fevereiro2013

-Sacrifícios. 

Descalço, pés gelados, jaqueta moletom rasgada, dedos cansados de tentar escrever, olhos assustados, corpo mole, mente perturbada… Papeis e mais papeis amassados ao chão de seu pequeno quarto. Em sua bancada um livro, capa dura, folhas amarelas. Ao lado uma foto três por quatro de sua amada Cowrin, cabelos ruivos naturais, olhos pretos feitos à escuridão do desconhecido, pele clara quase rosada, meiga e delicada. Eros, quase adulto, não largava os seus velhos hábitos de ser um moleque infantil e irritante, mas também não largava o seu velho habito de possuir um coração de anjo, macio feito nuvens de algodão e vermelho feito as rosa dos campos mais cheios de amor. Fora assim encontrado em meio a tanto sangue derramado.

Ele nunca soube se portar em público, sempre escondido atrás de seus olhos borrados de delineador, gorro preto escondendo a sua face e capas duras impedindo o seu contato com o mundo fora dos livros. Até que fora obrigado a ler um pequeno rascunho que escrevera na aula de literatura numa quarta – feira sobre sua resistência ao mundo boçal dos adolescentes presos ao consumismo. Todos o olharam com caras de peixes mortos; Era os eu castigo por ser tão diferente e ao mesmo tempo tão igual… Mais um qualquer adolescente inútil na sociedade por não fazer a mínima idéia do que queria ser. Nesse momento, Eroas chamou a atenção de Cowrin, a única que o compreendeu, a única a qual os olhos brilharam, a única a qual sorriu ao termino da leitura…

Eros, à noite, em frente ao seu computador, a única luz que não se importara de estar bem em sua cara, pois passava todas as madrugadas digitando textos intermináveis e quase incompreendidos; Naquela noite Cowrin se impôs. Encarou Eros. O convidou para um chá. Não se arrependeu. Pois foi naquela tarde gelada e clara de outono que encontrou com a sua alma gemia – Eros.

Os dois sabiam que havia um sentimento estranho, de outras esferas sobre seus corpos e mentes, principalmente, entre eles! Nunca se tocavam… Apenas as palavras eram suficientes para penetra nos corpos um do outro. Até que… na noite mais fria de inverno, Eros fora ao seu porto seguro, o beco mais escuro e escondido da cidade, onde morava, levou Cowrin, sabia que jaz poderia confiar nela a ponto de mostrar-lhe o seu ponto fraco. Naquele beco rolou o que ele nunca imaginara acontecer… Os corpos, em meio ao inverno mais congelante, suados, nus, cobertos de desejos impuros, finalmente tornaram-se apenas um. Eros sentiu como se estivesse sendo torturado pela paixão, sua mente fora mudada, seus instintos selvagens fora aflorados, Eros não possuía mais controle de seu próprio corpo. Se tornara cachorrinho dos desejos mais sacanas de Cowrin. Ela fez jus ao dever imposto pelo amor. O deixou acabado. E… Essa loucura tornara rotina do casal.

Todas as noites, todas as manhãs… E todos os fins de semanas. Cada dia se descobrindo mais e mais… Se apaixonando mais e mais… Se perdendo mais e mais… Se reencontrando mais e mais…

Para Eros estava bom… Para Cowrin faltara sempre algo. Mesmo tendo orgasmos e mais orgasmos, Cowrin não sabia o que era, mas Eros imaginava. Conhecia tão bem sua amada. Ele e só ele sabia o que fazer para satisfazer Cowrin.

Eros só não sabia como dizer, como pedir aquilo. Então escreveu entrelinhas a resposta para sua amada, ele sabia que só ela o entenderia. Então não tinha medo de publicar em todos os locais possíveis para que Cowrin pudesse tirar a prova de um verdadeiro amor e de um pedindo de uma força superior. Cowrin entendeu. Não acreditara naquilo que havia lido. Mas ela, infelizmente, sabia que era a verdade, de certa forma. Não acreditara que tão cedo deverias fazer aquilo. Mas se não fizesse, qual seria o real motivo de conhecê-lo?

Cowrin o matou, o matou de paixão, de ódio, de desejo, de tesão, de dúvidas, de certezas e, finalmente… O matou de tanto o amar. Realmente o matou, provou seu sangue frio e doce, Cowrin fez amor com ele congelado obedecendo as forças superiores.