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This post is for my Brazilian fellows. I’m sorry if you don’t speak portuguese, but here and with this video (important: never mind what BBC says about anarchists) you can understand part of the situation.

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Para o outros cartazes:
Invertendo a Pirâmide | Geração Vinagre

Pelo MEU direito de estar aqui 

Está claro que os problemas em São Paulo (e no Brasil) não se resolvem com 20 centavos. Políticos velhos e carcomidos vivem em suas bolhas de bem-estar individual sem, como é de costume, demonstrar o mínimo de interesse em mudar alguma coisa. Afinal, a eles não lhes falta nada, e se faltar providenciam qualquer coisa facilmente com dinheiro que não lhes pertence.

Ver o que as grandes mídias (entenda grandes mídias por grandes, velhas e obsoletas corporações com interesses individuais claramente defendidos) dizem sobre o que está acontecendo é desanimador. Digo isso porque depois de tanto tempo de internet, pouca gente da velha guarda parece entendê-la.

Ver repórteres, dirigentes políticos e policiais tentando encontrar, classificar politicamente e responsabilizar “o grupo responsável pelo protesto” é patético. É de uma ignorância absurda sobre o mundo contemporâneo.

Como toda nova tecnologia, a estrutura da internet e todo seu modo de funcionamento transformou diretamente o jeito das pessoas se relacionarem, pensarem e agirem. Tentar classificar à moda antiga um evento como os últimos protestos em São Paulo e qualquer um que ocorreu nos últimos tempos da era da internet, reforça a minha antiga crença de que os políticos e as grandes mídias estão obsoletas.

Você pode até argumentar que existe divulgação nos grandes meios da violência e da truculências policial, mas foi preciso uns quantos repórteres presos e agredidos para começarem a noticiar tais fatos. Há anos o Estado oprime a população de baixa renda e nada é falado. Eles estão do lado do dinheiro e contra a quem está contra eles. Não é segredo para ninguém.

Os obsoletos pensam de forma hierárquica. Por serem de outra época, não posso culpá-los por isso, mas os culpo por não perceberem que com a internet a hierarquia por si só não se sustenta. O mundo mudou e eles continuam pensando que aceitaremos bater cartão em fábricas e abaixar a cabeça apenas porque existe uma estrutura hirárquica.

Acreditam também que um único grupo é responsável por atos de “vandalismo” ou protestos. Que o protesto é só por causa de 20 centavos. Como se carregássemos bandeiras partidárias, como que se o on-lne e of-line fossem coisas separadas. Não entendem que as informações se complementam; que assim como na internet, cada um é dono do seu nariz e eventualmente nos juntaremos por uma mesma causa; que a internet é feita de contribuições anônimas. Não importa de onde você vem, suas crenças políticas, religiosas ou sua equipe de futebol favorita. Nós nos juntamos porque não aceitamos mais uma hierarquia simplesmente porque ela existe e sempre existiu.

Posso estar sendo ingênuo ou utópico, mas acredito que todas estas manifestações que estamos vendo pelo mundo é um sinal de mudança para algo melhor. O Estado por si só é e sempre foi opressor, porque sua estrutura foi construída exatamente com esta intenção. Ele foi montado para quem está no lugar “certo” fazendo exatamente o que se tem que fazer naquele dito lugar. É ignorante e não percebe que as pessoas fazem e podem fazer coisas diferentes em lugares diferentes. Que somos diferentes e nos complementamos, cada um com o que pode e sabe fazer. Que isso é bom para elas e, por consequência, para a comunidade.

Com um pensamento menos hierárquico e com uma construção mais colaborativa, talvez  possamos ver em um futuro escolas que não nos preparem para bater cartões, mas sim para contribuir com o que podemos segundo nossas capacidades individuais. O MEU direito de estar aqui não pode ser reprimido, muito menos por quem se acha no direito de reprimir violentamente o direito de uma maioria a fim de proteger seus gananciosos interesses individuais de manter-se no alto de uma hierarquia podre e antiquada. Quem não entende isso é porque parou de viver nos anos 80.

Felipe de Leonardo Figols