gradativamente

De uma coisinha foi saindo outras coisinhas, e dessas coisinhas se multiplicaram outras coisinhas, e assim ia virando uma coisa maior. Ah é? Não é. Evoluindo gradativamente sem manual de instruções, de grão em grão a terra ia enchendo o seu papo, de passo cego em passa cego dado ia se aproximando do que são essas maravilhas. Certo? Errado. Era uma menina bonita, loirinha, baixa para a sua idade, se trancava dentro dela mesma, pois achava que dela ninguém se importava, ninguém deveria saber. Ela apoiava as teorias, amava os códigos, se apaixonou por mentiras, e tudo pra continuar vazia. No fim de tarde, sentia que faltava alguém, se ela pelo menos acreditasse que era no fim de tarde que O Reis dos reis ia passear pelo jardim atrás de suas amadas pessoinhas para conversar, e por razão da nossa expulsão do Éden e afastamento da glória Dele que nos sentimos órfãos, sós, desalmados. Ah se ela soubesse que era obra prima de toda a criação, superior aos lírios, mais especial que as gotinhas que caem. Ela não aceitou as novas descobertas. De acordo com a Cosmologia, a luz existiu antes do Sol, é a chamada luz cósmica, já comprovada em Gênesis 1:3 “Então Deus disse: — Que haja luz! E a luz começou a existir.” e depois da luz “Deus fez as duas grandes luzes: a maior para governar o dia e a menor para governar a noite. E fez também as estrelas.” Gênesis 1:16. E a dona Química reafirmou Gênesis 2:7 “Então, do pó da terra, o SENHOR formou o ser humano.” que temos 15 elementos em nossa composição corporal que são os mesmos que se encontram nesse solo que pisamos, corremos, dançamos. E a Astronomia falou que cada estrela possui uma grandeza diferente como afirmado em 1 Coríntios 15:41 “O sol tem o seu próprio brilho; a lua, outro brilho; e as estrelas têm um brilho diferente. E mesmo as estrelas têm diferentes tipos de brilho.”. E a nossa Terra, é redondinha, não é? Antes de nós lermos isso nos livros didáticos, Deus já havia dito por meio do seu profeta Isaías no capitulo 40 verso 22 “E Ele que está assentado sobre o círculo da Terra…”. A menina se opunha a palavra do Senhor Jesus Cristo, mas o Senhor Jesus Cristo apenas quer que ela perceba que não adianta correr pra longe de seus braços, se não for agora, um dia ela vai ver Ele descendo entre as nuvens. Que dia lindo será!
—  Por que você não acredita em Deus?
Minhas melancolias crescem gradativamente. Meus afetos estão cada vez mais se afastando. Meu humor está uma bosta, e muda subitamente. Dou gargalhadas fora de hora. Encontro possíveis amores, e logo transformo em dores. Me importo, mas não demonstro a mínima importância. É… Desculpe, ando meio fora do eixo, perdido. Não sei pra onde ir. Tenho uma leve impressão de que estou andando em círculo, sabe? Sempre passando pelo mesmo lugar.
—  Kenedy, 1995
É realmente inexplicável que eu não tenha deixado de lado todos os meus ideais, porque eles parecem tão absurdos e impossíveis de se concretizarem. Mesmo assim eu os conservo, porque ainda acredito que as pessoas são boas de coração. Simplesmente não posso edificar minhas esperanças sobre alicerces de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo gradativamente se tornando uma selvageria. Escuto o trovão se aproximando, cada vez mais, o que nos destruirá também; posso sentir o sofrimento de milhões e ainda assim, penso que tudo irá se corrigir, que esta crueldade também terminará. Enquanto isso, preciso adiar meus ideais para quando chegarem os tempos em que talvez eu seja capaz de alcançá-los.
—  O Diário de Anne Frank

eu te abracei como quem olha pro sol e não desvia o foco. espera gradativamente arder e perder a visão e mesmo assim continua encarando. mesmo que depois não saiba mais até onde a vista alcança

{o sol nasce pra todo mundo, mas o meu se pôs e me deixou meio cega.
te vejo até onde não devo}.

Me procurei gradativamente em utopias de caleidoscópio. Gosto de encontrar sentido em constelações imaginárias, universos paralelos, planetas distantes onde tudo é igual ainda que completamente diferente. As ruas são as mesmas, as pessoas continuam com o mesmo olhar de quem sabe tudo o que há para saber (ainda que morram de medo do ato falho que desencadeará a catástrofe), os horários seguem inalterados e detentores de blasfêmia, enquanto que eu me torno o oposto. Veja bem, não é que desagrade me ser, as coisas tem seguido um caminho diferente e tenho coragem suficiente para admitir o medo e a possibilidade de desastre presente em cada esquina. Cada passo para frente é, ao mesmo tempo, para fora de mim. Não sei dizer se estou me tornando alguém diferente ou se finalmente me serei por completo. Sequer sei descrever ou compreender o sentido das palavras que me tomam por completo, apenas me permito finalmente admitir que não há mais nada para dizer. Acredito que tudo seja dito no silêncio ou em pilhérias aleatórias ao longo do dia. Gosto de quem se permite através da máscara, ou melhor, que se faça de máscara mas tenha a cara limpa. Então é possível ver cada cicatriz da infância, cada marca de sol daquele dia ensolarado demais para ser responsável, cada lágrima derramada sem mais nem menos, pela tolice que foi a gota d’água. Coração partido também é cicatriz e se esconde na retina, e me foi permitido observar até compreender que nem tudo é passível de entendimento. Vejo cada detalhe, ainda que inexato (nada nessa vida sentida é). Canto aquela do Chico: “deixa em paz meu coração”, e você pede pra ficar. Mas fica. Fica. Cada sílaba, devagar. A vogal se estende pelos olhos. E eu fico, eu fico.  

G.

so sick

mais uma daquelas noites em que a gente não consegue dormir por estarmos sendo internamente consumidos por algo inexplicável e imensurável.