eu gostei :

Porque o mesmo que destrói e que faz pedacinhos do meu pobre coração, também é o mesmo e único que é capaz de reconstruí-lo e concertá-lo novamente. A meia-hora atrás eu podia ver e sentir os vários pedacinhos do meu coração espalhados pelo chão, mas agora, já posso sentir alguém consertando cada mínimo pedaço dele. Afinal, sempre é assim, o mesmo que fere, é sempre o mesmo que cura.
—  Perfeita do perfeito.
Às vezes eu queria voltar a ser criança, voltar a ser aquele pequeno ser inocente e delicado. Eu queria voltar só pra ter aquela ótima sensação de ter uma vida maravilhosa. Quando eu era pequena, não imaginava que a vida seria assim tão cruel e dura. Eu imaginava a vida um conto de fadas, aonde todos eram felizes e amigos, aonde o mal só existisse nas novelas, um mundo perfeito, sem sofrimento, dores e choros, aonde eu encontraria paz e harmonia pra viver feliz, mas quando cresci, percebi que eu estava apenas me iludindo. Pois, na verdade o mundo não é as mil maravilhas, o mundo é cruel e rude. Estou apenas com dezessete anos e posso dizer que ainda não me sinto preparada pra vida. Cada dia mais enxergo como o mundo realmente é, e quer saber a verdade? Cada vez mais, eu desejo não ter que enfrentar ele e não me sinto pronta pra isso. Eu quero cada vez mais poder fugir do mundo lá fora, quero poder fazer quem sabe um casulo e viver nele. Quero poder ficar embaixo das cobertas e permanecer nele por um longo tempo. Não me sinto pronta pra viver, acho que nunca estarei pronta pra isso. Não tenho muitas experiências de vida, mas com as poucas que tenho, tenho muito medo de acontecer tudo de novo e até pior, tenho medo de enfrentar a vida e fracassar, tenho receio de não ser aceita pela sociedade, tenho diversos medos que a cada dia que passa, me atormenta mais e me dá mais insegurança. Sinto como se eu fosse uma criança grande, como se eu tivesse crescido na idade, ter ficado um pouco mais alta, mas continuasse sendo aquela criança frágil e medrosa, talvez eu tenha esperanças de poder existir um mundo maravilhoso, igual ao que eu imaginava, mas ao mesmo tempo tenho certeza que isso não existe. Me sinto uma criança que precisa da sua mãe sempre ao lado, que precisa dela para caminhar, que segura firme na mão dela e só segue se ela estiver junto. Sinto que sou aquela pequena que precisa do seu pai por perto, que seu maior herói é ele, que com ele estou segura, que preciso dele para ganhar minha comida favorita, que só ele pode me fazer ficar segura. Mas cada vez que completo mais um ano de vida, percebo que não posso depender somente deles, que estou crescendo e vivendo por mim mesma, cada vez mais é eu por mim, sou a única que pode trilhar o meu caminho. Como eu queria ser pra sempre criança, sem precisar se preocupar com nada, sem se preocupar com a vida e assim, simplesmente ser feliz. O mundo podia ser perfeito, sem brigas, violências, decepções e corações feridos. Podia ser o oposto do que realmente é. Eu queria não ter que passar por tudo que passei, queria não ter que chorar por aquele cara idiota, não ter que discutir com meu melhor amigo, não ter que ver minha melhor amiga chorar por aquele cara que a fez sofrer, queria não ter que ver meus pais brigarem e ver minha irmã chorar porque caiu de bicicleta, queria não ter que sofrer e sentir meu coração doer, queria que não existisse saudade, medo, ódio, infelicidade, queria que o mundo fosse feito de apenas coisas boas e lindas, queria poder enfrentar a vida sem medo, poder sentir que sou verdadeiramente feliz. Mas infelizmente, não é assim tão fácil, não é como eu quero, nada é do meu jeito. Nada e nada. Eu tenho que aprender a viver a vida, tenho que crescer na marra, se quero ser feliz, preciso lutar pra sentir o gosto da vitória. Claro que ser criança é maravilhoso, mas infelizmente essa fase passa, e a minha passou, agora sou uma adolescente e logo seria uma adulta. Mas não irei perder a esperança de um dia ser totalmente feliz, vencer todos os meus medos, esquecer tudo de mal que me fizeram, passar uma borracha em tudo de triste que passei e lembrar somente dos momentos bons. Se eu pudesse seria criança mais uma vez e diria pra mim mesma: “Aproveite, aproveite muito, pois é a fase mais linda e única da nossa vida. Seja feliz hoje, pois é a única chance.”
—  Agora só me restou a saudade e as lembranças da minha infância.
rubro e azul

rubro: o gosto metálico sanguíneo na minha boca que você causa quando eu descubro que tudo isso se trata de um romance unilateral. amor da minha parte, descaso da tua. que parte.

azul: tristeza e melancolia que você traz quando se vai e se esvai da minha vida com uma insensibilidade, até mesmo invejável, alguns diriam. viro céu de anil em tempos de chuva: choro ininterruptamente. 

rubro e azul são as cores da minha dor.

Que a covardia não vede a boca que fala ou o coração que grita. Que o mundo não encolha sonhos e degluta esperanças. Que sorrisos sejam estendidos e distribuídos entre os lábios e o olhar para que a felicidade venha sempre a querer brotar. Que a paz almeje se estender na alma de quem tolera ultrajes e abusos, e que não pereçam em ira como os que mal lhe fizeram, pois de carne, sangue e alma todos são feitos, mas afortunados aqueles que alma indulgente e etérea contém. Que a piedade seja plantada, regada e colhida. Sinceramente, desejo não só piedade, mas não se adianta redigir, pois perfeição nunca há de existir. O mundo e a vida não é novela, filme ou comercial na televisão. O mundo é apenas mundo e quem vive nele é apenas uma parte do que é mundo, pois viver é ser mundo e ser mundo é entender o que é viver.
—  Serafim, tecendo o céu.
Abro os olhos mas não vejo nada. Sinto um peso em minha cabeça mas é apenas meu travesseiro. O despertador toca ao longe e não consigo alcanca-lo, não vejo nada. Finalmente consigo pegá-lo. Seis da manhã. Quantas horas eu dormi? Doze? E mesmo assim o cansaço pesa em meu corpo. Me esforço para levantar. Preciso me arrumar para o serviço, mas a minha vontade é zero. Preciso me esforçar, pego uma toalha, minha roupa branca e vou para debaixo do chuveiro. Ontem mesmo ouvi “você está doente, como pode cuidar de outras pessoas?”, isso não sai da minha cabeça. É muito difícil para mim esconder tudo isso. Passo a maior parte do dia no hospital, me escondendo daquilo que eu sei que é verdade. Mas eu ignoro. Não posso abandonar tudo, não agora. Já sou um total fracasso em tudo, desistir seria humilhante demais. Dou bom dia pelos corredores com meu estômago roncando alto. Esta tudo bem. Continue fingindo. Forte/vazia/forte. Tudo isso gira em minha cabeça enquanto a água morna escorre pelo meu corpo. Ah, se ela levasse junto com ela as minhas dores. Uma garota que finge ser feliz, mas está cheia de cicatrizes por dentro e por fora. Nos seus pulsos está escrito “be strong” mas nem ela mesma acredita mais nessas palavras. Fracassada. Assim que se define. Desligo o chuveiro e me seco, me visto, sem me olhar no espelho. A imagem que reflete nele me dá nojo. Vou até a cozinha e pego uma xícara.
- Tem bolo dentro do forno.
Ouço minha mãe falar entrando na cozinha. Na esperança que eu queira me entupir de bolo (240 cal) as seis da manhã. Apenas assinto com a cabeça enquanto preparo meu chá com adoçante (0 cal). Ela ainda pensa que esta tudo bem. Nada que sorrisos falsos, maquiagem e roupas largas não disfarcem não é? Sinto uma pontada de culpa, odeio mentir. Mas logo passa, isso tudo é necessário. Tomo meu chá enquanto minha mãe está no banho.Coloco meus fones no último volume na musica “courege”. Pego um prato e espalho farelo de bolo sobre ele. Deixo a forma do bolo em cima do forno. Pego uma fatia e jogo fora. Depois deixo o prato e a xícara na pia. Pronto. Ela vai pensar que comi aquela explosão de calorias. Só falta uma coisa. Um elogio. Vou até a porta do banheiro.
- Mãe, estou indo, ah, o bolo estava ótimo.
- Ta bom, vai com deus!
Trabalho feito. Aquela pontada de culpa volta. Mas a afasto para longe. Coloco os fones novamente e sigo o caminho do hospital. Minha cabeça dói. Estou a quantos dias sem comer? Nem sequer consigo me recordar. Chego com muita dificuldade até meu setor. Sinto um peso nas minhas costas. Tentei deixar tudo de lado, tomei cerca de dois litros de água, até ficar enjoada. Dentro dessas seis horas. A manhã passa rápido. Eu não paro um minuto. Finalmente chega a hora de ir embora. Pego minhas coisas e vou. Na saída uma colega me chama. Desacelero o passo. Ah meu deus o que ela quer agora?
- Você está bem?
(Minta!) - Estou sim, porque?
- Está meio pálida, faz dias que te vejo assim.
- Eu sou branca demais, deve ser isso.
- Você está com uma aparência de doente, isso que estou querendo dizer.
- Bobagem, estou um pouco gripada, só isso.
- Tudo bem então, se precisar de algo pode me chamar, até amanhã.
- Obrigada, até!
Uau, ok, isso foi estranho. As pessoas estão começando a perceber? Poxa, eu passo muita maquiagem e fico sorrindo o tempo todo. Aparência de doente? Isso me deixou preocupada. E se minha mãe notar algo? Vou para casa o mais rápido possível. Não tem ninguém em casa. Então me troco e deito, preciso esquecer a fome, e não, não posso comer. Tenho academia mais tarde, mas tenho medo de passar mal. O que aconteceu outro dia. Quase desmaiei, tive que dizer que eu tomava remédio forte , e que minha pressão caia as vezes. Mentira. Sou rodeada por mentiras. E sinceramente isso é muito cansativo. Oh Deus, o que eu faço para essa dor de cabeça passar? E não, não vou comer. Vou até a cozinha e preparo outra xícara de chá. O cheiro me enjoa. Tomo e volto a deitar. Meu estômago reclama, ele estava na esperança de receber algo sólido. HA-HA, não foi dessa vez meu amigo! Não sei aonde vou tirar forças para ir na academia, mas terei que ir de qualquer forma. Pego no sono, e me acordo duas horas depois. Bem a tempo de me vestir e ir malhar. Eu sempre gostei de ir na academia, é como se eu colocasse toda a minha raiva nos exercícios, gosto de me sentir exausta, aquele cansaço de “eu não aguento mais” me faz sentir bem. Por um momento parece que estou fazendo alguma coisa certa. Exceto por, fazer exercícios sem comer. Enfim, eu aguento essa. Coloquei meus fones e fui correndo até a academia, que fica a duas quadras da minha casa. Lá encontro minha linda e magra professora. (Que por favor, não dê aula só de top hoje, para eu me sentir mais fracassada do que já sou!). Venderia minha alma para ter o corpo como o dela. Tento me concentrar nos exercícios, mas estou fraca demais. Qual é, agora não! Quando me abaixo para alongar sinto tudo escurecendo ao meu redor. E já sabia o que estava por vir. Não senti mais nada. Tudo apagou. Quando consigo abrir os olhos sinto meu corpo doer, vejo várias pessoas ao meu redor, alguém verifica minha pressão. Não consigo falar. Elas falam mas eu não entendo, sinto uma pontada na cabeça, será que eu bati quando cai? Quando consigo sentar a sensação já passou um pouco.
- Como você está se sentindo? - diz minha professora.
- Estou bem, o que houve?
- Bem, você desmaiou, sua pressão foi lá no chão, já havia acontecido isso antes?
- Ah, já, e hoje está muito quente, deve ser por isso.
- Quer que levem você para o hospital?
- Não precisa, passo tempo demais lá. (brinco)
- Tudo bem, mas vá se sentar um pouco antes de ir embora. Pedi para trazerem um suco para você, tudo bem?
- Tudo bem, obrigada.
A aglomeração já havia acabado, apenas uma mulher estava sentada ao meu lado, me olhando a cada segundo pensando que eu iria para o chão de novo. Que vergonha. Isso não poderia ter acontecido. Não consegui terminar os exercícios! Que droga! Sinto vontade de chorar. Mas empurro um suco de laranja garganta abaixo. Preciso ir embora. Passei vergonha demais por hoje. Quando estou saindo alguém me chama na porta.
- Psiu.
Era um garoto, muito bonito por sinal. Olhos castanhos e cabelo escuro, usava uma blusa preta e tinha uma tatuagem no braço.
- Ah, oi. - respondi meio surpresa.
Eu nunca conversava com ninguém na academia, o máximo foi trocar algumas palavras com uma colega sobre como estava quente aquela tarde. Ele passa a caminhar do meu lado, como se eu o tivesse convidado a me acompanhar até em casa.
- Foi você quem passou mal na aula lá em cima?
- Ah, foi, mas não é nada demais, porque?
- Eu estava passando lá bem na hora, só não fui lá porque sei que atrapalharia mais do que ajudaria, sou péssimo nessas coisas.
- Que vergonha, pararam a aula por minha causa. - dou um sorriso sem graça.
- Que isso! Nada demais, mas agora você está bem?
- Ah sim, estou ótima, vou para casa já.
- Como é seu nome?
- Me desculpe, esqueci, me chamo Júlia e você?
- Lucas, mas pode me chamar como quiser.
(Sorrio)
- Ok, obrigada pela preocupação, eu moro naquela casa no final da rua. Nos vemos por aí. - tenho vontade de bater minha cara na parede depois de dizer isso.
- Espera, me passa seu número?
- Pra quê?
- Talvez eu queira conversar com você depois. - ele dá um sorriso torto.
- Tudo bem, anota aí.
Digo meu número e me despeço. Com certeza aquilo foi muito esquisito. Entro me perguntando o que tinha sido aquilo. Vou direto para o chuveiro, o que eu mais precisava agora era um banho, bem gelado, para esquecer tudo o que tinha acontecido. E os pensamentos voltam. Sinceramente achei que eles só viriam a noite, mas resolveram aparecer mais cedo desta vez. Aquela vontade de sumir toma conta de mim. “Você não é importante, ninguém te ama, você deveria morrer”. Tenho vontade de gritar. Essa voz fica repetindo isso em minha cabeça várias e várias vezes. É interrompido pelo som do meu celular. Uma mensagem. “Queria esperar mais para te mandar mensagem mas não aguentei, gostei muito de te conhecer.” Era do Lucas, aquele garoto que a dez minutos atrás eu nem sabia que existia. Coloco o celular de lado, não queria responder naquele momento. Terminei meu banho e fui para o quarto. Enfim respondi a mensagem “Também gostei de te conhecer.” Foi o máximo que consegui. Qual é! Conversamos dez minutos, nem isso, o que queria que eu falasse? Mal respondo e já chega outra mensagem. “Podemos sair um dia desses, se você puder, é claro.” (Não, estou muito ocupada fingindo que estou bem, não comendo e me cortando, ah, e meus pensamentos suicidas não me deixam em paz, então seria melhor não acontecer). “Claro, eu adoraria! Estou livre no sábado”. Idiota, não consegue ser má com ninguém, nem mesmo com alguém que acabou de conhecer. “Ótimo, te pego as oito."Ok”. Eu tinha um encontro? Não acredito. Ah e se ele quiser me levar para comer um xis burguer? O que eu faço? Que roupa vou usar sem parecer uma porca gorda? Ah, isso é o de menos, hoje é quinta-feira, tenho tempo para pensar nisso. Preciso dormir, isso que preciso. Tomo duas colheres de anti-ácido para ver se meu estômago para de chorar e vou dormir. Sexta-feira passa muito rápido, e quando vejo já é sábado. Tenho cortes recentes nos braços, como vou esconder? Um casaco e maquiagem, sempre funciona. Se não fizer um calor de quarenta graus. E já estava calor de manhã, de noite poderia ser pior. Não existe a possibilidade de eu ir de casaco, terei que ir de manga longa, a mais fina que eu tiver, mas só a maquiagem não vá cobrir os cortes, tenho mais isso para me preocupar. Me visto, passo maquiagem, um batom escuro, e não me encaro muitas vezes no espelho pois sei que mudaria de ideia sobre sair de casa. Antes que comece a por defeito em cada parte de mim a campainha toda. Era ele, pontual demais por sinal. Eram oito e um. Desci e avisei minha mãe que iria sair. Ele estava mais bonito que o outro dia, estava com uma camisa cor de mel e uma calça escura, o cabelo estava bem penteado, estava super perfumado. Ele me dá um beijo no rosto.
- Vamos?
Ele abre a porta do carro para mim. Eu apenas assinto com a cabeça. Confesso, eu estava nervosa. A muito tempo eu não tinha um encontro, nem nada parecido. E não acreditava que estava me permitindo a isso outra vez. Mas a única coisa que realmente me preocupava era aonde iríamos.
- Aonde vamos?
- Bom, é surpresa.
- Ah me fala, sou curiosa.
- Você vai ver.
Isso me deixava mais nervosa ainda. Chegamos em um restaurante. Eu tremi, meu pior pesadelo, comer em público. Respira, respira, respira. Eu tinha que segurar a barra, só por uma noite. Depois poderia ficar uma semana sem comer, ou algo parecido. Poderia me punir. Mas eu não poderia me comportar como uma louca/maníaca por comida, ele não poderia saber de tudo na primeira noite.
- Está tudo bem? - ele segura minha mão e me puxa para fora dos meus pensamentos.
- Ah sim, tudo certo, é aqui?
- É sim, vamos?
Ele desce e abre a porta para mim. Cavalheiro demais pro meu gosto. Deve ser porque é a primeira vez que estamos saindo. Garanto que ele não faria isso todos os dias. Enfim, ele apoiou a mão em meu ombro e entramos. Era um lugar confortável, as luzes eram meio fracas, o que dava um ar bem romântico. Havia uma mesa no canto direito, com dois lugares, era decorada com rosa brancas. Nos levaram até ela, ele havia reservado. Me sentei e ele se sentou na minha frente. Olhei ao redor e haviam poucas pessoas. Eram educadas, conversavam baixo. Respirei fundo mais uma vez. ‘Você consegue fazer isso’. Fiquei repetindo na minha cabeça o tempo todo. Logo trouxeram nossa comida, ele mesmo que escolheu para mim. Tinha carne, arroz, salada, era um prato bem enfeitado. Umas 398 calorias calculei. Ele me perguntou o que eu queria beber, e pedi uma água sem gás. Comecei a cortar a carne em pedaços, primeiro quatro, depois oito e depois dezesseis pedaços. Coloquei um na boca e comecei a mastigar. Essa era a hora de começar a falar, quem sabe assim conseguiria comer menos. A carne desceu rasgando a minha garganta. Estava suando frio. Tomei um pouco de água.
- Então, o que você faz? Sabe, além de ir na academia… - ele sorri.
- Eu trabalho e estudo, faço faculdade de psicologia.
Ah droga, ele ia ser psicólogo? Eu estava realmente perdida. A qualquer momento eu seria descoberta, disso eu tinha certeza.
- Ah, que legal.
Minha cora de assuntos tinha acabado por ali, eu era péssima nisso. Na verdade eu era péssima em tudo o que fazia.
- E você, faz o que?
- Trabalho num hospital e estudo enfermagem.
- Eu não conseguiria, sabe, lidar com pessoas doentes.
- Mas na verdade você vai lidar, só que são pessoas psicologicamente doentes, o que eu acho bem pior, você apenas não está vendo a doença, pois ela está por dentro, mas ela está lá, muito pior que um câncer ou algo parecido.
- Nossa, me surpreendeu agora!
- Porque diz isso?
- Você entende de psicologia?
- Além de enfermeira, sou psicóloga - sorrio - Sabe, os pacientes são muito necessitados de atenção, de ter alguém pra conversar, e eu faço esse papel também. - mexo na minha salada e coloco um pedaço de alface na boca.
- Entendi, mas não deve ser muito fácil.
- Fácil não é, mas é o que eu realmente amo fazer, parece que é a única razão pela qual eu ainda continuo viva, para ajudar as outras pessoas, cuidar.. Única forma de eu me sentir útil.
- Está sendo melancólica.
- Não estou não, estou sendo sincera.
- Tudo bem.
- Sabe, eu fazia terapia. - droga, não deveria ter falado isso.
- Sério? - ele parece apavorado - você não me parece alguém que precisaria de um psicólogo.
- É, mas preciso. - ele sorri, levou como uma cantada.
- Me diga o motivo. - nesse nível da conversa ele já estava acabando de comer, e eu ainda comendo a alface.
- Você não vai querer saber, de verdade.
- Quero sim, por isso estou perguntando, pode confiar em mim, já sei lidar com gente maluca. - ele me cutuca e sorri de canto.
- Tive alguns problemas um tempo atrás, e minha mãe achou melhor me levar numa psicóloga, que acabou virando psiquiatra e eu tive que tomar uns remédios, mas foi por pouco tempo, hoje eu estou super bem. - minto.
- Que tipo de remédios? - ah, agora ele estava querendo saber demais.
- Olha, é a primeira vez que a gente sai, não quero ficar te assustando com a minha triste história.
- Mas se eu quis sair com você e te trouxe até aqui é porque quero saber mais da sua triste história, afinal, é quem você é.
- Você vai ser um bom psicólogo. - sorrio triste. - Então tudo bem, eu tive depressão, tentei suicídio e descobriram que eu tenho transtorno bipolar.
- Só isso?
- Bom, só? Acho bastante coisa para alguém de 21 anos, não acha?
- Já atendi pacientes piores. - ele parece indiferente.
- Sofri de automutilação também.
- O que mais?
- Nada. - eu não podia falar da ana e da mia, seria um crime.
- Você é uma pessoa interessante.
- Fala isso porque sou maluca e você é psicólogo? - sorrio.
- Não, falo isso porque é verdade.
- Tudo bem.
- Você é linda. - ele acaricia o meu rosto de leve. - Mas nem tocou na sua comida, está ruim?
- Ah, não, está ótima, eu que não estou com muita fome hoje.
- Tudo bem.
Ficamos um tempo em silêncio e eu me pergunto o que se passa na cabeça dele. Afinal, eu acabei de contar que sou uma maluca suicida e ele diz que sou linda? Trazem a sobremesa e eu nem comi a comida. Graças, agora só preciso enrolar mais um tempo. Digo que vou ao banheiro. Me olho no espelho, mesmo depois de ter passado maquiagem eu ainda estava pálida. Tanto faz, aquela altura eu só queria ir pra casa dormir. Não sei porque havia aceitado aquele convite, aquilo não daria em algo bom. Eu sentia isso. Volto para mesa e ele já devorou metade da sobremesa.
- Não vai comer?
- Não gosto muito de doce.
- Você vive do que, de ar? - ele ri, eu fico muda. - Foi brincadeira, desculpe.
- Não, tá tudo bem. - não, não está.
Pego meu copo de água, quando solto ele pega na minha mão, e puxa minha manga.
- Você ainda faz isso? - o olhar dele era uma mistura de preocupação com medo. Puxo meu braço rápido, foi apenas um descuido e ele viu, isso não podia acontecer.
- Bom, cada um acha uma forma de se aliviar. - foi a única coisa que eu consegui dizer.
- Você não precisa disso. - ele pega na minha mão e faz eu olhar nos olhos dele. - Você é linda, não precisa andar por aí cheia de marcas!
Não consigo responder. O que ele estava tentando fazer?
- Está tarde, você me leva em casa? - ele parece triste.
- Sim, vamos então.
No caminho até a minha casa não falamos nada. Ele liga o som e é a única coisa que se escuta dentro daquele carro além da nossa respiração. Chegamos.
- Foi muito bom, obrigada, de verdade.
Seguro na porta para abri-la.
- Espera. - ele me puxa de volta.
- O que foi?
- Vamos nos ver de novo?
- Podemos sim, mas porque a pergunta?
- Talvez eu tenha feito ou falado algo que você não gostou.
- Não, não fez nada, de verdade. - ele acaricia a minha bochecha e coloca a mão na minha nuca, a mão dele está meio fria o que me dá um arrepio.
- Você é lin-da. - ele quase sussurra enquanto aproxima o rosto do meu, posso sentir o hálito dele em mim.
- Obrigada. - é a única coisa que respondo, eu estou anestesiada, eu quero que ele me beije mas ao mesmo tempo não quero, e penso que ele já teria o feito se quisesse. Então ele encosta os lábios nos meus, bem de leve, depois com mais força, sinto seu gosto em mim, e eu quero mais, e mais. Não quero parar agora, ele coloca a outra mão em minha nuca e puxa meu cabelo de leve, sinto um arrepio. Eu quero ele todo pra mim, naquele momento, mas não posso. Começo a beijá-lo mais lentamente, até parar e olhar para ele. Ele passa a mão pelos meus cabelos e me dá um beijo na testa.
- Obrigado pela noite.
Eu me viro e saio do carro, ainda não acreditando no que havia acontecido. Eu pensava que ele não iria me beijar, e o beijo dele era maravilhoso, poderia passar horas e horas beijando ele sem parar. A eu tinha que parar de pensar nisso e entrar em casa! Vou para meu quarto e deito na cama, preciso analisar tudo o que aconteceu. Eu saí com ele e contei praticamente toda a minha vida (ou uma boa parte dela) e ele me beijou? Isso era muito estranho. Pego minha coisas e vou para o chuveiro. Quando volto para me deitar meu celular vibra. “Durma bem.” Apenas isso. “Você também.” Respondo. Viro para o lado e pego no sono. Acordo com o despertador mais uma vez. Ao longo do dia trocamos alguns sms’s. Não me pesei hoje, e não vou fazer isso até amanhã. Tenho medo de subir na balança, aqueles números me assustam. Estou cansada, e meu estômago não para de reclamar. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer. Não posso comer.
Pego uma garrafa de água gelada e tomo ela toda até sentir que vou explodir. Pronto agora ele pode parar de reclamar, pelo menos por um tempo. Não me lembro realmente quando tudo isso começou, quando dei por mim já estava no banheiro com o dedo na garganta, é viciante. Com o Lucas as coisas vão bem, tirando a parte que escondo o que se passa por minha cabeça vinte e quatro horas por dia. Esses dias estávamos deitados e ele passou os dedos pelos cortes em minha barriga, que estavam quase cicatrizados.
- Você não vai mais precisar disso, eu te prometo.
Não respondi, apenas me deixei envolver os braços nele, era aquilo que eu precisava, alguém que cuidasse de mim, mas o que ele não sabia é que havia algo pior que os cortes. Os pensamentos sobre suicídio não me deixavam em paz. Eles vinham no momento que queriam e estavam me enlouquecendo. Me sinto totalmente fracassada por não ter conseguido daquela vez, me descobriram, se não tivessem me levado a tempo para o hospital eu não estaria aqui agora. Acordei e vi minha mãe, e um curativo em meu braço. Sete pontos e uma garota maluca de dezesseis anos que tentou tirar a própria vida. Minha mãe não dizia nada, mas as vezes eu fingia dormir e a ouvia chorar. A pior coisa do mundo é ver sua mãe chorar, e pior ainda é saber que é por sua causa. Eu estava acabada, e sabia que precisava de ajuda, mesmo assim eu me recusava ao tratamento. Apenas me forcei a comer para não descobrirem o meu segredo, e sempre que dava, eu jogava a comida fora. Eu precisava sair de lá. Foram vinte e cinco dias, vinte e cinco longos dias que pareceram cinquenta. Finalmente recebi alta, no mês seguinte minha mãe ficava em cima de mim o tempo todo, achando que a qualquer momento eu pudesse tentar alguma coisa. Ela me olhava dormir duas vezes por noite. Sei disso pois me acordava com o som da porta cada vez que ela entrava. Fui forçada a ir na terapia duas vezes por semana, falar dos meus sentimentos com uma estranha. Nada daquilo adiantava, os remédios só me faziam sentir mais dopada e com vontade de dormir o dia todo. As vezes eu mentia que havia tomado. Foram três longos anos até minha mãe achar que estava tudo bem e que eu não tentaria me matar de novo. Ela parou de me vigiar e eu voltei a me cortar. Era o momento em que me sentia viva, vendo o sangue sair eu sabia que não tinha acabado ainda. Tenho mais coisas para fazer antes de partir. Me dediquei aos estudos, e aqui estou eu, aos vinte e um anos, deprimida outra vez. Mas de uma coisa eu sabia, que se houvesse outra tentativa, na verdade não seria tentativa, eu conseguiria, mas ninguém poderia aparecer para me salvar, como acontece nos filmes sabe? Nesse filme eu realmente morreria. Eu ignoro o pensamento o máximo que posso. Desde que o Lucas apareceu, sinto que uma parte da minha vida é colorida, e o resto é preto e branco. Não sei se desistiria da ideia de acabar com tudo por causa dele. Eu escreveria uma carta, que ele guardaria, e talvez depois de um tempo jogasse fora, para se esquecer de mim. Sei que algumas poucas pessoas sofreriam com a minha partida, mas passaria, é sempre assim que acontece. As pessoas ficam de luto, choram por noites, e depois de um tempo superam, e seguem suas vidas, é inevitável. Sou uma garota de vinte e um anos que não vê mais motivos para viver. Estou no meu quarto a umas três horas, chorando, me cortando. Não tem ninguém em casa. Meu celular tocou algumas vezes, mas não o peguei. Eu não aguento mais, preciso terminar com isso logo. Bato na parede com força, minha mão sangra. Eu quero gritar, mas minhas forças acabaram. Vou até a cozinha, na prateleira de remédios. Encontro os que eu queria, sedativos, indutores do sono, calmantes, se eu tomasse todos de uma vez dormiria para sempre? Volto para o quarto, pego uma folha e uma caneta, começo a escrever uma carta. E amasso o papel. Pego outro. Nenhuma palavra é boa o suficiente, nenhuma. Nada justifica minha falta de vontade de viver. Desisto de escrever uma carta. E faço um bilhete. “Me perdoem, mas foi melhor assim”. Apenas isso, seria o suficiente. Começo a tomar os comprimidos. Um, dois, três, vinte e quatro, quarenta? Eu acabei com as cartelas, ainda não sinto nada. Mas parei de chorar. Seria o fim? Agora meu celular toda sem parar, é o Lucas. Fico tonta, já se passaram seis horas, daqui a duas horas minha mãe chegaria, algo deveria acontecer. Vou até o banheiro, vejo tudo girar. Pego meu navalhete, que ainda não havia usado. Coloco a banheira para encher. Tiro minha roupa. Está tudo girando, me deito na banheira, eu preciso de apenas um corte e sei exatamente onde fazê-lo. Deslizo a minha com força em meu antebraço, na horizontal. E o sangue começa a sair com força, logo a água da banheira está vermelha, sinto que vou apagar a qualquer momento. Sinto medo, estava dando certo. Fecho os olhos e deixo meu corpo me levar para debaixo da água. Escuto um barulho forte, mas ao mesmo tempo fraco, está tudo confuso para mim. Quando sinto que estou indo sinto algo me puxar para fora da água. Não vejo mais nada. Quando acordo vejo minha mãe chorando, de alegria? Demoro a perceber o que está acontecendo. Eu estava entubada. A pior sensação que alguém pode ter deve ser essa. Vejo uma enfermeira correr e chamar ajuda, e tiram o tubo de minha garganta. Todos comemoram, eu não entendo nada, não tenho forças para falar. Única coisa que sei por enquanto é que estou no hospital. Quando outra enfermeira se aproxima de mim consigo ver seu uniforme, agora eu sabia exatamente onde estava, UTI. Como isso pode estar acontecendo? Minha mãe segura minha mão.
- Filha, você lembra do que aconteceu?
Não tenho forças para responder, meus pulmões doem para respirar. Tento fazer que não com a cabeça, nesse momento minha mãe já havia parado de chorar.
- O Lucas te encontrou na banheira, sangrando, desacordada, te trouxe para o hospital, mas acharam que era tarde demais, você entrou em choque, eu sei que você sabe o que significa - ela sorri triste - teve uma parada cardíaca e veio parar aqui. Você ficou onze dias em coma, os médicos não sabiam se você acordaria, ou quais seriam as sequelas se você acordasse novamente, eles estavam sem esperança na verdade. Mas eu sabia que você iria acordar! - seus olhos ficam molhados novamente - Você recebeu sangue, fizeram lavagem pois você havia tomado muitos remédios, eu fiquei aqui o tempo todo, esperando você abrir os olhos. Filha, eu não posso te perder, você é tudo que eu tenho! - ela desaba a chorar novamente.
- Oh mãe… - Consigo responder, e ouvir minha voz faz ela chorar mais, ela me abraça e eu choro também - Prometo nunca mais fazer nada parecido.
- Filha eu te amo. - Ficamos um tempo abraçadas até que ela me solta.
- Mãe, onde está o Lucas?
- Aqui existe horário de visitas, você sabe disso, mas ele passou muito tempo aqui com você, se não fosse por ele, eu teria perdido você!
- Mãe, o importante é que estou bem agora, preciso muito falar com ele.
- Vou chamá-lo.
- Ele está aqui?
- Ele sempre está filha, ele só volta em casa para tomar banho e volta para cá.
Dou um sorriso triste. E ela saí. Logo o vejo entrar, vejo uma lágrima cair e ele toca o meu rosto.
- Nunca mais faça isso comigo. - Ele desaba. Depois se recompõe, eu não consigo dizer nada. - Tenho uma coisa para você, eu não queria que fosse dessa forma, mas enfim.
Então ele se ajoelha ao lado da minha maca, tira uma caixinha preta do bolso e a abre para mim com os olhos molhados.
- Amor da minha vida, você aceita, que eu te cuide todos os dias, pelo resto da minha vida, que eu te ame, que eu acorde ao seu lado e esteja mais perto de você para garantir que nada de ruim aconteça? Você aceita se casar comigo? - Eu estou em prantos, mas preciso encontrar forças para responder. Percebo que os enfermeiros e técnicos estão todos olhando para mim e sorrindo, alguns até deixam escapar uma lágrima.
- Sim Lucas, sim! É tudo o que eu mais quero! - Ele coloca a aliança no meu dedo e me beija, e o que eu sentia era uma mistura de tudo.
Depois de um dia fui levada para o quarto, ainda haviam medicações a fazer. Então depois de oito dias recebi alta. E decidi que a partir daquele momento eu seria feliz, eu me permitiria ser feliz. Hoje estou com vinte e seis anos, e confesso a vocês, está difícil terminar de escrever com a Sofia no meu colo. As cicatrizes agora fazem parte do meu passado, e hoje estou cuidando do meu futuro. Agora vou indo, o papai da Sofia acabou de chegar.
—  Recomeçar.

Eu sou como o vento. Posso ser leve e ninguém notar a minha existência, mas posso ser pesado e destruir todos ao meu redor. Todos sabem que existo, mas ninguém me vê. Todos podem me sentir, mas ninguém sente a minha verdadeira presença. Todos me imaginam ou pensam que me conhece, mas ninguém sabe como realmente sou. Eu sou o vento. Que venta lá e venta cá. Que venta aqui e venta por aí. Sou o vento, mas também posso ser brisa, ventania, tornado, ciclone e furacão. Eu sou toda tempestade em meio a tanta simplicidade.

- Nenhum sentimento é eterno, disse meu professor de psicologia.
Seria tudo mais fácil e prazeroso se fossemos felizes eternamente, se a tristeza fosse um sentimento raro, que outrem não banalize o amor, não nos atinja. Seria tudo tão fácil se isso fosse verdade, como diz o ditado “A mesma coisa todos os dias, cansa!”. A verdade é que nunca estamos preparados, nunca, sempre temos algo a reclamar, sem nos deixamos abalar por coisas pequenas, não que todo mundo tenha a mesma capacidade de enfrentar obstáculos da vida.
A emoção é uma experiência que envolve a pessoa como um todo, corpo, mente e alma. É uma reação complexa, desenvolvendo-se por um estimulo ou pensamento. Existem centenas de reações, variações e mutações. Às vezes a confusão conceitual entre sentimento e emoção deixam-nos num estado complicado de encontrar a saída, já que os mesmos se relacionam, porém, são diferentes entre si. Assim como nós, somos iguais, porém diferentes.
Isso talvez seja assustador ou apenas aquela interrogação imensa na frente do espelho.
Por que será que acordamos sorrindo, feliz com a vida, aquela vontade de gritar o quão bom é viver, enxergar, caminhar e por obra do destino, no dia seguinte levante-se com um aperto no peito, aquela coisa de “tanto faz”? Possa ser que realmente seja difícil, doloroso, mas não existe coisa melhor do que estar bem consigo mesmo. Acho uma delícia quando vejo sorrisos sinceros ou aquele casal de velhinhos sentado na praça, aquele olhar de paixão ardente que nunca se apaga. Tudo isso pode não significar nada, mas a certeza de todas ás vezes que você tenta decifrar, afunda-se mais, por isso, pare, viva, sorria, encante, seja feliz. Feliz da maneira que realmente te faça feliz, porque o “amanhã” um dia deixa de brilhar …
—   PAIXÃO, Monique desde 1993.

Meu amor, eu sei que essa dor te dilacera a alma, rói tuas unhas, arranha as costas, te maltrata como uma puta. Num mundo onde todos conspiram contra você, viver é um ato de revolução. Eu sei que você ama a rebeldia, então, por favor, não se mata. Hoje chora, amanhã talvez e depois é outro dia. Há esperanças enquanto houver amanhecer. Amor, renove-se.

Bomba interior

isso é sobre como falta pouco para essa bomba interior explodir. isto é pra dizer que sufocar não tem sido a melhor forma de fazer passar. isto é pra te mostrar que deixarei de existir em poucos segundos. isto é pra dizer que virar um nada não é opção, era a última escolha que eu poderia fazer. isto é pra lembrar que não só essa minha bomba interior irá explodir, como outras já estão explodindo por todo universo. isto é pra relatar que estou um caos. isto é pra dizer que estou sofrendo um colapso. isto é pra dizer que explodir é o mesmo que morrer.
isto é pra dizer que isso é meu último suspiro, último verso.
os segundos do relógio se aproximaram a zero.
e cabum!
explodi aqui, ali.
o som barulhento me descrevia
pois o silêncio já nem cabia em mim.

e.c

Eu quero que vá embora. Pegue todas as suas coisas e desapareça, não foi sempre essa sua vontade? Pois agora eu quero que vá para bem longe de mim, leve tudo com você, a saudade, as lembranças, vestígios, tudo e faça o favor de arrumar toda a bagunça que você fez. Coloque tudo no devido lugar. Não quero nada que me lembre você. Não fique ai achando que a minha vida vai parar por sua causa, vou seguir em frente como fiz sempre, você nunca quis me acompanhar e a vida continua com ou sem você. Agora é cada um pro seu lado. Cansei de você! Pois, é, cansei. Você nunca pensou que poderia chegar á este dia não é? Pensou o quê? Que seria trouxa para sempre? Que deixaria que você continuasse a brincar comigo? Não querido! Sabe as lágrimas que derramei por você? Viraram sorrisos, mas para outros. Perdeu a sua vez. Todo o amor que eu senti por você, será de outro. Um alguém que seja digno dele.
—  Fraquejou em desapego com Consagrada.