gabriellaruivo

Não quero ser clichê ao falar sobre você, até porque eu mesma já estou cansada de tantos piegas por aí. Porém andei pensando, e concluí que se tratando de você, não há como não ser clichê. Pois o amor, mesmo incorrespondido, é clichê, é piegas, é antiquado, e sempre será. Só de lembrar de você, uma dor aguda atinge o meu peito e me faz tremer. É algo doloroso demais pra mim. Não quero ser dramática, pois eu não sou. É apenas uma declaração da realidade. Você entrou na minha vida sem querer, e a mudou por completo. Mudou, me fez bem, sentia-me nas nuvens quando estava ao teu lado. Fez o meu ego melhor, melhorou tudo em mim. E depois, simplesmente, se foi. Me deixou sem motivos, sem explicações. Com um buraco imenso no peito, provocando-me uma dor inimaginável e invisível. Uma dor com qual eu tenho que lutar há muito tempo, desde a sua ausência. O pior não é o abandono, não é a sensação de vazio. Isso eu posso suportar, pois já estou acostumada. O pior, é te ver melhor com outro alguém. Ver que eu não fiz o suficiente pra fazer você querer ficar comigo, e ter que ir atrás de outro alguém. Eu não deveria me sentir mal, pois tecnicamente, a culpa de tudo isso é você. Eu nem deveria estar triste, pelo contrário, deveria estar em uma fúria completa. Mas não estou, não estou porque quando se ama, você perde todos os sentidos. A razão da sua vida se altera, e de repente, é aquela pessoa que te move, é aquela pessoa que te motiva a levantar todos os dias, e agir normalmente, agir com felicidade. É aquele pessoa que te sustenta. É aquela pessoa que te mantém no chão, e ao mesmo tempo, te faz voar ─ não no sentido literal da palavra, é claro ─ isso é o amor, por mais que existam outras situações bastante diferentes. Uns dizem que cada amor é diferente, e não tenho como discordar disso. Mas ele é muito diferente, e igual ao mesmo tempo. Quando se ama de verdade, temos as mesmas sensações, os mesmos ciúmes. Por você, o meu amor foi de verdade. Foi a primeira pessoa que eu amei de verdade, e de uma certa forma, sempre amarei. Sempre amarei, pois você marcou o meu coração, marcou o meu ser. E essa dor que ainda sinto nesse momento, mesmo que já faz bastante tempo desde o ocorrido, sempre vai doer, mesmo que com uma intensidade menor. Sempre vai latejar ao lembrar do teu nome. E daqui há alguns 10, 20 ou 30 anos, o amor e a dor permanecerão. Um dia, é claro, eu conseguirei te esquecer. Um dia, eu amarei outro alguém e ficarei feliz em ficar com a tal pessoa. Mas você sempre permanecerá em minha mente. Todos os momentos, todas as palavras. Pois o amor de verdade, jamais se apaga. Como esperado, minhas palavras foram piegas demais, mas eu não me importo. Com você, mesmo que eu não o tenha mais, o clichê nunca se enjoativo.
—  Clichê é um tanto enjoativo. Mas quando se trata de você, não existe coisa melhor. 
Amor não é sinônimo de dor e sofrimento, nem todas as amizades são falsas, expectativas nem sempre são uma coisa ruim, clichê não é entediante, nem todo mundo gosta de uma determinada coisa, a sociedade não é composta apenas por pessoas ruins. O problema de hoje em dia, é que nós generalizamos demais, e deixamos detalhes como esses, passarem despercebidos. As coisas não são iguais, as pessoas não são iguais. Há mais excepcionalidades no mundo do que nós imaginamos. Ás vezes, afirmamos coisas como essas sem pensar. Coisas que ouvimos ao longo da nossa vida por parentes e amigos, e acabamos colocando na nossa cabeça que todas elas são verdade. Mas, pensemos comigo: Hoje em dia, temos alguma certeza do que é verdade ou mentira? Do que é certo e do que é errado? Do que é real ou apenas sonho? Não, nós não temos. Não podemos ter certeza de nada, pois nada nessa vida é certo. Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Situações são da mesma forma. Elas podem acontecer com várias pessoas da mesma forma, mas sempre haverá outra em que foi diferente. Esse é o nosso defeito: Sempre impomos padrões ao longo da nossa vida, e por isso, deixamos de viver, de tentar. As nossas tentativas sempre são incompletas ou inexistentes, e quando nos damos conta, a vida passou por nós despercebida, e não podemos aproveitá-la. Então, não liguem para padrões, pois nem tudo acontece sempre da mesma forma. As coisas mudam. Cada situação é uma situação, cada pessoa é uma pessoa. Só cabe a nós tentar, e lutar pelo o que queremos. Não deixe de amar, não deixe de confiar, pare de se importar. E assim, com certeza você viverá melhor.
—  Lembre-se que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
─ Amar-te-ei para sempre ─ disse-lhe com relutância, embora soubesse que aquela afirmação era um simples relato da pura realidade.
Eu sei por experiência própria o quão o amor é doloroso. Dizem uns que ele só traz alegrias, comemorações, celebrações e afins. Que grande ilusão eles nos impõem. O amor não é só carinhos, beijos, abraços. Quando ele não é correspondido, ele pode ser o nosso pior inimigo. Tudo começou há semanas atrás, em uma pequena praça próxima à avenida. Via-se casais apaixonados com as mãos entrelaçadas. Crianças brincando com uma inocência visível, e mães estressadas no bando, observando com a maior cautela. Aquela praça me trazia uma enorme nostalgia, e uma enorme emoção. Sentei-me em um banco qualquer, sem me importar com quem estava ao meu lado, e fitei sem ver as pessoas à minha frente. Um rapaz desconhecido estava ao meu lado, observando-me sem a menor sutileza. Olhei para ti, sem grande expectativas, até que me surpreendi. Tu chamou-me a atenção com este olhar cativante e sorriso perfeito, conversa gentil e agradável. E, ah! Sua risada. É música para os meus ouvidos. O meu som preferido. Disse-me que eu era muito bela, e meus olhos inspiravam uma doçura imensurável. Que gostara de mim. E ao despedir-se a certo ponto, sussurrou: “espero ver-lhe em breve”. Depois desta breve conversação, tudo mudou. O mundo tomou um rumo diferente. Transformou-se num lugar bonito e pacífico, onde eu via a sua imagem a todo instante, em todo lugar. Sonhava todos os dias com nosso reencontro. Queria ver-te, sentir você ao meu lado novamente. Você me fascinou em um curto período de tempo, e embora nada tivesse acontecido entre nós, eu sabia que uma paixão já ardia em minhas veias, e cada célula do meu corpo ansiava por tua presença. Os dias se passaram lentamente, e a cada segundo eu desejava mais e mais te ver. Todo minuto parecia uma eternidade, e eu não sabia por quanto tempo essa eternidade ia durar ─ uma vez que não sabia quando nos veríamos novamente ─ E então, num sábado a tarde, resolvi caminhar pela rua. A calçada estava vazia, e isso me agradou profundamente. Queria espairecer, queria me livrar de você, embora o desejo que eu sentia fosse prazeroso. E então, encontrei-lhe caminhando, do outro lado da rua. O dia tornou-se de uma radiância feliz. Corri ao teu encontro, e sorri ao meu olhar encontrar o teu. Você sorriu de voltar, com toda a sua perfeição iluminando o meu ego. Fomos a uma sorveteria qualquer. Conversamos, rimos, brincamos. Me dei conta de que estava completa e indiscutivelmente apaixonada por você. Não havia como negar. Uns dizem que o amor à primeira vista é mentira, não passa de histórias bobas e sem graça. Mas, eu pude comprovar, que ele era totalmente verdadeiro. Eu te amei no primeiro encontro de olhares, na primeira vez ao ver seu sorriso. O restante dos dias passaram-se distintos. Eu te via todos os dias. Não tínhamos nada demais, eramos simples amigos, embora eu quisesse mais. Depois de algum tempo, aconteceu o que eu queria. Aquilo tudo tornou-se mais do que uma simples amizade, e qualquer um poderia ver aquilo. Nos tornamos mais que amigos. Enamorados, para ser mais clara. Eu estava vivenciando um sonho. Estava nas nuvens à todo instante, e você cooperava com a minha alegria, sempre atento. Porém, ao longo do tempo, você se afastou, pude perceber, enquanto qualquer outro não perceberia. Não me ligava mais com frequência, não era tão carinhoso nas vezes em que nos víamos. Ficava desatento à todo instante, e isso me irritou profundamente. Certo dia, chegou à um ponto que tu se afastou por completo. Disse-me certa tarde, que não dávamos mais certo, e que era melhor acabar com tudo de vez. Isso deixou-me acabada e confusa. O que levara àquilo? Pensei em te perguntar, entre choros e soluços, qual o motivo de tal conclusão. Pensei, só pensei. Tu foi-se e me deixou despedaçada, e sem conhecimento de tudo. O mundo virou de cabeça para baixo, e minha vida perdeu o sentido habitual. Mas, é como dizem. A gente se acostuma. A ferida que tu deixou em mim cicatrizou. E eu superei, superei pois tinha que superar, a qualquer preço. E depois de dias e dias de derrota, que descobri o motivo. Não passava de ilusão, não passava de maldade. Tu só me desejou por um instante, e noutro, cansou. Concluí isso por certa conversa que ouvira de seus amigos. Ilusão. Era isso, apenas. Iludiu-me para depois jogar-me fora, como um copo descartável depois de usado em uma festa de aniversário. Não fiquei abalada. Não fiquei arrasada. Esperava por isso, e sabia do fundo de meu coração. Fiquei entorpecida, talvez. Mas apesar de tudo isso, depois da tão renomada descoberta, eu sabia, e sabia com todas as minhas forças, que eu te amaria para sempre. Te amaria para sempre, pois você mudou a minha vida. E daqui a dez, ou vinte anos, eu te amaria da mesma forma. Talvez com uma intensidade fraca, mas amaria. E sabia que meu coração sempre terá um espaço reservado para você.
—  E apesar de tudo, eu sabia do fundo do meu coração, que te amaria eternamente. Gabriella Ruivo