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Fos Sparrow (Sooty) by Jonah Benningfield
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There are about 6 subspecies in the “Sooty” group of Fox Sparrow, but they’re basically indistinguishable from one another for the most part, so we don’t bother.

hey yall dont make fun of people just for being really passionate and enthusiastic about their favorite band or tv show or whatever if they arent hurting anyone else. sure it can be annoying but i know that having that kind of passion got me through a hell of a lot and caring too much is way, way better than being totally apathetic

CAPITULO 28 ( ERAMOS MAIS QUE SÓ NOS DOIS)

 Continuação…

E se eu for para o inferno devo encontrar com minha mãe por lá. Quando a esmola é demais o santo tem mesmo que abrir o olho. Quando minha mãe fala em condições, geralmente são coisas do tipo: Me traga um dente de leão, uma passagem para Marte… Lá vinha bomba.

– Que condições?


– Eu vejo isso para você em um piscar de olhos, mas quero que você vá amanhã falar com Fabien sobre a existência do Max.

– Verinha, o que é isso? – Meu pai cobrou indignado com a proposta dela. – Você esta chantageando a menina usando o nome da nossa neta?

–É para o bem do Max! - O bem que minha mãe estava de olho era na grana do Fabien, tenho certeza!-  É direito do pai saber que ele existe. O Max  é herdeiro de uma fortuna. Esse menino desgraçou a carreira da Clara, alguma consequência ele tem que pagar.

Cantei Faraoste Cabloco de trás para frente só para me distrair e não matar minha mãe. Doce ilusão minha acreditar que ela deixaria barato algum favor para mim. Ok, em parte ela estava certa, Fabien era uma desgraça na minha vida e tinha o direito de saber que tinha um filho, mas só de pensar que aquele idiota podia entrar na justiça e tentar roubar a guarda do meu filhinho, já sentia meu sangue ferver. Confusa, apenas fiz a seguinte promessa.

– Eu vou pensar, mãe. Amanhã te dou uma resposta.

Despedi dos dois e deixei a mesa de jantar. Perdi a fome. Complementei a alimentação de Max com uma mamadeira de leite Nan e logo ele caiu no sono. Quando fui coloca-la no berço, me lembrei de Vanessa toda carinhosa com ele. Vanessa, o que eu ia dizer. Droga, por que minha mãe não podia ser legal uma vez na vida comigo? E por que a porcaria do ex interno não podia ter trabalhado com meu pai ao invés dela? Você também não dá uma dentro, hein Senhor? Meu celular tocou, atendi toda irritada.

– Que é? 

– Desculpa Clara, se quiser te ligo outra hora. – Vanessa me disse. Eu nem tinha visto o número no visor e sem querer fui toda grosseira. – Clara?

– Oi Vanessa… – Tentei consertar fazendo voz de vendedora falsa. – Desculpa, eu achei que fosse a May ou algum amigo enchendo o saco…

– E eu não sou sua amiga não, ow Pino Frouxo?
“Fale por você, por mim seria muito mais!” Ai, aquela mulher tinha que parar com essa mania de me deixar sem graça. 

– Boba, você me entendeu, achei que fosse outra pessoa… Você esta no hotel?

– Sim, to esperando o Gabriel sair do banho pra descer e comer alguma coisa… A gente cochilou, acordamos agora, nem jantamos… Eu liguei pra…

– Pra? – Vanessa ficou calada do outro lado da linha. – Vanessa?

Em resposta ouvi um sorriso do outro lado.

– Você vai achar esquisito se eu falar que fiquei com saudade? – Dessa vez eu que ri. – Tipo, eu sei que não faz nem seis horas que a gente se encontrou, mas…

– Você não consegue ficar longe de mim… – Cantarolei em um tom bem chato só para implicar. – Por que você gosta da minha companhia…

– Deixa de ser convencida, Pino Frouxo. É saudade do Max…

Eu perdi a noção do tempo. Por mim o Gabriel poderia morar dentro do banheiro que eu não me importaria em ficar conversando a vida toda com ela. Quando fui me despedir, parei em frente ao espelho e me deparei com uma mulher com a cara toda de paspalha e um sorriso de orelha a orelha. Ai, era eu mesmo. Se só por telefone eu já fico assim, perto dela eu devo virar uma banana completa. Mas quer saber, to nem ai! Se ela ficasse do meu lado pode me chamar de bananada que não estou nem ouvindo.

– Vou ter que desligar. Dá um beijo no Max.

– O Max  tem mãe viu? 

– Sério? Então manda um beijo bem gostoso para ela…

– Babaca…

Desliguei mais confusa do que eu já era. Que resposta eu ia dar para minha mãe? 

Papai interrompeu meus pensamentos dando batidas na porta que já estava entreaberta.

– Ainda não dormiu? Não vai aproveitar que a garotona esta te dando folga?

– Estava falando com a Vanessa no telefone. Já ia fazer isso.

– Sei… – Meu pai falou de um jeito meio esquisito. - A Vanessa…

Conhecia aquela cara, alguma coisa que ele precisava me dizer.

– A história dela te assustou?

Meio sem graça ele fez um gesto afirmativo.

– Eu não conhecia tão afundo a história da Vanessa. Tudo que ela passou foi muito traumático, essa mulher carrega uma carga de emoção muito forte. – Eu já ia abrir a boca para defender Vanessa de qualquer argumento do meu pai, mas como sempre, meu velho quebrou minhas pernas. – Se ela teve força para passar por tudo isso, eu espero que você consiga dar o valor devido que ela merece. Sobre a sua mãe, ela é uma pessoa difícil, mas do jeito dela, ela esta fazendo isso para o seu bem.

Não agüentei, sorri e me abracei a ele.

– Pai, o senhor não existe… Obrigada…

Papai me deu um sorriso.

– Obrigado você. Quando eu cheguei lá e vi seus amigos, colegas de trabalho, sua prima, todo mundo te desejando felicidades, se preocupando com você e o Max, elogiando o seu trabalho, eu fiquei orgulhoso de você porque foi á filha que eu sempre quis ter. - Papai me deu um beijo na testa como sempre fazia. – Dorme meu anjinho, daqui a pouco o meninão ali começa a tocar o terror da madrugada. 
Nos despedimos e ele encostou a porta do quarto. Antes de deitar na minha cama, fui dar uma olhada no berço, joguei a mantinha sobre Max, fiz um carinho bem de leve na cabecinha da meu filho.

– Max, amanhã o vovô não vai trabalhar. Você vai ter que ficar com ele. A mamãe vai fazer uma coisa muito importante. Eu vou ter que falar com o seu pai sobre você.

Dei um beijinho bem de leve na mãozinha de Max e fui me deitar, morrendo de medo do que ia acontecer no dia seguinte.

 

– Dona Clara, a senhora aqui?

Jeff, porteiro do condomínio da casa dos pais do Fabien nem disfarçou a surpresa ao me ver.  Quando éramos noivo só estive lá duas vezes e as duas visitas foram péssimas por sinal. Se eles já não gostavam de mim quando eu era da família, imagina agora que virei persona non grata, dentro da casa? Capaz daquela velha e papuda da mãe dele mandar me matar. MEU DEUS! Será que o Max ia ficar com papo que nem a mãe do Pedro? Eu mato ele se fizer isso com o menino.

– Eu tenho que ter uma conversa com o Fabien, Jeff. O Tom já me disse que ele esta ai.

Tom era o assessor pessoal do Fabien. Pelo menos ele era isso na carteira de trabalho. Na pratica era um pobre de um faz tudo que corria o dia todo fazendo as vontades da “condessa”. A única pessoa decente que trabalhava com Fabien. Quando liguei a ele perguntando se tinha como eu marcar uma conversa com Fabien, Tom disse que daria um jeito e deu. Cinco minutos depois me ligou e pediu para eu estar na casa dos pais dele ás cinco horas daquela mesma tarde. Meu pai até tinha se oferecido para vir junto, mas preferi trazer apenas Max comigo. Já tínhamos saído de manhã e finalmente ele tomava as vacinas necessárias e já pode passear sem tanto perigo.

– Pode entrar.

Agradeci Jeff e dei as instruções para o motorista do táxi encontrar a casa. Aquele condomínio era enorme. Max, já irritada de ter que ficar no bebê conforto , começava a chorar. Fiz questão de leva-lo bem arrumadinho para esse povo ver que não precisamos deles para nada.

– Max, já esta chegando. Moço, dobra a esquina, já é ali.

Depois de pagar uma fortuna de táxi, finalmente conseguir descer em frente à casa. O motorista me ajudou a descer o carrinho no porta malas, montar o bebê conforto sobre ele e foi embora. Me identifiquei com o segundo guarda e finalmente entrei no castelo da bruxa. Digo, na casa da minha ex sogra.

O tamanho daquela casa me assustava, a noite não sairia sozinha naquele jardim de jeito nenhum. Eu tremia mais do que vara verde. E se a cobra da dona Cassandra, vó do neném quiser roubar o Max de mim? E se o Max  não gostar deles? E se eles não acreditarem em mim? Entre esses “e se” Maltide, governanta da casa, veio me receber. Assim que viu Max, seus olhos cresceram de um jeito que pareciam que iam explodir. Nem tinha como esconder. Max estava ficando uma mistura minha com Fabien que era evidente sua filiação. Estacionei o carrinho e instintivamente peguei Max no meu colo.

– O Fabien não chegou?

– Ele esta na piscina.  Já foi avisado que a senhorita esta a espera dele. Aceita alguma coisa?

– Não, obrigada.

Matilde fez um gesto afirmativo. Ela era governanta da casa há anos, viu Fabien criança. De alguma forma percebi que ela estava tocada. Apenas para me confirmar me perguntou.

– Clara, esse bebê?

– Ele é minha filho, o nome dele é Max, Matilde. O Fabien vai demorar?

Atordoada pela revelação, Matilde fez um não e seguiu para a cozinha. Dois minutos depois, Dona Cassandra e Fabien, adentraram a sala. Ela como sempre com dezoito pedras na mão, veio me atacando, seu sotaque francês era fortíssimo, eu me esforçava e pegava alguma coisa mais ou menos assim.

– Olha aqui menina, depois daquele vídeo horrendo e toda exposição que você fez meu filho passar e… – Assim como Matilde, Dona Cassandra deu um passo para trás e olhou desesperada para Fabien. – Não me diga que você e essa tupiniquim pervertida não usavam métodos contraceptivos Fabien?  

– Tupiniquim pervertida?!

– A mamãe tem acesso à internet! – Fabien me esclareceu irritado. -  Taradona do 4° andar…

– Acesso aos sites de família! Não a página pornô!

Besta, mal sabe ela o que estava perdendo. Era tão mais animado.

– Então avisa a mamãe que se ela me chamar de tupiniquim pervertida mais uma vez ela vai sair nos sites de baixaria e fo-fo-ca junto com o filhinho que eu vou abrir a minha boca!

A história do saradão que peguei na cama com o Fabien ainda não tinha vazado na mídia por pura pamonhice minha. No dia que eu peguei os dois na cama, ataquei um cinzeiro na cara do Fabien e tive que chamar o Edu para me ajudar a fechar o corte que eu tinha aberto na testa dele. Depois que saímos do prédio, Edu me mostrou umas fotos que tinha feito por celular sem que nenhum dos dois percebessem.

– O que eu faço com isso?

– É teu Clara, se quiser se vingar do Mauríçola, tá ai tua chance.

Bestamente resolvi esquecer do assunto e o resto vocês já sabem. Claro que eu não ia abrir a boca e meter meu filho no meio dos tubarões da imprensa, mas eu gostava de ver o terror estampado na cara da “família real.”

– O que você quer, dinheiro por causa dessa… – Fabien encarou Max por instante. Será possível que ele não via nada familiar nele? – Menino?

Max estava no meu colo, Fabien se aproximou como se tivesse menção de pegá-lo no colo. Percebi que mais uma vez ele o encarava.

– Você notou que ele tem os seus olhos?

Fabien subitamente se afastou.

– Ou os seus… – Ele me devolveu ríspido. – Ou de qualquer homem que você tenha arranjado…

– Como é?

– Esquece, deu pra ver muito bem no vídeo que seu time é outro!

– Olha aqui sua índia mal educada, meu filho não vai pagar nada se não houver um teste de paternidade!

Me deu tanta raiva de mim de ter dado ouvidos aquela chantagem da minha mãe e não arrancar a informação do maldito médico a força. Eu não merecia aquela situação, Max muito menos. Como eu podia deixar ser humilhada por aquela gente se eu estava com a razão e ainda por cima tentando ofender o meu país?! Quem eram eles pra me ofender?

– Eu não quero que você faça teste nenhum. – Antes dele abrir a boca para argumentar. – Por que a meu filho não tem pai! Sabe por que, Fabien? Porque eu nunca tive um HOMEM!

– Quem me devolveu a aliança de noivado foi você!

– Pega a aliança de noivado e faz o que quiser com ela, vende, derrete, faz um pingente… Já fiz minha parte…

– Olha aqui sua…

– E a senhora, Dona Cassandra, tem cara de limão azedo! E devia processar o seu cirurgião plástico que o seu nariz tá igual do Mário Bros!

Coloquei Max no carrinho e sai em disparada sem olhar para trás. Era muita cara de pau mesmo duvidar que eu tinha sido infiel durante o noivado. O pior é que por me sentir humilhada comecei a chorar. Estava andando no meio daquele condomínio gigante, sem consegui arranjar um sinal, envolta em lágrimas e com Max também aos berros porque queria colo.

– Ôh neném, desculpa por ter que fazer essa roupa horrível e pentear o cabelo para conhecer essa gente babaca! A mamãe promete que não vai fazer você falar com esse idiota, viu?

Rodopiei mais do que um peru até encontrar a saída daquele presídio e prometi nunca mais meter os pés lá. Quando Max crescesse e falasse que a vida era dele e eu não tinha nada com isso, ele que fosse atrás do pai. Assim que sai pela maldita daquela porta, me deparei com Vanessa encostada em um carro, braços cruzados, como se estivesse me esperando.

– Vanessa, o que você esta fazendo aqui?

– Foi seu pai que me deu o endereço, ele falou…

Como Deus gostava de me ver em encrenca, Fabien saiu do condomínio todo irritado só porque ouviu umas verdades. Para completar, achou de jogar toda sua estúpida macheza para cima de mim.

– CLARA, EU NÃO ENGOLI ESSA HISTÓRIA DO MENINO SER MEU NÃO! – Enfurecido veio para cima de mim - QUE TIPO DE HOMEM VOCÊ ACHA QUE EU SOU QUE SAI FALANDO O QUE QUER NA MINHA CARA?

– O tipo que vai ter aprender a falar baixo com moça! – Vanessa se intrometeu entre nós dois antes de qualquer reação minha. – Ninguém tá gritando aqui com você, cara!

– Vanessa, por favor…

Delicadamente posei minha mão sobre o braço de Vanessa, Fabien nos encarou de um jeito meio esquisito.

– ESPERA AI, EU VI AQUELE VÍDEO UMAS TREZENTAS VEZES. VOCÊ QUE É A SAPATA! VOCÊ QUER ME DAR UM GOLPE E VEIO COM ESSA HISTÓRIA DE CRIANÇA PRA CIMA DE MIM!

– Eu já pedi pra falar baixo com a Clara! 

– Eu falo com essa galinha do jeito que eu quiser… E Cala boca, sua índia mal educada!

E deu um empurrão deslocando Vanessa de lugar. Nem precisei abrir a boca para me defender. A resposta veio a jato e com o peso de dedos de aço. Um cruzado de fazer neguinho ver não só as estrelas, mas toda a via láctea de tanta dor. Fabien não caiu no chão apenas nocauteado, mas também com o nariz sangrando.

– Um médico, preciso de um médico…

Agora ele gritava feito uma menina. A própria Vanessa o atendeu na hora. Botou o osso do nariz de volta no lugar. Em agradecimento levou um empurrão de Fabien que a fez bater no carro. Além de tudo covarde! Não sei o que devia ter doído mais, só sei que a cara dele não foi em nenhuma das situações. E é claro que tinha que ser tudo culpa do Chaves… Digo, da Clara!

– CLARA, ISSO VAI FICAR CARO! – Fabien fez questão de me jurar. – VOCÊ, ESSA GAROTA E A SELVAGEM SEM EDUCAÇÃO VÃO PAGAR MUITO CARO POR ISSO! VOU FAZER DA SUA VIDA UM INFERNO, VOCÊ NÃO VAI TER UM MINUTO DE PAZ!

– Clara, você esta bem? – Vanessa veio me perguntar. Irritada me desvencilhei. – Clara!

– Por favor, vamos para casa? – Pedi de forma ríspida. - Você não veio para isso?! Me leva para a casa!

– Clara, eu só te…

– Precisava mesmo dessa baixaria?

– Eu fui te defender. Me defender. Aquela cara me chamou de índia mal educada.

– E você fez alguma coisa contrária para ele não pensar isso?

Já sei o que vocês devem pensando. Clara, sua filha de uma boa mãe, a mulher podia ter apanhado por você a tratando feio o mosquito do cocô do cavalo do bandido? Vejam bem, não era por maldade minha, mas fiquei irritada pela besteira que ela tinha feito. Sim, reafirmo foi uma besteira. A maldita família do Fabien era poderosa, prova de que conseguiram acabar com as minhas chances no mercado de trabalho em São Paulo. E olha que São Paulo tem uma das maiores demandas de médico do país. Ok, assumo, sou uma covarde que tem medo do ex noivo, mas agora eu tinha um filho para pensar. E se ele acha de sei lá, pedir a guarda do Max? Ou pior, se ele fosse fuçar a vida de Vanessa para ferrar com ela? Material com certeza não faltaria. Eu fui lá por ela, eu sei que ela foi me defender, mas que fez o que não devia ela fez.

Quando eu digo que o Fabien é um urubu no meu ombro, uma âncora amarrada no meu tornozelo, um chiclete grudado na sola do meu chinelo, as pessoas falavam que exagerava, mas vê se não é verdade. É só essa cruz aparecer na minha vida para tudo voltar para trás. Vanessa ia dirigindo o Jeep verde escuro calada, com a cara fechada de olho no trânsito. Eu já estava para lá de arrependida de ter soltado os cachorros. Quando chegamos em casa, depois dela manobrar o carro para frente do prédio do meu pai e me ajudar descer com toda a tralha de carrinho, bebê conforto, bolsa com fraldas, mamadeira, brinquedo, chupeta e troca de roupa, ela veio se despedir de mim da forma mais fria do mundo.

– Esta entregue!

– Você pode me ajudar a subir com ele? – Pedi apontando Max dormindo tranquilamente no carrinho. – Até eu chamar o porteiro ou alguém de casa e…

Sem falar nada, Vanessa pegou a bolsa e o bebê conforto das minhas mãos e eu tomei a direção do carrinho. Eu não sabia direito o que falar, que fazer, não tinha plano nenhum, mas queria ganhar tempo para inventar qualquer coisa. Mais uma vez ficamos mudas. Isso era raro, nós duas falávamos feito duas matracas. Abri a porta do apartamento e fiz um sinal para Vanessa me acompanhar até o quarto. Bebê conforto no lugar, ok, bolsa, ok, carrinho, ok, agora a parte mais difícil: Max ser retirado do carrinho e ser colocada no berço sem perceber. Missão descumprida. Assim que a peguei no colo, ela abriu um berreiro. Vanessa o pegou dos meus braços.

– Deixa que eu faço isso! – Ela se limitou a dizer. – Por favor…

Sem mais discussões a passei para os braços de Vanessa. Ela colocou as chaves do carro sobre a mesa. Alguma coisa me encucava naquela história.

– Você não disse para mim que não pegava carro desde o acidente?

Vanessa me encarou um tanto confusa com a pergunta. Engraçado que Max já voltava a pegar no sono.  Meu filho estava virando um viciado em Vanessa. Liguei o rádio de baixinho como de costume para Max dormir.

– E eu não pegava mesmo. Mas quando seu pai me contou que você foi falar com ele por causa da sua mãe… Sei lá, me deu na cabeça de ir atrás de vocês, pedi o endereço para ele e fui.

Não acredito que o papai teve coragem de contar a história por inteiro. Que vergonha! Vanessa colocou Max no berço e seguimos para a sala.

– Agora eu sei que não devia ter ido. -Ela me respondeu ainda rancorosa. - Não se preocupa que a índia mal educada tá tirando a bateria dela do recuo, tá legal?

– Vanessa, eu não disse isso!  -Eu a atropelei. - Você esta colocando palavras na minha boca!

– Sem educação e mentirosa, por que você perde tanto tempo comigo?

Só uma coisa conseguia me deixar com mais tesão do que mulher. Mulher fazendo aquela cara de má e ao mesmo tempo brava, com direito a biquinho. E desculpem a franqueza, mas se doce a Vanessa já era boa, bravinha daquele jeito era uma delícia. No rádio tocava uma música da Marina Lima. Antes de eu responder, Vanessa envolveu uma das mãos no meu rosto e de um jeito delicado, mas ao mesmo tempo com firmeza me fez encarar seus olhos.

– Eu te fiz uma pergunta Clara!

Não tinha mais responsabilidade sobre meus atos depois de ouvir aquela voz meio sussurrada me cobrando explicação. Eu não sou e nem pretendo ser a super woman, santa ou qualquer coisa parecida para resistir a Vanessa. Deu um passo a frente, meu batimento cardíaco estava ofegante devido à aproximação dos nossos corpos. Sentia os dedos de Vanessa tocando levemente nos meus cabelos enquanto ainda envolvia o meu rosto. Respirávamos juntas, no mesmo compasso.

– Eu perco meu tempo porque quando você entra na minha vida, vira ela de cabeça pra baixo e abala qualquer coisa que consigo construir! – Nossos lábios se roçavam suavemente, cerrei os olhos curtindo aquele toque. – Minha cabeça fala uma coisa, mas meu corpo e coração são burros e fazem outra! Eu perco o meu tempo porque eu me importo com você!

– Clara…

Nem completar a frase conseguimos. O beijo que era inevitável aconteceu.  Mas quando eu falo o beijo eu quero dizer O BEIJO. A velocidade e a temperatura exatas. A língua entrando na minha boca e à medida que ia descendo parecia descarregar sobre mim uma bomba impregnada de endorfina. A delicadeza que ela passava através dos toques. Uma das mãos me puxou pela nuca, arrepiando toda minha pele provocando um choquinho gostoso. Ela me envolvia de um jeito que eu ficava meio perdida, beijava minha boca, provocava, se entregava, fugia com a boca e pegava assim meu rosto meio de lado e ia ate o pé da minha orelha, mordia de leve. Sussurrava algumas coisas que eu não entendia direito e depois voltava a procurar minha boca. A única coisa que eu podia fazer era beijar de volta.

A culpa não é minha que os lábios de Vanessa eram viciantes e pareciam me colocar sobre efeito daquelas drogas pesadas que faz as pessoas acordarem em um lugar além das nuvens, onde os problemas se derretem como “geladinho” no verão. E vou confessar que andava querendo passar muito tempo ali… “além das nuvens…” apesar de estar batendo um ventinho não sei de onde, estava quente. Quando uma das mãos da Vanessa subiu bem de leve pelo meu tronco, minhas pernas bambearam legal e eu fiquei toda mole. Como se adivinhasse meus pensamentos, Vanessa com apenas uma das mãos pegou uma cadeira que estava cai não cai e se sentou,  eu não me fiz de rogada e sentei no seu colo. Aquele perfume gostoso entrando meu nariz. Nossas peles se roçando. O telefone tocou, desviei meus lábios do dela com a intenção de atender.

– Não atende Clara… – Vanessa murmurou enquanto a boca dela descia pelo meu pescoço. - Depois você vê quem é. – A boca de Vanessa subiu voltando a procurar pela minha. Foi encostando os lábios provando cada pedaço da minha pele até chegar próximo a orelha. Uma das mãos desceu das minhas costas apertando minha bunda de leve. Minhas mãos já davam um jeito de arranhar seus ombros.  – Eu quero que você seja minha! Você é gostosa, Clara! É cheirosa, tem cheiro de fruta… - Vanessa aplicou um beijo bem na lateral do meu pescoço me arrepiando inteirinha, deu uma mordidinha de leve no meu ombro fazendo descer uma das tiras da minha blusa de alça. Só dela estar falando aquelas coisas me sentia pulsar por inteira. - Um cheiro que só você tem… Clara, fica comigo… Eu quero você…

E colocou um beijo no meu pescoço enquanto uma das mãos subia minha blusa. Aquela mulher podia dar aulas de como ser safada cachorra na cama. Com aquela voz recheada de tesão e gemidos que me quebrava ao meio e tirava de órbita precisava me pedir duas vezes?