genteeeeeeeee

Hoje eu te vi na platéia assim como nos sábados passados, no final do espetáculo você se levantou e sumiu. Não valeu a pena? Não gostou? Das outras vezes você vinha até mim e dizia “Parabéns, meu bem”. Você encontrou outra amante, uma garota mais elegante? Sou apenas uma bailarina, uma atriz, atuo nos palcos da vida. E teu amor? Era mais falso que meus papeis, minhas expressões? Se realmente me amava, que direito tinha de me deixar? Tudo bem, eu entendo. Mas qual o problema? Nunca mais te vi, nunca mais dancei, nunca mais atuei, nunca mais amei.
—  Carta de uma bailarina desaparecida, 1998.