feixes

Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi. Que não sinta o que não tenho. Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou. Dai, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura numa terra sedenta e num telhado velho. Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa.
—  Cora Coralina.

vi a nossa silhueta
me invadir
a casa pela janela,
a sombra agarrada
no mesmo feixe de luz
que nos atravessa
o peito escancarado,
os olhos semicerrados
e grava nossa imagem
na parede que era fria
debaixo da pele quente,
e os lençóis secos
antes do corpo derramar,
e a certeza de que
nada é perfeito
além do encaixe
dos corpos imperfeitos,
a curva do seu peito
e a gente
(silhueta)
na parede

≃ pelo averso ≃

One Shot Harry Styles

  • Pedido - Oie linda tudo bem?espero que sim,então queria que vc realizasse um sonho meu,tipo,um imagine onde a s/n não é filha biológica dos pais dela e acaba fugindo pq tem um cara muito ruim atrás dela então ela encontra o Harry e eles se escondem em um galpão e o Harry cuida dela no final eles são separados.


A casa estava completamente escura, apenas alguns feixes da luz da lua adentravam pelas janelas que tinham cortinas mal fechadas. Muita cautela era necessária e (seu nome) repassava em mente todo o seu plano de fuga, não se esquecendo de ser sorrateira já que qualquer barulho poderia denunciar sua saída.

Apenas com uma mochila nas costas (seu nome) atravessou a porta de sua casa, sabendo que qualquer coisa poderia estar a esperando no mundo lá fora. Ela não poderia ficar no aconchego de seu lar colocando em risco a vida de pessoas que a ama mesmo não tendo o mesmo sangue correndo pelas veias.

É sempre difícil abandonar o lugar que te faz sentir segura e é ainda mais difícil pensar que tem que viver por conta da própria sorte. Algumas poucas notas de dinheiro no bolso, uma garrafa média de água e poucos biscoitos não durariam para sempre e a garota não queria nem imaginar o que faria quando definitivamente acabasse.

— Você é forte, vai conseguir se virar sozinha.

Essas foram as palavras que (seu nome) usou como incentivo para que suas pernas a obedecessem e começassem a mover seu corpo para longe da casa a qual foi criada com muito amor. Não estava saindo dali por causa de seus pais, eles eram ótimos, ela estava saindo de sua casa sem dizer tchau, parecendo ingrata, para proteger os pais que mesmo não sendo biológicos eram os de verdade, os que deram amor e ensinaram valores.

[…]

Depois de ter pego um trem que lhe custou metade do dinheiro, (seu nome) acreditava estar em outra cidade, ela não prestou atenção durante a viagem por ter pego no sono e tão pouco estava disposta a pedir informação as pessoas que passavam quase que voando perto dela como se ela fosse um nada. O que restava agora era fazer o reconhecimento do lugar e encontrar algum abrigo para passar a noite já que as merrecas que economizou já estavam quase no fim depois da viagem de trem.

Caminhando exaustivamente pelo que acreditava ser horas, ela ao longe viu um grande local que era impossível passar despercebido, parecendo abandonado. (Seu nome) se aproximou empurrando a grande porta de ferro tomada pelo ferrugem e entrou no lugar depois de ter ouvido o chiado alto ao que a porta liberou seu caminho. O local era imenso e de fato estava abandonado, havia algumas caixas de papelão em um canto e mais nada em volta.

Cansada, (seu nome) largou a bolsa no chão e deixou seu corpo cair sobre as caixas, mas algo estranho estava sob elas, um corpo. Assustada ela gritou alto fazendo com que sua voz ecoasse pelo imenso vazio e o corpo que inicialmente ela achou estar morto, levantou rapidamente a deixando mais assustada.

— Que merda está acontecendo?

Um garoto também assustado parou há alguns metros de distância olhando (seu nome) como se estivesse diante de um fantasma. Eles pareciam ter a mesma idade, mas o garoto tinha alguns bons centímetros a mais que ela.

— Meu Deus… — com a mão no peito, (seu nome), deixou seu corpo cair sentado no chão.

— Ei? Está passando mal? — o garoto inclinou a cabeça para o lado parecendo preocupado.

— Foi um grande susto. — (seu nome) disse depois de alguns segundos em silêncio, de olhos fechados.

— Sim… Você quase nos matou. — uma risada engraçada e um tanto escandalosa ecoou fazendo (seu nome) abrir os olhos só para poder ver o garoto tapando a própria boca, envergonhado.

— Sua risada é engraçada. — ela riu fazendo com que ele risse também, só que mais contido dessa vez.

[…]

— Então quer dizer que tem um desconhecido atrás de você? — Harry perguntou tentando entender a história que acabou de ouvir.

— É… Ele me mandou algumas mensagens dizendo que eu precisava morrer, que eu não seria a única da minha família a ficar viva.

— Claramente um psicopata. — Harry concluiu — Então seus pais são mortos? Eu sinto muito.

— Não, quer dizer, mais ou menos. — (seu nome) se embolou deixando Harry confuso — Meus pais biológicos são mortos pelo que o cara das mensagens falou, mas eu tenho meus pais adotivos.

— Isso é bom, quer dizer… Em parte.

Os dois ficaram alguns minutos em silêncio comendo alguns biscoitos lado a lado sobre alguns dos papelões, e com um cobertor velho de Harry sobre as pernas. Eles já haviam conversado o suficiente para saberem o nome um do outro e a idade, Harry era apenas um ano mais velho que (seu nome), com dezesseis anos. Eles também já haviam tido tempo de reparar nas características um do outro e agora compartilhavam um pouco de suas histórias.

— E você? Por que está aqui?

— Bem… Eu não tenho um motivo grande como o seu, eu briguei com a minha mãe por causa do meu padrasto e resolvi sair de casa. — Harry deu de ombros falando tudo naturalmente.

— Quer me falar o que aconteceu? — (seu nome) olhou para o lado podendo ver o perfil do garoto.

— Não foi nada demais… Ele queria fazer de mim um pessoa que eu não sou e minha mãe não foi capaz de ficar do meu lado. — ele explicou vagamente — Faz três dias que eu encontrei esse lugar.

— Que bom que eu encontrei você. Eu estava pensando que ficaria sozinha por aí por muito tempo. — (seu nome) sorriu ganhando o sorriso de Harry em troca.

— Estava bem chato ficar solitário aqui, eu já estava começando a falar sozinho. — os dois riram juntos.

[…]

— Vamos lá, (seu nome)!

Harry puxava a mão de (seu nome) enquanto caminhavam apressados pelo corredor de um velho hotel. O local ainda funcionava e sempre que podia, Harry dava um jeito de entrar, pegar escondido a chave no carrinho da camareira - que fica no corredor enquanto ela está arrumando um dos quartos - e entrava por alguns minutos para tomar banho.

— Eu estou indo o mais rápido que posso…

(Seu nome) estava cansada, o galpão não era tão próximo do hotel e eles tiveram que chegar ali a pé não tendo tempo para descansar e já entrando rapidamente para não serem pegos. Quando os dois atravessaram a porta do quarto, (seu nome) suspirou aliviada que teria algum tempo para descansar.

— Eu vou tomar banho primeiro, descansa que quando eu sair, você vai. — (seu nome) assentiu se deitando na cama e quase gemendo por tão confortável que estava — Não se esqueça que não podemos fazer barulho.

Harry sumiu porta do banheiro adentro e (seu nome) fechou os olhos imaginando o que seria dela se não tivesse cruzado com ele logo no primeiro dia. Ele estava sendo muito atencioso e cuidava dela como se fossem uma família, nunca disse nada que a deixasse desconfortável e não tentou nada com ela nos dois dias que estiveram juntos.

Não demorou muito para que Harry saísse do banheiro e a cutucasse para que fosse logo, eles não podiam ficar ali muito tempo já era a segunda vez que iam no mesmo lugar tomar banho e isso não era seguro, eles poderiam ser pegos a qualquer momento.

Harry se sentou na cama olhando ao redor desejando ter dinheiro suficiente para oferecer um quarto confortável como o que estava à (seu nome) e não apenas papelões e um velho cobertor. Aquele não era o quarto mais bonito ou luxuoso, mas com toda certeza era melhor do que um galpão abandonado e aquela garota no banheiro merecia mais, ele merecia mais.

Batidas na porta o fizeram despertar de seus pensamentos e correr para a porta do banheiro batendo de leve para quem quer que estivesse no corredor não pudesse ouvir.

— Já estou terminando. — a voz de (seu nome) saiu abafada pela porta e Harry temeu dizer algo e ser ouvido.

— Sabemos que estão aí. Abra a porta antes de termos que abri-la do nosso modo. — era a voz de um homem e por um instante Harry pensou se não seria o que havia feito (seu nome) fugir — Nós avisamos! — a mesma voz disse após alguns segundos em silêncio.

Harry continuou parado em frente a porta do banheiro como se quisesse proteger a pessoa que está lá dentro e logo pôde ouvir um baque na porta, sendo seguido de outro que a fez bater no canto da parede revelando dois policiais.

— Onde está a garota? — um dos homens perguntou enquanto entravam no quarto.

— Eu estou sozinho aqui. — Harry disse rapidamente e para desmenti-lo, a porta do banheiro abriu atrás dele.

— Sua mãe nunca o ensinou a não mentir para a polícia? — um dos homens altos e forte, segurou Harry pela nuca o levando para fora do quarto.

— Para onde vão levá-lo? — (seu nome) tentou passar pelo homem que ficou no quarto e teve o braço segurado pela grande mão.

— Ele ainda não sabemos, mas você vai para sua casa. — o homem começou a levá-la para fora do quarto.

— Eu quero ficar com ficar Harry! — ela tentou se soltar, mas foi em vão.

— Enquanto você foge com o namoradinho, seus pais estão morrendo de preocupação atrás de você. — os dois saíram do hotel e (seu nome) pôde ver Harry algemado no banco de trás da viatura.

— Eu passei um rádio para delegacia. — o homem que havia levado Harry disse ao que ainda segurava (seu nome) — O garoto é menor e também fugiu da casa dos pais.

— Eu vou levá-la de volta e você leva o garoto. — o homem colocou (seu nome) dentro da viatura travando as portas. — O romancezinho acabou.

Enquanto a viatura deixava o local, (seu nome) pôde ver a imagem de Harry pela última vez sendo embaçada pelas lágrimas em seus olhos. Eles haviam se tornado parceiros, cúmplices, e agora estava tudo acabado.

[…]

— Você deveria ter nos dito, foi muito mais arriscado você sair de casa sozinha. — o pai de (seu nome) estava um pouco alterado por causa da angústia de ter a filha sumida por dias — Nós encontramos o seu celular e levamos a polícia, não foi difícil para que eles encontrassem e prendessem no homem que mandava as mensagens.

— E quem é ele? — (seu nome) perguntou abatida e com a voz baixa.

— O seu pai biológico… — sua mãe começou — A mulher que te deu a luz, traiu o marido com esse homem e se recusou a ficar com ele depois. Ele estava obcecado, ele a matou e estava atrás da criança que no caso é você.

— Poderia ter acontecido uma coisa muito ruim por não ter nos contado das ameaças, filha. Por favor, não faça mais isso. Não nos deixe sem notícias suas. — seu pai implorou.

— Eu mentiria se dissesse que estou arrependida. — os olhos de (seu nome) se encheram de lágrimas novamente — Eu conheci uma pessoa que cuidou de mim mesmo sem me conhecer, mesmo sem ter nada em troca, como vocês ao me pegarem naquele orfanato. Mas agora eu não sei como ele está e eu acho que não o verei nunca mais. — (seu nome) limpou as lágrimas que escorreram por seu rosto — Eu vou… Para o meu quarto.

Em passos lentos (seu nome) caminhou até as escadas e subiu degrau por degrau com os olhos fixos no chão e os pensamentos presentes em Harry. Ela não sabia se ele estava bem ou se teve problemas maiores, ela não sabia como encontrá-lo, apenas queria voltar no tempo em que estiveram juntos e pausar o naqueles momentos.



Espero que tenham gostado… ❤

Me falem o que acharam do 1s 😊

- Tay

Depois de tanto massacrar meus pensamentos, ainda atordoada, lembro-me de sair do meu quarto - o lugar mais seguro do universo - e ir lá fora. O céu estava nublado, não havia nenhum feixe de luz. Nada. Senti algo encostar na ponta do meu nariz e em seguida cair. Isso se repetiu de novo e de novo. Estava começando a chover. Eu pensei por um momento assistindo as gotas atingirem o chão violentamente no quanto eu odiava carregar o fardo de pessoa que sempre se importava. Deitei-me na grama e fechei os olhos. Tive a impressão de ouvir meu coração bater cada vez mais devagar, senti medo por um momento que ele simplesmente parece de bater por estar cansado. Então meus olhos se abriram e eu ainda estava sozinha. Ninguém entenderia se eu tentasse explicar o que estava sentindo. Mas sabiam. Não queria contar ao mundo que estava enfrentando um dia péssimo, porque eu não era a única pessoa a sentir vontade de desaparecer, e uma gratidão imensa por não desaparecer.
—  Os porquês de Amélia Roswell.
Àquele que receber minha córnea,
Eu o desejo visão, mais que a transmissão da luz em teus olhos pode dar, uma visão diferente, que vai inundar a retina de tua alma e te fazer perceber que enxergar vai além do que teus olhos alcançam. Desejo que veja esperança quando tudo parecer desabar, desejo que veja qualidades bem mais que defeitos, que use tuas habilidades para tornar o mundo um lugar melhor, que seja justo ainda que a dificuldade te faça pensar em “oportunidades” mais fáceis, que não desista de si mesmo e ensine os outros a não desistirem.
Eu desejo que enxergue a vida como um espectro luminoso, as pedras no teu caminho são como feixes de luz branca, você precisa direcioná-las na face do prisma óptico (mundo) e curtir a refração. Não vai demorar até encontrar a frequência que é tua por direito.
—  Derek Whitle em; Doador de Órgãos
Morte às Estrelas

O céu da tua boca era
Como constelações inteiras.
Mas então, essa fusão de sentimentos em ti
Causou este lindo e catastrófico fenômeno:
A reação em cadeia, milhares de supernovas.
Despencavam em feixes brilhantes
Tão belo quanto horrendo era ver
A morte de suas estrelas
O fim de nosso céu.

R. Nery

Você está certa. Eu nunca amei ninguém, eu nunca senti nada, mas você é o único fio de esperança que eu tenho. Eu estou com medo que você se afaste e eu volte a ser o que era antes. Vazio. Completamente vazio e destruído. Eu vou embora, se você quiser. Eu sei que eu já fiz muito coisa errada, eu não queria te magoar, mas eu acabei fazendo isso indiretamente e sem consciência. Você não vai me perdoar, e, agora, eu não quero o seu perdão. Eu quero que você saiba de uma coisa: eu te amo. E eu esperarei por você, até que você esteja pronta para me perdoar. Eu vou parar de te encher com as minhas merdas, se você quiser. Eu sou meio perturbado, você sabe disso, mas eu quero ser melhor. Por você. Se você não puder me perdoar agora ou daqui três anos, eu vou esperar. Leve o tempo que for preciso, me magoe se quiser. Eu não ligo, eu te entendo. E apesar de tudo, eu te amo porque você me entendeu quando ninguém mais pôde.
—  Eu me chamo Anônimo.
Um dia você está semeando suas sementes com choro, Mas no outro você vem colhendo seus feixes com cânticos de alegria, Mas os feixes que trazem alegria demandam a semente com choro.
—  Laura Souguellis
singularidade

você é como um pedaço de céu
enclausurado num corpo humano
um feixe de luz
no meio da escuridão
clarão que me abstrai
da tristeza lá fora
mesmo eu sendo o passarinho
tu quem me ensinou a voar.

Chuva Estelar

Feixes de luz desabam do céu
Oh, sim. Eles chamam.
Uma chuva de feixes brilhantes desabam
Como estrelas caindo do céu.
Oh, sim, eles desabam.
Como estrelas mortas sobre a terra
Queimam e incendeiam a terra
Antes de apagar
Oh sim, bonita chuva apocalíptica
Sobre a relva
Incendeiam sem queimar
São estrelas apagando
As estrelas no meu olhar.

R. Nery

Não me lembro bem quando isso aconteceu, mas certo dia o sol veio, bateu com força em minha janela e adentrou pela pequena fresta que ali existia e iluminou parte do meu corpo que ali de encontrava estirado ao chão.
Em insanidade ali me encontrava, jogado, abandonado as traças mais só que a solidão. Compreende?
Ao sentir meu corpo esquentar com aquele feixe de luz, me olhei, vi de perto todo aquele amontoado de células, moléculas e derivados.
Sorri, como se ali eu pudesse ver a coisa mais linda que existia no mundo. Eu.
E pensei, quem mais poderia me amar se não eu mesmo? Quem poderia estar ali para mim se não eu? Quem me sustentaria em dias de morte e nada? Quem aguentaria as minhas histerias, neuroses, paranóias e meus dias de solidão acompanhada? Eu.
E foi assim que descobri o quanto existe amor em mim por mim mesmo e que amor maior que este não há.
Naquela manhã despretensiosa conheci o amor, um dos mais bonitos, leves e sem cobranças.. O amor próprio.

Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”. Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres. Senhor, restaura-nos, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto. Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes.
—  Salmos 126:1-6

Suspenso no espaço
Matéria modelar
Feixe luminoso reverso
Brilho da instância elétrica
Suspiro descargas pulsantes
Sou molécula de um elemento só

Talvez antipatia tenha virado meu sobrenome e a solidão, minha segunda casa. Não é algo que eu optei ser ou um estilo de vida que aderi. É mais questão de sobrevivência mesmo, sabe? Não quero engasgar? Não como. Não quero tropeçar, não ando. Não quero morrer? Não vivo. É um jeito radical de ver as coisas, sem dúvidas, mas é rota de fuga, é desespero, é a última saída. Meu corpo cansa de levar bala perdida, então vira escudo, vira bicho, vira do avesso e começa do zero. Do zero, vira bala e sai matando a vida.  Cortando inimigos, cortando com um feixe de luz o escuro que habita minha alma. Cansa ser a última opção o tempo todo, o bonzinho, o ombro de todos e não ter apoio. Quero ser errado sem perder pessoas por isso, quero gritar sem me sentir culpado, quero alguém que volte depois de uma discussão e que, mesmo certo, peça desculpa. Quero ser a saudade de alguém, a falta, a necessidade. Não quero ser apenas abrigo em tempestade, quero ser moradia. Quero motivos para dar vida a minha vida.
—  Jadson Lemos. 
Na noite menos estrelada, lá está você esbanjando luz. Como alguém que parece querer engolir todas ao seu redor, se comporta de modo arrogante. De qualquer que seja a esquina, de olhos fechados ou não, um feixe de luz invade os lugares mais abandonados de minh'alma. O silêncio proposto pela tua presença é uma baioneta cravada em meu peito árduo. Mesmo que sirvas somente como uma capa para toda a minha desilusão, teu aconchego me traz paz na mesma velocidade que destrói cada célula presente em meu corpo. Meia dúzia de carícias e um par de olhos azuis são o suficiente para desajeitar mais ainda a vida de seja lá quem preso no deserto de suas confusões.
—  Baden-Württemberg, 99.
Os tempos difíceis não duram para sempre
Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes.
Até os tempos mais difíceis passam. A alegria de Deus sempre vence.