eu........ curti

Sinceramente? Eu não tenho palavras para descrever o quanto a amizade é importante pra mim. Com você eu ri,chorei, briguei, senti ciúmes, desabafei, desabei, com você eu fiz loucuras, aprontei, curti, baguncei, os momentos mais inesquecíveis da minha vida, sejam eles bons ou ruins eu passei com você… Você me tornou uma pessoa melhor, me ensinou lições, me ajudou a superar meus medos, me ajudou ser menos orgulhosa, me ensinou a pedir desculpas, você me mostrou que tem pessoas no mundo que ainda valem a pena, e você é uma delas. A gente já lutou muito por essa amizade né amiga?, Tantas pessoas ja tentaram acabar com ela, mais tudo valeu a pena, uns 2 anos já em? Você não tem noção do meu amor por você, eu vou ta aqui sempre que você precisar, eu sou seu anjo da guarda, a minha missão aqui na terra e te proteger, é ta sempre ao teu lado.
—  Pra Sempre
Reblog 🌈

Quer ter suas autorias reblogadas de um jeito simples?

•Curtam essas DUAS fotos no insta da minha prima:
1

2

(VOU CONFERIR!)

•E depois mande na minha ask “ Seu insta pra eu conferir lá + Curti,Cami + #suatag”
Que eu vou reblogar 10 autorias suas!

NÃO MANDE SE NÃO FOR CUMPRIR!

Válido somente até AMANHÃ 07/07/17

6

(((lockscreens of sciles))) 

  • eu não curti tanto as 2 ultimas, mas sinceramente to sem cabeça p fazer algo melhor e faz quase 1 semana que já pediram, então, i’m sorry. 
  • just like.

ookashira  asked:

Eu curti que tem até como administrar quantos endings você conseguiu... e enquanto não aparece a do V, tentar pegar outros aqui... ♡

Nossa, tá muito organizado, eu tô passada! Aff, eu queria ter tempo pra jogar uma rota que não fosse a de Natal ou a do dia da mentira, eu até já decorei os chats huahuhushuas

oh cecilia voce quebrou minhas mãos fazendo 50 headers e mais esses icons que eu nem curti enfim da like que eu sei que voce pegar minhas headers quero creditos no meu twitter que eh triatanevans se for necessário 

eu ainda to abismada com esse tanto de header

Tumblrs de fotos que eu NÃO sigo, dêem like aqui, vou olhar o conteúdo( pois estou pelo celular),se eu curti eu sigo e é nós!!

One Shot - Zayn Malik

  • Pedido

- Hoje você vai poder jantar comigo? - Perguntei manhosa ao telefone, vai ver que com o meu tom de voz ele se comoveria.

- Não. - Respirou pesadamente. - Eu tenho três reuniões, (s/n). Impossível sair daqui a tempo pra jantar.

- Tudo bem.

- Me perdoe.

- Está tudo bem! - Eu tentava me convencer que realmente estava tudo bem.

- Mesmo?

- Não, Zayn! Não está. Quer saber? Eu cansei dessa vida, você não tem tempo pra mim, só fica enfurnado nessa empresa, resolvendo sabe lá Deus o quê e eu só vivo da agência pra casa, não tenho um divertimento, nada!

- Amor… - Pausou por um momento e o ouvir murmurar, só percebi depois que era com alguém, quando eu ia desligar ouvi sua respiração de volta próxima ao microfone do celular. - Eu preciso ir agora, mas vamos conversar sobre isso mais tarde.

- Mais tarde? Você tem certeza que não vai me contar que tem uma viagem marcada pra Vancouver?

- Como sabe disso?

- Não interessa. - Eu liguei pra sua secretária e com um pouco de persuasão eu consegui obter a resposta que queria.

- Andréa…

- E aí, Zayn? - Insisti.

- Eu verei o que posso fazer, okay?

- Fique com a sua consciência. - E assim desliguei a ligação sem esperar resposta alguma.

Eu respirava profunda e rapidamente, parecia que eu morreria de tanta adrenalina. Se eu queria contar pra ele que eu o traí, essa era a hora, estávamos brigados e eu teria a confirmação do motivo da traição estampado em nossas caras: sua ausência em minha vida.

- Senhora Malik. - A nossa empregada apareceu na porta da sala.

- Sim?

- Tem uma encomenda pra senhora lá na sala principal.

- Encomenda? - Ela acenou que sim com um sorriso enorme. Desci às pressas e me deparei com uma enorme cesta cheia de flores, era uma salada mista, tinha flores de todos os tipos e espécies.

- Veio com cartão. - Ela disse me fazendo rir. Oh mulher xereta.

“Gostaria de te pedir um milhão de desculpas, sei que não te dou a atenção que você merece, mas te garanto que você não sai da minha cabeça nem por um minuto. Eu te amo e te amarei eternamente.

Do seu louco apaixonado,
Zayn.”

Suspirei com um sorriso bobo no rosto. Meu Deus! Como eu contarei agora? Ele voltou a ser o homem fofo de dois anos atrás. Sentei-me no sofá e fiquei encarando todas aquelas flores em minha frente. Até que minha visão ficou escurecida, alguém havia tapado meus olhos, o cheiro inconfundível adentrou minhas narinas e eu apenas curti tudo aquilo.

- Seu cheiro ainda é o mesmo. - Falei sorrindo.

- E o seu também. - Meu marido disse após cheirar meu pescoço. - Faz tanto tempo que a gente não se curte assim.

- Culpa de…

- Vamos esquecer isso, sim?

- Sim. - Observei-o novamente e caramba… Que homem lindo eu tenho.

- Vem. - Pegou-me pela mão e me levou para o nosso quarto. Ao chegarmos lá Zayn logo atacou minha boca com sagacidade. Devo ressaltar que eu estava morrendo de saudade desse beijo dele. - Desculpe mesmo. - Coloquei minha mão em sua boca calando-o.

- “Vamos esquecer isso, sim?” - Tentei imitar sua voz e ele riu.

- “Sim.” - E foi a vez dele me imitar e me fazer rir.

Meu marido se concentrou em retirar minha blusa e minha calça, ele mesmo retirou toda a sua roupa e me deitou em nossa cama. Eu preferi ficar mais quieta e deixar que ele tomasse o controle de tudo. Logo suas mãos chegaram em minhas pernas e as ergueram até a sua cintura, Zayn fez um breve carinho em meus cabelos e sorriu enquanto me preenchia com cautela, só assim eu pude aproveitar melhor. Talvez esse tenha sido o seu intuito.

- Conseguiu matar as saudades? - Perguntei quando finalmente consegui respirar mais tranquilamente.

- Não. - Riu. - E você?

- Também não. Temos quanto tempo?

- Três dias, é o suficiente pra você amor?

- Nossa! - Arregalei os olhos. - Por quê?

- Você merece. Cancelei tudo pra ficar com você.

- Zayn. - Sentei-me na cama desconfortável. - Precisamos conversar.

- Depois, agora temos que matar a saudade de três meses. - Ele riu sentando-se atrás de mim, mordendo meu ombro e segurando meus seios.

- Por favor, eu preciso te contar. - Levantei da cama e vesti a sua camisa. - Não aguento mais guardar isso, você está sendo tão maravilhoso comigo

- Estou ficando curioso. - Ele arqueou as sobrancelhas e vestiu sua cueca. - Conte. - Respirei fundo.

- Posso falar tudo de uma vez? - Ele assentiu. - Promete que não vai me atacar ou algo do tipo?

- (s/n), fala logo. Eu nunca faria nada contigo.

- Okay. - Respirei fundo. - Eu te traí.

- O que disse? - Perguntei incrédulo após alguns minutos em silêncio.

- Zayn, me perdoa. Eu… Eu estava me sentindo sozinha, depressiva, você não dava a mínima pra mim, e o Connor me deu atenção, carinho, tudo o que você não dava há três meses…

- Isso é justificativa, porra? - Gritou levantando-se.

- A-amor, me perdoa, foi coisa de momento, eu estava fragilizada, estou totalmente arrependida e constrangida.

- Coisa de momento? - Segurou meus braços com força. - Você se comportou como uma… - Parou.

- Vadia. - Completei. - Eu sei, eu mereço que você me bata, me xingue, me odeie, mas eu te imploro Zayn, não me deixa. - Eu segurei seu rosto com minhas duas mãos e ele as tirou imediatamente.

- Zayn Malik é chifrudo. - Andou de um lado para o outro do quarto. - Chifrudo! - Gritou quebrando as coisas. - Quem é esse tal de Connor? Me diz.

- E-eu não…

- Vai dizer! - Gritou e em um minuto já estava bem próximo de mim. - E agora.

- Ele é da agência, mas eu o demiti anteontem.

- Por quê? Não queria repetir a dose?

- Não faz isso. - Eu já chorava sem parar. - Eu estou completamente arrependida.

- Fala, por que demitiu ele?

- O Connor estava me chantageando, disse que iria te contar tudo, então eu o demiti e dei um dinheiro a ele pra que ele saísse do país.

- Por isso o grande saque no banco. - Ele fechou os olhos e se afastou. - Eu achei que você queria comprar um carro novo. - Jogou um vaso na parede.

- A-amor.

- Fica quieta.

- Eu te amo.

- Cala a boca, (s/n).

- Por favor, eu não vivo sem você, eu… Eu não pensei nas consequências, eu estava precisando de atenção, essa é uma necessidade feminina, do mesmo modo que vocês homens sentem suas necessidades. - Toquei seu rosto novamente e dessa vez ele deixou. - Eu te amo.

- Você sabe que o que você fez não foi…

- Digno de uma mulher de respeito? - Ele assentiu. - Eu sei. Eu só preciso do seu perdão, por favor. - Zayn respirou fundo.

- Depois você vai me arranjar um jeito de mostrar uma foto desse filho da puta e quando eu ver ele… Nem vou te dizer, quero que seja surpresa.

- Zayn, não arranja encrenca pra você, meu amor. Deixa isso pra lá, vamos recomeçar do zero, sim? - Acariciei seus cabelos e o beijei, agradeci a Deus por ele deixar.

- Se eu pudesse fazer uma lavagem cerebral eu faria. - Suspirou e eu o acompanhei. Nos beijamos mais uma vez e eu acariciei seu rosto, eu tinha que fazer de tudo pra agradá-lo a partir de hoje. Zayn era meu bem mais precioso, eu não podia me dar o luxo de perder.

Jess

Capítulo 126 - Prioridades.

Chegando em casa - descalço e sem camisa -, encontrei o Felipe falando no celular, sentado no sofá da sala. Ele me olhou estranho, mas me cumprimentou
com um aceno. Caminhei até o final do corredor e vi o quarto do Fred e do Matt tava vazio. Os dois brigavam tanto pra ver quem ia ficar sozinho com o quarto,
e naquela hora não tinha ninguém. No meu quarto, o Dudu já tava dormindo na cama dele. Peguei uma calça velha e uma camiseta branca pra usar de pijama
e fui pro banheiro tomar uma ducha quente. Minha mãe sempre falou muita merda, mas o conselho de não dormir com roupa molhada pra não acordar
doente sempre funcionou comigo. Na última vez em que desafiei esse profecia, acordei sem voz e com a garganta arranhando. Então, mesmo bêbado, era
melhor tomar um banho e trocar de roupa antes de dormir.

O foda de tomar banho bêbado é que o banheiro todo fica girando, e o vapor quente dá uma moleza do caralho. Minha vontade era de sentar no box e dormir
ali mesmo, mas fui forte, me lavei, me sequei mais ou menos, coloquei as roupas e capotei.

Esqueci totalmente de programar o despertador pra ir pra aula. Até porque o Fred tinha feito o favor de me jogar na piscina e foder meu celular. Minha sorte
foi que acordei com o barulho que o Dudu fez ao derrubar a mochila dele.

Dudu: Foi mal, velho.
Eu: Que horas são? - cocei os olhos.
Dudu: 6h30.
Eu: Caralho, tu já tá saindo?

Reparei que ele já tava vestido pra sair de casa.

Dudu: Não tem nada pra comer em casa. Vou tomar café na rua.
Eu: Nossa, pode crer. Meu estômago tá ardendo de fome.
Dudu: E o meu de ressaca. Vou passar na farmácia também. - ele colocou a mochila nas costas. - Até depois.
Eu: Até.

Ele saiu do quarto e eu me sentei na cama. Meu estômago não chegava a arder de ressaca, mas senti que eu também tava um pouco enjoado. Precisava
comer alguma coisa antes de entrar na aula. Não sabia muito bem o que vendiam na lanchonete da faculdade, mas decidi arriscar e sair mais cedo de casa pra
comer por lá. Coloquei qualquer roupa, catei a mochila que eu tinha pegado emprestado do Fred e saí de casa.

O bom de sair um pouco mais cedo de casa era que a rua da faculdade ficava um pouco menos lotada. Ainda lotada, mas menos. Atravessei pra outra calçada e
caminhei até o fumódromo, que ficava em frente ao portão. Eu tava com fome, mas ver aquela galera fumando me deu vontade de fumar também. Parei ali,
tirei meu cigarro e isqueiro do bolso e achei que merecia pelo menos um antes de entrar. Qualquer coisa, se o tempo ficasse apertado, eu compraria o lanche
correndo e comeria dentro da sala. Na faculdade não tem tanta frescura quanto na escola. Já vi um moleque comendo pão de queijo na aula e a professora
nem falou nada. Mais um motivo pra gostar mais daqui.

Tava quase terminando meu cigarro quando vi o Matt chegar. Reparei que ele tava usando uma roupa diferente da de ontem. Não que seja fácil perceber
diferença nas roupas do Matt, já que ele tá sempre de xadrez ou de moletom. Mas aquela camisa xadrez vermelha era bem marcante pra mim, porque o Fred
sempre zuava ele de “Rufus, o lenhador” quando ele aparecia usando.

Eu: E aí.
Matt: E aí.

Ele parou do meu lado e coçou a cabeça. Parecia estar com sono. Eu ia perguntar “cadê tua sombra?”, mas achei melhor não puxar treta com ele.

Eu: Cadê a mina?
Matt: Ficou dormindo. - ele bocejou. - E o Fred, cadê?
Eu: Dormiu na casa de uma mina.
Matt: Porra. Deixei o quarto livre pra ele levar mina e ele foi dormir fora?
Eu: Ahh, qual é, Matt. Tu já saiu de casa pensando em dormir na Raíssa que eu to ligado.
Matt: Não, eu…
Eu: Tu trocou de roupa, parceiro.

Ele olhou pra si mesmo e ficou sem resposta.

Eu: Tu tá curtindo essa mina, não tá?
Matt: Ah, cara… - ele riu, sem graça. - Quer falar disso numa outra hora?
Eu: Por mim, nem precisamos falar. - dei de ombros e traguei o último suspiro do cigarro.
Matt: Eu to ligado que tu e o Fred são complicados com essas coisas.
Eu: Hãn?
Matt: É, tu acabou de ficar solteiro e o Fred tem fobia de namoradas. To ligado que vocês acham tudo isso uma merda.
Eu: Eu não acho nada, não, cara.
Matt: Então tá.

Ficamos em silêncio por uns segundos, olhando em volta. Quando eu abri a boca pra perguntar se ele ia querer fumar antes de entrar, ele falou antes:

Matt: A Raíssa já tinha me alertado disso.
Eu: Disso o quê?
Matt: Que vocês não gostam muito dela por causa de…
Eu: Ahhh, Matt. Não começa a entrar em onda de fofoquinha de mina, vai.
Matt: Aí. Tá vendo?
Eu: Não, velho. Por mim, na boa, faz o que tu quiser. O Fred pode xilicar mesmo, tu conhece ele, mas eu não to nem aí. Na boa.
Matt: Eu to falando de boa também, cara.
Eu: E eu preciso tomar uns 10 copos antes de ter essa conversa contigo, velho. Agora não é a hora.
Matt: Só to dizendo que eu to curtindo ela e tal, que isso pode ir pra frente e vocês têm que começar a aceitar.
Eu: Tu que tá escondendo o bagulho levando roupa pra casa da mina escondido. Não precisa disso, pô.
Matt: Eu quis evitar a fadiga.
Eu: Não é porque eu não vou a cara dela que eu sou contra tu namorar a mina. Só acho ela meio chata.
Matt: Eu sabia. Hahahaha. - ele riu, mas foi uma risada meio impaciente. - É só apertar que tu começa a falar.
Eu: Eu não sou duas caras, tu tá ligado.

Ele sacudiu a cabeça e ficou olhando pro portão. Parecia ter pressa de entrar.

Matt: Por que tu não gosta dela?
Eu: Matt, na moral. Não são nem 7h da manhã. Não é hora pra DR.
Matt: Eu to perguntando de boa, cara.
Eu: Olha aí quem tá chegando.

Apontei com a cabeça pra esquina, onde tava o Fred chegando com uma guria com cabelos compridos amarrados por dois dreads. Devia ser a que aceitou
recebê-lo às 4h da matina. Ele se despediu dela com um selinho e veio andando na nossa direção.

Matt: Ele tá usando tua camiseta?
Eu: Sim.
Matt: E teu tênis?
Eu: Sim… Só a calça que eu não sei de quem é.

A camiseta que ele tava usando já tava quase seca, só o tênis que ainda parecia meio molhado. A calça era preta e apertada, como as que ele curtia usar. Mas
definitivamente não era aquela que ele tava usando ontem.

Fred: Rufus, o lenhador. - ele apontou pra camisa do Matt.
Eu: Tu tá usando calça da mina?
Fred: To.
Eu: Porra, Fred.
Matt: Hahahahha! Não acredito.
Eu: Porra, tu come a mina e pede a calça dela emprestada depois. Que queima filme. Imagina ela contando isso pras amigas.
Fred: E daí? Eu mesmo compro calça feminina às vezes.
Eu: Noss…
Fred: E cara, tu não precisa se preocupar com a possibilidade de uma guria te queimar se tu fez o serviço direito. Posso pegar até o sutiã dela emprestado
depois de ontem.
Matt: HAHAHA! Se tu diz.

Vi que eram quase 7h e achei melhor entrar. Assim daria tempo de comprar alguma coisa na lanchonete. E foi o que eu fiz. Deixei os dois no fumódromo,
desci correndo até a quadra, escolhi o maior pão de queijo entre as opções e subi pra aula de escadas pra chegar mais rápido. Ficava no segundo andar.

Na sala, o Matt tinha guardado lugar pra mim na carteira do lado dele. Às vezes acho que a gente parece aquelas melhores amigas da segunda série, mas isso
não é examente uma coisa ruim. A aula era de Projetos I. Nem sabia que porra de matéria era aquela, mas a professora não tinha chegado ainda. Apoiei meus
pés na cestinha da cadeira da frente e fiquei quieto. O Matt também. A gente tava num clima meio estranho depois da conversa na entrada.

Não demorou muito pra Vicky chegar e se sentar na carteira da minha frente. E não demorou muito pra zuação começar também.

Eu: Falou, falou, falou… E pegou o Fred.

Ela virou pra trás pra me responder, já dando risada.

Vicky: Hahaha. Idiota.

Disse isso e virou pra frente de novo pra abrir a bolsa e pegar o material.

Eu: Tá certo, Vicky. Tem que curtir a vida.
Vicky: É, né? - ela virou pra falar comigo de novo. - Exatamente o que te falei no pub. Que ia levar a vida mais leve.
Eu: Isso aí.
Vicky: E ah, ele foi fofo. - ela sorriu. - Tipo, fofo do jeito dele.

“Fofo do jeito dele.” Devia ser isso que a Alícia sempre falava de mim pras amigas dela.

Vicky: E ele beija bem. - ela feio, meio tímida.
Eu: Vicky, não sou tua amiga. Não me conta essas coisas.
Vicky: Hahahaha! Desculpa. Não to acostumada a ter amigos homens. Ou tu que não tá acostumado a ter amiga mulher, né?
Matt: Os dois. - o Matt opinou.
Vicky: Eu só tava querendo justificar o possível erro que eu cometi ontem.
Eu: Erro nenhum. Estamos entre amigos.
Vicky: Por isso mesmo. Vai ser péssimo encontrar ele hoje. Vou morrer de vergonha.
Eu: Faz o que eu sempre faço quando tenho um problema: fujo.
Vicky: Hahaha.

E pra nossa infelicidade e preguiça, a professora chegou e começou a aula. E passou mais uma porra de trabalho pra fazer. Será que os professores não cansam de deixar a gente cansado? Eu fiz um trabalho até agora e já saturei disso.

A segunda aula foi de Criação I, e depois fomos pro primeiro intervalo. Enquanto eu e o Matt descíamos as escadas, me lembrei de que precisava falar com o Felipe sobre meu celular quebrado, pra caso o Digo tentasse me ligar e não conseguisse. Assim que chegamos na quadra, a Raíssa surgiu e abraçou o Matt, ignorando completamente que eu tava ali. Eu fiz o mesmo com ela e saí em direção à Atlética pra encontrar o Felipe. Eu já não ia com a cara dessa mina, e depois que ela começou a pedir confete dizendo pro Matt que eu não gostava dela, curti menos ainda. Enfia ele no cu. E ele pode fazer o mesmo. Os dois podem se enfiar no cu mutuamente, se isso for possível.

Confesso que tenho um pouco de náusea quando entro na Atlética, mas aquilo era necessário. Aquele monte de moleques de moletom azul e branco tentando parecer o Felipe até no jeito de falar me incomodavam pra caralho, mas de certa forma faziam com que eu me sentisse bem. Bem por não ser parecido com nenhum deles. Assim que botei os pés lá dentro, vi o Felipe sentado na mesa dele, no fundo da sala, se achando o “boss” e conversando com uns bixos. Eu sabia que eram bixos porque tavam com o cabelo raspado. Eu, o Matt e o Fred fomos os poucos sortudos a não perder os cabelos no trote. Se não me engano foi um pedido do Sick Boy, que arranjou a república pra gente. Até hoje não sei se ele é amigo do Dudu ou do Felipe, ou se é amigo de algum amigo deles. O importante é que eu tenho casa. E cabelo.

Eu: Ei, Felipe.
Felipe: E aí, bro.

Olhei em volta pra ver se tinha alguém ouvindo e ele percebeu minha desconfiança.

Felipe: Relaxa. Pode falar.
Eu: Avisa o Digo que eu dei PT no celular. Preciso de outro.
Felipe: Beleza. Vou ligar pra ele. Fica aí.

Ele tirou o celular do bolso e ligou pro Digo. Eu fiquei ali do lado esperando, meio deslocado, querendo ir embora. A Atlética ficava lotada de gente no intervalo, não só dos membros da entidade, mas também de puxa sacos. Terminada a conversa no celular, o Felipe falou comigo.

Felipe: Ele falou que sem problemas. - ele sorriu. - É pra gente passar lá hoje à noite que ele te dá outro.
Eu: Ah, é? Fácil assim.
Felipe: Sim. E aí a gente aproveita pra participar da reunião.
Eu: Que reunião?
Felipe: Algumas vezes no mês eles fazem essas reuniões, com parceiros, clientes… E ele quer que tu participe.
Eu: Ah… Tá.

Não entendi muito bem o motivo pra me chamar, mas concordei.

Felipe: Eu vou também.
Eu: Beleza.
Felipe: Umas 19h tu tá em casa?
Eu: To sim.
Felipe: Beleza. Daí a gente cola lá.

Concordei com a cabeça.

Felipe: Só isso?

Acho que sim. Agradeci, ele retribuiu com um sorriso grande e branco e eu saí de lá.

Na quadra, caminhei na direção do palco, onde o Matt e o Fred costumavam ficar, mas não encontrei nenhum dos dois. Quando tava indo em direção à sinuca, como minha segunda tentativa de achá-los, vi a Layla passando. Corri até ela e a segurei pelo braço. Ela virou assustada.

Layla: Calma, meu. - falou, impaciente.
Eu: Tu sabe por que eu não to calmo.
Layla: Eu falei que ia te pagar o restante hoje à tarde.
Eu: Tu tinha falado que seria hoje de manhã.
Layla: Não, eu falei à tarde.
Eu: Eu tenho certeza que tu falou “de manhã”.
Layla: Que seja. Eu só vou te pagar à tarde.
Eu: Porra, meu… Não fode. Eu to liso de grana por causa disso.
Layla: Isso já não é problema meu, né?

E parecia que a Layla que eu tinha conhecido naquele dia, na casa dela, tinha desaparecido. E dado lugar pra mesma Layla escrota e egoísta de sempre.

Eu: Considerando que tu me roubou, é problema teu sim.

Ela revirou os olhos.

Eu: Tu quer um problema? Se eu sair da aula à tarde e for pra casa sem o meu dinheiro, tu vai ter um.
Layla: Eu VOU te pagar.
Eu: To sem meu celular. Então eu te encontro na porta da faculdade às 18h.
Layla: Na porta da faculdade? Mais pala impossível.
Eu: Foda-se. A gente se encontra na porta e vai pra outro lugar depois.
Layla: Não acho uma boa.
Eu: Tu não tá em condição de escolher.

Deixei ela falando sozinha e saí. Se ficasse mais um segundo com aquela mina, eu matava ela.

O primeiro intervalo acabou e eu encontrei o Matt na sala da terceira aula. Ele também tinha guardado lugar pra mim, mas não me recebeu da melhor forma.

Matt: Onde tu passou o intervalo?
Eu: Na quadra.
Matt: Hm.

Ele pegou um chiclete no bolso e começou a mastigar, depois continuou:

Matt: Tu não ficou comigo por causa da Raíssa?
Eu: Matt, chega disso.

Vi a Vicky sentada do outro lado da sala e imaginei que, provavelmente, ela tinha conseguido se livrar de encontrar o Fred naquele primeiro intervalo. Eu, pelo menos, não tinha visto ele.

Eu: Tu viu o Fred no intervalo?
Matt: Vi. Tava falando com um cara da TV, aquele com nome de algum legume.
Eu: Anchovas.
Matt: Isso. Por que alguém tem o apelido de Anchovas?
Eu: Cara, a gente tem um amigo que se chama Pizza.
Matt: É. Como isso começou?
Eu: Eu também queria saber.
Matt: E também tem o Tomate.
Eu: Mas o Tomate é por causa do cabelo dele. Agora, Pizza… Não sei.

O Matt ficou quieto, provavelmente filosofando sobre aquilo.

Porra, acabei de lembrar que tinha combinado de encontrar o Luc e o Gab hoje à noite. E agora surgiu essa reunião bizarra do Z Club, da qual eu não devo poder faltar. Que merda. Ah, mas se é só uma reunião, não deve demorar muito. Eu sei lá, nunca fui numa porra de uma reunião, não sou um homem de negócios. Sou só eu, tentando vender umas paradas pra pagar minha faculdade. E nem isso eu to conseguindo… To devendo até as calças pro Z Club e a vaca da Layla ainda quer me passar a perna. Ela que me paga. Eu assalto aquela escola de dança da mãe dela se precisar. To pouco me fodendo. E pensar que por um dia eu achei que ela fosse uma guria gente boa. É uma falsa do caralho. Se fez de coitada pra eu aceitar receber a grana depois. Só não sei se vou receber agora.

A aula era dupla, então ficamos por duas horas falando sobre o mesmo assunto com o mesmo professor. Nem preciso dizer o quanto foi difícil não dormir. Quando deu o horário do intervalo, percebi o Matt meio inquieto.

Matt: Tu vai passar o intervalo comigo, certo?
Eu: Qual é, Matt? Tá brisando?
Matt: Não precisa me evitar por causa da Raíssa.
Eu: Se tu falar dessa mina mais uma vez hoje, eu não vou te bater, mas vou mandar alguém fazer isso.

Eu nunca bati no Matt e nem pretendia fazer isso, mas ele tava precisando.

Matt: Hahaha.
Eu: To falando sério.
Matt: Eu vou passar o intervalo contigo e com o Fred agora, beleza? Sem ela.
Eu: Não to te pedindo pra fazer isso.

Ele sacudiu a cabeça, rindo, e entramos no elevador. Até chegarmos no térreo, ele mandou mensagem avisando o Fred pra gente se encontrar no palco da quadra. Dito e feito, lá estava o Frederico Maia Johnson encostado no palco quando chegamos.

Fred: Que porra é essa? Reunião de condomínio?
Eu: O Matt tá na nóia.
Matt: Não, cara. É que eu tava a fim de passar um tempo com vocês.
Fred: Matheus, a gente mora junto. Eu durmo a 2 metros de distância da tua cama.
Eu: HAHAHA!
Matt: Beleza. Me conta aí do teu dia, Fred.

O Matt parecia estar realmente na nóia por causa da Raíssa, achando que tava ausente na nossa amizade. Pra falar a real, eu nem tava tão noiado com isso, mas ele é o cara profissional em evitar conflitos, então era isso que ele tava tentando fazer.

Fred: Eu comi um hamburguer, fui pra aula, dormi, comi outro hamburguer, fui pra aula, dormi, recebi uma mensagem gay tua e to aqui.
Eu: Que mensagem tu mandou?
Fred: “Fred, sempre nós três. Encontra a gente no palco.”
Eu: HAHAHA! Tu é muito boiola quando quer, Matt.
Matt: Porra, to tentando manter uma boa convivência. - ele pareceu inconformado.
Fred: Tá todo mundo convivendo bem, cara. Deixando o quarto livre três vezes na semana, pra mim já tá bom.
Eu: Só três? Tu já foi melhor.
Fred: Nos outros dias eu faço meus corres.
Matt: Ontem eu deixei e tu nem foi pra casa. Muito burro.
Fred: MANO, NEM ME LEMBRA! NEM ME LEMBRA! - ele deu um tapa na testa, fazendo drama. - Senão eu desisto dessa vida.
Matt: O que aconteceu?
Eu: Porra, lá vem…

Odeio ter que ouvir a mesma história duas vezes, ainda mais vindo do Fred.

Fred: EU TAVA LÁ, NA PISCINA, DAÍ… - ele contava como se fosse algo absurdo.
Eu: Fala mais baixo pelo menos.

E quando ele terminou de contar, o Matt riu da cara dele. Óbvio.

Fred: Tu ri, né, seu escroto.
Matt: Ah, pelo menos tu deu teu jeito depois.
Fred: A gente faz o que pode. Mas e aí, vocês viram ela na aula hoje?
Eu: Meio que sim. Ela tá na nossa sala. - estranhei a pergunta.
Fred: Pode crer. Ela falou alguma coisa?
Eu: Não.

O Matt me olhou de canto. Na verdade falou sim, mas eu não queria começar aquela conversa. E muito menos deixar o Fred se achando. Ele já se acha normalmente, não preciso encher a bola dele com papo da Vicky.

Fred: Ficou sem palavras.
Eu: HAHAHAHAHAHAHA! TU É MUITO ESCROTO!
Fred: Sem comentários.
Matt: Como que aconteceu isso?
Fred: Mano, nem sei. Quando eu vi eu tava lá.
Eu: A frase da minha vida.
Fred: Pode crer. Hahahahaha! Tipo, num minuto eu tomei um bagulho com o Sick Boy, no outro eu tava pegando a Vicky, no outro eu tava pegando outra mina na piscina. Não sei de nada.
Eu: Tu pegou outra mina na piscina?
Fred: Não sei. Sobre ontem, se tu me falar que eu dancei pelado com um chapéu do Mickey, eu vou falar “pode crer”.
Eu: Hahahaha. Isso eu não vi não.
Fred: Vou falar “pode crer” e ainda vou emendar um comentário tipo “legal aquele chapéu” só pra fingir que eu lembrei e não parecer muito louco.
Eu: Eu nem vi o Sick Boy lá.
Fred: Eu acho que nem eu.
Eu: HAHAHA! Que fase.
Fred: Tem mais festa hoje. Tão a fim?
Matt: Ah, eu…
Fred: VAI VER A RAÍRA, SEU BOSTA!
Matt: Raíssa.
Eu: Eu vou ficar de boa também.

Na verdade tenho uma reunião no Z Club, mas eles não precisam e nem podem saber.

Fred: Porra. Não sei como ainda sou amigo de vocês.
Eu: É. Tu diz isso toda vez que a gente recusa uma festa, desde o primeiro colegial.
Fred: E ainda não sei como sou amigo de vocês.
Eu: Qual é a festa?
Fred: Tá ligado uma loira meio maluca que eu pegava quando a gente ia na Mondal?
Eu: A Natacha?
Fred: Não, outra loira maluca. Tu caralhos já viu a Natacha na Mondal??
Eu: Sei lá.
Fred: Enfim. Festa de uma prima dela lá na Mondal.
Eu: Porra, faz tempo que não vou na Mondal.

Confesso que fiquei com vontade de ir… Mas não ia rolar.

Fred: Eu fui lá ontem.
Eu: Como assim tu foi lá ontem?
Fred: To zuando. Ou não. Não lembro muito bem. Se falarem que eu fui, vou concordar. Naquele esquema.
Matt: Boa. Dessa vez não vou, mas acho que a gente deveria ir na Mondal qualquer dia.

————— CONTINUAÇÃO DO POST A PARTIR DAQUI ———————-

Ficamos relembrando os melhores rolês da Mondal e chorando de rir. Eu dormindo vomitando na sarjeta, o Matt brigando com o Fred que queria pegar carona
com uma puta, as vezes em que saímos dos bares sem pagar só por ter esquecido, a gente dormindo na rua esperando o metrô abrir… E eu não quis falar nada
pra eles pra não retomar o assunto, mas me lembrei até de quando peguei minha própria prima numa balada por lá. Que fase. São tantas histórias que parece
que vivemos por uns vinte anos na Mondal, sendo que não temos nem vinte anos de idade. Se a nossa ideia é viver cem anos a mil ao invés de mil anos a
cem, nos saímos muito bem até o momento.

O intervalo já tava quase no final quando o Matt deu ideia de a gente fumar um cigarro antes de voltar pra aula. Concordamos e subimos até o fumódromo.

Como sempre, tava bem cheio, então ficamos um pouco mais afastados da aglomeração de pessoas, quase na esquina. Meus cigarros já tinham acabado,
então peguei um do Fred.

Fred: Onde vocês vão almoçar hoje?
Eu: Cara, na boa, não to podendo viver essa vida de almoçar em restaurante todo dia, não.
Fred: Tu chama isso de restaurante? - ele apontou pro bar da esquina, onde a gente costumava almoçar.
Eu: Que seja… Fica caro comer aí todo dia.
Matt: Concordo com o Thom. Faz tempo que to falando pra gente ir no mercado. Fica bem mais barato comer em casa.
Eu: Pode crer.
Fred: Vamo hoje então.
Eu: Não posso. Tenho aula de recuperação à tarde e…
Fred: Porra, tá vendo? Por isso que a gente não vai. Nunca dá. Todo dia alguém tem manicure, balé, aula de peteca, o caralho a 4!
Matt: Que horas começa tua aula, Thommo?
Eu: Às 14h.
Matt: Não dá tempo de a gente ir antes?
Eu: Até dá, mas daí vou ficar sem almoçar.
Matt: Vamos sair mais cedo da última aula. Daí a gente vai no mercado e já faz o almoço de hoje em casa.

Nos entreolhamos e todos pareceram concordar com a ideia.

Matt: Agora é só rezar pra professora fazer a chamada no começo da aula pra dar pra gente sair.
Fred: Qual vai ser o cardápio?
Matt: Rabo de amigo folgado no espeto.
Eu: HAHAHAHAH!
Fred: HAHAHA! Eu vou ajudar a fazer, seu escroto.
Matt: Eu só sei fazer macarrão.
Fred: E muito mal ainda.
Eu: Eu sei ferver a água.
Fred: Ah, mano. A gente compra umas lasanhas de microondas e fechou.
Matt: Por mim, pode ser. Ainda fica mais barato do que comer no bar. Tu consegue sair mais cedo também, Fred?
Fred: Suave. Nem vou entrar na última aula.

E ficou combinado que finalmente iríamos no mercado abastecer a dispensa, que até agora só tinha sido usada como porta-parangas.

Terminamos nosso cigarro, nos despedimos do Fred e eu e o Matt fomos pra penúltima aula do dia, que ficava no bloco A. Até que passou rápido.

Meu estômago já tava começando a roncar no começo da última aula e, pra nossa sorte, a professora fez a chamada no início. Respondemos e saímos logo em
seguida. O Matt mandou uma mensagem pro Fred perguntando onde ele tava, e seguimos em direção à catraca de saída. Assim que chegamos na calçada da
faculdade, o Fred respondeu a mensagem.

Matt: O maluco do Fred tá no bar.
Eu: Tá me zuando.
Matt: Ele não deve ter entrado nem na penúltima aula. Vamos descendo pro Bar Verde. Ele falou que tá numa das mesas de fora.

Porra, a gente tinha combinado essa merda. Só faltava o Fred miar o mercado. Logo ele que encheu o saco porque a gente nunca conseguia ir.

Eu: Qualquer coisa vamos só nos dois no mercado.
Matt: Putz, daí é foda porque depois ele vai ficar reclamando do que a gente comprou.
Eu: Porra…
Matt: Tu conhece teu amigão.

Chegando no Bar Verde, cadê o Fred? Não vimos nenhum loiro descolorido entre as pessoas das mesas do lado de fora. Inclusive, o bar tava bem cheio. Acho
que nós não éramos os únicos matando aula à rodo. Decidimos entrar pra ver se ele tava lá dentro, e tava. Em pé. Em cima do balcão. Tocando tamborim.

Fred: A PRETINHA TÁ QUE TÁ, ELA TÁ QUE TÁ!

E cantando. Pelo que eu tinha entendido, tava rolando tipo uma confraternização dos alunos que eram da bateria da faculdade. Além do Fred, tinham mais
pessoas com tamboris e outros instrumentos, como caixas e surdos, e eles tavam fazendo um som.

Fred: Moreninhaaaaaaaa!
!: TÁ QUE TÁ QUE TÁ QUE TÁ!
Fred: TÁ DOIDINHA PRA… - bateu no tamborim. - DOIDINHA PRA… - bateu no tamporim. - A LOIRINHA TÁ QUE TÁ!

E a galera ia cantando junto, como se o Fred fosse o maestro da zuera. Ele tava todo suado e vermelho de tanto berrar e beber. Parecia que a gente tinha
entrado num universo paralelo quando pisou naquele bar.

Eu: A gente chama ele ou nem?

Quando vi, o Matt já tava lá no pé do Fred, chamando ele pra ir pro mercado. Ele viu o Matt e pulou do balcão, ainda batendo no tamborim. Depois, deixou o
tamborim com uma guria e veio seguindo o Matt até a saída do bar, onde eu tava. Eu fiquei quieto e o Matt percebeu o quanto eu tava puto com aquilo.
Imagina como vai ser fazer compra no mercado com esse maluc…

Fred: A GALERA DA BATERIA É GENTE FINA PRA CARALHO. - ele falou enquanto a gente descia a rua.
Eu: Tu tá berrando.
Fred: QUÊ? - ele passava a mão na testa repetidamente pra limpar o suor.

Achei melhor ignorar o Fred pra não dar treta e falei com o Matt.

Eu: Tu sabe onde fica o mercado?
Matt: É perto. Na rua de baixo. Dá pra levar as sacolas na mão depois, nem precisa de táxi.
Fred: AQUELE MERCADO É MAIOR MERDA.
Eu: Fred, tu tá falando muito alto.
Fred: TO MEIO SURDO SE PÁ! HAHAHAH!
Eu: Então fica quieto.
Matt: Não é uma merda, não. Acho bem de boa.
Eu: Não discute, Matt…
Fred: A ÚNICA COISA QUE PRESTAVA NESSE MERCADO ERA AQUELA TIA GOSTOSA QUE A GENTE VIU DE CALÇA DE GINÁSTICA.

Sacudi a cabeça. A única coisa que a gente precisava fazer pra sobreviver àquela hora era não dar corda pro Fred, mas o Matt parecia não conseguir.

Matt: Dá outra ideia então.
Fred: NÃO, AGORA QUERO VER A TIA DE CALÇA DE HIDROGINÁSTICA.
Matt: Que tia é essa? Eu tava junto?
Fred: HIDROGINÁSTICA NÃO. GI-NÁS-TI-CA.

E aí ele ficou repetindo “ginástica” até a gente chegar no final do quarteirão. Eu tava me segurando, mas no décimo terceiro “ginástica” eu não aguentei.

Eu: Repete e tu vai ver a ginástica na tua cara.

E ele ficou quieto. Por pouco tempo.

Fred: Tu teria coragem de socar a minha cara aqui e agora?

Pelo menos ele tava falando mais baixo.

Eu: Eu preciso de coragem pra não te socar, isso sim.
Fred: Duvido. Tu não socaria minha cara agora.
Eu: O que tu bebeu?
Fred: Só tequila.
Matt: Só tequila?
Eu: Quantas?
Fred: Umas… Seis.
Eu: Porra, Fred! A gente tinha combinado de ir no caralho do mercado e tu foi encher a cara de tequila. Não fode.
Fred: EU TO NORMAL, CARA!
Eu: Já tá berrando de novo.
Fred: Mano, eu tava lá, de boa, aí ofereceram tequila de graça. Porra, de graça até injeção na testa eu aceito.

Babaca. Contanto que ele não cause muito, vou me esforçar pra não socar a cara dele também. Pelo menos ele veio junto e não ficou só no papel de reclamar
das compras, vou tentar pensar assim pra ficar menos pior.

Fred: Tu comeria uma mina muito feia de graça?
Eu: Pagar é que eu não iria.
Matt: Que pergunta é essa?
Fred: E se te pagassem?
Eu: Não, velho. Não sou gigolô.
Fred: HAHAHAHA! “GIGOLÔ” É UMA PALAVRA MUITO BOA!

O Fred sempre fala essas coisas alto quando tem alguma idosa ou família feliz passando do nosso lado. Parece que ele faz de propósito.

Fred: Lembro o dia em que eu perguntei pra minha mãe o que era gigolô.
Eu: Fred, espera a moça com o carrinho de bebê passar pra tu falar.
Fred: Ela falou que era um brinquedo.
Matt: Não deixa de ser, né?
Fred: Daí eu pedi um de Natal.
Matt: HAHAHA!

Beleza, aí eu tive que rir.

Fred: HAHAHAHAHA!
Eu: E ganhou??
Fred: Pior que meu pai nem sabia o que era mas mandou a assessora dele comprar, só que ela também não falava português. Daí ela ligou numa loja de
brinquedos pra perguntar se tinha.
Eu: Hahahaha! Pelo visto tu sempre deu trabalho.
Fred: É… Não sei o que responderam pra ela, mas no fim eu ganhei um tiranossauro rex. O nome dele era Michael.
Eu: Quando tu era criança, tu era tipo aquele desenho do Riquinho, que tinha montanha russa no quintal?
Fred: Cala a boca.
Eu: Qual era o tamanho desse tiranossauro rex que tu ganhou?
Fred: O Michael?
Eu: Eu sei lá o nome dos teus brinquedos.
Fred: Ah, normal.
Matt: Normal, Thom. Do tamanho de um verdadeiro.
Eu: HAHAHAHAH!
Fred: Vocês são malas pra caralho.
Eu: Cabia no teu quarto?
Fred: Claro que cabia.
Matt: Com todos os móveis dentro?
Fred: Ah… Tinha só que tirar o guarda-rou…
Eu: HAHAHAHAHAHAHA!
Matt: HAHAHAHAHA!
Fred: Não vou falar mais porra nenhuma da minha infância pra vocês.
Matt: Chegamos.

Dentro do mercado, o Fred saiu andando na nossa frente e nos deixou pra trás.

Eu: Ficou putinho.
Matt: Daqui à pouco passa. Vamos na prateleira de macarrão?

Pelo jeito a gente ia viver de macarrão pelos próximos seis meses. Se bobear, pelos próximos 4 anos de faculdade. Era bom a gente comprar de formatos
diferentes pra enjoar menos. O Matt pegou um carrinho que tava na porta e fomos até lá.

Escolhemos os sacos de macarrão mais baratos, sem nos importar muito com as marcas. Até porque ninguém conhecia porra nenhuma. Logo na prateleira ao
lado ficavam os molhos. Pegamos um monte de latas vermelhas e colocamos no carrinho. Feito isso, fomos pro corredor seguinte, onde tinha arroz, feijão e
outras paradas assim. Pegamos uns sacos de qualquer coisa e partimos pra área de condimentos.

Matt: Tu curte o quê?
Eu: Compra sal e foda-se.

O Matt pegou um saquinho de sal.

Matt: Vou pegar óleo também, porque tem umas latas lá desde 2003.
Eu: Beleza.

E do nada, ouvimos um barulho de coisas sendo jogadas no carrinho.

Matt: Fred, sorvete?!
Eu: QUATRO SACOS DE MARSHMALLOW?

Enfiei a mão no carrinho e comecei a tirar as coisas. Que maluco! Tinha um monte de doce, bala, chocolate, chiclete, salgadinho… Até um pote de ketchup de
3 litros!

Matt: Pra quê tu vai querer comprar esse porta controle remoto?!
Fred: Pra botar o controle, ué.
Matt: Nem tem controle em casa, a TV é velha pra caralho!
Fred: Ah, tava na promoção. Thommo, tira a mão dos estalinhos.
Eu: Tu vai fazer festa junina em casa, seu IDIOTA?
Matt: Caralho, Fred. Tu tá fodendo. Já perdi tudo que a gente tinha comprado certo no meio dessa zona.

O carrinho tava cheio até a boca com as tralhas do Fred.

Fred: O que vocês pegaram?
Matt: Coisas úteis! Arroz, macarrão…
Fred: MACARRÃO?
Matt: O que tem?
Fred: TEU MACARRÃO É RUIM PRA CARALHO, CARA!
Matt: Ô, cacete…
Fred: ACEITA ISSO!
Matt: Mas a gente precisa de coisas fáceis pra fazer em casa! Não PRESUNTO DE PARMA PARA PIZZA! - ele pegou uma embalagem e leu o rótulo.
Fred: É mó gostoso.
Eu: Velho, cala a boca vocês dois. Vamo focar. - comecei a contar nos dedos. - Tem que comprar: arroz, óleo, sal, água, macarrã…
Fred: Macarrão não.
Eu: MACARRÃO SIM! - gritei com ele. - Umas bolachas pra larica, papel higiênico, sabonete, pasta de dente, um monte de pão, uns congelados, cerveja e
acabou. Pronto.

O Matt concordou com a cabeça.

Fred: Toddynho.
Eu: Que mané Toddynho.
Fred: Uma casa não é uma casa sem Toddynho!
Eu: Não é uma casa, é uma REPÚBLICA.
Fred: Eu vou comprar essa porra desse Toddynho e quero ver tu não querer tomar.
Eu: Vai comprar nada.
Matt: E shampoo?
Eu: Mano…
Fred: É verdade, precisa de shampoo.
Eu: Que shampoo é o caralho. Lava o cabelo com sabonete.
Fred: Eu troco o Toddynho pelo shampoo.
Eu: E eu vou te fazer beber essa porra desse shampoo no lugar do Toddynho.
Matt: Não, Thom. De shampoo precisa sim. Meu cabelo é grande, não dá pra lavar com sabonete.
Fred: Valeu, Matt.

Os dois deram um high five. Não dava pra acreditar que aquilo tava acontecendo.

Eu: Caralho. Beleza, vai. Vai lá pegar então.

O Fred saiu andando.

Eu: Tu não! O Matt.

O Fred parou e o Matt foi buscar o shampoo.

Eu: Se tu for, perigoso tu voltar com um anão de jardim porque tava na promoção.

Ele encostou no carrinho e ficou quieto, esperando. Eu comecei a tirar os produtos inúteis do carrinho pra agilizar. Peguei um carrinho vazio que tava do nosso
lado e coloquei lá os quatro sacos de marshmallow, o DVD do tributo ao Michael Jackson, os pirulitos de pipoca, o…

Fred: Deixa o pirulito que explode na boca, vai.
Eu: Cala a boca, seu bêbado.
Fred: Custa 5 centavos cada um!
Eu: Tu tá atrasando tudo com essa palhaçada.
Fred: CINCO CENTAVOS! - ele implorou.
Eu: Que pirulito é o caralho.

Continuei tirando as coisas do carrinho.

Fred: Doritos é útil, vai.

Segurei o saco de Doritos na mão e pensei.

Eu: Tá, beleza.
Fred: Aê.
Eu: Mas não NOVE SACOS DE DORITOS! Porra, olha quanto tu pegou!
Fred: Mano, um pro café da manhã, um pro almoço e um pra jantar. Dá pra nós três sobrevivermos por três dias.
Eu: Não sei como tu não morreu até hoje morando sozinho.
Fred: Com as vitaminas do Toddynho.

Ele apoiou os braços no carrinho e ficou olhando pra minha cara, segurando a risada. Que idiota. Não aguentei.

Eu: Tu é muito, muito idiota. Hahahaha!
Fred: HAHAHAHAHA!

O Matt voltou segurando uma embalagem de shampoo e colocou no carrinho.

Eu: Deixei três Doritos, beleza?
Matt: Beleza.
Fred: Agora falta a Coca, né? Doritos sem Coca? Isso sim é palhaçada.
Eu: Cacete… Vai dar 1 milhão de dólares em barras de ouro essa porra.
Fred: Uma Coquinha não faz mal a ninguém.
Eu: Pode pegar uma.

Ele saiu andando.

Eu: Calma aí. Vai todo mundo junto.

Assim a gente ficava vigiando o Fred. Eu e o Matt fomos atrás dele.

No mesmo corredor da Coca-Cola, compramos dois engradados de Heineken pra passar a semana, e o Matt nos convenceu a levar algumas garrafas de água
também. Já tínhamos comprado todos os itens da lista quando o Fred veio com outra ideia.

Fred: A gente podia comprar umas paradas pra fazer brigadeironha, né? Leite condensado, Nescau, margarina…
Matt: É manteiga.
Fred: É margarina.
Eu: Mano, vamo embora pelo amor de Deus.

Reparei que o Fred tava com um Toddynho no bolso.

Eu: Tu vai passar essa porra separado. - apontei pro bolso dele.
Fred: Pô, cuzão!
Matt: Pra não dar briga, vamos combinar que cada um pode pegar uma coisa que gosta.

O Fred pegou o Toddynho na mão e mostrou.

Matt: Eu vou pegar uma revista. Thom, vai buscar o que tu quer.

Demorei um pouco pra aceitar aquela ideia, mas achei que era melhor pra evitar brigas. O Fred é um mimado e ia dar um jeito de levar o Toddynho de qualquer jeito, então melhor ser justo pelo menos. Os dois ficaram esperando enquanto eu ia buscar meu sucrilhos. Nada faria com que eu me sentisse mais em casa do que voltar a comer sucrilhos de manhã. Voltei segurando uma embalagem de sucrilhos e uma caixinha de leite.

Fred: Não vale. - ele apontou pra mim. - Tu comprou duas coisas que tu queria.
Eu: Porra, Fred. Sucrilhos sem leite?

Ele deu de ombros e esticou a mão até a geladeira, onde pegou um pote de sorvete.

Eu: Mano, nem cabe isso no nosso congelador. A geladeira é pequena.
Fred: Eu vou comer tudo hoje.

Então tá. Eu já tava cansado de discutir com eles, com dor de cabeça mesmo, então deixei pra lá. Acho que é assim que as crianças mimadas vencem seus pais: pelo cansaço. Vou pensar duas vezes antes de botar a culpa na mãe que deixa o filho levar o que quiser no mercado. Me senti na pele delas hoje.

Fred: Sabe o que eu queria?

Não respondemos. A gente não sabia e nem queria saber.

Fred: Uma bóia de piscina em forma de tubarão.
Eu: Deixa pra nossa próxima vinda no mercado.
Fred: Beleza.

Passamos no caixa e até que a conta ficou menos cara do que eu tava imaginando. Dividimos o dinheiro, pagamos e aí começou a confusão pra ver quem ia levar o quê.

Fred: A gente vai pedir táxi, certo? Tem coisa pra caralho.
Eu: Eu não tenho mais dinheiro.
Matt: Nem eu.
Fred: Eu só tenho cartão.
Eu: Então sem táxi.

Peguei um punhado de sacolas e saí andando.

Fred: TU TÁ LEVANDO MUITO MENOS PESO! - ele berrou pra mim.
Eu: Caralho, Fred… Foda-se!
Fred: Essa sacola vai decepar meus dedos, cara. Vamo dividir direito isso.

Ele veio até mim e me deu uma sacola. Aceitei levar pra evitar a briga. Quando a levantei, senti que tava pesada pra caralho.

Eu: Mano, que porra pesada é essa?!

Olhei dentro da sacola, onde tinha o ketchup de 3 litros.

Eu: TU PEGOU A PORRA DO KETCHUP DE NOVO??
Fred: ÓBVIO QUE SIM!
Matt: Fred, na próxima tu não vem.
Fred: Quando der fome, vocês vão me agradecer por ter comprado Doritos, Coca, Ketchup e pirulito que explode na boca!
Eu: Tu pegou o pirulito também??
Fred: Sim.

Nem falei nada, senão ia xingar até a quinta geração inglesa dele. Fomos andando até em casa segurando um milhão de sacolas, quase morrendo.

Chegando na república, soltei as sacolas no chão da cozinha e vi que minhas mãos tava vermelhas pra caralho, pulsando de dor. Espero que todo esse esforço tenha valido à pena.

Eu: Que horas são?
Matt: 13h45.
Eu: Caralho! Nem vai dar tempo de almoçar!
Matt: Come qualquer merda aí.

O Fred me estendeu um Doritos e uma Coca.

Fred: O que eu falei?

Peguei o Doritos e a Coca da mão dele e comecei a rir.

Matt: Põe num copo de plástico e vai tomando.

Fiz o que o Matt sugeriu e parti pra aula com meu almoço saudável pra caralho, comendo no caminhi. Dali meia hora eu já estaria com fome de novo, mas dava pra enganar o estômago por um tempo.

A aula de recuperação passou voando. Acho que eu já tava começando a ficar acostumado com tudo, o que fazia as horas passarem mais rápido. O Renan, meu colega de sala que curte escrever com caneta rosa, me cobrou do Crystal que eu tinha prometido, mas eu disse que traria pra ele no último dia do curso. Ele concordou e virou meu melhor amigo depois daquilo. É, colas e drogas aproximando pessoas. Aquilo me lembrou que a folgada da Layla estaria me esperando na saída da aula, às 18h. Eu tava torcendo muito pra que ela realmente estivesse lá quando eu saísse. Senão a coisa ia ficar feia. Eu já tava sem grana e ainda tinha gastado no mercado. Não me fode, Layla, por favor.

E ela não me fodeu. Confesso que até fiquei surpreso quando saí da aula e a vi me esperando no fumódromo no horário marcado. Só faltava saber se ela tava com o dinheiro.

Eu: E aí.
Layla: E aí.
Eu: Tu trouxe?
Layla: Vamo no café.

Ela apontou com a cabeça pro café/doceria onde a Vicky tinha vomitado na pia depois da Festa do Pijama. Topei e seguimos até lá. Ou ela ia me dar o dinheiro ou uma desculpa muito boa, porque precisava ser em particular.

Chegando lá, nos sentamos numa mesa no segundo andar e ela pediu uma água pra garçonete pra disfarçar. Assim que a garçonete saiu, ela começou a fuçar a própria bolsa. Fiquei quieto esperando. E ela colocou um envelope em cima da mesa.

Eu: Tá tudo aqui?
Layla: Quase.
Eu: Porra, Layla…
Layla: Falta muito pouco, sério. Isso foi tudo que eu consegui.

Abri o envelope e comecei a contar. Até que tinha bastante mesmo.

Eu: Beleza, vai.
Layla: Não to numa fase muito boa em casa.
Eu: Beleza. Quando tu me traz mais?
Layla: Amanhã. Vou pegar emprestado com o meu padrasto.
Eu: O professor de teatro?
Layla: É… - ela sorriu. - Ele virou o padastro oficial do momento já.
Eu: Saquei.
Layla: Tá morando em casa e tudo. Como se coubesse muita gente lá.

Sorri de volta. Eu ainda tava com certa raiva dela no fundo, mas dava pra ver que ela tava se esforçando.

Eu: É isso? Preciso ir.

Tinha a tal reunião marcada no Z Club e eu não achava boa ideia atrasar.

Layla: Espera só chegar minha água pra não dar muito na cara.
Eu: Beleza.

Ficamos sem assunto. Peguei uma folha de guardanapo e comecei a rasgar pra passar o tempo. Ela cruzou os braços e ficou olhando em volta, observando o lugar.

Eu: Como foi o show da tua mãe?
Layla: Uma merda.
Eu: Legal.
Layla: Digo, o show foi bom, mas não tinha ninguém.

Concordei com a cabeça, sem saber o que dizer.

Layla: Ela perguntou se tu tinha voltado pra saber da aula de rockabilly. - ela riu.
Eu: Diz que minha namorada me traiu com o professor da academia e eu desisti de aprender.
Layla: Hahahahaha!

Ela tinha uma risada boa de ouvir, que não parecia forçada. Ficava até diferente daquela cara normal de “vou te matar enquanto tu dorme” que ela tinha normalmente.

Layla: E tu, como tá?
Eu: Fodido até o pescoço.

Ela sorriu com cumplicidade.

Eu: Mas melhorando. - mostrei o envelope pra ela.
Layla: Vamos melhorar.

A garçonete trouxe a garrafinha de água, deixou em cima da mesa e saiu.

Layla: Podia ser uma cerveja.
Eu: Com certeza. - dei risada.

Ela abriu a garrafa com dificuldade.

Layla: Quando tudo isso passar, vamos marcar uma cerveja?
Eu: Se tu não me roubar mais nada até lá, quem sabe eu tenha dinheiro pra isso.
Layla: Haha. Combinado então.

E de novo ela me parecia ser uma guria gente boa, que vestia uma máscara na faculdade, mas tirava pra falar comigo.

Layla: É isso, eu acho.
Eu: Beleza. Vou indo.

Nos levantamos, descemos as escadas e cada um foi pra um lado.

Eu: Boa sorte no próximo show! - gritei pra ela na rua.

Ela se virou, agradeceu com um sorriso e voltou a caminhar na direção oposta a minha.

Eu tava morrendo de fome porque só tinha almoçado um salgadinho, mas tava com o coração acelarado de tanta ansiedade pra chegar logo no Z Club e resolver a tal da reunião. Será que tinha alguma coisa a ver com o maluco que eu tinha visto amarrado na sala? Eu só queria ajudar, não me foder. Fiquei torcendo pra que não fosse nada de mais enquanto subia as escadas do prédio pra encontrar o Felipe.

Na sala, vi o Fred comendo pão de forma com ketchup e assistindo televisão, sentado no chão e com as costas apoiadas no sofá. Ninguém nunca senta no sofá.

Eu: O Felipe tá por aqui?
Fred: Tá. - respondeu com a boca cheia e a bochecha suja de ketchup.

Fui até o quarto dele e bati na porta. Ele berrou um “calma aí” de volta e saiu de lá depois de 30 segundos. Reparei que ele tava bem arrumado, de camiseta de marca cara, calça e tênis, exalando perfume. Pensei em em perguntar se eu tava zuado demais pra ir, mas não queria que o Fred ouvisse.

Felipe: Partiu?
Eu: Sim. To pronto.

Ele saiu andando na minha frente e saiu de casa sem falar com o Fred. Pensei em falar algo com ele pra explicar por que caralhos eu tava saindo de casa com o Felipe, mas achei melhor não. Acho que quando tu fica dando explicação demais, dá muito na cara que tá com peso na consciência ou escondendo alguma coisa. Além do mais, ele tava bem entretido assistindo um filme velho pra caralho do Chuck Norris. Saí de casa sem falar nada e ele nem reparou.

Descendo as escadas, falei com o Felipe.

Eu: Será que já começou? Eu atrasei um pouco, precisei resolver umas coisas.
Felipe: Já, mas não tem problema. Dura até tarde.
Eu: Até tarde?
Felipe: É, bem tarde.

Caralho, se durava tanto tempo não devia ser só uma reuniãozinha qualquer pra passar um comunicado ou sei lá. Era coisa grande. E séria. A cada passo eu ficava mais e mais nervoso. Minhas mãos suavam, mesmo estando geladas.

Felipe: A Marcela não sabe que eu to indo, então não dá pala. Beleza? - ele falou meio sério.
Eu: Beleza.

Como se eu trocasse muita ideia com a Marcela. A mina conseguia ser mais pau no cu do que a Mirella. Acho que é meio que uma obrigação das gurias bonitas demais serem escrotas. Tipo, todo ano tem uma convenção onde todas se encontram pra repetir os mandamentos: “Serás escrota acima de tudo”.

Eu: Tu sabe de alguma coisa dessa reunião?
Felipe: Como assim?

Ele perguntou já abrindo a porta de ferro do Z Club.

Eu: Ah, sobre o que eles vão falar…
Felipe: Sei lá, cara.

Ele fez uma cara estranha pra minha pergunta e respondeu com a arrogância de sempre. O Felipe devia participar da convenção dos caras bonitos demais também.

Conforme avançávamos no corredor, a música ia aumentando. Música? O acesso até o bar de entrada tava fechado. O Felipe aproximou um cartão da maçaneta, o que fez com a porta se destrancasse. E aí a música, que era um rap americano de batida forte, ficou alta pra cacete. Que porra de reunião é essa?!

Entramos. E aquilo nem de longe tinha cara de reunião. O bar tava lotado de gente, e o salão mais ainda. Era tanto homem engravatado que eu me sentia um engraxate na Wall Street. Tinham umas mulheres perdidas também, mas todas pareciam mais velhas do que eu e tavam bem arrumadas, com salto alto e tudo. Até que do nada passou uma guria com roupa diferente. Ou melhor, quase sem roupa. Era uma mina muito, muito, muito gostosa usando um espartilho vinho, máscara e salto alto. O Felipe passou por ela como se não fosse nada, como se já estivesse acostumado com aquilo. Fui andando atrás dele.

Eu parecia um idiota olhando pra todos os lados sem parar. Parecia que eu tava dentro de um filme da máfia ou coisa parecida, tipo num salão em Las Vegas, numa festa de milionários, eu sei lá. Não conseguia nem racionar direito pra entender o que tava acontecendo. Mas todo mundo parecia bem à vontade com seus champagnes e outras bebidas que eu nem conhecia, porque não eram pro meu bico. Passamos do lado de uma mesa de mármore escuro, onde vi dois engravatos cheirando uma carreira de pó branco. Não sabia se era cocaína mesmo, mas parecia ser. E das boas. Termina a cheirada, uma guria de espartilho se sentou no colo dele. E não era a mesma que eu tinha visto antes.

Felipe: Ei, Digo!

Parei de prestar atenção na vida dos outros quando vi o Felipe cumprimentando o Digo, que também tava bem arrumado, de camisa preta. Eu era o único que tava com a mesma roupa desde cedo.

Digo: Epa! Muito feliz que vocês vieram!

Ele me deu um abraço tão forte que eu até estranhei, e nessa hora começou a tocar Dr Dre. Eu nem respondi nada, nem sei se abracei ele de volta direito. Ainda tava em estado de choque.

Digo: Trouxe teu celular?

Tirei o aparelho quebrado do bolso, sem dizer nada, e dei pra ele. Ele ficou analisando e abriu um sorriso.

Digo: Ah, tranquilo! Te arranjei outro já. Ei, Alexi! Traz o celular do Thomaz, cara? - ele acenou pra um cara com roupa de garçom, que acenou de volta. - Daí tu pega o chip daqui e coloca lá pra não perder tua agenda.

Concordei com a cabeça, ainda sem dizer nada.

Felipe: E aí, o Doctor colou?
Digo: Tá falando com os colombianos. To otimista, cara.

Eu nem fazia ideia do que eles tavam falando, mas fingi estar prestando atenção. Falaram mais alguma coisa sobre pessoas da América Latina, riram e pediram uns copos de whisky. Quando vi, já tinha um na minha mão.

Digo: Aqui teu celular, Thom.

Ele me estendeu um aparelho novinho, brilhando, ainda com o plástico. O modelo não era o mesmo do meu anterior, talvez fosse bem melhor. Eu nem entendo nada dessas coisas. O Digo abriu meu outro celular, tirou o chip e me entregou também.

Digo: Coloca aí que vai ser como se nada tivesse acontecido. Tu vai ficar com a mesma agenda e receber as mensagens que enviaram enquanto teu celular tava desligado.
Eu: Beleza.
Digo: Fiquem à vontade aí. Thom, eu falo contigo depois, pode ser? Tenho boas notícias.
Eu: Beleza.

Eu parecia um robô. O Felipe, ao contrário de mim, tava bem à vontade e até conversando com umas pessoas, que pareciam conhecidas dele. O Digo saiu e eu fiquei parado com o celular novo e o chip na mão.

Felipe: Vamo ali no sofá, preciso esperar o Doctor pra falar com ele.

Segui o Felipe e nos sentamos nos lugares vagos do sofá de couro. Ele apoiou os pés na mesa que tava na nossa frente e ficou tomando o que tinha no copo de whisky. Eu apoiei meu copo na mesa e fiquei mexendo no celular, tentando encaixar o chip. Quando finalmente consegui e ele ligou, recebi um monte de mensagens. Inclusive, do Luc e do Gabriel. A primeira do Gab era:

“Tu vai encontrar a gente hoje?”

Porra, que merda. A outra era do Luc:

“Thom, a gente vai se encontrar na pista. Não to conseguindo te ligar.”

Mais uma do Gab:

“O pai vai me levar, quer que ele passe aí pra te buscar?”

E tinha outra dele em seguida:

“Claro que tu não quer… Foi mal! Mas se quiser, a gente passa aí. To indo pra lá agora.”

E a última era:

“Thom? Me liga aí quando der.”

Confesso que aquilo partiu meu coração de certa forma. Eu queria muito encontrar com eles, fazia tempo que eu não via o Gabriel, mas pelo jeito o negócio no Z Club ia longe. Olhei em volta e ainda não conseguia acreditar. Desacreditei mais ainda quando vi uma das gurias de espartilho rebolando na frente do Felipe. Ele pegou um charuto que tava no decote dela e me ofereceu:

Felipe: Tá a fim?
Eu: Acho que não.

Eu tava em choque demais pra aquilo. E aí a guria se sentou no colo dele. Agora eu to ligado do motivo da Marcela não saber onde ele tá.

Felipe: E aí, Thom. Tá curtindo?
Eu: A reunião? - olhei em volta.
Felipe: É, o Z Club no geral.
Eu: To sim.
Felipe: Saquei. Tu nunca foi de conversar muito, né? - ele abriu um sorriso.
Eu: Não muito.
Felipe: Mas dá pra ver que tu tá curtindo sim. O Digo me disse que vocês tiveram um problema aí dias atrás… Tá resolvido?

Engoli seco e limpei a garganta em seguida. Ele devia estar falando do cara que eu vi trancado na sala.

Eu: Resolvido sim.
Felipe: Que bom. Tu sabe, sempre que precisar, pode contar comigo aqui dentro.
Eu: Valeu. - assenti com a cabeça.
Felipe: Não é um lugar onde tu pode confiar em qualquer um, tu sabe. Mas pode confiar em mim. Deu certo o rolo com a faculdade, né? Tu tá conseguindo ir nas aulas?
Eu: Sim, suave. Nenhum professor falou mais nada.
Felipe: É. Receberam ordens de cima. - ele riu e apertou a coxa da guria. - Tu não vai beber? - apontou pro meu whisky.

Nem percebi que eu não tava bebendo. Resolvi dar um gole, como se respondesse um “sim”.

Felipe: Isso aí. Tu precisa relaxar. Essas reuniões são pra gente relaxar.
Eu: Dá pra ver.
Felipe: Não só pra isso, na verdade. É pra encontrar os clientes, parceiros, fazer um networking. E pra relaxar também. Por que não?

Dei um sorriso amarelo.

Eu ainda tava me sentindo estranho, mas alguns goles no whisky depois, eu já tava conversando sobre assuntos variados com o Felipe.

Felipe: É, cara. Nem vale a pena comprar muita coisa no mercado, porque senão estraga. Minha mãe sempre leva umas verduras pra mim, mas estraga tudo.
Eu: Acho que a gente comprou as coisas certas e na quantidade certa. Agora temos que testar.

Era engraçado conversar daquilo com uma guria de espartilho lambendo o pescoço dele.

Digo: Ei, Thomaz!

O Digo reapereceu, me chamando.

Digo: Vem cá!

Me levantei e senti que já tava ficando com as pernas meio dormentes de whisky. Sempre que meu copo tava quase no final, aparecia um garçom ou uma guria de espartilho pra me servir mais bebida. Assim era difícil não ficar relaxado.

Digo: Tudo certo com o celular?
Eu: Sussa. Valeu.
Digo: Por nada. Seguinte, falei com o Doctor sobre o que aconteceu, na sala, e tal, o cara…
Eu: Hm.
Digo: Ele disse que vai investigar. Tu tem certeza que não viu ninguém com ele?
Eu: Sim.

Eu que não ia dedurar o Rod. Nem sei até que ponto o próprio Digo tá falando a verdade ou me enganando. Queria evitar problemas.

Digo: Ok. Queria te agradecer pela honestidade e por falar comigo sobre isso. Tem que denunciar mesmo pra manter a ordem.

Agradeci de volta, mas alguma coisa lá no fundo me dizia que era papo furado. Ou era só minha dificuldade pra confiar nas pessoas apitando na minha cabeça.

Digo: E queria te pedir um favor, pode ser?
Eu: Pode mandar.
Digo: A gente tem um cliente de outro estado que acabou de chegar no aeroporto. Preciso mandar alguém pra buscá-lo, dar as boas vindas e tudo. Tu pode ir?
Eu: Posso, mas…
Digo: Então! Aí mais uma boa notícia. Te arranjei outro motorista.

Eu não sabia se agradecia ou se reclamava.

Digo: Eu sei, eu sei que tu queria continuar trabalhando com o Carlão, mas é complicado, Thom…
Eu: É.
Digo: É muito complicado. Quem sabe vocês voltem a trabalhar juntos no futuro. Mas por agora, tu tem um novo motorista e parceiro. E acho que vocês vão se dar bem, o cara é gente boa. Quem sabe tu acaba se dando melhor com ele do que com o Carlão?
Eu: Não sei. Não é muito fácil eu me dar bem com as pessoas.
Digo: Hahahaha!

Falei sério, mas ele achou que fosse algum tipo de piada.

Digo: Valeu pela ajuda, cara! Vou passar teu celular pro nosso cliente, o nome dele é Fabio Paiva. Encontra teu motorista lá fora e já pode ir, o vôo dele pousa daqui à pouco. Não precisa de cerimônia, é só recebê-lo e trazê-lo pra cá em segurança. - ele sorriu.
Eu: Beleza. Qual o carro?
Digo: É um Corolla preto. Ele tá no estacionamento, mas vou ligar pra ele passar aqui na frente pra te buscar. Pode ir.

Concordei, terminei de beber o que tinha no meu copo de whisky, entreguei pro Digo e saí pra buscar o tal cliente. Aquela noite tava realmente bem doida, mas nada que um pouco de álcool não ajudasse a melhorar.

Na porta do Z Club, acendi um cigarro esperando o carro chegar. Eu fiquei na bad de verdade pelo Carlão. Ele ficou puto comigo por algo muito injusto, nem me deixou explicar que a Luiza era uma maluca e que não faria nenhum mal pra ele ou pra família dele. Mas eu ia fazer o possível pra voltar a trabalhar com ele. Eu não gosto de muita gente no mundo, então faço questão de manter quem eu gosto perto de mim.

O Corolla preto se aproximou e parou na minha frente. Nem tive tempo de terminar o cigarro. Joguei a bituca no chão, apaguei com o pé e entrei no banco de trás. Tava tudo escuro no carro e o banco de couro tava gelado. Fechei a porta e falei com o motorista.

Eu: Aeroporto.

Eu sabia que devia começar me apresentando, mas não tava muito a fim daquele papinho. Sem contar que a gente teria tempo de sobra pra se conhecer, inclusive no caminho até o aeroporto, que era longo. O cara não respondeu nada e acelerou o carro. Fiquei feliz em saber que ele também não tava a fim de conversar.

!: Qual caminho tu prefere?

Ele perguntou quando paramos no semáforo. Achei estranho perceber que ele tinha voz de moleque novo, e não de um tiozão tipo era o Carlão.

Eu: Não sei. Não conheço caminhos.
!: Daí fica difícil.

O semáforo acendeu a luz verde e nós continuamos parados. Como assim “aí fica difícil”?

Eu: Tu que é o motorista aqui.
!: E tu que sabe pra onde vai.

Que porra de cara folgado. E o Digo ainda tinha falado que ele era gente boa. Até aquele momento, nem tinha olhado pra cara dele, mas fiquei curioso pra saber como era o meu novo parceiro, que já tinha começado me dando problema. Eu tava sentado logo atrás do banco do passageiro, e estiquei o corpo pro lado pra poder olhá-lo pelo retrovisor. E aí meu coração não acelerou, como fazia quando eu me assustava. Pelo contrário, ele praticamente parou de bater. Foi como se tirassem todo o oxigênio que existia dentro daquele carro, porque eu também não conseguia respirar. Reconheci logo de cara aqueles olhos apertados me olhando pelo espelho.

Gunz: Mas posso fazer o caminho que eu sei, se tu quiser.

Próximo capítulo >>

A aposta-capitulo 15

Clara:licença…(se levantando) de novo…eu preciso ir,você deixa o boi no galp…

Van:Espera.(segurando em seu braço) não precisa fugir Clara…

Clara:Isso não tá certo,eu to confusa.( retirando o braço) eu não quero viver com isso Vanessa,não é meu mundo.

Van:Calma,eu não quero te confundir,me desculpa.

Eu não estava brava ou a culpando,eu estava confusa eu não podia aceitar estar sentindo algo por ela,a situação estava saindo do meu controle,e meus amigos? minha família? Eu não sei se sou capaz de enfrentar todos mais o resto da sociedade por conta disso.

Clara:Você não precisa pedir desculpas,mas essa não sou eu.

Van:Mas Clara eu na…

Clara:Isso acaba aqui e o que aconteceu hoje,morre aqui também.(pegando suas coisas)

Fiquei sem entender o que estava acontecendo,a beijei por um impulso mas ela correspondeu,e eu deixei rolar. Levei boi até o galpão e ainda a vi saindo de lá,ao passar próximo a mim ela simplesmente me ignorou,aquilo me irritou,a garota era de lua e eu não era obrigada a aceitar isso.

(Na casa da Thais)

Ficamos a tarde toda juntas até a hora que comecei a me arrumar,ela estava deitada na cama me encarando pelo canto,eu não queria uma nova discussão,mas eu não podia furar com a Ari.

May:Bonito esse vestido amor.

Thais:Que bom que gostou amor.(a encarando pelo reflexo) você tem certeza que não quer ir?

May:Tenho…os motivos você já sabe.

Thais:Mas May…(se sentando na cama) você é a minha namorada,eu quero você do meu lado.

May:Eu sempre que possível vou estar,mas não tenho sangue de barata.(se irritando)

Thais:Calma May,não precisa se estressar.

May:Repetir a mesma coisa me estressa,você acha que eu to feliz de ver você se arrumar toda pra ir na festa da sua ex?

Thais: e o que você sugere? Eu tô te chamando pra ir comigo mas eu não vou deixar de ir ela minha amiga.(tentando manter a calma)

May:Eu já disse que não vou,e to indo embora,faça bom proveito..(saindo)

Fiquei a tarde toda pensando no que havia acontecido,eu não devia ter fugido,agora ela deve estar me achando uma idiota que não sabe ter um dialogo,eu estou confusa com tudo isso,mas não posso negar que essa nova sensação é algo bom.

May:Clara..(batendo na porta)

Clara:Entra.(se levantando) tá tudo bem?

May:Não prima,nada bem.(se jogando na cama)

Clara:Espera,antes de você falar deixa eu adivinhar,discutiu com a Thais?

May:Quase isso.(respirando fundo) antes de começar eu sai de la.

Clara:Ai May,não sei pra que vocês começaram a namorar,não sabe conversar não?

May:Acontece que não tem conversa Clarinha,eu prefiro sair e esfriar do que me estressar mais do que já me estressei.

Clara:Tudo porque ela vai em uma festa?(arqueando as sobrancelhas)

May:Não é uma simples festa,é a esta da EX dela,entende que isso me incomoda?

Clara:Mayra,elas sempre foram amigas.(revirando os olhos) e ela te chamou pra ir com ela.

May:Eu não vou dar o gostinho pra outra se achar por ser especial pra Thais,não mesmo.

Clara:Ótimo,faça isso e deixe ela se achar pela Thais ter escolhido ir pra festa dela e não ficar com você.

May:Mas ela não fez isso,eu que não quis ir.

Clara:Na cabeça dela não,depois não reclama.

Clara havia falado algo que realmente fazia sentido,mas era tão difícil engolir o meu orgulho e ir atrás da minha mulher que ela teve que ameaçar me bater para eu tomar uma atitude,sai de la correndo e fui para casa me arrumar.

Lu:Mas eu nem conheço a garota Mayra.

May:E dai,ela convidou a Thais,que me convidou e agora eu to te convidando.

Lu:Isso se chama,entrar sem ser convidada,legal.(rindo)

May:Ai mana,por favorzinho vamos comigo.

Lu:Cara porque tu não foi quando ela convidou?

May:Lu não faz pergunta e se arruma por favor,obrigada.

Fiquei a tarde toda lendo para ocupar minha cabeça com qualquer outra coisa que não fosse,Clara Aguilar,até que fez algum efeito apesar de eu estar sentida pelas atitudes dela ultimamente,claro ela não me prometeu nada e eu não disse que quero algo com ela,mas me sinto usada,uma hora ela me beija e na outra sai reclamando.

Fui me arrumar para a festa da Ari que pra falar a verdade só estava indo mesmo em nome da amizade pois não estava com a minima vontade de sair ,mas algo me dizia que aquela noite por algum motivo me guardaria surpresas,apesar da minha imensa preguiça de ir,coloquei um jeans,uma camiseta e um all star e partiu festa.

Pepa:Cade você Ariane? tá todo mundo lá embaixo já.

Ariane:Todo mundo Pe?(rindo) olha o exagero.

Pepa:Bom…não todo mundo,mas boa parte já tá ai e você não desce.

Ariane:O que você achou?(dando uma volta)

Pepa:Tá linda,até casaria com você agora,se mexer maus um pouco estraga,bora descer?

Ariane:Fala sério Pe,eu não curti muito esse vestido não,me deixa barriguda.

Pepa:Não inventa Ariane,nem barriga você tem.(revirando os olhos)

Ariane:Desce lá que eu só vou trocar o salto que não gostei.

Pepa:Ta…(impaciente) rápido viu.(saindo)

Ariane:Tá amiga,já to descendo.

Pepa:Thais,que surpresa.(olhando em volta)

Thais:Oi Pe,a Ari ta ai?

Pepa:Ta se arrumando ainda.(revirando os olhos) entra ai e da uma acelerada nela por favor.

Thais:Não,eu espero ela descer então.

Pepa:Ah para né,não tem nada ali que você não tenha visto,espero vocês lá embaixo.

(dentro do quarto)

Thais:Atrasada desde de sempre não é mesmo Ariane Edilamar?

Ari:Thais (sorrindo largo) você veio.

Thais:E você acha que ia perder essa festona,doro festa.(rindo)

Ariane:Nossa…e da aniversariante,você gosta?

Thais:Claro sua boba.( a abraçando) feliz niver pequena.

Ari:obrigada…(embargando a voz) nenhum presente vai se comparar a esse abraço.

Thais:hei…(segurando seu rosto) que isso? vai borrar a maquiagem e a Pepa me bate.

Ari: (rindo) Disso eu não tenho duvida,mas as lagrimas são de felicidade,por você ta aqui comigo.

Thais:Você ta muito manteiga hoje hein,que isso?

Ari:Isso é pra você ver a falta que me faz.

Thais:Não chora não não,hoje é seu dia,hoje é dia de sorriso.(limpando seu rosto)

Ari:Eu sou muito boba,não devia tá chorando agora,afinal o motivo dos meus sorrisos tá bem aqui na minha frente.

Thais:E eu só que você bem ok? (a abraçando) nada de choro.

Ari:Obrigada.(sorrindo fraco)

Thais:Com esse sorriso tá bem melhor.(sorrindo) vamos?

Ari:Vamos.(sorrindo)

(lá embaixo)

Pepa:Vanzinha.(a abraçando) você chegou.


Van:Oi Pe.(rindo) preciso de ar,solta.

Pepa:Você tá muito gostosa nesse vestido… (em seu ouvido) se bem que te prefiro sem ele.

Van:Ér…(sem graça) a Ari…cadê?

Pepa:La em cima se arrumando,só dou um desconto pra ela,porque a Thais está la.

Van:Minha prima tá no quarto dela?(surpresa)

Pepa:É,a loira sem graça não veio,hora da nossa amiga por o time em campo novamente.

A festa estava bem agradável,um pouco exagerada como já era de se esperar pelo fato de ter sido montada pela Pepa,falando nela,não parou em momento algum de me jogar cantadas,trocamos alguns beijos algumas vezes mas não sei,eu não estava naquele clima,não tava tendo a química que sempre tínhamos.

Aproveitei que Ariane e ela foram dançar e fui conversar com Thais,que a proposito estava bebendo pra caramba,eu também estaria fazendo isso,se conseguisse entrar no clima daquela festa.

Van:Ou…(a cutucando) não tá exagerando não?

Thais:Exagerando em que Van?

Van:Na bebida né.(revirando os olhos) pra May não tá aqui só podem ter brigado,acertei?

Thais:Também,mas ela não veio por birra.

Van:É complicado pra ela né Thata,por exemplo,eu cheguei e você tava com a Ari no quarto.

Thais:Van,somos amigas,todas nós,você fica com a Pe,mas são amigas,é isso que eu quero que a Mayra entenda.

Van:Você precisa ser paciente prima,a May não é acostumada com o nosso “mundo”.

Thais:mas ela tem que se encaixar ao meu,ela é mimada e eu não sei lidar com isso.(respirando fundo) 

Van:Bom,isso é uma coisa que vocês duas tem que sentar e resolver.

Thais:E vamos fazer isso…(bebendo) hum,mas e você,tá toda mucha ali no canto,você não é assim,o que tá pegando.

Van:(respirando fundo) sei lá meu,to sem clima pra festa.

Thais:Logo você que adora uma bagunça.

Van:Acho que to perdendo essa pratica.(rindo) mas sei lá,eu to com a cabeça em outro lugar.

Thais:Em que? (curiosa) ou em quem?

Van:Ai Thais com você eu posso dividir certo?

Thais:Claro Van,além de primas somos melhores amigas.

Van:Então eu estou confusa com umas coisas que andam ac….

Ariane:Vem,quero dançar com você agora.(puxando Thais)

Thais:Espera…(parando) antes me da o copo.

Ariane:Mas eu quero beber Thata.(rindo a toa)

Thais:Eu acho que já bebemos demais por hoje não acha não?

Ariane:Não,dá meu copo vai.(tentando pegar) por favor amor.

Thais:Só danço contigo se você parar de beber.

Van:Isso vai dar uma dor de cabeça amanhã.(rindo)

Ariane:Van sua linda,me dá um braço,vem.(a abraçando)

Thais:Podemos conversar depois Van? vou jogar uma água no rosto dela.

Van:Tudo bem Thata,quer ajuda?

Thais:Não,acho que dou conta só.

Ariane:ela da conta só Van,e da muito bem.(rindo)

(La fora)

Lu:É aqui?

May:Pelo endereço que eu lembro é.

Lu:Deve ser mesmo pela musica.(entrando) 

May:Ah,olha a Van ali.(indo até ela)

Lu:Oi Van.(sorrindo)

Van:Oi Lu…(a cumprimentando) May,você veio.

May:pois é.(olhando em volta) viu a Thais?

Van:Ér…tava aqui agora pouco,acho que ela foi na cozinha.(sorrindo forçado)

May:Fazer o que na cozinha?(estranhando)

Lu:Roubar docinho da festa,quem nunca.(rindo)

May:Eu nunca.(desconfiada) pra que lado fica a cozinha Van.

Van:Hã…a cozinha? você vai na cozinha?

May:Vou,não é lá que tá Thais?(arqueando as sobrancelhas) eu acho sozinha.

Lu:OPutz,tinha que entregar assim de bandeja Van.(rindo) foda vai ser quando ela chegar lá e a Thais não tiver.

Van:Eu acho bem feito pra Thais.

(Na casa de Clara)

Fernando:Clara,você é a minha filha mais velha,conversamos sobre isso antes e você concordou.(irritado)

Clara:Concordei sim pai,mas depois de eu terminar a minha faculdade.

Fernando:Não me interessa a faculdade que você está fazendo,e sim com os interesses de todos nós.

Clara:Nós? os seus interesses você quer dizer.(irritada) 

Fernando:Que seja,desde que você faça,eu não to te pedindo,to mandando.

Rose:Fernando não fale assim com a menina.

Fernando:Não se envolve Rosângela.

Clara:mandando,claro é só isso que você sabe fazer,mandar nas pessoas.(alterada)

Fernando:Bota a mão na consciência Clara,é isso que você quer fazer da sua vida? cuidar de um bando de animais de rua…

Clara:Sim pai,é o que eu quero,e nunca escondi isso de ninguém.

Fernando:Pois esqueça essa ideia,você é a minha filha e vai fazer o que eu quero.

Clara:Eu sou a sua filha,não um fantoche seu.(saindo)

Fernando:Eu não terminei de falar com você Clara.

Entrar nessas discussões com meu pai era como entrar em uma piscina onde eu não pudesse emergir,peguei o carro e sai rodando a cidade,Ele não ia me controlar,não nasci pra receber ordens de ninguém e muito menos dele,eu ia viver da forma que eu quisesse,e a primeira eu já estava fazendo,ligando para a Vanessa.

Lu:Vou ali pegar uma bebida Van,ôh,seu celular tá acendendo ai.

Olhei no visor e não acreditei naquilo,meu coração havia acelerado de imediato,me auto repreendi por isso,era só o que me faltava,me arrepiar por receber uma ligação dela.

Van:Alô.

Clara:Vanessa?(com dificuldades por conta do barulho)

Van:Espera ai.(saindo) pode falar.

Clara:Desculpa está te ligando agora,mas eu precisava falar com você.

Van:Clara…(estranhando) onde você está?

Clara:Será que podíamos conversar agora?

Van:Claro,me fala onde você está que vou até ai.

Clara:No galpão…

Van:Ok,estou próxima dai,já já eu chego.

(La dentro)

Pepa:Opa,desculpa.(esbarrando) você?

May:Eu..to procurando a Thais.

Pepa:Que coincidência,tava com ela agora pouco.(sorrindo forçado)

May:Ela tava aqui?

Pepa:Não,ela subiu com a Ari,acho que pro quarto dela.

May:Com licença…(subindo as escadas)

Fui até o galpão e não estava entendo nada,ela me ligar assim,só para conversar,fiquei surpresa depois dela fugir e me deixar com cara de idiota no parque,pelo menos um pedido de desculpas eu espero.

Van:Cheguei…(chamando sua atenção) tá tudo bem?

Clara:Está sim,quer dizer vai ficar.(respirando fundo)

Van:Aconteceu alguma coisa?(se aproximando)

Clara:Sabe Vanessa,eu sempre disse que viveria a minha vida conforme eu quisesse,e é estranho,porque eu não pensei que seria assim e nem seria com você.

Van:Assim…(confusa) Clara,eu não to entendendo.

Clara:(se aproximando) não foi você que disse que não precisa entender? eu já desistir de fazer isso…(a beijando)

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