gritei

Eu te chamei e gritei, mas você não ouviu, você estava perto e longe isso era estranho. Eu tinha você pra mim, mas não comigo.
—  Eu amo você, mas você não sabe.
Eu já fui traída. Na primeira vez, bati o pé, chorei, gritei, xinguei a mulher, dei tapas nele, me massacrei em frente ao espelho comparando nós duas. Questionei a mim mesma e me acusei de erros que nunca foram cometidos e que se foram, não deveriam servir como justificativa. Ele quis voltar e eu quis dizer que sim, porque a gente acredita na mudança. Em outro momento, com apenas um mês de namoro, peguei meu namorado aos beijos com outra na praça de alimentação do shopping. Olhei, sentei por perto e esperei ser vista. Peguei minhas coisas e fui embora. Ele veio atrás, pediu perdão, mandou cartões e ursos de pelúcia. Ajoelhou nos meus pés e chorou. Mas dessa vez eu estava mais forte. No mesmo dia, olhei no espelho e esperei as lágrimas cairem, achei que novamente cobraria a mim mesma mais sexo, mais beleza, mais atenção. Mas nada disso veio. No lugar, me peguei sorrindo por ter descoberto por conta própria que não fui eu quem perdeu. Quem te ama verdadeiramente e quem quer estar em um relacionamento, não tem porque trair, porque mentir. Quem quer ter vários parceiros gosta da gandaia, de festa o dia inteiro. Quem tem falta de caráter é que escolhe traição. Não é culpa nossa! Mas seria equivocado e injusto da minha parte dizer que é fácil. Escolher o amor próprio é uma decisão inicialmente desgastante e solitária. Você acha que é egoísmo, que é exagero, que é medo. Mas não é. Nós não podemos esperar que o outro nos escolha sem que a gente já não tenha nos escolhido antes. Meu conselho? Não contentem-se com ego fantasiado de amor. Saiba sempre que você merece mais, que você é mais. E se achar que não é suficiente, pegue suas coisas e vá atrás de si mesma.
—  Desconhecido.

eu chorei pelo que sou. por aquilo que tomei, que aceitei e me afogou. pelos olhos que olhei, acreditei, pelo que me torturou. por toda a monstruosidade que eu neguei, que eu afastei, que eu gritei! mas que eu também sou.

se me olhas e não reconhece, fuja. as facas apenas adormecem.

Elisa C. Vieira

nota 01

e dói, e vai doendo, até onde não puder doer mais. e eu sinto um cansaço excessivo o tempo todo, minha mente está cansada de rever cada parte do teu corpo, cada palavra que saiu da tua boca, cada olhar enganador que você me deu. e cada choro agonizado meu, do qual nunca soubesses. você nunca soube que eu sofri demais com essa perda de você, eu gritei em silêncio, mas ninguém me socorreu. e eu morro todos os dias, em cada trago que dou tentando te arrancar de mim, e assim me perco mas uma vez em você.

Você simplesmente fechou a porta e saiu.
 E o que eu poderia fazer ? Eu entendo, você não queria ir, mas eu sabia que você não suportaria mais, você  já havia me dito isso tantas vezes, e que tipo de pessoa seria eu se te obrigasse a ficar Charlie ? Eu não poderia fazer nada e você sabia disso.
Escutei seus passos, um de cada vez, me quebrando aos poucos, eu queria abrir aquela maldita porta e correr até você, mas já era tarde, você já tinha ido embora.
E então depois do choque eu gritei Charlie, eu gritei como se a minha vida dependesse disso, mas não adiantaria mais.
Nunca pensei que você iria embora daquela maneira Charlie, depois de tudo que passamos, mas no final o que poderíamos fazer ?
Alguns amores não foram feitos para acontecer, apenas para existir, e esse foi o nosso.
Me perdoe Charlie se eu fui tão covarde ao ponto de não te dizer a verdade, pois não fui capaz.

- Com amor Bells

— 

Cartas dos Desamores

Babélico

E desde quando seguir o coração se tornou uma boa escolha? Eu joguei minha razão pela janela do segundo andar, desci as escadas correndo e gritei que te amava. Por que? Porque dizem que devemos seguir nosso coração, e em todos os momentos que eu te olhava encontrava minha sanidade perdida nos teus olhos castanho claros. Só que ficar não faz mais sentido, fui imprudente, não apaixonada. Acreditei que apenas o amor, ou quem sabe a vontade de amar, era o suficiente para mover montanhas e salvar vidas(a minha no caso). Em nenhum momento cogitei sobre as coisas que nos cercavam, os fatores decisivos pra uma relação bem sucedida, as características diferentes e personalidades gritantes, o histórico que cada um tinha com relacionamentos anteriores. Segui meu coração porque foi o que me pareceu certo. No fim, vi que só foi uma forma de colocar expectativas demasiadas e acreditar que não importa o que aconteça o amor vai curar, pois bem, nem sempre ele irá.