felicidade

Meu melhor amigo é você, o cara que me conhece tão bem e há tanto tempo que não consigo deixar de amar mesmo estando longe. Saio com alguns caras, você tem suas garotas, a gente se diverte quando se encontra nas baladas, mas no fim da noite sempre da um jeitinho de ser um do outro. Tem aquela menina loira que comenta todas as suas fotos, você disse que não gostava dela, mas senti no seu tom de voz que só falou aquilo pra não me deixar chateada. Aí lembrei da noite que saímos e contei a você que estava namorando, por um segundo ficou mudo, e no seguinte perguntou se eu estava apaixonada. Fiquei sem graça, não queria te machucar e em seguida pensei que não tinha sentido eu achar que iria te machucar, pois ficamos diversas vezes sem compromisso e saímos outras inúmeras vezes apenas como amigos. Eu disse que estava gostando, você respondeu sem pensar ‘mais do que de mim?’. Corri pra ser irônica, mas só consegui dizer que eras especial. Fui totalmente sincera. Você soltou um ‘sei’ incrédulo e riu, nunca soube se aquela foi mais uma das inúmeras fugas ao sacarmos que a gente fazia sempre que o clima se tornava quase romântico ou se realmente te deixei com ciúmes. No dia seguinte você me desejou felicidades e me disse pra ter cuidado, hoje olhando suas fotos e te vendo uma vez no mês desejo voltar no tempo e não permitir que aparecesse essa menina loirinha que comenta seus posts. Sabe como é, você pode ficar com quem quiser, mas gostar, só de mim que pode. Você veio me ver depois que terminei e me contou um milhão de coisas. Faculdade, trabalho, as namoradinhas e a sua formatura. ‘Você vai, né? Preciso te apresentar pros meus pais’. Meu estômago embrulhou e o coração acelerou, fiquei quieta enquanto você continuava. ‘Vou te apresentar como namorada, sabe? Eles tem que pensar que tomei jeito’. Comecei a rir aliviada, disse que achei que você tinha descoberto que eu era o amor da sua vida. ‘Mas tu é. E eu sei que tu é louca por mim. A gente só não namora porque namoro estraga tudo’. Só consegui concordar e dizer que você era um narcisista, mas pensei bem no assunto e percebi que era a verdade. Você sempre volta pra mim. Mas a gente se vê cada vez menos. Conhece pessoas, se afasta, mas no fim de tudo volta um pro outro. Vou procurando naquele novinho lindo que saio às vezes um pouco da sua idiotice, você diz que só eu sei fazer carinho na sua nuca, eu digo que ele era muito possessivo, você diz que ela não tinha assunto. A gente acaba se beijando. E ri. E diz que se adora. E concordamos que vamos nos casar um dia. É uma promessa, nenhum dos dois vai ficar sozinho. Mas não hoje. Hoje não. Temos tanto assunto, pessoas pra conhecer, somos tão interessantes pra ser de uma pessoa só, tem tantos lugares pra ir e ainda ter a certeza que um tem o outro onde quer que esteja. Pra que se prender? Não. Antes de tudo quero sua felicidade, acima de qualquer compromisso está a nossa amizade. E na sua rodinha de amigos eles acham graça aquela menina que ri da sua cara, participa dos churrascos e bebe cerveja. Eles não acreditam que não sou apaixonada por você depois de tanto tempo. Acham que você tem muita sorte de ter em sua ‘peguete’ também a melhor amiga. Dão em cima de mim quando começam a achar que somos realmente somente amigos, então volta e meia você me da um beijo no rosto e fica abraçado pra marcar território. Peço pra você me levar e me deixas na frente de casa. Se despede e depois de um abraço apertado eu sei que você volta. Porque você nunca vai embora de verdade.
—  É louco o efeito dele aqui.