facebook:antonia

Empurro. Puxo. Quero. Vá. Espalho. Recolho. Varro. Não tente me entender. Não quero que seu laço vire nó. Nó na cabeça de tanto pensar em “como será?” Eu não sei. Essa bagunça nasceu comigo. Desde de pequena não sei se grito ou brinco. Imagina no amor? Pera, não imagine. Deixe esse pó de porquês no profundo. Deixe ele se acumular no fundo. Qualquer dia irei lhe pedir para ir, mas no fundo eu sussurro; fique, vai? Eu só quero alguém fixo. Só preciso de uma pessoa que não pense tanto. Apenas age ficando.
—  Os lamentos de Antônia.
Não falo. Acumulada me entalo. O que direi? Nem eu mesma sei. Não me expresso. Apenas me entrego a observar o passar de gente mudas, caladas e quase enterradas. São buquês de flores mortas. Flores embalsamadas em um belo laço de fita para a amanda. Pode ter graça, beleza, perfume no inicio, mas depois de um período as flores arrancadas  perde a cor, o valor. Beleza interior se tornou um buquê de flor?
—  Os lamentos de Antônia.
Guardou o coração no peito? Não. Na ponta dos dedos. E quem o achou? Aquele rapaz cheio de desejo. Amor? Não. Era carência, desespero. Pegou o pobre coração e o esmagou em suas mãos. Da emoção restou a dor. Fração de segundos para a decepção. Uma palavra mal dita. Maldita. Feridas. Palavras exageradas, dissimuladas, irritadas, apressadas. E o que restou? Lagrimas. Lástimas. Adeus.
—  Os lamentos de Antônia.
Novos sapatos, carros, roupas, casas, faces. Mascarás? Antigos cumprimentos. Bom dia, olá, como vai? desculpa-me… Ficaram esquecidos, perdidos? Amores descartáveis. Términos digitais. Olhos que não enxergam mais. Sorrisos rasos. Apenas movimentos faciais. Sentimentos não valem mais? Chorou. Ninguém se importou. Solidão? Ficou mais fácil de chegar aos corações. Cadê a mão amiga? O braço que acolhe? O sorriso que salva vidas? Ficaram trancados, amarrados na antiga gaveta da vida.
—  Os lamentos de Antônia.