fevereiro-2013

Uma noite, fevereiro de 2013.

O segundo “primeiro encontro” foi no dia 8 de fevereiro. Com 8 cervejas, uma sobrinha, um convidado inesperado. Conversas, brincadeiras. Coisas de passado e presente. Reconhecimento outra vez. Nada muito sério, sempre casual. Tão intima, ou até mesmo folgada, que por vezes deitei no seu colo enquanto víamos sua sobrinha tentando desviar das 8 mãos do seu mais novo amigo. Tudo natural. Nos conhecíamos à quase 4 anos. O que de estranho podia acontecer? Não por falta de vontade, da minha parte. 

A noite teve fim nisso. Beijo de despedida, no rosto! Eu indo com meus amigos para rua, quase 1h da manhã, ultima semana de férias. Eu, dessa vez, iria aproveitar. Solteira. Vamos lá! Só que não foi bem assim. Passei a noite falando de você, conversando sobre como você era uma pessoa bacana. Todos notando menos eu. Sempre sou a ultima a saber. Dormi pensando em você. O que o destino nos reservaria? Não iria demorar para ter essa resposta. 

9 de fevereiro. Tequilas. Meus amigos reunidos, você na sua casa. Meu amigo querendo ficar com sua sobrinha, eu já querendo ficar com você. Liguei e fui no seu apê, no prédio ao lado. Viemos às 3 e o violão. Já na casa do meu amigo, que estava sendo minha casa por uns dias, algumas pessoas nem tão intimas, todos conversando. O Violão na mão de uma nova conhecida, Fernanda, com o coração sofrido de amor, juntando-se com o seu ainda mais sofrido. Confissões. A que mais me recordo foi uma sua: “Eu ainda gosto da minha ex, não é fácil esquecer. Foi o primeiro amor da minha vida.” Mas nada que uma dose ou outra não ajudasse a relevar. Horas passando, os vizinhos reclamando do barulho. Todos formaram seus pares. E adivinha quem sobrou? Eu, você, meu notebook, uma caixa de Halls preto, um colchão no chão. Luzes apagadas. Conversa vai, conversa vem. Você resolve me mostrar umas músicas. Foi quando, ao som de Boyce Avenue - Locked Out of Heaven, engatado devido à internet ruim, repetindo o início por umas 6 vezes que, aconteceu o primeiro beijo. Sucedido de incontáveis outros. Com apenas pausas para respirar, quando já não fazíamos isso durante o beijo. Nada mais que beijos. Mas que pra mim já era muito. Brincávamos de passar o halls uma pra outra. Foi tudo normal. Quando demos por nós eram quase 7 hs da manhã. Minha boca super inchada. Você ria em silêncio. Ria da situação. Ria por qualquer outro motivo. Eu tomei um banho e me esparramei no sofá. Com vergonha, de você, da boca inchada, da circunstância. Foi quando você levantou e disse que iria para casa, eu nem tentei evitar. Ainda não sabia ao certo tudo o que tinha acontecido. Um beijo no canto da boca, um selinho mal dado. - Até mais tarde, Tchau. 

anonymous asked:

"que matou, que expulsou do país" quem? Os GUERRILHEIROS que foram treinar em Cuba e queriam porquê queriam o poder no Brasil, os que assaltavam Bancos, os que ASSASSINAVAM embaixadores, os que sequestravam aviões e os desviavam para CUBA... QUEM? Porque gente de bem não era caçada do nada. A ditadura militar foi ruim sim, calou todo mundo que tentava se opor à ela, mas só foi concretizada por causa dos vermes comunistas que planejavam tomar o Brasil, e isso não se nega. Responda-me

Deixa eu te contar uma história a qual tu possivelmente vai ignorar, já que põe em cheque tuas noções fantasiosas de realidade.

Em janeiro de 1974, Carlos Alexandre Azevedo tinha um ano e oito meses e estava em casa fazendo aquilo que bebês de um ano e oito meses fazem. Ele e a mãe foram levados presos aonde seu pai, Dermi Azevedo já estava, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Dermi ficou seis meses preso, por “difamar a imagem do país no exterior por ter escrito um relatório sobre os livros de educação moral e cívica usados no Brasil”. Sua esposa, Darcy, ficou 45 dias presa.

Já em casa, o pai relatou que o filho teve um dente quebrado. No Deops, levou choques, e quando foi levado de volta para casa, foi atirado ao chão, sofrendo lesões craniais das quais nunca se recuperou.

Mais velho, Carlos, o Cacá, era um jovem inteligente, mas que sofria de ansiedade e fobia social. Possivelmente depressão, devido ao seu quadro clínico e uma tristeza permanente.

Em 16 de fevereiro de 2013, Cacá morre. Havia se suicidado com uma overdose de remédios. Em uma nota de despedida a um amigo, ele dá seus motivos: mal remuneração e isolamento social. A tristeza que assolava Cacá finalmente fez dele uma vítima.

E foi assim que o assassinato mais longo da ditadura militar brasileira aconteceu.

Então não venha ao nosso blog dizer que “gente de bem não era caçada” porque eram. Quando tu diz isso, tu silencia milhares de vozes que tiveram pais, avós, tios e tias que foram vítimas (e até hoje são, considerando os danos causados) da ditadura militar. Aquilo que tu tem como verdade não condiz com a realidade nem a experiência de quem teve contato com o regime.

E quando tu nega a experiência de alguém que foi atingido pelos horrores da ditadura, quando o teu discurso perpetua o sentimento de injustiça e tristeza de milhares de pessoas, eu sugiro que pense duas vezes antes de chamar qualquer pessoa de “verme”.