hoje eu to com problemas

diários noturnos #5

não sei onde o caminho das pedras leva. eu queria saltar do alto dos meus vinte e quatro anos com as sutilezas todas e deixar só as palavras secas como comunicação afetiva. os gestos molhados me afastaram de mim.. quantas vezes tive que me explicar, gaguejar, sentir perdão e falta, porra, logo eu.. as pessoas pensam que eu me sinto e me acho demais.. acontece é que só eu boto fé em mim, e esse tem sido meu mantra, não pra ganhar likes e corações, nem pro famigerado sucesso..

É mais pra continuar vivo.

não é que eu seja mal agradecido, nem que não saiba admirar um céu estrelado - mas vocês não podem me julgar só pelo fato de que eu acho uma idiotice bater palmas quando o sol se vai leste a diante naquela praça da vila madalena. vocês não podem me julgar porque eu utilizo as redes sociais como ferramenta política. não podem me reduzir a um chato sem gosto e sem sal, um falador, um meia dúzia, eu não sou só essa moldura. eu tenho contexto e lugar, decadente e dissipado.. é verdade.. mas ainda existem narrativas nas quais eu posso me encaixar. É que eu tenho fechado os olhos e sentido vergonha de fazê-lo em praça pública. é como se eu não pudesse aproveitar meus delírios porque não é só a paranoia que me ronda, nem a ansiedade, é também a sombra do ceifador..

Convivi demais com a morte, e não atoa, já perdi pessoas importantes demais. não sou um desapegado, mas as dores acostumam e até um tchau vicia os lábios de tanto falar. odeio velórios como odeio o bolsonaro. andar por aqui é andar pisando em ovos de codorna, de formiga, quantas vezes foi preciso driblar meus pensamentos pra não acabar cortando o caminho?

e no fim já sinto como se a minha presença fosse transparente - alguns entendem perfeitamente que não tenho mais peso nenhum. porra, eu só queria sair por aí e conhecer gente nova, sabe, sujar meu tênis com terra, ficar bem louco e brincar com o cachorro da rua. rir. esquecer que o amanhã é um bem bolado, que já foi comprado, que não tem mesmo pra onde fugir.. eu sou só um nerd com problemas de sociabilidade, eu sei disso hoje como sei com quem ficou aquele anel que a gente jogou no lixo.. eu simplesmente não sei como iniciar ou continuar uma conversa mas juro que não tem nada de interesse quando eu jogo um sorriso aleatório. é que a conexão, rara, sublime, que existe numa conversa, é minha droga favorita.. eu amo o fato de estabelecer um diálogo quando acontece.. quando acontece das barreiras todas caírem e da ponte solar..

Veja bem, não é um fato isolado. Os parenteses são necessários.

quero ouvir suas histórias mas também quero contar as minhas. Servir o tempo de palavras e poder lembrar daquele verso estranho que li no livro de poemas do meu pai. quero ser eu sem sentir o incômodo latente da minha força gravitacional - mas não deixo de mudar meus laços.. tenho forçado o meu silêncio, a não-opinião, desde que comecei a estudar o zen. acontece que a saída para o meu caos mental é triste demais, é triste demais me voltar para a individualidade sendo que meu passado é um turbilhão.. não adianta não, eu errei demais e continuo errando, mas ontem quando senti medo.. abri as portas da memória e larguei de verdade um único segredo nas ondas..

parece que eu fui longe demais nesse diário.

câmbio. desligo.

Oi, de alguma forma você está lendo esse texto, talvez eu não esteja mais aqui quando você ler isso, mas quero que me entenda, eu não te conheço, mas quero que você me conheça. De alguma forma, devido a vários motivos, perdi a vontade de viver, e perder a vontade de viver, não é uma coisa muito legal, não é algo muito saudável, digo isso por experiencia própria. Me colocando no seu mundo vou tentar descrever como é “perder a vontade de viver”. Sabe aquele dia que você acorda muito cedo com o despertador e a primeira coisa que você faz é desliga-lo porque você está com preguiça de acordar, porque não quer levantar da cama ? Então, quando a vida perde o sentido isso vira rotina. Nós, perdidos nessa vida, não colocamos mais o despertador, vocês ainda tentam acordar e levantam do mesmo jeito. Porém, quando perdi o sentido da vida a unica coisa que eu queria era nunca mais ouvir o barulho do despertador. Agora, para ficar mais claro, quero tentar dar outro exemplo. Sabe quando você toma um café quente e doce em um dia frio ? Ou quando você come algo que você gosta muito. Sinta, você sente um prazer muito grande naquilo e quando você vê o que estava bom acaba e você fica querendo mais - talvez você me chame de dramático, mas vou explicar agora - infelizmente, sem a vida a gente perde esses prazeres, é como se o café ficasse sem gosto, como se o chocolate ficasse amargo, daqueles que só sua avó gosta, até que você não quer mais, não sentimos mais aquele vontade de querer de novo, de viver mais um dia. A vida perde o sentindo e você simplesmente não sente mais nada. Para pessoas que vão me julgar: eu entendo vocês, tudo bem. Vocês vão dizer: “podia ter pedido ajuda”; “para de frescura”;“só quer chamar atenção”. Gostaria de responder; Você sabia que as pessoas cansam de pedir ajuda ? A gente pede, em cada olhar e em cada gesto, porém, você  está sempre muito ocupado para perceber os sinais, afinal, na sociedade de hoje é cada um com seus problemas. “Para de frescura”; Eu não consigo entender, acha mesmo que eu quero fazer isso comigo ? EU NÃO QUERO, todos os dias eu acordo querendo sentir algo, sentir alguém me puxando, não dá, eu não consigo me levantar sozinho, e eu já tentei, já tentei muito, mas a gente cansa, não é frescura é cansaço. “Só quer chamar atenção”; Para mim, essa é uma das piores. Chamar atenção pra quê ? Eu tentei chamar atenção de muitas pessoas ao meu redor, eu pedi ajuda, eu supliquei, eu chorei, mas, todos estavam ocupados. Agora eu não quero mais chamar atenção, eu não sinto nada, simplesmente não sinto nada, é só um vazio que já gritou por ajuda, mas que agora está vácuo, sem ar e sem jeito do meu grito se propagar.
—  Jotace.

Antes mesmo de completar dezesseis anos eu já sabia o que gostaria de fazer da minha vida, a medicina para mim sempre foi muito mais que uma profissão, desde pequena encarei isso como um estilo de vida. Cresci dentro de hospitais e só sai aos dezessete quando me curei da Hepatite B sai da onde eu nasci. Minha mãe era uma cirurgiã e infelizmente morreu depois que eu nasci, ela deixou um diário para mim contando sobre como foi atender cada um dos seus pacientes e agora que sou uma residente o levo comigo.

- Paciente na sala b, possível traumatismo craniano!

- S/n hoje você está comigo -John diz e eu o sigo com o meu caderno de anotações.

- Mas hoje eu estava com a Dra. Jonnes!

- Espero que não seja um problema para você ficar longe da sua amiguinha, vamos!

Ser uma residente na melhor das hipóteses é cansativo. Nós dormimos pouco, atendemos mais de cinquenta pacientes por dia e nosso salário é quase como a de um aprendiz jovem. Doze horas por dia no hospital e dois plantão noturno por semana me rendem cenas que eu só conhecia por livros da faculdade. O primeiro ensinamento que aprendemos com os mais velhos é que não somos super-heróis, só quando tivermos consciência disso vamos para frente. Com toda certeza vamos errar e muito nessa vida de salvar pessoas mas o que não podemos jamais é começar achar que errar é normal. Nunca se acomode nos seus erros, foi o que meu professor repetiu durante cinco anos inteiro.

[…]

24 de Dezembro de 1984

Hoje fiquei de plantão, estou há doze horas acordada e minha garotinha não para de se mexer na minha barriga. Como obstetra eu diria que isso é normal, como cardiologista diria que com a força dos meus batimentos eu provavelmente posso vir a ter um ataque, como cirurgiã eu diria que talvez esteja na hora de uma cessaria mas como mãe digo que aqui dentro ela está protegida e talvez eu tenha mais um tempinho com ela.

Robert nos deixou há dois meses e desde então não havia mais recebido noticias suas mas tem uma semana que tudo mudou. Descobri pelo telefone que ele tem outra família que por sinal está muito feliz, ele é pai de dois meninos e agora de uma menina. Vou proteger minha menina disso tudo e espero que ela nunca encontre seu pai. Mas caso ela queira seu nome é Robert Poncio.  

- Ele não deu noticias amiga?

Fecho o diário e então olho para cima, Marina tem uma expressão assustada e segura sua roupa de cirurgia em baixo do braço.

- Na verdade não.

- E como você está?

- Bem..

- Sabe que dia é hoje, não sabe?

- Dia 23 de dezembro -digo e tiro meus tênis-

- Sim -ela sorri animada- o que significa que dentro de -ela confere no relógio- três horas você terá oficialmente vinte seis anos!

- Sinto o peso da idade -brinco e ela sorri.

Amanhã no dia do meu aniversário meu namoro completa (ou completaria) três anos. Tem só dois meses que eu e Harry resolvemos dividir apartamento, eu vim para o Canadá para estudar e no meio do percurso me apaixonei por ele. Tudo que sobrou da minha família foi meu avó que está em uma casa de repouso perto daqui. Hoje nas vésperas do meu aniversário para minha falta de sorte estou de folga o que significa mais sofrimento. Ele simplesmente foi embora sem deixar rastro algum e isso anda doendo ainda mais agora.

- Eu passo na sua casa as onze para te pegar.

- Não prometo que estarei pronta já.

- Você não é louca, eu te bato S/n!

Marina joga um beijo no ar antes de sair e eu finjo que pego fazendo a mesma rir. Junto minha mochila do chão e abro a porta da sala, enquanto saio vejo alguns dos meus colegas correndo para dentro, continuo meu percurso e assim que chego na porta de entrada vejo a ambulância encosta na entrada do pronto-socorro, trazendo uma pessoa gravemente acidentada. O som da sirene atrai o grupo de médicos que até então conversava no corredor. Eles correm até a maca e começam a verificar os sinais vitais do paciente: respiração, pressão, estado de consciência… Um clima de nervosismo se espalha pelo hospital. As decisões têm de ser rápidas e cuidadosas, pois um erro pode ser fatal. Nessas horas, nosso coração do médico chega a bater 160 vezes por minuto, ritmo semelhante ao de um maratonista.

- Cadê a S/N? -escuto a voz de Marina apavorada.

- Estou aqui -digo e a seguro pelo braço.

- Amiga você tem que se acalmar! -ela pede já colocando a roupa branca de novo-

Fico sem entender o que ela quis dizer com isso por alguns minutos mas assim que vejo o paciente que está em cima da maca sinto uma forte pontada na barriga. E lá estava ele, todo ensaguentado com os olhos quase que fechados pelo inchaço, suas mãos agora não estavam acompanhados somente de tatuagens mais de cicatrizes recentes também.

- Algum documento com o paciente?

- Harry.. Harry é o nome dele -e é tudo que eu digo.

[…]

- Me desculpa.

Escuto e então abro meus olhos lentamente, a luz do abajur faz minha visão ficar turva. Pisco algumas vezes e logo consigo focar em seus olhos.

- Era para ser uma noite especial, seu aniversário, nosso aniversário.. eu estraguei.

- Estragou mesmo -digo e sinto meus olhos marejar.

Harry se mantem me olhando e tudo que eu faço é fechar os olhos e sentir minhas lágrimas escorrerem, a tanto que eu quero lhe perguntar e contar só não sei por onde começar.

- Você não vai dizer nada?

- Porque me deixou?

- Eu não te deixei!

- O que foi aquilo então?

- Eu precisava resolver umas coisas, fiz tudo isso por nós.

- Então quer dizer que me deixou sozinha naquele apartamento me fez passar por idiota na frente de todos por nós? Sabia que eu fui ser madrinha naquele casamento da sua família sozinha? Sabia que você perdeu a primeira apresentação do seu irmão no jardim? Sabia que eu fiz minha primeira cirurgia? -ele abaixa a cabeça-

Harry tenta procurar palavras mas tudo que ele murmura novamente é um pedido de desculpas.

- Claro que não sabia, porque você não estava aqui! Porque é exatamente assim que você faz quando não consegue lidar com seus sentimentos e responsabilidades, você foge para bem longe e depois reaparece como se nada tivesse mudado.

- Como assim mudado?

Abaixo a cabeça e olho para o chão que logo é enfeitado com gotas de lágrimas. Harry tenta se sentar na cama e o monitor de batimentos cardíacos apita.

- Você não pode se alterar -digo olhando para o monitor-

- VOCÊ CONHECEU ALGUÉM PORRA? RESPONDE!

- Quem quis assim foi você -digo e me sinto apavorada quando ele arranca os aparelhos dos braços.

Os olhos ardentes de Harry continuam fixos em mim enquanto o mesmo se levanta, corro até ele e o seguro, o Harry é forte mas no momento está todo machucado e certamente o fato dele precisar da ajuda de alguém o deixa furioso.

- Quem é ele S/n? -ele pergunta e só então vejo que ele está chorando.

- Harry..

- Quem se meteu entre nós?

- Não existe ninguém!

- Você mente mal pra caralho, puta que pariu, não acredito que você me traiu!

- Você ficou fora quase dois meses Harry queria que eu ficasse como?

- Como eu!

- E como você ficou?

- Ta vendo essa mão calejada? -ele diz e sinto uma imensa vontade de rir.

- Então quer dizer que você não transou com ninguém nesse tempo fora?

- Não.. porra, eu te amo!

- Se ama porque foi embora?

Ele suspira e passa as mãos pelo cabelo, olho fixamente para seus olhos e ele continua mirando o que não existe.

- Minha mãe resolveu me contar só agora que vai se casar, obviamente minha irmã contou para meu pai e você sabe como ele é louco por ela! Eu fui para lá ficar com ele por um tempo afinal ele já tentou fazer besteira antes, nesse tempo eu procurei casa por todos os lugares para nós, porque eu sabia que você gosta do clima da cidade, mas pelo jeito fui otário né!

Ah. Não era isso que eu esperava que ele dissesse, olho para o lado e fico sem saber o que responder.

- Foi só uma vez..

- Ele tocou em você?

- Harry..

- Ta, mas vocês transaram?

- Não, eu estava bêbada e foi só um beijo.

- Minha cabeça ta doendo -ele diz-

- Claro você arrancou o cateter que estava enviando sedativo!

- Não, é o chifre pesando mesmo. -reviro os olhos-

- Eu te amo, Harry, e você sabe que esse tipo de brincadeira machuca.

- Ah eu sei -ele diz- também amo você - o tom da sua voz é cheio de veneno-

Tento ignorar a forte dor que assola meu peito e então olho para ele.

- Desculpa. Desculpa por ter ido sem avisar, desculpa por não ser o melhor do mundo como prometi que seria, me desculpa por não estar aqui na sua primeira cirurgia, era tudo que eu mais queria. Me perdoa, mas eu senti muito medo de perder meu pai!

Harry diz com uma intensidade que me faz desviar o olhar do chão e olhar em seus olhos. O mesmo se inclina na minha direção e então diz

- Você me ouviu?

- Sim, eu te ouvi.

- Eu não mais como lidar com você.. -suspira.

- O que você quer de mim, Harry?

- Eu quero você. Quero ser seu marido, companheiro, sua família. É exatamente isso que eu quero de você, sei que eu errei fiquei fora mas fiz isso pela minha família, eu realmente não sabia que nesse tempo fora você arrumaria outro..

- Eu não arrumei outro!

- Desculpa, não quis ser maldoso.

Reviro os olhos e ele me abraça pela cintura. Seu toque faz meu corpo ferver e eu começo a pensar nas nossas cenas nada apropriadas.

Ele leva meu dedo indicador até sua boca e umedeci o mesmo, em seguida arranha o mesmo com seus dentes e o chupa. Levo um susto com sua ação e ele sorri sacana.

No momento em que nossas mãos se tocam  ele me segura com força e me coloca em cima da maca, o puxo para mim e recebo um gemido de dor do mesmo, eu esqueci dos machucados. Coloco um joelho de cada lado do seu corpo e monto sobre ele, sinto cada parte dele pois o mesmo veste só a camisola do hospital. Beijo seus lábios e sinto o gosto de ferrugem causado pelo ferimento. Enquanto me mexo em cima dele o mesmo solta gemidos baixinhos tornando tudo ainda melhor.

- Não posso fazer isso com você -digo com um sorriso malicioso-

- Por mais que eu queira foder você, aqui e agora, minha perna quebrada ta doendo pra cacete!

Me deito do lado dele e o mesmo me abraça seu olhos estão menos vermelhos agora e por um instante penso ver felicidade em seu olhar.

- Ainda vou te dar a melhor transa de aniversário do mundo -ele diz e eu dou risada.

- Ah claro, tas todo quebrado!

- Você que pensa babe.

- Eu senti sua falta.. -digo depois de ficar em silêncio por um tempo-

- Não sei como aguentei tanto tempo longe.

- Eu também não..

- Casa comigo?

-  O QUE?

Me viro para ele com os olhos arregalados e ele só assente como se respondesse que sim. Balanço a cabeça de forma afirmativa, e ele pega minha mão e a beija.

- Já moramos juntos mesmo, agora que eu estou trabalhando com meu pai e você aqui no hospital podemos nos sustentar e se você quiser podemos ter um trio de meninos!

- É tudo que eu mais quero. -respondo sorrindo.

Uma hora você tem que tomar uma decisão. As fronteiras não mantêm as pessoas para fora; elas te prendem dentro de si. A vida é confusa mesmo, é assim que fomos feitos. Então você pode desperdiçar sua vida desenhando linhas ou então você pode viver cruzando-as. Mas há algumas que são perigosas demais para serem cruzadas. E aí vai o que eu sei: se você estiver disposto a jogar a precaução pela janela e se arriscar, a vista do outro lado é espetacular. /Maia

é sobre quem sou.

me vejo perdida num emaranhado de nada sem saber o que fazer. preciso decidir meu próximo passo, mas parte de mim morreu a pouco tempo. não sei o que me espera do outro lado da porta. e hoje já não sei nem quem sou. talvez eu esteja com problemas de verdade, talvez não. eu não sei. só não aguento. não é a primeira vez, mas agora ta pior. sempre piora. espero que seja só uma fase ruim, mas não ta passando. tem dias que tudo parece estar bem, mas só uma coisinha já faz tudo desabar. temo acabar me contentando e deixando pra lá. bom, foi o que fiz nesses últimos meses. eu tento me ocupar com coisas aleatórias pra ver se isso passa ou se simplesmente esqueço, funciona por alguns dias e depois piora. sempre piora. nunca fica bem. nunca. não consigo botar nada pra fora, nada. talvez seja isso que esteja me atrapalhando, não sei. não sei. é só que eu não aguento mais. não sei como superar esse obstáculo que eu mesma coloco no minha frente. não sei como parar com essa autodestruição. bom, até sei. é lógico, “é só parar”. o problema é parar, e só. por mais que eu consiga (como nos velhos tempos) uma hora tudo volta. não estou sendo pessimista, queria que fosse exagero ou drama, mas é a realidade. minha realidade. e convivo com ela a todo instante, mas não sei como lidar. talvez exista um jeito, uma cura, uma salvação, qualquer coisa. talvez exista. queria muito resolver isso, ter esse jeito definitivo de resolver. talvez eu até tenha, mas não sei usá-lo. vou procurar o mais fundo que conseguir dentro de mim. vou tentar consertar tudo isso. tentar. quem sabe eu consiga. o mundo é cheio de surpresas, certo? bom, em dias como esse eu quero simplesmente parar, quero que o tempo congele. que eu congele. já vivo nesse nada, não faria diferença alguma. quem sabe um dia tudo melhore. quem sabe um dia eu simplesmente pare de existir. quem sabe.

Você sumiu no momento que eu mais precisei, que belo “melhor amigo” você foi. Você não deu explicações, mentiu, me excluiu da sua vida sem nem ao menos me dizer o porquê. Me deixou sem saber o que pensar, como agir, me culpando por algo que nem sei se foi minha culpa. Você partiu meu coração de todas as formas possíveis, e eu nem tive como me defender. Hoje eu tento esquecer essa amizade com apenas uma certeza, de que o problema nunca fui eu, sempre foi você. E o melhor a fazer agora é deixar que o tempo cure todas as feridas que ainda doem.

— Desabafos da Danny

Cap 59


Me virei surpresa? Não, essa palavra não se encaixa tão bem, indignada? Também não. Apenas com vontade de dar uns tapas nela.

Clara – Claudia?!
Claudia – como vai?
Clara – estava muito bem até você chegar!
Claudia – quanto rancor! (ela se sentou ao meu lado)
Clara – não sou rancorosa, mas gosto de sentar com amigos e só.
Claudia – quem deveria ter qualquer tipo de rancor aqui, era eu. Ate porque quem foi a mais corna aqui fui eu…
Clara – mais corna?
Claudia – você também não escapou dessa neh? (aquele tom de deboche me irritava)
Clara – o que você quer?
Claudia – estou tomando um drink, não ta vendo?
Clara – então porque se sentou ao meu lado? Tem muito espaço nesse bar!
Claudia – eu não perderia a oportunidade…
Clara – Olha Claudia, eu não sei bem qual são suas intenções, mas eu não estou afim de conversar… com você!
Claudia – a Vanessa brinca com a gente.
Clara – o que? (olhei pra ela sem entender)
Claudia – ela gosta desse joguinho… tem as duas aos seus pés, leva a gente pra cama, faz um drama…a gente idiota e apaixonada acha que ela ta confusa… ela não esta confusa, nunca esteve!
Clara – o que você quer dizer com isso?
Claudia – quero dizer que ela brinca com nossos sentimentos e a gente concorda com isso, nós deixamos ela fazer o que com a gente.
Clara – você ta dizendo isso por você neh?
Claudia – hahaha não tente passar essa imagem de superior, você não resiste quando ela chega perto de você, ela pode te sacanear e o caralho, mas você esta sempre ali, eu não duvido nada que você já tenha ido pra cama com ela depois que pegou eu e ela juntas….
Clara – olha aqui Claudia, o que eu faço ou deixo de fazer é problema meu, se eu ajo como idiota ou não, isso não diz respeito a você…
Claudia – não diz mesmo, eu so tentando te dizer que nessa historia so quem se machuca somos nós duas, ela ta lá, comendo outra, provavelmente e você esta aqui sozinha num bar numa sexta a noite, bêbada.
Clara – você também esta aqui, sozinha e bebendo…
Claudia – eu sei disso, estamos as duas sozinhas enquanto ela se diverte.
Clara – saiba você que eu não estou com ela porque não quero.
Claudia – hahahaha é serio? Então liga pra ela pra saber se ela esta em casa…vamos ver se ela estava esperando sua ligação…
Clara – eu não vou fazer isso…
Claudia – ta com medo de que eu esteja certa?

Eu não sei se era o álcool, mas aquela mulher estava me deixando intrigada, mesmo que eu ligasse, Vanessa não me devia explicação, não seria surpresa se ela estivesse na night.

Clara – certa ou não, Vanessa faz o que quer da vida dela, eu não sou mais a mulher dela.
Claudia – você mesmo disse que ela estaria com você se tu quisesse, liga pra ela.

Claudia estava me testando, eu não ia passar no teste, porque eu estava louca de vontade de ligar, devia ser o álcool, so pode.

Claudia – liga…

Eu peguei o celular e ia discar pro celular…

Claudia – liga pra casa dela!

Eu liguei, chamou, chamou e ninguém atendeu… obvio!

Claudia – viu? Ela não esta em casa!
Clara – ela não pode mais sair?
Claudia – liga pro celular!
Clara – porra, se você quer saber aonde ela esta liga você mesmo.
Claudia – ok, eu ligo.

Ela ligou e Vanessa atendeu…ela colocou no viva voz.

Claudia – Oi Vanessa, tudo bem?
Vanessa – Fala linda, tudo bem?
Claudia – tudo ótimo meu amor, ta fazendo o que?
Vanessa – to indo pra uma barzinho com uns amigos e você?
Claudia – to num bar, com uma ‘amiga’ (a vaca disse isso com deboche, eu estava possuída de ciúme já, olha como a Vanessa fala com ela, é uma cachorra mesmo)
Vanessa – hum… ta me traindo neh? hahaha
Claudia – hahaha não meu amor, so quem trai aqui é você!
Vanessa – hahaha hoje você esta tao engraçadinha…
Claudia – quero te ver! (puta)
Vanessa – hoje?
Claudia – é, tem algum problema?
Vanessa – bem, eu estou com uns amigos, não sei que horas vou sair daqui.
Claudia – me liga quando estiver sozinha então, ta bom?
Vanessa – ligo sim, bjus linda!
Claudia – bjus


Ela tinha razão, eu com uma cara de idiota extrema, ouvindo ela marcar com Vanessa o fim de noite delas…

Claudia – eu não te disse?! (sorria com sua vitória)
Clara - …. que bom, hoje a idiota é você neh?
Claudia – hahaha pois é, viu como a gente aceita as coisas?
Clara – você acha isso legal?
Claudia – eu que te pergunto, você acha isso legal?
Clara – quem ta indo se encontrar com ela é você, não eu.
Claudia – mas poderia ser você. Na verdade você queria que fosse você, agora vai ficar louca de ciúme, porque mesmo sabendo que seria uma idiotice estar com ela, você queria que fosse você, sofre porque ela nunca muda!
Clara – ok Claudia… eu não quero mais falar disso com você, eu vou subir…
Claudia – tem certeza que vai subir?
Clara – como assim?


Só podia ser o álcool, ela não estava mesmo fazendo isso, estava?

Claudia – fica, vamos continuar tomando esse drink (ela me mostrou seu copo)
Clara – eu acho melhor eu subir… já bebi demais.
Claudia – bebe um pouco mais!
Clara – você quer me deixar bêbada?
Claudia – isso você já faz sozinha
Clara - ……. eu fico então.

Em vez de continuar no bar, fomos pra uma mesa, sentando com a inimiga, fato é, não sabia da minha cabeça saber que Vanessa ia ligar pra ela no fim da noite, ela tinha razão, vanessa mantinha as duas, isso ficou muito claro, se ela não tivesse nada com Claudia simplesmente poderia dizer que não ia ligar e que iria vê-la nessa noite, mas ela não sabe dizer não, eu realmente estava com raiva da Vanessa.

Claudia – então Clara, deixando um pouco nossa querida Vanessa de lado, como vão as coisas na empresa?
Clara – muito bem, como sempre. Você sabe que minha empresa esta sempre a frente neh?
Claudia – claro… haha você como sempre fazendo um ótimo trabalho…aprendi muito na sua empresa, pena que você não soube separar o lado profissional do lado pessoal.
Clara – eu não soube separar? Quem tava na cama com a mulher da dona da empresa era você, portanto foi você que buscou isso.
Claudia – hahaha você fala como se a culpa fosse só minha.
Clara – você não precisa me lembra a todo momento que eu tinha uma mulher cachorra ta bom?
Claudia – hahaha não leve tao a serio minhas brincadeiras
Clara – eu não levo hahaha

Eu bebi mais do que devia, conversei coisas sem nenhuma importância com ela, la pelas 3 da madruga, meu telefone toca, sim, meu telefone e era a Vanessa, em vez de ligar pra vadia que tava na minha frente, ela liga pra mim, pedi licença e fui atender longe daquela mulher.

Clara – fala
Vanessa – tava dormindo?
Clara – claro que não…. (minha voz alterada, se ela for esperta vai perceber que eu to bêbada)
Vanessa – hum… queria te ver!
Clara – hahahaha me liga de madrugada pra me ver, acha que eu sou o que? Liga pra Claudia… ela ta esperando voce ligar!
Vanessa – o queeee?
Clara – não seja cínica.
Vanessa – alem de bêbada, você ficou louca?
Clara – é, eu devo estar louca mesmo…tu não presta sabia?
Vanessa – porque todas essas acusações… a Claudia te ligou pra dizer alguma coisa?
Clara – hahaha ela não me ligou nada Vanessa, ela esta aqui comigo!
Vanessa – o que?????? O que você esta fazendo com ela?
Clara – não interessa, liga pra ela, ela quer te ver…linda! (debochei)
Vanessa – vem cá, agora vocês resolveram se juntar eh? Haha que patético!
Clara – Vanessa, eu tenho que desligar!
Vanessa – pra que? Pra ir pra cama com ela?
Clara - …….. eu não sou você! Tchau!

Desliguei e voltei pra mesa máster irritada, Claudia já tinha bebido bastante e tava mais pra la do que pra cá, sacou logo que era a Vanessa…

Claudia – o que ela queria?
Clara – me ver hahaha
Claudia – hahahha
Clara – eu disse que estava com você, ela ficou meio puta!
Claudia – imagino…
Clara – não vai ficar puta porque ela não te ligou?
Claudia – hahaha não, to acostumada! Você também deveria estar.
Clara – eu não sabia que você encarava o desprezo dela com tanto jogo de cintura.
Claudia – eu não viver pra Vanessa o resto da minha vida, com tanta mulher bonita por ae… (ela me olhou na maldade) ela não é única!
Clara – eh… não é… bem, eu vou subir, estou cansada!
Claudia – já?
Clara – hahaha já? Porra já são três da manha, to realmente cansada, trabalhei muito hoje.
Claudia – você precisa relaxar mais Clara!
Clara – (olhei pra ela incrédula) relaxar? Eu já relaxo demais… eu preciso é dormir!
Claudia – precisa mesmo?
Clara - ………….. não, não preciso mesmo, mas vai ser o que vou fazer.
Claudia – ok…vou pagar a conta então….
Clara – relaxa, deixa por minha conta, eu sou uma das donas do hotel , isso normalmente serve de algo… é só colocar na minha conta!
Claudia – me acompanha até o estacionamento?

Que mulherzinha meu deus, eu tenho que admitir, muito gata, gostosa, eu bêbada, ela dando em cima de mim, lembrei me logo quando ela entrou na empresa e eu dei em cima dela, tomei um toco lindão porque ela estava afim da Vanessa, agora ela ta se abrindo toda.

Não respondi, mas resolvi acompanhar ela ate o estacionamento do hotel, fomos andando em silencio…já na porta do carro…

Clara – bem, esta entregue.
Claudia – rsss…. eu nunca tive nada contra você Clara…
Clara – hahaha não precisa dizer nada Claudia…

Antes que eu terminasse ela me agarrou, literalmente, me beijou e eu deixei ser beijada, ela me encostou no carro dela e ficou me beijando, eu achei engraçado, porque sei lá, não tinha muito clima pra isso, mas eu não dispensei, varias coisas me passaram na cabeça e maldita hora eu fui lembrar da cena dela com Vanessa no dia que eu peguei as duas… suas mãos já estavam em meus seios por cima da blusa, eu estava começando a ficar excitada com aquilo, puxei ela com força pela bunda e nossos corpos começaram a sentir o momento, o clima esquentando… meu celular toca de novo… olhei pra tela e vi que era a Vanessa de novo, eu tinha duas opções atender e acabar com o clima que já estava quebrado ou ignorar e continuar naquela pegação ali…. Claudia pegou o telefone da minha mão e desligou, minha cara foi no chão neh? ela voltou a me beijar, sem trocamos nenhuma palavra, eu nem tinha o que falar com ela, mas o que fazer eu estava vendo que tinha e muito, interrompi nosso beijo….

Clara – é…Claudia…
Claudia – que? Ta com remorso?
Clara - …………. não

Eu ainda pensei? Porra, voltei a beijá-la, liguei o foda-se. Eu não sabia o que fazer, na verdade eu sabia, era so levar ela la pra cima que eu sabia exatamente o que fazer, mas eu nem sabia se eu queria isso mesmo, nossa agora eu entendo porque dizem que nós mulheres são complicadas, a gente pensa demais, seria muito escroto da nossa parte ir pra cama, mas que se foda, eu peguei ela pelo braço e levei ela pro meu quarto do hotel, a gente não trocou nenhuma palavra ate o andar do meu quarto, beijos sim, palavras não.

Cheguei no quarto e não deu tempo de raciocinar, ela me pegou de jeito, foi tirando minha roupa, eu fui mais rápida, como ela estava de saia, facilitou, nem tive trabalho de tirar, apenas levantei, coloquei sua calcinha pro lado, introduzi dois dedos de uma vez e comecei minhas estocadas…. a gente estava em pé encostada no sofá, não deu tempo nem de chegar na cama, ficamos ali ate que ela gozasse, mais beijos, ela louca pra em comer, so que eu não deixei hahaha nem pensar, não ia rolar mesmo, ficou nisso, rolou mais algumas vezes ate que as duas caíssem mortas de cansaço na cama e dormisse, sabe quando uma coisa que não te acrescenta em nada e você fez aquilo por nada? Exatamente isso que eu sentia, não tinha nada a ver nós duas, eu so não pensei mais porque estava cansada demais pra isso e bêbada demais pra saber se era certo ou não. Errado não era, mas sem sentido.

Acordei com uma ressaca monstruosa, vi aquela mulher do meu lado e me levantei rapidamente, fui tomar um banho e liguei atrás de um remédio pra dor de cabeça, eu tenho que parar de beber desse jeito… coloquei minha roupa e fui embora.

hoje eu tava no meu quarto falando sozinha e resolvendo os problemas com os meus amigos imaginários quando minha mãe entrou no quarto e ficou me olhando. certeza que ela tava pensado que eu era estranha demais

Capítulo 143 - Dois cabelos loiros.

Eu: O que eu respondo?

Me sentia meio idiota fazendo aquela pergunta, mas já que o Fred tava acertando até o momento, achei melhor aproveitar a consultoria.

Fred: Diz pra vocês se encontrarem amanhã à tarde, ué.

É, né? Pareceu até meio óbvio demais depois que ele falou. Comecei a digitar já dentro do metrô, quando o Fred pareceu ter surtado de uma hora pra outra.

Fred: NÃO!!! Não!

Até dei um pulo de susto. O desespero na fala dele foi tão grande que eu imaginei que tivesse a ver com qualquer outra coisa, menos com a minha inofensiva mensagem. Percebi que o problema era ela quando ele tirou o celular da minha mão.

Eu: Ficou maluco?
Fred: Tu não pode encontrar essa mina amanhã!
Eu: Por que não?

Nunca imaginei que fosse ouvir qualquer frase parecida com aquela saindo da boca do Fred. Ele me proibindo de sair com uma guria - que não fosse a Alícia - era novidade.

Fred: São tantos motivos que preciso te listar.
Eu: Vamo lá.

Pisquei devagar e com tédio, pronto pra ouvir mais uma história idiota com importância superestimada na cabeça do Fred.

Fred: Amanhã tu precisa estar livre à tarde pra me ajudar com a festa.
Matt: Tu vai mesmo dar uma festa na segunda-feira?
Fred: Precisamos comprar as paradas, chamar a galera, aquela coisa toda de sempre. Vocês tão ligados, precisamos sempre de três cabeças pra organizar as festas.
Eu: E tu não pode chamar outra pessoa no meu lugar?
Fred: Tu não falou isso. - ele pareceu ofendido de verdade.
Eu: Ué. O que tem? Não é tu que sempre diz que nada é mais importante do que pegar uma mina?
Fred: “Bros before hoes.” É ISSO que eu sempre digo. - ele me apontou. - Não coloca porra de palavra na minha boca.
Eu: Beleza, qual é o outro motivo?
Fred: Tu vai encontrar a mina à tarde na casa dela, certo?
Eu: Pelo visto, sim.
Fred: Tu sabe o que vai rolar, certo? Ela não tá te chamando pra conhecer a coleção de selos dela.
Eu: É…
Fred: Ela não é o Matt.
Matt: Eu nem tenho coleção de selos.
Fred: Tem sim.
Matt: Claro que não.
Fred: Vinte e um selos de países diferentes guardados na tua gaveta já podem ser considerados uma coleção, Matheus.
Matt: Pô.
Eu: Foda-se! Continua!
Fred: Então, vocês vão meter, ela é gatinha, tu é jovem, tá precisando dar umas já faz um tempo…
Matt: O último selo que eu guardei eu tinha quinze anos.
Fred: Que mentira.
Matt: É verdade.
Fred: Eu te vi mexendo nisso semana passada.
Matt: Eu só tava arrumando, ué.
Fred: E na boa, tu acha mesmo que quinze anos é uma idade ok pra tu colecionar QUALQUER coisa?
Eu: Mano, como é difícil manter uma conversa com vocês, puta que pariu.
Fred: Voltando: o que eu quero dizer é que vocês vão transar várias vezes, a tarde inteira, até não aguentar mais e…

Eu já tava parecendo um cachorro assistindo um frango assado na padaria ouvindo o Fred falar. Ele tava narrando o melhor dia da minha vida ou o quê?

Fred: Com essas coisas que eu to falando vai ficar difícil tu deixar de encontrar a mina pra passar a tarde com dois idiotas organizando festa, né?
Eu: Sim.
Fred: Mas calma, tu já vai entender. Meu ponto é: vocês vão ficar trepando até pouco antes da festa, tenho certeza.
Eu: Hm.
Fred: OU PELO MENOS É ISSO QUE EU ESPERO QUE TU FAÇA.
Eu: Certo.
Fred: E aí tu vai simplesmente dizer “tenho uma festa pra ir” e ir embora?
Eu: É… Eu acho.
Fred: Não, velho. Ou tu vai chamar pra continuar transando, ou tu vai chamar pra não ficar chato, ou ela vai se convidar. E aí de repente tu tá de casal numa festa com infinitas possibilidades de mina pra tu pegar. Melhor não.

Na boa, eu não teria essa capacidade de pensar tão longe no lugar dele. Mas fazia sentido.

Eu: Mas e aí? Eu falo que não posso ir amanhã e perco uma tarde de sexo com a mina?
Fred: Claro que não. Daí tu passa pra outro dia.
Eu: E se outro dia ela não estiver mais a fim?
Fred: Se vocês já tivessem transado, tu corria esse risco. Mas nem rolou ainda, então ela tá ansiosa e na expectativa. Vai querer no dia seguinte mesmo.
Eu: Pode crer.
Fred: Confia em mim, cara. Responde aí dizendo que apareceu um bagulho de última hora e tu só vai poder ir na terça.
Eu: Não acredito que vou fazer o que tu tá mandando, mas vamo lá.
Fred: Pode confiar. Ah! E não esquece de perguntar se ela vai estar sozinha em casa amanhã também.
Matt: Acho que a gente passou a estação.
Fred: PORRA!

A gente realmente tinha se empolgado na conversa. Descemos na estação seguinte e voltamos uma pra poder descer perto da república. Respondi a mensagem da guria assim que o Fred devolveu meu celular, e ela pareceu bem tranquila sobre a gente se encontrar no dia seguinte. Às vezes transformamos coisas simples em problemas sem nem perceber, e depois ainda ficamos botando a culpa no mundo como se fôssemos azarados. Pensei que a guria fosse ficar puta, ou não fosse mais querer me ver, e no fim ela só respondeu um “beleza”.

O Matt ficou sem falar nada no caminho até a república. Provavelmente ainda tava anestesiado com a história toda. Muita coisa aconteceu na vida dele nos últimos dias. Até nas últimas horas. Logo ele que é um cara que curte o sossego e valoriza a calmaria, tendo que lidar com tanta coisa ao mesmo tempo. Queria poder ajudá-lo de algum jeito.

Fred: Pra começar eu acho que prima não é parente.
Eu: Ei, Matt. Parece que tão oferecendo um trampo na biblioteca da faculdade mesmo.
Matt: Sei.
Eu: Amanhã tu pode ver isso na hora do intervalo. Vou contigo, se quiser.
Fred: Trabalhar na biblioteca deve ser chato pra caralho.

Incrível como o Fred não perde a oportunidade de ser inconveniente.

Fred: Trabalhar em qualquer lugar deve ser chato pra caralho, na verdade. Mas, ei! Tu precisa estar livre amanhã pra me ajudar com a festa, demorou? - ele falou com o Matt. - Começa com esse trampo na terça só.
Matt: Não sei nem se vou conseguir.
Eu: Vai sim.

Eu sou pessimista pra caralho na maior parte do tempo, mas reconheço que às vezes é preciso mentir um pouco pra si mesmo - ou pros outros - que tudo vai dar certo pra vida ficar mais fácil.

Chegando na república, o Fred ficou acelerando pra gente já começar a ligar pras pessoas pra avisar sobre a festa e arranjar os gorós, mas ninguém tava no clima. Eu tava com preguiça e um pouco de sono, e o Matt… Pff. Parecia que alguém da família dele tinha morrido. Entrou em casa e foi direto pro quarto se enrolar no edredom. O Fred reclamou (pra caralho), mas depois de tantos anos nós já aprendemos a abstrair. Fui pro meu quarto e deixei ele divagando sozinho na sala sobre o quanto a “Milena da Atlética” tinha cara de vagabunda mas não se aproveitava daquilo. A última frase em que eu me lembro de ter prestado atenção foi “ela faria mais sucesso que a Marcela se assumisse que tem cara de atriz pornô”, seja lá o que isso quer dizer na cabeça do Fred.

No quarto, encontrei o Dudu deitado na cama com a luz acesa lendo um livro. Ele me cumprimentou, mas tava tão concentrado que nem devia ter reparado em quem eu era. Só quando me deitei na cama e cobri a cabeça com o lençol ele notou a minha presença.

Dudu: Tu quer que apague a luz?
Eu: Não, tá de boa.

Na real eu queria, mas não ia foder com a leitura do cara só pra eu poder dormir mais rápido. O Dudu é um cara legal. Gosto dele.

Eu: Tem festa na casa do Fred amanhã, se quiser colar. - minha voz saiu abafada embaixo do lençol, mas ele entendeu.
Dudu: Na segunda-feira?
Eu: Pois é.
Dudu: Ah. Massa.
Eu: Pode chamar os caras.
Dudu: Demorou.

E alguns minutos depois, eu dormi.

Acordei com o barulho do Dudu abrindo uma gaveta emperrada, ainda bem, porque eu tinha esquecido de colocar o celular pra despertar.

Eu: Caralho, que horas são?
Dudu: Relaxa, tá cedo.

Disse isso e saiu do quarto. Ainda fiquei uns dez minutos coçando o rosto e olhando pro teto, como se aquilo fosse me trazer algo de útil pra vida, mas é que às vezes o ato de enrolar é mais forte que eu.

Quando finalmente decidi sair da cama, vi o quarto do Fred e do Matt vazio, e encontrei o Matt tomando sucrilhos numa tigela vermelha na sala da cozinha. O Felipe tava no banho e o Dudu tava amarrando o tênis próximo da porta de saída.

Eu: Cadê o Fred?

O Matt deu de ombros. Achei estranho, mas também não tava no melhor dos ânimos pra trocar ideia aquela hora da manhã. As manhãs não foram feitas pra conversar.

Tomei um sucrilhos rápido e troquei de roupa enquanto o Matt me esperava feito um zumbi encostado no sofá da sala. Tava na cara que ele não tava com a menor vontade de viver. Saindo do quarto, dei de cara com o Felipe atravessando o corredor.

Felipe: E aí, Thom.
Eu: E aí.

Ele desviou e entrou no quarto. Eu já tava pra sair andando quando me lembrei de chamá-lo pra festa do Fred.

Eu: Se liga, vamos dar uma festa na casa do Fred hoje. Se quiser colar.
Felipe: Hoje?
Eu: É.

Qual é o problema das pessoas com festas na segunda-feira? Parece que todo mundo tem que confirmar a informação umas três vezes antes de decidir se vai ou não.

Felipe: Hoje tenho outra festa pra ir, cara. Não vai rolar.
Eu: Ah, suave.
Felipe: Festa do Lobo, não tá sabendo?

E por que eu estaria?

Eu: Acho que não.
Felipe: Festa do Michel Lobo, diretor de eventos da Atletica, meu brother.

Sorri pra fingir que eu sabia quem era.

Eu: Pode crer.
Felipe: Falou, velho.

Ele fez um gesto engraçado com as mãos e saiu andando. Eu fui logo atrás e chamei o Matt, que me obedeceu como uma ameba.

Eu: Tu tá parecendo uma ameba sem cérebro.
Matt: Amebas não têm cérebro.
Eu: Vamo nessa, vai, Matt.

Atravessamos a rua da faculdade como se estivéssemos indo pro inferno. Eu tava com muita preguiça de assistir qualquer aula que fosse, e naquele dia eu sabia que ainda ia ter que correr atrás do professor de finanças pra pegar minha nota da recuperação, o que me deixava com mais preguiça ainda.

Só acordei daquele estado de pura preguiça quando vi um cabelo loiro ao longe, bem em frente à área de fumantes. Ou melhor, não só um cabelo loiro, mas dois, é bem próximos.

Eu: É o Fred?
Matt: O Fred e a Vicky.
Eu: Tá me zuando que o cara veio mais cedo pra ficar com a guria. Esse mundo anda muito esquisito.

Próximo post: 10/08 - finalmente #FESTADOFRED

Eu hoje estou tão triste. Eu precisava tanto conversar com Deus. Falar dos meus problemas, também lhe confessar tantos segredos meus! Saber da minha vida e perguntar porque ninguém me respondeu se a felicidade existe realmente, ou se é um sonho meu.
—  Se eu pudesse conversar com Deus, Antônio Marcos
Take a bit of your time reading this, please

Hi guys, adm J here.

First of all, i’d like to apologize for not updating the tumblr as we’d usually do. Me and adm N are a bit full of things in the real world hahaha But we plan to return here full force :) So keep sticking with us, please!

Second, did you see the news about the strong rumor of using facil recognition on arashi’s shows now? It’s something that popped up on the show in december and it means that they’re trying to stop fans who buys the ticket to sell it again with inflated prices.

It’s not the first time arashi and jimusho express their disapproval for the resell of concert tickets. I remember clearly once, lots of johnny make a big letter asking fans for not being part of this. To stop this. I remember Sho clearly talking about this also. That it was ‘unfair to the fans’, ‘cause they’d pay 3 times or more of the real price.

Ok. that’s nice.

But we, as international fans, can’t see it without thinking: “great, so now i can’t, reaaally can’t, go to an arashi’s concert”.

And that’s why I’ve come here today. I’d like to hear you all. I’ve been talking to adm N about this matter, there’s this open letter running around the internet, and i truly support this fan who speaks for us all. But i’d think that a properly online petition would show them in number - if they want to speak in number - how many of us are around the world.

We just don’t go to shows. We buy cds, dvds, goodies, magazines and producs with their faces on like any other japanese fan. And we have a bonus, a sad one called SHIPPING, with still do not stop us from buying all those things. So why are we LESS than the japanese fans?

It’s impossible to think that in 2016 an big company as johnnys try to ignore the globalization. It’s unfair. So, you’d be part of a online petition?

Maybe it won’t change anything.

But maybe it will. We have to show them that we truly exist as oficial fans also.

Thanks for reading this all. I hope you be with us on this matter.

———————————————

Tome um pouco do seu tempo lendo isso, por favor.

Oi gente, adm J aqui.

Primeiramente, eu gostaria de pedir desculpar por não atualizar o tumblr como nós costumávamos fazer. Eu e adm N estamos um pouco cheias no mundo real hahaha Mas nós planejamos voltar aqui com força total :) Então fiquem aqui com a gente!

Segundo, você viram a notícia sobre o forte rumor de usarem reconhecimento facil nos shos do arashi agora? É algo que apareceu nos show em dezembro e isso significa que eles estão tentando parar os fãs que comprar tickets para revende-los com preços maiores.

Não é a primeira vez que o arashi e o jimusho expressão sua reprovação com a revenda dos tickets dos concertos. Eu me lembro claramente, uma vez, em que vários johnnys fizeram uma carta enorme pedindo para os fãs não fazerem parte disso. Para pararem com isso. Eu me lembro do Sho claramente falando disso também. Que era ‘injusto com fãs’, porque eles pagam 3x ou mais o valor real do ingresso.

Ok. isso é válido.

Mas nós, como fãs internacionais, não conseguimos ver isso sem pensar: “ótimo, agora eu não posso, realmente não posso, ir em um show do arashi”.

E é por isso que eu vim aqui hoje. Eu queria escutar todos vocês. Eu conversei com a adm N sobre esse problema, tem essa cart aberta correndo a internet, e eu realmente apoio a fã que fala por nós. Mas eu acho que uma petição online poderia mostra-los em número - se eles querem falar em números - quantos de nós exitem pelo mundo.

Nós não vamos apenas em shows. Nós compramos cds, dvds, goodies, revistas e produtos com os rosto deles como qualquer outra fã japonesa. E nós ainda temos um bônus, um triste bônus chamado FRETE, que não nos impede de comprar todas essas coisas. Então porque nós somos MENOS que as fãs japonesas?

É impossível pensar que em 2016 uma empresa tão grande quanto a johnnys tente ignorar a globalização. É injusto. Então, você faria parte dessa petição online?

Talvez isso não mude nada.

Mas talvez isso mude. Nós temos que mostrar a eles que nós verdadeiramente existimos como fãs oficiais também.

Obrigada por ler tudo isso. Eu espero que você esteja conosco nessa questão.

Capítulo 4

N.I: Desde o capítulo 1 eu não coloco nada no começo, mas antes desse capítulo tenho que agradecer quem veio comentar da fic no meu twitter (thatsmanibear), quem divulgou a fic e quem está lendo mesmo que anonimamente. Bem, a primeira vez, a gente nunca esquece, né? Apreciem… 

Acordar com um peso nas costas por causa de trabalhos alheios é uma coisa que acontece apenas comigo. Eu realmente não queria que a secretária fosse demitida, por mais grossa, arrogante e ignorante que ela fosse. E ainda tinha a minha própria situação, que não estava nada boa.
Bella não tinha sido tão dura quanto eu imaginava. Na verdade, ela mal trocou palavras comigo desde que deixamos a empresa. Antes ela falasse algo. Seu silêncio chegava a ser mais torturador do que qualquer palavra que ela pudesse pronunciar.
Aqueles cinco minutos em que eu enrolei na cama foram o suficiente para fazer com que eu chegasse a uma conclusão muito importante assim que chegasse no trabalho: eu teria de falar com Clara. Mesmo que aquele noivo dela tivesse dito asneiras sobre a secretária dela, que no caso sou eu, que não sou secretária nenhuma. Eu tinha que resolver essa situação o mais rápido que pudesse.
Atravessei todo o imenso saguão e subi os vinte e três andares sem paciência nenhuma para esperar o elevador. Além de poder pensar mais um pouco nas minhas palavras, eu também me exercitava um pouco. Foi bom saber que eu não estava tão fora de forma. Passei pelo setor de contabilidade rezando para que ninguém pudesse notar a minha presença passando reto pela porta, mas infelizmente pude sentir o cheiro do aroma do perfume de Bella ficar cada vez mais próximo. Parei na mesma hora e me virei para trás, encontrando-a em braços cruzados e cara amarrada. Contei até dez mentalmente para ter paciência com ela. Hoje eu estava com muitos problemas para aturar suas regras.
-Aonde você pensa que vai? -Ela perguntou fechando os olhos e respirando fundo antes de abrí-los e terminar sua frase.
-Tenho coisas a resolver. -Disse, sem intenção nenhuma de dar mais detalhes.
-Você não já complicou muito a sua vida, ontem, Vanessa? -Ela perguntou tentando parecer um pouco mais calma. Depois de um tempo analisando seu rosto, pude perceber que Bella não tinha dormido bem. Ela provavelmente tinha passado a noite em claro para tentar resolver algo que eu tinha provocado. Mais um peso para jogar em cima de mim.
-Bella, eu sei que a sua função é melhorar a minha vida aqui na empresa, mas certas coisas eu tenho que fazer sem o seu consentimento, e sozinha. Eu tenho que resolver o que aconteceu ontem, compreende? Eu preciso tirar esse peso das minhas costas, eu tenho que falar com a Clara. -Eu disse de uma só vez e Bella não esboçou nenhuma reação. Entendi aquilo como um “não vou me intrometer mais” e voltei a andar em direção à sala de Clara.
Apenas para dificultar a minha respiração, eu pude ouvir a voz masculina monstruosa vindo da sala da Srta. Aguilar mesmo estando na metade do corredor. A secretária estava no lugar dela, fingindo fazer algo que não fosse escutar a conversa dos dois. Passei por ela sem pedir autorização para entrar na sala e fechei a porta. Assim que soou o barulho do batente da porta fechando contra a aduela, Clara e o noivo arrogante e prepotente pararam de gritar um com o outro e me encararam. Como se aquilo fosse dar algum tipo de suporte para mim, eu encarei os olhos escuros de Clara por alguns segundos antes de me virar para o ogro presente ao lado dela.
-É dela que eu estava falando. -Ele disse, encarando meus olhos naquela profunda irritação e demonstração de superioridade. Encarei-o sem medo algum daquela sua pose, e então me virei para Clara, que alternava seu olhar entre eu e ele.
-Você pode me explicar o que aconteceu, realmente? -Clara perguntou para mim em seu perfeito inglês, dando ênfase no “realmente”. Pontos para mim, ela não acreditava em nada que aquele ogro tinha inventado.
-Todo ser humano tem necessidades, e a sua secretaria também teve. Ela foi ao banheiro por uns cinco minutos e eu fiquei tomando conta do trabalho dela apenas por esses minutos. Foi quando esse og… seu noivo apareceu. -Eu disse me xingando mentalmente por quase soltar algo que realmente acabaria comigo.
-E o que ele fez? -Clara perguntou, interrompendo um suposto protesto de seu noivo.
-Ele queria entrar na sala sem ser anunciado e isso não é permitido pelas normas da empresa. Eu não sabia que ele era seu noivo, senão eu teria permitido que ele entrasse. Mas ao invés dele me explicar calmamente quem ele era, ele fez um escândalo! -Eu disse olhando furiosamente para o homem a alguns metros de mim, que me devolvia o olhar. -Ele foi muito, muito grosso. -Eu disse e pude ver ele fechando o punho ao lado de seu corpo.

-Ela está mentindo. -Ele disse encarando Clara.
-Fabian, eu sinto informá-lhe que conheço-o bastante para saber de seu temperamento. -Clara disse docemente para o homem. Não sei o porquê, mas o jeitinho doce que ela falara com ele me trouxera uma espécie de desconforto. Sinceramente, ele era um ogro arrogante e ela era uma maravilha de pessoa. Ele não merecia ela. -Peça desculpas. -Ela disse e o homem soltou uma risada cínica que com certeza ecoou por todo o prédio. Não é possível que eu possa odiá-lo ainda mais.
-Você não vai me humilhar na frente dessa… pessoa. -Ele disse, voltando seu olhar para mim com um sorriso sarcástico no canto de seus lábios.
-Não quero ter que pedir duas vezes. -Clara disse, dessa vez um pouco mais rígida. Fabian balançou a cabeça negativamente antes de andar em minha direção e passar diretamente por mim sem ao mesmo olhar na minha cara. Assim que alcançou a porta, ele voltou o seu olhar para Clara.
-Você irá se arrepender disso, Clara Aguilar. -Ele ameaçou furiosamente e depois saiu. Não sei explicar a vontade que tive de deformar a cara dele por ter falado isso para ela. Não sei também explicar a raiva que eu sentia de Clara por não dar logo um pé na bunda desse cara.
- - -
A tarde passou mais rápido do que eu pensei. Tudo ocorreu como sempre, as mesmas entediantes tarefas diárias. Mais uma vez eu que teria que fechar o setor de contabilidade. Isso já estava ficando repetitivo, mas eu não me incomodava em fazer. Bella, Junior, Amanda, Cássio, Valter, e todo o resto tinham uma família ou alguém que estava esperando-os assim que chegassem em casa. Eu não tinha ninguém a não ser os meus demônios interiores que toda a noite me assombravam com o mesmo sonho. E pra piorar eu tinha certeza que tinha visto aquele anjo. E ela era a mais pura realidade.
Fechei todo o setor e estava me preparando para ir embora, mas parei no meio do caminho assim que vi uma luz vindo da sala de Clara. Eu não tinha aparecido lá desde o ocorrido, então dar uma passada lá só para saber se tudo estava bem parecia bastante tentador. Uma coisa nisso era engraçado, Clara sempre fazia questão de ficar mais tarde todas as vezes que ela sabia que eu fecharia o setor de contabilidade. Eu via a luz de sua sala como um convite para que eu fosse lá. Um convite irrecusável.
Andei lentamente pelo corredor, como se não quisesse nada e cheguei na sua sala sem mesmo bater na porta pedindo sua permissão. Clara estava encostada em sua mesa, um copo de whisky e um cigarro em sua mão. Ela me olhou de cima a baixo e deu uma risada. Com certeza ela não estava sóbria.
-Não estou bêbada. -Ela disse como se estivesse lendo minha mente, e apagou o cigarro num cinzeiro prateado que eu nunca tinha reparado antes em cima de sua mesa. -Estou só… alegre. -Ela disse novamente. Posso apostar que já tinha visto aquele olhar em algum lugar. Aquela espécie de tentação que toca cada parte do seu corpo e te trás arrepios. O olhar que faz o frio na espinha ser apenas um início de uma onda de formigamentos. Confesso que já tinha reparado na beleza de Clara desde que ela chegara na empresa depois de suas férias, mas agora tudo estava mais claro, mais belo. É como se ela fosse algo protegido por algum escudo que saía apenas quando ela quisesse. Como se ela fosse uma paisagem que apenas se mostrava para quem ela escolhesse.
-Você me protegeu hoje. -Eu disse a fim de afastar quaisquer pensamento mais profundo sobre ela.
-Faria de novo. -Ela disse quase que na mesma hora. Clara cambaleou o corpo e depositou o copo de Whisky na mesa, depois voltou a me encarar com o seu olhar de anjo proibido.
-Porque? -Perguntei, me aproximando dela sem mesmo notar que estava me movendo. Ela era muito mais linda de perto. Seus traços eram mais reais, notáveis, perfeitos. Seu cheiro não estava mais abafado pelo perfume da manhã, e por incrível que pareça ele me trazia um conforto. Era um aroma gostoso de sentir.
-Você faz perguntas de mais. Se você for uma pessoa esperta, você deixa essa sala sem pensar duas vezes. -Ela disse num tom provocativo e sensual. Tenho certeza que ela é a única que consegue fazer isso.
-E se eu não for esperta? -Perguntei no mesmo tom, aproximando mais meu rosto do dela. Clara mordeu o lábio inferior deixando transbordar o que ela desejava. Tudo dependia dela. Sinceramente, eu já estava caída.
-Se você não for esperta, Vanessa, você confunde o seu futuro nessa empresa encerrando o espaço que separa os meus lábios dos seus. -Clara disse, olhando em meus olhos e depois abaixando o olhar para os meus lábios, prendendo-o lá.
-Digamos que eu não quero ser esperta por agora. -Eu disse e finalmente encerrei o espaço que separava nossos lábios. Assim que nos tocamos, um fogo surgiu dentro de mim e queimou todas as partes do meu corpo trazendo um imenso desejo e felicidade logo depois. Foi como se eu estivesse vivendo para aquele momento, para aquele choque que foi o nosso primeiro contato. Meu coração parecia querer explodir a qualquer momento, e eu acho que não teria forças para impedí-lo caso ocorresse. Clara colocou uma de suas mãos em minha nunca e a outra em meu rosto, me trazendo mais para perto e acariciando minha bochecha com o seu polegar, e eu abracei sua cintura e acariciei suas costas. Ela entrelaçou os seus dedos em meu cabelo e eu explorei todo o interior de sua boca com a minha língua. Ela tinha a boca mais gostosa e limpa que um dia eu já tinha experimentado. O gosto do whisky deixou tudo melhor. Clara beijava ferozmente, como se pedisse que aquilo jamais acabasse, e eu, de maneira nenhuma queria me separar dela. Quando ficamos sem ar, eu chupei seu lábio inferior e encerrei o beijo com alguns selinhos demorados. O tempo em que usei para respirar foi o suficiente para ela inverter nossas posições e me prensar na mesa. Eu voltei a beijá-la dessa vez com muito mais vontade do que antes. Tudo estava mais quente, mais abafado que o normal. Clara puxou a barra da minha blusa e eu me afastei para livrar-me logo daquela barreira entre nós. Ela encarou o meu abdômen por longos segundos antes de olhar para mim com uma sobrancelha arqueada e um sorriso engraçado. Eu sorri junto antes de voltar a beijá-la. Ela acariciou o meu abdômen e eu senti meus próprios músculos contraírem com o seu toque. Clara começou a passear suas mãos em meu corpo, principalmente meus seios ainda cobertos pelo sutiã. Eu busquei os botões de seu vestido em suas costas e me livrei deles assim que os encontrei. O pano deslizou sobre o seu corpo revelando a bela escultura que era escondida todos os dias. Clara voltou a pressionar seu corpo contra o meu e começou uma trilha de beijos sobre meu pescoço e mandíbula. Ela se livrou do meu sutiã e encarou meus seios maravilhadas. Aquilo era uma tortura. Sem enrolar mais, ela tomou um dos meus seios com a sua boca e acariciou o outro com a mão. A quentura de sua boca contra o meu bico fez com que eu soltasse um gemido agudo contra seus cabelos. Eu me segurei na mesa para não perder o equilíbrio enquanto ela continuava a me estimular. Ela inverteu seus movimentos e começou a chupar e morder de leve o outro bico. Joguei minha cabeça para trás e apenas deixei ela brincar por ali, sem pressa de que ela fizesse tudo logo.
Clara saiu de meus seios e começou uma sequência de beijos languídos sobre minha barriga, depois lambeu toda a minha extensão peitoral até voltar a minha boca e voltar a me beijar com vontade. Ela desabotoou os botões da minha calça jeans e eu me levantei um pouco para tirar me livrar da peça e consequentemente da minha calcinha, que no momento estava muito mais que molhada. Clara voltou a me beijar assim que eu me livrei destas peças e então começou a traçar um caminho com seu dedo indicador do meu rosto, passando por minha clavícula, seios, barriga, e chegando finalmente no seu objetivo principal.
Seu beijo, suas estimulações, seus toques provocativos, tudo, não chegava nem perto da sensação que ela me trouxe assim que atingiu meu núcleo. Eu me agarrei em seu pescoço para tentar me equilibrar enquanto ela se movimentava dentro de mim, me estimulava com o dedão, mordia e chupava meu lábio inferior. Naquele momento eu já estava mais que entregue a ela, sem forças nenhuma para tentar fazer alguma coisa. Cravava minhas unhas em suas costas e arranhava sem dó na medida que ela parava seus movimentos e me torturava um pouco. Cheguei ao meu ápice logo depois, derretendo-me em seus dedos. Me senti nas nuvens, tocando o céu e bailando entre as estrelas. Era uma sensação muito mais gostosa e prazerosa do que todas as que eu já tive na minha vida. Minhas noitadas com os amigos que terminavam sempre na cama com alguma pessoa não chegava nem perto do que foi aquilo, e eu tive certeza que a principal culpada era eu mesma. Eu estava permitindo nascer um sentimento naquilo, mesmo que me ferrasse depois. Clara se permitiu aproveitar todo o meu gozo para depois gozar também, o som mais gostoso que eu já tinha ouvido. Abracei-a fortemente, e ficamos assim por algum tempo. Abri meus olhos e tive uma surpresa ao descobrir que ela estava seminua e eu estava completamente nua. Ela tinha me feito gozar sem mesmo estar pelada e isso eu nunca pensei que aconteceria com alguém. Me afastei um pouco e encarei seus olhos, eles estavam radiantes. Depois disso, me lembro de fechar os olhos por alguns segundos, e assim que abri, estava em um outro local. Minha cabeça estava girando um pouco, tinha uma certa claridade vindo da janela e isso não permitia meus olhos a abrirem por completo. Eu estava em um quarto desconhecido, clareado por aquela luz. Estava enrolada em um lençol branco, fino, em uma cama bastante bagunçada. Levantei um pouco a cabeça e vi a sua bela figura olhar algo através da janela.
Ela estava com o mesmo brilho da última vez que olhei seus olhos, só que dessa vez era muito mais radiante. Clara estava sentada na janela, apenas uma parte de seu corpo e rosto era visível porque estava iluminado pela luz que entrava de lá. Ela sorria, acariciava os lábios e dizia algo incompreensível. Eu senti meus olhos pesarem novamente, e a única coisa que vi antes de dormir foi o seu sorriso ficar maior do que estava e a luz de um dos carros de Las Vegas iluminar o seu rosto por completo. Era o mesmo rosto que eu tinha visto há quatro anos atrás, por trás de um vidro imenso de uma das boates de São Paulo. Ela era o mesmo anjo que iluminava os meus sonhos todas as noites.
E agora eu tinha a total certeza disso.

N.F: Se tiver algum erro de português, me desculpe, acabei de escrever e nem revisei as coisas. Como é a primeira vez, eu cortei algumas coisinhas no hot hot só pra deixar vocês na vontade hehe E aí, gostaram? Comentem lá pra mim, divulguem se vocês gostarem e obrigado novamente! Beijos, Luh.

Cicatrices Clanessa - Capítulo 5

*Hotel sheraton – sábado*

Clara - Acho que sua convidada de honra não virá.
Samuel - Está enganada – rindo - olhe quem está entrando ali – aponta para Vanessa.
Clara - Já vi que vai me trocar por essa aí – diz virando os olhos.
Samuel - Que menina ciumenta – dando lhe um beijo na testa.
Clara - Bom – se levanta – vou procurar Star – saindo.

***

Samuel - Boa tarde senhorita Mesquita.
Van - Me chame apenas de Vanessa – diz sorrindo para Samuel.
Samuel - Ok Vanessa.
Van - Quero que conheça minha Bá – diz Vanessa– Bá esse é o Samuel diretor da empresa, Samuel esta é Adriana.

Ambos se cumprimentam com simpatia.

Star - Samuel você viu minha tia? – pergunta uma menina chegando até ele correndo.
Samuel - Ela saiu neste instante para lhe procurar Star.
Star - Ela foi para que lado? – pergunta a menina olhando para todos os lados tentando encontrar Clara.
Samuel - Não vi, mas fique ao meu lado – passando a mão em volta do ombro da menina – daqui a pouco ela volta.
Adriana - Quem é essa lindeza? – pergunta Adriana.
Star - Eu me chamo Star – diz sorrindo.
Adriana - Você é muito bonita Star.
Samuel - A Star é sobrinha da Clara, sócia da empresa – diz sorrindo – Pequena Star estas são Adriana e Vanessa.

A menina cumprimenta as duas com um beijo no rosto.

Clara - Star, você quer me matar de susto?
Star - Oi tia!
Clara - Procurei você igual uma desesperada – diz aborrecida.
Star - O Samuel me prendeu aqui.
Clara - Sei.
Samuel - Ela ia te procurar Clara, mas eu não deixei porque sabia que você voltaria.
Clara - Entrei em pânico quando não a encontrei. Sua mãe me mataria se acontecesse algo com você.
Star - Ia mesmo – diz a menina sorrindo.

Clara olha para Vanessa e para Adriana

Clara - Boa tarde Srta Mesquita!
Van - Boa tarde!
Clara - Boa tarde senhora.
Adriana - Adriana.
Clara - Como?
Adriana - Meu nome é Adriana meu anjo.
Clara - Ah! Boa tarde Adriana! – diz um pouco sem graça.
Van - Perdão! Acabei de distraindo – diz – Srta  Aguilar esta é Adriana, Adriana esta é Clara  Aguilar.
Adriana - Muito prazer Srta Clara – estendendo a mão – sou Adriana.
Clara - Muito prazer Senhora – sorrindo – por favor, me chame apenas de Clara.
Adriana -Ok Clara! E a senhora está no céu, me chame apenas de Adriana.
Van - Bá a senhora quer alguma coisa?
Adriana - Não minha menina.
Star - Bá? – pergunta a pequena Star sem entender.
Adriana - É que eu sou babá dela desde o seu primeiro dia de vida – diz sorrindo.
Star - Você ainda tem babá? – pergunta assustada.
Van - Tenho – fala sem graça.
Star - Você não é muito velha para ter babá?
Clara - Star – Clara arregala os olhos para a menina chamando-lhe a atenção.
Van - Deixe-a – diz sorrindo – Eu não sou tão velha e a Bá não é mais minha babá.
Star - Não? Você a despediu?
Van - Não. Ela é como minha mãe, e como você disse, eu estou velha para ter uma babá – diz piscando para ela.
Star - Sei. Você está com vergonha de admitir que tem uma babá.
Clara - Star – Clara a fuzila com os olhos.
Adriana - Que menina danadinha – diz sorrindo.
Clara - Desculpem! A Star às vezes passa dos limites – dando um beslicão na sobrinha.
Star - Ai tia! – diz passando a mão onde Clara beslicou.
Adriana - Não se preocupe tenho uma igualzinha em casa – diz Adriana olhando para Vanessa.
Van - Pronto – virando os olhos – vai começar.
Star - Tia eu quero ir para a praia.
Clara - Primeiro a senhorita vai comer.
Star - Mas…
Clara - Nada de mais Star.
Adriana - Não gosta de comer?
Clara - Ela é terrível para comer Adriana.
Adriana - Vanessa, eu acho que essa menina é sua filha.
Van - Como?
Adriana - É que são muito parecidas. Essa até hoje é um problema sério para comer. Só falta eu sentar com um chinelo do lado para fazê-la comer.
Van - Sou nada- dando língua.
Adriana - Star – diz virando-se para a menina - você acredita que ela faz drama e pirraça para comer? Ela só quer saber de comer porcaria.
Star - Que porcaria?
Adriana - Chocolate, bala, pipoca etc.
Star - Isso não é porcaria. É a melhor coisa do mundo.
Van - Concordo.
Star - Você gosta de toblerone?
Van - Amo.
Star - Eu tenho na minha mochila. Quer?
Van - Hum!
Star - Quer ou não?
Van - Quero.
Star - Vem comigo – pegando a mão de Vanessa a arrastando para uma mesa.
Adriana - Essa menina não tem jeito.
Clara - Ela está muito abusada isso sim.
Adriana - Clara deixe-a, parece que Vanessa gostou dela. É bom que elas fiquem amigas – sorri – A minha menina está precisando de companhia.
Clara - Você não conhece a Star. Tenho medo de que ela chateie a Srta Mesquita.
Adriana - Vanessa parece ter gostado dela, ao contrário não estaria sorrindo – diz apontando para Vanessa e Star que estavam voltando cada uma com uma barrinha de Toblerone na mão.
Star - Alguém quer? – Star oferece.
C&A&S - Não obrigada – todos dizem em coro.
Star - Tio Samuel a Sófia está te procurando.
Samuel - Eu vou ver o que minha esposa deseja – diz Samuel saindo.
Star - Odeio aquela bruxa – Star virando os olhos.
Clara - Star – Clara chama-lhe a atenção.
Star - A Vanessa viu como ela falou comigo, não foi? – virando para Vanessa que faz sim com a cabeça.
Clara - Ela fez o que Star?
Star - Olhou com nojo e perguntou onde estava o tio Samuel. Aí eu disse que estava com você e ela fechou a cara.

Adriana analisa a situação e lembra-se da mulher que Vanessa havia comentado com ela.

Clara - Ela não pode lhe tratar assim – diz furiosa.
Star - Tia eu não gosto dela, preferia a tia Carmem, não sei o que o tio Samuel viu na Sofia.
Clara - O paizão é muito inteligente para os negócios, mas é tão burrinho nos relacionamentos.
Adriana - Paizão? – pergunta curiosa.
Clara - É que eu conheço o Samuel desde pequena. Ele é o melhor amigo do meu pai – sorrir- E eu o chamo de paizão porque ele é como um pai para mim.
Adriana - Entendi.
Star - A Sófia tem ciúmes da minha tia.
Adriana - Ciúmes?
Star - Sim, mas razão para tal ciúme eu desconheço.

Elas conversam um pouco e logo vão se sentar, pois o almoço será servido.
Almoçam em harmonia. Adriana amou Star. A menina por sua vez fica encantada por Vanessa. As duas ignoram completamente o restante das pessoas batendo um papo altamente divertido.

Star - Van, me dá seu número?
Van - De que?
Star - Do sou celular oras – virando os olhos.
Van - Vai me ligar?
Star - Claro.
Van - Eu moro em São Paulo.
Star - E daí? São meus pais que pagam a conta – diz a menina rindo.
Van - Que danadinha.

Vanessa passa todos os seus números para Star que salva um por um na memória de seu celular.

Clara - Você está perdida.
Van - Como?
Clara - Ela vai lhe perturbar.
Van - Não tem problema – Vanessa sorri.
Star - Van, você está de biquíni por debaixo da roupa?
Van - Não.
Star - Droga!
Van - O que aconteceu?
Star - Eu queria alguém para ir comigo a praia – fazendo bico.
Van - Isso não é problema. Eu vou à praia com você, mas não vou me molhar.
Star - Assim não tem graça. Está igual à tia Clara que só quer saber de ficar se bronzeando e não vai à água comigo – faz manha.
Clara - Ei! Eu vou sim à água com você.
Star - Vai nada. Fica só na areia com o baldinho – cruzando os braços.
Adriana - Que menina brava – ri divertida.
Van - O que você acha de irmos à praia amanhã? – Vanessa sorri.
Star - Que tal ir hoje e amanhã?
Clara - Star!
Van - Você venceu.
Star - Venci o que?
Van - Vamos vê se eu encontro alguma loja de venda biquíni e eu vou à praia com você.
Star - Sério? – pergunta com os olhinhos brilhando.
Van - Sério! Vamos levante.
Star - Oba!

As duas saem de mãos dadas indo em direção a entrada principal do hotel.

Adriana - Acho que sobramos Clara.
Clara - É verdade.
Adriana - Me conte mais de você.
Clara - O que quer saber?
Adriana - Tudo – ri.
Clara - Tudo é difícil, mas pode perguntar o que quer saber que eu respondo.
Adriana - Quantos anos têm?
Clara - Farei 27 dentro de alguns meses.
Adriana - Tem namorado ou namorada?
Clara - Não – sorri.
Adriana - E por que não?
Clara - Não encontrei a pessoa certa para me envolver.
Adriana - Está igual minha menina.
Clara - Por que diz isso?
Adriana - Ela ainda não encontrou uma companheira que preste.
Clara - Entendo.
Adriana - Você sabia?
Clara - De que?
Adriana - Que minha menina é lésbica? – receosa.
Clara - Sim.
Adriana - Não se importa?
Clara - Por que deveria me importar? A vida é dela.
Adriana - Que bom que não é preconceituosa.
Clara - Nem tinha como eu ser preconceituosa com relação a isso.
Adriana - Por quê?
Clara - Eu sou bissexual.
Adriana - Sério?
Clara - Sim. Por que o espanto?
Adriana - Não imaginava.
Clara - Ninguém imagina. Eu sou muito discreta em minhas saídas com mulheres.
Adriana - Tem medo de fofocas?
Clara - Mais ou menos.
Adriana - Você não deve ter vergonha menina.
Clara - Mas eu tenho um pouco de receio, pois sociedade não aceita muito bem homossexualismo – faz uma careta – e todas as mulheres que eu me envolvi foram apenas para… - não termina de falar.
Adriana - Para aliviar?
Clara - O que?
Adriana - Todas as mulheres que você se envolveu apenas serviram para te aliviar com relação ao sexo?
Clara - Quase isso. Digamos que as mulheres são mais companheiras que os homens e muito mais carinhosas, mas era algo fictício, não existia amor.
Adriana - Minha menina pensa igual.
Clara - Elas estão demorando – olha para o relógio – Estou ficando preocupada.
Adriana - Não fique, pois elas já chegaram – diz apontando para Vanessa que entrava com a Pequena Star.
Star - Oi tia! Oi Bá!
Clara - Vocês demoraram.
Star - Tia a Vanessa é pior que você para escolher roupa, ela fez a vendedora mostrar todos os biquínis da loja – ri a pequena Star.
Van - Exagerada – diz Vanessa rindo.
Star - Exagerada? – indignada – Você fez à pobre subir e descer as escadas um milhão de vezes.
Adriana - Star a Vanessa é estilista de moda, logo ela é muito exigente com as roupas.
Star - Igual à tia Clara. Nem quero pensar no que são essas duas juntas nas ruas de Paris e Nova York – diz a menina virando os olhos.

Todos caem na risada com o comentário da menina.

Van - Agora vamos para a praia?
Star - Claro! – animada – Vocês não vêem?
C&V&A - Sim claro – falam em coro.

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