telefone da agencia  dela pra mim? Meu sangue começou a ferver, olhei friamente para ele sem erguer minha cabeça, com meu olhar percebi que ele ficou desconfortável.

- Calma Clara, me passa só o telefone da agencia, eu não irei machucar sua amiguinha.

Coloquei o papel calmamente na mesa, me levantei ainda olhando friamente para ele, Luis nos olhou enquanto ele tentava cortar George.

- Ela não é o que você está dizendo, e nosso relacionamento aqui é profissional, e em nenhum momento dei liberdade a você para conversar desse tipo. A partir de hoje você trará os assuntos com o Luis. Não refira-se a ela dessa forma ou nenhuma outra.

Luis ficou mudo no telefone e ficou nos olhando, me virei e fui para o corredor. Pude ouvir Luis desligando com George e falando com Richard em seguida.

Eu já estava no meu carro quando meu celular tocou.

- Clara… – Eu disse, era Luis.

- Eu não quero  ele e nem ninguém se intrometendo na porra da minha privacidade… sem mais e nem menos, ou ele trata com você ou não tem acordo …sim, diga que você me passara as informações ..há outros vendedores… sim Luis, eu gostei desse terreno… nos falamos depois.

Desliguei o celular, eu tinha o resto do dia livre, pensei em ligar para Vanessa, mas vi que ela não havia respondido minha mensagem ainda. Eu esta próxima ao hotel. Eu ainda estava extremamente nervosa, não queria voltar para a empresa, dei a volta no quarteirão, eu ia ligar o som e voltar ao hotel, mas foi quando a vi sentada em um banco perto de alguns moradores de rua, diminui a velocidade e estacionei o carro atrás de um caminhão de entregas na frente de um restaurante, assim ela só conseguiria ver o meu carro se ele olhasse pelo outro lado da rua.

Havia um homem sentado no chão com uma mulher ao seu lado, e atrás de uma moita saiu uma criança e era uma menininha de cabelos loiros. O que ela estava fazendo lá com eles? E se ela já estava acordada porque ela não tinha respondido minha mensagem? Olhei de novo meu celular, ela não havia respondido mesmo.

Aquilo era perigoso, por mais que houvesse uma criança junto! Ela estava conversando e sorrindo com eles, achei melhor esperar e ver o que mais aconteceria. Depois de alguns minutos ela se levantou,, liguei o carro, mas ela foi ate o restaurante onde o caminhão estava fazendo entregas. A família ficou no mesmo local, a criança apontava para o restaurante e seus pais sorriam carinhosamente para ela enquanto explicavam algo.

Havia um cachorro com eles também, a criança foi até ele passar a mão. Vi Vanessa voltar, ela se sentou no banco o cachorro pulou pedindo sua atenção e deixou que ele lambesse seu rosto todo, então a criança foi até ela e pediu colo. Ela colocou a menina em seu colo, e continuou conversando com seus pais. As pessoas passavam na rua, olhavam para aquela cena, provavelmente sem entender assim como eu.

Ela levantou novamente com a menina em seu colo e atravessou a rua, continuei no carro, alguns minutos depois ela voltou com um jornal debaixo do braço e a menina no colo, que aprontava em direção aos outros moradores. Vanessa sorriu e fez que sim com a cabeça. Ela entregou o jornal ao homem, que abriu e começou a procurar algo, Vanessa entregou a menina para a mulher e o cachorro foi novamente lambe-lá. Vanessa jogou o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, ouvindo algo que o homem tinha a dizer, ela concordava com a cabeça, vi que ela olhou para o relógio.

Vanessa levantou de novo, esperei, ela foi novamente para o restaurante. O homem continuou olhando para o jornal, a mulher estava com a menina no colo, mas estava procurando algo em uma grande sacola, ela tirou uma garrafa de água, e jogou nas mãos, como se estivesse lavando-as depois fez o mesmo com a menina passando a garrafa para o homem.

Vanessa voltou trazendo sacolas, um garçom do restaurante veio atrás trazendo mais algumas, ela agradeceu e deu algo a ele. Então ali no meio daquela pracinha no banco sentados, eles começaram a comer.

Ela havia comprado o almoço daqueles moradores e também estava almoçando com eles, mas porque aquilo? Ela poderia só ter comprado o almoço e saído, não é assim que algumas pessoas fazem? Porque com ela tudo era diferente?

Eles almoçavam sorrindo, a mulher dava de comer a menina e Vanessa tinha colcoado em um alumínio comida para o cachorro também. A cena durou mais uns quinze minutos. Ate que se levantou e se despediu deles, pegando as sacolas com os lixos e levando ate uma lixeira próxima. Ela deu um beijo na menina e brincou mais um pouco com o cachorro, então atravessou a rua, colocando as mãos no bolso traseiro indo embora. A família ficou no mesmo lugar, a mulher deu um beijo na menina e depois um beijo no rosto do homem. Eu liguei o carro, como eu imaginei Vanessa estava indo em direção ao hotel, estava entrando quando parei o carro.

Decidi comer alguma coisa, fui para o restaurante de ontem, fui a pé, deixei o carro perto do hotel que ela estava hospedada. O tempo estava esfriando de novo, a garoa estava começando a apertar, mas decidi continuar a pé. Era como ela havia dito, era como se eu precisasse sentir a garoa e o vento no rosto.

Senti meu celular vibrar, era uma mensagem de Richard, Droga!

De: Richard Terreno

Eu não quis ofender Clara, ela deve ser especial para você, espero que possamos continuar os negócios.

Para: Richard Terreno

Ok. Os negócios serão tratados diretamente com Luis.

Enquanto almoçava, senti meu celular vibra novamente, apertei o garfo com um pouco mais de força, para o meu alivio não era de Richard, era da Vanessa.

De: Garota da chuva

Belief, makes things real makes things feel, feel alrigth. Belief, makes things true things like you, you and! É que eu canto muito bem, e as pessoas tem que ouvir minha bela voz enquanto canto ¬¬ Bom dia e boa tarde!

E lá estava eu de novo sorrindo olhando para o telefone, comi mais um pouco e digitei com o celular na mesa uma resposta.

Para: Garota da chuva

Eu gosto quando você canta, como tem sido seu dia?

De:  Garota da chuva

Você tem um péssimo gosto, vou trocar seu nome no meu celular de autoritária para péssimo gosto, e meu dia tem sido muito bom, vou terminar meu banho e fazer mais algumas coisas, o que vamos fazer hoje mais tarde?

Meu coração de repente se encheu, eu não sabia o que era, me senti dez  anos mais jovem, mais leve, mais feliz, comecei a desconfiar de que eu estava me apaixonando. Não era mais interesse físico ou qualquer coisa do tipo, o problema era que eu a conhecia somente há poucos dias, e meu cérebro insistia em dizer que não podia ser paixão, contrariando todos os outros sentimentos.

Para:  Garota da chuva

Quer dizer então que estou como autoritária? No meu você está como Garota da chuva, eu não tenho péssimo gosto, isso eu posso garantir. Eu estou com a tarde livre, como você estará ocupada, vou voltar para o hotel agora, mais tarde te digo o que faremos hoje. Assinado senhora autoritária.

Voltei para frente do hotel, fiquei alguns segundos olhando para os andares antes de entrar no carro.

No caminho de volta, vi um cartaz que me fez parar, era isso que faríamos hoje de noite, desci e fui comprar os ingressos.