folhas de inverno

Tudo é muito raso quando a gente não vai a fundo.

Porque assim como a natureza nós também somos feitos de estações - e se um dia tu me viu florida e exalando vida, saiba que ainda virão outonos de folhas caídas e invernos em que ainda que tu me veja vazia por fora, a seiva ainda corre acelerada nas minhas veias me preparando pra troca de folhas depois de um período de aprendizagem.

A gente é assim mesmo. Floresce, ama, seca, precisa de tempo pra se restaurar. Não é porque você chegou no inverno que pode dizer que eu sou vazia - me dê um tempo pra brotarem as mais novas versões das minhas mais coloridas flores.

Você não pode dizer que conhece alguém se só ficou por uma estação.

Se não sabe quais são os autores que derrubam lágrimas e quais músicas tocam ao fundo das danças sem regras de quando ninguém está perto.

Se não sabe as batalhas entre a voz gigante que grita a pequenez daquele sussurro que vive dentro da gente, aquela pequena chama que, mesmo tão singela, cabe a esperança do mundo.

Se não sabe dos amores guardados no peito e aqueles que já deixamos perdidos por aí, ou até mesmo aqueles que queremos vomitar.

Se não sabe que decoramos vozes e sorrisos e temos toda uma bagagem na memória e que isso ainda vai nos fazer chorar e morrer de rir muitas vezes.

Dos assuntos e matérias na escola ou faculdade que fazem nossos olhos brilharem e os porquês de atingirem tua alma.

E se não se acostuma com profundezas, nunca vai saber. É um absurdo acusar alguém de ser raso, seja lá quem for. Todos somos um amontoado de infinidades que já passou por várias estações e ninguém nunca vai saber o real significado de cada uma delas.

Todo mundo tem seus porquês e é preciso ficar por uma infinidade de estações pra simplesmente começar a entendê-los.

Resilienciando