gritou

No fim, dá certo. As coisas se ajeitam, se encaixam e se alinham perfeitamente como duas retas paralelas que um dia já foram perpendiculares. No fim, o preto se dissolve no branco, a cor neutra e sombria já não assusta e não existe mais o luto porque ele foi superado pela luta. A luta de aceitar que tudo acontece porque tem que acontecer, e que, mesmo que a gente negue e insista no contrário, o inesperado já foi decretado e o ringue já foi montado e o juiz já gritou: Lutem! Então a gente embarca num duelo onde somos obrigados a ser forte sem o Biotônico Fontoura porque ela, a vida, nunca nos prepara para nada e não deixa a gente se prevenir porque a nossa fraqueza é sua maior virtude, o inesperado é seu maior aliado e do nada vai ser e já era e já foi. A gente tem aguentar a chave-de-braço e ao mesmo tempo reagir para não ser nocauteado. E a gente consegue porque o bem vence o mal desde outros milênios e outras décadas e outros séculos. E assim vai ser. E vai continuar sendo. O protagonista sempre tem seu desfeche feliz, ainda que essa felicidade não agrade a todos. No fim, a nossa mão é levemente levantada pro alto, a plateia já foi ao delírio e o medalhão pesado e reluzindo a vitória já está grudado na cintura. Tudo isso porque apesar dos apesares, dos afazeres e das dificuldades, deu certo. Sem explicação. Deu certo porque simplesmente deu.
—  Pedro Pinheiro.
Este texto poderia começar com um apelo a algum deus, sei la, a qualquer um desses varios que existem por ai, mas entendo que nessas horas não se tem fé, o que é bem engraçado, pois diariamente tentamos salvar pessoas com palavras, estas de meros humanos que anseiam por salvar vidas. Parece ser ridículo, mas o maior porquê disso é exatamente, que palavras, o vento leva. Sim, essa frase é muito usada nos textos de amor, com o objetivo de instruir as pessoas a terem atitude. Mas se pararmos para pensar a fé é simplesmente algo absoluto, ou você tem, ou você não tem/perdeu, já as palavras não, elas veem e vão, percorrendo as correntes de ar, sejam elas boas ou ruins, pequenas, ou grandes como as enciclopédias, ou até do tamanho de um livro do Nicholas Sparks. Talvez, um “Eu te amo!” onde não existe amor machuque, mas não estou aqui para isso, estou aqui para lhe dizer que você pode contar comigo, e com os outros ao seu redor, você não os enxerga, não é? Eu entendo, todos já tivemos aqueles problemas, que geraram mais problemas, criando uma bola gigante de neve que se estacionou sobre nós. Eu sei o que é estar agasalhado e ter frio, sei como é não ter ar, que não conseguimos sair do lugar, nossa vida para, não vamos para frente, nem para trás, ou quando não é isso, somos jogados em um rio de possibilidades onde temos que nadar contra a correntezas que a vida nos impõe. É, já tive que nadar contra as correntezas, sei que os braços cansam, as pernas começam a dar câimbra, seus dedos calejam, sim, calo sobre calo, e seu cérebro se exausta. Você até pensa que será o seu fim, mas você já se afogou tantas vezes que seu corpo já se acostumou com isso, ter a vida te engolindo como um mar que engole as pequenas tartaruguinhas que acabaram de nascer, no final somos mesmo como tartaruguinhas, pessoas pequenas, frágeis, envolto em um grosso edredom, sem nenhuma parte do corpo pra fora, pois precisamos nos assegurar em uma falsa proteção. É engraçado, porque na verdade somos de uma espécie totalmente diferente: Homo Sapiens, o Homem Sábio, mas no fundo só estamos perdidos, cansados, presos em uma rotina que se prende em: da casa pro trabalho, do trabalho pra casa da mãe, pro mercado, pro banco, ou pra casa do caralho. Tudo começa a ser tão automático que as pessoas se tornam comuns, como os prédios, os ônibus, os postes de luz. Quando você se vê perdido em meio ao centro da cidade, você para, procura, mas está escuro, não é? Seus olhos começam a se fechar, ou são as luzes que se apagam? Mas você sempre esteve no escuro não é tartaruga, o mar é tão grande, tão escuro, você se desespera, anda, corre, tropeça, cai, levanta, cansa, senta e descansa, as pessoas dizem que a luz é um tipo de esperança, mas você começa a achar que no seu túnel não tem luz no final, você grita, pede ajuda, se engasga, e por fim, se conforma com aquele lugar, acha melhor se acostumar e continuar andando, até porque não tem mais nada a perder. É uma conclusão inteligente, se não tem luz, não se tem esperança. Mas ela não é a última que morre? Quem sabe só está perdida nessa escuridão. Você sente fome, sente frio, tropeça no meu fio, mas não o vê, percebe que ainda está na rua, tudo passou tão rápido, agora você é um mendigo, que mendiga a esperança de achar um feixe de luz, ou fogo, seus braços estão machucados, cortados, e seu corpo também. Você luta uma grande guerra, e por isso tem essas marcas, você luta uma grande guerra contra si mesmo. E suas energias acabam e você morre, sem ter absolutamente nada, morre, pesado como se tivesse tudo, estranho, não? O vazio não devia ser leve? Você sempre se achou vazio, mas, e se o vazio fosse tudo que você não consegue ver? E se o escuro for só uma questão de perspectiva? Igual as milhares ilusões de óticas que temos por ai, e as pessoa boazinha que nos apunhala pelas costas. Quem sabe, aquele meio fio não seja apenas a sua cama? E tudo só esteja escuro porque você não tentou acender a luz e sim procura-la? Você realmente gritou por ajuda ou deu aquele grito silencioso que ninguém consegue ouvir? Até porque, todos sabemos que o silêncio é o pedido de socorro de quem sobre. Chega de perguntas, agora é a hora de reagir, vamos converter essa guerra ai em uma estratégia de vitória. Agora, acenda a luz! Não adianta dizer que não sabe onde fica o interruptor, pois esse é o bom de andar em círculos no escuro, esbarramos tantas vezes nos mesmos lugares que sabemos exatamente onde fica cada coisa. Agora, se olhe no espelho, quem você vê? Você falou o seu pior adjetivo, não foi? Eu sei pois foi o que eu disse quando me olhei também, agora diga o seu melhor também, todos erramos e temos nossos pecados, mas não somos feitos de total derrota, precisamos olhar os dois lados da coisa. Comece a se abrir para o mundo, e se ele te bater, aprenda a revidar, mas não com mais porrada e sim com superação, a gente sempre apanhou, não é? O que serão mais alguns socos?  Mostre ao mundo suas qualidades, aceite-as, mostre a eles que um erro na tabuada de 9 não significa errar a tabuada inteira, mas somente uma operação de multiplicar, e essas palavras presas na sua garganta? Comecem a pôr pra fora, não vai ser facil não, você guardou tanta coisa que ficou pesado, eu sei, também engoli palavras e no fim vomitei dicionarios. Comece a ver a vida de uma forma diferente, e se não der certo, tente de novo, depois de errar tantas vezes, você começa a perceber que não existe forma perfeita de viver, mas sempre tem aquela melhor, e é ai que perceber que só precisa colocar de 0 à 9 e depois do lado de 9 à 0, e terá todas as respostas certas sem nenhum problema.
9x1 = 09
9x2 = 18
9x3 = 27
9x4 = 36
9x5 = 45
9x6 = 54
9x7 = 63
9x8 = 72
9x9 = 81
9x10 = 90
—  Senhor Fallen, Cartas dos derrotados. 

[Texto dedicado ao mês do Setembro Amarelo]

Esses dias uma travesti me parou na rua da consolação. Ela poderia ter parado outras tantas pessoas que estavam em volta, mas me escolheu. Ela veio cambaleando em minha direção, era fome ou pressa de viver. Ela me escolheu e eu só tinha que me desligar e parar também.

Conversamos. Ela me pediu dinheiro. Eu não tinha nada além do bilhete da passagem. Perguntei qual era o seu nome. R., melhor assim. Ela queria dinheiro para comer, me explicou depois, estava com fome. Então dei um pacote de bolacha que guardava na bolsa e um suco que levaria para a faculdade. Não era o meu último lanche. Talvez seja o dela. A gente nunca sabe quando é.

Ela me pediu para cheirar o cabelo dela. Era terra com cheiro de álcool, o olho faltava saltar e arder. Não era odor, era ardor. “Sabe esse cheiro? É de abandono. Queriam me violentar, mas eu não deixei”, ela dizia com a voz tremula. Era frio ou pressa de viver.

Eu sei que quando nos despedimos, R. me gritou de longe: você ainda vai lembrar de mim. Eu respondi que sim. Você sabe o momento exato em que uma história vai te marcar para sempre. Mesmo que você não entenda o por quê.

R., a lembrança foi tanta que precisei eternizar em um texto.

eu tava analisando todos os fatos e nós nunca chegamos ao ápice da felicidade. você tinha seu jeito autoritário e insensível. eu livre e sentimental. porra os opostos não se atraem. a gente fingia ser o que não era só pra agradar o outro. e esse foi o nosso erro. não foi culpa sua, nem somente minha, a gente se pôs nessa situação. vivíamos vidas que não nos alegrava. e um belo dia houve aquela explosão. eu gritei. você gritou. nós dois choramos. tive uma crise asmática, fui medicada no hospital, você se culpou, eu te odeie por um misero instante. e ali, bem ali, naquele minuto, eu soube, não estaríamos mais juntos. 

um dia desses o telefone tocou, era seu numero, eu atendi. e a gente conversou por horas e horas. e em nenhum momento eu te quis de volta. e agora eu entendo, o nosso nós não era para durar. os opostos não se atraem e nem se completam, eles mentem, e eu não quero mais viver uma mentira.

Por três dias, Deus esteve em silêncio. Então, ele gritou. Com poder catastrófico, Deus rolou a pedra e desencadeou um paroxismo de energia criadora de vida, infundindo-a uma vez mais no corpo inerte de Cristo. O coração de Jesus começou a bater, bombeando sangue glorificado através de artérias glorificadas, mandando vigor glorificado para músculos atrofiados pela morte. As vestes do sepulcro não podiam detê-Lo mais, quando ele se levantou e rompeu a cripta. Em um instante, o mortal se tornou imortal, e a morte foi tragada pela vitória. Em um momento da História, a pergunta de Jó foi respondida uma vez para sempre: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” Este é o momento determinante na história da raça humana, em que a miséria da raça é transformada em grandeza. Nesta altura, a kerygma, a proclamação da Igreja primitiva, nasceu com o clamor: “Ele ressuscitou.
—  R. C. SPROUL

sempre fui do tipo que vai embora
e você sempre soube
só não aceitava
mas acreditava que eu jamais partiria
e quando aconteceu você gritou pra meio mundo o quão horrível eu era

cê me culpa por partir teu coração
mas esquece que concordou com iss
o

Sabe, quando você acha que perdeu a fé, a sensibilidade e tudo mais, e quando você pensa mas como isso aconteceu “ah são consequências da vida, foi por tudo o que aconteceu” mas no meu caso o problema era unicamente eu. Ninguém mais, ninguém menos, era só eu, porque eu permiti minha carne falar mais alto, eu sofri depois, porque eu deixei algumas coisas irem do jeito que estavam indo, e eu errei, mais uma vez. Sabe quando você pensa, “eu já escrevi tantas vezes que Deus é bom, que Ele perdoa, que sua misericórdia dura para sempre” mas nem eu mesma estava me sentindo digna desse amor, nem eu mesmo, parecia merece-lo. Mas muito mais do que minha razão pode falar, minha fé gritou mais alto dizendo “Ele te perdoa. Ele nunca vai te deixar. Para de pensar em você mesmo, pense em Deus, você é uma parte dele, foi criada pra Ele, e por isso quando você tenta ir pra longe você fica assim, sem rumo, sem futuro, sem saber o que fazer, por que você já planejou sua vida inteira pra Deus, e Ele permitiu esses sonhos, porque você colocou ele na frente de todas as outras coisas pra você. Hey ele te ama, e ele ainda quer fala com você, permita-se escutar ele te chamando de filhinha. Ele não te deixou, Ele tem sonhos ainda pra você. Então eu pensei, como eu pudi deixar outras coisas ir sendo colocadas na frente e deixar Deus de assumir meu comando, eu pensei "me ajuda Deus, quero estar contigo” mas parecia que nada mudava, mas era eu quem não mudava. Então eu entendi que o problema estava em mim, e que eu precisava mudar, ser alguém muito melhor, para poder ter muito mais de Deus, pra ser mais parecida com Ele, para as pessoas verem Deus em mim, eu tenho que melhorar, para poder honra-lo e Ele ter orgulho da filha que tem. Eu tenho que melhorar para poder ama-lo cada vez mais, porque eu estou mais parecida com Ele. Eu só tenho que ama-lo mais do que antes.
— 

Um desabafo extremamente sincero. Leticia Dutra

Servos do Senhor 

Numa total falta de senso, você se pôs a chorar, lamentar pela perda de algo que nunca foi seu. E você esperneou, gritou, bateu o pé e disse que não abriria mão. Mas, meu bem, para que esse auê? Ele nunca foi seu. Não entende? Para quê todo esse gasto de energia? Como você pode não querer abrir mão de algo que, na verdade, nunca lhe pertenceu.
—  Christiellen Pinto.
Foi por você, João

Esqueci meu nome e onde eu moro, mas não esqueci você. Não sei fazer minha sobremesa favorita, mas aprendi a sua.Você me fez ir até a esqueci só para levar aquela caixa boba que até hoje não sei o que tinha dentro. Mas porque isso, João? Não precisa me olhar dessa forma, não precisa me acariciar, não precisava me abraçar toda noite. Se depois sua intensão era sumir, me deixar sozinha na esquina, me deletar do seu coração. Foi difícil, está sendo duro, pois infelizmente eu te amava e creio que ainda amo. Também foi duro quando você gritou na minha cara e saiu rindo, depois de falar que nunca me amou de verdade. Mas no dia seguinte eu também ri, João. Ri até doer minha barriga, pois lembrei que quem saiu perdendo foi você. Só que a ironia da vida foi eu amar o único homem que nunca me amou. Foi por você, para você, João! Um pedaço do meu coração. Sei que jogou fora em qualquer esquina da sua vida, só espero que quem encontra-lo, saiba utiliza-lo melhor que você, João.

Meu nome é Matheus Lopes (@matheuslopesx) e estou traduzindo os tweets do Manuel Bartual para português para compartilhar com quem não lê espanhol. Aparentemente ele acabou de contar a história e era tudo ficção.

Twitter dele: https://twitter.com/ManuelBartual


21 de agosto

Estou de férias há alguns dias, em um hotel perto da praia. Estava tudo bem até que começaram a acontecer coisas estranhas.

Esta tarde estava lendo na varanda do meu quarto quando ouvi a porta se abrindo. E nesta viagem vim sozinho.

Primeiro pensei no normal desses casos, que era alguém do serviço de quarto. Já aconteceu outras vezes. Hoje pelo menos eu estava de calça. Mas não: quando entrei no quarto, encontrei um homem alto e magro, muito nervoso, andando de um lado para o outro.

Me assustei um pouco. Se movia rápido, parecia observar o quarto, ou buscar algo, não sei. Falei com ele e ele me olhou. Assim passou um pouco o susto, porque quando nos olhamos ele não me pareceu agressivo, mas bem desorientado. Era um olhar triste.

Me aproximei dele e ele me segurou forte por um braço. Começou a falar, muito rápido, sem piscar os olhos, mas eu não entendia nada. No começo pareceu um idioma que eu não conseguia entender, mas em seguida comecei a reconhecer palavras. Era espanhol, mas completamente fora de ordem. Algumas frases começavam com as palavras no lugar, mas rapidamente se deslocavam. Como um Yoda a mil por hora, se atropelando ao falar.

Tentei acalmá-lo, mas não adiantou muito. Gritou algo, se virou e antes de ir percebi que ele carregava um cartão como o que eu uso para entrar no quarto. Um cartão como este.

Fechei a tranca da porta e me sentei no sofá por um momento. Na mesma hora escondi as coisas de valor e fui à recepção. Me explicaram que é raro, mas não impossível. Cada vez que um hóspede deixa o hotel, resetam o acesso do quarto, mas talvez quem se encarregou de fazer o check out esqueceu dessa parte do processo. Estou supondo que foi isso mesmo, um cliente do hotel.

Descrevi sua aparência, mas não tinha nenhuma característica que o destacasse. Alto, magro, cabelo curto, meio queimado de sol. A moça que estava me atendendo falou para eu me virar, que ele estava atrás de mim. Metade dos que estavam na recepção se encaixava na descrição. Rimos um pouco.

Para nos assegurarmos de que isso não aconteceria novamente, trocou o cartão e resetou o acesso ao meu quarto. E aqui fiquei desde então. Mas isso não é a única coisa estranha que me aconteceu hoje. Também perdi esta camiseta.

22 de agosto

Desci para tomar café da manhã no hotel e acabei de passar pelo homem alto. Está sentado aqui, tomando café em outra mesa. Ao passar ao lado dele, me cumprimentou e se desculpou. Desta vez o entendi porque ele falou tranquilo, colocando cada palavra no lugar. Disse que entrou no meu quarto por engano, que está hospedado em outro deste mesmo hotel e que se desculpava pelo susto.

“Não se preocupe, está tudo bem” repetiu várias vezes com um sorriso no rosto que não poderia ser mais falso. Enfim, não sei. Quase me fez me sentir pior agora do que ontem quando entrou no meu quarto enlouquecido. Ontem pelo menos parecia uma pessoa. Hoje parece um robô. Vou tratar de tirar uma foto. Aqui, é este.

Passei a manhã fora. Ao voltar encontrei com o quarto aberto e isto no chão do banheiro.

É um lápis preto usado.

Não é meu, não trouxe nenhum lápis comigo. Revistei o quarto, mas não encontrei nada mais que não seja meu, nem nada sumiu. Em qualquer outro momento eu teria imaginado que quem estava limpando o quarto o deixou cair, mas depois de ontem não sei o que pensar. Esclarecendo porque vocês me perguntaram: o lápis não é meu nem é como os que eu uso geralmente. Vou dar uma volta.

Não sei se comecei a ficar um pouco influenciado pelo que aconteceu ontem, mas esta tarde voltou a acontecer algo um pouco estranho. Estava passeando pela praia e acabei caminhando até o final desta passarela. 

Não é muito longe da areia, mas a vida desta parte que adentra o mar é legal. Costuma encher de gente tirando fotos. 

Fiquei um momento, quando me virei vi isso.

Não dá pra ver muito bem por conta da luz, mas à direita está o homem alto junto a outro homem. Não sei quanto tempo ficaram ali em pé, mas juro que estavam ali quietos, me observando. São estes dois.

Comecei a caminhar na direção deles e no mesmo momento se viraram e começaram a caminhar para a orla. Tratei de segui-los, mas com o sol no meu rosto e a quantidade de pessoas, ao chegar na orla não consegui ver aonde tinham ido. Mas isso não foi o mais estranho. O mais estranho foi que o homem que acompanhava o homem alto estava vestindo a camiseta que perdi ontem.

23 de agosto

Para os que estão preocupados comigo: continuo vivo!

Ontem voltei ao hotel e pedi algo para jantar no quarto. Fiquei por aqui desde então, lendo e vendo alguns filmes. Tenho pensado e creio que me exaltei um pouco. Com certeza há uma explicação lógica para tudo isto. Na verdade pode ser que os dois homens que vi ontem não eram o mesmo que entrou no meu quarto nem um com minha camiseta perdida. O sol estava na minha cara quando os vi, então não sei. Talvez tenha visto o que eu quis ver. Vou à praia nadar um pouco, ver se me distraio.

Aconteceu algo. Estava nadando e ao sair vi alguém sentado na areia com a camiseta que tinha desaparecido. Creio que é o mesmo homem que me observava ontem na passarela junto com o homem alto. Desta vez não parecia estar me observando. Estava sentando longe de mim, olhando para o mar. Eu deixei o celular no hotel antes de sair, então pensei no que fazer: se voltaria para pegar o celular, vigiá-lo ou sei lá.

Acabei voltando ao hotel. Não parecia que ia sair dali e o hotel fica perto da praia. Quero documentar tudo isto. Quando voltei com o celular ele já não estava lá. Por sorte, a zona turística não é muito grande. Dei umas voltas e acabei o encontrando sentado em um bar. Tirei estas duas fotos.

Vou ficar aqui perto, tomando cuidado para ele não me ver. Ele acabou de pedir algo a um garçom.

Trouxeram um hambúrguer e um refresco. Ou um vinho de verão, algo assim. Continuo aqui, debaixo de uma árvore, fora de vista. Acabou de comer. Pagou. Acabou de sair do bar. Estou o seguindo. Acabou de entrar no supermercado.

Ok, AGORA SIM ESTOU SURTANDO. Esse cara é IDÊNTICO A MIM.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/900343908705517568

A vocês que me conhecem pessoalmente: é coisa minha ou vocês também o acham parecido?

O perdi de vista ao sair. Estou procurando. Não o encontro. Creio que devo voltar ao hotel. Deixo aqui uma foto minha para que possam comparar.

Estou no meu quarto. Não sei o que pensar de tudo isto. Mesmo que pareça incrível, há algo que me inquieta mais do que ter encontrado alguém idêntico a mim.

Esta zona turística é pequena e realmente há pouco o que fazer nela. Uma praia, hotéis, casas e alguns bares e supermercados. Suponho que esse é o encanto. Um lugar para se visitar para não fazer nada durante uns dias. É justamente o que eu buscava quando vim aqui. O outro Manuel, por assim dizer, estava descansando de frente para o mar, comendo um hambúrguer e logo comprando água. Mesmo pensando que aqui é pequeno e a oferta é limitada… Qual é a probabilidade dele ter feito exatamente o mesmo que eu fiz ao chegar aqui, no primeiro dia, na mesma ordem e nos mesmos lugares?

Quase me caguei agora há pouco. Continuo sem saber quem deixou o lápis no banheiro, mas pelo menos já sei o que ele fazia ali. Melhor que vocês vejam com seus próprios olhos.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/900449501147783169

“ESTÁ. EM. PERIGO.”

Acho que eu teria caído na gargalhada ao ver isto se não fosse prova de que alguém esteve no meu banheiro. Se bem que se parando pra pensar, se alguém queria me deixar uma mensagem e não quisesse que ninguém mais visse além de mim, que lugar melhor do que este? E tem mais. Continuei desenrolando e encontrei tudo isto.

Tentei colocar mais ou menos na ordem em que encontrei, mas dá pra ver que não tem muito sentido. Lembrei em seguida de como falava o homem alto quando o entrou no meu quarto, o que me faz pensar que isto foi escrito por ele. Vou tentar ordenar as palavras e ver se consigo dar algum sentido a este enigma.

24 de agosto

Obrigado a todos que me escreveram à noite em público e em particular para me ajudar a decifrar essa mensagem. Foi muita gente! Alguma frase pode estar fora do lugar, mas acredito que isto é mais ou menos o que diz:

“Está em perigo. Já não tenho solução, mas você pode se salvar. Encontre o outro quarto e fique nele. Não é uma brincadeira.”

Não vou mentir para vocês: esta noite não dormi muito bem por conta de tudo isto. Mesmo que a mensagem avise justamente o contrário, estou achando que alguém está fazendo algum tipo de brincadeira muito elaborada. E ainda que seja sério, o que posso fazer? Tenho olhando a planta do hotel que fica colada na minha porta, e se não me falham as contas, este hotel tem 192 quartos. Sem contar o meu, qual desses 191 quartos é “o outro quarto”? E mesmo que eu saiba, como entro nele?

Passo a manhã pensando na mensagem, e se isto é sério, não me parece viagem pensar que na verdade há dois homens altos. O homem alto 1 seria o que entrou no meu quarto na segunda e me deixou a mensagem. O homem alto 2 seria o que encontrei tomando café da manhã e me observava na passarela acompanhado do outro Manuel.

Isto explicaria a diferença de comportamento entre as duas vezes em que falei com ele, primeiro no meu quarto e depois no café. Foi algo muito forte. O homem alto 1 estava nervosíssimo, o homem alto 2 parecia uma pessoa completamente diferente. Tão tranquilo e repetindo tantas vezes que tudo estava bem que fiquei nervoso de falar com ele. O que já não sei explicar é por que há dois e por que são idênticos. Mas claro, também está andando por aí um cara idêntico a mim. Também me preocupa o estado em que o homem alto 1 apareceu no meu quarto, tão nervoso, tão fora de si.

Se o seu “já não tem solução” mas o meu pode ser salvo, isso quer dizer que o aconteceu com ele pode acontecer comigo? Estou ficando agoniado. Sairei para dar uma volta.

Alguns de vocês comentaram que talvez “o outro quarto” seja um com o mesmo número que o meu neste mesmo hotel. Não havia pensando nisso. Me pareceu estranho haver dois quartos com o mesmo número, mas a essa altura é melhor não descartar nada. Vou procurar no hotel inteiro. O meu quarto é o 328.

Aos que me perguntaram como é possível que eu esteja hospedado no quarto 328 se o hotel tem 192 quartos: procurei no hotel inteiro mas não vi nenhum outro quarto 328. Também pensei que talvez “o outro quarto” seja um que tenha os números 328 mas em ordem diferente. Teria certo sentido. A única outra combinação de 328 que deu resultado em um quarto que existe neste hotel é 238. Tentei ligar para o telefone desse outro quarto pelo meu. Uma mulher atendeu falando em alemão. No fundo dava pra ouvir duas crianças. Acredito que “o outro quarto” deve ser outra coisa. Vou descansar um pouco. Estou cansado. De noite não dormi muito bem.

Acabei de acordar de uma sesta. Tive um sonho muito estranho. Caía no mar, não sei muito bem de que parte, e ao chegar na orla começava a caminhar até o meu hotel.

Ao chegar no meu quarto entrava nele e encontrava ali alguém idêntico a mim. Então saía e caminhava até minha casa. Isto é impossível porque levaria dias para chegar, até porque há um mar entre os dois. Mas bem, você sabe como funcionam os sonhos. Quando chegava em casa, entrava e Manuel Bartual estava ali. Descia para ir a um bar e outro Manuel Bartural estava tomando algo neste mesmo bar. Isto me irritava especialmente porque eu desço para tomar café todos os dias neste bar. A situação se repetia várias vezes, fosse onde fosse, e ao final, muito agoniado, decidia pegar o telefone e ligar para mim mesmo. E então escutava Chiquito de la Calzada do outro lado da linha me dizendo “A coisa está muito feia!”.

E bom, menos mal, porque o sonho estava sendo uma autêntica agonia. Imagino que Chiquito apareceu no sonho porque vi esse mesmo GIF enquanto olhava o Twitter antes de pegar no sono. Acho que vou passar o resto da tarde no meu quarto.

Acho que voltei a ver o outro Manuel. A varanda do meu quarto tem vista para uma das piscinas do hotel e uma das ruas que o cercam. Acredito que estava ali, de pé, na rua. Olhando na direção da minha varanda. Entrei para pegar o celular para tirar uma foto, mas a foto estava vazia quando saí. Ele estava ali, perto do carro vermelho.

Droga, acabei de vê-lo outra vez. Está dentro do hotel, perto da piscina. Apaguei as luzes do quarto para gravar este vídeo. Espero que não tenha me visto.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/900820857274159104

Estou ligando para a recepção para avisar que há alguém suspeito perto da piscina. Que enviem alguém para comprovar, por favor.

Merda, não está mais lá.

Droga, que mal estar. Me arrepiei todo. Droga droga droga. Acabei de me assegurar de que o aceso ao quarto desde a varanda está bem cercado e fechei a tranca da porta. É a última vez que viajo sozinho.

DROGA QUE SUSTO. Acabaram de me ligar da recepção. O meu coração quase saiu pela boca quando o telefone tocou. Disseram que passaram pela piscina mas não viram ninguém. Disse a eles que quando liguei tinha alguém lá sim. Acho que vou descer e mostrar o vídeo a eles.

Estou de novo no meu quarto. Mesmo insistindo, na recepção não deram muita importância ao vídeo. Dizem que com certeza é alguém encarregado da piscina colocando cloro. Ou um hóspede passeando. Que não me preocupe. Sei que no vídeo não dá pra ver muito bem se está de frente ou de costas, mas juro que esse cara estava olhando na direção do meu quarto.

Se isto é uma brincadeira e quem está fazendo está lendo isto, que pare já, por favor…

25 de agosto

Continuo por aqui. Muito obrigado a todos que estão me escrevendo, tanto em público quanto em particular. É impossível parar agora para respondê-los, mas tento ler todos. Obrigado. Me sinto muito acompanhado.

Esta noite custei a cair no sono, então tenho pensado muito em tudo isto. Acredito que já tá na hora disso parar. Não sei se o que está acontecendo é real, perigoso ou se só é uma brincadeira, mas seja como for tenho que descobrir o que está acontecendo aqui. Chega de ficar nesse quarto. Vou sair e não vou parar até encontrar o outro Manuel ou o homem alto. E quando encontrar, encararei os dois para que me expliquem por que estão me seguindo. Vou chegar ao fundo desta história. Mas antes vou descer para tomar café da manhã;

Acabei de descobrir algo. Estava dando uma volta pela praia e logo percorri a área inteira. Estou em uma área turística construída dos dois lados de uma estrada, cercada por umas montanhas e uma praia. De extremo a extremo da área turística, andando pela estrada, devem ter uns 3 quilômetros. Meu hotel está em um dos extremos, praticamente onde acaba (ou começa) a área. É este. 

Hoje caminhei até o outro extremo e do outro lado da estrada encontrei este outro.

É um hotel idêntico ao meu. Se em vez de extremos opostos estivessem frente a frente, um poderia parecer o reflexo do outro. Coloco aqui as duas fotos juntas para que possam comparar. Primeiro meu hotel e depois o outro.

Talvez se trate de dois hotéis da mesma rede hoteleira, embora parece que o meu não pertence a nenhuma. Estou de frente ao outro hotel. Vou tentar perguntar.

Tudo tem sido muito estranho. Estava falando com uma mulher que me atendeu na recepção. Foi muito amável, mas também muito fria. Me lembrou muito como o homem alto 2 se comportou quando passei por ele no café da manhã. Estava praticamente igual. Quase como se alguém, ou algo, estivesse o forçando a parecer humano

Insisti muito, porque não conseguia que me desse uma resposta clara. Foram muitos sorrisos e “não se preocupe, está tudo bem”. Por mais que eu lhe perguntasse sobre as similaridades entre seu hotel e o outro em que estou hospedado, isto era tudo o que ela me respondia. Vou voltar ao meu hotel e fazer as mesmas perguntas na recepção.

Estava falando com os empregados que estão na recepção do meu hotel neste momento. Disseram que não sabem da existência de outro hotel idêntico a este na mesma região. Pedi que me acompanhem para mostrar-lhes. Me olharam com uma cara esquisita e disseram que agora não podiam. Que eu voltasse mais tarde. Acredito que não me levaram a sério. Não vou culpá-los. Certamente já me conhecem como “o cara louco das histórias” ou algo desse tipo. É o que eu pensaria de mim se fosse um deles. Enfim, não sei. Para mim está claro depois desta descoberta que “o outro quarto” deve ser o 328 do outro hotel. Ou pelo menos, me parece a explicação mais lógica agora. Vou lá, mas não quero me precipitar. Antes vou pensar muito bem no que fazer quando chegar no outro quarto.

Muitos estão me perguntando por que não esqueço tudo isto e volto para casa. Basicamente é porque me conheço. Preciso saber o que está acontecendo aqui ou acabarei ficando obcecado com este assunto mais do que estou agora. Estou em um bar no meu hotel. Acredito que o mais sensato vai ser afrontar isto com serenidade. Irei ao outro quarto e chamei na porta. 

Se houver alguém e abrirem, falarei com quem seja que estiver lá. Pedirei que me explique o que está acontecendo. E se não houver ninguém, tenho o cartão que abre a porta do meu quarto. Como muitos disseram, talvez sirva para abrir o quarto 328 desse outro hotel. Se isto acontecer e entrar sozinho no quarto já não sei muito bem o que farei lá dentro. Mas talvez assim descubra por que tenho de ir lá. Agora só me falta reunir coragem para fazer tudo isto. Asseguro vocês que não é fácil. Vou pedir outra cerveja. Ok, vou para lá. Minhas pernas tremem, mas vou lá.

Estou na porta do outro hotel. Vou entrar. Acabei de passar pelo hall. Está tudo justamente ao inverso do meu hotel. Esta piscina também fica aqui no meu, mas à direita.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901173335433912321

Esta é a outra piscina, idêntica a que dá pra ver do meu quarto no outro hotel, mas inversa.

Para chegar ao meu quarto deve ser por aqui subindo umas escadas que há no final.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901174990678237184

MEU CORAÇÃO ESTÁ A MIL POR HORA.

DROGA.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901177970576019458

DROGADROGADROGA.

Estou voltando ao meu hotel. Depois conto.

Entrei no quarto, isso vocês viram. Perdi a cabeça porque antes de usar o cartão queria tentar chamar, mas enfim. Tanto faz. A questão é que está funcionando. O cartão que abre meu quarto 328 também abre o outro quarto 328. Procurei o interruptor mas não achei. Por estar tudo ao contrário me desorientei um pouco. Então ouvi algo que parecia uma respiração no fundo. Não sei se dá pra escutar no vídeo, estou escrevendo enquanto ando. Perguntei “Olá?”, como ouviram, e então acenderam uma luz. AÍ ME CAGUEI DE MEDO.

Saí correndo e o que aconteceu depois que o vídeo parou foi o seguinte: me virei ao chegar no fim do corredor e o outro Manuel estava ali, de pé, abaixo da marcação da porta do quarto. Me olhando. Parecia verdadeiramente estar com raiva. Começou a correr na minha direção e meti o pé. Me seguiu por todo o hotel até chegar ao hall. Saí do hotel e ali me virei. Ele estava parado no meio do hall, me olhando, raivoso.

Continuei correndo para o meu hotel, mas em outro ritmo porque vi que ele não me seguia mais. Por isso e porque estou em uma forma física de dar pena. Droga, não sei como não me alcançou antes de chegar ao hall. Se sair vivo dessa prometo que entro na academia. 

Estou de novo no meu quarto. Não consigo superar isso. Meu voo de volta está marcado para segunda, mas vou tentar trocá-lo ou comprar outro para amanhã mesmo. Nunca vou tirar essa história da cabeça. Estou começando a me preocupar com a minha vida. Comprei um voo de volta para amanhã às 8 da manhã, Estou fazendo as malas.

Li alguns de vocês comentando a respeito da minha decisão de voltar para casa. Entendo que os decepcione por não seguir adiante com isto, mas por favor, se coloquem no meu lugar. Estou realmente assustado. Olhei os horários do ônibus que tenho que pegar para chegar ao aeroporto e mesmo se pegar o próximo chegarei em cima da hora. 

Acabei de fazer check out no hotel. Pedi que chamem um táxi.

Estou no táxi. Não vou demorar muito para chegar ao aeroporto. 

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901233978740486146

Terei que passar a noite lá até que a hora do voo, mas é melhor do que passar a noite no hotel. Estou levando tudo comigo, menos a camiseta que perdi. O outro Manuel ainda a estava vestindo quando me perseguia. Só de escrever isso já fico arrepiado. Também estou levando o lápis que encontrei no hotel. Tenho carregado ele o tempo todo. Comecei a vê-lo como um amuleto.

Eu queria ter entendido o homem alto 1 quando apareceu no meu quarto. Tenho a sensação de que se tivesse sido assim nada disso teria acontecido. E também está claro para mim que ele fez tudo o que podia para me avisar do perigo. Penso muito nele.

Merda, acabei de perceber uma coisa.

26 de agosto

Estou no aeroporto.

À noite fiquei sem bateria no taxi e não encontrei uma tomada para carregar o celular até que cheguei no portão de embarque. Sumi depois de dizer que tinha me dado conta de uma coisa. Esqueci um pão doce que comprei para tomar café no hotel. Cairia muito bem agora, as lanchonetes do aeroporto estão fechadas a essa hora. 

Mas bem, a verdade é que ao fazer check in aconteceu algo que me fez perder o apetite. A pessoa encarregada de receber a minha passagem me perguntou onde estava meu acompanhante de voo. Mas eu disse que não, que viajo sozinho. Ela voltou para conferir e me disse que devia se tratar de um erro: havia dois assentos lado a lado, os dois no nome de Manuel Bartual. Quero pensar mesmo que foi um erro. Bom, aqui vou eu.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901322773418700800

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901323516250923008

Vai, vai rápido por favor.

Droga, eu vou ter um treco.

Decolamos.

[Duas horas depois]

Aterrisamos.

Chegamos com um pouco de atraso, mas o voo correu bem. Que vontade de chegar em casa. Acho que nunca me alegrei tanto de passar por estas portas.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901366064889692160

Acabei de entrar em outro táxi. Quero chegar em casa o quanto antes.

Não me dei conta da tensão que tenho acumulado durante toda esta semana até sentar neste carro. Me relaxa pensar que em seguida chegarei em casa, longe de toda essa confusão. Creio que nunca chegarei a saber o que aconteceu exatamente, mas uma coisa é certa. Nunca esquecerei destas férias.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901372299684839425

Não não não. Não, por favor, não. Acho que não acabou. Ao chegar no meu prédio o porteiro me cumprimentou e pediu que eu me aproximasse. “Já voltou rápido”, ele me disse. Eu contestei e disse que bem, nem tanto, passei uma semana fora. Aí me olhou esquisito. Me disse que não, que acabei de passar por ali. Que eu lhe pedi para guardar uma coisa e que me desse quando eu voltasse. Isso

Estou em casa. Vou abrir. 

O QUE É ISSO.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901384292978364417

“NÃO ESCREVA MAIS. ISSO ACABA HOJE À NOITE. ESTÁ TUDO BEM.”

É brincadeira? Porque se for, CHEGA, por favor.

Acabei de descer para falar com o porteiro para perguntar mais sobre a pessoa que lhe deu este bilhete. Não entendeu bem minha pergunta. Me disse que eu mesmo o entreguei uns minutos antes dele me devolver. Droga, que mal estar. É a minha letra. Poderia mesmo eu tê-lo escrito. Vou dar uma volta no bairro. De repente não me sinto mais seguro em casa.

Estava dando uma volta pelo meu bairro quando comecei a ficar um pouco nervoso. Mesmo estando no final de agosto, estava vazio demais. Não me sinto confortável agora caminhando sozinho pela rua. Acabei vindo ao restaurante onde costumo tomar café. Pelo menos aqui tem gente. 

Tenho pensado, tem que haver uma explicação lógica para tudo isso. Talvez eu tenha um gêmeo. E o homem alto também tenha um. Que nos separaram no nascimento e por alguma causalidade altamente improvável nos reencontramos com nossos respectivos gêmeos enquanto passávamos uns dias de férias nesse hotel. Talvez nossos gêmeos estejam muito muito muito irritados conosco por algo que não sabemos e por isso essa atitude tão tão agressiva. 

Ou talvez sejam drogas.Não paro de pensar que o homem alto 1 está do meu lado, mas se não estava, aposto que entrou no meu quarto sob efeito de alguma coisa. Ou buscando outras doses. Talvez o hóspede anterior deixou droga escondida no meu quarto e era isso que ele buscava. Talvez quisessem que ele e o outro Manuel me assustassem para eu sair do quarto. Mas claro, então não sei por que o outro Manuel me seguiu até lá. Nem por que se parece tanto comigo. Mesmo que eu sempre procure manter um pensamento racional, talvez deveria me abrir a outras possibilidades.

Por exemplo: querem me substituir. Há alguém ou algo nesse outro hotel que gera cópias idênticas dos hóspedes que se hospedam no hotel onde passei a semana. Logo tentam substitui-los. Talvez tenha sido que o homem alto 1 tentou me avisar. Nesse caso, não sei muito bem por que me salvaria ficando no outro quarto. Até porque o outro Manuel não gostou nem um pouco de me ver lá, isso eu garanto. 

Talvez sejam alienígenas. Ou clones. Ou sei lá. Talvez exista viagem no tempo. Talvez esteja vendo a mim mesmo no futuro. O talvez seja eu mesmo mas de outra dimensão. Ou algo relacionado a fantasmas e hoteis assombrados. Bom, o que importa é que fiquei louco e ainda não sei. Não vamos descartar nenhuma opção.

Acabaram de preparar o sanduíche que pedi. Vou subir para comê-lo.

Merda. MERDA. Está aqui. O outro Manuel. Está na rua. O vi enquanto comia o sanduíche. Drogaaaaa.

Vídeo: https://twitter.com/ManuelBartual/status/901460258165534722

Foi embora. Me afastei um pouco para pegar o carregador do celular e se foi. Já não está lá. 

Olha, não aguento mais. Vou a uma delegacia.

[Quatro horas depois]

Não deram importância na delegacia. Não foi boa ideia ir lá. Expliquei tudo o que está acontecendo, mostrei os vídeos e fotos que tenho e como já estavam fazendo cara feia enquanto eu lhes contava tudo, enquanto ligavam para o hotel percebi que com certeza não iam acreditar. Quiseram contrastar a minha versão falando com a recepção do hotel. Está claro que não gostam muito de mim lá. Isso porque antes de ir lhes disse que apesar de tudo pensava em classificá-los com 5 estrelas. Voltei para casa. Por um momento pensei que os policiais iam me reter ali, mas no fim me deixaram livre. Então algo aconteceu.A fechadura para entrar em casa é como a que vocês podem ver aqui. Preciso de uma chave para abri-la. 

Se preciso de uma chave para entrar, por que me lembro de entrar com o cartão do hotel? É muito estranho. É impossível, afinal deixei o cartão na recepção quando deixei o hotel. 

Estou ficando muito agoniado. Acho que errei em ir embora. Acho que aqui não vou solucionar nada.

Tenho que voltar ao hotel.

[1 hora e 15 minutos depois]

Estou pronto. Acabo de reservar um assento em um voo que sai em duas horas, mas pelo menos poderei voar hoje à noite mesmo. Espero chegar antes que o outro Manuel. Já imagino que ele estará lá também antes ou depois. Minha ideia é ir direito ao quarto 328 do outro hotel e ficar lá, como dizia o recado do rolo de papel higiênico. Comerei algo no caminho para reunir forças. Não tenho cartão para entrar, mas se for preciso derrubarei a porta com meus punhos. 

Acabei de chamar um táxi, está chegando. Vou ao aeroporto. 

Isso vai soar um pouco estranho, mas não encontro a porta. Digo: não está no lugar. Agora só tem uma parede branca onde a porta deveria estar. O que está acontecendo aqui?

Estou procurando na minha casa buscando a porta para sair e só está servindo para me preocupar ainda mais. Algo estranho está acontecendo aqui. Tudo está… Não sei. Como se os espaços tivessem se redistribuindo. A sala parece maior, mas ao mesmo tempo também menor. O corredor me parece larguíssimo agora. Os quartos não estão no lugar. E as janelas também sumiram. 

Espera. Acho que vejo algo longe. Acho que é uma janela.

Não pode ser. NÃO PODE SER. É a piscina do meu hotel. Dá pra ver a piscina do meu hotel daqui.

Estou lendo seus comentários e não entendo nada. Não estão vendo a piscina?

Está aqui.

Ouvi um barulho. Acho que mais alguém está na casa. Acho que é o outro Manuel. Ouço seus passos e sua respiração de longe. Consegui me esconder… Não sei bem onde. 

Não entendo a física do ambiente onde estou. Parece estar em movimento contínuo. Não sei o que fazer. Não sei por que isso está acontecendo comigo. Eu só queria tirar um dias de férias. Me desconectar um pouco. Comer uns pães doces. O que o outro Manuel quer de mim? Me matar? Me substituir? O que tenho que ele pode querer de mim?

Merda. Acho que ele me viu.

[40 minutos depois]

Lutamos. Pulou em mim e por um momento pensei que me mataria ali mesmo. É muito pesado. Não sei se onde consegui forças para empurrá-lo e derrubá-lo. Tentei escapar mas me segurou por uma perna. Nos golpeamos no chão até que consegui escapar. 

Não sei onde estou, mas não é minha casa. Ou pelo menos não é ela inteira. Consegui me trancar em um banheiro, mas não é meu banheiro exatamente. Parece algo entre o meu banheiro e o banheiro do meu hotel. Algo muito estranho. Estou com muita dor.

As paredes estão se movendo, mudando. 

Estou no banheiro do meu quarto 328. Acho que já não tenho solução  Mas pelo menos posso avisar ao próximo hóspede. Para evitar que aconteça com ele tudo o que aconteceu comigo. O lápis está comigo. Só preciso de um lugar onde escrever. 

AQUI.

Estou sem forças. Sentado no chão. Escrevi um aviso no rolo e coloquei de volta no lugar. Espero que o outro Manuel não encontre. Espero que o próximo hóspede veja e não ignore. 

Ouço passos.

O outro Manuel está do outro lado da porta.

Abriu a porta e está assim, me olhando. Imóvel. 

Não sei o que ele está esperando. Que faça o que tenha que fazer. Não sei se alguém ainda está lendo. De repente os comentários de vocês não estão aparecendo mais.

Queria nunca ter viajado esse a hotel. Queria vocês ouvido antes de escapar lá de. Talvez poderia me salvado ter.

Obrigado por mas tudo. Ajuda antes de vocês sem comigo certamente acabado Manuel o outro teria. Não tenho disso dúvidas.

Olá?


[Último tweet: 20:16 no horário de Brasília.]


obs.:

Manuel também escreveu as últimas frases fora de ordem no original.

Gracias por pero todo. Ayuda antes vuestra sin conmigo seguramente acabado Manuel el otro habría mucho. No de ninguna me cabe eso duda.

Colocando em ordem:

Obrigado por tudo mas sem a ajuda de vocês o outro Manuel certamente teria acabado comigo antes. Disso não tenho dúvidas.

Ele está repetindo o que o primeiro homem fez.


27 de agosto

Manuel confirmou que é tudo uma história de ficção

Olá. Obrigado por ler até aqui. Nunca imaginei esta repercussão. Eu só queria contar uma história divertida. Foi tudo mentira.

Não tem nenhum duplo. Estava de férias com minha namorada e nosso filho. Foi ela quem tirou as fotos e gravou os vídeos. O lápis era um dos lápis de cor do meu filho. Na verdade nem nos hospedamos nesse hotel. Foram algumas fotos que tiramos em um hotel qualquer. 

Sinto que decepcionei muita gente. Sinto que muitas pessoas podem ter se preocupado comigo. Não há nada a temer. Não são obrigados a acreditar em tudo o que se lê na internet. E por favor, não se preocupem comigo. Está tudo bem :)


Apesar de ter acabado a história escrevendo que nem o homem alto que fingia estar tudo bem, parece ter sido tudo uma boa história mesmo. 

Obrigado a todos que leram e compartilharam a minha tradução em português, foi bom compartilhar isso com tanta gente :)

Eu tenho certeza que não existe uma linguagem que te faça esquecer uma pessoa, eu acho que a única coisa que pode fazer isso é o tempo. Caramba, as vezes nem o próprio tempo pode fazer isso, o tempo passou e eu não posso dizer “eu esqueci tal pessoa”, por enquanto eu só posso dizer “bom, eu lembro sem dor”. Mas eu acho que isso já é o suficiente. O que que eu posso te dizer é que não perca tempo, não perca nenhum dia se quer. Se for pra passar o dia chorando, sei lá, ao menos arrume alguém pra chorar do seu lado, não adianta ser orgulhoso e fingir que nada tá acontecendo você precisa de amigos. Não tem nada melhor do que escutar “eu to com uma garrafa de vodca pro que você precisar”, isso é maravilhoso. Procure a sua religião ou algo que faça você se sentir melhor, mas não fique parado esperando essa dor passar , não fique parado esperando ele ou ela voltar. Eu quero que a partir de hoje você siga em frente, ta me entendendo?. U ma hora você vai encontrar alguém que te ame de verdade que te faça feliz. Olha o amor que você sente por essa pessoa, você seria capaz de fazer qualquer coisa por ela, olhe bem esse amor e agora por favor sinta ele por você mesmo. Seja capaz de fazer qualquer coisa por você, inclusive ser feliz. O segredo tá em confundir o seu cérebro, tente gostar de outra pessoa, somente pra que o seu cérebro mesmo que por alguns segundos não saiba o que ele quer. Quando você está gostando de duas pessoas ao mesmo tempo, nesse momento quer dizer que você não está amando nenhuma das duas, isso acredite, já é um grande começo. Substituir um sentimento é muito mais rápido e fácil do que simplesmente destruí-lo. Por tanto não se iluda com palavras bonitas, mesmo elas sendo feitas olhadas em seu olho, tem uma grande porcentagem de elas terem sido da boca pra fora. Não que fossem mentira o que ela te disse, mas algo que ela queria sentir mas não sente, algo que ela pensou que fosse mas não é. Eu já ouvi coisas como “eu nunca vou te esquecer” ou “eu vou te esperar a vida toda”, essas palavras entravam na minha cabeça e não conseguiam sair, mas se você me perguntar onde estão os donos dessas palavras, bom eu nem saberia lhe responder. Existe uma frase que diz  "Ninguém sofre por amor, a gente sofre pela falta dele", se essa falta não esta em você, então olha, de graças a Deus e siga em frente. Você fez tudo o que podia mas chega uma hora que você precisa se valorizar, pensar um pouco em você. É clichê, mas antes de amar qualquer pessoa ame a você mesmo. Pessoas entram e saem da nossa vida a toda hora, enquanto você e sua consciência vão viver juntas até o fim. As vezes você esquece uma pessoa quando abre os olhos, quando você enxerga que ela também fez coisas ruins pra você, que ela te ofendeu, gritou, disse e fez coisas pra te magoar de propósito. Chega, não dá pra mudar quem não quer ser mudado, isso ele ou ela vai aprender sozinho e te perder é uma das coisas que vai fazer isso acontecer. Queria saber amar, assim como a palavra amor devia ser merecida pra ser usada, por que o verdadeiro amor não deveria nos tornar possessivo. Gostaria de ser menos desconfiado e não morrer de ciúmes, gostaria de nem por um segundo sentir raiva, e então eu a estaria amando. O amor deveria existir pra duas pessoas se tornarem melhores juntos, amor deveria se resumir em uma grande admiração. Eu gostaria que o sorriso dele fosse capaz de me deixar completamente feliz mesmo que esse sorriso todos os dias fosse pra outra pessoa, gostaria de aprender a ser feliz somente pelo o que aconteceu, sem ficar triste pelo o que acabou. Mas quer saber o que eu me transformei? em uma pessoa mais forte do que você pensa, diferente dos outros homens que se dizem homens , mas não são capazes de aceitar um sentimento tão bonito como o amor. Não sou mais de dar um tempo, não sou mais de vai e volta, não sou mais de brincar com meus sentimentos e muito menos me aceitar sendo um brinquedo. Aprendi a valorizar as pessoas em quanto é tempo mas também em não acreditar facilmente nelas. Não procuro mais perfeição, apenas com certeza um pouco de maturidade. Se me deixar sofrendo com a intenção de que eu sinta sua falta, talvez você acabe sentindo a minha falta. E esse sou eu, esse sou o que estou me tornando e que por favor Deus, eu preciso ser.
—  Autor Desconhecido
Imagine - Harry Styles

Eu queria pedir a opinião de vocês para uma coisinha… nesse imagine, pela primeira vez, eu mudei o ponto de vista dos personagens no meio da história. Me digam o que acharam, é importante para mim! Beijos e até amanhã…

Pedido: “Faz um do Harry que ele não dá mais tanta atenção pra ela por causa do trabalho, ela fica muito carente e ele percebe”


Chateada, mais uma vez fui dormir.

A dias eu pouco via Harry, meu marido. A empresa vem ocupando muito espaço em nosso casamento, mas na última vez que tentei conversar com ele, acabamos com uma discussão complicada e duas semanas sem trocarmos uma palavra.

Harry sempre foi muito carinhoso, atencioso nem se fala; mas um dos sócios saiu da empresa, ele acabou assumindo toda sua função e consequentemente mais papeis para cuidar, assim como menos tempo para ficar comigo.

Eu nunca havia ficado tanto tempo sem seus carinhos, e não falo se sexo, falo do tempo em que ele me ajudava a cozinhar ou quando ficávamos a noite toda assistindo filme depois de comer uma penca de pizza. Ele fazia falta. Sempre faria.

As noites em que Harry chagava pela madrugada, eu apenas o sentia deitar-se próximo de mim e quando já estava quase envolvido no sono, abrasava-se ao meu corpo. Sem mais beijos, palavras doces ou carinhos sinceros. Restava pouco do meu Harry. Aquele que eu escolhi amar.

Acordei ates mesmo do sol nascer no sábado pela manhã. Preparei um café forte para que eu tomasse; se hoje fosse um sábado de dois meses atrás, Harry viria atrás de mim, me obrigaria a voltar para cama com ele e me mimaria o dia todo, seria minha companhia no almoço e no jantar; mas agora, nesse sábado, Harry levantaria, tomaria banho e iria para seu escritório.

Eu estava entretida com as últimas gotas de café que escorria pela cafeteira quando Harry entrou na cozinha, e da porta, ficou me encarando.

- Está tão cedo, por que você não deita novamente e descansa? – Harry rompeu o silêncio.

- Como se você se importasse com o quanto cansada eu estou. – Em silêncio, peguei minha xícara fui para a sala.

- Não faz assim, (S/A). – Harry miou e veio atrás de mim. – Nós já conversamos sobre isso.

- Não, você gritou comigo e deixou bem claro que a empresa viria em primeiro lugar. – Apontei o dedo indicador em seu rosto. – Então, pegue sua empresa e vá passear. – Sentei no sofá e depois de ligar a televisão, tentei esquecer da presença de Harry na casa.

Eu havia feito almoço e almoçado sozinha, fiquei no quarto lendo alguns dos meus casos que seriam levados a júri ainda esse mês e depois das onze horas da noite foi que eu saí do quarto e fui para cozinha novamente para comer alguma coisa. A porta do escritório ainda estava fechada e não seria eu a pessoa a interromper o todo soberano da casa. O pior, além da saudade, era a raiva que eu sentia por me submeter a essa situação.

- Eu ainda não consigo acreditar nisso. – Murmurei enquanto mastigava o último pedaço do sanduiche.

Por costume, apaguei as luzes da casa e subi para tomar banho, um quente e agradável banho.

- Merda! – Resmunguei pois não havia levado roupa para o banheiro. Atrás da porta, um dos moletons favoritos de Harry estava pendurado, o vesti e inalei o cheiro amadeirado de Harry sentindo meus olhos inundarem de lágrimas.

Puxei a gola do agasalho até meu nariz e deixei que aquele cheirinho de saudade aquecesse meu coração. Também deixei que as lágrimas escorressem do meu rosto, levando junto todo rancor que eu sentia por estar sendo deixada de lado. Eu estava acabada por dentro, e finalmente me deixei libertar, mesmo que ainda dentro do banheiro.

Depois de alguns suspiros fortes escaparem dos meus lábios e as lágrimas secarem em meu rosto, eu saí do banheiro, passei no closet e apenas vesti uma calcinha; descendo em seguida para a sala, ligando mais uma vez a televisão e me afundando em lágrimas solitárias que escorriam pelo meu rosto. Até que eu dormi. Sem ao menos desligar a televisão.

P.O.V Harry

Bufando, atirei a papelada sobre a mesa do escritório. As palavras de (S/N) ainda ficavam gritando na minha mente e o seu olhar chateado aparecia para mim toda vez que eu fechava os olhos.

O relógio do meu notebook marcava uma da manhã e eu mal havia posto o pé para fora do escritório o dia todo. Apenas ouvia os passos de (S/N) apresados pela casa. Ao meio dia, o cheiro do macarrão invadiu o escritório e meu estomago revirou só em pensar naquela maravilha.

Desistindo de qualquer alternativa com aquela penca de papel cheio de números, saí em rumo de comida. Minha surpresa foi ver a televisão ligada e (S/N) embrulhada em um dos meus moletons. Temendo mais uma discussão, fui direto para a cozinha encontrando um potinho com macarrão e almondegas. Esquentei de qualquer maneira a comida no micro-ondas e após a primeira garfada notei a fome que sentia; (S/N) era uma cozinheira e tanto, adorava mexer com temperos e me levava a loucura com qualquer coisa que fizesse para comer, até omelete.

Do balcão da cozinha eu tinha uma visão perfeita de onde (S/N) estava deitada.

Não adiantava, uma hora ou outra, teria que enfrentar a burrada que eu havia feito, e por mais que fosse tarde, seria agora.

Larguei o prato e os talheres na pia e em passos silenciosos fui até onda (S/N) estava. Ela dormia, tinha os olhos inchados e a ponta do nariz vermelha, demonstrado que ela havia chorando; partiu meu coração saber que a culpa era minha. Passei meus braços por debaixo do seu corpo e a peguei no colo. Ela resmungou algo, mas encaixou sua cabeça em meu pescoço e sua respiração fraquinha fazia com que eu me arrepiasse de tempos em tempos.

Depositei seu corpo molinho em nossa cama e fui tomar um banho rápido.

Me aconcheguei próximo ao seu corpo e o abracei com todo amor que eu conseguia transmitir.

No dia seguinte, acordei cedo novamente, como em um piloto automático. (S/N) estava ao meu lado e seus olhinhos estavam mais inchados que na noite anterior. Com um dos meus dedos passei sobre a bolsa que havia em baixo dos seus olhos, querendo fazer elas sumirem e restar apenas um rostinho de sono pela noite tranquila. Apesar de achar que meu toque era delicado, (S/N) acordou e me olhou com um olhar triste. Eu abri e fechei meus lábios várias vezes em uma tentativa frustrada de pedir desculpa. (S/N) apenas virou seu corpo para o lado oposto do meu e eu me vi perdido.

Com muita relutância, consegui trazer seu corpo para próximo de mim e faze-la virar-se de frente para mim.

- Eu acho que você devia me lagar, você dever ter muito papel para ver e rever hoje. - (S/N) falou com a voz rouca.

- Eu sinto muito, mesmo. – Comecei. – Mas eu te amo demais, não consigo nem olhar para seus olhinhos inchados sem sentir meu coração se apertar. Se você quiser eu largo tudo. Eu saio da empresa, ou peço férias, qualquer coisa, somente para não a ver assim. Eu fui um bobo ao dizer que a empresa teria prioridade, e mais bobo ainda por deixa-la de lado; mas eu já notei o meu erro e quero repara-lo.

- Palavras bonitas não vão mudar nada, Harry. Eu senti tanta saudade e agora me sinto uma tola por ainda estar vestindo um casaco seu apenas para sentir o seu cheiro. Não quero ser um estorvo, muito menos uma obrigação. Queria apenas ser aquela para quem você voltaria toda noite, sem papeis ou empecilhos do trabalho. Mas eu não vou mais competir com isso. – Ela fez menção de levantar, mas fui mais rápido e a pus para baixo de mim.

- Eu sempre vou voltar para você ao cair da noite. E, a partir de hoje, sem mais nenhum papel ou telefonema do trabalho.

(S/N) não esboçou nenhuma reação, mas eu estava tão perdido em seus lábios entreabertos que os tomei para mim, e lá pelas tantas, senti (S/N) retribuir o carinho.

- Me deixa amar você, hm? A partir de agora, do jeito certo.

Australia | 1834

Ilhota, uma pequena ilha que abriga de tudo um pouco. Na verdade, de tudo muito. Hiroshi I. que residia lá, decidiu trancarnão só sua porta, mas também seus ouvidos e coração, para não ouvir os gritos do seu amigo, irmão, que bravejava na casa ao lado. Romeu citou uma praga tão fúnebre, que levou sua própria vida: “ Quem és tu? Criatura sem coração, que icognitou meus medos, e ansiastes por meu coração. Quem és tu? Que me perseguiste depois que almalizei minha vida e decidi largar meus muros. Cansei de tudo! Ou, foi o tudo que cansou de mim? Vida… – Pode-se ouvir um suspiro – Porque faz isso? Porque tira tudo, ou o nada, não sei, de um pobre azarãocomo eu, que só quer um pouco de paz? Paz essa que emociona qualquer um, nos aluardes que a noite nos proporcionam.” Hiroshi ouviu seu amigo bravejar de sua casa, seu praguejar matou tudo que havia ali, as flores adoeceram, mas não só ela, o dia se tornou cinza, e a água, parecia estar suja: “Que tudo morra comigo!” – Ele gritou. Quem foi mais egoísta? O que levou tudo consigo, ou o que não se moveu pra ajudar? Quem eu fui? Injusto homem que se apoderou do som pra organizar os sons que gritavam em sua cabeça. Quem fui eu? O que rezou pra ter temporal e que os raios abafassem os berros. Quem fui eu? Um ninguém, que se matou logo depois, era uma segunda feira e na rádio tocava Injustboy.

                                                                | Psiques de um Romeu em crise.

Imagine com Zayn Malik

Esse imagine vai ter um final alternativo, amanhã eu posto o outro final! Boa leitura!

– Uau, que milagre. – Abri a porta com um sorriso cínico. – Sua namorada te deu um pé na bunda de novo?

– Não começa. – Falou entrando no meu apartamento e se jogou no sofá.

– Depois de meses sem aparecer, ou dar qualquer tipo de notícia, Zayn Malik aparece no apartamento da melhor amiga, bacana, bem bacana. – Ainda falava com um irônico. – Quem que foi que terminou dessa vez?

– Eu. – Suspirou. – A vadia estava me traiu com o ex dela, dá para acreditar?

– Sim. Faz bem o tipo dela. – Dei ombros. – Fazer o que né? Infelizmente é a vida. Um dia metemos o chifre na cabeça de alguém e no outro alguém mete um chifre na nossa cabeça.

– O que você está insinuando? Eu não traí você. – Levantou-se do sofá com agressividade. – Para começar, não tínhamos nada.

– Não tínhamos nada, Zayn. Mas eu esperava um pouco de respeito da sua parte. – Fiquei na sua frente. – Você sabe muito bem dos meus sentimentos por você e mesmo assim não pensou duas vezes em transar comigo e depois ir embora, como se nada tivesse acontecido. – Cruzei os braços. – E ainda volta com a ex e some por meses. Então se você pensa que isso vai acontecer de novo, pode dar meia volta e sair da minha casa. 

 – Me desculpe…. Eu não sabia que você iria ficar assim. 

 – Tudo bem, Zayn. Eu adoro ser usada. – Sorri falso. 

 – Para de me tratar assim, porra.  – Falou bravo.  – Eu quero te amar da mesma intensidade que você me ama, mas eu não mando nos meus sentimentos. 

– Eu sei, Zayn. Você realmente acha que eu escolhi me apaixonar pelo meu melhor amigo?  – Dei uma pausa.  – Porra, nos conhecemos desde quando?

– Desde os 9 anos.  – Completou. 

– Então, infelizmente, eu continuo sendo apaixonada por ti, mesmo depois de todas as merdas que você fez comigo. – Meus olhos lacrimejaram. – Você é muito cruel comigo, Zayn.

– Me desculpe, eu não queria que fosse assim. – Tentou me abraçar, mas eu o empurrei.

– Não queria que fosse assim, Zayn? – Falei indignada.

– Eu quero te amar. – Suspirou. – Mas eu não consigo. Você não sabe o quanto isso me machuca.

– Você nunca tentou me amar, Zayn, você apenas brincou com os meus sentimentos. – Senti uma lágrima descendo pelo meu rosto. – Você não se importou em me usar e depois me abandonar, me tratar com indiferença quando estava com a sua ex. – Limpei as lágrimas. – Mas se você quiser tentar, eu vou estar aqui. Pronta para você.

– Eu não quero te machucar. – Suspirou. – Você sabe que eu vou fazer isso.

– Mas eu não me importo, Zayn. Contanto que você me ame e cure essas feridas que está aqui dentro. – Apontei para o meu peito. – Eu posso amar por dois, até você conseguir me amar, eu posso fazer isso por nós dois, Zayn. É só dar uma chance para nós.

– Eu não posso fazer isso com você. – Abaixou a cabeça. – Eu sinto muito. – Me olhou. – Eu só vou te machucar mais ainda. – Suas mãos quentes pousaram no meu rosto. – E eu te amo demais para fazer isso.

– Me dê amor como nunca antes. Porque, ultimamente, eu tenho desejado mais. – Meus lábios já estavam relando nos seus.

– Talvez você deveria me deixar ir. – Segurou minha cintura. – Mas eu sei que você pode fazer o que ela nunca fez. – E por fim me beijou.

Dessa vez o beijo foi mais profundo e doce, com uma mistura de sentimentos, raiva e amor. Suas mãos foram parar na minha nuca, me puxando para mais perto, enquanto eu levei uma das minhas para o seu cabelo, dando leves puxadas.

– Eu quero você. – Zayn sussurrou ofegante contra os meus lábios.

– Você me tem. – Disse e ele sorriu.

– Eu quero fazer amor com você. – Me pegou no colo e foi em direção ao meu quarto. – Eu quero amar você. – Me deitou na cama com delicadeza.

Zayn beija meu pescoço, me fazendo dar suspiros, puxou a blusa de pijama que eu estava e sorriu quando viu que eu estava apenas de blusa e calcinha. Tirou minha calcinha e então eu fiquei totalmente nua em sua frente, me olhou e cima a baixo e deu outro sorriso.

– Você é tão linda. – Falou baixo e atacou meus seios.

Zayn chupava um enquanto massageava o outro, eu dava gemidos baixos por conta do prazer que já estava sentindo. Foi descendo os beijos até chegar na minha virilha, onde deu uma mordida fraca lá, gemi. Zayn me olhou com um sorrisinho malicioso e passou dois dedos na minha vagina, que já se encontrava totalmente molhada.

– Sempre pronta para mim. – Falou com a voz rouca.

Zayn não disse mais nada, apenas tirou sua roupa, liberando o membro já duro.

– Posso amor? – Segurou seu pênis e enfiou a cabecinha na minha vagina.

– Vai logo, por favor. – Digo entre gemidos quando ele passa o pau no meu clitóris.

Zayn sem mais delongas enfiou em mim com vontade, fazendo movimentos lentos e fundos.

– Ah porra. – Urrou enquanto metia lentamente.

Zayn abaixou-se ficando na altura do meu rosto e começou me beijar.

– Me desculpe, mas eu não consigo fazer assim. – Disse ofegante e então segurou na minha cintura e aumentou os movimentos, estocando fundo e rápido, me fazendo gemer alto.

– Me faça gritar, garoto. Me fode. – Gemi alto. – Zayn segurou meu pescoço, como se fosse me enforcar e começou a me foder forte, suas estocadas eram brutas e longas, me fazendo revirar os olhos de prazer. – Eu já estou quase.

– Goza no meu pau, cadela. – Segurou minhas pernas e as colocou em volta de sua cintura, apoiou-se na cama e metendo mais rápido, me fazendo gozar. – Eu preciso te foder de quatro, amor. - Tirou seu pênis de dentro de mim, gemi em reprovação. – Você sabe o quanto eu amo ver você tão vulnerável a mim.

Em um movimento rápido Zayn me colocou de quatro e se posicionou atrás de mim.

– Empina mais. – Falou rápido e então eu deitei minha cabeça no colchão, ficando com a bunda totalmente empinada para ele. – Que visão maravilhosa. – Abaixou-se e mordeu minha bunda. – Caladinha. – Sussurrou no meu ouvido e então enfiou seu pênis na minha buceta com brutalidade.

A cada estocada, Zayn gemia no meu ouvido, como se quisesse me provocar. Deixei escapar um gemido baixo e então ele me deu um tapa forte e ardido. Levantou-se segurando fortemente em minha cintura, aumentando a força das estocadas.

– Como você é apertada, amor. – Estocou forte. – Eu estou no paraíso. – Urrou e segurou meus cabelos em um rabo de cavalo. – Goza gostoso no meu pau, de novo. – Deu outro tapa em minha bunda.

– Ah meu Deus. – Gritei quando gemi pela secunda vez em seu pau.

Zayn com brutalidade me virou para ele e enfiou seu pau na minha boca, fodendo a minha boca fortemente, me fazendo engasgar algumas vezes e em segundos ele gozou na minha boca. Segurou minhas bochechas me levantou fazendo ajoelhada na sua altura.

– Minha puta. – Deu um tapinha no meu rosto e me jogou na cama de bruços. – Agora eu vou gozar dentro. – Avisou e deu um tapa na minha bunda.

Zayn enfiou o membro ainda duro na minha vagina, estocando rapidamente, enquanto segurava minha cintura fortemente. O jeito que ele me fodia era surreal, ora batia na minha bunda e ora puxava meu cabelo, me deixando com mais tesão.

– AH VAGABUNDA, GOSTOSA DO CARALHO. – Apertou minha bunda e eu fui atingida por um jato.

– Me fode gostoso assim, Zaddy. – Gemi segurando os lençóis e ele deu mais duas estocadas fundas e eu gozei, pela terceira vez naquele dia.

Acordei nua deitada na minha cama, sozinha, novamente. Olhei para o relógio que marcava 21:45 da noite, levantei e coloquei a blusa que eu usava antes de transar com ele.

– Zayn? – Chamei seu nome quando cheguei na sala e não tive respostas.

Ele havia feito de novo, transou comigo e depois me deu um pé na bunda. Suspirei e me joguei no sofá, lágrimas já caiam pelo meu rosto, como eu pude ser tão burra?

Três meses se passaram depois daquele dia, fiquei sabendo por uma das minhas amigas que o Zayn voltou com a ex dele, confesso que fiquei triste, mas não surpresa. Liguei para ele várias e várias vezes, mas ele apenas ignorava, foi então que eu decidi me livrar daquele amor, eu ainda o amo muito, mas não com aquela intensidade de antes, eu desisti de Zayn, comecei a pensar mais em mim, comecei a me amar.

Terminei de empacotar as coisas que faltavam e ouvi meu telefone tocando. Peguei o mesmo que estava no meu bolso e o nome de Zayn aparecia na tela. Uau.

“– Eu não gosto de intriga. – Comecei. – Mas eu vi sua namorada com o seu amigo, trocando beijo, sem nenhuma preocupação.
– Eu sei. – Suspirou. – Ela terminou comigo.
– Por que será que não estou surpresa? – Ri. – E o por que me ligou?
– Eu…. Eu não sei, sinto sua falta. – Gargalhei.
– Você quer que eu fale o que? – Ouvi ele fungar do outro lado da ligação. – Está chorando, Zayn?
– Eu sou um idiota, me desculpe. – Deu uma pausa.
– Era só isso? Vou desligar, tenho muitas coisas para fazer.
– Não. Por favor, eu te amo e estou completamente apaixonado por você. - Gargalhei alto.
– Você está brincando com a minha cara, só pode. – Fungou mais uma vez.
– Eu não estou, eu juro. Eu te amo de verdade.
– Eu estou indo embora, Zayn. E nunca mais vou voltar, então eu espero que você suma da minha vida para sempre. Adeus. – Estava pronta para desligar o telefone quando ele gritou.
– ESPERA! Eu vou no seu apartamento para conversarmos melhor.
– Já sabe se me procurar vai ser pior. Eu não quero ver você nem pintado de ouro, vai para o inferno.
– Por favor, acredita em mim, eu te amo.
– Isso não é problema meu. – E então desliguei.”

Eu estou livre desse amor que tanto me machuca.