garrafa de vidro

Preference #8: First Kiss.

Harry:

Ri enquanto levava a garrafa de vodca até a boca, dei um gole e a passei para Louis, que fez o mesmo que eu.

-Vamos jogar verdade ou consequência.-Niall disse pegando uma das garrafas que já havíamos esvaziado.

-Temos doze anos?-Perguntei fazendo alguns rirem.

-Cala a boca e gira a garrafa.-Louis disse. Rolei os olhos e girei a garrafa no meio da pequena roda.

-Niall pergunta para Ed.-Falei.

-Verdade ou consequência?

-Verdade.-Ed disse confiante.

-Você já beijou alguém do mesmo sexo?-Todos fitaram Ed com atenção.

-Já.-Ed ficou mais vermelho que seus cabelos.

-O que?!-Gritei e depois tive um ataque de risos, sendo acompanhada de todos.

-Ah, vá se foder.-Ed disse estendendo-me os dedos do meio.

-Okay, gire a garrafa, Eddy.-Ed rolou os olhos e girou a garrafa.-Harry pergunta para Liam.

-Nós sabemos.-Louis disse, rolei os olhos e lhe estendi o dedo do meio.

-Verdade ou consequência?-Harry perguntou.

-Consequência.-Liam respondeu, um sorriso malicioso apareceu nos lábios de Harry.

-Você vai dançar na boquinha na garrafa.

-É o que?-Liam perguntou engasgando com o ar.

-Você vai dançar na boquinha da garrafa.-Harry repetiu como se Liam fosse uma criança pequena.

-Eu não!.-Liam cruzou os braços.

-Você escolheu consequência Liam, agora dance.-Julia disse com a voz arrastada, Liam bufou e se levantou, colocou a garrafa de pé e começou a se movimentarem cima dela, em uma forma débil de parecer sexy.

-Já chega, vou ficar cega!-Gritei fazendo todos rirem, Liam voltou para o seu lugar e girou a garrafa.

-Uh, parece que o jogo virou.-Liam disse quando a garrafa parou, ele perguntaria a Harry.-Verdade ou consequência?

-Consequência.-Harry disse sorrindo.

-Beije a s\n.-Arregalei meus olhos ao ouvir meu nome.

-Por que eu?-Perguntei fitando Liam.

-Por que todos sabem que vocês se gostam mas não dão o primeiro passo, agora vão.-Liam rolou os olhos e tirou a garrafa de vidro do meio do círculo, suspirei e parei de joelhos onde antes ela estava, Harry se aproximou e se ajoelhou também, suas mãos foram para o meu rosto, um frio estranho percorreu a minha barriga e um sorriso bobo apareceu em meus lábios antes que nossas bocas se tocassem no pequeno selinho.

-Isso não é beijo.-Anya disse dando um gole em seu copo, a olhei feio.

-Façam de novo, dessa vez direito.-Liam disse com um sorriso sacana no rosto.

-E o que foi errado nesse beijo?-Perguntei em um resmungo.

-Não foi um beijo.-Liam disse. Coloquei a língua para ele.-Use essa língua para beijar o Harry.-Piscou um olho, mordi meu lábio inferior e me virei para Harry, meu coração batia forte.

As mãos grandes do garoto foram para a minha cintura, seu rosto se aproximou do meu e seus lábios tocaram os meus de leve, a ponta da sua língua tocou meu lábio inferior, abri minha boca levemente e senti o beijo se aprofundar, passei meus braços na volta do seu pescoço e senti uma leve mordida no lábio inferior, uma tosse forçada foi ouvida, então nos separamos rapidamente.

-Para quem não queria beijar vocês estavam bem empolgados.-Louis disse contendo uma risada, me sentei ao lado de Julia e Harry sentou ao meu lado, colocando o braço na volta dos meus ombros.

-Eu não queria que fosse assim, mas foi perfeito.-Harry sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

Liam:

-Vem s\a, o filme vai começar.-Liam disse puxando minha mão.

-Acalme-se homem.-Disse rindo, Liam rolou os olhos e me puxou para o sofá.

-Você sabe que esse filme nunca dá em lugar nenhum.-Resmungou pegando o controle remoto, ri e me arrumei ao seu lado, então o filme começou, Liam passou o braço na volta dos meus ombros e prestou atenção na tela quando tudo o que eu conseguia pensar era em como ele estava lindo com o moletom do Batman e a barba por fazer.-Não vai prestar atenção?

-Hã?-Pisquei algumas vezes tentando voltar para o mundo.

-O filme s\n, não vai prestar atenção nele?-Deixou um meio sorriso escapar.

-Estou prestando.-Tentei desviar meus olhos dele.

-E o que aconteceu então?-Liam me olhou, havia um sorriso divertido em sua boca.

-A mocinha se apaixonou pelo mocinho?-Perguntei sentindo milhões de borboletas passearem pelo meu estômago.

-Depende da mocinha que você está falando.-Liam passou a língua entre os lábios.

-A do filme, qual outra seria?

-Você.-Ele fixou os olhos na minha boca.

-E quem seria o mocinho?-Liam não respondeu, colou nossos lábios. Seu beijo era lento, calmo, doce. Uma das mãos de Liam estava em minha coxa enquanto a outra acariciava minha nuca, coloquei minhas mãos em seus ombros e me afastei levemente quando precisei de ar.

-Uou.-Ele sussurrou, um sorriso bobo apareceu em meus lábios, senti minhas bochechas queimarem.

-A gente precisa continuar assistindo isso?-Perguntei depois de alguns segundos.

-Eu nem gosto tanto de o diário de uma paixão.-Liam deu de ombros e se aproximou, colando nossos lábios novamente.

Louis:

Mordi meu lábio inferior enquanto caminhava ao lado de Louis na beira da praia, alguns passos a nossa frente haviam algumas crianças jogavam um frisbe para que um cão o pegasse.

-Quer um sorvete?-Ele perguntou com as mãos nos bolsos da frente da calça, assenti sorrindo para ele.-Senta aqui que eu já volto.-Apontou para o pequeno banco ao meu lado, me sentei e Louis foi até a sorveteria que havia perto de um lugar onde se alugavam bicicletas, logo ele voltava com dois sorvetes de chocolate. Peguei um e agradeci.

-Esse lugar é lindo.-Disse antes de colocar mais um pouco de sorvete na boca.

-Miami é sempre maravilhosa.-Louis disse de boca cheia.

-Vai ficar com dor de cabeça se tomar sorvete como um condenado.-Comentei brincando.

-Você me dá um beijo e passa.-Piscou um olho.

-Eu não.-Disse rindo.

-Não vai me dar um beijo quando estiver com dor de cabeça?-Louis perguntou fazendo um biquinho com os lábios, neguei com a cabeça, Louis encarou o chão.

-Posso fazer isso mesmo que não esteja com dor.-Disse baixo, mas Louis me olhou com um sorrisinho nos lábios.

-E se eu quiser te beijar agora?-Perguntou passando a língua nos lábios.-Você vai me bater?

-Você só vai descobrir se tentar.-Falei baixo. Louis largou seu sorvete no chão e se aproximou de mim, garrou meu queixo com os dedos e me deu um selinho demorado, meu coração pulou cada vez mais. Louis pediu passagem com a língua e eu a cedi, nosso beijo foi gostoso, lento, gelado e com gosto de chocolate.

Niall:

-Esse lugar é incrível.-Falei sorrindo.

-Mullingar fica linda no inverno.-Niall disse caminhando ao meu lado.

-Você teve sorte em crescer em um lugar assim.-Passei a língua entre os lábios, o grupo que nos acompanhava havia se distanciado um pouco, nos deixando a sós.

-Tive.-Sorriu.-O que acha de pararmos para tomar um chocolate quente?-Niall parou de andar e me olhou, ele estava com um gorro preto, haviam pequenos flocos de neve nele, as bochechas dele estavam vermelhas por causa do frio.

-Ótima ideia, estou congelando.-Sorri, Niall foi chamar nossos amigos e nos levou até uma pequena cafeteria não muito longe dali.

-O chocolate aqui é maravilhoso.-Niall disse trazendo uma bandeja com dois copos, um para mim e um para ele.-Só perde para o da minha mãe.-Riu se sentando ao meu lado e me entregando um dos copos. Agradeci e dei um gole na bebida quente.

-Meu Deus, isso é muito bom.-Disse dando mais um gole, Niall riu fraco e bebeu um pouco do seu.-Você tá sujo.-Niall fez uma careta.-Aqui.-Apontei meu queixo, ele tentou limpar, mas passou a mão no lado errado.

-Limpa pra mim?-Perguntou depois de mais uma tentativa falha, larguei meu copo em cima da mesa e peguei um guardanapo, limpando o melado do seu rosto. Mordi meu lábio inferior tentando tirar meus olhos da sua boca.

-Você também está suja.-Niall disse baixo.

-Onde?-Meus olhos encontraram com os dele, estávamos perto demais.

-Aqui.-Agarrou meu queixo e colou seus lábios aos meus, eu podia ouvir meu coração batendo, alto, tinha certeza de que o mundo inteiro também podia. O beiro de Nial era lento, como uma carícia. Com alguns selinhos ele quebrou o beijo e me olhou, havia um sorriso enorme em seus lábios assim como nos meus.

-Finalmente!-Ouvi Louis gritar nos fundos da cafeteria.

Zayn:

-Dança comigo?-Perguntei a Zayn pela décima vez.

-Já disse que não.-Ele resmungou levando seu copo de cerveja até a boca.

-Por favor.-Fiz beicinho mas ele nem me olhou.-Idiota.-Me joguei no banquinho ao seu lado, fiquei encarando as pessoas que dançavam e logo recebi alguns olhares.

-Oi gata.-Um garoto moreno disse se aproximando.-Veio sozinha?

-Não, vim com a pedra de gelo que é o meu melhor amigo.-Disse rolando os olhos.

-Então não se importa de ir dançar comigo.-Disse dando uma piscada e me estendeu a mão.

-Você é meio abusado, mas eu tenho um fraco por morenos.-Agarrei sua mão e fui até a pista de dança, Zayn me encarava com raiva. Movi meu corpo no ritmo de Cool For The Summer e cantei junto a ele.-Qual o seu nome?-Gritei.

-Mason, e o seu?

-s\n.-Sorri e coloquei os braços na volta do pescoço dele.

-Você é uma gata, s\n.-Disse aproximando seu rosto do meu, nossos lábios estavam quase se encostando quando senti uma mão me puxando, era Zayn, ele me carregou para fora da boate e ignorou os meus pedidos para que me soltasse.

-Qual o seu problema?-Gritei parando de caminhar, o estacionamente estava vazio e eu sentia meus olhos marejarem.

-Você estava se esfregando em um desconhecido!-Zayn gritou de volta, me soltando.

-Você me ignorou a noite inteira, Zayn!-Sequei a lágrima que escorrei com raiva.

-Você sabe o quão difícil é ver você gostosa desse jeito sem poder te agarrar?-Ele disse se aproximando, não consegui dizer nada, meu coração batia forte demais.-Eu tenho o rótulo de melhor amigo, acha isso fácil? Ser louco por uma pessoa que não dá a mínima pra isso?-Zayn ia se afastar, mas eu agarrei seu braço e o puxei, colando nossos lábios, fechei meus olhos e senti suas mãos irem para a minha cintura. Entrelacei meus dedos em seus cabelos e fiquei na ponta dos pés, Zayn apertou meu corpo contra o seu e me deu o melhor beijo da minha vida.

-Eu to mais na sua do que você imagina.-Sussurrei sem fôlego, fazendo-o sorrir.


E ai? O que acharam?

Ontem eu fui comprar uma garrafinha de Coca-cola no bar, mas foi aí que eu vi:

Uma garrafa de VIDRO de Sprite!

External image
External image

Tipo, se até Guaraná fica uma delícia nessas garrafas de vidro, imagina uma Sprite?

 Eu tava até desesperançada achando que não existia isso, e aí me acontece um milagre desses!

External image

Aí eu comprei o negócio (AH, vá, sério????????????)

Fiquei assim por dentro:

E eu, com toda a minha expressividade fiquei assim por fora:

A Prova de Fogo - Capítulo 25

– Apresento, pela primeira vez, Sra. e Sr. Shivers. -Brianna, mãe de Coyote, segurou firme o microfone e assistiu atenta os recém-casados entrarem no grande salão. As luzes do lugar, se apagaram e aos poucos foi focada no centro, ou seja, na pista de dança personalizada. May e Coyote, apareceram nitidamente. Tomaram posição para dançar ao som da música “ One Love - Jason Mraz”.

One love, one heart (Um amor, um coração)

Oh let’s get together now and we can feel alright (Oh vamos ficar juntos agora e nós podemos sentir bem)

O casal se olharam profundamente e todos que estão presentes sorriram, então começaram a dançar em uma sincronia única. Todos estão felizes pelos dois, com a excessão de uma pessoa: Paula. Em um canto do salão, ela permanecia encostada na parede e com grande dor no coração. May finalmente se casou e isso a afetou muito.

Paula tinha esquecido desse pequeno detalhe: o seu ex amor estava se prendendo ao Coyote. Ela sorriu fraco por pensar em quão estúpida foi por ignorar, nos dias atrás, o tanto que ainda se importava com isso.

Oh one love what about the love, one heart (Oh, um amor que sobre o amor, um coração)

Oh lets get together now and we can feel alright (Oh deixa ficar juntos agora e nós podemos sentir bem)

One love, one heart (Um amor, um coração)

Let’s get together now and we can feel alright (Vamos ficar juntos agora e nós podemos sentir bem)

I said lets let’s get it together now ( Eu disse: Vamos ficar juntos agora )

And we can feel alright ( E podemos sentir bem )

O casal lentamente começaram a sair do ritmo da música até pararem completamente. May encostou a testa na do Coyote e permaneceu fitando os olhos do marido. Suspiros foram soltos por muitos convidados. Coyote tomou as mãos dela e segurou carinhosamente, esperaram pelo fim da música.

One love, one heart ( Um amor, um coração)

O lets get together now and we can feel alright ( O deixa ficar juntos agora e nós podemos sentir bem )

One love what about the love, one heart ( Um amor que sobre o amor, um coração )

Let’s get together now and we can feel alright ( Vamos ficar juntos agora e nós podemos sentir bem )

May e Coyote encostaram suavemente os lábios, transformando o pequeno toque em um beijo pequeno e simples. Mais uma vez emocionando a todos que assistiam a cena, atentos. Paula em seu canto resmungou qualquer coisa e foi a primeira a se dirigir as mesas.

Havia dois tipos de mesas distribuídas pelo salão, claro, foram numeradas e cada um sabia sua mesa porque foi imposto o número nos convites. Os de números ímpares é coberta por um tecido vintage marfin e com um grande arranjo central, completamente compostas por rosas vermelhas. Em cada guardanapo do prato foi delicadamente colocado uma rosa branca. O caule dessa rosa foi coberto por cetim listrado de vermelho e branco, e este abraçava o guardanapo. As taças das mesas ímpares foram personalizadas e tinha duas frases pequenas em dourado: You and I were just made (Você e eu fomos feitos apenas) e To love each other now, forever and a day (Para amar um ao outro agora, sempre e um dia).

As mesas de números pares estão cobertas por um tecido longo vermelho vintage que cobriam até o pé da mesa. Pequenos e médias garrafas de vidros distribuídos no centro da mesa. Os vidros de duas cores: Transparentes e brancos. Nas garrafas brancas predominam as rosas vermelhas com folhagens e nas transparentes são dominadas por rosas brancas. Ao redor de cada garrafa, pedras transparentes de diversos tamanhos disputam com as pétalas rosadas de rosas. Os guardanapos brancos foram envolvidos de uma fita vermelha e corrente de pedrinhas brancas. As taças desse tipo de mesa foram personalizadas com uma simples borda dourada.

– Você podia pelo menos fingir. – Clara falou baixo se sentando ao lado de sua irmã, que pegou a taça de vinho e tomou de uma vez só. Respirando fundo e encarando o olhar de Clara.

– Não estava fingindo? – Resmungou Paula.

A mesa que estão é de número 13 e por azar do destino, ficava de frente a mesa dos noivos. Só que um pouco distante. Paula podia ver e sentir a cada segundo que a loira está casada. Claro que é óbvio, mas para um coração frágil e sensível… Aquilo ainda é muito. Por fim, decidiu não olhar mais para a mesa do casal destaque da noite. Paula não viu mas estava sendo observada minuto a minuto por duas pessoas… Por May e por um homem, alto e mal humorada pelo o que via.

Bia permaneceu sentada ao lado de Paula e surpreendentemente tinha um brilho no seu olhar. Ela está contente essa noite, pois na entrada foi recebida com muitos gritos e abraços de Star, Igor e Enzo. Mesmo assim a menina ainda se sentia acanhada em também se soltar. Segurava a mão de Paula com força e repassou na mente os motivos de não estar no outro salão brincando como uma criança normal, desejou que Star fosse buscá-la. Ao lado de Bia estava sentada Júlia que com um tablet na mão brincava.

Porém a câmera de Júlia está no seu colo, pronta para ser usada. Na mesa tinham ao todo oito pessoas, sendo respectivamente, Paula, Clara, Vanessa, Fernanda, Marcelo, Angela, Júlia e Bia. Por enquanto as conversas não abordaram a todos, pois ainda falavam da decoração do lugar entusiasmado. Cada um dizia uma coisa e tornando incompreensível a conversa para alguns.

Passaram-se uma hora e Paula pegou a décima quinta taça de vinho nas mãos. Júlia andava de um lado pro outro, fotografando de tudo e parecia bem mais animada. Bia está no outro salão com Star, Igor e Enzo. Estão brincando na piscina enorme de bolas.

– Eu me lembro disso. Clara ficou louca quando soube que Vanessa estava pegando a puta do colégio… Como é o nome dela mesmo? - Angela perguntou e tentou se lembrar. Mas tudo que vinha na sua mente era a ruiva de cabelos longos e olhos claros.

– Mariana? - Chutou Marcelo. – Não. O nome dela é Amanda… – Vanessa respondeu a dúvida de todos e viu a esposa colocar um dedo dentro da boca fingindo vomitar.

– OH MEU DEUS! EU LEMBRO… VANESSA CHAMAVA ELA DE AMANDINHA … - Ray bateu a mão na mesa e todos riram.

– Odeio ruivas por causa dela. - Resmungou Clara.

– Ela não tem culpa, foi você que tinha terminado comigo… - Vanessa defendeu a nação de ruivas.

– Me lembro bem disso… A Clara estava revoltada com você - Marcelo apontou para Vanessa - e queria perder a virgindade com qualquer um…

– Então ela ficou com aquele menino popular do colégio? Hugo? - Clara fez careta e Angela se convenceu do que disse. Marcelo começou a gargalhar.

– A Clarinha falava “Huuuu gostosa” e a Vanessa ficava jogando ao ar o quanto a Amadinha era boa… Definitivamente foi a melhor semana de quando vocês se separaram. - Marcelo disse ainda com um sorriso maroto nos lábios.

– Huuu gostosa. - Paula imitou a voz da irmã naquela época.

– Chega. - Clara resmungou visivelmente irritada pelas lembranças e percebeu que Vanessa também estava incomodada

– Amanda. - Sussurrou Paula com um sorriso discreto nos lábios.

– Paula - Repreendeu Clara.

– Eu vou ali, atrás da Amandinha… - Paula se levantou com um pouco de dificuldade. Todos perceberam que estava bêbada, mas não se importaram pois observaram ela andar elegantemente para fora da casa.

May observou que Paula ia saindo e sem pensar duas vezes andou atrás dela. Teve grande dificuldade de sair do lugar, pois os convidados existiam em tê-la em uma das suas mesas. Isso a fez demorar um pouco para sair do salão. Coyote não percebeu pois estava no outro salão, verificando a filha.

– Paula. - May sussurrou mas era lógico que ela não ouviu.

Pois a garota está em um gazebo de madeira na água, de costas observando o lago com os olhos marejados. May começou a vacilar seus passos e fitou a trilha de madeira branca feita até o gazebo. Respirou fundo e tomou nas suas mãos o tecido de seu vestido, levantando um pouco. Em um minuto seus passos ficaram apressados e chocou-se ao entrar no gazebo.

Paula está com uma garrafa de vinho nas mãos e a loira pode ouvir a mescla de som ao seu redor que se resumiam em: a música do salão, This love - Maroon 5, sons de grilos e o choro descontrolado

– Paula…

– Eu perdi a minha vida pra te proteger. - A voz dela foi ríspida.

– Tipo o que? - Perguntou a loira com o coração na mão e escutou uma risada amarga de Paula, que se virou para encará-la.

This love has taken its toll on me ( Esse amor me abalou )

She said goodbye too many times before ( Ela disse adeus muitas vezes antes)

Her heart is breaking in front of me ( E o coração dela está quebrando na minha frente )

– Eu não me casei com o Rodrigo por amor. - Confessou, passando as pontas dos dedos no rosto que acabou manchado pela maquiagem.

– Então porque? Ele te disse que me machucaria? Porque? Dinheiro? - May vociferou.

– Ele não me disse que te machucaria. - Paula colocou a ponta do dedo nos lábios e sorriu docemente. - Ele te machucou mas você nem percebeu…

– Como?

– Tantas tragédias em um mesmo ano… Não posso falar… Agora tenho pessoas mais importantes para proteger…

– Quer dizer que não vai mais se preocupar comigo? - Sussurou May com os olhos marejados.

– O que te importa? - Paula fungou.

– Eu me importo com você… Paula… Eu sempre vou amar você. - Lágrimas começaram a escorrer no rosto da loira.

– Você o ama mais. - Rosnou. May se manteve em silêncio e lágrimas começaram uma trilha nas maças do seu rostos.

This love has taken its toll on me

She said goodbye too many times before

Her heart is breaking in front of me

And I have no choice, cause

I won’t say goodbye anymore

– Dança comigo?- Um fio de voz de May.

Paula teve sua atenção voltada na loira, alcançando sua cintura com suavidade e lentamente colou seu corpo no dela. Sentiu os braços de May enlaçarem seu pescoço e um suspiro aparecer na garota. O suave perfume Floratta in blue toma conta das narinas de Paula que roçou a ponta do seu nariz no pescoço da recém casada. May arrepiou-se ao sentir os lábios de Paula pressionarem em sua pele e depois de segundos viu a garota se afastar.

– Na noite em que minha irmã reclamou que eu estava morrendo com um pote de sorvete… Bem, você pediu que pelo menos te desse um adeus inesquecível. Lembra que me neguei? - Paula falou rapidamente e passou as mãos nos cabelos.

– Lembro. - Sussurrou a loira.

– Essa noite eu quero lhe dar isso… Adeus. - Paula se reaproximou e segurou as mãos dela. Seus lábios foi tomados por um sorriso forçado e seus olhos liberavam perdão.

– Você não vai sumir, certo? – Se desesperou.

– Mayra… Estou dando o adeus dos meus sentimentos por você. Quero dizer, do que restou deles. Estou guardando as memórias das noites juntas e nomeando o motivo de querer sua proteção por ser uma amiga… Não por ser a garota que eu amei. - Paula desabafou e um clarão passou pela mente da loira. May lhe deu um sorriso meigo e viu a loira pegar novamente a garrafa de vinho que está pela metade.

– Rodrigo foi bom pra mim… Por um tempo… Eu conquistei o coração dele, sabe?! - Paula sussurrou.

– Quem resistiria a você?! - May disse e fez a Paula rir. Mas ela parou quando viu quem vinha andando sobre a trilha de madeira. O jeito que seus olhos assustados estavam fez com que May se virasse e se deparasse com os olhos cristalinos de Rodrigo.

– Você. Comigo. Agora. - Voz de comando dele foi dado e a loira prontificou-se ao lado dele.

May não fez nada. Ficou parada ali assistindo ele apalpar a bunda de Paula enquanto andavam em uma direção qualquer.

–  Boy I hear you in my dreams… ( Garoto eu te escuto, em meus sonhos )  I feel you whisper across the sea ( Eu sinto o seu sussurro do outro lado do mar )  … I keep you with me in my heart ( Eu te guardo comigo em meu coração ) … You make it easier when life gets hard… ( Você faz as coisas fáceis quando a vida fica difícil ) – Angela canta com uma voz suave e olhando diretamente para Marcelo.

Os dois estavam em um pequeno palco que fazia parte da decoração do lado direito do salão. Como o salão é grande, deu para se criar o ambiente do bolo, do karaoke e da pista de dança. Marcelo e Angela estão no palco mostrando que sabem realmente cantar, se apresentando com a música Lucky - Jason Mraz feat. Colbie Caillat.

Os microfones são também personalizados, sendo um branco e o outro vermelho. Como tudo ali, pois as cores do casamento são eles.

– Lucky I’m in love with my best friend… ( Sortudo, pois estou apaixonada pelo meu melhor amigo ) Lucky to have been where I have been … ( Sortudo por ter estado onde estive )Lucky to be coming home again … (Sortudo por estar voltando pra casa novamente) – Marcelo cantou afinadamente com um grande sorriso nos lábios.

Todos podiam sentir o quanto eles estavam sincronizados pelo o olhar e realmente cantavam o que passaram na época da faculdade. Quando ficaram distantes e faziam sempre o possível para se verem. Engraçado pois Angela dormia conversando com o Marcelo pelo celular.

They don’t know how long it takes ( Não sabem como demora )

Waiting for a love like this ( Esperar por um amor como esse )

A voz deles invadiu o lugar na qual alguns casais dançavam e outros só assistindo parcialmente animados.

– Porque ainda está falando dessa Amanda? - Rosnou Clara tentando sair do colo da esposa. Foi um fracasso a tentativa pois ela a agarrou pela cintura.

– Só estava recordando essa época. – Explicou Vanessa com a voz um pouco trêmula.

– Você ia perder a virgindade com aquela puta. - Vociferou a loira, levantando uma sobrancelha e a fitando.

– Você disse que tinha perdido a virgindade com aquele gay. - Retrucou com mais raiva.

– Mas eu menti e eu te contei que tinha sido mentira. - Clara fez um beiçinho e cruzou os braços, mas ainda irritada.

– Claro. É uma ótima notícia para se receber na noite de núpcias. - Vanessa riu consigo mesmo quando se lembrou da lua de mel delas.

Mas logo a sua consciência pesou. Eu também menti, pensou Vanessa com amargura. Um tapa queimou o ombro dela e imediatamente encaixou sua mão no maxilar da esposa que reclamou baixinho.

– Solta. - A loira disse entre os dentes e Vanessa sorriu para ela. Lentamente mordeu o lábio inferior da garota e aos poucos se viu a beijando. As duas tinham mudado de mesa. Agora estavam na mesa par, no fundo do salão.

– Eu te amo. - Ela sussurrou depois do beijo e os olhos da garota brilharam.

– Quem não ama? - Ela disse fazendo com que Vanessa desse risada.

No salão direcionado a diversão das crianças é colorido e cheio de brinquedos. Uns físicos e outros jogos eletrônicos. A piscina de bolinhas prateadas e vermelhas ficaram no centro do salão.

– Como se atreve, baixinha? – Thais pergunta e desvia de uma bola vermelha que foi jogada em sua direção.

– Vocês não conseguem nos vencer! - Star falou e botou as pequenas mãos na cintura.

No seu lado direito estava Igor e Enzo, e no seu lado esquerda está Bia. Os quatro mergulharam dentro da piscina e apanharam bolas nas mãos. Ray ao perceber isso olhou para a esposa com um sorriso enorme.

– Guerra? - Ela pergunta enquanto tirava os sapatos. Estava se divertindo com a ideia do que viria pela frente.

– SPARTAAAAAAAAAAAAA - Ray gritou e segurou a mão da esposa. O casal pulou na piscina e iniciaram uma guerra na piscina de bolinhas.

As risadas e berros animados foram o único som nesse salão. Bia brincava animada de forma que nunca fez na vida e realmente estava feliz.

(…)

O corpo de Paula bateu com forma da parede dos fundos da casa do lago. A luz é fraca mas ela podia ver os olhos furiosos do marido. Respirou fundo e desejou estar bêbada suficiente para ignorar tudo que ele poderia fazer com ela.

– O que disse a May? - Rodrigo perguntou ríspido e demonstrava fúria.

– Que não a amo mais. - Resmungou Paula. Não demorou muito para receber um soco na barriga Gemeu com a dor.

– O que aquele loiro está fazendo no Estado? - Ele perguntou com ódio nítido na voz.

– Quem?

– Vou te refrescar a memória. – Rodrigo cuspiu as palavras em seu rosto e em segundos ela viu seu vestido ser rasgado. Uma brisa passou por eles e sentiu o frio na barriga, nas pernas e no coração.

– O que isso tem a ver? Rodrigo… – Ela choramingou e recebeu um tapa forte no rosto.

Só não caiu porque ele a segurava pela cintura com força. Dos olhos cristalinos dela caíram lágrimas amarguras por começar a reviver o passado. Rodrigo mostrará a ela que não seria o mesmo de dois anos atrás. Ela sabia que o amor, carinho, atenção e proteção acabariam logo quando ele soubesse de suas mentiras. Mas não desejava que fosse nessa noite. Os dedos de Rodrigo deslizaram sobre a grande cicatriz no pé de sua BARRIGA . Respirou fundo.

Ela compreendeu do que ele estava pensando e teve grande medo por se lembrar da noite em que saiu do hospital, deixando para trás seus dois amores e voltando para as garras de Rodrigo. A noite em que a espancaram até ela não conseguir se levantar com dor. O momento em que viu um militar sangrando em um canto do quarto e gemendo de dor. Os minutos de desespero para lutar pela vida daquele homem que conhecia por fotos e que tanto ouvia falar. Os segundos que não pensou nada além da loira que tinha parte do seu coração e que não merecia sofrer. A sua assinatura em uma folha de papel quando o dia amanhecia e o grande motivo de estar com o homem que tentou amar.

– Eu quero que você tenha um filho meu. - Rodrigo resmungou mais calma e soltando a esposa devagar.

– Claro. - Concordou sem pensar e um sorriu predominou nos lábios de Rodrigo.

– Pelo menos substituirá o menino que carregava daquele italiano. - Ele sorriu ao lembrar da noite em que reencontrou sua presa.

– Com certeza. - Paula disse mais calma e com um pouco de dificuldade abraçou o homem em sua frente. Com certeza, disse ela para si mesma.

– Tem que ser menina. Bia me cansa com choramingo… Aliás, tenho saudade do choro dela. - Ele disse com voz enjoativa e Paula teve certeza que ele descobriu mais dela nessa viagem. Ele não estava agindo assim. Nem falando assim. Sua mente rondava no que poderia ter acontecido com Bruno e Rocco. Uma grande dor invadiu seu coração e então suspirou pesadamente.

– Kate. Ela se chamará Kate. – Sussurrou com carinho fingindo. Novamente sentiu seu corpo ser pressionado na fria parede. Sentiu as mãos dele rasgarem sua calcinha e um novo desespero atingiu ela.

– NÃO. - Gritou ela sem pensar e bateu nos ombros do homem que se afundará no meio de seus seios.

Ela sentiu os dentes dele morderem sua pele com força desnecessária e bloqueou um pequeno grito. Só respirou novamente quando Rodrigo parou de mordê-la com tamanha força e começou a encarar seus olhos cristalinos.

– Eu te dou para o cão, que aliás tem mostrado muito interesse em você. – Ameaçou com um tom antigo e autoritário. Se sentiu um prêmio usado e desgastado novamente.

Respirou fundo o beijou com força. Na mente de Paula era bem melhor se render do que tentar lutar. Ela não queria novamente ser estrupada e tinha certeza que seria se caísse novamente nas mãos dos capangas do marido. Ela se viu vivendo o passado e tremeu. Tomou em sua mente os sete meses que passou sendo somente de Bruno e se entregou ao Rodrigo como se fosse o italiano que ganhou seu coração em apenas uma semana.

(…)

Vanessa rodopiou a esposa com rapidez mas elegantemente ela atendeu o seu passo. Segurou firmemente sua cintura e reencostou seus corpos. Encostou a cabeça na testa da esposa e sorriu largamente ao realizar outro passo de Salsa com ela. O toque do celular tirou a atenção de Clara que rapidamente parou de dançar e retirou o celular do decote. Vanessa riu e Clara sorriu pra ela, fez gesto que iria atentar e saiu de lá as pressas.

– Finalmente ela te deixou um pouco sozinha. - Fernanda se aproximou com um grande sorriso nos lábios.

– Certo. - Vanessa resmungou baixinho.

– Ela já é sua? Tipo… cem por cento sua?- Perguntou a loira.

– Sim. Acho que sim. - Sussurrou ela.

– Você sabe o que tem que fazer… – Nanda a olhou animada.

– Eu vou fazer.

– Quando?

– Daqui a quatro dias. - Vanessa a informou.

– QUATRO DIAS? Você sabe que só tem sete dias! - A mulher em sua frente falou com indignação.

– Star vai ficar conosco por quatro dias e três dias com o Ray. Então, quando eu for deixá-la na casa do pateta, já arrumo as malas dela como o combinado e você sabe o plano. - Vanessa se irritou.

– Eu sei. Espero que ela logo diga sim e te mantenha segura.. Caso contrário vou partir pra luta. - Ela fez um bico e sorriu animada.

– Eu sei que sim! Eu já disse que se esses dias serão minhas últimas tentativas, certo?

– Certo. - Agora a garota que resmungou.

– Seu filho está aí?

– Sim, brincando. - Sorriu simpática. - Aliás, vou olhá-lo…

– Não agora. Primeiro me concede uma dança? - Perguntou ela se inclinando e beijando a mão direita de Fernanda.

– Talvez outro dia. Sua mulher está entrando…

I lose control because of you babe ( Eu perco o controle por sua causa, meu bem )

I lose control when you look at me like this ( Eu perco o controle quando você me olha deste jeito )

– Fernanda… - Vanessa olhou para Nanda, confusa ao ouvir a música que começou a tocar.

– A música de vocês. Aproveite e cante um pouco no ouvido dela… Só pra ela. - Nanda deu o toque e olhou para ela com carinho.

Ela queria que a sua chefe, amiga e paixão impossível fosse feliz. Ela merecia a felicidade ao lado de quem mais ama. Fernanda sumiu para o outro salão e não demorou muito para Cara chegar perto de Vanessa.

– You an I? Scorpions?– Perguntou Clara incrédula.

– Yeaah!

– Oh meu Deus! Resgatou isso do fundo do baú. - Clara disse visivelmente animada.

– Nem namorávamos e você me deixava louca. Lembra do tanto que perdi o controle?

– Eu amo sua falta de controle… – Riu gostosamente - Sempre me deixavam sem ar, vermelha e o pior com mais sede dos seus lábios!

– Esses? - Vanessa apontou para sua boca e ela riu o beijando rapidamente.

– O mesmo sabor de amor. – Sussurrou ela.

Vanessa a pegou pela a cintura e rodou seu corpo. Agarrou ela por trás e cheirou o perfume impregnando as notas cítricas de sua respiração. Beijou levemente seu pescoço e começou a balançá-la lentamente.

– It’s all written down in your lifelines… It’s written down inside your hear (Está tudo escrito nas linhas de sua vida… Está tudo escrito dentro do seu coração ) - Ele cantou suavemente em seu ouvido e de forma que somente ela escutasse.

Clara fechou os olhos e sorriu apreciando a voz rouca, baixa e romântica de sua esposa

– You and I just have a dream… To find our love a place, where we can hide away ( Você e eu temos apenas um sonho… Para encontrar para o nosso amor, um lugar onde nós podemos nos esconder ) - Ela começou a cantar e se voltou para frente de Vanessa. Agarrou seu pescoço e a olhou divertida. Clara não viu mais estava se apaixonando novamente pelos olhos castanhos, os cabelos bagunçados e o sorriso torto da esposa.

Os minutos foram passando devagar e para o casal só haviam as duas no meio do salão. Sorriam, selavam os lábios e dançavam ao som de um rock leve. De uma música antiga, parecendo ser feita e escrita para elas quando tinham 16 anos. Ambas estavam descobrindo na época o amor além do ódio e atração uma pela outra. Essa música foi a trilha sonora do beijo que explodiu novos sentimentos e perguntas. O beijo de quando conflitavam porque a loucura que sentiam. A música que iniciou uma fase mais séria de seus corações, pois não tinham mais o argumento que ‘Nunca beijaram alguém’ e só restava o que realmente sentiam. A música de lembranças do início e certamente um novo início para Clara e Vanessa.

– I love you girl I always will… I swear I’m there for you ( Eu te amo menina, E sempre amarei… Eu juro, Estou aqui por você ) - Vanessa não cantou, mas disse alto suficiente para ela entender.

– Till the day I die ( Até o dia que eu morrer ) - Vanessa completou e ela riu baixinho.

– Pare de falar seus votos de casamento. - Ela o lembrou.

– Você gostou deles no dia. – Ela reclamou fazendo um beiço.

– São as minhas frases preferidas. – Ela confessou e se inclinou para beijá-la. Não seria loucura se dissesse que foi pela milésima vez na noite.

O armário

Abri hoje o armário antigo, móvel paralisado no tempo, arca das memórias. Não sei por que tanto demorei a fazê-lo. Como se eu tivesse medo, mas de quê, Deus? Se ali estavam aquelas coisas que eram parte de mim. O meu passado não faz parte de mim? Pois então, o que temer. Temer a mim. Temer ao que já esqueci. Mas antes que a porta se abrisse a mão paralisou no puxador ornamentado. Qual era a dificuldade mesmo? Se tantas vezes puxei aquelas portas e gavetas, naturalmente. Pega lá, filho, aquela toalha bordada – vovó vem nos visitar, eu já sabia, só quando vovó vinha é que pegávamos a toalha bordada. Ou, pega meu estojo de maquiagem, aí eu sabia que a gente ia sair. Mas não sair pra qualquer lugar. Se mamãe ia mesmo se maquiar é por que era um dia especial. Mamãe não se pintava assim por qualquer motivo, tinha que ser data de grande relevo para a história, provavelmente ia ter foto e tudo. Então ela pegava o batom, o blush e aqueles outros utensílios que eu não sabia pra que servia ao certo. Mas ela sabia. E como! Então era isso, ela pegava o estojo e quando voltava a vê-la estava linda. Não que a tinta fosse uma forma de dar ao seu rosto uma cara outra, antes afinava os traços. Apurava a beleza que ficava oculta no dia a dia das horas no tanque, na máquina de lavar e de costura. Sei que cobrei demais, dei tão pouco. Todos nós demos. Ela sempre mereceu mais, mas ela sabia brilhar. Quando a foto se revelava víamos nós todos meio desajeitados, não ela. Ela era pose, luz & luxo. Linda em todos os retratos, era a sua íntima vitória. 

Ainda com a mão sobre o puxador o que se seguiu foi a voz de papai. Pega meus sapatos. Não. Os sapatos. Aquele outro. Aquele sapato de ir pro bar. O dia provavelmente era sábado. Sábado dia sagrado. Erguer a long neck no templo, ver futebol e falar de mulher. Eu ia junto, ficava entre o cheiro da bebida e a fumaça do cigarro. Confesso que até hoje cheiro de bar me dá um troço no peito, que cada um tem as madeleines que merece. Ficava equilibrado naquele banco comprido-ido. De lá via o mundo. A rua e os carros passando. Os bêbedos que o bar vomitava na rua sem amparo – quem não paga não leva, pega o caminho de casa e desce três, quatros pancadas na mulher e pede algo pra comer, a bandeja que treme e o sangue na boca engolia-se porque os tempos eram outros. Não papai. Papai pra sair das estatísticas nunca levantou um dedo contra minha mãe. Claro que pro desempenho e para a força dessa lembrança eu poderia ter mentido: que ele era alcoólatra e tudo o mais. Mas não. Eu bebia Coca-Cola numa garrafa de vidro e canudinho vermelho & branco listradinho vendo meu pai jogar bilhar. Taco e bola e bola na bola e buraco. Ele era muito bom naquilo. Tentou me ensinar, anos mais tarde, nunca consegui. Nunca tive a coordenação certa para colocar as coisas no tempo em que elas acontecem: buraco-taco-bola, era só assim que conseguia entender. E como não lembrar dos grandes amigos de papai? Beto, Zeca, Luís – fiquei sendo amigo deles também, eu era amado e não sabia. Lembro também das amigas de mamãe. Zefa, Cleonice, Laura. Elegantes e engraçadas. Mas nunca seriam como a maior de todas: minha mãe, maior que todas. Era infinito o mundo e a história não existia. Viveríamos bem e sempre. 

Também abria o armário para pegar o fio do videogame que era providencialmente guardado, pois eu e meu irmão não conseguíamos desligar aquilo. Vício total. Então de tanto implorarmos, de mentirmos que tínhamos feito os deveres de casa, mamãe liberava: pega logo, menino! Era ótimo, às vezes chamávamos alguns vizinhos e fazíamos competição. Mas também brincávamos na rua e também por isso abria o grande armário quando jogando aquele futebol no asfalto tirava o tampão do dedão e correndo, sangue pingando pegava a caixa dos primeiros socorros. Merthiolate nele, sentenciava mamãe. E ardia! Mas que saudade da dor. Quando é que perdi aquilo tudo? Sem querer mais lembrar tanta coisa finalmente lembrei de que tinha esquecido a mão sobre o puxador da porta. Abri. 

Os amigos de papai sumiram com o tempo e as de mamãe também. Talvez por que eles também sumiram. E sumiram os vizinhos, cresceram e sumiu também o mano. Na parte de dentro da porta havia um espelho e quando me vi assustei. Me assustei também por conseguir estar na altura da última divisória do armário, a mais alta. E nunca tinha visto. Eu era pequeno. Eu fui pequeno. Agora alto e velho como um carvalho milenar que já suportou os ventos e continua sem saber das folhas que perdeu. Pra onde foram? E o que era aquela caixa, nunca antes soubera dela. Caixa grande; um caixão. Peguei curioso. Olhei uma última vez para meu rosto rusguento, fechei o armário impaciente. As mãos tremendo, coloquei a grande caixa sobre a cama. Na tampa as iniciais de papai e mamãe. O que era aquilo? Dessa vez não demorei para abrir a memória, que memória não tinha nenhuma daquele objeto. Dentro da caixa ornada, dobrados, um terno, um vestido. Sabia por fotos o que era aquilo e não sabia que aquilo ainda existia. As roupas que mamãe e papai usaram no casamento. Há tantos anos. E ali estavam, denunciando e dizendo: nós existimos. Um dia nós existimos. Tirei-as da caixa, estendi-as sobre a cama e ali estavam mamãe e papai dizendo “Sim”. Verdade que não foram conservadas como devia. O vestido estava amarelo e o terno puído, vários furos. E vincados pelas dobras escondiam alguma coisa. Alguma coisa que ficou dobrada pra sempre, como uma palavra que eu não disse ou que não me disseram e que nunca mais diriam, ficou na dobra engasgada. Dobrei os joelhos e chorei como uma criança que nasce. Mas só “como”, que não era criança e não nascia, morreria dali a pouco, sei que sim e por isso chorava. Dobradas as pernas, também minhas dobras caladas. Senti mão em minhas costas. Era meu filho. Aquele filho que tanto trabalho me dava. Desdobrei as pernas. Pelo menos dessa falta eu tinha que me desvincular. Ele não entendeu nada, mas mesmo assim eu disse: Eu te amo, filho. 

- Caio Augusto Leite