foto do ano

Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.
—  Cecília Meireles

Disse o repórter fotográfico de origem sul-africana, Kevin Carter, que viajou a uma aldeia do Sudão e captou uma imagem que se converteu no rosto da fome na África. A fotografia que tornou Carter famoso apresentava a imagem de um garoto desnutrido prostrado no solo, espreitado por um abutre que esperava sua morte para finalmente se alimentar. E em meio em tantas premiações uma pessoa o perguntou “O que você fez após tirar a foto?" 
Nada, ele simplismente tinha ido embora e deixou a criança ali que estava a apenas um kilômetro de distância de uma das estações de comida da ONU. Quatro meses depois Kevin se suícidou de arrependimento e remorço, deixando as seguintes palavras: 

"Estou deprimido, sem telefone, sem dinheiro para o aluguel, sem dinheiro para a manutenção dos filhos, para as dívidas. Dinheiro! Estou atormentado pelas lembranças vividas dos assassinatos e dos cadáveres da ira e da dor… Das crianças feridas e que morrem de fome, dos loucos do gatilho leve, com frequência da polícia, dos assassinos e verdugos.” 

“De repente é fim de ano, e aquelas férias tão esperadas chegam. De repente você se ver abraçando as pessoas que estiveram com você por quase a vida toda, e fala até logo. De repente, em meio a todo o júbilo e felicitações, você não percebe que aquela é a ultima vez, a ultima aula, o ultimo dia, o ultimo abraço em união, tantos e tantos ultimos. De repente já fez um mês, e o grupo do whatsapp não anda tão movimentado. De repente você percebe que não voltará a escola, e seguirá na chata rotina de sempre cheia reclamações. De repente seus amigos começam a se mudar para cursar a universidade. De repente você se ver em um quarto, olhando as fotos dos anos anteriores e agradecendo por tudo o que passaram juntos. De repente o resultado final não importa muito, não quando a jornada é tão valiosa.”