fistday

Dia 40: Primeiro dia de aula - escola nova.

Nem uma mínima brisa na barriga! Nada. Ano passado senti o gostinho da mudança, de conhecer pessoas novas, e sabia como seria esse ano. Era só repetir o ritual.
Quando já estava na rua da escola, depois de me perder um pouco, vi uns meninos altos que pareciam os mais velhos de todos. Ou seja, seriam provavelmente do terceiro ano, minha turma. Aí sim senti um frio na barriga que chegou até doer. 
Passei rapidamente por eles, e esperei na entrada. Após o sinal tocar e nenhum grande movimento de alunos, fui pesquisar onde seria a entrada para as salas. Deparei-me com uma menina com cara de perdida (mais do que a minha) e fui puxar assunto para não me sentir sozinha. Descobri que a garota veio do mesmo fim de mundo que eu: Vargem Grande Paulista. Mais coincidência impossível! O ruim é que ela é do primeiro ano…
Ao entrar na sala, deparei-me com os meninos da entrada e fui logo à carteira mais longe de todos. Tão longe que quando sala estava cheia, não havia ninguém ao meu lado e senti o cúmulo do antissocialismo crescendo. 
Não há muito o que falar das aulas, já que não havia material, mas uma observação é necessária: os professores desaprenderam (ou nunca souberam) a planejar aulas apenas com a criatividade. Eles necessitam fervorosamente de algum livro, alguma apostila para seguir, senão, batem um papo com os alunos para descontrair e fingir que o problema não é deles (claro, os alunos é que saem perdendo).
No intervalo, as três meninas da sala foram simpáticas e me chamaram para lanchar com elas. Conheci um pouquinho, bem pouquinho de cada uma e ao voltar para sala mudei de carteira para perto da galera. Ainda nem um pouco enturmada, tive o desprazer de ouvir boa parte dos meninos cantando funk numa altura nada saudável aos meus ouvidos.
O dia passou muitíssimo rápido, mais do que eu imaginava. Na saída, quase peguei carona com a galera do funk porque não sabia direito voltar para casa mas ouvi a confusão sobre ir de carro ou a pé e resolvi tomar meu próprio caminho - com a possibilidade de me perder novamente.
Aliás, não me perdi. Mas descobri que havia um caminho mais curto para o que fiz (lembrarei disso amanhã). 
A sensação de estar naquela sala não foi de “não me encaixo neste lugar”. Como escola, parece bastante legal. Mas havia um sensação esquisita de que eu não precisava estar ali. Senti que estava fazendo todo o ensino médio novamente, passando pelas mesmas coisas e não concluindo ele! Quando comentei sobre isso com minha avó, a mesma disse: encare como um cursinho. Adorei essa perspectiva, apesar do nível mental médio da classe não bater com o das pessoas do cursinho.

Julgar pelas aparência é relativamente fácil e foi só o que pude fazer neste primeiro dia. Seguirei contando mais sobre as aulas, principalmente de exatas que serão meu foco este ano!