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Eu fui guardando comigo, na minha parte mais serena, cada gesto seu. Desde cada movimento dos lábios, ao fechar dos seus olhos. Fui excluindo as partes ruins, porque apesar de todas elas eu quero ficar com você. Eu quero ficar com você. Costumo dizer isso baixo, pra você ouvir no silêncio da sua calma. Sua vóz e seu olhar, me deram paz em todos os momentos em que eu te dei a mão. E em todos os momentos fomos nos encaixando, apesar dos pesares que nos empurravam pra baixo. Há mais entre nós do que qualquer um possa imaginar, e eu por outro lado me imagino atropelando os porquês, pra poder chegar em você, correr pra você, sentir você e viver com você. Eu decorei o formato das covinhas das suas bochechas, o desenho das suas costas e quanto tempo você demora pra se arrumar. Decorei todos os mínimos detalhes, sem esforço algum. Dos incríveis aos sórdidos, sem ao menos usar sinônimos, ou mesmo ter boas referências sobre isso. Eu coloquei mais reticências onde se encaixava um ponto final. Troquei as vírgulas de lugar porque eu sempre soube, que você era a minha interrogação. Você sempre anunciou o que estava sentindo, e sempre deu risada do meu jeito estranho de rir. E eu não entendia. Nunca entendi. O real e concreto motivo, pelo qual todas as pessoas tornavam-se entediantes perto de você. Ou o porquê de, você me lembrar de longe, uma sexta-feira a noite.
—  Flávia de Oliveira
Faz assim: me rouba pra você.Me leva embora contigo ao invés de me dizer adeus de novo. Me deixa sentir o seu perfume a noite inteira, porque cara, tenho sentido falta dele. Só arruma essa confusão que se formou no meu peito, por favor. Ou então, sei lá, bagunça mais, eu não ligo. Mas me deixa te sentir, corre atrás porque você ainda sente o que eu sinto. Você sabe que sem mim não dá. Sem mim não anda. Sem mim o mundo não gira. Nós dois sabemos que esse nosso vai-e-volta não pode durar pra sempre, então acaba logo com isso, muda o termo pra chega-e-fica, e deixa meu coração bater sossegado. Deixa ele colado no seu, seu corpo colado no meu. E vai dar certo, tem que dar. Porque o vazio que você deixa quando vira as costas é grande demais.
—  Still two of us.
São textos bons, alguns muito bons! São muitas histórias, cheias de personagens. Algumas com finais não merecidos. A maioria com finais não merecidos. São muitas dores, muitas ídas-e-vindas. São muitas vidas entrelaçadas, muitas calçadas interligadas. Alguém que teria mudado a sua vida abriu o guarda-chuva no mesmo segundo que você hoje, mas chovia muito, e você estava na outra calçada. Suas vidas se cruzaram naquela rua, mas vocês não se conheceram. São muitas pessoas erradas, muitas decisões precipitadas, muitos redemoinhos de sentimentos, dentro de peitos diferentes. Tantas pessoas vazias, e tantas outras transbordando. Alguém agora precisando de você, e você ai pensando nela. Tantos filmes bons passando, e você ai repetindo o mesmo de ontem. Tantos segredos guardados. Tantos mistérios a serem desvendados. Tantos desejos ainda não realizados, e você aí, sem entender porquê foi deixado. É hora de deixar também. Esquecer também. Seguir em frente também. Ser feliz também. São tantas letras ainda não escritas, é hora de escrever também. Tantas melodias não criadas, tantas vozes não ouvidas, tantas vidas ainda não vividas, tantas pessoas ainda perdidas. São tantas palavras não ditas, e tantas pessoas com medo de dize-las. Ainda existem muitos poetas a serem descobertos. Alguns bons! Alguns muito bons! Mas existem tantos outros que poderiam comover multidões, mas que nunca sairão da ultima pagina do caderno. É hora de acreditar também, de criar também, de crescer também, de viver também. Tantos corações vazios, tantos anos perdidos, tantas lágrimas derramadas. E por que? Por nada. Se a vida ainda tem tantas páginas. Cada verso escrito, cada vez que foi lido, cada verbo conjugado, e cada dia jogado no lixo. Cada vida tirada por mãos alheias. Cada vida tirada pelas mãos do dono. Cada alma sem esperança alguma. E por que? Por nada. Se a vida ainda tem tantas páginas. Cada ano que se passa. Cada momento que se perde. Cada vida que se passa diante da sua. Cada vez que a sua voz se encontrou no timbre de outra, cada vez que seu coração se acomodou na batida de outro. Cada vez que seu amor esteve nas mãos de alguém, e cada vez que chorando você jurou que nunca mais iria acontecer. E por que? Por nada. Se a página ainda nem foi virada.
—  Flávia Oliver
É que eu nunca tinha insistido tanto em uma coisa, nunca tinha enfiado uma ideia na cabeça e perseguido ela até o fim. Porque nada me fez sentir tão determinada quanto não escrever mais sobre amor. E pronto. Chega. Acabou. Amor, não. Escrevo sobre o vazio que existe dentro do meu peito, e sobre como é assustador olhar pra ele. Mas amor, não. Escrevo sobre como a solidão foi apertando a minha garganta, e sufocando, sufocando, sufocando, até eu perceber que respirar não é tão importante assim. E sabe, eu ainda vivo. É. To viva. Sem amor, sem respiração, e sem escrever nada que prestasse por um longo, longo, longo tempo. E depois de milhares de escritos apagados, nada mudou. Não melhorou. Mas também não piorou. Então tá bom. Ruim não está. As dores não saem de mim se não forem em forma de palavras. Mas sabe, até que eu aguento. Por enquanto eu aguento. Porque nada muda se você não tentar mudar, mas pra tentar mudar é preciso força e força não tá tendo no momento. Então eu espero. Mas tá bem. To bem. Tá tudo bem. Pelo menos sobre amor eu não falo mais. Nunca mais. E mesmo que fique tudo guardado aqui, e eu estrague o final de cada frase por motivo algum, tá tudo bem. Porque enfim, é só o final. E sabe, as outras coisas eu sempre estraguei desde o começo.
—  Flávia Oliver.
A felicidade deveria sentar, e ficar me esperando. Até que eu levantasse, e pudesse alcança-la. Não deveria fugir, assim como sempre faço, mas sim me encarar de frente, e nao enquanto caio. Sigo ao norte do seu sorriso, pelo tão sonhado horizonte. A paz, tem olhos castanhos, cabelos lisos e mãos macias. Mas assim como tudo o que já tentei afastar, ele só voltou, e bateu mais forte no peito. Existe uma letra na minha memória, faltam os acordes e tambem não pensei na melodia. As coisas que eu precisei, foram as únicas que eu não consegui encontrar. Não me adaptei ao vazio, mas aos sons que ele emitia. Á como sempre me pareceu gelado, a como sempre estragou tudo. A felicidade, sempre me pareceu distante. Ao alcance das minhas mãos, sempre tive apenas alguns vícios. Ao alcance dos meus olhos, apenas alguns infinitos , que de alguma forma, não me pertenciam. Ao alcance dos meus pés, toda a profundidade. Ao alcance do meu coração, a imensidão de uma vida de atrasos. De atrasos, e de acasos, que me levaram a tentar entender. Evitar pensar, não me ajudou. Mesmo assim, enfrentar nunca esteve na lista de opções. Tentei por vezes, mudar o tom. Mas abrir os braços, não o trouxe de volta. Ele estendeu a mão, e eu segurei. Mesmo sabendo, que a distância entre dois universos era pouco menos que alguns passos, por enquanto. Não aprendi a levantar todos os dias pra viver a mesma coisa. Não ouvi ainda, algum conselho que me faça voltar atrás. Disso, estou livre. E livre de cada gota de agonia, eu quero estar. Livre, pra cada passo que eu resolva andar. Daqui, até a liberdade, a felicidade é quem vai me guiar.
—  Flavia de Oliveira