eu morro de rir!

Você me assombra, Gus. Eu sei que você mal lembra meu nome e não deve ta entendendo nada, afinal você nunca entende e essa sempre foi a graça. Mas depois de meses sem saber nadinha sobre você é absurdamente ridículo que eu ainda não tenha conseguido me livrar de todo aquele amor absurdo que eu sentia. E eu me odeio por isso. Não é justo você estar ridiculamente feliz sem mim enquanto eu continuo me arrastando pelos cantos tentando entender o que aconteceu. E é incrível como as horas se arrastam e eu nunca saio do lugar. Tem coisa que o tempo não apaga nem quando a gente quer. Eu fico tentando encontrar onde foi que tudo se perdeu e não acho resposta nenhuma e eu preciso de uma resposta. Você não tinha o direito de me deixar sozinha sem um final, foi baixo demais até pra você, Gus. Eu fiquei sozinha esperando você voltar como todas as outras vezes e você não sabe o quanto doeu quando você não voltou. Foi a primeira vez que eu me senti completamente sozinha e perdida do mundo, como se a vida tivesse acabado ali, sabe? E eu sei o quão ridículo isso soa. É que só você me conhecia de verdade e me amava mesmo assim. Eu era toda feita de espinhos e você me fez ter flores. E eu tive que ver todas flores apodrecer quando você foi embora. É tudo tão estranho, Gus. Você ainda existe dentro de mim de uma forma tão intensa e arrebatadora que eu não vejo você indo embora nunca. Eu nem sei mais quem você é e ainda assim sei que você é minha pessoa favorita no mundo, e sei que isso não vai mudar. Sei lá, me dói saber que nunca mais vou escutar suas histórias e nem os seus fabulosos conselhos de como a vida é uma merda. Eu quase morro de pensar que ninguém nunca mais vai me fazer rir como você fazia. Suas piadas eram ridículas e sem graça mas sempre ganharam de qualquer stand up famoso por aí. A gente tinha algo único e eu tenho medo de nunca mais ter nada igual. E eu, juro, só queria ter a certeza de que foi único pra você também. Eu realmente não sei ser algo que você sinta falta e eu sinto muito por isso, sinto muito por mim. Todos meus demônios se parecem com você, Gus. Eu ainda me lembro de uma das nossas ultimas conversas, quando você, ironicamente, mandou uma música em que pensava em mim quando ouvia. E meses depois eu ainda não consigo tirar os versos da minha cabeça. “Esqueça os erros que eu cometi e ajude a deixar para trás algumas razões para ser lembrado. Não fique ressentida comigo, quando sentir-se vazia me mantenha em sua memória e esqueça todo o resto”. Era uma despedida, Gus? Você deveria ter me avisado.
—  I’ve got my demons and, darling, they all look like you. I can’t be who you are.