existiram

Eu simplesmente segurei sua mão e tentei imaginar o mundo sem nós, e por mais ou menos um segundo fui uma pessoa boa o suficiente para torcer que ela morresse e nunca ficasse sabendo que eu também ia morrer. Mas aí eu quis mais tempo para que pudéssemos nos apaixonar. Creio que meu desejo foi realizado. Eu deixei a minha cicatriz.
—  A culpa é das estrelas.
Uma hora, a gente cansa. Cansa desse vazio, desse estado de não ter nada, desse silêncio que já não traz paz, das pessoas que não nos ligam, não nos procuram, dos amores que nunca existiram. A gente cansa das músicas, das memórias e até mesmo dos pensamentos; cansa de dormir, de não aguentar ficar acordado, de ter que aguentar mais um dia. A gente cansa dos amigos de mentira, cansa do celular que nunca toca, e do vazio que grita. A gente cansa.
—  Pedro Carlos.

Vendo o passado parecendo estrelado, me engano achando que foi tudo lindo, sentindo saudade de lembranças criadas por algumas fadas bem safadas, que nos convence de coisas que nem existiram, pois presta atenção, se fosse bom tava contigo e não um amor imaginado, gostoso mesmo é o presente que tem cheiro e dá beijo demorado. Ora, nem foi tão bom, mania boba ter paixão pelo passado.

A carência cega as pessoas. A carência te faz construir castelos de areia que nunca existiram (a não ser nos teus sonhos). A carência faz a gente não se reconhecer. Minha amiga, ainda dá tempo. Te olha no espelho e aprende: quem gosta de você te trata bem. Mas pra isso, aceita, a gente tem que se gostar. E muito.
—  Clarissa Corrêa.
E você me dizia: “Eu não vou te machucar, eu nunca faria isso com você, eu prometo.” e me jurava de dedinho.

Mas você mentiu, não foi capaz de cumprir com sua palavra. Você me machucou, e muito, várias e várias vezes. Noites mal dormidas, dias mal vividos.
E agora? Para onde se foram todas as promessas? Todas as juras? Se esvaíram por entre todo esse caos ou nunca existiram?
—  Essa é pra você, L.
Eu, Cecília

Não sei muito sobre discorrer banalidades de maneira encantadora, há muito além de recordações entranhadas em canções e enigmas nos livros de história. Tenho sentido como se tudo ao redor fosse superficial, nada chega até o ponto em que realmente toca. Sou incapaz de formar prosas vagas com momentos que só existiram no imaginário, mas tenho sim vontade de falar sobre o que se passa do lado de dentro. 
Escrevo como se houvesse destinatário preciso - talvez realmente haja, ainda que inconscientemente -, um amigo de décadas que jamais precisará responder qualquer carta ou bilhete pois sabe cada passo dado. A verdade é que me calei há tempos, não basta para mim o ato de viver enraizada num papel amarelado. Habito incontáveis roteiros e apenas neles, num universo doído, tenho forma.
Quis dizer para ninguém que silêncio não se assemelha com escassez de sentir, o tenho feito em excesso. Enfrento meia dúzia de fantasmas antes de adormecer e sigo. Os olhos ocos, o peito em chamas, continuo. Porque remendos alheios me doem como se fossem meus e o desassossego rodeia as beiradas da minha cama.
Dia desses não soube responder meus próprios devaneios sobre os motivos que nos fazem prosseguir e não desaparecer em meio ao calendário. Mas o que mais haveria eu - ou qualquer outro- de fazer, senão andar por aí como se cada pequeno suspiro do mundo não doesse?
Os pensamentos caminham em incontáveis direções, não há respostas suficientemente sãs. No meu peito mora a culpa por sentir em demasia cada resquício de vida que um dia passou e tocou, ainda que não o bastante para criar raiz. 
Pensei um tanto sobre idas e vindas. Sinto-me exausta. Já não sinto. Não sei responder devidamente os afagos e guardo o amor para não esquecer que vezenquando o peito se aquece com memórias bonitas.
Há cansaço no excesso e desalento em quem já não se permite esperar sequer um indício de afeto antes das seis.

G.

Mas até hoje, quantos “amor eterno” você já viveu? Dentro de uma vida, da sua vida, quantos pra sempre já existiram? Somos apenas uma montanha de imperfeição a procura de alguém que dessa vez realmente fique, mas enquanto não acontece, vamos colecionando amores eternos e pra sempres que duram uma noite.
—  Talita Milani.
Eu tinha medo de desistir por que acreditava que ainda era possível colocar as coisas de volta ao lugar, mas a vida não funciona tão fácil e simples assim, é possível trocar os móveis da casa várias vezes, as roupas surradas por algumas novas, mas não é possível trocar as memórias e as cicatrizes, não é possível esquecer todo o sofrimento e acreditar em novas palavras quando no passado existiram palavras diferentes no entanto, com o mesmo significado, não é possível acreditar em novas mudanças quando anteriormente houve pretensão de mudar e nada foi feito. Não é possível nutrir novas expectativas quando o coração já não tem mais espaço para novos remendos, não é possível dormir e acreditar que tudo não passou de um pesadelo. Não é possível tentar escrever uma nova história, quando já não resta mais folhas em branco.
—  Erikson Mercenas
a história sobre quando eu não me apaixonei

quando eu te encontrei, eu me apaixonei por você.
mas quando eu te conheci, eu não me apaixonei. 
eu me apaixonei por sua voz, mas eu não me apaixonei pelo forma como você falava comigo.
quando eu te encontrei, eu me apaixonei pelos seus grandes olhos negros, mas eu não me apaixonei pela forma que você a olhava.
eu me apaixonei pelo o teu corpo e pela tua pele, mas eu não me apaixonei quando eu descobri que eu não podia tocar você.
eu me apaixonei pelos seus gostos mesmo quando eu não sabia deles.
eu me apaixonei por nossas histórias que nunca existiram. 
eu me apaixonei pelas cores que meus olhos sequer poderiam enxergar.
mas quando eu te conheci, eu compreendi que você não podia me conhecer.
eu me apaixonei pelo o que inventei de você, não por você.

brendomarlone7  asked:

Eu sei que o contexto vai além. Mas específicamente em Mateus 18.18, o que Jesus queria dizer?

Comunhão, união. Infelizmente, Mateus 18.18-19 é um texto que tem sido usado como base para ajuntamento de religiosos com objetivos de cometer muitas barbaridades e declarar ações nefastas como se fossem realizadas segundo a concordância de Deus. Nem todo assunto que é concordado em oração aqui na terra é concordado por Deus lá no céu. Mas, na religião ao redor do mundo, durante séculos, existiram homens com a Bíblia na mão produzindo situações perversas, e declarando que agiam em acordo com Deus. E isso ainda acontece nos dias atuais. Quando um grupo ora ao Pai que está no céu, todos os presentes estão em pleno acordo, mas essa concordância não é compatível com a vontade divina expressada nas Escrituras Sagradas, tal unidade não pode ser considerada uma comunhão em torno do nome de Jesus Cristo. Em reuniões desse tipo Jesus não se faz presente em comunhão, e as orações não são atendidas pelo Pai. Deus continue te abençoando.

Nossa mente é tão brilhante que criamos personagens, cenas e roteiros que nunca existiram. Entretanto, a capacidade que temos de sonhar nos motivam de tal forma, que podemos fazer aquilo que jamais teve existência, se tornar a coisa mais viva que já vimos nesse planeta.
—  A mente de um sonhador.
Posso te pedir uma coisa? Uma única chance, me dê uma chance de mostrar que posso ser a sua única garota daqui pra frente, eu não me importo quantas garotas já existiram, só me deixa ser a sua última garota. Eu não me importo com quem você deu seu primeiro beijo, nem quem despertou o amor em seu coração. Mas eu sei que posso ser boa o suficiente para ser a sua última garota, porque eu vou dar o melhor de mim todos os dias enquanto o meu coração bater. Porque eu não me importo com o passado, a vida é feita de agora. E agora só existe nós dois, então deixa ser assim pra sempre? Porque eu escolhi você pra passar o resto da minha miserável vida que ganha um pouco de cor só porque você faz parte dela. Me dê uma chance, eu prometo fazer de tudo para não falhar com você.
—  Bianca Autran
Olhei para o teto, estagnei a esperança, meus desejos, fiz vários nadas. Pensei no medo, no remorso, na perda, em pessoas que achei significar a minha vida e momentos inesquecíveis que nunca existiram. Mas assim é, plantamos sementes, colhemos frutos de ilusões às vezes. Escolhemos parcerias, as certas, as erradas, daquelas que dão dó de tantos erros que embolam e enrolam por ai. Fui enrolado, por uma vida, por cauda de serpentes, abastado pelas minhas críticas, críticas que também pareciam inocentes. Críticas que outros faziam de mim, rumores da minha imaginação, ingratidão, dor, sarcasmo. Acreditar que sabia de tudo, em como amar, amar os outros, à si mesmo, à ninguém. E no fim, tudo que me ensinavam era aplicado com uma boa dose de má vontade. O teto me encarava, me consolava, parecia dizer para eu acordar. Mas ainda assim, não o ouvia, deixava ele no silêncio e por esta razão, perdi pessoas, perdi sonhos, embora acabei percebendo o que era certo ou errado. Ficar calado é bom, é uma virtude da alma, mas não faça isso, não sempre. Negligenciar palavras com pessoas é péssimo, perdê-las é fácil. Palavras ferem, e palavras não ditas ferem muito mais.
—  Emerson Mollin