falo de amor

Ela pensa que sou revolucionário e interessante, francamente!
Esperar tais coisas de mim é bobagem. Sou lunático, excêntrico, visionário, quase um desastre, quero amores duradouros porém sou instável, amo pela arte da dedicação, pelo prazer.
Gosto de estar livre, bebendo em bares e esquinas, recitando sobre a vida que não conheço. Bastante fajuto.
Não possuo nem religião, apenas acredito em forças superiores, atrações mentais, almas predestinadas, forças sobrenaturais.
Escrevo sobre minhas paixões por detalhes, momentos e outras trilhões de insignificâncias, vivo com a cabeça nas nuvens e a minha essência emotiva em relação a vida é incurável.
Cara a cara sou inconveniente, quero falar sobre sexo, critico a política, faço piada interna e quando algo não me interessa me torno apático e sem sal.
Sou atrapalhado, leio as placas da cidade por onde ando.
As vezes esbarro em alguém enquanto caminho olhando pro céu.
Em meus surtos poéticos falo de amor com graça, na prática tento ser romântico e clássico, por outro lado gosto do que é impróprio, do que me parece convidativo e descomunal. Sou uma alma revertida pelo amor ao pecado.
Já fui idealizador de amores, atualmente possuo apenas uma lista de fetiches, vai de sexo a conversas intelectuais, tenho paixão por mentes dispersas.
Me deixo vencer pela curiosidade em entender os mundos submersos dentro de nós.
Essa é a minha maneira sutil de estar interessado. Pois gente vazia me gasta, me cansa, já o intenso, ele me extasia.


Ela também acredita que sofro escassez de sensibilidade.
Ah, 50% correto!

No entanto, eis a única verdade universal; o meu estereótipo de amor ideal foge de qualquer clichê. Tenho pavor da vida monótona, isso me desgasta, me consome e então a solução é simples, a gente se reinventa, eu me refaço, crio os roteiros do cotidiano de mil e uma formas distintas, saímos dos trilhos, em rumo a qualquer lugar e circunstâncias longe da mesmisse. Fazemos da vida, uma arte incansável.
Assim como qualquer outro já fui machucado, mas essas são as consequências de amores mal sucedidos, hoje eu carrego apenas o aprendizado, não sou desacreditado, certamente apenas agradecido. Agora dispenso promessas, sou um eterno apreciador de boas ações.
E após todas essas grotescas revelações, se ela não mudar de opinião, eu vou convida-la pra despir sua alma pra mim, tomando um café, uma dose de álcool, ou até mesmo quem sabe, uma simples dose de vida.

Somente sobre o amor.

É interessante a forma como o amor chega em nossas vidas. E não falo do amor fraterno, de pai, mãe ou irmão. Falo do amor avassalador. Que chega sem ao menos bater na porta. Quando você menos espera. Quando nem preparado você está. Queremos fugir dele. Evitar decepções. Queremos que seja somente algo passageiro, algo que nos torne melhor mas que não fique por muito tempo para não nos acostumarmos. Mas o amor, meu amigo, é simplesmente o amor. Como eu disse, ele não tem hora para acontecer. Para aparecer. Ele vem e te faz engradecer. Sem se importar se você conheceu o outro em uma semana ou em um mês. Quando se der conta, simplesmente aconteceu.

A conexão começa a ficar evidente. O beijo, enlouquecedor. Os dedos, se entrelaçam de uma forma, como se fossem um quebra-cabeça onde o simples toque faz o seu mundo estremecer. Sem dizer na troca de olhares. Quando os olhos do outro se tornam uma fonte de sossego. Que o abraço dele(a), será o local onde você irá querer ficar para sempre. Mesmo que o “para sempre” ainda possa significar muito ou pouco tempo, ou mesmo que você ainda não acredite no infinito. Mesmo assim, irá começar a acreditar. Você começará a perceber, que ao ouvir uma piada, ou algo engraçado, irá querer compartilhar com o outro. Perceberá, que até algo que tenha acontecido no seu dia, que não passará de ser nada mais, você irá contar ao outro. Sentirá a energia correr pelas veias, e sentirá o peito doer todas ás vezes em que será necessário dizer adeus.

Quando juntos, nada mais será tão maravilhoso, tão engraçado, tão estranho e ao mesmo tempo tão bonito! E você sentirá lá no fundo, que agora sim, a vida faz sentido. Que os sorrisos serão mais frequentes que as lágrimas, e terá certeza de que, aquele abraço, será o único lugar que você sempre irá desejar voltar.

romancista de quinta

por que ninguém me ouve?

é um alívio e horrível ao mesmo tempo saber que existem milhares de outros e outras passando pelo mesmo que você

que não tem nada de especial,por mais que alguém tente te convencer disso,alguém também tentou convencê-lo,entende?

é estranho pensar que eu só quero poder correr e correr numa rua vazia enquanto o vento sopra sutilmente meus cabelos curtos

e depois fitar incansavelmente o pouco das estrelas que sobraram no céu escuro,enquanto toca lana del rey no fundo

eu aprendi a querer as coisas bonitas,tristes,longas,dramatizadas,melancólicas mas,sempre bonitas.mesmo não tendo certeza do conceito de bonito

ás vezes queria ser ignorante como aquelas pessoas do lado, por que seria bem mais fácil do que me agredir diariamente com questionamentos que eu queria muito que não fizessem sentido.mesmo não tendo certeza do conceito de sentido

eu não falo de amor o tempo inteiro mas quando falo,é o clichê que mais me conforta e me faz acreditar que eu também faço parte de tudo isso,de todos os outros,de todas as partes que não tenho certeza se são reais.até porque também não tenho certeza desse conceito

ninguém me ouve,mas vou tentar ouvi-los

19,novembro,2016

Eu só queria um pouco de amor. Não qualquer tipo de amor, como de família, de amigos, acho que esses são importantes, mas não são independentes. Pra que seja completo, você tem que ter um pedacinho de cada amor, senão não dá certo. E é nesse ponto que eu me ferro. Não é drama, eu sei que parece ser drama, mas não é. É só um desabafo, uma súplica talvez?! Talvez. Mas eu queria alguém que entendesse o quanto nessa vida eu já recebi um copo vazio que prometia estar cheio na volta, e eu não falo de bebida, nesse caso o copo ia vazio, nunca sobrou uma sequer gota de álcool em meus copos por aí. Eu falo de amor, amor, não é esse o foco disso tudo?! Então, eu queria saber como é esperar uma ligação no fim do dia só pra saber como foi tudo, planejar futuros meio loucos, nome de filhos que talvez nem existam, lugares e casas que talvez nem sejam construídas. Mas eu só queria sentir isso, queria que alguém me desse isso, mas não faz pouco tempo que meu estoque de amor se transformou em mágoa e a única coisa que reconhece meu verdadeiro ‘eu’, é o espelho. E eu tenho medo disso. Tenho medo de chegar por aí e ninguém me reconhecer, não digo fisicamente, mas espiritualmente, porque querendo ou não, esse negócio de amor meche com tudo que você pensou um dia ser correto. E hoje eu não paro de pensar nisso, em como minha vida seria diferente se eu estivesse nesse momento esperando alguma ligação, e não esperando mais um dia como qualquer outro. O amor transforma os dias em algo que está fora do seu auto-controle, e eu ando tão auto-controlada, que me preocupa. Eu não choro mais, sabe o que é ver que isso não faz mais sentido?! Eu chorava pelo motivo de não ter por quem chorar! Olha que vida mais medíocre uma pessoa pode chegar a ter. E eu não vejo fim nisso, a luz do fim do túnel queimou e o eletricista não se deu o trabalho de trocar… É difícil, eu sei, mas se eu tivesse amor, talvez ele pudesse concertar a luz.
—  Parece que o amor é a única coisa capaz de nos salvar.
Te escrevo e você nem sabe. Te conto segredos, canções. Te falo de amor e mais, te anseio em silêncio. Te compartilho medos, defeitos, pois sempre acreditei que despir a alma por inteiro, dos sinais é o mais bonito de gostar. Te guardo num cantinho que é só nosso, construo versos e estrofes pra falar o que em voz alta não consigo. Te coloco um lugar que vale mais que ouro, pois em minhas orações é que trilho os caminhos que Deus nos abriu. Te rio e juntos somos oceano, te escrevo e já somos história. Te faço em verso e regresso sempre que acho em mim erro, me refaço sem medo pois quando é por amor, pedir perdão faz de singulares um inteiro. Me esqueço nas curvas do teu riso, nos olhos semiabertos ante a fala demorada e risonha é que faço morada. Repouso tranquila no refrão que nos conta, e sempre que tua essência me desmonta, sei: Deus é fiel em, a nós, nos dar.
—  De verso e alma, escrevinhei. Carta nº 5.
Sabe qual é meu problema? Meu problema é o teu sorriso que me deixa desnorteada, teus olhos que me fascinam, teu jeito autoritário, mas ao mesmo tempo de menino obediente, tuas manhas, tua carência momentânea. Meu problema é você ser tão complicado, que me faz querer te entender, quando na verdade eu nem me entendo. É tu me fazer querer ter planos de uma vida contigo, quando na verdade eu nunca quis ter um vida com ninguém, é você ser o primeiro rosto que eu imagino quando fecho os olhos, e o teu nome ser o primeiro que me vem em mente quando falo de amor. Esse é o meu problema, você me fazer ser tão plural, logo eu que sempre fui singular.
—  De Goiânia a Salvador

a gente precisa vez ou outra recordar porque escolheu determinada pessoa para ser nosso ponto de paz mesmo que seja tão injusto e infeliz atribuir tanto peso a alguém.
eu digo peso, mas falo de amor. nessa hora percebo que o amor pesa. e nunca quis te colocar nenhuma amarra, mas me atei a você.
é assim que eu sinto, é assim que tomo consciência do meu sentir: como um laço. capaz sim de te ver indo embora, batendo a porta, descendo as escadas e indo em direção a uma outra história.
eu saberia me despedir de você quantas vezes fosse preciso se eu soubesse, simplesmente, que você continuaria por aqui.

a gente precisa vez ou outra recordar porque escolheu determinada pessoa para ser nosso ponto de paz, mesmo que seja tão injusto e infeliz atribuir tanto peso a alguém. eu digo peso, mas falo de amor. nessa hora percebo que o amor pesa. e nunca quis te colocar nenhuma amarra, mas me atei a você. é assim que eu sinto, é assim que tomo consciência do meu sentir: como um laço. capaz sim de te ver indo embora, batendo a porta, descendo as escadas e indo em direção a uma outra história. eu saberia me despedir de você quantas vezes fosse preciso se eu soubesse, simplesmente, que você continuaria por aqui. todo adeus é passível de sobrevivência. a morte é mais que adeus.

tcd.

A tal da esquizofrenia

vivo estagnada parada no tempo tentando me encontrar
já não me aguento mais
ouço sussurros em meus ouvidos de pessoas que não existem mais neste plano carnal
às vezes tento compreende-las mas cada vez que tento decifrar estes códigos eu fico cada vez mais louca
meu psiquiatra fala: isso é esquizofrenia
minha mãe fala: isso é espiritual
e eu falo : socorro pelo amor de Deus alguém me ajuda, não aguento mais
mas ninguém me ouve, ninguém me ajuda
me enchem de seus remédios que me deixam dopada, chapada e sem emoção
nem a melancolia que era minha amiga vem me visitar
esses remédios fodem comigo, e não é uma foda boa

Uma quarta-feira, agosto, em casa no quintal. Puxei uma cadeira e fiquei ali à pampa. Café de Flore no ultimo volume se misturava com o som dos pássaros.
Mas na minha mente seu sorriso demente, não me fazia esquecer o som da sua voz.
A música mudou e veja só, você não me encontrou. Lisztomania (Vanillia Bootleg) pulsava em meus ouvidos, viajei e lembrei de fevereiro, não falo de amor pois não sei amar, mas se existe alguma forma de explicar o quão bem me sinto quando estou contigo, meus conceitos sobre o amor correriam perigo.
—  Gabriela Piragibe
Eu busco no horizonte os sonhos que deixei pra trás por não saber viver, e hoje eu falo de amor pos ontem eu te digo amigo, vivi na dor sem exitar.
—  Os dias correm, somem e como o tempo não vão voltar…
O amor é cultura maldita, este empecilho que não te deixa levantar da cama, e torra seu dinheiro em cigarros e drogas pesadas, que segura a sua mão e digita a mensagem, que desenha o corpo da letra no caderno pardo, no corpo molhado que vira estrofe, poema e quiçá,  conto, o amor é essa erva daninha que mata as margaridas e torna o chão árido, que encobre o peito e suga o leite que não lhe pertencia, o amor é esse caos de vinte minutos que virou transa, e agora moramos juntos, é essa anedota que ninguém ri, que ninguém nota até ser invadido por completo, se falo de amor, é por besteira e falta do que fazer, porque essa é apenas uma definição chula e pessimista comparada aos grandes nomes, aos que dedicaram suas vidas com as bundas em cadeiras, e o peito pesado, com as letras nos olhos e as lágrimas no papel, eu não sou ninguém que merece ser amada, nem da forma mais niilista possível.
—  Larissa Céu