foi escrito a 8 meses

Eu não precisava de dinheiro ou qualquer outra coisa que você possuía. Eu queria colo, abraço, beijo na testa e ligações preocupadas. Isso estava escrito na minha testa, mas você parecia não ver. “Eu preciso de atenção. De você. Do seu amor”. Isso é o que estava escrito na minha testa, mas mesmo com todas as luzes e glitter que essa frase possuía, você não viu. Você preferiu gargalhar e sair para beber com o Ricardo (O Rei dos Idiotas). Você preferiu dar as costas para a única garota que não te cobrava carinho porque sabia que você não gostava. E assim eu ficava no meu cantinho. Eu dava murros, chutes e mordia meu coração pra ele parar de gritar por você. Pra ele entender que você não era o meu sangue. Nem o meu oxigênio. Nem a minha vida. Mas ele não entendia e insistia em teimar. E teimava. E gritava. E esperneava. E berrava. E cada vez mais eu cansava. Sofria. Perdia. Eu sabia que você não era meu, mas eu preferia acreditar nisso e me agarrar a isso com todas as forças que eu tinha. Eu insistia tanto em você, que acabei matando meu pobre coração de tanto esperar pelo seu amor que nunca, nunquinha, chegou. Eu esperei dia e noite por você. Eu esperava, eu juro. Por uma mensagem, um aviso, uma ligação, uma carta, um sinal de fumaça. Esperar me parecia algo bom. Parecia que, um dia ou outro, você bateria na porta da minha casa, pegaria na minha cintura fina e me jogaria no sofá como fez em outras vezes (pouquíssimas vezes). Mas o que eu esperava não aconteceu e isso não foi uma surpresa pra mim. Nem pro meu coração que te esperava. A espera foi tanta, que o calendário contabilizou 2, 3, 4 meses e você não veio. E a minha fé foi perdendo a força em te ver e te abraçar. No fundo do meu peito, eu ainda pensava em você. E ainda penso - mesmo negando, fingindo e apagando com borracha o que foi escrito com pincel permanente. Mas aqui estou eu. 8 meses depois, e nada. Nem uma mensagem. Nem um sinal de fumaça. Nem uma droga de uma ligação, que custa alguns centavos, você não me deu. E isso já estava nas entrelinhas, eu que preferi ignorar e sorrir e esperar e me maquiar e me fazer de feliz esperando pelo meu príncipe. Pena que você, meu príncipe, não veio. Os sapos vieram e eu engoli todos. Todos eles, eu juro. As notícias eram os sapos. Você estar namorando com a garota do RH da sua empresa foi um sapo. Saber que você vivia em festas e estava feliz da vida também foram vários e vários sapos. E eu não me recusei a engolir nenhum. Todos vieram e foram recebidos com um sorriso que se desmanchara aos poucos. Mas você, que deveria ter vindo e me feito sorrir, não veio. Você foi e não voltou mais. E eu só entendo isso hoje. 8 meses de festas, amores vazios e compras no shopping não me curaram da falta que você fazia/faz. E eu permaneço aqui. Desesperançada, cansada, fadigada, mas aqui. Talvez você veja. Talvez não. Se não viu durante 8 meses, por que veria agora, né?! Mas eu ainda espero. De uma forma ou outra, eu espero por você. Com fé, sem fé, mas espero. Continuo. Permaneço.
—  Wesley Trajano.