foto do ano

“você​ está parecendo uma bruxa com essa cara”
“nossa, você cortou o cabelo e ficou mais gorda ainda”
“passa uma maquiagem, você está horrível”
“caramba o que aconteceu com o seu rosto, está cheio de espinhas de novo”
“você está muito gorda, precisa emagrecer”
“você está grávida, porque essa barriga está grande demais”
“nossa naquela foto do ano passado você estava muito melhor e muito mais magra, por que está tão gorda assim?
“cara, teu rosto está muito gordo, vai pra academia”
“muito gordinha, fecha essa boca”


OUVI TUDO ISSO EM MENOS DE UMA SEMANA E AINDA ME PERGUNTAM PORQUE NÃO TIRO MAIS FOTOS E NÃO SAIO MAIS DE CASA. E ESSAS FALAS SÃO DE PESSOAS DA MINHA FAMÍLIA!!!

Pedido: Que os dois são virgens e perdem juntos (Vc escolhe com quem) muito obgdo!!! Bjsss😙

 

Doncaster, Reino Unido, 2009.

           O céu se punha e o clima frio de Londres deixa o clima ainda mais bonito e aconchegante. Olhava para o meu namorado Louis que matinha a cabeça apoiada nos meus ombros e olhava para o sol no horizonte com um sorriso nos lábios. Há cinco meses namorávamos, todos diziam que nosso relacionamento era apenas amor adolescente e que daqui alguns anos iríamos nós se esquecermos disso e teríamos nossa própria vida, mas eu tinha certeza que eles estavam enganados e que isso ainda iria durar muito tempo.

           Daqui mais ou menos dois anos irei entrar na faculdade e Louis ira seguir seu sonho de ser cantor, mas eu tenho certeza que isso não vai atrapalhar em nada, nos podemos manter um relacionamento a distancia. Louis se levantou e passo os dedos nos meus longos cabelos castanhos e olhou-me com um sorriso lindo, seus olhos misturado com a cor do sol podia ser a oitava maravilha do mundo, tudo nele é perfeito. Senti seus lábios finos tocando o meu e me beijando com desejo, tudo estava mais intenso, até mesmo o seus beijos se tornavam cada vez mais desesperados.

- Sabe por que eu tenho certeza que isso vai durar? –Louis disse tirando a mecha do meu cabelo que caia sobre o meu olho.

- Por quê? – Disse sorrindo.

- Porque a única coisa que eu quero vê quando eu acordo é o seu rosto. – Louis disse beijando a ponta do meu nariz.

           Em cima do telhado da casa o Louis o vento gelado batia contra o meu corpo, e fazia todos os meus pelos se arrepiar. – Vamos entrar. – Ele pegou minha mão e me guiou até o seu quarto.

           O quarto do Louis conseguia ser extremamente bagunçado e aconchegante ao mesmo tempo, em cima do criado mudo tinha uma foto nossa do ano de dois e seis foi o ano que a gente se conheceu, na sua estante alguns livros e CDs de artistas dos anos noventa. Sorri ao olhar que ainda depois de tantos anos ele guardava a primeira cartinha que eu tinha lhe dado.

- Você quer comer alguma coisa? – Louis se aproximou. Ele estava sem jeito, pois é a primeira vez que estamos em sua casa sem ninguém por perto, sua família estava em uma viajem e Louis não quis ir.

- N-não.

- Então nós podemos ficar apenas deitados aqui. – Louis tirou algumas blusas que estavam jogadas encima da cama.

           Sentei-me na cama e Louis puxou-me para o seu lado fazendo nossos corpos se chocarem na cama. Começos a rir sem jeito. Louis passou suas mãos por todo o meu corpo, assim que ele chegou à barra da minha calça ele puxou meu corpo para mais perto dele. – É estranho. – Disse.

- O que?

- Esse momento… A primeira vez que eu estou na sua casa sem ninguém por perto e nenhuns de nós sabem como reagir. – Assim que eu terminei de falar, Louis me olhava com um sorriso no rosto. – O que foi?

- Na verdade eu planejei tudo isso para nós dois, claro que não saiu como eu planejei, mas pelo menos minha mãe e minhas irmãs não estão aqui.

           Não consegui responder, fiquei olhando para ele e estiquei os braços para o abraça-lo eu só queria ter o se corpo próximo ao meu.  Senti suas mãos tocando minhas coxas. Louis subiu em cima do meu corpo e puxou minha blusa para cima revelando meus seios.

- Acho que a noite vai ser longa para nos dois. – Louis disse beijando meu pescoço e deixando algumas mordidas.

- Principalmente quando nós dois nunca passamos dos beijos.

- Podemos resolver isso.

           Ele voltou a beijar-me com vontade, minhas mãos foram para o seus cabelos e o puxaram, Louis soltou um gemido e continuou beijando meu pescoço até chegar nos seios e abri o meu sutiã deixando meus seios amostra, ele colocou eles na boca e começou a chupa-los, nunca imaginei que isso seria tão bom, senti meus seios duros e comecei a gemer.

- Lou…

- Você é uma menina muito safada – Ele disse passando suas mãos em volta do meu quadril e tirando minha calça.

           Assim que ele voltou a sua atenção a mim, senti minhas mãos suando frio. – Apenas confie em mim. – Disse ele deixando um selinho.

           Suas mãos desceram, tirando minha calcinha, fazendo-a parar do outro lado do quarto, fechei os olhos e respirei fundo. Ele beijou minha intimidade e logo em seguida passou a língua por toda a região me fazendo gemer alto e com vontade. Sempre imaginei que nossa primeira vez seria sem jeito e ruim, mas na verdade estava superando minhas expectativas, Louis sabia o que estava fazendo e eu estava gostando. Ele passou seus dedos no meu clitóris, massageando-p vagarosamente, fazendo com que eu perguntasse se aquilo era algum tempo de tortura, eu conseguia sentir como eu estava molhada, um liquido escorria para fora do meu corpo

           Agarrava as cobertas ao meu redor e tentava segurar meus gemidos. Seus dedos começaram a fazer movimentos de vai e vem e círculos e voltando ao clitóris, eu tentava controlar meus gemidos, mordendo meus lábios.

- Não precisa, eu quero ouvir você gemer. – Enquanto ele falava seus dedos faziam movimentos cada vez mais rápidos.  

- Lou… Eu… – Eu não sabia direito o que estava contendo, mas uma coisa gostosa estava acontecendo, antes que eu pudesse falar ele me interrompeu.

- Você gozou. – Ele falava no meu ouvido.

           Louis ficou por cima de mim tirando o resto das suas roupas e colocou uma camisinha. Antes de tudo ele beijou meus lábios com vontade. – Se doer pode falar que eu paro.

           Apenas fiz que sim com a cabeça. Ele se posicionou na minha entrada e eu fechei meus olhos pronta para sentir a dor, e então meus olhos encheram de lagrimas e eu mordi os ombros dele tentando fazer com que a dor parasse. Louis fazia movimentos lentos e gemia no meu ouvido e isso me deixava feliz por esta dando prazer a ele. – Você é tão apertadinha. – Louis disse enquanto aumentava os movimentos. Eu começava a sentir a ponta do prazer com os seus movimentos rápidos.

- Vai mais rápido. – Disse gemendo.

- Você é tão gostosa. – Lou continuou com os seus movimentos ágeis as suas estocadas aumentava e já não conseguia controlar meus gemidos.

           Louis se deitou ao meu lado cansado e suado assim como eu, nossas respirações estavam aceleradas. Coloquei minha cabeça em seu peito e ele cobriu meu corpo com o lençol fino. – Eu te amo. – Louis disse beijando-me

Amnesia

“Onde Jimin vai a mesma cafeteria todos os dias para encontrar a garota que não se lembrava dele”

Originally posted by saliechelon255

-Você já tem um vestido azul! Deixe eu ficar com esse, caramba! 

- Não, não, não! Esse é azul marinho, o que eu tenho é azul oceano é diferente!

Minha cabeça estava latejando, Taelor e Twyla, as gêmeas que eu dividia meu apartamento, viviam brigando ou competindo. É como uma relação fungo e parasita, mesmo brigando muito não eram pessoas ruins, mas algumas vezes me fizeram pensar se eu não devia tranca-las pra fora de casa.

- Enquanto vocês resolvem esses “assuntos importantes” - Enfatizei minha ironia - Eu vou sair.

Nem esperei suas respostas, peguei meu casaco na porta e saí de casa correndo.

O que eu iria fazer mesmo?

Sair… Certo

Alguns passos depois achei uma cafeteria, “Amnesia”, nunca tinha ouvido falar dela mas parecia diferente, dei o primeiro passo em direção ao caixa para pegar meu pedido, depois de pedir meu chá gelado eu o vi ao meu lado, tomando um suco qualquer rindo de algo que uma garota disse.

Céus… Ele estava mais lindo do que a última vez que o vi.

- Você voltou aqui? - A moça do caixa, pelo o que dizia seu crachá seu nome era Jennie

- Desculpe… Voltei?

- Ah… Nada, aqui está seu pedido e troco 

Peguei o copo e o resto do dinheiro da mão dela e murmurei um “obrigada”, não queria que Taehyung me visse. Nem sua nova namorada.

Sentei em uma mesa qualquer e suspirei, tomei um gole do meu chá. Agora sentada não conseguia ver seu rosto direito, mas tinha certeza que ele estava acompanhado por uma garota, mas não consegui ver mais já que um cara se sentou na minha frente.

- Oi? - Perguntei me sentando direito, não queria que ele pensasse que eu era uma stalker maluca

- Olá, espero que não se incomode… Todos os outros lugares estão cheios - Ele tinha razão, acho que nunca tinha visto um lugar tão cheio assim na vida - Meu nome é Park Jimin

Se eu não estivesse tão ocupada tentando ver o rosto de Taehyung, talvez eu teria percebido Jimin rindo levemente de mim.

- (s/n) - Voltei a tentar encontrar Tae, mas caramba aquele homem ali não me deixava ver direito, mas eu conseguia ver o cabelo loiro da sua acompanhante.

Bufei, voltando a me sentar direito.

- Sabe, esse seu ciúme não vai te levar a lugar nenhum.. - Jimin falou tomando um gole do seu café preto.

- Ótimo - Coloquei meu chá de volta na mesa - Não gosto de sair de casa…

- Porque veio aqui então? Está aqui para… Encontrar um namorado?

Eu ri com a fala dele, nem lembrava a última vez que tinha tido um contato mais íntimo com o sexo oposto

- Jura? - Ele parecia verdadeiramente surpreso - Eu não entendo porque você não tem um namorado, você parece ser uma garota legal e é muito bonita.

Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, sorrindo corada.

- Mas as pessoas querem alguém com sanidade

- As pessoas podem ser tão exigentes.

Até que esse tal de Jimin era legal, talvez eu tenha rido alto demais já que Taehyung olhava pra cá emburrado.

- Quer ir no parque? - Jimin me perguntou, fazendo meu olhar voltar na sua direção

- Claro

🍥🍥🍥

Jimin era um garoto muito engraçado, descobri que o moreno trabalhava como compositor e morávamos na mesma quadra.

Claro que isso não é algo que se descubra no primeiro encontro com uma pessoa… Não sei se isso é classificado como encontro, mas ele me comprou um sorvete então eu já amo ele.

- Eu provavelmente já sei a resposta pra essa pergunta mas… Você namora?

Agora nós estávamos sentados no banco, de baixo de várias árvores de cerejeira, meu tipo de flor favorita. Desejei ter trazido meu celular para tirar algumas fotos, essa época do ano era linda

- Não - Ele riu, seu sorriso era realmente muito lindo - Mas eu namorava uma garota incrível…

- Umm… - Não quis mostrar como eu estava de certa forma frustrada por ele estar comentando da sua ex - O que aconteceu com ela?

- Ah… Bem, ela sofreu um acidente de carro… Foi minha culpa

- Ei… Não se culpe por isso, você não a jogou na frente do carro - Tentei minimizar a situação mas isso era realmente… Pesado.

- Eu sei mas… Se eu não estivesse tão cansado e esgotado do trabalho, eu não teria m zangado por ela estar tentando me animar, ela não teria saído na chuva e não teria sido atropelada

Não eramos tão íntimos mas eu abracei sua cintura de lado e coloquei minha cabeça no seu ombro.

- Ela te perdoou?

- Ela não se lembra de mim.

Levantei minha cabeça levemente para olhar nos seus olhos, apoiei meu queixo no seu ombro, Jimin estava olhando para mim também

- Sinto muito… Aconteceu isso comigo á alguns meses, eu também sofri um acidente de carro e agora minha memória anda meio estranha até hoje, de pessoas que eu conheço só me lembro de Taehyung, ele era meu melhor amigo e eu gostava dele na faculdade mas Tae é tão desligado que nem percebeu, depois do acidente ele não veio me visitar, agora estamos afastados, tem os meus pais que morar do outro lado do mundo e  Taelor e Twyla as garotas que moram comigo. Mas eu sempre tenho a impressão que esqueci alguém… Isso é muito estranho?

Seus dedos percorreram todo o caminho dos meus braços até chegar no meu queixo, passando pelos meus ombros e pescoço, eu já estava sem minha blusa de frio, parecia que eu estava na época do ano errada.

- Não, mesmo

E me beijou.

Meus olhos se arregalaram por um momento antes de entender o que estava acontecendo.

Até que eu me lembrei.

-Chim?

Jimin estava trabalhando tanto pelas últimas semanas e nem passava mais tempo comigo e como a namorada super-incrível dele  precisava anima-lo um pouco.

Eu estava muito sorridente naquele dia, mesmo que meus planos de sair com ele tenham dado errado por causa da chuva, tive que desmarcar vários lugares, mas poderíamos assistir a um filme juntos e comer os salgadinhos que eu tinha comprado. 

- Chiiiim?

Encontrei ele virado para a bancada, a caneta batendo no papel era o único barulho naquele ambiente, coloquei minhas mãos nos seus olhos e sussurrei no seu ouvido

- Adivinha quem é?

Rudemente, ele tirou minha mão dos seus olhos, fazendo o osso dos meus dedos baterem na mesa.

- Não estou com paciencia hoje, (s/n)

- Certo… Desculpe pensei que talvez poderiamos passar algums tempo juntos mas…

- NÃO PODEMOS, certo? Eu tenho que terminar isso, agora pode ir embora? Você só me desconcentra!

Não queria demonstrar o quanto aquelas palavras me magoavam, mas esperei que ele pelo menos pedisse desculpas, mas aí o barulho voltou.

O barulho do lápis no papel.

Me virei e saí da casa dele, pensei em andar um pouco na rua para esfriar a cabeça, talvez visitar Jennie

Andar na rua no final de uma tarde de chuva  

- Chim? Chiim? - Abracei seu pescoço, deixando algumas lágrimas rolarem, senti minha camiseta molhada também mas não importava - Meu Deus senti tanto sua falta!

- Eu também, me perdoa, por favor, me perdoa. Eu te amo tanto.

- Eu também te amo, Chim…

Me soltei dele e o beijei mais uma vez. E mais uma vez. E mais milhares de vezes.

Como sentia falta do meu mochi.

Parecíamos namorados de ensino médio, trocando carícias, ficamos o resto da tarde assim.

Ele me levou para fazer tudo que eu gostava, tirávamos várias fotos naquelas máquinas que imprimem, íamos até mais de uma vez para poder fazer todas as caretas do mundo e também alguns românticos com alguns selinhos e abraços, Jimin fazia questão de guardar todos com ele e eu nunca discutia, agora podia ver ele sempre.

Também me levou em alguns lugares que tinham máquinas de pegar ursinho.

- Fique olhando, jagiya! Eu vou conseguir pegar aqueles dois Pikachu.

- Certo, Jimin… Sei… - Eu respondia ironicamente, mas para a minha surpresa Jimin realmente pegou dois Pikachus, um pra ele e outro pra mim

- Eu disse que era bom…

- Convencido…

Depois fomos comer, uma coisa que gostávamos de comer juntos era batata frita com mil-shake. Era uma tradição.

No nosso primeiro encontro, eles erraram o pedido e em vez de trazerem dois refrigerantes tinham trazido um copo de milk-shake.

Jimin queria ir reclamar, mas eu o convenci a comer assim mesmo, e tinha ficado muito mais gostoso do que com refrigerante.

Então aquela era a nossa tradição. 

- Você temos que ir pra casa agora - Ele falou - Eu vou te levar em casa.

- Certo… Eu queria que você ficasse por lá

- Você não tem que trabalhar?

- Tenho mas…

- Não tem problema, eu te vejo amanhã.

- Nos vemos amanhã então.

🍥🍥🍥

- MEU VESTIDO ROSA

- NÃO, ESSE VESTIDO É MEU

Minha cabeça estava latejando de ouvir Taelor e Twyla discutindo novamente, eu só queria tranca-las pra fora de casa.

Essa gritaria me fez lembrar de quando eu acordei uma manhã, há alguns meses eu acho, e tinha um rapaz na minha cama, aquele foi o maior susto que eu tomei na vida.

Provavelmente.

Desde o acidente ando meio estranha.

Mas ele era muito bonito.

Novamente, um pensamento estranho.

Outra coisa estranha era que haviam coisas que surgiam do nada pela casa, alguns bichinhos de pelúcia e doces na bancada, pensava que era coisa das gêmeas mas era tudo tão fofo que pagava pra mim.

Sorte que era meus doces favoritos.

E elas nunca percebiam, e se percebiam não discutiam.

- Eu vou sair - Falei pegando meu casaco - Vejo vocês no final da tarde e pelo o amor de Deus não mexam no meu computador, da última vez vocês o quebraram e eu não consegui fazer meu trabalho e quase fui demitida!

- Tanto faz - Elas murmuraram em uníssono e voltaram a discutir pelo vestido 

Não queria ir em um lugar muito longe de casa então fui em uma cafeteria chamada “Amnesia”, nunca tinha ouvido falar, mas era perto, fui em direção ao caixa para pegar meu pedido, depois de pedir meu chá gelado eu vi Taehyung atrás de mim, pelo vidro que ficava atrás da atendente, nossos olhos se encontraram e eu corei

Céus… Ele estava mais lindo do que a última vez que o vi.

- Você de novo aqui? - A moça do caixa falou sorrindo bem simpática, pelo o que dizia seu crachá seu nome era Jennie, parecia que eu a conhecia…

- Desculpe… Oque disse?

- Ah… Nada, aqui está seu pedido.

Peguei o copo e agradeci Jennie, não queria que Taehyung me visse novamente. Nem sua nova namorada.

Sentei em uma mesa qualquer e tomei um gole do meu chá. Agora sentada conseguia ver Tae fazendo seu pedido, ele tinha trocado um olhar estranho com Jennie, devo estar delirando, mas não consegui ver mais já que um cara se sentou na minha frente.

- Certo… Olá?

- Olá, espero que não se incomode… Todos os outros lugares estão cheios - Ele tinha razão, acho que nunca tinha visto um lugar tão cheio assim - Meu nome é Park Jimin

🍥🍥🍥

Nós, mulheres… As amáveis criaturas que vão jogar seu nome no Google.

E que, num piscar de olhos, vão descobrir o nome da sua mãe, o emprego do seu pai, com quem seu irmão está saindo e em quais vestibulares você passou.

E, sim, eu já sei o nome do seu cachorro por causa de um comentário da sua tia numa foto que sua sobrinha postou no facebook, daquela festa de natal de 2009 na sua casa.

E lembra daquele vídeo da sua viagem de formatura do colegial que está esquecido no youtube? Eu ja vi. Umas 4 vezes, por sinal. (a terceira e a quarta visualizações foram para descobrir se aquela menina que aparece ao seu lado aos 56 segundos é a mesma que curtiu um post seu da semana passada).

Também sei que a camisa que você estava usando na noite em que nos conhecemos é a sua favorita, uma vez que você aparece com ela numa foto do réveillon desse ano, num show do Seu Jorge e no aniversário daquele seu amigo de infância que tá meio careca.

E a sua ex… Ah, a sua ex. Uma querida, ela. Descobrimos, em uma fração de segundos, se ela usa unhas postiças, se ainda gosta de você, se tem bolsas cafonas, se já pintou o cabelo e se só tira fotos da cintura pra cima (quem nunca?)

Já os comentários em fotos, que são atos bastante delicados, precisam ser previamente aprovados por uma comissão de 7 amigas num grupo de whatsapp (que, por sinal, neste momento tem 243 novas mensagens, dentre as quais fotos de jogadores de futebol seminus, gravações de áudio que não se deve ouvir em público e algumas- só algumas- críticas às fotos dazinimiga no instagram)

Por falar em whatsapp, algo muito parecido acontece com certas respostas que dou no chat com você. Dependendo da gravidade do assunto, a comissão é ampliada para 11 ou 14 amigas, podendo até haver uma assembleia extraordinária regada a cerveja numa 3ªf à noite para discutir a construção ideal do texto de resposta, incluindo análise sintática e minuciosa atenção às expressões empregadas (“esses dias” é absolutamente diferente de “um dia desses”, assim como “a gente se fala” é quase o oposto de “até mais tarde”).

Importante frisar que também sabemos que se você visualizou o whatsapp às 4:41 da manhã, aí tem. Ou balada, ou mulher. (não trabalhamos com a hipótese de que tenha sido um mero xixi de madrugada)

Temos também um total e detalhado controle sobre o significado emocional existente por trás da dinâmica “online/ digitando…/ digitando…/ online/ digitando…”.

Ah, e print screen de tela do whatsapp para as amigas darem uma olhadinha é algo mais normal e corriqueiro do que saia curta em armário de piriguete, tá? Se a conversa for muito importante, rola tipo uma metralhadora de prints- pá pá pá pá pá pá pá pá- uns 8 na sequência. Se o sinal do wi-fi não for bom até dá uma congestionada nas paradas.

Aceite, amigo, mulheres vão saber tudo isso muito antes de você imaginar que elas um dia pudessem imaginar. Como dizem por aí, se ela quiser descobrir uma coisa, ela vai e descobre dez. Não tem jeito, somos assim. E não é por mal… É algo tão inevitável quanto celulite na parte externa na coxa.

E não pense que é fácil! Temos que fazer um verdadeiro malabarismo para lembrar o que foi você que nos contou e o que nós descobrimos fuxicando, para não dar fora. É quase um jogo de xadrez mental.

Mas você deve se perguntar “Meu Deus, elas não têm mais o que fazer?”. Fique sossegado. Averiguamos tudo isso ao mesmo tempo em que pintávamos a unha, assistíamos nossa série preferida, destacávamos com marca texto os trechos principais do texto da pós, comíamos um iogurte grego e, claro, falávamos com você no whatsapp para poder te conhecer melhor. Tranquilo.

—  Devaneios do sexo nada frágil.

Disse o repórter fotográfico de origem sul-africana, Kevin Carter, que viajou a uma aldeia do Sudão e captou uma imagem que se converteu no rosto da fome na África. A fotografia que tornou Carter famoso apresentava a imagem de um garoto desnutrido prostrado no solo, espreitado por um abutre que esperava sua morte para finalmente se alimentar. E em meio em tantas premiações uma pessoa o perguntou “O que você fez após tirar a foto?" 
Nada, ele simplismente tinha ido embora e deixou a criança ali que estava a apenas um kilômetro de distância de uma das estações de comida da ONU. Quatro meses depois Kevin se suícidou de arrependimento e remorço, deixando as seguintes palavras: 

"Estou deprimido, sem telefone, sem dinheiro para o aluguel, sem dinheiro para a manutenção dos filhos, para as dívidas. Dinheiro! Estou atormentado pelas lembranças vividas dos assassinatos e dos cadáveres da ira e da dor… Das crianças feridas e que morrem de fome, dos loucos do gatilho leve, com frequência da polícia, dos assassinos e verdugos.” 

“De repente é fim de ano, e aquelas férias tão esperadas chegam. De repente você se ver abraçando as pessoas que estiveram com você por quase a vida toda, e fala até logo. De repente, em meio a todo o júbilo e felicitações, você não percebe que aquela é a ultima vez, a ultima aula, o ultimo dia, o ultimo abraço em união, tantos e tantos ultimos. De repente já fez um mês, e o grupo do whatsapp não anda tão movimentado. De repente você percebe que não voltará a escola, e seguirá na chata rotina de sempre cheia reclamações. De repente seus amigos começam a se mudar para cursar a universidade. De repente você se ver em um quarto, olhando as fotos dos anos anteriores e agradecendo por tudo o que passaram juntos. De repente o resultado final não importa muito, não quando a jornada é tão valiosa.”