gnomo

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This is the heartwarming moment a circus lion feels grass and soil beneath its feet after spending 13 years locked in a tiny cage.

The big cat, named Will, had travelled in a small cart for more than a decade, forced to perform as the circus moved around America. But Will’s fate was to take a dramatic turn after he was rescued by Ranchos dos Gnomos Santuario in Brazil and given a new home. After being released from the cold metal cage, the lion immediately ran over the soft soil and grass, rubbing its paws into the earth before rolling over and taking in all the new sights and smells.The amazing footage was actually recorded back in 2006, but has only just been made available to the public. (Source)

de estimação

  Maria Antônia ganhou de presente um gnomo.

   Pequenino, meio feioso, nariz grande e amassado, chapéu pontudo, todo sujo de terra: um gnomo.

   Já veio dentro de uma garrafa, as mãozinhas apertadas contra o vidro, o olhar desolado de quem foi aprisionado. Não interagia muito. Maria Antônia lhe passava frutas picadas pelo buraco da garrafa. O gnominho não parecia ter muito apetite. Continuava a olhar a menina pelo vidro com aquele ar de descontentamento.

   Maria Antônia foi perguntar pra mãe o que tinha de errado com a criaturinha.

   -Mamãe, por que o meu gnominho não quer comer?

   A mãe caiu na gargalhada, o que Maria Antônia não entendeu muito bem.

  -Filha, aquilo é um boneco de argila. É só de enfeite. Não tá vivo de verdade nem nada.

   -Mas argila não é terra?

   -É, ué. Mais ou menos… É um tipo de terra.

   -Então! Gnomo é feito de terra.

   -E daí?

   -Então se ele é feito de argila, ele pode tar vivo sim! Será que ele não gosta de fruta?

   A mãe deu um suspiro e voltou a encarar o celular.

   Maria Antônia deu boa noite pro gnomo e foi dormir.

   De madrugada, a menina acordou com uma barulheira danada no quarto. No escuro não conseguia ver nada direito, mas tinha uma bateção ritmada vinda da estante onde o gnomo morava. Era o barulho do vidro batendo na madeira.

   Maria Antônia saiu correndo da cama e foi acender a luz. Quando o quarto se iluminou, o barulho parou. Foi lá na estante dar uma olhada. A garrafa do gnominho estava deitada, e não em pé como costumava ficar. Também tinha rolado alguns centímetros na direção da beiradinha da prateleira, por pouco não caiu e se estilhaçou no chão.

   O gnomo queria fugir.

   Maria Antônia guardou a garrafa dentro do armário, enrolada em um monte de roupas pra evitar que caísse e quebrasse. Depois mudou de ideia, com medo de o gnomo morrer sem ar, e desenrolou todas aquelas camisas. Mesmo assim preferiu deixar a garrafinha guardada no armário.

   Na noite seguinte, foi dormir com uma lanterna do lado do travesseiro e deixou o gnomo na estante como antes.

   Ao primeiro sinal de barulho, acendeu a lanterna rápida como um raio e iluminou o lar do gnomo.

   O vidro estava embaçado.

   Por dentro.

   Como se alguém estivesse respirando.

   Na noite após essa, Maria Antônia não acordou de madrugada; mas de manhã encontrou a garrafa estilhaçada no chão e o gnomo lá, espatifado. Ela e a mãe colaram tudo o melhor que puderam, mas pouco podia ser feito pela garrafa. O gnomo remendado foi instalado numa antiga gaiola de hamster.

   A garotinha jurou que tinha ouvido o barulho da rodinha de hamster girando durante a noite.

   Seguiram-se alguns dias sem nenhuma aparente atividade por parte do pequeno prisioneiro, e então numa manhã a mãe acordou com a choradeira da menina.

   A gaiola de hamster jazia vazia na estante, a portinha escancarada.