felipe simão

A Dificuldade De Ser Crer No Amor

  “The End” nunca foi a minha parte preferida dos filmes. A não ser quando o filme é ruim.

  Fui criado a filmes da “Disney” e da “Sessão Da Tarde”. Então, pra mim, é super compreensível acreditar no amor e achar que é possível ter um final feliz com alguém. Aliás, de uns tempos pra cá, tenho achado essa frase meio contraditória. Afinal, se é final, não é feliz.

  Como que, algo que é bom, pode acabar? Algo que é (realmente) bom torna-se imortal, intocável e invicto a qualquer tempo, briga e desencontro. Não. Para. Não se iluda novamente. Essas coisas só acontecem nos filmes da “Disney” e da “Sessão Da Tarde”.

  No filme da vida real, você pode chegar aos setenta anos sem conhecer a sua cara metade. Mas não se desespere. Não estou aqui para acabar com os seus sonhos. Aliás, estou aqui para dar base aos seus sonhos.

  Se você acredita (com fé e força) no “final feliz” que fomos adestrados a acreditar desde crianças, não tem problema nenhum. Ao contrário. Eu até lhe parabenizo por isso. Mas, cá entre nós, você precisa concordar comigo que, para se ter um final feliz, você deve fazer algo, né? E não basta só encontrar a pessoa “perfeita” (perfeita entre aspas pois a perfeição é muito relativa e não se deve crer em somente uma via).

  Você deve ser a pessoa “perfeita” que você mesmo quer encontrar. Eu, por exemplo, quero encontrar alguém que jogue videogame, que curta motos, que acredite em E.T.s, que queira viajar para o Japão, que deseje ter um casal de filhos, que escute The Smiths, que seja cinéfila, que durma ouvindo Bon Iver e que goste de contos de terror tanto quanto eu…

  Encontre alguém que também queira ser a pessoa que ela mesma quer encontrar. Só assim você encontra, definitivamente, a sua cara metade.

  E não ache que a sua cara metade é a pessoa que gosta de tudo que você gosta. Não! Isso seria chato demais. A sua cara metade é a pessoa que te faz rir de de madrugada num ataque de cócegas espontâneo, que te faz carinho, que te beija mordendo os lábios, que puxa o seu cabelo com uma certa força e leveza, que morde a sua orelha com gosto, que te olha como você fosse feito pelo mais puro ouro, que te abraça como se fosse a última vez no mundo que vocês se veem e que, principalmente, te faz sorrir do nada.

  Meu amigo, quando isso acontecer, pode ter certeza que você encontrou o seu par perfeito. Não necessariamente para “toda a eternidade”, mas sim para “toda a eternidade que tiver que durar”.

  Meu amigo, não deixe de acreditar no amor só por que ele (ainda) não deu certo. Amores não são para dar certo. São para serem amados.

  Essa frase pode ter sido complexa, mas é levemente compreensível. Tente fazer força para entender.

O Texto Mais Brega E Clichê De Todos Os Tempos

E se eu te disser que você foi uma das melhores coisas que me aconteceu até agora? Você fugiria? Você riria? Você comigo nessa embarcaria?

  Há o medo, a ansiedade, o despreparo, a vida que cada um de nós segue, a realidade e a ferida de uma dor pré-meditada. Mas eu prometo não vou te machucar. Nem que seja sem querer, comigo você não sai no prejuízo. Posso não entender de negócios e nem de advocacia, posso não saber se catapora deixa marca, mas sei que um amor mal amado (e mal vivido) deixa as maiores cicatrizes na vida de alguém.

  A pior dor é aquela da culpa por não se ter doado e nem ter ouvido, ao menos uma vez, a voz da insanidade/impulsividade. Deixe de lado esse formato que a sociedade moderna insiste em impor. Se você se apaixona por alguém à primeira vista, corra atrás dela. Se você quer dizer “eu te amo”, diga. Nunca é cedo demais para se amar. E nunca é tarde demais para dizer. O “eu te amo”, quando sincero, é uma frase que abre portas para a esperança. Pense nisso como um refúgio. Amar alguém é como ser sincero num mundo de mentiras. É como ser azul num mundo onde o vermelho reina. Só quando sincero, é claro. Não se pode amar um prato de lasanha e amar uma pessoa na mesma frequência. Na verdade, você até pode. Mas aconselho que amar por “comer” (sentido literal e sentido figurado) não é uma das melhores formas de se amar. Amar está em ir bem mais profundo do que apenas comer ou dizer que comeu.

  Amar, pra mim, é deixar tudo que possa te fazer feliz para, apenas, fazer quem você ama feliz. É ser feliz na felicidade do próximo. É querer que o outro esteja bem. Bem do seu lado, bem feliz, bem próximo, bem com a vida, bem bonita, bem sexy, etc.

  Amar, em tempos modernos, é o mesmo que tentar explicar a existência de Deus. Sempre vai haver alguém com mais explicações (até mesmo plausíveis) para discordar de você. Mas, quer mesmo saber? Foda-se. Você acredita no amor e, se isso te faz feliz, foda-se. Ninguém precisa comprovar a sua felicidade. Afinal, ser feliz é um estado de vida. E, quando amamos, estamos felizes em busca da felicidade.

  Foda-se o que a atual sociedade pensa e no formato que implantaram. Ama? Grite ao mundo. As pessoas precisam ter fé no amor. No amor à primeira vista, no amor parcelado, no amor divido em três vezes sem juros, no amor pré-datado…

  Você não precisa explicar a existência de Deus para crer nele. Você não precisa explicar a existência (e nem a razão) do seu amor para crer nele. Só quem pode ter a certeza de que há amor é você. Então, cuidado para não se iludir. Vá com calma, sempre. Mas vá. Não deixe de ir por medo. Medo é aquilo que te diferencia dos outros animais. Medo é aquilo que faz você perder oportunidades que podem te trazer dinheiro, fama, sucesso, amor, felicidade e Nutella. Medo não pode existir. E se existir, vai com medo do mesmo jeito. Afinal, por Nutella nós vamos até mesmo onde jamais imaginaríamos ir.

  E se você achar esse texto clichê e brega, foda-se. Eu tô fazendo esse texto por que, talvez, eu esteja gostando de alguém. E não. Não é por um pote de Nutella. É por alguém mais bonita e bem mais preciosa do que isso. Por alguém que me fez esquecer dos problemas. Por alguém que me fez sonhar acordado. Alguém que me faz feliz. Por que, diferente de todas as outras mulheres que me deixavam feliz, essa, em especial, me faz feliz. Sem o mínimo esforço, sabe? É como se houvesse uma química (que não é do mal) em nós. Algo difícil de explicar.

  Você não precisa explicar a existência de Deus para crer nele. Você não precisa explicar a existência (e nem a razão) do seu amor para crer nele. Só quem pode ter a certeza de que há amor é você.

Pra mim, não existe nada que o amor não cure. Você percebe o que é amor de verdade quando sabe o quanto abriria mão de alguém para que ela possa ir, seguir em frente, mesmo que doa.     Uma vez li um texto que o final era exatamente assim:   É fácil amar o outro nas férias, no churrasco, nas festas ou quando se vê de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba, quando não acredita mais em nada e entende tudo errado. Nessas horas que se vê o verdadeiro amor, aquele que quer o bem acima de tudo.     Existem encontros nessa vida que nos dão o privilégio de conviver com pessoas que passam para nos ensinar, para nos fazer sofrer, e que passam apenas para nos fazer feliz (o que pode não durar pra sempre, mas que seja eterno enquanto dure).     O único mal disso é que sempre dependemos da vontade do outro. E nisso você perde toda a força. Nesse lado do destino em que você não pode manipular. Por que você sempre depende e dependerá do outro.     No fundo, todo mundo quer alguém que te ligue antes de dormir e que vá correndo te ver quando você sente medo. Alguém que saiba perdoar, afinal, “tudo não passou de um temporal”. Alguém que te entenda quando nem mesmo você se entende. Alguém que morra de rir e que sofra com você. Alguém que esteja preparada para amar seus defeitos e que queira aprender, sempre.     Mas nem sempre tudo são flores. Nem sempre estamos preparados para o que queremos. As vezes é preciso a solidão e a sensação do vazio para perceber que o que você queria (e quer) mesmo era alguém no fim do túnel, sorrindo, te esperando.     “Você precisa de alguém que te dê segurança, se não, você dança.”   Eu dancei.     Mas já decidi que não vou esperar alguém na porta da minha casa com flores na mão, porque ela não vem. Talvez ela nunca mais venha. A partir de agora só quero alguém que receba as minhas flores.     E sempre há um novo caminho, uma forma de se reinventar e esperar. Esperar alguém que queira te pegar sem medo no topo da montanha enquanto ela pega fogo, só por achar que você “vale a pena”.