genre: romance

My grandfather died in seemingly perfect health. I had hugged him just the week before. My mother had called him the evening prior to the morning they found him in his backyard, still attempting to mow the yard at eighty five. It was my grandmother who lay confined to her hospital bed in the living room, filling her days with Sudoku and cross words while he looked after her. He worshiped the ground she could no longer walk on, and it was evident the way he looked at her. A twinkle in the eyes of a scientist is rare, for they tend to be realists. But he had it when he gazed down at her. He confessed to her that he wanted to go first, because he couldn’t bare the thought of existing without her. I think that’s why he died out of the blue: a heart attack to protect his heart from emotionally breaking. That is the kind of love I can only hope to hold onto one day if I’m ever lucky enough to find it.
—  Belle Jar
Capítulo III

15 de outubro de 1998

Sentei na cama quase às quatro da manhã sentindo que minha garganta fez um nó cego de impossível desato. Chorei quietinho no meu canto, por mais que o apartamento fosse grande e estivesse vazio, eu temi que as paredes sentissem pena de mim. Você nunca entendeu o que é ser despedaçado em mim partes e depois tentar remendar tudo como se cada pedacinho fosse, um dia, voltar a ser o que era, não é? Você nunca foi jogado fora como se o teu amor de nada valesse e se valesse não fosse exatamente o suficiente, o necessário pra ficar, certo?

Olha, eu não tô te culpando. No fundo, bem lá no fundo mesmo, eu e você sabemos que isso não tem nem parcela de culpa da tua parte, algo que te caiba como um todo. E mesmo que um dia você chegue me dizendo que quer roubar a minha dor de mim, eu não irei te deixar carregando o peso de ser eu sozinha nos braços.

Quase às cinco eu parei e senti como se meu peito ainda tivesse muito mais que lágrimas a expelir. Senti como se uma onda de tristeza me atirasse longe do corpo e o impacto ao veio trinta minutos depois quando boa parte do sol havia subido, mas as cortinas permaneceram fechadas impedindo que o teu astro preferido desse as caras por aqui.

As coisas dentro de casa ainda me lembravam muito você. E eu continuei deixando tudo no seu devido lugar. As pessoas fazem isso quando outras morrem. Cômico se não fosse trágico, ninguém entende a partida como a morte lenta e dolorosa de quem fica, todo muito encara a ida como um ciclo vicioso e sem fim. Mas dói não ter alguém pra foder o teu psicológico, a tua alma o teu corpo, principalmente este. Dói não ter alguém que te chame de todos os nomes sujos durante o sexo ou te complete longe da cama, enquanto o almoço de domingo ainda há de ser pensado e se um dia chegar mesmo a existir.

Mas tudo bem, Cecília. Eu sei que ninguém nem vão sentir sua falta nos almoços de família que nunca tem hora certa pra ser servido, que nunca mais vai perguntar sobre o que eu ganhei no dia dos namorados, natal, aniversário ou na sexta a noite quando você chegava em casa com um ou dois vinhos e me colocava abrirá da cama pra discutir teorias newtonianas que eu tanto odiava, mas que passei a amar depois que você foi embora.

Queria te dizer que teu perfume ainda tá aqui. Parece que você faz questão de me torturar no meu próprio apartamento de 63m² onde mal me cabe tanta angústia, onde mal me serve.